Total de visualizações de página

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MANIFESTO DA ALN E DO MR-8

Escrito a quatro mãos pelo Gabeira e por Franklin Martins, em 1969, com exigências pela libertação do embaixador americano Charles Burke Elbrick, na fase mais negra da ditadura militar e da tortura e morte de quem teve a coragem de lutar pela volta da democracia em nosso país. Reproduzo apenas a metade final do manifesto.
"A vida e a morte do sr. embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências, o sr. Burke Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária. Nossas duas exigências são:

a) A libertação de quinze prisioneiros políticos. São quinze revolucionários entre os milhares que sofrem as torturas nas prisões-quartéis de todo o país, que são espancados, seviciados, e que amargam as humilhações impostas pelos militares. Não estamos exigindo o impossível. Não estamos exigindo a restituição da vida de inúmeros combatentes assassinados nas prisões. Esses não serão libertados, é lógico. Serão vingados, um dia. Exigimos apenas a libertação desses quinze homens, líderes da luta contra a ditadura. Cada um deles vale cem embaixadores, do ponto de vista do povo. Mas um embaixador dos Estados Unidos também vale muito, do ponto de vista da ditadura e da exploração.

b) A publicação e leitura desta mensagem, na íntegra, nos principais jornais, rádios e televisões de todo o país.

Os quinze prisioneiros políticos devem ser conduzidos em avião especial até um país determinado - Argélia, Chile ou México - onde lhes seja concedido asilo político. Contra eles não devem ser tentadas quaisquer represálias, sob pena de retaliação.
A ditadura tem 48 horas para responder publicamente se aceita ou rejeita nossa proposta. Se a resposta for positiva, divulgaremos a lista dos quinze líderes revolucionários e esperaremos 24 horas por seu transporte para um país seguro. Se a resposta for negativa, ou se não houver resposta nesse prazo, o sr. Burke Elbrick será justiçado. Os quinze companheiros devem ser libertados, estejam ou não condenados: esta é uma “situação excepcional". Nas "situações excepcionais", os juristas da ditadura sempre arranjam uma fórmula para resolver as coisas, como se viu recentemente, na subida da junta militar.
As conversações só serão iniciadas a partir de declarações públicas e oficiais da ditadura de que atenderá às exigências.
O método será sempre público por parte das autoridades e sempre imprevisto por nossa parte.
Queremos lembrar que os prazos são improrrogáveis e que não vacilaremos em cumprir nossas promessas.
Finalmente, queremos advertir aqueles que torturam, espancam e matam nossos companheiros: não vamos aceitar a continuação dessa prática odiosa. Estamos dando o último aviso. Quem prosseguir torturando, espancando e matando ponha as barbas de molho. Agora é olho por olho, dente por dente.”
Ação Libertadora Nacional (ALN)
Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8)"
Para quem não viveu essa época - ou perdeu a memória - informo que a ditadura se viu forçada a libertar os 15 presos e os sequestradores devolveram o embaixador são e salvo.
Foi a primeira grande derrota da ditadura militar e dos torturadores. A última grande derrota destes acontecerá no próximo dia 3 de outubro.

5 comentários:

Anônimo disse...

Sábios são Lula e Dilma que concentram esforços na construção do país e não ficam retro-alimentando essa discussão sobre a ditadura. Os vencedores venceram e isso basta. A democracia esta aí e aos perdedores todos devíamos permitir que pudessem falar ao vazio... Não há explicação que você dê que os fará compreender determinados valores. Pasemos com a caravana e só.

leila castro disse...

Lacerda,

Vais responder?
"Sábios são Lula e Dilma que concentram esforços na construção do país e não ficam retro-alimentando essa discussão sobre a ditadura."

Este trecho é interessante!

LACERDA disse...

Os torturadores continuam por aí em campanha odiosa e nefasta contra Lula e Dilma. A internet está infestada de bolsonaros. Caluniando como os comentaristas da postagem anterior. Como os atuais blogs dos ex-torturadores saudosos do tempo em que imperavam. Como o Serra, como o "indiota", como a imprensa da oposição cínica, mercenária, demagógica e corrupta.
Quem esquece o passado está condenado a revivê-lo.
Não podemos retirar da memória aquele período negro da nossa história. A história é uma só e não pode ser dissociada do nosso presente. Não existe ex-história.
Nossos jovens de hoje precisam saber o que aconteceu e como jovens como eles se sacrificaram no passado para conquistar a democracia.

leila castro disse...

Êpa!

"Caluniando como os comentaristas da postagem anterior".

Onde fiz isto?

Os tempos de ditadura deveriam ser exaustivamente comentados, deveríamos ter memoriais em locais onde milhares de pessoas foram torturadas e mortas.
Os arquivos dos militares, deveriam ser objeto de estudo em todas as escolas. Publicação de livros que retratam estes anos de trevas, deveriam ser incentivados.

Jamais gostaria que acontecesse o mesmo que acontece com os tempos do Estado Novo, onde os algozes passaram a ser sinônimo de "progresso" e de estadistas.

Pedi para você comentar, pois sei que não pensas desta forma e até pensei que fosse fazer justamente uma crítica ao trecho do comentarista que diz que Lula e Dilma não ficam retro-alimentando essa discusão.
Ou você concorda que eles pouco alimentam esta discussão saudável, e aí pensaríamos que beijam os coturnos de quem os humilhou, ou falam muito deste período e o comentarista estaria com uma avaliação errada quanto ao posicionamento de Lula e Dilma.

Este é o foco desta questão.

LACERDA disse...

Epa! Perdão, minha querida Leila.
Não fui bem claro. Estava me referindo ao Lauro Tentardini e ao Zaralho, comentaristas da postagem anterior.
Mas, valeu você ter se sentido agredida, pois, assim, eu mereci esse seu comentário for-mi-dá-vel que, certamente, vai convencer o anônimo lá de cima.
Tenho certeza que ainda vou ver chegar o dia em que seguiremos o exemplo do Chile e da Argentina. Por enquanto, vamos concentrar esforços na reconstrução do país.