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quinta-feira, 22 de junho de 2017

BOICOTE À REDE GLOBO

Revisitando este meu humilde e sarcástico blog, encontrei esta postagem de janeiro/2013 e decidi reeditá-la.
BOICOTE À REDE GLOBO
Os protestantes fundamentalistas estão assanhados contra a TV Globo devido à novela“Salve Jorge” e à minissérie “O Canto da Sereia”. Propõem boicote à Globo por exaltar as entidades umbandistas Ogum e Yemanjá.
Os “evangélicos” veem mais holofote sobre outras doutrinas. Dizem que os casamentos em novelas são geralmente católicos e que a doutrina espírita é uma constante na programação noveleira.
"Em 25 anos, vin-te e cin-co, lembro de apenas uma reportagem boa na Globo sobre evangélicos. E tem semana em que, todo dia, o 'Jornal Nacional' fala bem da Igreja Católica" –afirmou Silas Malafaia em O Globo  – “E, se há personagens evangélicos, é crente, mas vagabundo. É pastor, mas safado”.
Esses caras, em episódio lamentável de intolerância e radicalização, mais uma vez estimulam o confronto religioso com discursos de ódio e conseguem fazer o que eu imaginava ser impossível, isto é, eu ficar do lado da Globo.
A produção da TV Record enviou à concorrente um questionamento que considerou pertinente: se a Globo pretende exibir uma novela cuja protagonista seja “evangélica”.
Em resposta, a Globo afirmou que sua programação é laica e não segue nenhuma doutrina religiosa. Que os roteiristas são livres para criar.
Poderia também dizer o quanto é difícil criar algo favorável sobre o que é tão sem charme e frustrante quanto os falsos profetas milagrosos das seitas pentecostais. Contra é muito mais fácil, até eu consegui escrever estes versos:
“Simulados milagres em qualquer esquina
Onde um cabeça de bagre vomita doutrina...
É o falso profeta prevendo o passado
E fazendo a coleta, fica endinheirado.
O devoto que paga foi abençoado,
"Curou" sua chaga e expulsou o “danado”...
E onde está a polícia? Cadê solução?
Apelar pra milícia? Chamar o ladrão?”
Já imaginaram uma novela ou minissérie da Globo contando aquelas peripécias bíblicas do Velho Testamento que até mesmo Deus duvida e que eles tanto exaltam?
Tenho uma sugestão: a TV Globo poderia produzir uma minissérie contando a história de Isaac, o filho que Abraão quase degolou e queimou amarrado numa fogueira em holocausto a Deus Que o salvou no último segundo da prorrogação. 
Seria preciso introduzir um personagem que fosse médico psiquiatra para tratar e explicar como a criança conseguiu superar tamanho trauma psicológico: quase virou churrasco, mas cresceu e, assim como seu pai, sempre levava um papo firme com o Todo-Poderoso. Casou-se com a linda Rebeca e foi aplicar em Abimalec o mesmo golpe aplicado por seu pai e sua mãe cerca de 50 anos antes.
Sugiro, ainda, introduzir um núcleo com as filhas de Ló que, carentes de sexo, embebedaram o pai e deitaram com ele. Isto depois de serem salvos de Sodoma e Gomorra. A mãe ficou lá como uma estátua de sal, castigo por ter olhado para trás.

É claro que a Globo teria sérios problemas com a censura.
Agora, falando sério, o que eu quero ver mesmo são esses pastores enfrentarem os bicheiros cariocas que, através das escolas de samba, também colocam holofotes sobre aquelas entidades umbandistas.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

SAUDADE, LEMBRANÇAS E FALSAS MEMÓRIAS

Toda saudade traz diferentes lembranças. Às vezes, traz também falsas memórias.
Podem não acreditar, mas lembro dos meus seis meses no colo da minha prima, ela cantando “upa, upa, upa cavalinho alazão” e eu pulando de alegria. Foi meu primeiro carnaval em 1938.
Depois, em 1944, o bloco cantando “olha a cobra fumando” entrou na minha casa e, quando saiu, me levou junto. Meu pai foi me buscar no outro quarteirão. Ainda lembro da bronca que levei.
Lembro da guerra e dos blecautes diários. Havia o medo de bombardeios, tínhamos que ficar trancados em casa e com as luzes apagadas.
Quando sinto saudade dos meus oito anos, lembro das minhas primas que cuidavam de mim. Uma delas pedófila, abusava daquela criança. E como eu gostava...
Quando sinto saudade da minha mui querida mãe, lembro da vara de goiabeira que ela mantinha junto ao fogão. Lembro dela tentando me pegar com a vara na mão; de me acordar toda manhã e de seus gritos chamando-me à noite para voltar pra casa.
Lembro da minha infância. Lembro do zepelin que vi passar vagarosamente em direção à Base Aérea de Santa Cruz e que, depois, adulto, descobri ser uma falsa memória.
Lembro da minha primeira namorada que nunca soube do nosso namoro nem jamais soube o que perdeu. 
Quando sinto saudade do meu pai, lembro de sua estante cheia de livros - com Dostoyéviski,  Émile Zola, Kafka, Máximo Gorki - que eu li todos antes dos 14 anos.
Quando sinto saudade da escola primária, lembro do Professor Valle e sua esposa Lili. Ela ensinava português e ele, comunista, professor de matemática, nos ensinava raiz cúbica. Vejam só: já sabia resolver raiz cúbica no primário. Hoje, não sei mais. Nem raiz quadrada eu sei.
Sinto saudade do ginásio quando passei a estudar na Lapa onde conheci Oswaldo Nunes e Madame Satã, dois homossexuais que apareciam sempre na hora de saída do colégio.
Lembro dos bondes e da primeira vez que saltei de um bonde andando. Claro que rolei no chão.
Lembro que matava aula para ir à praia ou ao Capitólio com as garotas. Tempo bom.
Sinto saudade do trem, na volta pra casa, cheio de normalistas do Instituto de Educação. Até peguei uma pra mim que, depois, me deu um filho. Hoje, ele é coronel da Aeronáutica.
Quando sinto saudade da minha irmã, lembro do Nelson Rodrigues. Ela possuía todos os livros dele, os quais eu li quase todos. E me tornei seu ardoroso fã. Tal como ela.
Quando lembro do meu irmão, penso nas inúmeras vezes que tive de brigar na rua pra defendê-lo.
Agora, beirando os oitenta, todas estas lembranças permanecem vivas. E, quando quero, passo o VT completo em minha mente.
E sinto muita pena de quem sofre com o Mal de Alzheimer.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

MEA CULPA

É isso que tem faltado em nossa sociedade: o "mea culpa". 
É, também, o que já me fez escrever diversas postagens que levaram alguns a pensar que defendo os políticos.
 
O que defendo é que precisamos parar de culpar os políticos por tudo de mal que acontece. Não podemos agir como Goebbels - o ministro da comunicação nazista - que considerava judeus e comunistas culpados pela crise econômica, social e política na Alemanha após a primeira guerra. Deu no que deu, todos sabem.
Já disse aqui que políticos são como fraldas descartáveis, ambos têm que ser sempre trocados, e sempre pelo mesmo motivo. Coisa que não podemos fazer com os juízes, com um Gilmar Mendes, por exemplo.

E como eu não preciso agradar ninguém para obter votos e posso falar o que penso, vou me repetir para dizer que nunca vi tanta canalhice, tanta barbárie, tanta falta de educação, tanta pouca vergonha, tanta estupidez cometida pela nossa sociedade.
Vejo gente da classe média com o segundo grau completo assaltando e formando quadrilhas. Neo-nazistas surrando pessoas inocentes. Crianças agredindo professoras sem sofrer qualquer punição. Grupo de mocinhas atacando covardemente uma colega de turma. Adolescentes fazendo sexo no banheiro da escola e postando o vídeo na internet. Policiais matando, assaltando e liberando assaltantes sem prestar socorro à vítima. Idosos transportando drogas e armas. Crianças de doze anos roubando taxistas. Drogados incendiando suas próprias casas e a dos vizinhos. Promotor público que matou a mulher se entregando após oito anos porque não tinha dinheiro para tratar dos dentes. Mãe matar o filho de oito meses – filho de um pastor - para não perder o namorado novo. Criminosos hediondos liberados por juízes irresponsáveis. Motoristas embriagados deixando jovens em estado vegetativo e sendo liberados. Médico embriagado agredindo paciente dentro do hospital.
 Médica que não quis atender uma criança de um ano e meio, deixando-a morrer porque não era pediatra.  Pai abusando de filhas ainda crianças. Professor transando com aluna adolescente. Professoras do ensino fundamental transando com aluno e até com alunas em motel. Advogado levando celular e drogas para bandidos na cadeia. Vandalismo em biblioteca de faculdades. Enfermeiros aplicando sopa na veia de idosa, café com leite na veia de criança ou dando ácido para ela beber.
Torcidas organizadas matando-se entre si mesmas, cracolândias, maridos e namorados surrando ou matando as esposas e amantes, jovens homofóbicos e adultos pedófilos, etc, etc.
E o que é pior: gente medíocre e estúpida defendendo a volta dos militares ao poder.
Nem no Velho Testamento vi tanto infortúnio, tanta calamidade. Uma verdadeira degradação moral e aviltamento da vida. Uma absurda ausência de qualquer faculdade moral e intelectual.

Há algum tempo, porém, algo me deixou ainda mais perplexo. O caso do trio de canibais – um homem, sua mulher e a amante – que matava mulheres pra comer as carnes mais nobres. 
Tudo bem, apesar de a mulher não fazer parte da cadeia alimentar masculina, não vou discutir o gosto culinário nem o paladar do infeliz canalha que ia cursar psicologia numa universidade de Pernambuco. A questão primordial e funesta é que aproveitavam a carne de segunda pra fazer salgadinhos que vendiam no bairro.
Chego a pensar que nós, eleitores, somos muito mais canalhas do que o mais infame dos políticos. 
E não venham me falar em desvios de conduta nem no fracasso do sistema escolar. Todos os casos que citei são de criaturas que passaram pelos bancos escolares. Gente que tem o que comer e beber. Principalmente, beber. 
A culpa não é do professor. Nem do governo. Muito menos dos políticos. A culpa é da família, da sociedade em que vivemos, de cada um de nós.
E eu nunca vi ninguém culpar o dentista por nossas próprias cáries.
Será que somente neste caso é que fazem o "mea culpa"?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

CORDEL

Revirando meus guardados, descobri uma das minhas incursões, há cerca de uns quarenta anos, pela literatura de cordel, manifestação cultural que eu admiro.
Nesse tempo, eu trabalhava na SmithKline, laboratório que fabricava o produto, e criei o pretenso cordel para incluí-lo num trabalho de grupo na faculdade de comunicação do qual participaram os colegas Kátia do Carmo Elias, Luis de Almeida, Maria Arminda R. Carvalho, Nanci Marinho, Roseli de Jesus Fernandes, Sérgio Gabriel Domingos e Sueli de Souza Barbosa.
Por onde andarão eles? E principalmente elas?

A estória de Severino Capivara e como ele salvou Lampião da morte, enricou o patrão e amigou com a filha do boticário.
Vou contar pro mundaréu,
Brasil, Filadélfia e México,
À maneira do cordel,
Com todo o sabor poético
Do povo do meu sertão,
A estória de Severino -  
Apelido capivara -
Malandro desde menino,
Que um dia deu de cara
Com o bando de Lampião.
                   Dizem, mas eu duvido,
                   Que, dia do nascimento,
                   Logo depois de parido,
                   A mãe jogou seu rebento
                   No rio Jocutuguara.
                   Que depois foi encontrado,
                   Tomando um outro destino,
                   Amamentado e criado
                   Com o nome Severino
                   Por uma gentil capivara.
Era feio como a peste,
A cara bexiga só,
Terrorizava o nordeste
Pras bandas de Mossoró.
Concorrendo com o capeta,
Assustando criancinha,
Atacando muié prenha,
Deixando-as só de calcinha...
Nos machos, baixando a lenha,
Dando uma coça porreta.
                   Um dia, assim num repente,
                   O cabra tomou tenência
                   Quando ele deu pela frente
                   Com moça sem saliência:
                   A filha do boticário.
                   Pra móde ver a menina
                   Foi trabalhar na botica...
                   Deixou sua antiga sina,
                   Mostrava agora as canjicas
                   Parecia mesmo otário.
Estava um dia aperreado,
Vendendo droga a freguês,
Quando se viu rodeado
E atacado por três
Dos cabras de Lampião.
Disse o mais encapetado:
“O chefe tá com espinhela
Caída e com mau olhado,
Tá mais fraco que donzela
De primeira comunhão.
                   Quero um remédio porreta
                   Pra levantá o patrão,
                   Pra livrá ele da morte
                   E daquela abafação
                   Que já num guento seus ai”.
                   Severino foi dizendo:
                   Eu tenho um que é dos bons
                   Que arriba quem está morrendo,
                   Dá pro home dois vidrões
                   De Neuro Fosfato Eskay.
E leva três outros mais:
Quebra um na encruzilhada,
Um outro joga pra trás
Quando por o pé na estrada,
Mas, não se vire pra vê-lo.
Com o terceiro vidrão
Que é bem maior de tamanho
Diga pro seu patrão
Toda vez que tomar banho
Passar sempre no cabelo.
                   Quase um mês se passara
                   E aparece procurando
                   Severino Capivara
                   Lampião com todo o bando
                   De cabras mal encarados.
                   Lampião tava sadio,
                   Forte como um cavalo,
                   Parecia até no cio,
                   Bonito que nem te falo.
                   Cabelos bem penteados.
Foi direto à drogaria...
Lampião lá entrou só,
O bando ficou de espia
Na rua que nem mocó,
Tocaiando a macacada.
“Foi ocê cabra da pesta,
Ocê que quase me mata
Com droga  ruim da molesta
Que fede e tem gosto de lata,
Lata velha enferrujada?”
                   Severino tremeu de medo
                   Quando ouviu ele falar.
                   Perdeu a voz logo cedo
                   Sentiu a calça encharcar
                   E os pés presos no chão.
                   Lampião disse em seguida:
                   “Fique sabendo seu moço,
                   Ocê salvou minha vida.
                   Eu tava só pelo e osso,
                   Morrendo lá no sertão.
“Agora, eu tô bom de vez,
Fiquei inté bem mais forte,
Agüento lutar com seis,
Voltei a zombar da morte
E nunca mais dei um ai.
Vim aqui lhe agradecê
Dizê que lhe quero bem
E pedir pra me vendê
Todo estoque que tem
Daquele fosfato eskay.”
                   Se deu bem o boticário,
                   Vendeu remédio adoidado,
                   Já ficou milionário
                   E inda vem de todo lado
                   Gente pra comprar fosfato.
                   Severino amigou como queria,
                   Nunca mais saiu do trilho,
                   E ainda noutro dia
                   Os dois tiveram um filho

                   Que a mãe jogou no mato.

domingo, 7 de maio de 2017

OS FLATOS

Para mostrar que nosso blog não vive somente de críticas – mas, também é cultura – vamos falar sobre a flatulência.
Vamos informar tudo o que você queria saber sobre a flatulência e não tinha coragem de, nem a quem, perguntar. O peido... bem, vamos chamá-lo de flato (do latim flatus, sopro), embora não sejam a mesma coisa. Há diferenças, mas deixa pra lá porque peido não é palavra que fica muito bem num blog tão requintado.
O flato é uma ventosidade anal que pode ser ruidosa ou não e geralmente tem um cheiro fétido. Não é possível eliminar o fedor. Nem adianta comer alimentos perfumados, mas saiba que quanto mais forte o fedor, mais saudável é a criatura que o expeliu. É verdade, pode pesquisar, está relacionado com a atividade mitocondrial que regula a vida das células. Já até andou circulando na NET, assim como tantas outras teorias absurdas compartilhada por oligofrênicos, que o fedor previne a incidência de câncer.

Tem origem nos gases que são ingeridos juntamente com a comida e, também, dos gases acumulados durante o processo de digestão e na decomposição dos resíduos orgânicos no intestino. Um desses processos é a fermentação de carboidratos por bactérias.
O mau cheiro dos flatos vem do sulfeto de hidrogênio e do enxofre livre na mistura. Quanto mais rica em enxofre for a dieta, mais flatos serão produzidos pelas bactérias no intestino e vão feder mais. Repolho, couve-flor, ovos cozidos, batata doce, são notórios por produzirem flatos fedidos e, muitas vezes, asfixiantes.
Embora sejam geralmente motivo de risos, os flatos são meras reações de processos internos de nosso organismo.
O interessante do mau cheiro flatulento é que não suportamos o alheio e até gostamos do nosso. A ciência ainda não sabe a causa dessa predileção.
O som dos flatos são causados pela vibração da abertura anal. Depende da velocidade na expulsão do gás e do diâmetro da abertura anal. Pelo volume do som, podemos medi-los como traques ou puns. Há também o do tipo metralhadora que é composto de vários flatos diminutos expelidos ininterruptamente. Contudo, a fetidez independe do som produzido.
Em média, uma pessoa pode produzir até 20 flatos diários, nem todos com uma sonoridade audível. Mesmo dormindo, todo ser vivo produz flatos.
Alguns soam como um despertador no meio da madrugada. Outros são capazes de produzir flatos até mesmo horas após a morte. Imagine um defunto peidando...
Mulheres produzem tantos ou mais flatos que os homens. As mulheres se envergonham disso, mas há homens que se orgulham e fazem questão de acionar uma espécie de amplificador anal para que todos ouçam os seus flatos. 
Uma mulher bonita, corpo bem feito, bem vestida, pode soltar à vontade seus flatos, em qualquer situação, pois ninguém nunca desconfia de pessoas com essas características. Desconfiam sempre dos gordos, dos velhos e de pessoas feias. 
O flato não tem nada a ver com o arroto. O arroto vem do estômago e pode vir acompanhado de resíduos estomacais; o flato é oriundo dos intestinos, tem uma diferente composição química e somente pode vir acompanhado de fezes líquidas.
É o chamado flato úmido que é desesperador quando estamos em público. Quem já passou por isso sabe como é triste ter as nádegas umedecidas por dejetos anais. O arroto geralmente tem um cheiro azedo e o flato tem um fedor nauseante característico que varia de pessoa para pessoa.
O cheiro do flato do rico é diferente do fedor do flato do pobre devido à alimentação. Notem que eu estabeleço uma distinção: cheiro do flato do rico e fedor do flato do pobre. Rico vive de dieta e não come – como nós simples mortais - repolho, ovo cozido, caranguejo, sopa de entulho nem prato feito de boteco. E só bebem “perfumarias”, não bebem cachaça.
Os gases que expelimos pelo ânus podem pegar fogo, produzindo chamas azuis e amarelas como as do fogão porque os flatos contêm metano e hidrogênio, facilmente inflamáveis. Mas, não tente fazer isso em casa. É muito perigoso, o fogo pode se introduzir em seu canal retal e causar estragos.
Esses gases que expelimos também são reconhecidamente capazes de destruir a camada de ozônio que protege o planeta e contribuem 20 vezes mais que o dióxido de carbono para o efeito estufa. Mas, você não pode evitá-los. Portanto, não se preocupe com isso, você já tem outros compromissos muito mais importantes com a ecologia.
Você pode, sim, tranquilamente adiar um flato. Você sabe que ele vem vindo, fecha o esfincter anal e ele volta para o intestino, aguardando uma ordem posterior. Você poderá soltá-lo depois em recinto e ocasião apropriados. Evite sempre soltá-los no elevador ou dentro do carro quando acompanhado de namorada nova. Também, pode evitar a sua ressonância controlando o esfincter anal para soltá-lo de mansinho, discretamente. Mas, cuidado, é preciso ter uma técnica profissional para fazê-lo. Já quebrei a cara, certa vez em uma reunião de trabalho, quando pensei que estava no total controle do som e, de repente, foi aquele PUM.
Aí está, portanto, tudo o que eu sei e que você gostaria de saber sobre o peido – ih! falei o nome dele – e não tinha coragem de perguntar. Ia me esquecendo, o Aurélio diz que flatulência também significa vaidade pretensiosa; bazófia, jactância. É, portanto, uma palavra bem adequada para qualificar quem se orgulha de seus peidos estrepitosos.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

LINDA, OBSCENA E QUASE PERFEITA

O filme já tinha começado quando Anselmo entrou no cinema. Esperou os olhos se acostumarem no escuro para escolher um lugar. Vislumbrou uma poltrona vazia ao lado de uma jovem que lhe pareceu bem bonita. Sentou ao lado dela. Viu que era mesmo linda quando ela lhe sorriu.
Braços colados no braço da poltrona, ambos olhando para a tela. Surpresa: ela entrelaçou os braços e pegou-lhe a mão.
Surpreso, e sem dizer palavra, Anselmo desceu a mão até a coxa da garota. Sempre olhando a tela, foi puxando a saia até sentir-lhe a pele lisa e branca.
Sem olhar para o lado, alisou a perna dela até o joelho. 
Surpresa maior: a perna terminava ali. Tomou um susto. Examinou a outra perna. Também terminava onde devia estar o joelho. A garota era perneta. Não podia voltar atrás. Seria humilhá-la. O filme não mais importava. 
“Perdi as duas pernas num acidente de carro” – disse-lhe a garota.
“Como você veio pra cá?” - perguntou-lhe. 
“Meu irmão me trouxe no colo” – respondeu ela.
Atônito, Anselmo não sabia o que fazer. Sugeriu que saíssem do cinema antes que o filme terminasse. Com um sorriso cínico, ela topou imediatamente.
Ainda no escurinho do cinema, Anselmo a pegou no colo e saíram rapidamente. Na rua, ele queria levá-la logo para casa. Ela mostrou-lhe onde morava. Anselmo, envergonhado, caminhou o mais rápido que podia.
Antes da casa, havia um terreno baldio com uma goiabeira nos fundos. 

“Vamos entrar aqui primeiro” – ela pediu insistentemente. 
Ele acabou atendendo a garota que sugeriu: “Me pendura na goiabeira”. 
Pendurada no galho, tal como uma ginasta olímpica na barra, ela levantou as coxas e, obscena, abriu-as. Estava sem calcinha, deixando sua área de lazer à mostra exatamente na altura do órgão genital do rapaz.
Anselmo não conseguiu se conter. Partiu para a ação. Quando terminou, sentiu-se um crápula, um devasso que se aproveitou de uma menina deficiente.
Sem nada falar, pegou a garota e levou-a para casa. Foi atendido por uma simpática velhinha que lhe agradeceu penhoradamente por trazer sua neta de volta. 

"Você foi muito bondoso e me demonstra que ainda existem rapazes caridosos” – disse a velhinha emocionada.
Arrependido, Anselmo não suportou, lágrimas desceram em sua face. Chorando, confessou o que fizera.
“Minha senhora, eu sou um canalha libertino, um calhorda desprezível e infame, um indivíduo vil e ordinário, sabe o que eu fiz com a sua neta?” – e contou-lhe todo o ocorrido.
Com um sorriso irônico, a velhinha consolou-o: “Meu filho, não se menospreze tanto assim. Infames e desprezíveis são aqueles que a deixam pendurada na goiabeira”.
Moral da estória:
Mantenha sempre elevada a sua auto-estima.



N.L.: Esta estória eu trago comigo há mais de sessenta anos. Nem sei se é minha mesmo. Mas, a versão atual eu sei que é minha.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

TATUAGEM

Fui apresentado a uma pessoa com horrível tatuagem escura no braço. Apertei-lhe a mão e disse: “Cara, você está com o braço todo sujo”.
Ele se ofendeu, fechou a cara e não quis mais falar comigo.
Agradeci a consideração.
Eu posso até perder um amigo, mas não perco a piada.
Pra mim, tatuagem é pichação do corpo. Eu não entendo como uma criatura em sã consciência pode enfrentar várias sessões de dor e sacrifício para pichar o próprio corpo, correndo o risco de adquirir doenças graves.
Até entendo as pichações de muros e prédios. É uma aventura inconsequente de jovens mal educados. Estes têm cura, o tatuado não.
Na idade média, a igreja católica afirmava que a tatuagem era coisa do demônio. Não chego a tanto – nem acredito na existência do demo – mas, que é uma coisa marginal, é.
Se fosse algo divino, os bebês já nasceriam todos bordadinhos e coloridos.
Na Inglaterra, o governo adotou a tatuagem como forma de identificação de criminosos. Também, não chego a tanto.
Nem todo tatuado é bandido, mas que todo bandido é tatuado, é. O mesmo ocorre com as prostitutas. Tenho todo o respeito por elas e não estou comparando-as com bandidos. Mas, todas elas são tatuadas e nem todas as tatuadas são prostitutas.
Estamos seguindo o exemplo de bandidos e prostitutas?
Na guerra, os soldados gravavam o nome de sua amada em seus corpos. Quando voltavam, anos depois, viam que a pessoa amada já estava sob nova direção e não mereciam aquilo.
O mesmo acontece atualmente, homens e mulheres gravam no corpo o nome de seus amados e depois se arrependem. Se conseguem apagar a tatuagem fica uma cicatriz pior ainda.
O filho de um amigo passou em concurso para a polícia civil e não foi aceito devido à tatuagem no braço. Para eliminá-la teve que retirar grande parte da pele. Um outro amigo, depois de velho, fez uma enorme tatuagem no braço. Ele que me perdoe por esse texto.
Por quais motivos inconfessáveis se fazem tatuagens? Será uma tentativa frustrada de ornamentar – com extremo mau gosto - o corpo de quem não está satisfeito consigo próprio?
O que, afinal, querem demonstrar os tatuados? Que são piores que os outros?
Ou será que demonstram apenas a sua debilidade mental, a sua imbecilidade.
Não entendo como uma mulher bonita, que chama a atenção por sua beleza, pode se macular com tatuagens nos braços, nas pernas, nas costas, e com pentelhos em abundância.
Tenho preconceito, sim, e quero distância de indivíduos que se picham, inclusive daqueles que conheci antes da pichação. 

domingo, 16 de abril de 2017

PAI, FILHO E ESPÍRITO DE PORCO

O pai, Emílio Odebrecht:
Lula era um elemento estranho nas grandes negociatas. Um “Amigo” politicamente simpático, porque interessado em ampliar a infra-estrutura do Brasil e financiar a exportação nacional de serviços de engenharia, uma liderança política a quem a Odebrecht tentava agradar com ajudas financeiras às campanhas eleitorais do PT.

O filho, Marcelo Odebrecht:
Marcelo pediu que alertasse Temer que Graça Foster, a presidente da Petrobras indicada por Dilma Rousseff para estancar a roubalheira na estatal, investigava as propinas pagas ao PMDB; “Temer não esboçou nenhuma intranquilidade, agradeceu, e pediu que eu agradecesse a Marcelo, que ele ia verificar as razões”, disse Melo Filho; Graça Foster fez mais: em 2012, ela cortou em 43% o contrato da propina; foi neste momento que Temer e o PMDB, com apoio da Odebrecht, passaram a conspirar pela derrubada de Dilma.

O espírito de porco:

segunda-feira, 3 de abril de 2017

VOU PELA VIDA

Tantas vezes tropecei, fui ferindo corações
E, perdido, terminei envolvido em mil desilusões...
Acossado pelo amor, afogado na paixão,
Vou seguindo pela vida mendigando o seu perdão.
Vou pela vida, alma sangrando com essa dor secreta,
A sofrer e a cantar qual louco poeta.
Vou pela vida e o tempo não devora esta lembrança,
O passado fica imóvel na distância.
Minha amada, idolatrada,
Salve, salve este afeto que se encerra.
Volta, vem correndo, vem depressa,
Amor só é bom quando dói, quando rói o coração...
Se a noite chega aflita, eu deito só a procurá-la,
O sono vem e me agita, o sonho é alívio, alegria,
Nele você me visita, é a sua ausência viva em mim.
Acordar pra quê? Com uma dor doída assim...
Levantar por quê? Se eu não tenho ninguém,
Não tenho onde ficar, nem sei pra aonde ir, quero dormir.
Imagino a noite ainda, o sol a pino, a vida escura, 
A procura de um desejo, aquele sonho em que a vejo.
E, assim, vou pela vida,
Amargurado em minha triste travessia
Até pousar na laje fria o corpo meu já por demais cansado.
Falta você pra devolver-me a alegria:
Só você e o seu perdão vão colorir o meu viver

sexta-feira, 24 de março de 2017

MEU CONTO DE FADA

Tomei um banho de loja, me embrulhei pra presente. 
Bordei um sorriso no rosto e me declarei a ela.
(Quando me apego, sou cego, me entrego, não nego.)
Convidei a lua cheia, derramei-a em sua janela
Com um luar da cor de prata...
Fiz comício, passeata, serenata só pra ela.
Dei-lhe anel, assinei papel, jurei amor eterno, 
Ela prometeu-me o céu e me levou pro inferno.
No início, uma fogueira, sempre acesa a noite inteira,
Pernas entrelaçadas, ternas...
(Tinha as mais belas pernas do pedaço)
Nossos corpos, num abraço, contestavam a ciência, 
Ocupando o mesmo lugar no espaço.
(Quanto mais amor pra nós era ainda pouco)
De dia, as flores na janela me espiando,
Odores na panela transpirando,
Sabores como os dela só provando...
De repente, pinta um racha entre nós:
Um drama atroz de filme barato, final de novela...
(Ela jogou tudo fora, a cadela) 
O sonho foi só meu, nunca foi dela
Aproveitou-se da minha mais-valia, abusou da regalia.
Hoje vivo duro, no bagaço,
O Ibope dela comigo só tem traço.
Mas, já ando sofrendo normalmente
E vou me dando bem com a tristeza,
Abri de vez com a solidão, fiquei de bem comigo.
Pra não perder a razão, perdi o seu juízo
O meu conto de fada deu em nada foi em vão.
(Se eu tinha que te perder tão cedo, por que você chegou tão tarde?)


segunda-feira, 20 de março de 2017

A TRANSPOSIÇÃO

Pequenino ele nasce
No alto da serra
E depressa ele foge,
Saltando entre as rochas...
Vestido de branco,
Ele pula do alto,
Um menino correndo
À procura do mar.
Escorrega no chão,
Brincando com as pedras...
Sozinho, ele traça
Seu próprio caminho,
Caminho sem volta
Cruzando o sertão
E trazendo pra vida
Uma vida melhor.
De repente, ele para
Cumprindo a visão
Do profeta que um dia
Pregou no sertão.
Chiquinho menino
Virou Velho Chico.
Lula abriu novo caminho
Algum tempo depois...
Não está mais sozinho,
Com a transposição,
Chico já tem um irmão 
E, agora, são dois
Inundando o sertão.

N.L.: veja AQUI a história da transposição.