Total de visualizações de página

domingo, 7 de maio de 2017

OS FLATOS

Para mostrar que nosso blog não vive somente de críticas – mas, também é cultura – vamos falar sobre a flatulência.
Vamos informar tudo o que você queria saber sobre a flatulência e não tinha coragem de, nem a quem, perguntar. O peido... bem, vamos chamá-lo de flato (do latim flatus, sopro), embora não sejam a mesma coisa. Há diferenças, mas deixa pra lá porque peido não é palavra que fica muito bem num blog tão requintado.
O flato é uma ventosidade anal que pode ser ruidosa ou não e geralmente tem um cheiro fétido. Não é possível eliminar o fedor. Nem adianta comer alimentos perfumados, mas saiba que quanto mais forte o fedor, mais saudável é a criatura que o expeliu. É verdade, pode pesquisar, está relacionado com a atividade mitocondrial que regula a vida das células. Já até andou circulando na NET, assim como tantas outras teorias absurdas compartilhada por oligofrênicos, que o fedor previne a incidência de câncer.

Tem origem nos gases que são ingeridos juntamente com a comida e, também, dos gases acumulados durante o processo de digestão e na decomposição dos resíduos orgânicos no intestino. Um desses processos é a fermentação de carboidratos por bactérias.
O mau cheiro dos flatos vem do sulfeto de hidrogênio e do enxofre livre na mistura. Quanto mais rica em enxofre for a dieta, mais flatos serão produzidos pelas bactérias no intestino e vão feder mais. Repolho, couve-flor, ovos cozidos, batata doce, são notórios por produzirem flatos fedidos e, muitas vezes, asfixiantes.
Embora sejam geralmente motivo de risos, os flatos são meras reações de processos internos de nosso organismo.
O interessante do mau cheiro flatulento é que não suportamos o alheio e até gostamos do nosso. A ciência ainda não sabe a causa dessa predileção.
O som dos flatos são causados pela vibração da abertura anal. Depende da velocidade na expulsão do gás e do diâmetro da abertura anal. Pelo volume do som, podemos medi-los como traques ou puns. Há também o do tipo metralhadora que é composto de vários flatos diminutos expelidos ininterruptamente. Contudo, a fetidez independe do som produzido.
Em média, uma pessoa pode produzir até 20 flatos diários, nem todos com uma sonoridade audível. Mesmo dormindo, todo ser vivo produz flatos.
Alguns soam como um despertador no meio da madrugada. Outros são capazes de produzir flatos até mesmo horas após a morte. Imagine um defunto peidando...
Mulheres produzem tantos ou mais flatos que os homens. As mulheres se envergonham disso, mas há homens que se orgulham e fazem questão de acionar uma espécie de amplificador anal para que todos ouçam os seus flatos. 
Uma mulher bonita, corpo bem feito, bem vestida, pode soltar à vontade seus flatos, em qualquer situação, pois ninguém nunca desconfia de pessoas com essas características. Desconfiam sempre dos gordos, dos velhos e de pessoas feias. 
O flato não tem nada a ver com o arroto. O arroto vem do estômago e pode vir acompanhado de resíduos estomacais; o flato é oriundo dos intestinos, tem uma diferente composição química e somente pode vir acompanhado de fezes líquidas.
É o chamado flato úmido que é desesperador quando estamos em público. Quem já passou por isso sabe como é triste ter as nádegas umedecidas por dejetos anais. O arroto geralmente tem um cheiro azedo e o flato tem um fedor nauseante característico que varia de pessoa para pessoa.
O cheiro do flato do rico é diferente do fedor do flato do pobre devido à alimentação. Notem que eu estabeleço uma distinção: cheiro do flato do rico e fedor do flato do pobre. Rico vive de dieta e não come – como nós simples mortais - repolho, ovo cozido, caranguejo, sopa de entulho nem prato feito de boteco. E só bebem “perfumarias”, não bebem cachaça.
Os gases que expelimos pelo ânus podem pegar fogo, produzindo chamas azuis e amarelas como as do fogão porque os flatos contêm metano e hidrogênio, facilmente inflamáveis. Mas, não tente fazer isso em casa. É muito perigoso, o fogo pode se introduzir em seu canal retal e causar estragos.
Esses gases que expelimos também são reconhecidamente capazes de destruir a camada de ozônio que protege o planeta e contribuem 20 vezes mais que o dióxido de carbono para o efeito estufa. Mas, você não pode evitá-los. Portanto, não se preocupe com isso, você já tem outros compromissos muito mais importantes com a ecologia.
Você pode, sim, tranquilamente adiar um flato. Você sabe que ele vem vindo, fecha o esfincter anal e ele volta para o intestino, aguardando uma ordem posterior. Você poderá soltá-lo depois em recinto e ocasião apropriados. Evite sempre soltá-los no elevador ou dentro do carro quando acompanhado de namorada nova. Também, pode evitar a sua ressonância controlando o esfincter anal para soltá-lo de mansinho, discretamente. Mas, cuidado, é preciso ter uma técnica profissional para fazê-lo. Já quebrei a cara, certa vez em uma reunião de trabalho, quando pensei que estava no total controle do som e, de repente, foi aquele PUM.
Aí está, portanto, tudo o que eu sei e que você gostaria de saber sobre o peido – ih! falei o nome dele – e não tinha coragem de perguntar. Ia me esquecendo, o Aurélio diz que flatulência também significa vaidade pretensiosa; bazófia, jactância. É, portanto, uma palavra bem adequada para qualificar quem se orgulha de seus peidos estrepitosos.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

LINDA, OBSCENA E QUASE PERFEITA

O filme já tinha começado quando Anselmo entrou no cinema. Esperou os olhos se acostumarem no escuro para escolher um lugar. Vislumbrou uma poltrona vazia ao lado de uma jovem que lhe pareceu bem bonita. Sentou ao lado dela. Viu que era mesmo linda quando ela lhe sorriu.
Braços colados no braço da poltrona, ambos olhando para a tela. Surpresa: ela entrelaçou os braços e pegou-lhe a mão.
Surpreso, e sem dizer palavra, Anselmo desceu a mão até a coxa da garota. Sempre olhando a tela, foi puxando a saia até sentir-lhe a pele lisa e branca.
Sem olhar para o lado, alisou a perna dela até o joelho. 
Surpresa maior: a perna terminava ali. Tomou um susto. Examinou a outra perna. Também terminava onde devia estar o joelho. A garota era perneta. Não podia voltar atrás. Seria humilhá-la. O filme não mais importava. 
“Perdi as duas pernas num acidente de carro” – disse-lhe a garota.
“Como você veio pra cá?” - perguntou-lhe. 
“Meu irmão me trouxe no colo” – respondeu ela.
Atônito, Anselmo não sabia o que fazer. Sugeriu que saíssem do cinema antes que o filme terminasse. Com um sorriso cínico, ela topou imediatamente.
Ainda no escurinho do cinema, Anselmo a pegou no colo e saíram rapidamente. Na rua, ele queria levá-la logo para casa. Ela mostrou-lhe onde morava. Anselmo, envergonhado, caminhou o mais rápido que podia.
Antes da casa, havia um terreno baldio com uma goiabeira nos fundos. 

“Vamos entrar aqui primeiro” – ela pediu insistentemente. 
Ele acabou atendendo a garota que sugeriu: “Me pendura na goiabeira”. 
Pendurada no galho, tal como uma ginasta olímpica na barra, ela levantou as coxas e, obscena, abriu-as. Estava sem calcinha, deixando sua área de lazer à mostra exatamente na altura do órgão genital do rapaz.
Anselmo não conseguiu se conter. Partiu para a ação. Quando terminou, sentiu-se um crápula, um devasso que se aproveitou de uma menina deficiente.
Sem nada falar, pegou a garota e levou-a para casa. Foi atendido por uma simpática velhinha que lhe agradeceu penhoradamente por trazer sua neta de volta. 

"Você foi muito bondoso e me demonstra que ainda existem rapazes caridosos” – disse a velhinha emocionada.
Arrependido, Anselmo não suportou, lágrimas desceram em sua face. Chorando, confessou o que fizera.
“Minha senhora, eu sou um canalha libertino, um calhorda desprezível e infame, um indivíduo vil e ordinário, sabe o que eu fiz com a sua neta?” – e contou-lhe todo o ocorrido.
Com um sorriso irônico, a velhinha consolou-o: “Meu filho, não se menospreze tanto assim. Infames e desprezíveis são aqueles que a deixam pendurada na goiabeira”.
Moral da estória:
Mantenha sempre elevada a sua auto-estima.



N.L.: Esta estória eu trago comigo há mais de sessenta anos. Nem sei se é minha mesmo. Mas, a versão atual eu sei que é minha.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

TATUAGEM

Fui apresentado a uma pessoa com horrível tatuagem escura no braço. Apertei-lhe a mão e disse: “Cara, você está com o braço todo sujo”.
Ele se ofendeu, fechou a cara e não quis mais falar comigo.
Agradeci a consideração.
Eu posso até perder um amigo, mas não perco a piada.
Pra mim, tatuagem é pichação do corpo. Eu não entendo como uma criatura em sã consciência pode enfrentar várias sessões de dor e sacrifício para pichar o próprio corpo, correndo o risco de adquirir doenças graves.
Até entendo as pichações de muros e prédios. É uma aventura inconsequente de jovens mal educados. Estes têm cura, o tatuado não.
Na idade média, a igreja católica afirmava que a tatuagem era coisa do demônio. Não chego a tanto – nem acredito na existência do demo – mas, que é uma coisa marginal, é.
Se fosse algo divino, os bebês já nasceriam todos bordadinhos e coloridos.
Na Inglaterra, o governo adotou a tatuagem como forma de identificação de criminosos. Também, não chego a tanto.
Nem todo tatuado é bandido, mas que todo bandido é tatuado, é. O mesmo ocorre com as prostitutas. Tenho todo o respeito por elas e não estou comparando-as com bandidos. Mas, todas elas são tatuadas e nem todas as tatuadas são prostitutas.
Estamos seguindo o exemplo de bandidos e prostitutas?
Na guerra, os soldados gravavam o nome de sua amada em seus corpos. Quando voltavam, anos depois, viam que a pessoa amada já estava sob nova direção e não mereciam aquilo.
O mesmo acontece atualmente, homens e mulheres gravam no corpo o nome de seus amados e depois se arrependem. Se conseguem apagar a tatuagem fica uma cicatriz pior ainda.
O filho de um amigo passou em concurso para a polícia civil e não foi aceito devido à tatuagem no braço. Para eliminá-la teve que retirar grande parte da pele. Um outro amigo, depois de velho, fez uma enorme tatuagem no braço. Ele que me perdoe por esse texto.
Por quais motivos inconfessáveis se fazem tatuagens? Será uma tentativa frustrada de ornamentar – com extremo mau gosto - o corpo de quem não está satisfeito consigo próprio?
O que, afinal, querem demonstrar os tatuados? Que são piores que os outros?
Ou será que demonstram apenas a sua debilidade mental, a sua imbecilidade.
Não entendo como uma mulher bonita, que chama a atenção por sua beleza, pode se macular com tatuagens nos braços, nas pernas, nas costas, e com pentelhos em abundância.
Tenho preconceito, sim, e quero distância de indivíduos que se picham, inclusive daqueles que conheci antes da pichação. 

domingo, 16 de abril de 2017

PAI, FILHO E ESPÍRITO DE PORCO

O pai, Emílio Odebrecht:
Lula era um elemento estranho nas grandes negociatas. Um “Amigo” politicamente simpático, porque interessado em ampliar a infra-estrutura do Brasil e financiar a exportação nacional de serviços de engenharia, uma liderança política a quem a Odebrecht tentava agradar com ajudas financeiras às campanhas eleitorais do PT.

O filho, Marcelo Odebrecht:
Marcelo pediu que alertasse Temer que Graça Foster, a presidente da Petrobras indicada por Dilma Rousseff para estancar a roubalheira na estatal, investigava as propinas pagas ao PMDB; “Temer não esboçou nenhuma intranquilidade, agradeceu, e pediu que eu agradecesse a Marcelo, que ele ia verificar as razões”, disse Melo Filho; Graça Foster fez mais: em 2012, ela cortou em 43% o contrato da propina; foi neste momento que Temer e o PMDB, com apoio da Odebrecht, passaram a conspirar pela derrubada de Dilma.

O espírito de porco:

segunda-feira, 3 de abril de 2017

VOU PELA VIDA

Tantas vezes tropecei, fui ferindo corações
E, perdido, terminei envolvido em mil desilusões...
Acossado pelo amor, afogado na paixão,
Vou seguindo pela vida mendigando o seu perdão.
Vou pela vida, alma sangrando com essa dor secreta,
A sofrer e a cantar qual louco poeta.
Vou pela vida e o tempo não devora esta lembrança,
O passado fica imóvel na distância.
Minha amada, idolatrada,
Salve, salve este afeto que se encerra.
Volta, vem correndo, vem depressa,
Amor só é bom quando dói, quando rói o coração...
Se a noite chega aflita, eu deito só a procurá-la,
O sono vem e me agita, o sonho é alívio, alegria,
Nele você me visita, é a sua ausência viva em mim.
Acordar pra quê? Com uma dor doída assim...
Levantar por quê? Se eu não tenho ninguém,
Não tenho onde ficar, nem sei pra aonde ir, quero dormir.
Imagino a noite ainda, o sol a pino, a vida escura, 
A procura de um desejo, aquele sonho em que a vejo.
E, assim, vou pela vida,
Amargurado em minha triste travessia
Até pousar na laje fria o corpo meu já por demais cansado.
Falta você pra devolver-me a alegria:
Só você e o seu perdão vão colorir o meu viver

sexta-feira, 24 de março de 2017

MEU CONTO DE FADA

Tomei um banho de loja, me embrulhei pra presente. 
Bordei um sorriso no rosto e me declarei a ela.
(Quando me apego, sou cego, me entrego, não nego.)
Convidei a lua cheia, derramei-a em sua janela
Com um luar da cor de prata...
Fiz comício, passeata, serenata só pra ela.
Dei-lhe anel, assinei papel, jurei amor eterno, 
Ela prometeu-me o céu e me levou pro inferno.
No início, uma fogueira, sempre acesa a noite inteira,
Pernas entrelaçadas, ternas...
(Tinha as mais belas pernas do pedaço)
Nossos corpos, num abraço, contestavam a ciência, 
Ocupando o mesmo lugar no espaço.
(Quanto mais amor pra nós era ainda pouco)
De dia, as flores na janela me espiando,
Odores na panela transpirando,
Sabores como os dela só provando...
De repente, pinta um racha entre nós:
Um drama atroz de filme barato, final de novela...
(Ela jogou tudo fora, a cadela) 
O sonho foi só meu, nunca foi dela
Aproveitou-se da minha mais-valia, abusou da regalia.
Hoje vivo duro, no bagaço,
O Ibope dela comigo só tem traço.
Mas, já ando sofrendo normalmente
E vou me dando bem com a tristeza,
Abri de vez com a solidão, fiquei de bem comigo.
Pra não perder a razão, perdi o seu juízo
O meu conto de fada deu em nada foi em vão.
(Se eu tinha que te perder tão cedo, por que você chegou tão tarde?)


segunda-feira, 20 de março de 2017

A TRANSPOSIÇÃO

Pequenino ele nasce
No alto da serra
E depressa ele foge,
Saltando entre as rochas...
Vestido de branco,
Ele pula do alto,
Um menino correndo
À procura do mar.
Escorrega no chão,
Brincando com as pedras...
Sozinho, ele traça
Seu próprio caminho,
Caminho sem volta
Cruzando o sertão
E trazendo pra vida
Uma vida melhor.
De repente, ele para
Cumprindo a visão
Do profeta que um dia
Pregou no sertão.
Chiquinho menino
Virou Velho Chico.
Lula abriu novo caminho
Algum tempo depois...
Não está mais sozinho,
Com a transposição,
Chico já tem um irmão 
E, agora, são dois
Inundando o sertão.

N.L.: veja AQUI a história da transposição.

segunda-feira, 13 de março de 2017

QUANDO EU TE PERDI

Quando eu te perdi, tentei chorar,
Me atormentar com a dor que não senti.
Tentei enlouquecer na solidão,
Quis morrer de emoção, não consegui.
A razão disse que não,
Eu me esqueci de sofrer.
Quando eu te perdi, nem sei porque
Me acostumei à vida sem você...
Quem me vê sorrir até duvida:
Fez tão bem a despedida.
Quando eu te perdi,
Eu me encontrei, enfim...
Senti o coração dizer que sim à razão.


segunda-feira, 6 de março de 2017

FARSA DA SEPARAÇÃO

Já vivemos tão longe um do outro, 
Separados...
Mas, a vida foi capaz de nos unir,
Confundir nossos caminhos...
Um deslize, um quase nada 
Impediria o nosso caso.
O que teria sido de nós assim, 
Sozinhos,
Sem a ventura do acaso?
Ainda vivendo à procura de nós dois?
Então, por que querer entrar no meu passado?
Viver a sua vida sem depois, 
Sem nada mais a falar, a sentir, a sofrer...
Não seja louco, espera um pouco,
Não vai ainda, é noite alta, se comporte.
Olha, há lágrimas na vidraça,
Está chovendo, a chuva é forte,
Ela não passa.
Amanhã, sem farsa, pode ir...
Agora - porra! - vem dormir.


domingo, 26 de fevereiro de 2017

É CARNAVAL

O dinheiro investido no carnaval deveria ser empregado na saúde, é o que dizem alguns idiotas no feissibuque. 
Influenciadas por essas campanhas absurdas contra a folia e por iniciativas inúteis de outros prefeitos, algumas cidades caipiras decidiram cancelar o carnaval para investir em melhorias (?) na saúde e na educação.
Virou moda, principalmente, entre os prefeitos “evangélicos” que querem aparecer. 
De fato, não deveria haver carnaval em pequenas cidades do interior para que quem odeia a festa pudesse ali se refugiar.
E se o Crivella, em um acesso de estupidez, decidisse cancelar o carnaval carioca? Já imaginaram ficarmos sem a Portela, sem a Mangueira? Sem aquelas mulheres lindas e seminuas na Sapucaí. Sem os blocos nas ruas... Sem quatro dias de alegria...
Pô! Parem com isso. Quem faz o carnaval é o povo, e não precisa de apoio oficial como os blocos de Muriqui. Lá, o Bloco da Galinha, diz o Dinho, não vai sair porque o novo prefeito – Aarão – não vai dar ajuda oficial, o que faz ele muito bem.
Os prefeitos anteriores ajudaram dando camisas e hoje, Mangaratiba, tem cerca de 80 pequenos blocos. Lá sempre foi um bom negócio promover um bloco de carnaval. O organizador recebia 200 camisas que vendia a R$ 30 com direito a churrasco no dia do desfile.  Queimava uns cinco quilos de alcatra, pagava os componentes da bateria e ficava com o troco.
Carnaval no Rio com suas escolas de samba e seus 500 blocos também é lucro, muito lucro para a economia da cidade e para a prefeitura carioca. Este ano, cerca de seis bilhões de dólares entrarão na economia carioca.
Quando falam em cancelar o carnaval carioca, eu lembro do Barão do Rio Branco, aquele que apelidou de barão a quantia de mil cruzeiros por ter a sua foto estampada na nota. Hoje, quando se fala em mil reais, também se diz que é um barão.
Diplomata, advogado, deputado, promotor público, geógrafo e historiador, José Maria da Silva Paranhos Júnior – o Barão do Rio Branco - foi ministro das Relações Exteriores durante os mandatos dos presidentes Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Resolveu questões de fronteiras entre o Amapá e a Guiana Francesa, entre Santa Catarina e Paraná contra a Argentina e conquistou o Acre que pertencia à Bolívia. Foi o segundo ocupante da Cadeira nº 34 da Academia Brasileira de Letras.
Rio Branco é o patrono da diplomacia brasileira e uma das figuras mais importantes da história do Brasil. 
Quando faleceu em 10 de fevereiro de 1912, era uma unanimidade nacional. O carnaval, que começaria no domingo seguinte, foi cancelado em respeito ao luto pelo Barão e adiado para começar no dia 6 de abril. Foi a decisão do presidente marechal Hermes da Fonseca. O carioca, porém, que nunca necessitou de apoio oficial para brincar o carnaval, não se absteve de seus três dias de festa em fevereiro.
E lotou a Avenida Central que, apenas três dias antes, recebera o nome de Rio Branco, justamente em homenagem ao falecido.
Em 6 de abril, em plena Semana Santa, houve outro carnaval. E pior, toda a quaresma transformou-se em um período pré-carnavalesco.

N.L.: Salve a Unidos de Padre Miguel que, mesmo com a queda da porta-bandeira, fez um desfile maravilhoso e ganhou o Estandarte de Ouro.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O HELICÓPTERO DO CABRAL



As viagens de Sérgio Cabral para Mangaratiba está agora na pauta da imprensa. Mas, em setembro/2008, já tinha sido motivo de uma crítica minha neste sarcástico blog.
“O gaúcho Rudi Werner, cabeleireiro de 49 anos, tem uma clientela forte. Seus dois mais conhecidos clientes valem pela freguesia inteira de muitos concorrentes: o governador Sérgio Cabral e a mulher, a advogada Adriana Ancelmo.
Em uma ocasião, Cabral e Adriana mandaram um helicóptero, às 5 da manhã, ao heliponto da Lagoa para levá-lo a Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, onde passam os fins de semana com a família.
Foi a primeira e, até agora, única vez em que a primeira-dama não ficou totalmente satisfeita com seu trabalho. "Fiz o corte lá, com ela sentada numa cadeira comum", relembra. "No dia seguinte ela me ligou dizendo que um lado tinha ficado maior do que o outro."
Para sentar na cadeira de Werner, é preciso desembolsar R$ 300. O governador e a primeira-dama fazem questão de pagar pelo serviço. São uma exceção. Sabe-se que entre muitas celebridades e seus cabeleireiros existe um acordo: o corte é grátis, mas elas citam o nome dos profissionais em entrevistas.”

Como a primeira-dama não gostou do corte, o governador mandou buscar o cabeleireiro novamente de helicóptero no dia seguinte. Como diz a nota, o governador faz questão de pagar pelo serviço do cabeleireiro.
Agora, quem pagou as idas e vindas de helicóptero?
Advinhem...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

LIANA

     Foi há 53 anos...
     E num dia 17.
     Encontrei por mero acaso
     (ou foi destino?)
     Uma menina loura, linda,
     Dezessete aninhos...
     Pequenina, meiga, divina,
     Olhos brilhantes
     Cruzaram-se com os meus
     Olhos de rapina distantes de Deus,
     Olhos de ver apenas o que desse prazer.
     Sorriste pra mim,
     Sei lá por quê.
     Talvez não imaginaste
     O valor do teu sorriso...
     Talvez nem pensaste
     O que seria pra mim
     Aquele riso simples, sem maldade.
     Se pudesses compreender
     A importância do momento;
     Se pudesses entender
     O que me foi no pensamento...
     Se soubesses que o teu gesto
     Me apaixonaria loucamente...
     Tu o farias novamente?
   SIM, disse ela, em maiúsculas e corpo 24, 
      exatamente hoje, dia 17 quando faz 70 aninhos. 
      E é bonita ainda, a minha véia muito linda.        

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Saramago – o único Nobel de Literatura da língua portuguesa – escreveu, em 1995, o livro que virou filme dirigido por Fernando Meirelles, em 2008.
Não vi o filme, mas li o livro em que uma epidemia de cegueira espalha-se por uma cidade, resultando no colapso da sociedade. Tudo era permitido porque ninguém via o que o outro fazia. E, quando ele não é visto, o ser humano é capaz de tudo, das piores torpezas.
Lembrei de todo o enredo do livro ao ver agora o que vem acontecendo no Espírito Santo. Logo no Espírito Santo, onde o deus dos hipócritas deveria estar no comando e no controle de tudo como dizem alguns oligofrênicos no facebook.
Assaltos, arrastões, saques e assassinatos sujam as ruas de Vitória de medo, violência e sangue. Na explosão de violência no Espírito Santo, mais de 120 já morreram de forma violenta em todo o estado.
Milhares de capixabas entram nas lojas arrombadas e saem delas carregados de caixas e pacotes. Sapatos, roupas, aparelhos eletrônicos, gêneros alimentícios, tudo ao alcance das mãos é levado num saque coletivo.
Quem saqueia as lojas? Ladrões, traficantes, assaltantes?
Não. Com certeza, foram os seus familiares e amigos. Os saques foram cometidos por pessoas do povo, por donas de casa, mães e avós dos criminosos, pais de família, trabalhadores, estudantes e professoras. Até mesmo uma candidata tucana a vereadora. Enfim, "gente de bem" em um processo irreversível de degradação moral.
Por quê?
Foi como no Ensaio sobre a Cegueira, em que ninguém via o que o outro fazia. A coisa virou bagunça e cada humano podia expressar sua total desumanidade. 
No caso do Espírito Santo, era a polícia que não podia ver porque estava em greve. 
Onde não há repressão, não há limites.
Há barbárie.

domingo, 15 de janeiro de 2017

OXÍMORO

A palavra tem origem em dois termos gregos: oxus (esperto) e moros (estúpido).
Consiste na associação de dois termos contraditórios, duas imagens que na realidade se repelem, que aproximam dois sentidos totalmente incompatíveis. Uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão, formando assim um terceiro conceito que dependerá da interpretação do leitor.  
Um instante eterno
Silêncio eloqüente
Cópia original
Tumulto organizado
Ilustre desconhecido
Boato fidedigno
Crescimento negativo
Grito do silêncio
É ruim, mas é bom
Divórcio amigável
Sexo seguro
Silêncio ensurdecedor
Mentira sincera
Humildade portenha
Melodia funkeira
Espontaneidade calculada
Televisão educativa
Hércules Quasímodo 
(Este acima é do corno Euclides da Cunha descrevendo o nordestino em Os Sertões)
Não posso esquecer do belo soneto que Camões escreveu pleno de oxímoros:
Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que doi e não se sente...
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer...
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente...
É cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade, 
É servir a quem vence: o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade...
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade?
Agora, o melhor de todos os oxímoros: INTELIGÊNCIA MILITAR (OU POLICIAL).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

NOSSOS POLÍTICOS, DE ONDE ELES VÊM

Vêm de Marte? Ou será que eles vêm de Vênus?
Não. Eles vêm do mesmo lugar de onde surgem os juízes corruptos, os empresários egoístas, sonegadores e gananciosos, os traficantes, os viciados em tóxicos, os assaltantes, os jornalistas mercenários, os milicianos, os estelionatários, os criminosos, os falsos profetas que exploram a fé religiosa, os ladrões, os pedófilos e estupradores, os torturadores, os pichadores, os funkeiros, etc, e, até mesmo, os mansos e as pessoas de bem.
Todos eles surgem inofensivos, inócuos, sem culpa nem malícia, singelos, cândidos, puros, ingênuos, no seio – ou será no útero? - da nossa sociedade. Uma sociedade que se imagina vítima, mas que cria os seus próprios algozes.
Sei que falando assim vou desagradar muita gente. Principalmente a burguesia esquizofrênica que gera seus monstros e, depois, os culpa por seus erros. Uma burguesia negligente e convicta de que tão somente o pobre é bandido e que atingiu tal condição por falta de oportunidades ou por exclusão social.
E os facínoras das classes mais abastadas? Seria por falta de oportunidades que pastores cambistas negociam ingressos para o céu? E os políticos e juízes corruptos, teriam se tornado o que são por exclusão social?
Essa burguesia dissimulada ainda crê que tudo se resolve com a educação que o governo não proporciona ao povo. Confunde ensino público com educação. Já disse Einstein que educação é aquilo que nos resta depois que esquecemos quase tudo que aprendemos na escola.
Educação tem que ser prestada primordialmente pela família que é o núcleo da sociedade. É ela – e somente ela – quem pode determinar o seu caminho pelo mundo, se seus filhos terão boa ou má índole.
Isso dá muito trabalho, reconheço. Não é fácil educar, tem que ter muita paciência e força de vontade. A burguesia, porém, é preguiçosa e prefere deixar por conta do governo a educação de seus filhos. Assim, como qualquer incompetente, ela sempre terá a quem culpar: a escola, os professores, os políticos, o governo.
Essa burguesia preconceituosa que quer exigir dos políticos um mundo melhor para seus filhos, mas não oferece filhos melhores para o mundo. Uma burguesia nociva que quer levar vantagem em tudo, que explora os mais humildes e jamais se sente culpada pela proliferação das drogas que, ela própria, subvenciona. E ainda reclama da falta de segurança.
Chega de culpar os políticos por tudo de mal que ocorre no país. Temos que assumir a nossa parcela de responsabilidade. 
Político é apenas algo assim como uma fralda descartável. Quando suja, troca-se e joga fora.
Infelizmente, não temos esse poder para fazer o mesmo com os juízes que se enlameiam.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

NOSSOS POLÍTICOS

Do presidente ao mais obscuro e menos votado dos vereadores é a culpa de todas as mazelas que infelicitam o nosso povo humilde, honrado, íntegro, honesto, virtuoso e trabalhador.
É doloroso saber que o presidente é proprietário de inúmeras oficinas para desmonte dos carros roubados por seus ministros e assessores.
Revolta-me quando vejo deputados estaduais irresponsáveis jogando lixo nos rios e nas ruas, entupindo bueiros e poluindo o meio ambiente, ocasionando as inundações que tanto prejuízo causam ao nosso povo ordeiro e ecológico.
Fico assombrado ao ver bandos de vereadores pichando e invadindo condomínios, sequestrando e agredindo moradores, para roubar o que o povo honesto conseguiu adquirir com tanto sacrifício.
Onde está a Segurança que nada faz contra aqueles  políticos que matam a coices e pontapés um ambulante em uma estação do metrô? Pior foram os assessores assistindo sem nada fazer.
Assombram-me ainda os políticos infiltrados em pacíficas torcidas organizadas que se agridem e se matam pelas ruas e nos campos de futebol.
Causa-me espanto ver senadores drogados destruir e incendiar escolas, agredir professores, montar uma absurda aparelhagem de som em seus carros e perturbar o sono do povo com o funk pornofônico.
Em que outro país governadores pedófilos estupram e engravidam enteadas e filhas de nove anos? Agridem suas esposas até a morte e jogam a própria filha pequena pela janela do oitavo andar?
É triste ver prefeitos viciados em crack comandando o tráfico de drogas e aniquilando com a nossa juventude estudiosa e digna. Juventude tatuada que se entrega às drogas por completo desgosto com nossos políticos. 
Eu fico atônito ao ver tantos casos de acidentes com mortes nas estradas causados por deputados federais que dirigem embriagados. É por causa deles que nossos hospitais andam cheios de acidentados e não têm como cuidar de nossos jovens em coma alcoólico nem das nossas crianças resfriadas ou com joelhos ralados.
É nas casas desses políticos onde são encontrados os maiores focos de mosquito da dengue. A Saúde está falida?
E os filhos viciados desses políticos estão promovendo pegas com seus carros e motos, pichando as residências das famílias honestas, sequestrando e matando namoradas. Enquanto as suas filhas, a partir dos 13 anos de idade, enchem a cara de manguaça e as avós de netos.
O governo precisa investir na educação.
As cadeias e penitenciárias estão repletas de gente inocente, oriunda de boas famílias, que não teve as mesmas oportunidades para progredir na vida por culpa exclusiva dos políticos.
Abaixo esses políticos corruptos que se vendem por uma exorbitância e compram o eleitor honrado, íntegro e virtuoso por uma ninharia apenas. Políticos safados que nos prometem empregos e, depois de eleitos, vêm oferecer vagas de trabalho para as quais não temos, nem nossos filhos, a mínima qualificação. 
Políticos animadores de programas que promovem o crime na TV. Angariando simpatizantes e novos eleitores, são paternalistas que hipocritamente clamam por segurança e acusam o governo pela culpa de tudo.
Políticos travestidos de religiosos que instalam "templos" em qualquer esquina para atrair e iludir os incautos trabalhadores.
Políticos ladrões que roubam energia elétrica, água, sinal da TV por assinatura e, até, a conexão Velox.
Políticos irresponsáveis sem autoridade para impor limites a seus filhos. Que disseminam ódio e intolerância como o político fascista que matou mulher, filho, família e convidados na festa de Ano Novo em Campinas. Não, não podemos imaginar tudo aquilo de que são capazes esses políticos.