Total de visualizações de página

sexta-feira, 29 de junho de 2018

COPA DO MUNDO


“Entre tragédia, drama, farsa e comédia: considerações acerca do futebol no roteiro de “A Falecida”, de Nelson Rodrigues. É o título de um trabalho de Natasha Santos, pesquisadora do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade/UFPR, que acabei de ler (AQUI).

Nelson Rodrigues, meu ídolo, dramaturgo apaixonado por futebol como eu, era ele próprio teatral como suas peças. Viveu o drama, a tragédia, a farsa e a comédia em sua família.

Natasha Santos diz que é praticamente unânime a percepção de que Nelson trata o esporte com uma dramaticidade típica do teatro.

Assim também é a atual Copa do Mundo, digo eu.

Drama viveu a Argentina contra a Nigéria. Foi uma partida dramática em que somente no final o drama argentino virou explosão de alegria.

Tragédia sofreu a Alemanha contra a Coréia do Sul. Perdeu de dois a zero e foi eliminada da Copa. Foi uma nova derrota em solo russo. Agora, no verão, depois daquela no inverno de 1943. A lenda da invencível seleção e exército germânicos caiu por terra. Dessa vez, de forma humilhante para os coreanos.

Farsa nos proporcionou o Neymar com seus tombos – contra a Costa Rica, contei doze – e suas rolagens no gramado como se lhe tivessem quebrado as duas pernas.

A comédia ficou por conta da torcida. Neste quesito, acho que venceram os nigerianos, corpos seminus, todos pintados e em grupo.

Não sei o que leva uma criatura a se comportar como os torcedores de qualquer nacionalidade que tenho visto nesta Copa.

Enquanto eu assisto solitário em minha poltrona, respeitosamente, como se assistisse a uma peça de teatro.


terça-feira, 26 de junho de 2018

PARÓDIAS



“Eva coava o café que Adão tomava...
Mas, um dia, Adão furou o coador
E nunca mais Eva coou.”
Benedito Lacerda e Luiz Vassalo fizeram a marchinha “Eva querida” para o carnaval de1935. A paródia fez sucesso por muitos carnavais seguintes através da paródia acima que eu cantava quando ainda criança.
Houve um tempo em que todos os sucessos musicais –sucessos mesmo, não essas porcarias atuais - viravam paródias. Principalmente as marchinhas carnavalescas, e até os sucessos românticos como “Saudade torrente de paixão, emoção diferente”.Cantávamos assim: “Soldado correndo de calção, mas que coisa indecente”.
A paródia com o “Pirata da perna de pau”, marchinha de 1947 (aqui), quando eu tinha quase dez anos, incrivelmente eu lembro toda:

“Eu sou o Getúlio, já fui ditador,
Eu sou trapaceiro, eu sou gozador...
Meti o papo no trabalhador,
Com o voto dos trouxas, eu sou senador.

Minha galera, com quinze anos de navegação,

Trouxe a miséria, o câmbio negro e a inflação...

Por isso, eu sou pai dos pobres,
Sou mãe dos ricos em compensação.
Pro Borghi eu dei muita roupa,
Roupa de algodão”.
Até o hino da Marinha, o Cisne Branco, virou paródia lá em Bangu: “O Silveirinha, em noite de lua, saiu de casa e foi cagar na rua. Vem cá seu guarda, mete o dedo e cheira, vê se é de hoje ou de sexta-feira”.
Empolgado pelas paródias, eu fiz algumas para o colégio onde estudava o ginásio. Com a melodia de “Torrente de paixão”, eu cantava: “Na MABE a organização é toda diferente, os professores ajudam a gente e ao pau não vai quase ninguém. Nas provas, se cola às pamparras, não há quem reclama, pois o ensino na MABE é bacana, reprovação entre nós não convém”. Também fiz uma paródia da imortal "Ronda" de Paulo Vanzolini.
Quem nunca passou por isso?

De noite, que puta vontade
Me dá de mijar, sem levantar...
Cansado, com sono, com frio,
Sinto um calafrio, não vou aguentar...
Fico na cama contido, durmo apertado, encolhido,
O sonho agonia me dá, nele vou urinar.
Ah! Se eu pudesse e acordasse depressa,
ao banheiro corria... 
Desisto, a corrida é inútil, isso é covardia.
Mas sei que em minha sonolência
Eu não posso urinar, hei de aguentar.
Acordo sentindo a torrente,
Um líquido quente a jorrar sem parar.
Sei que esse dia, então, vai ser o meu dia de cão...
E ela se zanga a gritar "quero um novo colchão".

quinta-feira, 14 de junho de 2018

MINHA 18ª COPA DO MUNDO


Começou hoje com a goleada da Rússia (5 a zero) sobre a Arábia Saudita. Esta até jogou melhor, mas sem qualquer  objetividade como um Fluminense qualquer.

Nenhum craque em campo. Craques somente amanhã. O jogo foi bom, mas o melhor da partida foram as belas russas nas arquibancadas do belo estádio. 
Moscow – agora que o dáblio voltou ao nosso alfabeto, posso escrever assim corretamente – Moscow, repito, tem as mais belas mulheres do planeta. Ganha até do Rio de Janeiro.
Minha neta Maria Cristina está em Moscow. Falei-lhe pra tomar cuidado com o demônio comunista que venceu o nazismo e destruiu a Rússia elevando-a a uma das maiores potências mundiais e que tanto apavora o boçalnato, seus seguidores e os inocentes úteis brasileiros. 

Gostaria de estar lá. Entrar na belíssima e quase quingentésima Catedral de São Basílio. Quem sabe, lá dentro até teria a coragem de ajoelhar e rezar. Do lado de fora, somente ajoelharia para admirar tanta beleza.
E, por falar em mulher, a partida foi narrada por uma na Fox. Narrada mesmo, com pouquíssimos daqueles comentários idiotas. Foi a primeira vez na vida que assisti a uma partida narrada por uma mulher.

Fiquei livre do Galvão e seus asseclas.

Vou assistir toda a minha 18ª Copa do Mundo pela Fox.

Não me importa quem será campeão. Eu amo o futebol bem jogado padrão FIFA, repleto de craques, como já foi o futebol brasileiro que havia por aqui.

Se o campeão for o Brasil, melhor ainda.


N.L.: os nazistas perderam mais uma em território russo, dessa vez para os mexicanos.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

LULA ROUBOU SIM

Ando muito preguiçoso pra escrever, por isso reproduzo aqui um texto do professor Francisco Costa que eu gostaria de ter escrito.
"ME DESCULPE, LULA, MAS VOCÊ ROUBOU SIM
Meu caro Luis Inácio, companheiro de longa jornada, estive fazendo umas continhas aqui e não bateram, infelizmente.
Não estou falando de triplex, sítio de Atibaia, pedalinhos, essas paradas, isso sabemos que não é seu, o negócio é mais gordo e envolve cifras de muitos e muitos milhões de dólares, se não chegar à casa dos bilhões.
Vamos ser francos? Você movimentou muita grana, aqui e no exterior, não há como negar.
Quanto deve estar custando uma palestra do Obama? Pois, para chamar um sujeito de “o Cara”, deve ter cobrado muito mais.
Putin, bicho. Com quanto você deve ter molhado a mão do Putin, por aquela louvação toda? O primeiro Ministro de Portugal, da França, da Inglaterra, todo mundo protestando contra a tua prisão... Quanto pra cada um, Lula? Fala aí, prometo que não posto no Face, sou confiável, pergunte às minhas fontes, nunca deixei vazar nenhuma... Fala aí!
Eu não sou bobo, Lula. Quanto custa uma reportagem de capa nos principais jornais do mundo? Você foi capa no Le Monde, The Economist, The Guardian, New York Times, Washington Post, Corriere della La Sera, Financial Times, El País, Clarín… Todo mundo afirmando que você é preso político, chegaram a dizer que você era preso norte americano, chamando Curitiba de Guantánamo brasileira, isso custa uma grana, meu chapa, quanto você pagou a cada um? Abre aí.
Depois esses juristas, Lula. Pela projeção internacional deles, nenhum se venderia por merreca, e todos eles se posicionaram a seu favor, até o maior constitucionalista do mundo, aquele português, de graça? Conta outra, Lula, pensa que me engana?
Agora esse manifesto com mais de 400 assinaturas dos maiores intelectuais do mundo, denunciando a ditadura brasileira e exigindo a sua liberdade... Quanto pra cada um? Abre o jogo, juro que não comento com ninguém.
Aí me aparece o Esquivel, prêmio Nobel da Paz, e lhe inscreve na Academia sueca, pedindo o prêmio desse ano pra você, logo outros ex nobéis da paz se juntam a ele, todo mundo querendo Lula lá. De graça?
Quanto você pretende pagar à Academia sueca, para te premiarem? Só falta isso. Lá deve ser caríssimo, mas também, quem já comprou a ONU, e todo mundo sabe que sim, ela está investigando a justiça brasileira, achando que é classista, partidária, tendenciosa, injusta e desonesta. Isso custa dinheiro, Lulinha, conta pro tio Chiquinho, quanto?
Depois as fotos: reunião do G-20, tá lá você na posição central, entre Obama e Putin; reunião do G-8, Lulinha entre Obama e Putin; Conferencia Global do Aquecimento do Planeta, Luis Inácio entre Obama e Putin, você deveria ser mais honesto, como o Temer, que só sai lá na ponta da foto, entre o Primeiro Ministro da Pirulitolândia e os garçons, mania de grandeza, a sua, Lula.
Porra cara, e me deculpe o palavrão, só os telespectadores da Globo, porque ela esconde, e os eleitores do Bolsonaro, porque não entendem o que ouvem e vêem, não sabem que você é uma personalidade mundial, já tendo alçado o patamar de um Gandhi ou um Mandela e isso custa dindim, Luis, fala logo, cara, onde você arranjou tanto dinheiro?
Agora vou lhe fazer uma pergunta um tanto quanto delicada, e espero que seja sincero na resposta: onde é que você esconde essa bufunfa, onde está malocada a dinheirama?
É, a Polícia Federal e o Banco Central auditaram todas as suas contas bancárias, as da falecida Dona Marisa, dos seus filhos e noras, cachorros, papagaios, periquitos, pedalinhos... E bateu tudo, não encontraram merda nenhuma errada.
A Polícia Federal brasileira e as de diversos países, mais a Cia, correram os paraísos fiscais, Ilhas Cayman, Seychelles, Trinidad-Tobago, Virgens, Maldivas, Aruba (que os coxinhas confundem com suruba)... E nada.
Encontraram contas e empresas offshore do FHC, Aécio, Serra, Alkimin, Aloysio, Odebrecht, Queiroz Galvão, JBS, Globo, CBF... E ninguém com o sobrenome Lula da Silva.
Foram à Suíça e Globo de novo, artistas da Globo, tudo laranja, Eduardo Cunha, Zolhuda Cunha, Sérgio Cabral... E nenhum Lula da Silva.
Pô, cara. Pelo amor de Deus, depois do Mágico de Oz o Mágico de ÓÓÓÓ?
Te prenderam e a mídia decidiu: não se fala mais no nome Lula, o povo esquece, não esqueceu. E te pergunto: quanto você pagou pra Globo lembrar que você existe?
Depois os institutos de pesquisas omitiram o seu nome, com brancos, abstenções e nulos ganhando de Ciro e Bolsonaro, os seus futuros coadjuvantes nas eleições, infeccionando as burguesas hemorróidas da classe dominante, e botaram o teu nome de volta. Quanto custou?
Lula, estão com a razão esses intelectuais coxinhas, quando postam que você é o cara mais rico do mundo, de outra maneira você não poderia ter comprado tanta gente, tantas instituições, e já com um dinheirinho guardado, para comprar mais de cinqüenta milhões de votos, nas próximas eleições.
Mas nem todo mundo tem preço, Lula, há os honestos, e aqui faço questão de citar Sua Excelência o Sr. Dr. Sérgio Fernando Moro e os Procuradores do Ministério Público de Curitiba, alcunhados os Golden Boys.
Lá não vendem sentenças, Lula. Não há acordo entre os indiciados e a panelinha, para a indicação de determinados advogados, lá não se decreta prisões preventivas como forma de chantagem, para obter delações premiadas, nem se faz chantagens com as famílias dos presos, com a mesma finalidade.
Lá não se adultera e falsifica documentos nem se forja provas.
Lá não se destrói as empresas nacionais, como a Odebrecht e a Petrobrás, que você, criminosamente, levou de décima terceira a segunda petroleira do mundo. Lá não se fabrica desempregados nem há convênio com o Ministério Público e a Justiça norte-americanas, que o diga uma testemunha, que o Dr. Moro e a justiça brasileira não querem ouvir, o Dr. Rodrigo Tacla Durán.
Você pode enganar a todo mundo, Lula, mas a mim, não!
Você vai ser o próximo presidente desta bosta pra colocar nos trilhos de novo."
Francisco Costa

segunda-feira, 4 de junho de 2018

INDECISÃO OU PREGUIÇA?

Ou será o quê?
Eles levam uma boa vida. Trabalham quando querem. Percebem os maiores salários públicos da República. Têm todas as mordomias. Ninguém os pressiona. Quem fala mal deles pode até ser preso.
Como afirmou Luis Nassif: "Depende deles – exclusivamente deles – a liberdade ou a prisão dos réus. E como a decisão de aceitar ou não é eminentemente subjetiva, eles se tornam senhores absolutos do destino dos réus que caem em suas mãos".
Está certo que eles estudaram bastante. Fizeram concursos para assumir seus cargos. E agora fazem parte da elite intelectual do país. Mas, por que são tão indecisos? Ou será que são apenas preguiçosos?
Ou serão o quê? Torpes?
Diz o Aurélio que torpe significa desonesto, impudico, infame, vil, abjeto, ignóbil, repugnante, nojento, asqueroso, ascoso, obsceno, indecente, manchado, enodoado, maculado, sórdido, sujo.
Outro sinônimo? Gilmar Mendes, o laxante do psdb. Como solta merda o evacuador geral da república.

N.L.: "A Justiça brasileira é corrupta e muito corporativista, o reino do jeitinho e do filhotismo, ali as coisas só andam se vc conhecer alguém, se tem relação com os donos do dinheiro ou de mandato. Merecia uma limpeza , mas, como os juízes são sujeitos que não perdoam , todo mundo tem medo de acusá-los mesmo nestes tempos de delações a três por quatro, inclusive os advogados aconselham aos clientes a calar o bico."

(Eliana Calmon, 
jurista e magistrada brasileira, primeira mulher a presidir o Superior Tribunal de Justiça)

sexta-feira, 11 de maio de 2018

MENTIRA


Este poema de Affonso Romano de Sant'Anna foi publicado inicialmente no JB, em 1984, quando ocorreu a explosão da bomba no Riocentro. A bomba era pra explodir dentro do Riocentro onde se concentravam milhares de jovens no show de artistas em comemoração ao dia primeiro de maio.
Felizmente, a bomba explodiu dentro do carro dos militares que levavam o artefato. Explodiu no colo deles, matando o sargento e destruindo os genitais do tenente. A ditadura, em seu melancólico final, mentiu afirmando que os dois foram alvo de um atentado.
Tem tudo a ver com a contrafação que rola na hipócrita, mentirosa e cínica mídia que mente irracionalmente.

Fragmento 1
Mentiram-me. 
Mentiram-me ontem e hoje mentem novamente. 
Mentem de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente mentem. 
Mentem tão nacional/mente que acham que mentindo 
história afora vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases falam. 
E desfilam de tal modo nuas que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade pela mentira, 
nem à democracia pela ditadura.


Fragmento 2
Evidente/mente a crer nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima 
e em Auschwitz havia um circo permanente.
Mentem. Mentem caricatural-mente.
Mentem como a careca mente ao pente,
mentem como a dentadura mente ao dente,
mentem como a carroça à besta em frente,
mentem como a doença ao doente,
mentem clara/mente 
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente, 
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. 
Mentem com a cara limpa 
e nas mãos o sangue quente. 
Mentem ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre. 
Mentem fabulosa/mente como o caçador 
que quer passar gato por lebre. 
E nessa trilha de mentiras a caça 
é que caça o caçador com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial/mente,
mente partidária/mente,
mente incivil/mente,
mente tropical/mente,
mente incontinente/mente,
mente hereditária/mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país de mentira diária/mente.

Fragmento 3
Mentem no passado. E no presente passam a mentira a limpo. 
E no futuro mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu quem mente
mas o tribunal que o julga herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria, viajando pelo avesso, 
iludindo a corrente em curso, transformando a história do país num acidente de percurso.

Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada 
me faz partir para o deserto penitente/mente 
ou me exilar com Mozart musical/mente 
em harpas e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador a sua frente.
Penso nos pássaros cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora tenha a noite pela frente.

Fragmento 5
Página branca onde escrevo. 
Único espaço de verdade que me resta. 
Onde transcrevo o arroubo, a esperança, 
e onde tarde ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo onde o advérbio e o adjetivo 
não mentem ao substantivo
e a rima rebenta a frase numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva se não explode pra fora
pra dentro explode implosiva.

                                                   

“Só não mais terá valor quem mente quando a gente, usar a mente.” (comentou uma ex-blogueira e ex-amiga quando publiquei o poema

pela primeira vez)


quinta-feira, 19 de abril de 2018

MELHOR IDADE?

Vou ao Banco Itaú mensalmente, apenas uma vez e somente para depositar o que recebo em cheques. Faço todo o resto pelo Itaú Bankline.
Este mês, havia gente pra cacete. As filas se confundiam. Identifiquei um senhor, cabelos brancos como os meus, que parecia ser o último de uma fila e perguntei: “Esta é a fila dos anciãos?”
O coroa não gostou e respondeu sério: “Aqui é a fila da melhor idade”.
Fiquei na minha, mas, de imediato, senti o que o politicamente correto faz com a mentalidade dessa gente. Não aceitam mais uma piada tão inocente e caseira. 
O politicamente correto faz com que levem a sério a sua própria seriedade e passem a crer naquilo que é contrário à realidade mas que é difundido impunemente.
Eu posso falar porque já passei dos oitenta. Minha melhor idade foi aí entre os 30 e 50 anos de idade.
Não existe melhor idade que essa. A não ser para os atletas. 
É quando a gente já sabe pra que veio ao mundo. Já superou todos os obstáculos, sabe o que quer e tem absoluta confiança em si próprio. Não faz mais tanta besteira. Não precisa mais tentar parecer o que não é de fato. Pode mostrar-se por inteiro, despido de vaidades e não se incomoda mais com as críticas.
Aos 50, porém, você percebe que é o começo do fim. Seu prazo de validade está se esgotando. Mas, quando passa dos 80 é maravilhoso: a gente tudo pode na idade que nos fortalece.
Considero, porém, que a propaganda enganosa da melhor idade até que favorece o famoso “pé-na-cova” oferecendo-lhe motivos para sorrir à beira da própria sepultura.
Algum mérito, portanto, possui esse tipo de politicamente correto. Mas, nem tudo que é politicamente correto tem méritos. Principalmente para mim que considero os apelidos algo genial e sou politicamente quase incorreto.
É dureza ter que falar do anão como um deficiente vertical, ele sempre será o pintor de rodapé; chamar o negão de afrodescente em vez de picolé de asfalto; o branco azedo de cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente; não se pode dizer que a mulher feia nasceu pelo avesso, mas, sim, que ela tem um padrão de beleza divergente dos preceitos estéticos contemporâneos; o gordo – o famoso rolha de poço – e o magro – conhecido como pau de virar tripa – são cidadãos fora do peso ideal; o careca – ou pouca telha – passa a ser o indivíduo desprovido de pelos na cabeça.
Felizmente, a guerra contra o terror está mandando o politicamente correto para o brejo. Permitiu que voltássemos a pronunciar e escrever favela. Uma das palavras mais bonitas do idioma, além de ser fabulosamente poética.
A mídia e as autoridades parece que estão esquecendo do termo comunidade que é o politicamente correto.

OBS.: o antepenúltimo parágrafo foi lambido do http://www.dzai.com.br/blogdadad/blog/blogdaddad a minha professora de português.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

POLÍTICA DE REDUÇÃO DE DANOS


Beto Picasso era aquele cara de quem não se restava a menor dúvida: tinha tudo pra dar errado. 
Nasceu de sete meses no Jacarezinho, pai cachaceiro e mãe prostituta.
Teve uma infância complicada, não quis saber de escola; tentou ser jogador de futebol, mas um acidente de moto acabou com sua carreira esportiva. Queria ser pintor, mas sua pintura era ridícula e quase infantil.
Aos 19 anos, era tudo de pior que um ser humano podia ser: semi-analfabeto, “framenguista”, funkeiro, fascista, viciado em crack, roubava para sustentar o vício. Passava o dia inteiro na cracolândia da favela no meio do lixo. 
Ele próprio um lixo, um traste. Um farrapo quase humano.
Do outro lado da cidade, residia Sônia, solitária, viúva recente de um general. Cinquentona sem filhos que ainda dava um caldo e era muito religiosa. Dizia que sexo somente no casamento. Frequentava a Universal e contribuía com um dízimo substancial. Quando viu que o seu pastor enriquecia a olhos vistos, decidiu ela mesma realizar seus próprios milagres.
Empolgada com a política de redução de danos no tratamento de drogados que ela conheceu na Alemanha, Holanda e Austrália, decidiu implantá-la aqui. 
Na Europa, aprendeu que o vício pode ser usado contra o próprio vício, bastando oferecer aos viciados um local para consumi-lo sem que fosse preciso roubar ou se prostituir. Nesse local, concomitantemente ao fornecimento da droga gratuitamente haveria todo um tratamento psicológico e terapêutico para desintoxicação, além da oferta de alimentação e a prática de higiene.
Decidiu testar a teoria em sua própria mansão na Gávea e para lá levou Beto Picasso a quem conheceu numa de suas visitas à cracolândia do Jacarezinho.
Deu uma geral no cara, incluindo corte de cabelo e banho de loja. Comprou material de pintura para o “Picasso” desenvolver todo o seu talento. 
Ele passava o dia tranquilamente, bem alimentado, tomando vitaminas, pintando, fumando crack com o cachimbo do general e não queria outra vida. Um dia, resolveu mergulhar nu na piscina. 
A distinta senhora o viu. Viu também o tamanho da peia e descobriu que o apelido Beto Picasso não se referia aos quadros que ele tentava pintar. Carente há mais de um ano, desde a viuvez, apaixonou-se. Religiosa, pediu Beto em casamento. 
Ele topou - claro! – e, na noite de núpcias, negou fogo.
Negou fogo em toda a lua de mel. O crack deixou o Picasso impotente. Sônia apelou para o Viagra. Não adiantou. Tentou com o Levitra. Nada. Desistiu.
Certa noite, deprimida e incapaz de conciliar o sono, foi à janela e o viu, na piscina, fazendo sexo com a empregada doméstica. Pegou a 9mm do general e atirou três vezes. Uma bala foi fatal para a jovem empregada. Beto correu nu para a rua sob uma saraivada de tiros.
Foi pego pela polícia que o levou de volta à casa. Os policiais chegaram a tempo de ver Sônia encostar a arma na cabeça, puxar o gatilho e cair.
Beto Picasso que tinha tudo para dar errado, acabou se dando bem. 
Herdou a fortuna do general: a pensão, a poupança e todo o patrimônio.
A política de redução de danos foi benéfica para Beto Picasso. 
Ele, porém, jamais abandonou o vício.

terça-feira, 13 de março de 2018

O FRACASSO DO CAMPEONATO CARIOCA



O Jornal do Brasil online faz uma enquete para saber a opinião dos leitores sobre a culpa pelo fracasso do campeonato carioca. O resultado até hoje é o seguinte: 57% - Federação de Futebol do Rio; 22% - Clubes; 8% - Torcedores; 12% - Jogadores. Faltou uma opção, a TV Globo.
Esquece o JB que o campeonato não é mais carioca, cadê o América, o Bonsucesso, o Olaria, o Campo Grande, o São Cristóvão.
O campeonato agora é fluminense, sem os cariocas citados e com times do interior do estado aonde o torcedor não tem condição de acompanhar os jogos.
Até aí, a culpa é da federação e dos clubes que acabaram com o carioca. É também das infames e sórdidas torcidas organizadas que espantam dos estádios aqueles que amam o futebol. 
É também dos jogadores. Que jogadores temos hoje? Faltam ídolos.
Ah! No meu tempo de frequentar estádios... Eu vi jogarem Heleno de Freitas, Domingos da Guia, Zizinho.
Eu tantas vezes me maravilhei com o Flamengo de Zico, Adílio, Dequinha, Rubens, Djalminha, Marcelinho; com o Bdsotafogo de Garrincha, Gerson, Nilton Santos, Jairzinho, Amarildo, Paulo César Caju; com o Vasco de Danilo, Ipojucan, Jair da Rosa Pinto, Ademir, Roberto Dinamite, Romário, Edmundo; com o Fluminense de Castilho, Carlos Alberto Torres, Didi, Telê, Assis, Paulo César Caju, Rivelino. 
Tempo bom! Cada time tinha o seu ídolo. Até mesmo os juízes eram melhores, assim como  os narradores e comentaristas. Tempo de João Saldanha e Nelson Rodrigues.
E hoje, o que temos? Pseudos craques com seus penteados ridículos, tatuagens estúpidas e uma numeração absurda nas camisas que não permite à garotada fazer o bolo para acertar quem fará o primeiro gol.
Portanto, a culpa pelo fracasso do campeonato é de todos os citados na enquete e mais ainda da TV Globo, dona das transmissões, que coloca o jogo às 21:45 pra salvar o horário da novela e não permite que nenhuma outra emissora transmita os jogos.

quinta-feira, 8 de março de 2018

HOMENAGEM À MULHER


Eu amo todas as mulheres e sou apaixonado pelas mulheres bonitas. Por isso, peço perdão a todas por lembrar da “homenagem” feita pela Prefeitura de Macaé, em 2014.
Observem a “arte” criada para ressaltar a data de hoje.
O prefeito era Aluízio dos Santos Júnior, do PV. Perdoai-o senhoras.  

quinta-feira, 1 de março de 2018

QUE PRESSA É ESSA?

Andando pelo Rio – Centro, Flamendo, Copacabana – senti como se estivesse em São Paulo. Nunca vi tanta gente com tanta pressa.
Até os velhinhos têm pressa. O cara de muleta não sei como anda tão rápido. E aquele na cadeira de rodas, como desliza ligeiro. Crianças correndo. Adultos, homens e mulheres apressados. Mães e seus carrinhos de bebê com muita pressa. Parece que somente estes, como eu, não têm pressa alguma.
No metrô, como correm... Descem a escadaria de dois em dois degraus, correndo pra pegar o trem que está quase fechando as portas. Como se não viesse outro daí a um minuto. Ou, no máximo, um minuto e meio. E para entrar no trem, todos querem ser os primeiros. Nem deixam os outros saírem. 

Sou o último a entrar ou a sair do trem. 
A pressa não é só matutina, é também vespertina.
Vou devagar, quase parando, já tive pressa outrora. Agora, sigo no mundo a passeio com meu passinho de pinguim, quase sem levantar os pés do chão, vez em quando levo um esbarrão. 

Nem ligo, vou levando, observando, admirando tudo. 
Vou lentamente em meio à pressa de todos, apreciando o caminho e sem me importar com o destino. 

É como quando escrevo sem nunca saber o que dizer no final, pois sei que vou encontrar a saída, enquanto vou me deliciando com as palavras. 
Pra que essa pressa insana? Que pressa à beça é essa? Tudo tem seu tempo certo.
Estariam todos atrasados pra chegar a lugar nenhum ou para encontrar o seu amor? Acho que não, até os casais de namorados estão quase correndo. Estarão fugindo ou será um caso de emergência? Talvez, dois, pois seguem em sentido contrário.
Sempre soube que a pressa é inimiga da perfeição e que afobado come cru. Sei também que a pressa é cega para o que há de belo no trajeto.
Quem tem pressa apenas olha e não enxerga. Não veem as belas mulheres que cruzam nosso caminho. 
As melhores coisas da vida nós fazemos sem pressa, bem devagar: um carinho, o abraço, o beijo, a transa.
Eu sou a prova viva de que a vida sem pressa dura muito mais.
“Não percamos tempo, mas não tenhamos pressa”, aconselhou Saramago.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A NOVA CUNHADA

Eram três amigas, bonitas, casadas e com filhos pequenos quase da mesma idade. Moravam no mesmo terreno em Jacarepaguá. Uma era casada com o irmão da primeira que era casada com o irmão do marido da terceira. Eram todos, portanto, cunhados ou concunhados.
À tarde, após mandar os filhos para a escola, reuniam-se para jogar conversa fora. Ainda não havia feissibuque, fato que as tornavam amigas muito íntimas, felizes e bem resolvidas.
Havia outra família no mesmo terreno: os pais e um terceiro irmão solteiro que começou namoro firme com uma morena de corpo muito bonito e rosto nem tanto. Chamava-se Carminha e foi muito bem recebida pelas outras três, entrando no grupo para aquele papo vespertino e descontraído.
Em pouco tempo, era outra amiga íntima. Foi quando o irmão solteiro perdeu o emprego e não conseguia trabalho. Pediu, então, ao irmão mais velho para conseguir uma colocação para a namorada.
Carminha não tinha qualquer experiência, seria seu primeiro emprego, mas o irmão – Aloísio - levou-a pra trabalhar com ele e sempre lhe dava carona.
Nas viagens de ida e volta, Carminha contava-lhe as fofocas que ouvira naquelas tardes de alegre bate-papo amigável e despretensioso. Contou-lhe que a sua esposa o considerava o melhor amante do mundo, que sabia fazer uma mulher feliz na cama.
Carminha gostaria de saber se era verdade. “Me leva para um motel”, pediu ela numa segunda-feira na volta para casa.
Aloísio recusou-se: “Mas, você vai casar, não vai? Não posso. De jeito nenhum, Não vou trair meu irmão”.
Na porta de casa, na despedida, Carminha abriu a blusa e mostrou-lhe os seios firmes, perfeitos, morenos, perversamente divinos, ornamentais, dignos de reverência e veneração.
Aloísio não se conteve, tocou-lhe os seios e, arrependido, ordenou-lhe: “Saia do carro, já”.
Em casa, durante o jantar, Celinha – a esposa de Aloísio – um tanto deprimida, fez um pedido que foi quase uma intimação: “Quero colocar silicone nos seios”.
- “O quê que é isso? Gosto de você assim. O que houve contigo? – espantou-se o marido.
Celinha explicou: “É que ontem decidimos comparar nossos seios. Saí perdendo na comparação. Quero ficar com os seios iguais aos da Carminha”.
- “Não tenho dinheiro pra isso. Silicone nem pensar” – opôs-se Aloísio.
Ingênua, Celinha argumentou: “A Carminha tem uma tia enfermeira que aplica silicone baratinho lá em Caxias”.
Discutiram e foram dormir. “Então é isso!”,pensava Aloísio.
Dia seguinte, na carona de ida, Aloísio e Carminha, além do bom-dia, não se falaram. Na volta, Aloísio tomou o caminho da Barra. Parou num local ermo de frente para o mar, no Recreio, e pediu:”Quero ver teus seios novamente”.
Carminha abriu a blusa e mostrou. “Não. Tira a blusa e o sutiã, tira”. Carminha, toda assanhada, tirou tudo. Ficou só de calcinha.
- “Agora, vai para a frente do carro que eu quero iluminar você todinha com o farol”.Carminha foi. Fez pose sensual. Aloísio acendeu o farol alto, iluminando aquele monumento de mulher.
Devagar, Aloísio deu marcha a ré no carro e partiu velozmente pra casa. Carminha ficou seminua na praia escura. Entrou no mar para se esconder.
Ninguém nunca mais soube dela.
Dias depois, desconfiaram que era de Carminha o corpo irreconhecível que surgiu em Grumari. 
Aloísio tinha certeza. Arrependeu-se, pagou o silicone de Celinha e não quis ver como ficaram os seios da mulher.
Suicidou-se.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

INTERVENÇÃO É PRENÚNCIO DE DITADURA


A diretora do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro – Joana Monteiro – afirmou que não houve uma onda de violência atípica no estado em 2018. Segundo ela, “foram registradas 5.865 ocorrências policiais, entre os dias 9 e 14 de fevereiro, enquanto no carnaval de 2017 foram 5.773 ocorrências. Em 2016, foram 9.016 ocorrências registradas e, em 2015, computaram-se no total 9.062 ocorrências policiais”.
A primeira declaração do general interventor – Braga Neto -  ao ser questionado, atribuiu o clima de fim de mundo aos excessos da mídia.
Como vemos, esse general é esperto e não foi manipulado pelo terrorismo televisivo. Portanto, bastará reunir-se com os manipuladores e ordenar: “chega de terrorismo”. E a mídia passará a exibir uma cidade pacificada.
Além disso, espalhará pela cidade seus soldadinhos, que são todos jovens e sem qualquer treinamento, para dar aos cidadãos uma sensação temporária de segurança.
Como disse, o general é esperto e não vai querer sair desmoralizado desta aventura como aconteceu com outro general na Maré. Lá, o Exército ocupou a favela por um ano e desgastou-se na relação com a comunidade, a um custo de 600 milhões de reais. E tão logo as tropas se retiraram, os problemas retornaram com mais força.
Desta vez, a inteligência militar – aquele oxímoro – deve funcionar. Vai ser um sucesso. O povo crente  que produz seus delinquentes e a criminalidade vai acreditar na farsa, vai dar graças a deus, a jesus, ao general, ao exército.  
A direita, sem candidato, vai vibrar com a possibilidade de uma intervenção em todo o país.
E aí, adeus eleição. É o prenúncio de volta da ditadura.

N.L.: o general Richard Fernandez Nunes que - como eu disse acima - saiu desmoralizado com seu fracasso no comando da intervenção na Maré, caiu pra cima: foi nomeado secretário de segurança pelo outro general.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

PNEUMONIA AOS 80 ANOS

Paguei caro pelo meu ingresso neste ano novo. O ano da febre amarela que será deprimente se a Copa do Mundo não salvá-lo da tristeza de ser brasileiro.
Fui levado por familiares para o Hospital São Vicente de Paulo, na Tijuca.  Passei por uma extensa bateria de exames, fui diagnosticado com pneumonia e foi decretada a minha internação, pois pneumonia após 80 anos mata se não for bem tratada.
Mas, não havia vagas e o próprio hospital me encaminhou de ambulância para o Hospital Badim, no Maracanã. Nunca tinha ouvido falar nele, e isso lá é nome de hospital... 
Mas, meu livre arbítrio tinha sido cassado e lá cheguei com todos os resultados clínicos obtidos no São Vicente de Paulo.
Pra minha surpresa, cheguei à conclusão que médico não confia em médicos, pois fui logo submetido a todos os exames novamente, perfurado sem dó nem piedade. Encaminhado a um quarto particular com acompanhante, passei a ser muito bem tratado por um bando de mulheres bonitas, simpáticas e sorridentes, que não me deixavam dormir com tanto remédio que me davam até de madrugada. Nem me deixavam sentir fome. Às seis, café da manhã; às nove, suco e biscoitos; ao meio-dia, almoço; às três, café da tarde; às seis, jantar; e, às nove, merenda.
Logo no primeiro dia, duas delas vieram me dar banho às seis da manhã. Colocaram-me nu em uma cadeira de rodas sem fundo e levaram-me para o chuveiro.
Ouvi quando uma disse pra  outra: “pequeno, não é!”
Entrei no papo e esclareci: “era bem maior, mas usei demais e... gastou”.
O hospital foi ótimo, quatro dias e noites de atendimento perfeito. Deixou-me pronto para encarar a febre amarela e nada me cobraram.
Só não sei o que o Saúde-Caixa fará com o salário da minha mulher no mês que vem. Depois, eu conto.
E por falar em febre amarela, que fim levou a dengue?

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

É NATAL

Hoje, somente existe o bem...
Secam-se as lágrimas,
Brotam os sorrisos,
Há uma profusão de abraços,
O amor floresce em cada coração.
Lembranças, muitas lembranças...
Gestos e palavras são de afeto,
Mensagens de amor e de paz.
Somos todos crianças,
Somos todos iguais...
Sonhos se realizam,
A alegria nos invade,
Festa nos bares,
Brilho nos olhares...
Tudo é só felicidade,
Confraternização cristã...
Hoje é Natal,
Feliz Natal...
Que seja Natal amanhã. 
E também depois de amanhã,

Que seja sempre Natal.

sábado, 16 de dezembro de 2017

RIO 1959

“Comece a luta dentro de sua casa. Chame as suas filhas, os seus filhos, toda a família, para uma conversa, e diga-lhes que não esperem muito senão de si mesmos. 
Que a impunidade é a resposta que nesta terra se dá a tantos crimes contra a vida, contra a honra, contra o patrimônio.
Mata-se no Rio de Janeiro, em um mês, duas vezes mais que em Londres, em um ano.
A vida de um ser humano, na capital brasileira, é a única mercadoria deflacionária: vale apenas um pedaço de chumbo.
Os bandidos cortam a barriga de um pobre chefe de família que volta para casa, roubam-lhe os embrulhos, e, sorrindo, deixam o infeliz estirado numa poça de sangue. 

Casais são assaltados e levam tiros no rosto. A violência, o latrocínio, a morte fria campeiam impunemente pela cidade - e não se vê uma atitude decisiva, um grito de advertência, como se estivéssemos acostumados a isto, como se tudo fosse natural.
A impunidade forja os maus exemplos. Novos bandidos surgem. Novas quadrilhas de marginais se formam - e a impunidade continua. 

O Chefe de Polícia pode fazer justiça, fazer limpeza, livrar a cidade de assassinos irrecuperáveis - mas, apenas os assassinos que vieram dos morros, que vieram da sarjeta, que vieram do SAM desaparecem. 
Os abastados ficam. Os mocinhos, filhos de pais ricos, que se divertem com a honra das meninas inexperientes, que se valem do dinheiro dos pais, do dinheiro que lhes dará a impunidade quando se tornar necessário. 
Dedicamos esta reportagem, primeiro às mocinhas, mesmo às mais sensatas, lembrando que a virtude precisa ser protegida. Depois, aos pais de família, para que conheçam os perigos que suas filhas (e os seus filhos) correm todos os dias, todas as noites nesta cidade.
Ao Presidente da República que, afinal, também tem filhas, e sabe o que isto representa. 

Finalmente, aos juízes íntegros, para que não deixem impunes tais crimes, a fim de que, exausto, cada pai de família atingido não venha a fazer justiça com as suas próprias mãos.”
Escrito por David Nasser – O Cruzeiro – 30/05/1959


Esse texto tem quase 60 anos. Reproduzo-o aqui para que os nostálgicos desmemoriados não me venham com tênues lembranças colhidas em um tempo que jamais existiu. Somente as meninas inexperientes existiram um dia.