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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

LIANA

     Foi há 53 anos...
     E num dia 17.
     Encontrei por mero acaso
     (ou foi destino?)
     Uma menina loura, linda,
     Dezessete aninhos...
     Pequenina, meiga, divina,
     Olhos brilhantes
     Cruzaram-se com os meus
     Olhos de rapina distantes de Deus,
     Olhos de ver apenas o que desse prazer.
     Sorriste pra mim,
     Sei lá por quê.
     Talvez não imaginaste
     O valor do teu sorriso...
     Talvez nem pensaste
     O que seria pra mim
     Aquele riso simples, sem maldade.
     Se pudesses compreender
     A importância do momento;
     Se pudesses entender
     O que me foi no pensamento...
     Se soubesses que o teu gesto
     Me apaixonaria loucamente...
     Tu o farias novamente?
   SIM, disse ela, em maiúsculas e corpo 24, 
      exatamente hoje, dia 17 quando faz 70 aninhos. 
      E é bonita ainda, a minha véia muito linda.        

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Saramago – o único Nobel de Literatura da língua portuguesa – escreveu, em 1995, o livro que virou filme dirigido por Fernando Meirelles, em 2008.
Não vi o filme, mas li o livro em que uma epidemia de cegueira espalha-se por uma cidade, resultando no colapso da sociedade. Tudo era permitido porque ninguém via o que o outro fazia. E, quando ele não é visto, o ser humano é capaz de tudo, das piores fraquezas.
Lembrei de todo o enredo do livro ao ver agora o que vem acontecendo no Espírito Santo. Logo no Espírito Santo, onde o deus dos hipócritas deveria estar no comando e no controle de tudo como dizem alguns oligofrênicos no facebook.
Assaltos, arrastões, saques e assassinatos sujam as ruas de Vitória de medo, violência e sangue. Na explosão de violência no Espírito Santo, mais de 120 já morreram de forma violenta em todo o estado.
Milhares de capixabas entram nas lojas arrombadas e saem delas carregados de caixas e pacotes. Sapatos, roupas, aparelhos eletrônicos, gêneros alimentícios, tudo ao alcance das mãos é levado num saque coletivo.
Quem saqueia as lojas? Ladrões, traficantes, assaltantes?
Não. Com certeza, foram os seus familiares e amigos. Os saques foram cometidos por pessoas do povo, por donas de casa, mães e avós dos criminosos, pais de família, trabalhadores, estudantes e professoras. Até mesmo uma candidata tucana a vereadora. Enfim, "gente de bem" em um processo irreversível de degradação moral.
Por quê?
Foi como no Ensaio sobre a Cegueira, em que ninguém via o que o outro fazia. A coisa virou bagunça e cada humano podia expressar sua total desumanidade. 
No caso do Espírito Santo, era a polícia que não podia ver porque estava em greve. 
Onde não há repressão, não há limites.
Há barbárie.

domingo, 15 de janeiro de 2017

OXÍMORO

A palavra tem origem em dois termos gregos: oxus (esperto) e moros (estúpido).
Consiste na associação de dois termos contraditórios, duas imagens que na realidade se repelem, que aproximam dois sentidos totalmente incompatíveis. Uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão, formando assim um terceiro conceito que dependerá da interpretação do leitor.  
Um instante eterno
Silêncio eloqüente
Cópia original
Tumulto organizado
Ilustre desconhecido
Boato fidedigno
Crescimento negativo
Grito do silêncio
É ruim, mas é bom
Divórcio amigável
Sexo seguro
Silêncio ensurdecedor
Mentira sincera
Humildade portenha
Melodia funkeira
Espontaneidade calculada
Televisão educativa
Hércules Quasímodo 
(Este acima é do corno Euclides da Cunha descrevendo o nordestino em Os Sertões)
Não posso esquecer do belo soneto que Camões escreveu pleno de oxímoros:
Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que doi e não se sente...
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer...
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente...
É cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade, 
É servir a quem vence: o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade...
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade?
Agora, o melhor de todos os oxímoros: INTELIGÊNCIA MILITAR (OU POLICIAL).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

NOSSOS POLÍTICOS, DE ONDE ELES VÊM

Vêm de Marte? Ou será que eles vêm de Vênus?
Não. Eles vêm do mesmo lugar de onde surgem os juízes corruptos, os empresários egoístas, sonegadores e gananciosos, os traficantes, os viciados em tóxicos, os assaltantes, os jornalistas mercenários, os milicianos, os estelionatários, os criminosos, os falsos profetas que exploram a fé religiosa, os ladrões, os pedófilos e estupradores, os torturadores, os pichadores, os funkeiros, etc, e, até mesmo, os mansos e as pessoas de bem.
Todos eles surgem inofensivos, inócuos, sem culpa nem malícia, singelos, cândidos, puros, ingênuos, no seio – ou será no útero? - da nossa sociedade. Uma sociedade que se imagina vítima, mas que cria os seus próprios algozes.
Sei que falando assim vou desagradar muita gente. Principalmente a burguesia esquizofrênica que gera seus monstros e, depois, os culpa por seus erros. Uma burguesia negligente e convicta de que tão somente o pobre é bandido e que atingiu tal condição por falta de oportunidades ou por exclusão social.
E os facínoras das classes mais abastadas? Seria por falta de oportunidades que pastores cambistas negociam ingressos para o céu? E os políticos e juízes corruptos, teriam se tornado o que são por exclusão social?
Essa burguesia dissimulada ainda crê que tudo se resolve com a educação que o governo não proporciona ao povo. Confunde ensino público com educação. Já disse Einstein que educação é aquilo que nos resta depois que esquecemos quase tudo que aprendemos na escola.
Educação tem que ser prestada primordialmente pela família que é o núcleo da sociedade. É ela – e somente ela – quem pode determinar o seu caminho pelo mundo, se seus filhos terão boa ou má índole.
Isso dá muito trabalho, reconheço. Não é fácil educar, tem que ter muita paciência e força de vontade. A burguesia, porém, é preguiçosa e prefere deixar por conta do governo a educação de seus filhos. Assim, como qualquer incompetente, ela sempre terá a quem culpar: a escola, os professores, os políticos, o governo.
Essa burguesia preconceituosa que quer exigir dos políticos um mundo melhor para seus filhos, mas não oferece filhos melhores para o mundo. Uma burguesia nociva que quer levar vantagem em tudo, que explora os mais humildes e jamais se sente culpada pela proliferação das drogas que, ela própria, subvenciona. E ainda reclama da falta de segurança.
Chega de culpar os políticos por tudo de mal que ocorre no país. Temos que assumir a nossa parcela de responsabilidade. 
Político é apenas algo assim como uma fralda descartável. Quando suja, troca-se e joga fora.
Infelizmente, não temos esse poder para fazer o mesmo com os juízes que se enlameiam.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

NOSSOS POLÍTICOS

Do presidente ao mais obscuro e menos votado dos vereadores é a culpa de todas as mazelas que infelicitam o nosso povo humilde, honrado, íntegro, honesto, virtuoso e trabalhador.
É doloroso saber que o presidente é proprietário de inúmeras oficinas para desmonte dos carros roubados por seus ministros e assessores.
Revolta-me quando vejo deputados estaduais irresponsáveis jogando lixo nos rios e nas ruas, entupindo bueiros e poluindo o meio ambiente, ocasionando as inundações que tanto prejuízo causam ao nosso povo ordeiro e ecológico.
Fico assombrado ao ver bandos de vereadores pichando e invadindo condomínios, sequestrando e agredindo moradores, para roubar o que o povo honesto conseguiu adquirir com tanto sacrifício.
Onde está a Segurança que nada faz contra aqueles  políticos que matam a coices e pontapés um ambulante em uma estação do metrô? Pior foram os assessores assistindo sem nada fazer.
Assombram-me ainda os políticos infiltrados em pacíficas torcidas organizadas que se agridem e se matam pelas ruas e nos campos de futebol.
Causa-me espanto ver senadores drogados destruir e incendiar escolas, agredir professores, montar uma absurda aparelhagem de som em seus carros e perturbar o sono do povo com o funk pornofônico.
Em que outro país governadores pedófilos estupram e engravidam enteadas e filhas de nove anos? Agridem suas esposas até a morte e jogam a própria filha pequena pela janela do oitavo andar?
É triste ver prefeitos viciados em crack comandando o tráfico de drogas e aniquilando com a nossa juventude estudiosa e digna. Juventude tatuada que se entrega às drogas por completo desgosto com nossos políticos. 
Eu fico atônito ao ver tantos casos de acidentes com mortes nas estradas causados por deputados federais que dirigem embriagados. É por causa deles que nossos hospitais andam cheios de acidentados e não têm como cuidar de nossos jovens em coma alcoólico nem das nossas crianças resfriadas ou com joelhos ralados.
É nas casas desses políticos onde são encontrados os maiores focos de mosquito da dengue. A Saúde está falida?
E os filhos viciados desses políticos estão promovendo pegas com seus carros e motos, pichando as residências das famílias honestas, sequestrando e matando namoradas. Enquanto as suas filhas, a partir dos 13 anos de idade, enchem a cara de manguaça e as avós de netos.
O governo precisa investir na educação.
As cadeias e penitenciárias estão repletas de gente inocente, oriunda de boas famílias, que não teve as mesmas oportunidades para progredir na vida por culpa exclusiva dos políticos.
Abaixo esses políticos corruptos que se vendem por uma exorbitância e compram o eleitor honrado, íntegro e virtuoso por uma ninharia apenas. Políticos safados que nos prometem empregos e, depois de eleitos, vêm oferecer vagas de trabalho para as quais não temos, nem nossos filhos, a mínima qualificação. 
Políticos animadores de programas que promovem o crime na TV. Angariando simpatizantes e novos eleitores, são paternalistas que hipocritamente clamam por segurança e acusam o governo pela culpa de tudo.
Políticos travestidos de religiosos que instalam "templos" em qualquer esquina para atrair e iludir os incautos trabalhadores.
Políticos ladrões que roubam energia elétrica, água, sinal da TV por assinatura e, até, a conexão Velox.
Políticos irresponsáveis sem autoridade para impor limites a seus filhos. Que disseminam ódio e intolerância como o político fascista que matou mulher, filho, família e convidados na festa de Ano Novo em Campinas. Não, não podemos imaginar tudo aquilo de que são capazes esses políticos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

CHEGA DE MANIQUEÍSMO

Indivíduos sectários, amantes do subjetivismo, fingindo defender o cidadão comum, acusam indiscriminadamente todos os políticos vivos. Dizem que todos são corruptos e nada fazem pelo povo ordeiro, humilde e honesto. 
Pura hipocrisia: o povo é bom, a classe política não presta. Como se não existissem cidadãos de má índole e políticos dignos e responsáveis. Como se eles não tivessem origem no meio do povo.
A quem pode interessar tal maniqueísmo?
A desonra, o descrédito, a difamação da política e dos políticos somente pode interessar a uma elite milionária detentora ou não de mandato político que pretende se locupletar ainda mais. Além, claro, dos ex-torturadores saudosos da ditadura. A nefasta campanha leva o eleitor a se decepcionar com a política colocando a todos na vala comum da incompetência e da corrupção. O cidadão se convence de que todos os políticos são iguais e decide votar somente naquele que lhe trouxer algum benefício financeiro imediato. Aí é que entra a elite milionária comprando votos e impedindo o surgimento de novas lideranças políticas empenhadas em atuar em favor do bem comum. Que jornalistas mercenários participem de tal campanha sórdida é até compreensível. Vivem ou pretendem viver a soldo dos corruptos para defender o leite das crianças. É estupidez, porém, que pessoas conscientizadas embarquem nessa canoa furada. Ninguém, absolutamente ninguém, nem eu nem você que me lê, é absolutamente bom nem absolutamente mau. E mesmo o político mais corrupto e desprestigiado – como o Cunha – tem lá as suas virtudes. Chega de maniqueísmo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

PENSEM NISSO

Reproduzo, por ser a minha, a opinião de Fernando Neisser:
Graduado, mestre e doutorando pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP). Membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP) e do Instituto Paulista de Direito Eleitoral (IPADE). Presidente da Comissão Permanente de Estudos em Direito Político e Eleitoral e Diretor de Relações Institucionais do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP). Membro da Comissão de Direito Eleitoral OAB/SP. Professor convidado em cursos de pós-graduação e extensão nas áreas de Direito Político e Eleitoral na Escola Judiciária Eleitoral Paulista (EJEP-TRE/SP), Escola Judiciária Eleitoral do Rio Grande do Sul (EJE-TRE/RS), Escola Superior de Advocacia (ESA-OAB/SP), Escola Nacional de Advocacia (ENA-OAB/Federal), além de conferencista em congressos nacionais e internacionais. Idiomas: Inglês e Espanhol.

"Não posso aplaudir a decisão que afastou Renan da Presidência do Senado.
Antes esclareço: não o escolheria para presidir a assembleia do meu condomínio.
Se me tentasse vender um carro usado, provavelmente nunca mais compraria um veículo. De qualquer pessoa.
Mas... a Constituição não prevê seu afastamento da presidência de um Poder por ter contra si recebida uma ação penal.
Simples assim. A construção feita pelo STF não faz sentido.
Uma pessoa pode ser candidata a Presidente da República enquanto responde a uma ação penal.
Pode até ter sido condenada em primeira instância. Lembremos que a Lei da Ficha Limpa prevê ser inelegível quem foi condenado em segunda instância, não aquele que apenas responde a um processo.
Essa pessoa, se ganhar, poderá assumir a Presidência e exercer o mandato. Seu processo, anterior ao início do mandato, ficará suspenso e voltará a correr apenas depois dos quatro anos, suspendendo-se também a contagem da prescrição nesse interregno.
Renan não é Presidente da República, apenas figura na linha sucessória, depois do Presidente da Câmara dos Deputados.
Nada, friso, nada impede que siga presidindo o Senado enquanto responde a uma ação penal.
É imoral? Incomoda? Seus pares deveriam defenestrá-lo? Seus eleitores virarem-lhe as costas?
Posso concordar.
Mas nada disso autoriza o STF a apeá-lo da chefia de um poder ante o recebimento de uma denúncia.
Muitos colegas, advogados até, costumam se vangloriar quando uma tese que defendem é aceita no STF.
A frase é corriqueira: viu como eu estava certo?
Nada pode ser mais falso.
O STF erra e acerta. Não é por sua vontade que o errado se torna certo.
Segue sendo errado.
E cabe a quem pensa o Direito, creio eu, apontar esses erros.
Não podemos jamais aplaudir uma decisão por gostarmos de suas circunstâncias.
O errado não se torna certo por ser contra meu inimigo. Segue sendo errado.
Uma Democracia pode ter eleições a cada dois, quatro, seis, até oito anos. Com voto direto ou no colégio eleitoral. Pode ser parlamentarista ou presidencialista. Até pode ser uma monarquia constitucional, não uma República.
Mas não há Democracia sem Estado de Direito.
Não há Democracia sem que a regra do jogo seja conhecida de antemão.
Não deve haver surpresas na Democracia.
E o Brasil, em especial pela ação do Judiciário, vem se tornando uma terra de surpresas que se sucedem.
Vivemos uma quadra perigosa. Anos de construção democrática sendo queimados na fogueira dos novos Savonarolas.
É aguardar quem serão os próximos.
E seguir apontando os erros. Sempre.
O ministério público está na TV fazendo um repudio à proposta de lei que eles chamam de contrária à lava jato; chamam de "lei da intimidação".
Não é isso!
Trata-se, na verdade de uma lei que coloca juízes e promotores responsáveis pelo que fazem - o que é muito justo!
Hoje, promotores podem acusar sem provas qualquer cidadão que NADA LHES ACONTECE.
Inverteu-se o princípio constitucional da presunção da inocência - agora, o cidadão é que tem que provar que não fez nada (o que é bem difícil e juridicamente errado), ao invés de o Estado ter que provar que o cidadão praticou um crime. É um assassinato do estado democrático de direito!
Um promotor acusa injustamente um cidadão que responde a um processo por 10 ou 15 anos de sua vida e paga fortunas a advogados. E, em grande parte, ao final, este cidadão é inocentado por TOTAL FALTA DE PROVAS, ou, pior, por EXISTÊNCIA DE PROVA DE SUA INOCÊNCIA - e NADA ACONTECE COM AQUELE PROMOTOR QUE O ACUSOU INJUSTAMENTE!
Por que o promotor não tem cuidado de, junto com a polícia, investigar adequadamente antes de acusar - de forma que só acuse com convicção? Assim, um cidadão apenas responderia a um processo criminal com fortes indícios de crime.
Por que os juízes aceitam denúncias vindas de promotores, sem lastro probatório?
Certamente porque não respondem por seus erros!
Pensem! Um erro desses pode destruir a vida de uma pessoa de bem.
Eu ou vocês respondemos por nossos erros profissionais. Por que eles não podem responder?
Antes de votarem contra esta lei de responsabilização de promotores e juízes, LEIAM o projeto de lei, e verão que nada mais é do que obrigar que promotores e juízes respondam por seus atos, quando errarem.
Estão falando que é contra a lava jato. Mentira! É contra a irresponsabilidade de promotores e juízes face a cidadãos inocentes.
Sabem quanto um promotor federal ganha por mês, em média, no INÍCIO DE CARREIRA? R$ 21.000,00!
E o juiz federal em início de carreira, cerca R$ 25.000,00.
Não é justo que respondam por seus atos errados, como eu ou você?
Se eles são tão convictos do que fazem, por que o medo de uma lei que apenas responsabiliza quando promotores e juízes atuarem com negligência?

Pensem!"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

SONHAR NÃO CUSTA NADA

Eu sonho toda santa noite. Já ouvi falar que sonhar faz bem, mas meus sonhos me cansam.
Vivo sonhando que estou trabalhando.
Exercendo a minha profissão, nada dá certo, nada consigo criar. 
Às vezes, sonho que trabalho como ajudante de pedreiro. Passo a noite carregando um carrinho de mão cheio de terra ou pedras para lugar nenhum. Ando e não consigo sair do lugar. É como se estivesse numa esteira rolante. Tenho sonhos recorrentes: 
1) sonho sempre com um mesmo local, a mesma casa com cerca viva, a mesma paisagem, quero ver uma pessoa que não sei quem é e nunca encontro. E quando sonho de novo, sei, no próprio sonho, que se trata de uma repetição do sonho que tive antes; 
2) sonho que piloto um pequeno avião que vai perdendo altitude, estou numa guerra mundial – só pode ser a primeira - o avião cai e bate na fiação elétrica de uma rua de Bangu; 
3) sonho que estou caminhando tranquilamente por uma rua no centro do Rio e, de repente, percebo que todos me observam. Estou nu, tento me esconder e não consigo. Freud diria que se trata de alguma frustração sexual que nunca tive; 
4) sonho com a repressão da ditadura. Estou correndo da polícia, fui preso. Quando decidem me encher de porrada, eu, espertamente, acordo; 
5) atualmente, tenho sonhado com amigos e parentes falecidos, todos bem dispostos, satisfeitos e felizes. E sei que estão mortos quando aparecem no churrasco que eu estava preparando. Eles bebem e comem como se vivos estivessem.
6) pior quando sonho a noite inteira que estou acordado e não consigo dormir. Acordo cansado e passo o dia à toa.
Ontem, fui surpreendido por um ladrão que me ameaçava com um furador de gelo. Tentava levar o cara no papo quando vi um monstro negro correndo em nossa direção. Ele derrubou o ladrão e, balançando o rabo, veio se esfregar em mim. Era um cachorrão imenso que ficou meu amigo em um outro sonho.
Já sonhei a continuação de sonhos anteriores, são sonhos em capítulos. Será que mais alguém é capaz de sonhar um seriado de sonhos?
Hoje, sonhei que estava no dentista. O profissional tinha uma forma peculiar para aplicar a anestesia: colocava o paciente na cadeira, pegava um fuzil com baioneta cuja ponta encostava no fígado dele e baixava a arma com força. E ficava esperando a anestesia fazer efeito. Desisti da consulta.
Freud definia o conteúdo dos sonhos como a realização de desejos. Para Jung, os sonhos eram forças naturais que auxiliam o indivíduo no processo de individualização.
Não é o meu caso, ninguém consegue ser mais individual do que eu nem tenho desejos ainda não realizados. 
Para alguns, o sonho tem poderes premonitórios. Também, não é esse o meu caso nem quero saber o significado dos sonhos que tenho.
Fico com a opinião atual da ciência que vê nos sonhos apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem.
Mas, como meu cérebro ainda é aquele de quando tinha 35 anos de idade, meu único desejo é dar um tempo nos sonhos. Quero parar de sonhar sonhos antigos, não quero dar férias a essa função dos sonhos.
Quero sonhar somente o que eu quero sonhar. Tenho conseguido. Antes de dormir, fico pensando no que quero sonhar. De repente, eu durmo e o sonho engrena com meus pensamentos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O PRIMEIRO GOLPE CIVIL-MILITAR

A Proclamação da República foi o primeiro golpe militar promovido no Brasil que, à época, era a única monarquia latino-americana. Nosso país foi o último a adotar o regime republicano nas três américas, em 15 de novembro de 1989. E um dos últimos a abolir a escravidão em todo o mundo. 
Pedro II não tinha filho homem e a herdeira do trono seria sua filha mais velha, a princesa Isabel, casada com um francês, o Conde D´Eu. Este fato gerava o receio de que o país caísse no poder de um estrangeiro. 
A defesa de um regime republicano era, então, manifestada em diferentes revoltas. A Revolução Farroupilha – que durou dez anos entre 1835 e 1845 - foi apenas a última a levantar-se contra a monarquia.
Após tantas lutas, a abolição da escravatura, em 1888, foi a pá de cal na monarquia brasileira porque afetou financeiramente o latifúndio e a sociedade escravista. Esta elite que subsiste atualmente e justificava a presença de um imperador enérgico e autoritário retirou o seu apoio ao monarca.
A corrupção do governo monárquico era questionada pelos militares. A monarquia era também contestada pela Igreja Católica que sofria a interferência imperial em seus assuntos. 
A crise econômica devido à guerra do Paraguai também influenciou na Proclamação da República, regime já adotado por muitos países importantes que possibilitava maior participação política dos cidadãos.
O marechal Deodoro da Fonseca, que assumiu o poder republicano, deixou de ser monarquista às vésperas do golpe porque se sentiu corneado. Um dia, eu conto a história. 

Doente, com dispnéia, Dodoro foi forçado a sair de casa  pelos conspiradores. Morava ali ao lado do Campo de Santana, hoje também conhecida como Praça da República.
Após proclamar a república ali mesmo, juntinho de sua casa, o marechal voltou para a cama.

Os militares, então, seguiram para o palácio do governo imperial, na Praça XV. Ali, convenceram o general Floriano Peixoto – outro monarquista, comandante do destacamento local e responsável pela segurança do Paço Imperial – a aderir ao movimento. Floriano foi o vice de Deodoro e, a seguir, presidente da república.

Depois, Floriano virou praça e Deodoro estação de trem, como diz o samba do crioulo doido.
Assim, em linhas gerais, foi proclamada a república de Rui Barbosa, um monarquista traíra que participou do primeiro governo republicano-militar.
Apenas 25 anos após a proclamação, em 1914, Rui Barbosa – que para alguns é considerado o maior brasileiro de todos os tempos (esquecem de Lula, Pelé, Jorge Amado e Niemeyer) – proferiu um discurso no Senado cujo trecho a seguir, em preto, é sempre reproduzido nas redes sociais; entretanto, esquecem de reproduzir a parte que segue em vermelho: 
“...De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime (na Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos temiam e que, acesa no alto (o Imperador, graças principalmente a deter o Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça.”

N.L.: Um discurso similar ao dos intervencionistas que, atualmente, querem acabar com a democracia e sonham com a volta da ditadura militar, com a tortura, com o dedurismo, com o fim da liberdade de expressão. Rui Barbosa sonhava com a volta do absolutismo imperial muito mais corrupto. Como disse Nelson Rodrigues: "Em nosso século, o grande homem pode ser, ao mesmo tempo, uma besta".

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

CARLOS ZÉFIRO EXPLÍCITO

Alcides de Aguiar Caminha (1921-1991) foi um servidor público federal, casado, cinco filhos, morador de Anchieta/RJ, que compôs um dos mais belos versos da MPB para a melodia de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.

Tira o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor.

Todos conhecem a composição imortal A Flor e o Espinho, que tem mais de sessenta anos, e foi gravada por inúmeras cantoras. Talvez, alguns poucos conheçam seu outro grande sucesso - Notícia - gravado por Roberto Silva que pode ser ouvido abaixo.
Além de poeta e compositor, Alcides Caminha era a identidade secreta de Carlos Zéfiro, o grande professor de educação sexual nas décadas de 50, 60 e 70. 
O famoso escritor que povoou os sonhos eróticos da minha e, talvez, também da sua puberdade.
Carlos Zéfiro foi um romântico pornográfico com seus “catecismos”, livretos de 16 a 32 páginas com sexo explícito, que ele ilustrava e escrevia, vendidos em todo o país e que o ajudavam a manter a família. "Queria construir minha casa própria e colocar meus filhos na escola", disse ele certa vez.Viveu incógnito por mais de trinta anos para não perder o emprego no Ministério do Trabalho. Temia a lei que previa a demissão e a suspensão da aposentadoria de funcionários públicos envolvidos em escândalos.
Dono de uma das mais criativas e censuradas carreiras literárias no país, Zéfiro foi autor de mais de 600 revistas erótico-pornográficasalgumas com tiragem de 30 mil exemplares, produzidas de forma artesanal, vendidas dissimuladamente pelos jornaleiros e lidas em segredo, com fervor incontido, pela garotada onanista que as colecionavam e as passavam de mão em mão. 
Mãos, diziam pais e mães, onde podiam crescer pelos, enquanto os religiosos afirmavam ser pecado. E a ditadura não suportava a pornografia. 
Na década de setenta, para tristeza de seus leitores, após o episódio em que sofreu uma rigorosa revista policial, Zéfiro parou com sua literatura. Além disso, um general de Brasí­lia se indignou com as revistinhas e mandou investigar. 
Chegou até Hélio Brandão, o respon­sável pela edição das revistas. Hélio jamais revelou que Carlos Zéfiro era um pacato funcionário público federal. Após reinar no terreno fértil da sacanagem em plena ditadura militar, Alcides acabou desistindo do Zéfiro.
Toda uma geração descobriu o sexo através de Carlos Zéfiro, cujo texto e desenho a bico de pena possuía uma sexualidade inerente. Embora singelos e limitados, os desenhos mostravam mulheres bonitas e perfeitas que deixavam os garotos cheios de tesão. 
Olhando seus desenhos hoje, vejo que o único defeito delas eram os pentelhos. Mas, isto era normal naquela época. sua crônica da vida privada retratava a realidade reprimida da sociedade suburbana carioca com empregadas domésticas, donas de casa, secretárias, professoras, solteiras e casadas, viúvas sedentas, desquitadas carentes, políticos corruptos e devassos, freiras pecaminosas
Todas as mulheres lascivas foram representadas em sua obra - para mim uma obra de arte - sempre com muita paixão e romantismo. Tinha muito a ver com Nelson Rodrigues que alguns pensavam ser o autor secreto dos “catecismos”, mas Zéfiro foi um artista com um estilo inconfundível que não chegou a conhecer o alcance de sua obra.
Alcides Caminha foi identificado em 1991 pela revista Playboy. Um homem modesto e humilde que somente se revelou devido a pressão de seus filhos.
Ganhou algum dinheiro, deu entrevista até no Jô Soares. Foi premiado com o Troféu HQ Mix pela importância de sua obra na Bienal de Quadrinhos.
O nobre educador sexual deixou este mundo em 5 de julho de 1992, menos de um ano após ter sua identidade revelada.
Marisa Monte usou a arte do mestre na capa de seu álbum “Barulhinho Bom”, de 1997 e a MTV até criou uma vinheta totalmente inspirada nos “catecismos”. 
Em 1999, em Anchieta, foi inaugurada a Lona Cultural Carlos Zéfiro, com show de Marisa Monte. 
Em Janeiro de 2011, os trabalhos de Zéfiro foram expostos ao lado de outros quadrinhos eróticos de todo o mundo no Museu do Sexo, em Nova YorkHoje, Zéfiro é motivo de monografias e pesquisa de mestrado em faculdades, e tem vários artigos publicados na imprensa. Já foi motivo de peça de teatro e há um documentário exclusivo sobre ele. Veja o filme AQUI.
Diversos autores já escreveram livros sobre Carlos Zéfiro que faz parte importante da história cultural do país para desespero dos generais. O antropólogo Roberto da Matta escreveu textos analisando seus quadrinhos e já se declarou fã dos “catecismos”.
A sem-vergonhice de um homem de família deixou muitas marcas na cultura nacional. Em mim também.
Está por merecer uma homenagem da Academia Brasileira de Letras, cujos membros certamente foram onanistas como eu e devem ter saciado sua púbere excitação sexual com aqueles românticos “catecismos”.

N.L.: Veja o “catecismo” intitulado A Filha da Lavadeira AQUI.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ABSTENÇÃO E VOTOS NULOS

Nunca votei nulo e esta foi a primeira vez nos últimos 60 anos que me abstive de votar..
Meu título é de Mangaratiba e, desde maio, moro no Flamengo. Ainda não transferi meu domicílio eleitoral e não há segundo turno em Mangaratiba Por isso não votei.
Que justificativa teriam os 2.034.000 de eleitores que não votaram ou anularam ou votaram em branco? Um número maior que 1,7 milhão de votos conquistados pelo prefeito eleito. Os que se abstiveram superaram os votos do Freixo, que seria o meu candidato.
Quase metade do eleitorado carioca desprezou a eleição. O mesmo ocorreu nas outras duas principais cidades em que houve segundo turno: Porto Alegre e Belo Horizonte.
E por falar nesta última, foi mais uma derrota – a terceira seguida – do Aécio em sua terra natal.
Foi também uma derrota da Globo e da Veja que combateram incessantemente o candidato eleito no Rio.
O candidato que as enfrentou e afrontou a Globo corajosamente.
A nefasta e repugnante campanha da mídia contra os políticos leva o eleitor a se decepcionar com a política colocando a todos na vala comum da incompetência e da corrupção. O eleitor se convence de que todos os políticos são iguais e decide votar somente naquele que lhe trouxer algum benefício imediato.
Um público fanático, neurótico, sofrido e sem esperança verá no candidato de sua igreja o caminho, a verdade e a vida. 
Seu voto vai, como o dízimo, fazê-lo esquecer suas angústias, acreditando que seus problemas serão milagrosamente resolvidos.
Afinal, o adversário era o candidato do demônio.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

RODÍZIO CAIPIRA

Quando cheguei em Mangaratiba, o prefeito era o Charlinho (Carlo Busatto Junior). O vice: Aarão. Os dois brigaram.
Veio a nova eleição e Aarão foi eleito, vencendo o candidato do Charlinho. Seu vice foi Evandro Capixaba. Os dois também brigaram.
Nova eleição: os dois se enfrentaram. Aarão foi reeleito e, logo depois, foi cassado, junto com seu vice, por abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação.
O fato originou a realização de eleição suplementar com  três candidatos: Evandro Capixaba, José Luiz do Posto e Ruy Quintanilha.
Com o apoio de Charlinho - que indicou o vice e escrachou com José Luiz do Posto na campanha – Evandro Capixaba venceu a eleição e após cumprir o tempo que faltava - dois anos - candidatou-se à reeleição, em 2012.
Capixaba enfrentou o Charlinho que lançou candidata a esposa Andréia com o apoio – pasmem - de José Luiz do Posto. E pasmem novamente: o candidato a vice foi o vice eleito com o Capixaba que havia brigado com o prefeito. 
O vice do Capixaba foi Ruy Quintanilha e logo brigaram após dois anos de mandato em que o vice ficou à frente da saúde no Município. 
Por que tantas brigas neste rodízio caipira? Não sei...
O vice Ruy assumiu a prefeitura com a cassação e prisão de Evandro Capixaba acusado de fraudes em licitações e superfaturamento na compra de remédios.
Este humilde blog foi o primeiro a noticiar (aqui e aqui) o superfaturamento de 1.000 a 8.910,2% na saúde municipal em 2013.
Agora, a chapa Ruy e Zé Luiz que cantava vitória perdeu para quem? Quem? Quem? Quem?
Aarão... Completando o rodízio.
Mas, em 2020, o rodízio caipira há de voltar. Com quem será?
Será a vez do Charlinho novamente?

terça-feira, 27 de setembro de 2016

SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA

Ouvindo a propaganda eleitoral, vejo que mais uma vez os candidatos a vereador  prometem mais e melhor saúde, educação e segurança para seus munícipes.
É o que a maioria de seus eleitores mais carentes necessita.
Entretanto, o vereador não foi criado para isto que é responsabilidade do poder executivo. O vereador foi inventado para legislar – criar leis – e para fiscalizar as ações do prefeito. Além de servir como uma conexão entre a comunidade e o poder executivo, levando ao conhecimento do prefeito as reivindicações comunitárias.
O que, então, o vereador pode fazer pela saúde, educação e segurança?
Tudo. Tudo aquilo que o próprio eleitor pode fazer por si próprio, assim como o vereador pode fazer por si mesmo também.
Por que, então, querer que um vereador resolva questões que são tão nossas quanto deles?
SAÚDE
Quer mais e melhor saúde? Cuide-se e cuide de seus filhos.
Vacine-os. Tenha hábitos diários de higiene. Lave as mãos muitas vezes ao dia. Escove os dentes, pelo menos, três vezes diárias. Tenha uma vida saudável. Alimente-se bem. Não seja um sedentário como eu. Caminhe, dance, divirta-se. Sorria, seja feliz. Supere a hipocondria. Beba sempre água filtrada. Não exagere no álcool. Evite acidentes. Se for dirigir, não beba. Dirija com cuidado. Tenha sempre em mente a noção do perigo.
Quem deve cuidar da sua saúde é você mesmo. Médico é pra cuidar de doenças.
Evite hospitais, um antro de ar poluído com todo tipo de bactérias. Hospital somente quando for carregado e não puder ir com suas próprias pernas.
Se precisar, tente um posto de saúde. Mas, só mesmo quando precisar de fato. Resfriado, tosse, nariz entupido ou escorrendo, prisão de ventre, diarreia, dor de barriga, joelho ralado, bicho de pé, “espinhela caída”, “pulso aberto”, trate em casa mesmo. 
Quando faltar ao trabalho, enfrente o chefe com galhardia e não procure o posto de saúde em busca de um atestado médico.
Sabe o que acontecerá a médio prazo? Será o fim das filas de consulta médica em hospitais e postos de saúde. Médicos e enfermeiros terão mais tempo e poderão dedicar-se melhor àqueles que, de fato, precisam: os doentes. Não os doentios. 
E teremos todos mais e melhor atendimento à saúde.
EDUCAÇÃO
Quer mais e melhor educação? Eduque-se e eduque seus filhos. Cuide bem deles com muito amor e carinho, mas imponha-lhes limites. Procure saber com quem e por aonde eles andam. 
Educação começa no berço. Sei que dá trabalho, mas tenha paciência e determinação. Minha mãe dizia que é de pequenino que se torce o pepino. 
Ensine a seus filhos o que significam respeito, boas maneiras, cortesia, justiça, honra. Crie filhos com caráter e personalidade. Não permita que eles se desvirtuem para a violência. Converse com eles – e principalmente com elas – sobre sexualidade. Aconselhe-os a usar camisinha. Diga a elas que anticoncepcional se toma diariamente e não apenas no dia em que vai transar.
Educação se dá em casa e é aquilo que fica conosco para sempre depois que esquecemos quase tudo que aprendemos na escola. Professor existe para transmitir conhecimentos. Na escola, seu filho vai adquiri-los, vai aprender a ler e escrever, a somar, diminuir, dividir, multiplicar. Acompanhe seus estudos. 
Estimule-os à leitura. Apresente-os à boa música, faça tudo para evitar que se tornem "funkeiros". Não admita “piercings” e tatuagens.
Sabe o que acontecerá? Você enviará filhos melhores para a escola e a escola se tornará muito melhor. E teremos todos mais e melhor educação.
SEGURANÇA
Quer mais segurança? Então, vamos acabar com o narcotráfico e com a violência. Faça tudo o que falei sobre educação e mais: não use drogas. 
Fique de olho em seus filhos, nos filhos dos seus amigos e vizinhos e nos “amigos” deles. Dê-lhes algumas incertas nos locais que eles costumam frequentar.
Sem o consumo de drogas não haverá mercado para o narcotráfico. Não os estimule à bebida que é o primeiro passo no caminho das drogas.
Não volte para casa bêbado. Mas, se voltar bêbado – uma vez ou outra - deite e durma. Não discuta com a mulher, não a ofenda nem agrida. Bêbado nunca tem razão. 
Não seja intransigente, saiba pedir e conceder desculpas. Seja cortês sempre, inclusive no trânsito. Dirija com urbanidade. Evite as brigas, principalmente com seus vizinhos. Compreenda-os e mantenha sempre um relacionamento amigável. Você vai precisar deles um dia. Seja solidário, ajude a quem precisa. Não seja arrogante, seja gentil. Como o Gentileza, com sua humildade, afirmava: gentileza gera gentileza. 
Ajude a polícia, coopere com a segurança. Participe e não fique alheio ao que acontece na sua comunidade. E jamais esqueça que os que enveredaram pelos descaminhos do crime foram um dia, assim como seus filhos, criancinhas inocentes, indefesas e inofensivas.
Assim, vamos conquistar um mundo menos violento. A paz virá com o tempo.
E os candidatos terão que apresentar novos argumentos para conquistar o nosso voto.


N.L.: Os pais e mães dos bandidos atuais que façam o “mea culpa”. Os viciados em tóxico e aqueles que somente o consomem nas festas que assumam a sua responsabilidade.