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sexta-feira, 24 de março de 2017

MEU CONTO DE FADA

Tomei um banho de loja, me embrulhei pra presente. 
Bordei um sorriso no rosto e me declarei a ela.
(Quando me apego, sou cego, me entrego, não nego.)
Convidei a lua cheia, derramei-a em sua janela
Com um luar da cor de prata...
Fiz comício, passeata, serenata só pra ela.
Dei-lhe anel, assinei papel, jurei amor eterno, 
Ela prometeu-me o céu e me levou pro inferno.
No início, uma fogueira, sempre acesa a noite inteira,
Pernas entrelaçadas, ternas...
(Tinha as mais belas pernas do pedaço)
Nossos corpos, num abraço, contestavam a ciência, 
Ocupando o mesmo lugar no espaço.
(Quanto mais amor pra nós era ainda pouco)
De dia, as flores na janela me espiando,
Odores na panela transpirando,
Sabores como os dela só provando...
De repente, pinta um racha entre nós:
Um drama atroz de filme barato, final de novela...
(Ela jogou tudo fora, a cadela) 
O sonho foi só meu, nunca foi dela
Aproveitou-se da minha mais-valia, abusou da regalia.
Hoje vivo duro, no bagaço,
O Ibope dela comigo só tem traço.
Mas, já ando sofrendo normalmente
E vou me dando bem com a tristeza,
Abri de vez com a solidão, fiquei de bem comigo.
Pra não perder a razão, perdi o seu juízo
O meu conto de fada deu em nada foi em vão.
(Se eu tinha que te perder tão cedo, por que você chegou tão tarde?)


segunda-feira, 20 de março de 2017

A TRANSPOSIÇÃO

Pequenino ele nasce
No alto da serra
E depressa ele foge,
Saltando entre as rochas...
Vestido de branco,
Ele pula do alto,
Um menino correndo
À procura do mar.
Escorrega no chão,
Brincando com as pedras...
Sozinho, ele traça
Seu próprio caminho,
Caminho sem volta
Cruzando o sertão
E trazendo pra vida
Uma vida melhor.
De repente, ele para
Cumprindo a visão
Do profeta que um dia
Pregou no sertão.
Chiquinho menino
Virou Velho Chico.
Lula abriu novo caminho
Algum tempo depois...
Não está mais sozinho,
Com a transposição,
Chico já tem um irmão 
E, agora, são dois
Inundando o sertão.

N.L.: veja AQUI a história da transposição.

segunda-feira, 13 de março de 2017

QUANDO EU TE PERDI

Quando eu te perdi, tentei chorar,
Me atormentar com a dor que não senti.
Tentei enlouquecer na solidão,
Quis morrer de emoção, não consegui.
A razão disse que não,
Eu me esqueci de sofrer.
Quando eu te perdi, nem sei porque
Me acostumei à vida sem você...
Quem me vê sorrir até duvida:
Fez tão bem a despedida.
Quando eu te perdi,
Eu me encontrei, enfim...
Senti o coração dizer que sim à razão.


segunda-feira, 6 de março de 2017

FARSA DA SEPARAÇÃO

Já vivemos tão longe um do outro, 
Separados...
Mas, a vida foi capaz de nos unir,
Confundir nossos caminhos...
Um deslize, um quase nada 
Impediria o nosso caso.
O que teria sido de nós assim, 
Sozinhos,
Sem a ventura do acaso?
Ainda vivendo à procura de nós dois?
Então, por que querer entrar no meu passado?
Viver a sua vida sem depois, 
Sem nada mais a falar, a sentir, a sofrer...
Não seja louco, espera um pouco,
Não vai ainda, é noite alta, se comporte.
Olha, há lágrimas na vidraça,
Está chovendo, a chuva é forte,
Ela não passa.
Amanhã, sem farsa, pode ir...
Agora - porra! - vem dormir.


domingo, 26 de fevereiro de 2017

É CARNAVAL

O dinheiro investido no carnaval deveria ser empregado na saúde, é o que dizem alguns idiotas no feissibuque. 
Influenciadas por essas campanhas absurdas contra a folia e por iniciativas inúteis de outros prefeitos, algumas cidades caipiras decidiram cancelar o carnaval para investir em melhorias (?) na saúde e na educação.
Virou moda, principalmente, entre os prefeitos “evangélicos” que querem aparecer. 
De fato, não deveria haver carnaval em pequenas cidades do interior para que quem odeia a festa pudesse ali se refugiar.
E se o Crivella, em um acesso de estupidez, decidisse cancelar o carnaval carioca? Já imaginaram ficarmos sem a Portela, sem a Mangueira? Sem aquelas mulheres lindas e seminuas na Sapucaí. Sem os blocos nas ruas... Sem quatro dias de alegria...
Pô! Parem com isso. Quem faz o carnaval é o povo, e não precisa de apoio oficial como os blocos de Muriqui. Lá, o Bloco da Galinha, diz o Dinho, não vai sair porque o novo prefeito – Aarão – não vai dar ajuda oficial, o que faz ele muito bem.
Os prefeitos anteriores ajudaram dando camisas e hoje, Mangaratiba, tem cerca de 80 pequenos blocos. Lá sempre foi um bom negócio promover um bloco de carnaval. O organizador recebia 200 camisas que vendia a R$ 30 com direito a churrasco no dia do desfile.  Queimava uns cinco quilos de alcatra, pagava os componentes da bateria e ficava com o troco.
Carnaval no Rio com suas escolas de samba e seus 500 blocos também é lucro, muito lucro para a economia da cidade e para a prefeitura carioca. Este ano, cerca de seis bilhões de dólares entrarão na economia carioca.
Quando falam em cancelar o carnaval carioca, eu lembro do Barão do Rio Branco, aquele que apelidou de barão a quantia de mil cruzeiros por ter a sua foto estampada na nota. Hoje, quando se fala em mil reais, também se diz que é um barão.
Diplomata, advogado, deputado, promotor público, geógrafo e historiador, José Maria da Silva Paranhos Júnior – o Barão do Rio Branco - foi ministro das Relações Exteriores durante os mandatos dos presidentes Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Resolveu questões de fronteiras entre o Amapá e a Guiana Francesa, entre Santa Catarina e Paraná contra a Argentina e conquistou o Acre que pertencia à Bolívia. Foi o segundo ocupante da Cadeira nº 34 da Academia Brasileira de Letras.
Rio Branco é o patrono da diplomacia brasileira e uma das figuras mais importantes da história do Brasil. 
Quando faleceu em 10 de fevereiro de 1912, era uma unanimidade nacional. O carnaval, que começaria no domingo seguinte, foi cancelado em respeito ao luto pelo Barão e adiado para começar no dia 6 de abril. Foi a decisão do presidente marechal Hermes da Fonseca. O carioca, porém, que nunca necessitou de apoio oficial para brincar o carnaval, não se absteve de seus três dias de festa em fevereiro.
E lotou a Avenida Central que, apenas três dias antes, recebera o nome de Rio Branco, justamente em homenagem ao falecido.
Em 6 de abril, em plena Semana Santa, houve outro carnaval. E pior, toda a quaresma transformou-se em um período pré-carnavalesco.

N.L.: Salve a Unidos de Padre Miguel que, mesmo com a queda da porta-bandeira, fez um desfile maravilhoso e ganhou o Estandarte de Ouro.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O HELICÓPTERO DO CABRAL



As viagens de Sérgio Cabral para Mangaratiba está agora na pauta da imprensa. Mas, em setembro/2008, já tinha sido motivo de uma crítica minha neste sarcástico blog.
“O gaúcho Rudi Werner, cabeleireiro de 49 anos, tem uma clientela forte. Seus dois mais conhecidos clientes valem pela freguesia inteira de muitos concorrentes: o governador Sérgio Cabral e a mulher, a advogada Adriana Ancelmo.
Em uma ocasião, Cabral e Adriana mandaram um helicóptero, às 5 da manhã, ao heliponto da Lagoa para levá-lo a Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, onde passam os fins de semana com a família.
Foi a primeira e, até agora, única vez em que a primeira-dama não ficou totalmente satisfeita com seu trabalho. "Fiz o corte lá, com ela sentada numa cadeira comum", relembra. "No dia seguinte ela me ligou dizendo que um lado tinha ficado maior do que o outro."
Para sentar na cadeira de Werner, é preciso desembolsar R$ 300. O governador e a primeira-dama fazem questão de pagar pelo serviço. São uma exceção. Sabe-se que entre muitas celebridades e seus cabeleireiros existe um acordo: o corte é grátis, mas elas citam o nome dos profissionais em entrevistas.”

Como a primeira-dama não gostou do corte, o governador mandou buscar o cabeleireiro novamente de helicóptero no dia seguinte. Como diz a nota, o governador faz questão de pagar pelo serviço do cabeleireiro.
Agora, quem pagou as idas e vindas de helicóptero?
Advinhem...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

LIANA

     Foi há 53 anos...
     E num dia 17.
     Encontrei por mero acaso
     (ou foi destino?)
     Uma menina loura, linda,
     Dezessete aninhos...
     Pequenina, meiga, divina,
     Olhos brilhantes
     Cruzaram-se com os meus
     Olhos de rapina distantes de Deus,
     Olhos de ver apenas o que desse prazer.
     Sorriste pra mim,
     Sei lá por quê.
     Talvez não imaginaste
     O valor do teu sorriso...
     Talvez nem pensaste
     O que seria pra mim
     Aquele riso simples, sem maldade.
     Se pudesses compreender
     A importância do momento;
     Se pudesses entender
     O que me foi no pensamento...
     Se soubesses que o teu gesto
     Me apaixonaria loucamente...
     Tu o farias novamente?
   SIM, disse ela, em maiúsculas e corpo 24, 
      exatamente hoje, dia 17 quando faz 70 aninhos. 
      E é bonita ainda, a minha véia muito linda.        

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Saramago – o único Nobel de Literatura da língua portuguesa – escreveu, em 1995, o livro que virou filme dirigido por Fernando Meirelles, em 2008.
Não vi o filme, mas li o livro em que uma epidemia de cegueira espalha-se por uma cidade, resultando no colapso da sociedade. Tudo era permitido porque ninguém via o que o outro fazia. E, quando ele não é visto, o ser humano é capaz de tudo, das piores fraquezas.
Lembrei de todo o enredo do livro ao ver agora o que vem acontecendo no Espírito Santo. Logo no Espírito Santo, onde o deus dos hipócritas deveria estar no comando e no controle de tudo como dizem alguns oligofrênicos no facebook.
Assaltos, arrastões, saques e assassinatos sujam as ruas de Vitória de medo, violência e sangue. Na explosão de violência no Espírito Santo, mais de 120 já morreram de forma violenta em todo o estado.
Milhares de capixabas entram nas lojas arrombadas e saem delas carregados de caixas e pacotes. Sapatos, roupas, aparelhos eletrônicos, gêneros alimentícios, tudo ao alcance das mãos é levado num saque coletivo.
Quem saqueia as lojas? Ladrões, traficantes, assaltantes?
Não. Com certeza, foram os seus familiares e amigos. Os saques foram cometidos por pessoas do povo, por donas de casa, mães e avós dos criminosos, pais de família, trabalhadores, estudantes e professoras. Até mesmo uma candidata tucana a vereadora. Enfim, "gente de bem" em um processo irreversível de degradação moral.
Por quê?
Foi como no Ensaio sobre a Cegueira, em que ninguém via o que o outro fazia. A coisa virou bagunça e cada humano podia expressar sua total desumanidade. 
No caso do Espírito Santo, era a polícia que não podia ver porque estava em greve. 
Onde não há repressão, não há limites.
Há barbárie.

domingo, 15 de janeiro de 2017

OXÍMORO

A palavra tem origem em dois termos gregos: oxus (esperto) e moros (estúpido).
Consiste na associação de dois termos contraditórios, duas imagens que na realidade se repelem, que aproximam dois sentidos totalmente incompatíveis. Uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão, formando assim um terceiro conceito que dependerá da interpretação do leitor.  
Um instante eterno
Silêncio eloqüente
Cópia original
Tumulto organizado
Ilustre desconhecido
Boato fidedigno
Crescimento negativo
Grito do silêncio
É ruim, mas é bom
Divórcio amigável
Sexo seguro
Silêncio ensurdecedor
Mentira sincera
Humildade portenha
Melodia funkeira
Espontaneidade calculada
Televisão educativa
Hércules Quasímodo 
(Este acima é do corno Euclides da Cunha descrevendo o nordestino em Os Sertões)
Não posso esquecer do belo soneto que Camões escreveu pleno de oxímoros:
Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que doi e não se sente...
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer...
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente...
É cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade, 
É servir a quem vence: o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade...
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade?
Agora, o melhor de todos os oxímoros: INTELIGÊNCIA MILITAR (OU POLICIAL).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

NOSSOS POLÍTICOS, DE ONDE ELES VÊM

Vêm de Marte? Ou será que eles vêm de Vênus?
Não. Eles vêm do mesmo lugar de onde surgem os juízes corruptos, os empresários egoístas, sonegadores e gananciosos, os traficantes, os viciados em tóxicos, os assaltantes, os jornalistas mercenários, os milicianos, os estelionatários, os criminosos, os falsos profetas que exploram a fé religiosa, os ladrões, os pedófilos e estupradores, os torturadores, os pichadores, os funkeiros, etc, e, até mesmo, os mansos e as pessoas de bem.
Todos eles surgem inofensivos, inócuos, sem culpa nem malícia, singelos, cândidos, puros, ingênuos, no seio – ou será no útero? - da nossa sociedade. Uma sociedade que se imagina vítima, mas que cria os seus próprios algozes.
Sei que falando assim vou desagradar muita gente. Principalmente a burguesia esquizofrênica que gera seus monstros e, depois, os culpa por seus erros. Uma burguesia negligente e convicta de que tão somente o pobre é bandido e que atingiu tal condição por falta de oportunidades ou por exclusão social.
E os facínoras das classes mais abastadas? Seria por falta de oportunidades que pastores cambistas negociam ingressos para o céu? E os políticos e juízes corruptos, teriam se tornado o que são por exclusão social?
Essa burguesia dissimulada ainda crê que tudo se resolve com a educação que o governo não proporciona ao povo. Confunde ensino público com educação. Já disse Einstein que educação é aquilo que nos resta depois que esquecemos quase tudo que aprendemos na escola.
Educação tem que ser prestada primordialmente pela família que é o núcleo da sociedade. É ela – e somente ela – quem pode determinar o seu caminho pelo mundo, se seus filhos terão boa ou má índole.
Isso dá muito trabalho, reconheço. Não é fácil educar, tem que ter muita paciência e força de vontade. A burguesia, porém, é preguiçosa e prefere deixar por conta do governo a educação de seus filhos. Assim, como qualquer incompetente, ela sempre terá a quem culpar: a escola, os professores, os políticos, o governo.
Essa burguesia preconceituosa que quer exigir dos políticos um mundo melhor para seus filhos, mas não oferece filhos melhores para o mundo. Uma burguesia nociva que quer levar vantagem em tudo, que explora os mais humildes e jamais se sente culpada pela proliferação das drogas que, ela própria, subvenciona. E ainda reclama da falta de segurança.
Chega de culpar os políticos por tudo de mal que ocorre no país. Temos que assumir a nossa parcela de responsabilidade. 
Político é apenas algo assim como uma fralda descartável. Quando suja, troca-se e joga fora.
Infelizmente, não temos esse poder para fazer o mesmo com os juízes que se enlameiam.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

NOSSOS POLÍTICOS

Do presidente ao mais obscuro e menos votado dos vereadores é a culpa de todas as mazelas que infelicitam o nosso povo humilde, honrado, íntegro, honesto, virtuoso e trabalhador.
É doloroso saber que o presidente é proprietário de inúmeras oficinas para desmonte dos carros roubados por seus ministros e assessores.
Revolta-me quando vejo deputados estaduais irresponsáveis jogando lixo nos rios e nas ruas, entupindo bueiros e poluindo o meio ambiente, ocasionando as inundações que tanto prejuízo causam ao nosso povo ordeiro e ecológico.
Fico assombrado ao ver bandos de vereadores pichando e invadindo condomínios, sequestrando e agredindo moradores, para roubar o que o povo honesto conseguiu adquirir com tanto sacrifício.
Onde está a Segurança que nada faz contra aqueles  políticos que matam a coices e pontapés um ambulante em uma estação do metrô? Pior foram os assessores assistindo sem nada fazer.
Assombram-me ainda os políticos infiltrados em pacíficas torcidas organizadas que se agridem e se matam pelas ruas e nos campos de futebol.
Causa-me espanto ver senadores drogados destruir e incendiar escolas, agredir professores, montar uma absurda aparelhagem de som em seus carros e perturbar o sono do povo com o funk pornofônico.
Em que outro país governadores pedófilos estupram e engravidam enteadas e filhas de nove anos? Agridem suas esposas até a morte e jogam a própria filha pequena pela janela do oitavo andar?
É triste ver prefeitos viciados em crack comandando o tráfico de drogas e aniquilando com a nossa juventude estudiosa e digna. Juventude tatuada que se entrega às drogas por completo desgosto com nossos políticos. 
Eu fico atônito ao ver tantos casos de acidentes com mortes nas estradas causados por deputados federais que dirigem embriagados. É por causa deles que nossos hospitais andam cheios de acidentados e não têm como cuidar de nossos jovens em coma alcoólico nem das nossas crianças resfriadas ou com joelhos ralados.
É nas casas desses políticos onde são encontrados os maiores focos de mosquito da dengue. A Saúde está falida?
E os filhos viciados desses políticos estão promovendo pegas com seus carros e motos, pichando as residências das famílias honestas, sequestrando e matando namoradas. Enquanto as suas filhas, a partir dos 13 anos de idade, enchem a cara de manguaça e as avós de netos.
O governo precisa investir na educação.
As cadeias e penitenciárias estão repletas de gente inocente, oriunda de boas famílias, que não teve as mesmas oportunidades para progredir na vida por culpa exclusiva dos políticos.
Abaixo esses políticos corruptos que se vendem por uma exorbitância e compram o eleitor honrado, íntegro e virtuoso por uma ninharia apenas. Políticos safados que nos prometem empregos e, depois de eleitos, vêm oferecer vagas de trabalho para as quais não temos, nem nossos filhos, a mínima qualificação. 
Políticos animadores de programas que promovem o crime na TV. Angariando simpatizantes e novos eleitores, são paternalistas que hipocritamente clamam por segurança e acusam o governo pela culpa de tudo.
Políticos travestidos de religiosos que instalam "templos" em qualquer esquina para atrair e iludir os incautos trabalhadores.
Políticos ladrões que roubam energia elétrica, água, sinal da TV por assinatura e, até, a conexão Velox.
Políticos irresponsáveis sem autoridade para impor limites a seus filhos. Que disseminam ódio e intolerância como o político fascista que matou mulher, filho, família e convidados na festa de Ano Novo em Campinas. Não, não podemos imaginar tudo aquilo de que são capazes esses políticos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

CHEGA DE MANIQUEÍSMO

Indivíduos sectários, amantes do subjetivismo, fingindo defender o cidadão comum, acusam indiscriminadamente todos os políticos vivos. Dizem que todos são corruptos e nada fazem pelo povo ordeiro, humilde e honesto. 
Pura hipocrisia: o povo é bom, a classe política não presta. Como se não existissem cidadãos de má índole e políticos dignos e responsáveis. Como se eles não tivessem origem no meio do povo.
A quem pode interessar tal maniqueísmo?
A desonra, o descrédito, a difamação da política e dos políticos somente pode interessar a uma elite milionária detentora ou não de mandato político que pretende se locupletar ainda mais. Além, claro, dos ex-torturadores saudosos da ditadura. A nefasta campanha leva o eleitor a se decepcionar com a política colocando a todos na vala comum da incompetência e da corrupção. O cidadão se convence de que todos os políticos são iguais e decide votar somente naquele que lhe trouxer algum benefício financeiro imediato. Aí é que entra a elite milionária comprando votos e impedindo o surgimento de novas lideranças políticas empenhadas em atuar em favor do bem comum. Que jornalistas mercenários participem de tal campanha sórdida é até compreensível. Vivem ou pretendem viver a soldo dos corruptos para defender o leite das crianças. É estupidez, porém, que pessoas conscientizadas embarquem nessa canoa furada. Ninguém, absolutamente ninguém, nem eu nem você que me lê, é absolutamente bom nem absolutamente mau. E mesmo o político mais corrupto e desprestigiado – como o Cunha – tem lá as suas virtudes. Chega de maniqueísmo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

PENSEM NISSO

Reproduzo, por ser a minha, a opinião de Fernando Neisser:
Graduado, mestre e doutorando pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP). Membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP) e do Instituto Paulista de Direito Eleitoral (IPADE). Presidente da Comissão Permanente de Estudos em Direito Político e Eleitoral e Diretor de Relações Institucionais do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP). Membro da Comissão de Direito Eleitoral OAB/SP. Professor convidado em cursos de pós-graduação e extensão nas áreas de Direito Político e Eleitoral na Escola Judiciária Eleitoral Paulista (EJEP-TRE/SP), Escola Judiciária Eleitoral do Rio Grande do Sul (EJE-TRE/RS), Escola Superior de Advocacia (ESA-OAB/SP), Escola Nacional de Advocacia (ENA-OAB/Federal), além de conferencista em congressos nacionais e internacionais. Idiomas: Inglês e Espanhol.

"Não posso aplaudir a decisão que afastou Renan da Presidência do Senado.
Antes esclareço: não o escolheria para presidir a assembleia do meu condomínio.
Se me tentasse vender um carro usado, provavelmente nunca mais compraria um veículo. De qualquer pessoa.
Mas... a Constituição não prevê seu afastamento da presidência de um Poder por ter contra si recebida uma ação penal.
Simples assim. A construção feita pelo STF não faz sentido.
Uma pessoa pode ser candidata a Presidente da República enquanto responde a uma ação penal.
Pode até ter sido condenada em primeira instância. Lembremos que a Lei da Ficha Limpa prevê ser inelegível quem foi condenado em segunda instância, não aquele que apenas responde a um processo.
Essa pessoa, se ganhar, poderá assumir a Presidência e exercer o mandato. Seu processo, anterior ao início do mandato, ficará suspenso e voltará a correr apenas depois dos quatro anos, suspendendo-se também a contagem da prescrição nesse interregno.
Renan não é Presidente da República, apenas figura na linha sucessória, depois do Presidente da Câmara dos Deputados.
Nada, friso, nada impede que siga presidindo o Senado enquanto responde a uma ação penal.
É imoral? Incomoda? Seus pares deveriam defenestrá-lo? Seus eleitores virarem-lhe as costas?
Posso concordar.
Mas nada disso autoriza o STF a apeá-lo da chefia de um poder ante o recebimento de uma denúncia.
Muitos colegas, advogados até, costumam se vangloriar quando uma tese que defendem é aceita no STF.
A frase é corriqueira: viu como eu estava certo?
Nada pode ser mais falso.
O STF erra e acerta. Não é por sua vontade que o errado se torna certo.
Segue sendo errado.
E cabe a quem pensa o Direito, creio eu, apontar esses erros.
Não podemos jamais aplaudir uma decisão por gostarmos de suas circunstâncias.
O errado não se torna certo por ser contra meu inimigo. Segue sendo errado.
Uma Democracia pode ter eleições a cada dois, quatro, seis, até oito anos. Com voto direto ou no colégio eleitoral. Pode ser parlamentarista ou presidencialista. Até pode ser uma monarquia constitucional, não uma República.
Mas não há Democracia sem Estado de Direito.
Não há Democracia sem que a regra do jogo seja conhecida de antemão.
Não deve haver surpresas na Democracia.
E o Brasil, em especial pela ação do Judiciário, vem se tornando uma terra de surpresas que se sucedem.
Vivemos uma quadra perigosa. Anos de construção democrática sendo queimados na fogueira dos novos Savonarolas.
É aguardar quem serão os próximos.
E seguir apontando os erros. Sempre.
O ministério público está na TV fazendo um repudio à proposta de lei que eles chamam de contrária à lava jato; chamam de "lei da intimidação".
Não é isso!
Trata-se, na verdade de uma lei que coloca juízes e promotores responsáveis pelo que fazem - o que é muito justo!
Hoje, promotores podem acusar sem provas qualquer cidadão que NADA LHES ACONTECE.
Inverteu-se o princípio constitucional da presunção da inocência - agora, o cidadão é que tem que provar que não fez nada (o que é bem difícil e juridicamente errado), ao invés de o Estado ter que provar que o cidadão praticou um crime. É um assassinato do estado democrático de direito!
Um promotor acusa injustamente um cidadão que responde a um processo por 10 ou 15 anos de sua vida e paga fortunas a advogados. E, em grande parte, ao final, este cidadão é inocentado por TOTAL FALTA DE PROVAS, ou, pior, por EXISTÊNCIA DE PROVA DE SUA INOCÊNCIA - e NADA ACONTECE COM AQUELE PROMOTOR QUE O ACUSOU INJUSTAMENTE!
Por que o promotor não tem cuidado de, junto com a polícia, investigar adequadamente antes de acusar - de forma que só acuse com convicção? Assim, um cidadão apenas responderia a um processo criminal com fortes indícios de crime.
Por que os juízes aceitam denúncias vindas de promotores, sem lastro probatório?
Certamente porque não respondem por seus erros!
Pensem! Um erro desses pode destruir a vida de uma pessoa de bem.
Eu ou vocês respondemos por nossos erros profissionais. Por que eles não podem responder?
Antes de votarem contra esta lei de responsabilização de promotores e juízes, LEIAM o projeto de lei, e verão que nada mais é do que obrigar que promotores e juízes respondam por seus atos, quando errarem.
Estão falando que é contra a lava jato. Mentira! É contra a irresponsabilidade de promotores e juízes face a cidadãos inocentes.
Sabem quanto um promotor federal ganha por mês, em média, no INÍCIO DE CARREIRA? R$ 21.000,00!
E o juiz federal em início de carreira, cerca R$ 25.000,00.
Não é justo que respondam por seus atos errados, como eu ou você?
Se eles são tão convictos do que fazem, por que o medo de uma lei que apenas responsabiliza quando promotores e juízes atuarem com negligência?

Pensem!"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

SONHAR NÃO CUSTA NADA

Eu sonho toda santa noite. Já ouvi falar que sonhar faz bem, mas meus sonhos me cansam.
Vivo sonhando que estou trabalhando.
Exercendo a minha profissão, nada dá certo, nada consigo criar. 
Às vezes, sonho que trabalho como ajudante de pedreiro. Passo a noite carregando um carrinho de mão cheio de terra ou pedras para lugar nenhum. Ando e não consigo sair do lugar. É como se estivesse numa esteira rolante. Tenho sonhos recorrentes: 
1) sonho sempre com um mesmo local, a mesma casa com cerca viva, a mesma paisagem, quero ver uma pessoa que não sei quem é e nunca encontro. E quando sonho de novo, sei, no próprio sonho, que se trata de uma repetição do sonho que tive antes; 
2) sonho que piloto um pequeno avião que vai perdendo altitude, estou numa guerra mundial – só pode ser a primeira - o avião cai e bate na fiação elétrica de uma rua de Bangu; 
3) sonho que estou caminhando tranquilamente por uma rua no centro do Rio e, de repente, percebo que todos me observam. Estou nu, tento me esconder e não consigo. Freud diria que se trata de alguma frustração sexual que nunca tive; 
4) sonho com a repressão da ditadura. Estou correndo da polícia, fui preso. Quando decidem me encher de porrada, eu, espertamente, acordo; 
5) atualmente, tenho sonhado com amigos e parentes falecidos, todos bem dispostos, satisfeitos e felizes. E sei que estão mortos quando aparecem no churrasco que eu estava preparando. Eles bebem e comem como se vivos estivessem.
6) pior quando sonho a noite inteira que estou acordado e não consigo dormir. Acordo cansado e passo o dia à toa.
Ontem, fui surpreendido por um ladrão que me ameaçava com um furador de gelo. Tentava levar o cara no papo quando vi um monstro negro correndo em nossa direção. Ele derrubou o ladrão e, balançando o rabo, veio se esfregar em mim. Era um cachorrão imenso que ficou meu amigo em um outro sonho.
Já sonhei a continuação de sonhos anteriores, são sonhos em capítulos. Será que mais alguém é capaz de sonhar um seriado de sonhos?
Hoje, sonhei que estava no dentista. O profissional tinha uma forma peculiar para aplicar a anestesia: colocava o paciente na cadeira, pegava um fuzil com baioneta cuja ponta encostava no fígado dele e baixava a arma com força. E ficava esperando a anestesia fazer efeito. Desisti da consulta.
Freud definia o conteúdo dos sonhos como a realização de desejos. Para Jung, os sonhos eram forças naturais que auxiliam o indivíduo no processo de individualização.
Não é o meu caso, ninguém consegue ser mais individual do que eu nem tenho desejos ainda não realizados. 
Para alguns, o sonho tem poderes premonitórios. Também, não é esse o meu caso nem quero saber o significado dos sonhos que tenho.
Fico com a opinião atual da ciência que vê nos sonhos apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem.
Mas, como meu cérebro ainda é aquele de quando tinha 35 anos de idade, meu único desejo é dar um tempo nos sonhos. Quero parar de sonhar sonhos antigos, não quero dar férias a essa função dos sonhos.
Quero sonhar somente o que eu quero sonhar. Tenho conseguido. Antes de dormir, fico pensando no que quero sonhar. De repente, eu durmo e o sonho engrena com meus pensamentos.