Total de visualizações de página

quinta-feira, 22 de junho de 2017

BOICOTE À REDE GLOBO

Revisitando este meu humilde e sarcástico blog, encontrei esta postagem de janeiro/2013 e decidi reeditá-la.
BOICOTE À REDE GLOBO
Os protestantes fundamentalistas estão assanhados contra a TV Globo devido à novela“Salve Jorge” e à minissérie “O Canto da Sereia”. Propõem boicote à Globo por exaltar as entidades umbandistas Ogum e Yemanjá.
Os “evangélicos” veem mais holofote sobre outras doutrinas. Dizem que os casamentos em novelas são geralmente católicos e que a doutrina espírita é uma constante na programação noveleira.
"Em 25 anos, vin-te e cin-co, lembro de apenas uma reportagem boa na Globo sobre evangélicos. E tem semana em que, todo dia, o 'Jornal Nacional' fala bem da Igreja Católica" –afirmou Silas Malafaia em O Globo  – “E, se há personagens evangélicos, é crente, mas vagabundo. É pastor, mas safado”.
Esses caras, em episódio lamentável de intolerância e radicalização, mais uma vez estimulam o confronto religioso com discursos de ódio e conseguem fazer o que eu imaginava ser impossível, isto é, eu ficar do lado da Globo.
A produção da TV Record enviou à concorrente um questionamento que considerou pertinente: se a Globo pretende exibir uma novela cuja protagonista seja “evangélica”.
Em resposta, a Globo afirmou que sua programação é laica e não segue nenhuma doutrina religiosa. Que os roteiristas são livres para criar.
Poderia também dizer o quanto é difícil criar algo favorável sobre o que é tão sem charme e frustrante quanto os falsos profetas milagrosos das seitas pentecostais. Contra é muito mais fácil, até eu consegui escrever estes versos:
“Simulados milagres em qualquer esquina
Onde um cabeça de bagre vomita doutrina...
É o falso profeta prevendo o passado
E fazendo a coleta, fica endinheirado.
O devoto que paga foi abençoado,
"Curou" sua chaga e expulsou o “danado”...
E onde está a polícia? Cadê solução?
Apelar pra milícia? Chamar o ladrão?”
Já imaginaram uma novela ou minissérie da Globo contando aquelas peripécias bíblicas do Velho Testamento que até mesmo Deus duvida e que eles tanto exaltam?
Tenho uma sugestão: a TV Globo poderia produzir uma minissérie contando a história de Isaac, o filho que Abraão quase degolou e queimou amarrado numa fogueira em holocausto a Deus Que o salvou no último segundo da prorrogação. 
Seria preciso introduzir um personagem que fosse médico psiquiatra para tratar e explicar como a criança conseguiu superar tamanho trauma psicológico: quase virou churrasco, mas cresceu e, assim como seu pai, sempre levava um papo firme com o Todo-Poderoso. Casou-se com a linda Rebeca e foi aplicar em Abimalec o mesmo golpe aplicado por seu pai e sua mãe cerca de 50 anos antes.
Sugiro, ainda, introduzir um núcleo com as filhas de Ló que, carentes de sexo, embebedaram o pai e deitaram com ele. Isto depois de serem salvos de Sodoma e Gomorra. A mãe ficou lá como uma estátua de sal, castigo por ter olhado para trás.

É claro que a Globo teria sérios problemas com a censura.
Agora, falando sério, o que eu quero ver mesmo são esses pastores enfrentarem os bicheiros cariocas que, através das escolas de samba, também colocam holofotes sobre aquelas entidades umbandistas.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

SAUDADE, LEMBRANÇAS E FALSAS MEMÓRIAS

Toda saudade traz diferentes lembranças. Às vezes, traz também falsas memórias.
Podem não acreditar, mas lembro dos meus seis meses no colo da minha prima, ela cantando “upa, upa, upa cavalinho alazão” e eu pulando de alegria. Foi meu primeiro carnaval em 1938.
Depois, em 1944, o bloco cantando “olha a cobra fumando” entrou na minha casa e, quando saiu, me levou junto. Meu pai foi me buscar no outro quarteirão. Ainda lembro da bronca que levei.
Lembro da guerra e dos blecautes diários. Havia o medo de bombardeios, tínhamos que ficar trancados em casa e com as luzes apagadas.
Quando sinto saudade dos meus oito anos, lembro das minhas primas que cuidavam de mim. Uma delas pedófila, abusava daquela criança. E como eu gostava...
Quando sinto saudade da minha mui querida mãe, lembro da vara de goiabeira que ela mantinha junto ao fogão. Lembro dela tentando me pegar com a vara na mão; de me acordar toda manhã e de seus gritos chamando-me à noite para voltar pra casa.
Lembro da minha infância. Lembro do zepelin que vi passar vagarosamente em direção à Base Aérea de Santa Cruz e que, depois, adulto, descobri ser uma falsa memória.
Lembro da minha primeira namorada que nunca soube do nosso namoro nem jamais soube o que perdeu. 
Quando sinto saudade do meu pai, lembro de sua estante cheia de livros - com Dostoyéviski,  Émile Zola, Kafka, Máximo Gorki - que eu li todos antes dos 14 anos.
Quando sinto saudade da escola primária, lembro do Professor Valle e sua esposa Lili. Ela ensinava português e ele, comunista, professor de matemática, nos ensinava raiz cúbica. Vejam só: já sabia resolver raiz cúbica no primário. Hoje, não sei mais. Nem raiz quadrada eu sei.
Sinto saudade do ginásio quando passei a estudar na Lapa onde conheci Oswaldo Nunes e Madame Satã, dois homossexuais que apareciam sempre na hora de saída do colégio.
Lembro dos bondes e da primeira vez que saltei de um bonde andando. Claro que rolei no chão.
Lembro que matava aula para ir à praia ou ao Capitólio com as garotas. Tempo bom.
Sinto saudade do trem, na volta pra casa, cheio de normalistas do Instituto de Educação. Até peguei uma pra mim que, depois, me deu um filho. Hoje, ele é coronel da Aeronáutica.
Quando sinto saudade da minha irmã, lembro do Nelson Rodrigues. Ela possuía todos os livros dele, os quais eu li quase todos. E me tornei seu ardoroso fã. Tal como ela.
Quando lembro do meu irmão, penso nas inúmeras vezes que tive de brigar na rua pra defendê-lo.
Agora, beirando os oitenta, todas estas lembranças permanecem vivas. E, quando quero, passo o VT completo em minha mente.
E sinto muita pena de quem sofre com o Mal de Alzheimer.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

MEA CULPA

É isso que tem faltado em nossa sociedade: o "mea culpa". 
É, também, o que já me fez escrever diversas postagens que levaram alguns a pensar que defendo os políticos.
 
O que defendo é que precisamos parar de culpar os políticos por tudo de mal que acontece. Não podemos agir como Goebbels - o ministro da comunicação nazista - que considerava judeus e comunistas culpados pela crise econômica, social e política na Alemanha após a primeira guerra. Deu no que deu, todos sabem.
Já disse aqui que políticos são como fraldas descartáveis, ambos têm que ser sempre trocados, e sempre pelo mesmo motivo. Coisa que não podemos fazer com os juízes, com um Gilmar Mendes, por exemplo.

E como eu não preciso agradar ninguém para obter votos e posso falar o que penso, vou me repetir para dizer que nunca vi tanta canalhice, tanta barbárie, tanta falta de educação, tanta pouca vergonha, tanta estupidez cometida pela nossa sociedade.
Vejo gente da classe média com o segundo grau completo assaltando e formando quadrilhas. Neo-nazistas surrando pessoas inocentes. Crianças agredindo professoras sem sofrer qualquer punição. Grupo de mocinhas atacando covardemente uma colega de turma. Adolescentes fazendo sexo no banheiro da escola e postando o vídeo na internet. Policiais matando, assaltando e liberando assaltantes sem prestar socorro à vítima. Idosos transportando drogas e armas. Crianças de doze anos roubando taxistas. Drogados incendiando suas próprias casas e a dos vizinhos. Promotor público que matou a mulher se entregando após oito anos porque não tinha dinheiro para tratar dos dentes. Mãe matar o filho de oito meses – filho de um pastor - para não perder o namorado novo. Criminosos hediondos liberados por juízes irresponsáveis. Motoristas embriagados deixando jovens em estado vegetativo e sendo liberados. Médico embriagado agredindo paciente dentro do hospital.
 Médica que não quis atender uma criança de um ano e meio, deixando-a morrer porque não era pediatra.  Pai abusando de filhas ainda crianças. Professor transando com aluna adolescente. Professoras do ensino fundamental transando com aluno e até com alunas em motel. Advogado levando celular e drogas para bandidos na cadeia. Vandalismo em biblioteca de faculdades. Enfermeiros aplicando sopa na veia de idosa, café com leite na veia de criança ou dando ácido para ela beber.
Torcidas organizadas matando-se entre si mesmas, cracolândias, maridos e namorados surrando ou matando as esposas e amantes, jovens homofóbicos e adultos pedófilos, etc, etc.
E o que é pior: gente medíocre e estúpida defendendo a volta dos militares ao poder.
Nem no Velho Testamento vi tanto infortúnio, tanta calamidade. Uma verdadeira degradação moral e aviltamento da vida. Uma absurda ausência de qualquer faculdade moral e intelectual.

Há algum tempo, porém, algo me deixou ainda mais perplexo. O caso do trio de canibais – um homem, sua mulher e a amante – que matava mulheres pra comer as carnes mais nobres. 
Tudo bem, apesar de a mulher não fazer parte da cadeia alimentar masculina, não vou discutir o gosto culinário nem o paladar do infeliz canalha que ia cursar psicologia numa universidade de Pernambuco. A questão primordial e funesta é que aproveitavam a carne de segunda pra fazer salgadinhos que vendiam no bairro.
Chego a pensar que nós, eleitores, somos muito mais canalhas do que o mais infame dos políticos. 
E não venham me falar em desvios de conduta nem no fracasso do sistema escolar. Todos os casos que citei são de criaturas que passaram pelos bancos escolares. Gente que tem o que comer e beber. Principalmente, beber. 
A culpa não é do professor. Nem do governo. Muito menos dos políticos. A culpa é da família, da sociedade em que vivemos, de cada um de nós.
E eu nunca vi ninguém culpar o dentista por nossas próprias cáries.
Será que somente neste caso é que fazem o "mea culpa"?