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domingo, 2 de junho de 2013

NOSSA! QUE PRESSA À BEÇA É ESSA?

Andando pelo Rio – Centro, Catete, Copacabana – senti como se estivesse em São Paulo. Nunca vi tanta gente com tanta pressa.
Até os velhinhos têm pressa. O cara de muleta não sei como anda tão rápido. E aquele na cadeira de rodas, como desliza ligeiro. Crianças correndo. Adultos, homens e mulheres apressados. Mães e seus carrinhos de bebê com muita pressa. Parece que somente estes, como eu, não têm pressa alguma.
No metrô, como correm... Descem a escadaria de dois em dois degraus, correndo pra pegar o trem que está quase fechando as portas. Como se não viesse outro daí a um minuto. Ou, no máximo, um minuto e meio. E para entrar no trem, todos querem ser o primeiro. Nem deixam os outros saírem. Sou o último a entrar ou a sair do trem.
A pressa não é só matutina, é também vespertina.
Vou devagar, quase parando, já tive pressa outrora. Agora, sigo no mundo a passeio com meu passinho de pingüim, quase sem levantar os pés do chão, vez em quando levo um esbarrão. Nem ligo, vou levando, observando, admirando tudo.
Vou lentamente em meio à pressa de todos, apreciando o caminho e sem me importar com o destino. É como quando escrevo sem nunca saber o que dizer no final, pois sei que vou encontrar a saída, enquanto vou me deliciando com as palavras.
Pra que essa pressa insana? Que pressa à beça é essa? Tudo tem seu tempo certo.
Estariam todos atrasados pra chegar a lugar nenhum ou para encontrar o seu amor? Acho que não, até os casais de namorados estão quase correndo. Estarão fugindo ou será um caso de emergência? Talvez, dois, pois seguem em sentido contrário.
Sempre soube que a pressa é inimiga da perfeição e que afobado come cru. Sei também que a pressa é cega para o que há de belo no trajeto. Quem tem pressa apenas olha e não enxerga.
As melhores coisas da vida nós fazemos sem pressa, bem devagar: um carinho, o abraço, o beijo, a transa.
Eu sou a prova viva de que a vida sem pressa dura muito mais.
“Não percamos tempo, mas não tenhamos pressa”, aconselhou Saramago.
“Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa... a vida é tão rara”.

3 comentários:

Leila Castro disse...

lindo...

andre quimico disse...

"Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais"
(Almir Sater)

LACERDA disse...

Amigos, não percam tempo, mas não tenham pressa. Parem, enxerguem, vivam. A vida é tão rara.
Paciência, Leila.