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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

75 ANOS

De repente, 75. Tô meio murcho, com pouca telha, mas tô numa boa. De bem com a vida.
Daqui pra frente, vou vivendo a minha morte morrendo um pouco a cada dia e cada vez mais sobrevivendo.
Sei que fiquei velho pra sempre; porém, sou, agora, aquilo que sempre quis ser quando crescesse: va-ga-bun-do e sem dever nada a ninguém. Casa própria, carro novo, algum no banco e, todo mês, aquela merreca que a Dilma manda depositar na minha conta.

De lambuja, ainda tenho uma “véia” bonita, gostosa e muito cômica que dorme comigo há quase 50 anos e que me adora.
É a melhor "véia" da Costa Verde. Uma mulher “top de linha”. Ganha mais que eu pra ficar à toa e que, vista por trás, até parece uma adolescente. Ótima cozinheira, vive fazendo quitutes e gostosuras pra mim. Não assiste novela nem freqüenta o Facebook. Nunca soube o que é TPM.
“Deve ser coisa de mulher fresca”, diz ela que até criou um novo significado para a sigla: “Tudo Pelo Marido”.
Não vou a médico desde que tinha 40 anos quando pagaram pra que eu fizesse um “check up”. O relatório clínico – ou teria sido cínico? - apontou um único problema comigo: pé de atleta, vulgarmente conhecido como chulé.
Desde então, médico pra quê? Quer dizer, somente tive que enfrentar um oftalmologista para me operar a catarata. Porém, acho que não devemos considerar um oftalmologista como médico. Ele é mais ou menos assim como um dentista.
Ainda sou aquele garotinho pobre e sadio que se fartava de jamelão e bucho no feijão.
Não sou idoso, sou usado, muito bem usado, uma verdadeira relíquia humana. Não me chamem para grupos de terceira idade. Na verdade, mentalmente, ainda tenho uns 35 anos.
Como e bebo de tudo. Prefiro a picanha com bastante gordura e a cachaça. Tomo café o dia inteiro. Fumo, desde os 12 anos, um maço por dia. Isto significa que já fumei cerca de 550.000 cigarros.
Sou um mandrião convicto. Levo uma vida sedentária. Exercício somente intelectual. Acordo bem cedo pra ficar mais tempo sem fazer porra nenhuma. Não existe nada que me faça deixar de dormir. Sonho toda noite. Sonhos que se repetem ou que continuam na noite seguinte. Não conheço ninguém capaz de sonhar em capítulos como eu. Às vezes, sofro sonhando que estou no trabalho e tudo dá errado. Pior ainda é quando sonho que sou ajudante de pedreiro e acordo cansado, mas sempre feliz por estar vivo.
Sei que tenho muito mais passado que futuro, mas minha memória é excelente e, quando quero, revivo todas as emoções que vivi. As batalhas que venci, os amores que tive. Onde acaba a lembrança? Onde começa a ficção? Não sei. Felizmente, esqueci as derrotas e os fracassos. Arrependimento apenas pelo que deixei de fazer.
Não sou daqueles que gostam de dar bons conselhos, prefiro os maus exemplos. Como nunca me vacinar contra a gripe e afirmar que se houvesse vacina eficaz a gripe já teria sido erradicada como foram a varíola e a paralisia infantil.
Políticos ainda me procuram para oferecer emprego e muito trabalho. Sempre recuso, mas eles não desistem. Não entendem que eu preciso de toda a liberdade para fazer, falar e escrever o que penso. Se aceitasse, a minha liberdade seria apenas uma cela dourada e bem menor do que aquela em que vivo agora.
Ao completar 75 anos – entre os centenários de meus dois ídolos literários - estou em muito boa companhia: Roberto Carlos, Pelé, Gil, Caetano, Paulinho da Viola, Ney Lopes, Veríssimo, Brigitte Bardot, Paul McCartney, Monarco. Gente que passou de setenta e soube envelhecer. Assim como eu. E que tem Sílvio Santos, Fernando Pamplona e João Gilberto, que já ultrapassaram oitenta, como padroeiros.
Estou aposentado há mais de 25 anos e já consegui recuperar em dobro tudo que me foi descontado para o INSS e pelo imposto de renda.
Sei que sou um elemento nocivo para as finanças públicas e vou me preservar assim até, pelo menos, a Copa de 2014. Será minha décima sétima copa e, talvez, a última.
Depois disso, só quero votar para a reeleição da Dilma. Ou pela volta do Lula. Vou conseguir.
Eu tudo posso na idade que me fortalece.
O Todo-Poderoso Se amarra em mim.

8 comentários:

leila castro disse...

O Todo Poderoso se amarra em você... e eu também!

Amo acordar no dia 16 de Agosto e agradecer por ter te encontrado na net!

Você me irrita e me inspira também, e assim, lá vamos nós juntos e separados nas eleições...

Que Deus continue te amando desse jeito!

Fábio Ribeiro Corrêa disse...

Pai, parabéns.

anselmo disse...

Amigo parabéns.

LACERDA disse...

A Dad Squarisi é a minha professora de português. Leio o blog dela todo dia. O link está aí ao lado.
Até parece que ela lê o meu também. Veja o que ela escreveu hoje:
"Domingo, 02 de setembro de 2012 12:01 am
Senhores setentões
Gil, Caetano, Milton Nascimento e Paulinho da Viola chegaram aos 70 anos. Criativos, alegres, cheios de vitalidade, cantam e encantam. Ao vê-los no palco ou em entrevistas, alguém ousa chamá-los de velhos ou idosos? Pertencentes à terceira idade ou à melhor idade? Claro que não. Eles são septuagenários. Ou setentões."

Nice disse...

Gostei muito Lacerda. Aliás, gosto muito das suas "crônicas". E, nessa então me lembrou muito o Olyntho...Muitas coisas parecidas, muitos pensamentos iguais. Senti saudades, mas ri também!
Querido amigo de tantos anos você está ótimo e, que me perdoe a sua linda véia, continua lindão. O Lacerda que conheci aqui, na política, com sua ironia fina e inteligência pra dar e vender.
Continuamos lindos, amigo!
Beijocas e continue assim. Não mude nada!

Anônimo disse...

Parabéns Lacerda. Eu e minha família gostamos muito de ter visitado vocês novamente. Um abraço, Renato(Binato).

LACERDA disse...

Nice,

Eu te amo. Como foi bom te ver por aqui, venha sempre.
Você continua muito linda.
Aprendi muito com o Olyntho e sempre lembro dele. Dos nossos papos políticos no PDT e no Jardim Leopoldina.
Não mudarei nunca.
Um grande beijo.

LACERDA disse...

Binato,

Volte sempre com suas lindas filhas e, com todo o respeito, sua linda esposa.