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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CONSCIÊNCIA NEGRA

Hoje é o dia da Consciência Negra, uma homenagem a Zumbi dos Palmares, líder da luta contra a escravidão, que foi morto no dia 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e exposta em praça pública por jamais ter se submetido ao poder do branco. O objetivo foi também desmentir a crença da população sobre a imortalidade de Zumbi.
Para comemorar esse símbolo de resistência que continua vivo, circulou, hoje, pela primeira vez, no Rio de Janeiro, o Trem do Funk (foto). Recheado de popozudas e funkeiros, o veículo saiu da Central do Brasil às 11 horas e foi até Belford Roxo.
Que maravilha, heim! Homenagear o grande líder negro e herói nacional com bundas e funk. Deprimente.
Um desrespeito inominável a Zumbi e ao cidadão negro brasileiro. Isso é ter consciência negra?
Felizmente, temos a Consciência Negra de Joaquim Barbosa - ministro do STF - nascido em família pobre com sete irmãos. Sobre ele há uma postagem neste blog intitulada "Um Estranho no Ninho".
Felizmente, temos a Consciência Negra de Edson Santos - ministro da Igualdade Social - que eu conheci em seu primeiro dia como vereador. Humilde e oriundo da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, onde foi presidente do Conselho de Moradores. Tão bom vereador que exerceu quatro mandatos consecutivos e, depois, elegeu-se deputado federal.
Felizmente, temos a Consciência Negra de Mayra Avelar - residente na Vila Cruzeiro - vencedora, em 2008, do prêmio internacional Criança da Paz (o Nobel dos jovens), e que, hoje, discursou em inglês na ONU, durante a Convenção dos Direitos da Criança.
Felizmente ainda existem muitos outros exemplos de Consciência Negra pelos quais os meus amigos negros devem se orgulhar tanto quanto eu, um branco de alma negra.
Zumbi e todos nós não merecíamos esse Trem do Funk justamente hoje.

2 comentários:

leila castro disse...

Ainda bem que realmente temos outros exemplos! Pena que o melhor de nós, não é divulgado.
Aqueles anônimos que influenciam com atitudes, o orgulho da nossa raça mestiça.
A conscientização de que somos maravilhosamente mestiços, está difícil de acontecer.
Quando começarmos a pensar nossa etnia com orgulho, com respeito por nós mesmos, não precisaremos de cotas para negros em faculdades, não precisaremos nem de exemplos a ser seguidos. Simplesmente seremos!
Orgulho negro? Queria ter orgulho da miscigenação, não renegando a porção de outras etnias.
Quero ver Zumbi dos Palmares, ser homenageado como líder de uma causa que é de todos, pois é liberdade.
Quero ter um dia da Consciência Brasil, com estátuas de Zumbi dos Palmares de mãos dadas com o líder indigenista contemporâneo Almir Suruí, com Paulo Freire sendo gentilmente acolhidos por eles.
E as popozudas e os funkeiros vivendo como gente que sabe o valor que sua miscigenação pode proporcionar.
Eta Brasil tão deturpado, que precisa ser protegido de si mesmo com leis e dias comemorativos que não necessitariam existir para nos lembrar o que somos.

Fábio disse...

Gostei muito do comentário.