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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

UM PARAÍSO PARA OS VICIADOS

Leio nos jornais:
- que usuário de crack morreu atropelado na Av. Brasil, altura da favela Parque União, local onde se concentram os consumidores da droga após a ocupação de Manguinhos, Mandela e Jacarezinho pelas forças de segurança. Um outro foi socorrido no Souza Aguiar;
- que o Governo Municipal está internando compulsoriamente os viciados e pretende pagar benefício de R$ 350 a R$ 500 a parentes de crianças e adolescentes para que tenham condições de manter o tratamento daqueles que tiverem alta da internação compulsória. Segundo o vice-prefeito Adilson Pires, grande parte dos 123 adolescentes atualmente internados perdeu o vínculo familiar e não terão para onde ir quando receberem alta.
- que há polêmica sobre o uso de 250 aparelhos de choque elétrico (taser) e 375 sprays de pimenta na repressão ao uso do crack;
- que médicos estão preocupados com a possibilidade de o taser - que dá choques de 50 mil volts - causar danos ao coração dos viciados devido à debilidade física em que se encontram. O sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, lembra que já houve casos de morte de vítimas desses equipamentos fora do país. E critica o que chama de caça ao usuário de crack;
- que Ivone Puczek, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas da Uerj, criticou a iniciativa: “É um retrocesso. Precisamos desmontar a ideia de que tratamento é feito com punição. Até porque o uso de droga foi descriminalizado. É preciso mostrar que o tratamento é um direito, não um castigo”;
- que o número de dependentes de crack no Rio pode chegar a seis mil, o dobro dos três mil estimados pela Secretaria Municipal de Assistência Social com base nas abordagens feitas nas cracolândias da cidade. A avaliação é do promotor Marcos Kac, coordenador de Justiça Terapêutica do Ministério Público. Segundo ele, a estimativa de três mil não leva em conta quem usa a droga em casa e outros ambientes fechados.
Fala sério, pô! Este humilde, sarcástico e irresponsável blog tem uma sugestão a fazer.

Será que 0,05% da população carioca (apenas 3.000 viciados que vivem nas cracolândias) merece mesmo tanto espaço na mídia? Merece a alcunha de "epidemia de crack" em praça pública e ser qualificada como a maior tragédia social do país? 
Tanta propaganda apenas promove o uso da droga e até eu sinto vontade de experimentar. Pra que tanta verba pública jogada fora e tantas discussões inúteis se os viciados não querem saber de tratamento?
Se este ínfimo grupo de viciados está colocando a própria vida em risco, e principalmente a vida de terceiros, é preciso sim retirá-lo das ruas e interná-lo, mas não como punição. A professora Ivone Puczek tem absoluta razão.
Por que não levá-los para um aprazível lugar exclusivo para usuários de drogas. É uma questão de humanidade e generosidade com nossos irmãos viciados.
Por exemplo? Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba têm diversos sítios que podem ser aproveitados para acolhê-los. Como a Fazenda Modelo que hoje é utilizada como Centro de Proteção Animal.
Como convencê-los a irem pra lá? Simples, oferecendo gratuitamente o que eles tanto anseiam: os mais variados tipos de drogas que vão sendo apreendidas dos traficantes.
Imaginem! Todo dia pela manhã, três mil felizes viciados em fila para receber a sua dose diária de crack, cocaína, maconha, oxi, zirrê.
No local, eles ainda poderão comer frutas, plantar legumes e criar galinhas para seu sustento. Poderão cozinhar seu próprio alimento. Não precisarão roubar nem assaltar. Dinheiro pra quê?
Familiares poderão visitá-los, levar sabonete, cerveja, doces, quitutes e guloseimas para seus entes queridos.
Com esse pequeno contingente recebendo a droga gratuita e diariamente, inúmeros benefícios advirão de imediato para os outros 6 milhões e trezentos e vinte mil cariocas: redução da violência, dos roubos e furtos, assaltos a residências, crimes de morte, atropelamentos, etc, etc, etc.
O governo terá apenas que fornecer botijões de gás e fósforos para acender os fogões e os cachimbos. E para alegrá-los, um sistema de som tocando funk dia e noite.
Vai sair muito mais barato. Um investimento bem inferior à implantação de clínicas de recuperação, coisa que o viciado, absolutamente, não quer.
E nem precisará de segurança no local pois ninguém vai querer sair do paraíso dos viciados. De lambuja ainda nos livraremos de um bando considerável e indesejável de funkeiros.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

MAIS INDIANOS

Bollywood é a indústria de cinema da Índia que ganhou o Oscar em 2009. Filmado em Mumbai, com atores locais, canções indianas e verba restrita, “Quem quer ser um milionário?” venceu nas categorias melhor filme, diretor, roteiro adaptado, fotografia, mixagem de som, edição, trilha sonora e canção original.
O filme conta a história de um jovem que vive numa favela indiana e vira celebridade após participar de programa de perguntas e respostas na TV.

(Alemão e Rocinha são condomínios de luxo diante da favela em que vivia o jovem.)
Meenakshi Thapar (foto), 26 anos, era uma das mais promissoras atrizes de Bollywood.

Depois que ouviram a atriz comentar sobre a boa situação financeira de sua família, um casal de atores, também de Bollywood, convenceu Meenakshi a viajar com eles até uma pequena cidade próxima à fronteira com o Nepal.
Acabou seqüestrada e decapitada pelos dois colegas. Os criminosos mandaram uma mensagem à mãe da atriz, pedindo um resgate de um milhão e meio de rúpias, apenas R$ 54.000.
(Quando ouço - e leio - comentários absurdos de caipiras megalomaníacos sobre um vereador de Mangaratiba que foi aliciado por um milhão, em penso: pô! só se for de rúpias, nem o aliciamento de um senador tem custo tão elevado.)
A mãe de Meenakshi pagou uma parte do valor pela filha que já tinha sido assassinada.
Os dois atores foram presos e confessaram o crime. "Ela foi assassinada em um hotel e seu corpo foi retalhado e jogado numa caixa d'água. Eles atiraram a cabeça dela pela janela de um ônibus, enquanto voltavam a Mumbai" – disse um policial.
Em outro caso comum na religiosa Índia, um marido tentou vender a esposa por R$ 223,00 para sustentar seu vício de alcoolismo.
O "Times of India" publicou que Medula Rajender acertou a venda da esposa Ammayi quando descobriu que seu salário não dava mais pra sustentar o vício.
Rajender pôs Ammayi em um ônibus, sem que ela soubesse que o seu destino seria cair nas mãos do negociador que a esperava. A mulher desconfiou e desceu do ônibus antes. Ammayi se refugiou na casa de um parente. O caso parou na polícia e Rajender vai curar o vício na prisão.
"Estou casada com Rajender há 20 anos e jamais imaginei que ele seria capaz de um ato tão odioso", disse a esposa.
Ela devia ficar indignada com o preço cobrado, pois, na Índia, há escassez da mercadoria, pouco mais de 800 mulheres para cada 1000 homens. Por isso, a Índia está entre os países considerados mais perigosos para o sexo feminino. Num estudo do G-20, no ano passado a Índia superou até a Arábia Saudita e a Indonésia como o pior lugar para uma mulher viver.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

INDIANOS

A Índia, uma república democrática com um bilhão e duzentos milhões de habitantes (mais do que seis brasis), é o sétimo maior país em área (cabem 2,5 índias no Brasil) e o segundo mais populoso do planeta.
É a décima maior economia do mundo em PIB nominal que cresce cerca de 5,8% anualmente. É a terceira maior em PIB medido em paridade do poder de compra; mas, tem uma renda per capita de apenas 1.530 dólares (oito vezes menor que a brasileira).
Talvez, seja a população mais religiosa em todo o mundo. Obedece fielmente as normas de diversas religiões: Hinduísmo (80,5%), Islamismo (13,4%), Cristianismo (2,3%), Sikhismo (1,9%), Budismo (0,8%), Jainismo (0,4%) e mais o Zoroastrismo e o Judaísmo, entre outras.
Na Índia, a religião é um modo de vida e são inúmeros os seus deuses: Brahma, Shiva, Vixnu, Ganesha, Sarasvati , Laxmi, Ganga e muitos outros. Este último é a deusa do rio Ganges, sagrado para os hindus. É um dos cinco rios mais poluídos do mundo e onde eles se banham para lavar seus pecados. Neste rio são jogados os restos mortais de animais e de indianos mortos, cremados ou não.
Sagrados também são alguns animais como as aves, a vaca, o macaco, o elefante, a serpente e, até, o rato.

Existe lá um templo habitado por ratos onde as crianças alimentam com leite os graciosos roedores.
Acreditam que os animais citados são sagrados porque é neles, de preferência, que as divindades costumam se manifestar.
A religião é parte integrante da tradição indiana, assim como o hábito de defecar ao ar livre.
Recentemente, o ministro de Desenvolvimento Rural indiano, Jairam Ramesh, provocou a ira dos hindus ao afirmar que na Índia há mais templos que sanitários.

"Somos a capital mundial da defecação ao ar livre. É um assunto que gera preocupação, angústia e raiva" - disse o ministro.
Apenas 11% das residências na Índia têm banheiro conectado a sistema de esgoto. O problema é ainda mais dramático para as mulheres que são forçadas a se levantar antes da alvorada para fazer suas necessidades ainda no escuro.
"Você consulta astrólogos sobre o alinhamento do sol e da lua antes de se casar. Você deveria também verificar se há uma privada dentro da casa do seu noivo antes de se casar" - afirmou o ministro. 

As autoridades decidiram colocar guardas para perseguir todos os que urinarem ou defecarem em público. E foi lançada uma campanha para que as mulheres rejeitem pedidos de casamento de homens que não possam oferecer a elas um sanitário dentro de casa.

sábado, 17 de novembro de 2012

LITERATURA DE CORDEL

Revirando meus guardados, descobri uma das minhas incursões, há cerca de uns quarenta anos, pela literatura de cordel, manifestação cultural que eu adoro:
A estória de Severino Capivara e como ele salvou Lampião da morte, enricou o patrão e amigou com a filha do boticário.

Vou contar pro mundaréu,
Brasil, Filadélfia e México,
À maneira do cordel,
Com todo o sabor poético
Do povo do meu sertão,
A estória de Severino -  
Apelido capivara -
Malandro desde menino,
Que um dia deu de cara
Com o bando de Lampião.
                   Dizem, mas eu duvido,
                   Que, dia do nascimento,
                   Logo depois de parido,
                   A mãe jogou seu rebento
                   No rio Jocutuguara.
                   Que depois foi encontrado,
                   Tomando um outro destino,
                   Amamentado e criado
                   Com o nome Severino
                   Por uma gentil capivara.
Era feio como a peste,
A cara bexiga só,
Terrorizava o nordeste
Pras bandas de Mossoró.
Concorrendo com o capeta,
Assustando criancinha,
Atacando muié prenha,
Deixando-as só de calcinha...
Nos machos, baixando a lenha,
Dando uma coça porreta.
                   Um dia, assim num repente,
                   O cabra tomou tenência
                   Quando ele deu pela frente
                   Com moça sem saliência:
                   A filha do boticário.
                   Pra móde ver a menina
                   Foi trabalhar na botica...
                   Deixou sua antiga sina,
                   Mostrava agora as canjicas
                   Parecia mesmo otário.
Estava um dia aperreado,
Vendendo droga a freguês,
Quando se viu rodeado
E atacado por três
Dos cabras de Lampião.
Disse o mais encapetado:
“O chefe tá com espinhela
Caída e com mau olhado,
Tá mais fraco que donzela
De primeira comunhão.
                   Quero um remédio porreta
                   Pra levantá o patrão,
                   Pra livrá ele da morte
                   E daquela abafação
                   Que já num guento seus ai”.
                   Severino foi dizendo:
                   Eu tenho um que é dos bons
                   Que arriba quem está morrendo,
                   Dá pro home dois vidrões
                   De Neuro Fosfato Eskay.
E leva três outros mais:
Quebra um na encruzilhada,
Um outro joga pra trás
Quando por o pé na estrada,
Mas, não se vire pra vê-lo.
Com o terceiro vidrão
Que é bem maior de tamanho
Diga pro seu patrão
Toda vez que tomar banho
Passar sempre no cabelo.
                   Quase um mês se passara
                   E aparece procurando
                   Severino Capivara
                   Lampião com todo o bando
                   De cabras mal encarados.
                   Lampião tava sadio,
                   Forte como um cavalo,
                   Parecia até no cio,
                   Bonito que nem te falo.
                   Cabelos bem penteados.
Foi direto à drogaria...
Lampião lá entrou só,
O bando ficou de espia
Na rua que nem mocó,
Tocaiando a macacada.
“Foi ocê cabra da pesta,
Ocê que quase me mata
Com droga  ruim da molesta
Que fede e tem gosto de lata,
Lata velha enferrujada?”
                   Severino tremeu de medo
                   Quando ouviu ele falar.
                   Perdeu a voz logo cedo
                   Sentiu a calça encharcar
                   E os pés presos no chão.
                   Lampião disse em seguida:
                   “Fique sabendo seu moço,
                   Ocê salvou minha vida.
                   Eu tava só pelo e osso,
                   Morrendo lá no sertão.
“Agora, eu tô bom de vez,
Fiquei inté bem mais forte,
Agüento lutar com seis,
Voltei a zombar da morte
E nunca mais dei um ai.
Vim aqui lhe agradecê
Dizê que lhe quero bem
E pedir pra me vendê
Todo estoque que tem
Daquele fosfato eskay.”
                   Se deu bem o boticário,
                   Vendeu remédio adoidado,
                   Já ficou milionário
                   E inda vem de todo lado
                   Gente pra comprar fosfato.
                   Severino amigou como queria,
                   Nunca mais saiu do trilho,
                   E ainda noutro dia
                   Os dois tiveram um filho
                   Que a mãe jogou no mato.

N.L.: Nesse tempo, eu trabalhava no laboratório que fabricava o produto e criei o pretenso cordel para incluí-lo num trabalho de grupo da faculdade de comunicação do qual participaram os colegas Kátia do Carmo Elias, Luis de Almeida, Maria Arminda R. Carvalho, Nanci Marinho, Roseli de Jesus Fernandes, Sérgio Gabriel Domingos e Sueli de Souza Barbosa.
Por onde andarão eles? E principalmente elas?
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A REPÚBLICA DE RUI BARBOSA

A Proclamação da República foi o primeiro golpe militar promovido no Brasil que, à época, era a única monarquia latino-americana. Nosso país foi o último a adotar o regime republicano nas três américas e um dos últimos a abolir a escravidão em todo o mundo.
Pedro II não tinha filho homem e a herdeira do trono seria sua filha mais velha, a princesa Isabel, casada com um francês, o Conde D´Eu. Este fato gerava o receio de que o país caísse no poder de um estrangeiro.
A defesa de um regime republicano era, então, manifestada em diferentes revoltas. A Revolução Farroupilha – que durou dez anos entre 1835 e 1845 - foi apenas a última a levantar-se contra a monarquia.
Após tantas lutas, a abolição da escravatura, em 1888, foi a pá de cal na monarquia brasileira porque afetou financeiramente o latifúndio e a sociedade escravista. Esta elite que justificava a presença de um imperador enérgico e autoritário retirou o seu apoio ao monarca.
A corrupção do governo monárquico era questionada pelos militares. A monarquia era também contestada pela Igreja Católica que sofria a interferência real em seus assuntos.
A crise econômica devido à guerra do Paraguai também influenciou na Proclamação da República, regime já adotado por muitos países importantes que possibilitava maior participação política dos cidadãos.
O marechal Deodoro da Fonseca, que assumiu o poder republicano, deixou de ser monarquista às vésperas do golpe. Doente, com dispnéia, foi forçado a sair de casa  pelos conspiradores. Morava ali ao lado do Campo de Santana, também conhecido como Praça da República.
Após proclamar a república ali mesmo, juntinho de sua casa, o marechal voltou para a cama. Os militares, então, seguiram para o palácio do governo imperial, na Praça XV. Ali, convenceram o general Floriano Peixoto – outro monarquista, comandante do destacamento local e responsável pela segurança do Paço Imperial – a aderir ao movimento. Floriano foi o vice de Deodoro e, a seguir, presidente da república. Depois, Floriano virou praça e Deodoro estação de trem.
Assim, em linhas gerais, foi proclamada a república de Rui Barbosa, um monarquista que participou do primeiro governo republicano-militar.
Apenas 25 anos após a proclamação, em 1914, Rui Barbosa – que para alguns é considerado o maior brasileiro de todos dos tempos (esquecem de Lula, Pelé e Niemeyer) – proferiu um discurso no Senado cujo trecho a seguir, em preto, é sempre reproduzido nas redes sociais; entretanto, esquecem de reproduzir a parte que segue em vermelho:
“...De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime (na Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto (o Imperador, graças principalmente a deter o Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça.”

N.L.: Um discurso similar ao daqueles que, atualmente, querem acabar com a democracia e sonham com a volta da ditadura militar. Rui Barbosa sonhava com a volta do absolutismo imperial muito mais corrupto. Como disse Nelson Rodrigues: "Em nosso século, o grande homem pode ser, ao mesmo tempo, uma besta".

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A FOBIA DO TOBIAS

Tobias é um sofredor. Com ele, tudo sempre dá errado. Mesmo quando, de repente, se percebe numa boa, sabe que algo de ruim vai lhe acontecer. E acontece.
Tobias tem diversas fobias. A pior delas é a nosofobia, o medo de ficar doente. Isso o tornou um doentio em busca de tratamento para doenças que jamais sofreu.
Enfermo imaginário, Tobias passa o maior tempo de sua vida à espera de consulta médica na rede pública de saúde da qual sempre reclama indignado como qualquer repórter de TV.
Conhece todos os ambulatórios de hospitais e postos de saúde da cidade, porém, jamais precisou ser internado como sempre desejou. Por isso, alugou casa ao lado de um hospital.
Ele não acredita em médico que não lhe passa uma receita com mais de três medicamentos em cada consulta e vive trocando de médico. Nenhum consegue dar jeito em sua saúde e todos duvidam dos sintomas que Tobias – como diria Fernando Pessoa – deveras sente.
Costuma freqüentar uma farmácia cujo balconista, seu amigo, lhe informa semanalmente sobre todos os lançamentos dos laboratórios. Experimenta cada um deles mesmo que não seja indicado para os seus males. Está convencido de que assim faz medicina preventiva para evitar futuras enfermidades. Já experimentou até produtos veterinários em doses cavalares.
Sua leitura preferida são as bulas de remédios. Essa mania o faz sentir todos os efeitos colaterais que um medicamento pode causar e é obrigado a tomar outros remédios para evitá-los.
Submete-se anualmente à vacinação contra a gripe e não entende como nem por que está gripado todo ano.
Sua mania de doença não lhe permite conquistar uma mulher. Vive sozinho, seus amigos o abandonaram porque toda vez que perguntavam “Como vai?”, Tobias levava meia hora explicando. 

Desacreditado com a saúde pública, Tobias contratou um plano de saúde particular. Pensou que teria um melhor atendimento médico.
Arrependeu-se. Passou a pagar uma nota por mês, não recebia remédios de graça e o médico conveniado nunca tinha hora para a consulta. Somente daí a vinte dias.
Esperto, decidiu marcar hora com todos os médicos do convênio, pois, daí a vinte dias poderia ter consulta diariamente.
A empresa não concordou com a sua astúcia e cancelou o contrato. Tobias foi considerado um elemento nocivo para a saúde financeira da empresa.
Ele, então, voltou para a rede pública onde sempre é atendido todos os dias e onde os mesmos médicos conveniados sempre estão a sua disposição. Apenas tem que esperar uma hora ou duas para ser atendido. Em compensação, obtém os remédios gratuitamente, e, à espera pela consulta, sempre pode conversar com seus iguais.
Em conversa com um pastor protestante com diarréia, contou sua via-crúcis. O pastor, prenunciando uma boa fonte de renda, convidou-o para freqüentar sua igreja onde, afirmou, ocorrem muitas curas e milagres.
Tobias ficou propenso a aceitar o convite, mas não pretendia jamais abandonar a rede pública de saúde.
Certo dia, Tobias acordou pensando no convite do pastor, nas curas e milagres que ocorriam no templo denominado excentricamente de Igreja Quadrangular O Mundo é Redondo . Talvez, converter-se, fosse a sua salvação. Quem sabe, conhecer Jesus e a palavra de Deus, fosse o caminho da sua cura definitiva.
Entretanto, como o pastor estava na fila de atendimento médico devido a uma diarréia, Tobias não estava muito convencido de obter um milagre. Mesmo assim, foi participar de um culto.
Foi recebido com uma suspeita e excessiva alegria: “Seja bem-vindo a este templo abençoado”.
- E o senhor como vai, ficou bom da diarréia? – perguntou Tobias.
- Fiquei. Mas, agora estou com prisão de ventre há mais de uma semana – disse o paradoxal milagreiro que, sem demora, pediu-lhe uma contribuição para Jesus.
Acostumado com a gratuidade da rede pública de saúde, Tobias caiu fora e desistiu do incerto milagre.
Tobias, agora, pensa em cursar o pré-vestibular para medicina. Está certo de que é a única solução para a sua nosofobia.
Como médico, Tobias sonha em passar seus dias dentro de um hospital.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

SEMEEI DRAGÕES

Busquei as emoções
Em meu trajeto,
Semeei dragões, colhi insetos,
Segui a imaginar como era doce aquele fel.
Ao te encontrar, porém, cheguei ao céu...
E já me vejo linda em teu olhar,
Sinto-me tão pura em teu perdão.
Abri meu coração, colhi a tua flor,
Senti toda emoção em teu amor.
Vida é pra viver,
Não vou desperdiçar.
O céu não quer saber
Se é mais azul que o mar...
Vou me arriscar pra quê!
Contigo, o azul tem tudo a ver.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

TETRACAMPEÃO

Olha só o cara, aí! Já nasceu campeão. O pai e o avô somos tetra.
O juiz bem que tentou ajudar o Palmeiras: anulou um gol legítimo e não marcou o pênalti sobre o Marcos Jr que foi agarrado escandalosamente pela camisa.
Dureza foi ser campeão lá no interior paulista. Longe de tudo e de todos, custaram a saber que já eram campeões.

sábado, 10 de novembro de 2012

JOÃO GOULART

Escrito por Jorge Ferreira – professor titular da UFF e pesquisador do CNPq - é o melhor livro que li este ano. Com mais de 700 páginas, este livro é resultado do trabalho minucioso de pesquisa durante muitos anos. É a biografia do  ex-presidente João Goulart, desde a infância até sua morte no exílio.
O autor espera que o seu esforço contribua para a construção de uma sociedade melhor e mais tolerante.
É a história recente do Brasil sem qualquer maniqueísmo.
Um romance de suspense do qual todos sabem o final, mas desconhecem muitos dos sórdidos detalhes da trama, os dilemas e as contradições das esquerdas e da direita brasileiras.
Demonstra que o personagem principal não foi mocinho nem vilão, foi apenas um ser humano. Um ser muito humano.
Este livro não ficará sepultado em minha estante. É um livro pra ser lido por quem se interessa pela nossa história e pela atualidade política.
Vou passá-lo adiante e espero que quem o receber – após lê-lo – faça o mesmo. Meu filho costuma deixar em um banco de praça ou do metrô os livros que lê quando não os passa para mim.
Pra que juntar tantos livros em casa? – ele pergunta com absoluta razão.
Vou fazer melhor: vou dá-lo para uma blogueira amiga aproveiar melhor o tempo que tem dedicado ao “feissibuque”. Difícil é encontrá-la.

N.L.: Ano passado, quando mudei de residência, passei na biblioteca de Mangaratiba e ofereci duas caixas cheias de livros. A senhora que me atendeu queria que eu levasse pra lá as duas enormes caixas pesando meia tonelada. Disse-lhe que não poderia e deixei meu novo endereço para que mandasse buscar. Não vieram. Dei todos os livros para quem se interessou por eles.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

CORTEI A RAIZ

Canto pra ver se eu espanto de vez
Seu quebranto e o que ele fez em mim...
Enquanto eu me liberto assim
Cantando, sei que meu pranto
Está perto do fim.
Não dá mais pra tanto lero,
Vamos ser sinceros, chegamos ao fim.
Tô fora, estou no meu direito,
Vá embora, por favor, respeito,
Quero ser feliz...
Amor não tem mais jeito,
Já matei no peito, cortei a raiz.
Sou tão singular, você foi plural...
E pra seu castigo, estou de bem comigo,
Caí na real.
Foi um desamor... e daí!
Só uma batalha perdi.
Não jogo a toalha,
Não tenho rancor, sou assim.
Peço perdão se sofri,
Quando precisar, tô aí...
Mas, não tenha esperança
E mantenha distância de mim.
Já estou sorrindo novamente e vou
Me despedindo da tristeza,
Sou presa fácil da paixão...
Sei que alguém virá nesse momento e vai
Recompensar meu sofrimento,
Era uma vez a solidão...
E não demora vai ouvir dizer
Que eu choro de rir
Toda vez que penso em você.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CAPIXABA, ZÉ LUIZ, HADDAD, OBAMA...

Este blog dá sorte, não perde uma.
Agora, só falta o Fluminense ser tetracampeão.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dr. RUY SECRETÁRIO DE SAÚDE?

Duvido...
Já escrevi diversas vezes AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI sobre saúde pública.
A fila de doentios em busca de senhas para atendimento médico, que ontem atingiu um quilômetro e meio pelas ruas de Salvador, me faz escrever novamente.
Eram pacientes do SUS que chegaram durante a madrugada para aguardar a abertura do posto de marcação de consultas no Hospital Santa Izabel.
Alguns, revoltados com a demora e com o fim das senhas, chegaram a invadir a unidade hospitalar em busca de novas vagas.
O hospital particular realiza cerca de 7 mil consultas, em mais de 15 especialidades, e ontem seria o dia para marcar as consultas dos próximos três meses.
Com mais de três mil pessoas à espera de senhas - entre elas casos emergenciais como solicitação para manutenção de marcapasso - o ambulatório abriu as portas por volta das 6h, mas só distribuiu 600 fichas, que logo chegaram ao fim.

Veja aqui, neste vídeo, a concentração de doentios em busca das senhas para consulta. Notem que não se vê um único doente. São todos indivíduos saudáveis, corados e bem nutridos.
Pode ser até que existisse alguém que, de fato, necessitasse de atendimento médico, mas foi prejudicado pela maioria que não precisava.
A única doença da grande maioria é a hipocondria, afecção mental em que há depressão e preocupação obsessiva com o próprio estado de saúde. É a doença do indivíduo obcecado por atendimento médico. É o doentio por efeito de sensações subjetivas e que se julga preso a condições mórbidas - na realidade inexistentes - e que passa a procurar, permanentemente, tratamentos que, além de descabidos, são muitas vezes perigosos como medicações, intervenções cirúrgicas, etc.
O que ocorreu ontem em Salvador é o que acontece todos os dias em todo o país em menor proporção. Estes doentios jamais permitirão que alguém possa dar jeito na saúde pública.
Por isso, não acredito que o Capixaba nomeie como Secretário de Saúde o seu novo vice Dr. Ruy Quintanilha. Só se for para queimá-lo na próxima eleição. E se o Capixaba tentar nomeá-lo, duvido que ele não seja bastante esperto para recusar a nomeação.
A solução para a saúde pública em Mangaratiba vai além de sua nomeação, do aumento do número de médicos credenciados e da construção de um novo hospital.
Sei que estou me repetindo, mas não consigo mudar de opinião. A saúde pública só terá jeito quando se conseguir manter os doentios sob controle.
Para isso, somente com a cobrança de uma taxa pelo atendimento médico, tal como faz o sistema público de saúde do governo americano.
Isto, nenhum governo terá coragem de fazer por aqui.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A ELEIÇÃO AMERICANA

Não sei por que as eleições ocorrem, em dia comum de trabalho, sempre na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira do mês de novembro. Coisa de americano, cujo voto não é secreto nem obrigatório e tem um caráter indireto.
Amanhã, eles vão às urnas se quiserem e votam em um candidato; mas, na verdade, estarão elegendo delegados ao Colégio Eleitoral que, estes sim, elegerão o presidente.
O Colégio Eleitoral é constituído de 538 delegados que representarão os eleitores de seu estado na eleição final do futuro presidente.
São necessários, no mínimo, 270 votos para definir o vencedor.
Cada estado elege uma quantidade de delegados proporcional ao tamanho de sua população. O candidato mais votado em cada estado leva todos os delegados.
Como eles dizem: The Winner Takes it All, isto é, o vencedor leva tudo em cada um de 48 estados. Se um candidato vence com qualquer percentual de votos, fica com 100% dos delegados. Somente no Maine e Nebraska a contagem é diferente.
O sistema permite que o candidato que obtiver maior votação em todo o país acabe derrotado no Colégio Eleitoral por ter perdido a disputa nos estados com maior número de delegados.
Isto ocorreu em 2000, quando George Bush derrotou Al Gore no Colégio Eleitoral por 271 a 266 votos, embora tenha perdido por uma diferença de 500 mil votos na soma geral.
Cada estado americano possui um alto grau de autonomia na formulação das leis eleitorais e candidatos independentes sem qualquer chance – geralmente há dezenas disputando – nem constam nas cédulas eleitorais de todos os estados.
Além do presidente e seu vice, cujo voto é vinculado, os eleitores escolherão o senador federal, o representante do Congresso para seu distrito, o procurador do estado, o senador estadual, a secretária do tribunal do seu circuito, o xerife do condado, o juiz do Supremo Tribunal Estadual e outros.
Em onze estados, elegerão novos governadores e inúmeros deputados estaduais.
Além disto, há as emendas constitucionais a serem votadas. São 12 em diversos estados. Também, ocorrerão plebiscitos e referendos sobre a legalização do uso recreativo da maconha, sobre aumentos de impostos, sobre o fim da pena de morte, etc, etc.
Em 38 estados, os americanos terão ainda que votar sim ou não em 174 propostas, além de diversos outros plebiscitos municipais sobre casamento gay, taxação de refrigerante, obrigação de rótulo especial em alimentos trangênicos e uso de camisinha em filme pornô, entre muitos outros.
A cédula eleitoral americana pode ter até seis páginas, impressas na frente e no verso, e alguns eleitores podem levar até trinta minutos para decifrá-la.
Por isso, já foram abertos postos para votar com antecedência desde o sábado, 27 de outubro, que funcionaram das 7 às 19 horas até o dia 3 de novembro.
As eleições deste ano na Flórida são tão complexas que, mesmo morando no mesmo condado, eleitores podem ter cédulas diferentes, dependendo do distrito onde ele mora na região.
Vejam só o que consta da cédula eleitoral da Flórida e em que cargos o eleitor terá que votar:

- Presidente: o eleitor terá que escolher não só entre Barack Obama e Mitt Romney, há diversos outros candidatos independentes;
- United States Senator: há quatro candidatos para o cargo de senador federal que vai representar a Flórida em Washington;
- Representantive in Congress (deputado federal): cada região tem dois ou três candidatos, mas na cédula eleitoral constam apenas os candidatos locais;
- State attorney (procurador geral do Estado): há dois nomes apenas;
- State Senator: ele representa os interesses de cada região em Tallahassee; na cédula eleitoral constam apenas os candidatos locais;
- State Representative (Deputado estadual): há dois candidatos por região, na cédula eleitoral constam apenas os candidatos locais;
- Clerk of the circuit court (responsável pela administração do fórum do condado): nesse caso a cédula de cada região traz um nome diferente. Em Broward, existe apenas um candidato, o atual que tenta a reeleição;
- Sheriff (comandante da polícia civil local): o cargo também é por condado; em Broward, dois candidatos disputam a vaga;
- County Commission (vereador local): desta vez, há eleição apenas nos distritos 3, 7 e 9. Nesse caso, muitos eleitores podem não ter esse item na sua cédula eleitoral;
- Justice of the Supreme Court (juiz da suprema corte): para esse cargo, a cédula traz uma pergunta, se o eleitor quer ou não manter os três atuais ocupantes do cargo. Por lei, eles normalmente ficam no cargo pelo mérito, sem a necessidade de eleição, mas dessa vez os republicanos reclamaram e exigem a consulta popular por considerarem os três muito liberais;
- Fourth District Court of Appeal (quarta corte regional de apelação): para esse cargo, a cédula traz uma pergunta, se o eleitor quer ou não manter os dois atuais ocupantes do cargo. O quarto distrito de apelação é responsável por Broward e Palm Beach;
- Circuit Judge, 17th Judicial Circuit, group 45 (Juiz do 17° corte judicial, do grupo 45): dois magistrados disputam a vaga;
- County Court Judge, group 5 (juiz do condado no grupo 5): dois magistrados disputam a vaga;
- Country Court Judge, group 10 (juiz do condado, grupo 10): dois magistrados disputam a vaga;
- School Board, District 4 and 5 (conselho escolar, distritos 4 e 5): dois candidatos disputam a vaga;
- School Board, at large seat 8 e seat 9 (cargo na diretoria do conselho escolar de Broward, para a cadeira número 8 e 9): dois candidatos disputam cada uma das vagas;
- Broward Soil & Water Conservation, seat 3 and 5 (departamento de água e conservação do solo, para a cadeira de número 3 e 5): dois candidatos disputam cada uma das vagas;
- South Broward Drainage District, zone 1 (departamento de drenagem na área sul do condado de Broward): dois candidatos disputam a vaga.
Broward é um dos 67 condados da Flórida. As emendas constitucionais em que o eleitor terá que votar são as seguintes:
- Emenda 1
Assunto: Saúde Proposta: governo estadual quer poderes para vetar o projeto de saúde proposto por Obama (Obama Care) quando este entrar em pleno vigor. O governo estadual acredita que o governo federal está impondo o projeto e quer que o estado tenha mais autonomia no assunto.

- Emenda 2
Assunto: Veteranos Proposta : permite ao governo estadual oferecer desconto no imposto sobre propriedade para veteranos de guerra com deficiência, mesmo que eles não fossem residentes na Florida quando deixaram o país e foram para guerra.

- Emenda 3
Assunto: Receita Estadual Proposta: muda a fórmula de coleta de receita estadual. Governo estadual quer transferir seu dinheiro extra para um fundo, o que pode provocar o corte de recursos para alguns programas como escolas e salários de funcionários públicos.

- Emenda 4
Assunto: Imposto sobre propriedade (IPTU) Proposta: governo estadual não seria capaz de aumentar o valor de mercado da casa para calcular o imposto, mesmo que o valor da casa tenha diminuído no mercado imobiliário. No entanto, o corte do imposto pode significar menos recursos para obras públicas.

- Emenda 5
Assunto: Suprema Corte Estadual Proposta: governo estadual quer dividir a suprema corte estadual em dois grupos. Além disso, o governo quer que os juízes da suprema corte estadual prestem contas ao senado estadual.

- Emenda 6
Assunto: Aborto Proposta: permite que o governo estadual vete qualquer ajuda financeira para casos de aborto (excluindo os casos onde a mulher sofre risco de vida se continuar com a gestação ou for vítima de estupro).

- Emenda 7
Assunto: Religião Proposta: a emenda foi removida da cédula por ter sido considerada inconstitucional, mas foi reformulada pelo governo estadual e voltou como número 8.

- Emenda 8
Asssunto: Religião Proposta: permite o governo estadual patrocinar atividades de grupos religiosos (qualquer religião), usando dinheiro público.

- Emenda 9
Assunto: Imposto sobre propriedade (IPTU) Proposta: governo estadual quer dar isenção do imposto para as esposas de militares mortos em guerra.

- Emenda 10
Assunto: Imposto sobre propriedade (IPTU) Proposta: governo estadual quer dar isencao de impostos para residências cujo valor esteja entre $25 mil a $ 50 mil dólares.

- Emenda 11
Assunto: IPTU Proposta : o governo estadual quer dar permissão aos condados para que eles ofereçam isenção de IPTU para casas de aposentados de baixa renda.

- Emenda 12
Assunto: Representante Estudantil Proposta: governo quer mudar o processo seletivo para escolha do estudante que representa o corpo estudantil da Flórida no comitê estadual estudantil.
Em postagem anterior, critiquei os derrotados que não confiam em nossa urna eletrônica, tentam fazer campanha contra ela no “feissibuque” e ainda perguntam por que os Estados Unidos não a adotaram em seu processo eleitoral.
Uma pergunta que carrega uma carga do complexo de vira-latas que alguns sentem como se fôssemos seres inferiores incapazes de introduzir em nosso processo eleitoral um avanço tecnológico como o voto eletrônico.
Taí a resposta.


N.L.: Amanhã, eu voto no Obama por três motivos: porque é do Partido Democrata, porque disse que Lula é o cara e porque matou o Bin Laden dando sumiço no presunto do nefasto terrorista.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

PRAIA DE SEPETIBA

Maravilhosa...
Bem, não vou exagerar: quase maravilhosa, falta pouco pra ficar maravilhosa.
Entretanto, já pode ser um ótimo destino turístico para o pessoal de Campo Grande, Santa Cruz, Palmares, Manguariba e, também, para os nossos irmãosinhos de Queimados, Belford Roxo, Merity, etc.
Pessoal, Muriqui já era: a cerveja é cara e quente, a comida é cara e fria, a faixa de areia é suja, mínima e fica lotadíssima, não há lugar para estacionar, é proibida a entrada de ônibus de aluguel, não dá pra fazer um churrasco na praia nem para as crianças brincarem. E ainda tem os cachorros sujos e doentes.
Muriqui é tudo de ruim e, há cinco meses, está imprópria/não recomendada ao banho de mar, segundo as medições semanais realizadas pelo INEA.
O “point” agora, neste verão, é Sepetiba. Fica mais perto de todos por estradas asfaltadas e sem engarrafamento.
A praia de Sepetiba está com uma faixa de areia indescritível. Vejam na foto acima: é mais branca, mais fina, mais larga e mais extensa que a de Miami. Ótima para as crianças brincarem e para os adultos jogarem futebol ou futevôlei.
O mar é calmo e a água límpida. As aves da foto abaixo são a prova do que afirmo.
E, bem pertinho, tem a ilha do Tatu, aonde se pode ir a nado. No meu tempo, fui muitas vezes.
Para os farofeiros não pode existir melhor. É tanto espaço que ninguém vai se incomodar se todas as famílias resolverem fazer o seu churrasco na areia. Até a igreja da novela "O Bem Amado" está bonita.
E os preços? Ah! Que precinhos...
Itaipava a R$ 4,00; Brahma, Skol e Antarctica a R$ 4,50. Estou falando da cerveja em garrafa. O latão da Itaipava é vendido geladinho no depósito da fábrica em plena praia: cinco por R$ 10,00.

Não estou mentindo, não. Estive lá esta semana e até fotografei os preços da alimentação nos quiosques. É metade do preço cobrado em Muriqui. A quantidade é o dobro.
Estacionamento à vontade, à beira-mar. Carros de mala aberta podem tocar o pornofunk em altos brados sem represálias. Para os motoqueiros existe até um moto-clube no local.
Enfim, Sepetiba é um paraíso para todos aqueles que infestam o inferno que é Muriqui nos finais de semana ensolarados e feriados prolongados.
Só falta você pra fazer a festa.

N.L.: Alô! Jussara... Você que mora em Sepetiba, que tem parente e amigos aqui em Muriqui, que está todos os dias com o Cabral - por favor - fale com o governador para fazer algo por nós e terminar logo aquela obra.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O MORDOMO DO SERRA

Em seu blog, Merval Pereira diz que "é colunista de O GLOBO, comentarista da CBN e da Globo News.
Em 2009 recebeu o prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Columbia de excelência jornalística, a mais importante premiação internacional.
Também é membro do Board of Visitors da John S. Knight Fellowships da Universidade Stanford. E é membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filosofia."
É, também, um jornalista venal a reproduzir as opiniões de seus donos: os filhos do Roberto Marinho.
A ABL já foi uma entidade respeitável. Hoje, produz besteiras imortais como aceitar o mordomo do Serra entre seus pares. Vejam na foto abaixo se ele, com o fardão da Academia, não parece o mordomo do Serra.
O “imortal” Merval Pereira minimizou do jeito que pôde a derrota de seu chefe político. Afirmou que Serra já sabia de sua possível derrota, e que não queria ser candidato a prefeito. Disse que ele foi convencido a ser. Logo Serra que sempre soube impor suas vontades no PSDB, passando por cima de tudo e de todos.
Na véspera do primeiro turno, Merval Pereira tinha feito uma brilhante previsão:
“A mais complicada eleição paulistana pode acabar deixando de fora da disputa Fernando Haddad, o candidato que o ex-presidente Lula tirou do bolso de seu colete, outrora considerado milagreiro. Terá sido a primeira vez em que o PT não disputará o 2º turno na capital paulista, derrota capaz de quebrar o encanto que se criou em torno das qualidades quase mágicas do líder operário tornado presidente”.
Além de escrever mal, sua submissão às orientações patronais e ao Serra não o deixa ver bem a situação política do país. Seu nome deveria mudar para Vermal Pereira.
O imortal também se destacou por ter anunciado a morte iminente de Hugo Chávez, reeleito, este mês, presidente da Venezuela. Em fevereiro, Vermal garantiu que “a saúde de Hugo Chávez pode afetar a eleição presidencial. Os últimos exames indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação”.
Não sou uma besta imortalizada pela ABL, mas minha essência cigana também adora prever os acontecimentos. A diferença é que eu acerto as previsões. Em 14 de janeiro, escrevi aqui que
“a reeleição do Capixaba é inevitável apesar das comentadas deficiências. Se eu fosse o Zé Luiz, topava ser o vice dele para ser o prefeito daí a quatro anos”.
Voltemos ao Vermal e suas besteiras imortais. Em 28 de junho, ele publicou em O GLOBO suas previsões para a eleição paulistana:

O mito e os fatos
A mais recente pesquisa do Datafolha mostra que 62% dos eleitores paulistanos e 64% dos simpatizantes do PT acham que o partido agiu mal procurando acordo com Maluf para a prefeitura de São Paulo.
O candidato do bolso do colete de Lula, o ex-Ministro Fernando Haddad, continua sendo apenas isso, mais uma invenção do ex-presidente.
Caiu dois pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, o que não tem significado estatístico, pois está na margem de erro, mas tem peso político porque a pesquisa foi feita logo depois da famosa foto em que Lula aparece nos jardins da mansão de Maluf comemorando o acordo político.
Cair dois pontos percentuais quando se tem 30% de intenções de voto, como tem o candidato tucano José Serra, seria irrelevante — e ele cresceu – mas os mesmos 2 pontos num total de 8% significam uma queda de 25%, o que por si só explicita a difícil situação em que se encontra o candidato de Lula.
Haddad, que parecia ter iniciado a ascensão após aparecer com Lula no programa do Ratinho e ter quase triplicado as intenções de voto, fato muito comemorado entre os simpatizantes do PT, não conseguiu manter a curva ascendente.
Esperavam os petistas que, depois do episódio Maluf, o candidato de Lula atingisse os dois dígitos nas pesquisas, evidenciando a correção da manobra política de seu mentor.
Lula reagiu aos críticos ao afirmar que não tinha arrependimento nenhum pela foto. E Maluf fez sua análise particular: Erundina deixara a chapa por ciúmes de seu protagonismo, e, diante de Lula no governo, ele, Maluf, considera-se “de esquerda”.
O que parece divertir Maluf, e não é para menos, configura-se um problema político de envergadura para o PT paulistano.
A pesquisa Datafolha mostra que os eleitores estão ao lado de Erundina, pelo menos nesse primeiro momento. Nada menos que 67% dos eleitores consideram que Erundina fez muito bem em deixar a chapa de Haddad depois da divulgação da famosa foto.
Havia até em circulação uma curiosa interpretação na base do “falem mal, mas falem de mim”. Lula seria tão genial articulador que colocara a imagem de Haddad nas primeiras páginas e nas televisões do país, fazendo com que viesse a ser conhecido pelo eleitorado.
O que para o comum dos mortais parecia erro estratégico, para o infalível líder tinha o dom de alcançar o objetivo de difundir a figura de seu escolhido. Vem a nova pesquisa Datafolha e joga por água abaixo a teoria montada a posteriori, que tentava transformar um erro político em grande lance estratégico.
O diretor do Datafolha, Mauro Paulino, considera que a rejeição ao apoio de Maluf ao PT pode ser determinante na eleição, o que indicaria que não se trata de um efeito passageiro.
Nesse caso, Erundina estaria certa quando comentou que 1m e 30s de propaganda eleitoral não justificam fazer uma aliança que renega uma vida inteira. Aparentemente, esse tempo extra que o PT obteve aderindo a Maluf não será suficiente para reduzir o desgaste provocado pelo acordo, considerado espúrio pela larga maioria do eleitorado paulistano e petista.
O tucano José Serra continua liderando a pesquisa, mas está parado desde o início com 31% das intenções, o que representa o eleitorado cativo do PSDB na capital. Na análise dos petistas, mostra que ele não tem condições de ampliá-lo.
O outro terço deve ficar, como tradicionalmente ocorre, com o candidato do PT, mas, se Haddad não demonstra ser competitivo para buscar no partido o apoio que seria automático, como ir além do eleitorado petista para buscar votos que podem lhe dar vitória?
A estratégia petista tinha um objetivo pragmático, traçado por Lula. Abriu-se mão de uma candidata forte como é a ex-prefeita Marta Suplicy na suposição de que ela não trazia novidade para a campanha que ampliasse seu eleitorado.
O “novo”, que Haddad representaria, teria mais facilidade para avançar no eleitorado que, não sendo petista, pode votar no candidato do partido.
Mas, ao mesmo tempo, a candidatura ficou limitada no viés ideológico quando se juntou a Haddad, um comunista saudosista, a ex-prefeita Erundina, que assumiu anunciando que continuava defendendo o socialismo. Para ela, estar no Partido Socialista Brasileiro (PSB) não é retórica, é uma profissão de fé. Com sua saída, o PT foi buscar no PCdoB a companheira de chapa de Haddad, fechando novamente o foco ideológico da candidatura.
Os petistas alardeiam que o candidato tucano José Serra tem mais rejeição do que apoio (35% contra 31%), o que é uma situação realmente incômoda para o candidato. Mas, por essa conta, o candidato petista tem o dobro de rejeição do que de apoio (12% contra 6%).
Lula promete “morder o calcanhar” dos adversários, mas precisará fazer com que Haddad aprenda a morder também, sob o risco de seu candidato ficar exposto ao público como figurante sem expressão.
Além do mais, as pesquisas do Datafolha vêm registrando a queda da influência de Lula como cabo eleitoral na disputa paulistana, embora ele continue sendo o mais influente deles, mais ainda que a própria presidente Dilma, que tem 28% de influência na escolha do candidato, ou que o governador Geraldo Alckmin, que influencia 29% dos eleitores.
O índice de influência de Lula no eleitorado é de 38%, mas o problema para o PT é que em janeiro eram 49% os que diziam que o apoio de Lula os faria votar em determinado candidato.
Se juntarmos a redução da influência de Lula no eleitorado com a incapacidade demonstrada até agora por Fernando Haddad de ser um candidato minimamente competitivo, teremos uma eleição que sugere ser muito mais difícil para o PT do que parecia meses atrás.
Serra já disse que os fatos mostram que Lula não é infalível, pelo menos nas eleições paulistas. Mas Lula é Lula, advertem sempre os petistas, agarrando-se ao mito na esperança da vitória. Lula faz bem em querer trazer para si a disputa contra Serra, nacionalizando a eleição paulistana. Caberá a Serra escapar dessa armadilha, convencendo o eleitorado que está pensando apenas em São Paulo, e não no Brasil.



N.L.: o estilo tosco e os erros gramaticais são do jornalista venal e imortal. Perdoem-me a extensão da postagem.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

TRÊS JOSÉS

Três jovens líderes estudantis. De esquerda, como devem ser os jovens estudantes, em luta por mudanças. Contra o domínio imperialista e a exploração internacional de nossas riquezas. Pela melhoria das condições de vida do brasileiro. Em apoio ao presidente João Goulart e às reformas de base.
Um deles, o mais importante dos três na época porque era o presidente da UNE, participou e até discursou no comício da Central do Brasil ao lado do Presidente, em 13 de março de 1964.
Mas, era um covarde. Logo após o 1º de abril, com o advento do golpe militar, asilou-se na embaixada do Chile. Foi para Santiago e lá viveu durante todo o período nefasto de perseguições, prisões, torturas e assassinatos das lideranças democráticas no Brasil. Com o golpe militar no Chile, fugiu novamente. Refugiou-se na embaixada da Itália e, depois, foi para os Estados Unidos.
Os outros dois Josés aqui ficaram e permaneceram no movimento estudantil, enfrentando as forças da repressão militar. Um deles até participou da guerrilha do Araguaia. Foram presos e torturados. Símbolos da resistência democrática, um ficou cinco anos preso e o outro foi banido do país em troca da libertação do embaixador americano seqüestrado em 1969.
Com a redemocratização do país, ambos ajudaram o Lula a fundar o PT e, em épocas diferentes, foram presidentes do partido. Enquanto isso, o outro participou da coordenação da campanha derrotada de FHC para o senado.
Depois, com a eleição do mais paulista dos cariocas para a presidência da república, foi ministro de estado e um dos responsáveis pela privataria tucana, esteve envolvido com a máfia das ambulâncias e dos sanguessugas. Enriqueceu. Enriqueceu a filha, sócia da filha do Daniel Dantas.
Nunca foi julgado por nada, embora as provas sejam insofismáveis, pois sempre teve o apoio incondicional da imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta.
A mesma imprensa que agora pressionou o STF para condenar os outros dois por formação de quadrilha e corrupção ativa exatamente durante a campanha eleitoral.

Assim pressionados, os doutos magistrados, sonhando com as primeiras páginas, com a capa da Veja, com a sua exaltação pelo Jornal Nacional, transformaram indícios em provas e chegaram ao cúmulo de igualar os dois Josés ao Fernandinho Beira Mar e ao Nem da Rocinha. Até compararam o PT ao PCC e, com um sorriso absurdo e cínico, comentaram que o número de condenados – treze – era muito sugestivo.
Os mesmos doutos magistrados que, livres do clamor da mídia, concederam habeas corpus ao vereador carioca que chefia uma gangue de milicianos; que concederam liminar ao Daniel Dantas; que liberaram o ex-banqueiro Salvatore Cacciola e o médico Roger Abdelmassih, permitindo que ambos se escafedessem do país; que até hoje nem se importaram com o “mensalão” mineiro do PSDB.
São três Josés. Dois - símbolos da resistência - foram condenados por fazer aquilo que faz qualquer prefeitinho de cidade caipira do interior: comprar o apoio parlamentar para os projetos do governo. Foram condenados, mas permanecerão na luta. O seu destino é lutar.
O outro – o covarde - morreu ontem. Foi trucidado politicamente pelo povo de sua própria cidade. Entretanto, permanecerá como um cadáver insepulto. O seu destino é vagar como um zumbi até destruir completamente o seu partido político.


N.L.: O “imortal” Merval Pereira minimizou do jeito que pôde a derrota de Serra. Disse que Serra já sabia de sua possível derrota, e que não queria ser candidato a prefeito. Disse que ele foi convencido a sê-lo. Logo Serra que sempre soube impor suas vontades no PSDB, passando por cima de tudo e de todos. Amanhã eu falo do Merval, o mordomo do Serra.