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quarta-feira, 30 de junho de 2010

DIÁLOGOS POSSÍVEIS

Serra: Querida, somente você pode me salvar.
Marina: Mas, Serra, você já perdeu essa.
Serra: Eu sei, querida, mas vai pegar muito mal pra mim perder logo no primeiro turno. Você não acha?
Marina: É, Serra, vai ser muito feio. A terceira derrota para presidente.
Serra: Terceira não. Segunda.
Marina: Pra cima de mim, Serra? A segunda você perdeu quando desistiu em 2006. Tinha certeza da derrota e empurrou o “picolé de xuxu” para o sacrifício.
Serra: É...
Marina: Sua candidatura a presidente só ganhou mesmo foi da Roseana Sarney quando você inventou aquele “dossiê” contra ela.
Serra: Isso é passado. Coisas da política. Vamos olhar para a frente.
Marina: Então, vamos direto ao assunto. O que você quer de mim? Que eu seja a sua vice?
Serra: Não. Não é isso. Não dá mais...
Marina: Diga o que você quer.
Serra: Veja você o vice que me arrumaram. Com ele, eu sofro uma derrota fragorosa e a Dilma leva logo no primeiro turno.
Marina: Mas eu estou crescendo nas pesquisas. Sei que posso vencer essa eleição.
Serra: Não se mexa, tem uma mosca azul no seu ombro, vou pegá-la.
Marina: Não! Não espante, é de estimação. Ela tem me acompanhado em toda a campanha.
Serra: Você cresceu de 8 para 9 pontos. Está patinhando sem sair do lugar. Você pode crescer muito mais rápido e levar a eleição para o segundo turno.
Marina: Como?
Serra: Eu tenho absoluto controle da mídia e posso fazê-la abrir espaços para você. Já pensou você no Jornal Nacional quase todo dia. Elogios diários em O Globo, Folha, Estadão, e semanais na Veja. Posso até colocar você na capa.
Marina: Você pode fazer isso?
Serra: Claro que posso. E vou fazer. A partir de julho, você terá tanto espaço quanto eu na mídia. Você vai ver. Mas, você tem que elogiar o Lula, sempre, para parecer que também é a candidata dele.
Marina: Assim, quem vai para o segundo turno sou eu.
Serra: Pode ser...
Marina: E se eu ganhar? O que você quer?
Serra: Em nome da unidade nacional, você me nomeia Ministro-Chefe da Casa Civil. E me lança como seu candidato em 2014.
Marina: E se você for para o segundo turno e vencer?
Serra: Você será a minha Ministra do Meio Ambiente com todos os poderes sobre a Amazônia.
Marina: Acho que você me quer como a sua “laranja”...
Serra: Isso, isso, isso... Laranja tem tudo a ver com o meio ambiente.
Marina: Eu quero mais. Quero um novo programa social.
Serra: Concordo com tudo o que você quiser.
Marina: Eu quero implantar o programa Bolsa Cosméticos.
Serra: Está combinado.

terça-feira, 29 de junho de 2010

FOLHA ELIMINA O BRASIL DA COPA

Anúncio do Extra, publicado hoje pela Folha de São Paulo, eliminou o Brasil da Copa do Mundo. O Grupo Pão de Açúcar preparou dois anúncios distintos: um para a vitória sobre o Chile, outro para a derrota.
Assim fazem todos os anunciantes em todos os jogos da seleção brasileira: um anúncio de exaltação pela vitória e outro de consolação para quem vê sua seleção ser eliminada. Não dá para advinhar o resultado de uma partida da Copa do Mundo.
A Folha errou – como sempre erra – ou está torcendo contra e publicou esse anúncio aí em cima.
Em nota, o Grupo Pão de Açúcar esclareceu que hoje deveria ter entrado o anúncio da vitória, mas, por “erro humano”, saiu impresso o da derrota do Brasil.
A Folha terá que se retratar publicamente, amanhã, com a correção do material. É muita estupidez ou falta de profissionalismo.
Quando será que ela vai se retratar pela mentira do dossiê inventado? Da ficha falsa da Dilma? Do jovem estuprado por Lula na prisão? E por tantas outras mentiras que alimentam aqueles 3% que não acreditam no país?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

FUTEBOL

QUE BONITO É...

A importância do futebol no mundo pode ser medida pelo número de países membros da FIFA (208) e da ONU (192). A FIFA existe para, através do futebol, unir os povos e promover a paz no mundo, e consegue. A ONU existe para evitar as guerras, jamais conseguiu.
A cada quatro anos, porém, a FIFA promove uma guerra entre 32 países. É o maior evento mundial que envolve emocionalmente bilhões de pessoas em todo o planeta. Seja rico, seja pobre, seja intelectual ou analfabeto, sem distinção de cor, de raça, de sexo, de religião, de ideologia, ficam todos ligados na mesma emoção dessa guerra sem derramamento de sangue.
Uma guerra em que não há derrotados. Todos são vencedores porque participaram. Chegaram ao seu limite físico e emocional dentro e fora do campo. Ganham os povos e os países, sejam participantes ou não.
Que bonito é... a paixão pelo futebol.
Que bonito é... ver as lágrimas de alegria e de tristeza ao final cada partida.
Que bonito é... ver aqueles meninos carentes e malnutridos transformados em gigantes a defender as cores de sua seleção.
São todos milionários, sim. E daí? Merecem muito mais pelo talento que Deus lhes deu. Pelo orgulho, alegria e felicidade que proporcionam aos seus torcedores.
Não haverá dinheiro que pague o contentamento que o povo brasileiro sentirá se formos hexacampeões do mundo.
Como diz a FIFA, “o futebol é uma ferramenta para o desenvolvimento social e humano, fortalecendo o trabalho de diversas iniciativas em todo o mundo no auxílio às comunidades no que diz respeito à pacificação, saúde, integração social, educação e muito mais.”
Sabem porque estou dizendo isso? Porque fui chamado de babaca, ignorante, otário, imbecil, em um texto sobre os amantes do futebol que li em um “blog”. Dizia, também, o texto que os filhos dos filhos dos meus filhos seriam os babacas do futuro.
Ler tamanha insensatez ainda é melhor do que ser analfabeto.
Não sei se fico indignado com tanta mediocridade ou se sinto pena da frustração que o “blogueiro” carrega pela vida por nunca ter ganho uma bola de presente quando aprendeu a andar. Um frustrado que jamais disputou uma "pelada" com os garotos da outra rua.
Um pobre coitado com trauma de infância que não sabe o que é a paixão por essa força unificadora cujas virtudes realizam uma importante contribuição à sociedade e à paz mundial.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

VALE A PENA VER

Sem comentários.

Novamente sem comentários.

Sexta-feira 25, não assista o jogo pela Globo. Não "é brincadeira" aturar o Neto, mas, pelo menos, ele e o Edmundo não se utilizam de "equações" matemáticas - 4-4-2, 4-3-3, 3-4-2-1 - 3-5-2, etc, etc, etc - para comentar o jogo. Como craques que foram, sabem que o único esquema atualmente é o 2-8 quando ataca e o 8-2 quando defende. Em todas as seleções.

terça-feira, 22 de junho de 2010

DUNGA x GLOBO

Nunca escrevi um palavrão neste blog, mas aqueles que o Dunga falou para um repórter da Globo – que ontem passou o dia pressionando a FIFA para punir o técnico e hoje dedica manchetes e muito espaço para combatê-lo - eu posso repetir aqui: “besta, burro, cagão”. Dirijo-os à maioria dos jornalistas esportivos.

Houve um tempo em que jornalista esportivo levava porrada na cara. De mão aberta para humilhar, como eu vi Castor de Andrade fazer com um comentarista da Rádio Globo em treino do Bangu. Ou como fez Pelé com outro na concentração brasileira no México, durante a Copa de 70. Pelé nunca mais teve qualquer simpatia da imprensa esportiva.
Claro que eles tiveram os seus motivos, assim como Maradona que vive agredindo verbalmente a imprensa esportiva de seu país. E como Dunga os tem para tratar a imprensa esportiva à distância e tal como ela merece.
E por não se submeter às ordens da Globo que se julga ainda tão poderosa como era antes da internet, Dunga se vê vítima de uma campanha vil e nefasta. Hoje, os jornais da Globo e sua linha auxiliar – O Dia – dedicam suas manchetes para pedir a punição do Dunga. Punição que a FIFA afirmou, hoje, não ver motivos para abrir processo disciplinar contra o técnico.
A recusa de Dunga em aceitar um acordo feito entre o presidente da CBF e a Globo para permitir entrevistas exclusivas com os atletas foi a razão da Globo para a insidiosa campanha. Não foram os “pseudo-palavrões”.
O UOL apurou que “o incidente entre Dunga e Alex Escobar ocorreu quando o jornalista conversava ao telefone com o apresentador Tadeu Schmidt exatamente sobre este assunto. O técnico percebeu o que ocorria e perguntou: “Algum problema?”. Escobar respondeu: “Nem estou olhando para você, Dunga”. O técnico replicou em voz baixa, o suficiente para ser captado pelo microfone a sua frente: besta, burro, cagão!”
Menosprezar o técnico, não respeitar a sua autoridade, inventar calúnias, xingá-lo é jornalismo. Desde quando xingar jornalista de cagão é crime?
No mesmo dia, durante o “Fantástico”, Tadeu Schmidt falou: “O técnico Dunga não apresenta nas entrevistas comportamento compatível de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência, usa frases grosseiras e irônicas”.
O jornalista da Globo não mencionou, no entanto, o motivo do atrito, ou seja, a recusa do técnico em aceitar um acordo feito entre o presidente da CBF e a emissora.
E como Dunga não baixou a cabeça para a Globo, está conquistando o apoio da internet. Uma nova campanha nos moldes do “Cala a boca Galvão” foi lançada: é o “Cala a boca Tadeu” que já dominou o Twitter. Além disso, os internautas querem criar o dia sem a Globo. Será na sexta-feira, dia do jogo contra Portugal.
Vamos todos apoiar esse gigante Dunga que acabou com os privilégios da Globo junto à seleção. Para mim, que vejo o jogo sempre pela Bandeirantes, todo dia sempre será dia sem Globo.
“Uma bobagem? Não, nada é uma bobagem quando desperta os sentimentos de liberdade, de dignidade, quando faz as pessoas recusarem a tirania, quando faz com que elas se mobilizem contra o poder injusto” – disse Brizola Neto em seu Tijolaço de hoje.

P.S.: Lembrei de outra do Castor. Quando o Bangu perdeu o bi-campeonato para o Botafogo em 1967, o João Saldanha partiu para a ofensa pessoal contra a família Andrade no programa Mesa Redonda, à noite na Globo. Castor invadiu o estúdio, chutou o pau da barraca e tirou o programa do ar.

domingo, 20 de junho de 2010

HUMILHAÇÃO

Não! Marina Silva não merecia isso. Por que fazem isso com ela? Só porque ela é feia (eu não acho, heim!) como disse a Rita Lee? Porque tem cara de mulher submissa que apanha do marido (como eu disse e repito) ou porque tem cara de componente da Velha Guarda da Portela (como disse um anônimo)?
De fato, convenhamos, ela não tem cara de presidente da república nem de liderança feminina mundial como têm a Cristina Kirschner, a Michelle Bachelet, a Ângela Merkel, a Margareth Thatcher.
Mas, não é por isso que ela merece a humilhação dessa foto aí em cima.
O PV já tinha humilhado a Marina cobrindo o seu nome nas faixas do evento de lançamento da pré-candidatura do Gabeira. Agora, na convenção do partido, humilhação maior: aquele que foi torturado e, depois, foi lamber os coturnos dos torturadores, discursou entre as fotografias da Marina e do Serra. Fotografias sem o nome dos fotografados. O Serra não precisava do nome, é conhecidíssimo, mas, a Marina...
Com humildade – esse sentimento vindo de quem come carne todo dia e não precisa de ajuda oficial me dá ânsias de vômito porque é falso – humildemente, repito, respondendo a um repórter que lhe perguntou o que achava das fotos, ela disse: “Em vez de olhar o que divide, eu olho o que une que é o Gabeira.”
Gostaria de saber como se pode unir dois candidatos ao mesmo cargo majoritário em que somente um pode seguir em frente. Gabeira está, sim, dividindo o partido e o seu eleitorado, visando atingir exclusivamente o seu próprio objetivo. E sempre que puder – quem viver verá - ele vai apoiar também a Dilma. Ou fará como sempre diz qualquer candidato a vereador em campanha: vote em mim e em quem quiser para prefeito.
O PV não é um partido sério? Por que aceita essa falsidade ideológica? Essa tamanha impostura. Como um partido pode ter dois candidatos a presidente?
Já o Serra disse o seguinte na convenção: “Não vou convencer a Marina, mas vou dizer: sou ambientalista” e garantiu que não enfrentará nenhuma saia justa ao dividir o palanque do Rio de Janeiro com a pseudo-candidata do PV.
O que o vampiro insinuou é que a Marina tem somente um discurso e que, ela sim, terá que vestir uma tremenda saia justa.
Coitada da Marina. Poderia continuar senadora ou eleger-se governadora. Coitada, não. Bem feito pela traição aos seus conterrâneos, ao meio ambiente, a mim e a todos os brasileiros que a admiram. O povo do Acre perderá aquela que poderia ser uma grande governadora ou perderemos todos uma grande senadora para continuar lutando pelo meio ambiente.
Seu destino, infelizmente, será o ostracismo político. Você duvida?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

COPA DO MUNDO

Pretendia falar da Copa de novo somente no final quando o Brasil fosse campeão. Diria que só faltava isso, o hexacampeonato, para que o Lula fosse canonizado.
Como a coisa agora ficou difícil, vou contrariar o que os “abalizados” comentaristas andaram dizendo: que o empate entre Portugal e a Costa do Marfim teria sido o melhor resultado para a seleção brasileira. Pois, esta assumiu a liderança isolada do seu grupo.
Com a minha experiência de 15 copas, digo exatamente o contrário: aquele empate foi o pior resultado para o Brasil que venceu a Coréia do Norte por apenas 2x1.
Raciocinem comigo: Portugal e Costa do Marfim são seleções absolutamente superiores à da Coréia do Norte e podem facilmente vencê-la por um placar bem maior. E se as duas empatarem com o Brasil – um resultado bem provável – nossa seleção estará desclassificada na primeira fase.
Adeus “ékissa”, adeus canonização. E a honra do hexacampeonato ficaria, então, para a Dilma Rousseff.
Para o Brasil, agora, é vencer ou vencer. Não pode nem empatar. E o empate não é um resultado absurdo com Portugal nem com Costa do Marfim. Se perder, já era.
Mas, se os companheiros de Maicon e Robinho resolverem jogar tanto quanto eles e forem os primeiros do grupo, o Brasil deverá enfrentar a melhor seleção européia: a Espanha que, hoje, mostrando o melhor futebol que eu vi nesta copa, perdeu para a Suiça.
A coisa ficou feia para o Dunga.

terça-feira, 15 de junho de 2010

SONHOS

Eu sonho toda santa noite. Já ouvi falar que sonhar faz bem, mas meus sonhos me cansam.
Vivo sonhando que estou trabalhando. Exercendo a minha profissão, nada dá certo, nada consigo criar.
Às vezes, sonho que trabalho como ajudante de pedreiro. Passo a noite carregando um carrinho de mão cheio de pedras para lugar nenhum. Ando e não consigo sair do lugar. É como se estivesse numa esteira rolante. Acordo cansado e passo o dia à toa.
Tenho sonhos recorrentes:
1) sonho sempre com um mesmo local, a mesma casa com cerca viva, a mesma paisagem, quero ver uma pessoa que nunca encontro e, quando sonho de novo, sei, no próprio sonho, que se trata de uma repetição do sonho que tive antes;
2) sonho que piloto um pequeno avião que vai perdendo altitude, estou numa guerra mundial – só pode ser a primeira - o avião cai e bate na fiação elétrica de uma rua de Bangu;
3) sonho que estou caminhando tranquilamente por uma rua do centro do Rio e, de repente, percebo que todos me observam, estou nu, tento me esconder e não consigo. Freud diria que se trata de alguma frustração sexual que não tenho;
4) sonho com a repressão da ditadura, estou correndo da polícia, fui preso, quando decidem me encher de porrada, eu, espertamente, acordo;
5) atualmente, tenho sonhado com amigos e parentes falecidos, todos bem dispostos, satisfeitos e felizes, e sei que estão mortos quando aparecem no churrasco que eu estava preparando. Coisa de Lost. Eles bebem e comem como se vivos estivessem.
Ontem, fui surpreendido por um ladrão que me ameaçava com um furador de gelo. Tentava levar o cara no papo quando vi um monstro negro correndo em nossa direção. Ele derrubou o ladrão e, balançando o rabo, veio se esfregar em mim. Era um cachorrão imenso que ficou meu amigo em um outro sonho.
Já sonhei a continuação de sonhos anteriores, são sonhos em capítulos. Será que mais alguém é capaz de sonhar um seriado de sonhos?
Hoje, sonhei que estava no dentista. O profissional tinha uma forma peculiar para aplicar a anestesia: colocava o paciente na cadeira, pegava um fuzil com baioneta cuja ponta encostava no fígado dele e baixava a arma com força. E ficava esperando a anestesia fazer efeito. Desisti da consulta.
Freud definia o conteúdo dos sonhos como a realização de desejos. Para Jung, os sonhos eram forças naturais que auxiliam o indivíduo no processo de individualização.
Não é o meu caso, ninguém consegue ser mais individual do que eu nem tenho desejos ainda não realizados.
Para alguns, o sonho tem poderes premonitórios. Também, não é esse o meu caso nem quero saber o significado dos sonhos que tenho.
Fico com a opinião atual da ciência que vê nos sonhos apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem.
Mas, como meu cérebro ainda é aquele de quando tinha 35 anos de idade, meu único desejo é dar um tempo nos sonhos. Quero parar de sonhar, dar férias a essa função dos sonhos.
Se você conhece algum remédio ou uma simpatia que me faça parar de sonhar, por favor, me informe nos comentários.

sábado, 12 de junho de 2010

DO QUE UM JORNAL É CAPAZ

Vejam a manchete da Folha de hoje e o resumo do texto publicado na Folha Online sobre o “dossiê”:

“A chamada "equipe de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) investigou e levantou dados fiscais e financeiros sigilosos do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira.
Segundo reportagem publicada neste sábado pela Folha (íntegra aqui somente para assinantes do jornal e do UOL), o grupo obteve documentos de uma série de três depósitos na conta de EJ no valor de R$ 3,9 milhões, além de outras informações de seu Imposto de Renda.
Procurado pela reportagem, Eduardo Jorge confirmou as informações contidas nos documentos e afirmou que os dados só poderiam ter sido obtidos por meio da quebra de seu sigilo fiscal. "É um completo absurdo essas informações terem chegado até eles. Isso demonstra a repetição do método do PT", afirmou.”
Acontece que tais informações sigilosas estão na internet desde tempos medievais e o próprio Eduardo Jorge confirmou tudo em carta de 28/03/2009 ao Correio Brasiliense que fez uma série de reportagens sobre as suas falcatruas e as investigações do Ministério Público.
A Folha continua dando tiros no próprio pé com esse falso "dossiê" que contém informações sigilosas do conhecimento de todos que frequentam a internet. Se você quiser saber de todo o caso, clique aqui e veja as informações sigilosas no blog Consultor Jurídico.
E, depois, quando critico quem apenas lê jornal, eu sou taxado de preconceituoso.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

QUEM AINDA LÊ JORNAL?

No passado, os jornais tinham como principal utilidade embrulhar carne e peixe. Atualmente, isso é proibido. Por outro lado, o aumento da renda do trabalhador e a publicidade televisiva do papel higiênico acabaram com sua outra serventia.
Houve um tempo em que eu comprava jornal. Mas, hoje, com a internet publicando notícias frescas a todo instante, p´ra quê jornal? P´ra ler o que aconteceu ontem? E que eu já estou cansado de saber?
Comprar jornal é hábito de quem não se informatizou e não sente que está sendo manipulado pelos que ainda pensam ser donos da opinião pública. Mas, são donos apenas dos jornais e da opinião publicada.
Quem lê jornal tem acesso apenas a uma única versão da notícia, uma única opinião. Jamais encontrará a controvérsia, o contraditório, a contestação, a polêmica que encontramos na internet. A opinião do leitor de jornal só pode ser a opinião que lhe é imposta, geralmente, por jornalistas comprados pelos tubarões da imprensa.
Na internet, temos, gratuitamente, todos os jornais e revistas, inclusive os estrangeiros que são geralmente imparciais em relação ao que ocorre no país e mostram um Brasil totalmente diferente daquele que é apresentado em O Globo, por exemplo.
Além disso, temos os blogs de jornalistas e não jornalistas independentes que vão fundo na notícia e emitem a sua própria opinião, não a opinião de seus patrões. A esquerda e a direita têm a sua vez na internet e não são superficiais nem tentam dissimular o seu proselitismo político.
Informando-se através da internet, conhecendo as mais diversas idéias e conceitos na área política, social, moral, cultural, econômica, esportiva, etc, o cidadão terá, então, a possibilidade de construir a sua própria opinião.
E poderá falar por sua própria boca, pensar por sua própria cabeça, enxergar com seus próprios olhos e tomar decisões por conta própria.
Não é o que acontece com quem ainda lê jornal, seja lá qual for, e não navega na internet.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ABORIGINE AUSTRALIANO

Nasceu robusto, gordo, cabeludo e cheio de dentes, acima do peso considerado normal, com mais de 4,800k. E como era feio. Era feio de doer o parrudo bebê.
Os parentes e amigos que foram visitá-lo se espantavam e não conseguiam disfarçar o mal-estar diante daquela desagradável visão.
Quando começou a engatinhar, parecia um Demônio da Tasmânia. Certa vez, foi mexer com o gato que dormia com a tranquilidade dos gatos. O bichano deu um salto e saiu em disparada. Nunca mais foi visto.
Foi crescendo e cada vez mais feio ia ficando. Aos cinco anos, tinha quase o dobro do tamanho de crianças da mesma idade. Entrou para o jardim de infância e os coleguinhas, com medo dele, não queriam mais voltar para a escola. Houve uma reunião de pais e a diretora solicitou que a criança fosse retirada do convívio escolar.
Quando entrou para o ensino fundamental, era o maior da turma. Parecia ser aluno da quarta série. Era o mais feio, claro, mas, também, o mais inteligente e estudioso. Devido ao seu tamanho, jamais foi vítima do “bullying”. Porém, apelidaram-no de Aborígine Australiano. Mais tarde, abreviaram para Abori. Humilde, ele nem ligou e levou o apelido para a faculdade onde se formou, com méritos, em medicina. Como especialidade, escolheu a pediatria. Adorava crianças.
Nunca teve amigos nem namorada, mas era feliz. Um homem bom, excelente caráter. A feiura em si mesma jamais lhe fez mal algum.
Montou um consultório que viveu às moscas. Tentou empregar-se em uma clínica infantil, mas nenhuma quis admiti-lo. Com aquela cara, não levava jeito de médico. Ainda mais pediatra. Desistiu da medicina e somente conseguiu emprego em um circo onde se apresentava preso numa jaula.
Era apresentado como “Abori, um assombro”. Voltou a assustar as crianças que agora pagavam para vê-lo.
Apaixonou-se por uma trapezista linda, escultural, de uma beleza absurda. Ela era cega e pôde ver toda a beleza interior de Abori. Retribuiu ao amor intenso e incondicional que ele lhe dedicava. Casaram-se. Apenas no civil, junto com outras dezenas de casais que não entendiam como uma mulher tão bela pudesse dizer sim àquele ser horroroso. “Só pode ser cega”, comentavam sem saber que era verdade.
Abori e a equilibrista cega foram muito felizes. Tiveram uma filha, lindíssima como a mãe. O pai, ainda mais feliz, dava graças a Deus por não ter transmitido sua feiura para a filha. Mas, preocupava-se: “será que ela era cega como a mãe?”
Um mês depois, Abori tomou coragem e pegou a criança no colo pela primeira vez. Ela dormia. Abriu os olhinhos que ainda não possuíam a completa visão quando ele a beijou. Ali, pertinho, porém, conseguiu focalizar o rosto do pai. A coitadinha apovorou-se...
Morreu de susto.

domingo, 6 de junho de 2010

CINCO POR CENTO

Surge mais uma pesquisa eleitoral e lá estão aqueles 5% que consideram o governo ruim/péssimo. Em todas as pesquisas de todos os institutos, não importam as datas em que foram realizadas, lá estão aqueles cinco por cento que somente conseguem ver o que há de ruim e péssimo no governo Lula.
Encontrei um componente dessa imensa minoria de brasileiros. É um idoso comerciante de Muriqui, militar reformado, assinante de O Globo e da Veja. Ele odeia o Lula.
Começou a falar de política comigo em frente ao seu pequeno comércio. Demonstrava todo o seu preconceito para com o presidente. Afirmava que nunca havia lido e ouvido tanta notícia sobre corrupção no país.
Argumentei que nunca a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério Público, a Procuradoria Geral da República, o Tribunal de Contas da União, trabalharam tanto como agora. Que quem investigava e descobria os casos de corrupção era o próprio governo que implantou uma verdadeira faxina nos órgãos públicos e que somente depois os casos ganhavam os holofotes da imprensa. Que o governo anterior preferia esconder a corrupção que sempre existiu e que existirá sempre. Que quanto à punição dos envolvidos tudo dependeria do Poder Judiciário, não mais do Poder Executivo.
Ainda argumentei com as mudanças ocorridas nos últimos anos. A inflação controlada, o quase pleno-emprego, o salário mínimo de 300 dólares, o aumento na renda do trabalhador, o respeito conquistado pelo país em todo o mundo, o adeus ao FMI, etc, etc, etc, etc, etc e etc e et cetera.
O velho comerciante, então, apelou para os problemas da segurança, da saúde e da educação, que o povo ainda estaria enfrentando. Que se algo havia de bom era resultado de ações do governo anterior.
Sentado no meio-fio, o porteiro do prédio ao lado, que ouvia calado a discussão, sorriu.
Senti que o sorriso era uma demonstração de aprovação aos meus argumentos. Dirigi-me a ele estimulando-o a entrar na discussão.
“Eu hoje tenho tudo que um rico tem – disse o porteiro – tenho emprego, tenho celular, tenho computador, tenho TV de 42 polegadas, tenho conta bancária, tenho casa e até um carro na garagem. É velho mas é meu. E meu filho está cursando a faculdade.”
E há oito anos? Como era a sua vida? Perguntei.
“Estava desempregado, passando dificuldade, não tinha nada – e completou – é por isso que eu vou votar na Dilma Rousseff.”
Falei, então, que o atual governo em absolutamente nada mudou a minha vida particular, mas que sentia-me feliz por ver a mudança ocorrida com a população mais carente. E despedi-me daquele componente dos cinco por cento orgulhoso por pertencer a pequena maioria de 95% dos brasileiros que tem olhos para ver.

terça-feira, 1 de junho de 2010

"RUMUAL ÉKISSA"

A ignorância e a mediocridade são capazes de coisas sensacionais como o vídeo que postamos novamente aí embaixo e o cartaz pintado para ornamentar um muro na Copa de 2006.
Perdemos o “ékissa”, mas vamos tentar novamente nesta nova Copa que deverá ser insuportável. Tanto para quem estará em campo, jogando ou comandando a seleção, quanto para quem vai assistir em casa pela TV. O ensurdecedor barulho provocado pelas “vuvuzelas” vai dominar o ambiente. A poluição sonora será mais uma estupidez semelhante às duas citadas inicialmente.
Como um goleiro poderá orientar seus zagueiros durante um ataque adversário? E quem poderá escutar o grito de “ladrão!” no meio daquele tumulto? Pedir a bola e reclamar do juiz somente através de gestos. E o apito do árbitro, alguém ouvirá? E se houver minuto de silêncio, como ouvi-lo? Creio que ninguém vai ouvir nada dentro do estádio além do som absurdo da “vuvuzela”.
Coitado do Dunga ali junto à torcida africana enlouquecida pulando e soprando aquela estressante trombeta que já estamos ouvindo aqui no Brasil. Som ruim – tal como o “rebolation” - é igual a má notícia, chega rápido e repetitivo aos nossos ouvidos.
Como o Dunga poderá dar instruções ao time? Quem ouvirá? Talvez, seja até melhor que ninguém ouça as suas instruções.
Para nós, que vamos assistir pela TV, há uma solução: apertar a tecla “mute” ou, se não a tem, baixar completamente o som.
Todos conhecemos os jogadores, não há necessidade de narradores. E ainda teremos a grande vantagem de não sermos obrigados a ouvir os “abalizados” comentaristas esportivos falando besteira. Quem sabe, com a TV em silêncio, esta não será a melhor de todas as copas.
Já me encontro de resguardo me preparando para a maratona de jogos. Quero ver todas as partidas do Brasil, Argentina, Espanha, Inglaterra, Holanda, Itália, Portugal e Alemanha. Isto vai me tomar muito tempo e, talvez, não possa me dedicar tanto ao blog.
Mesmo sem o Ronaldinho Gaúcho e sem o Paulo Henrique Ganso, vamos todos torcer pela seleção.
Os únicos brasileiros que podem torcer contra serão o FHC – que vai morrer de inveja se o Lula for o presidente hexacampeão – e o José Serra – que torce por um milagre que lhe devolva a liderança nas pesquisas. Se o Brasil perder, a imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, vai culpar o Lula e a Dilma pela derrota.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

H1N1

Vale à pena ver de novo:
 o ex-ministro da saúde falando da gripe suína.

E, atenção: o sem-vice não falou, mas se você for transar com uma leitoa, use camisinha.

sábado, 29 de maio de 2010

O VICE DE SERRA

“Eu nunca propus, nem despropus (Epa!) ninguém para ser vice. Nunca fiz pressão, nem retirei pressão de ninguém para ser vice. Pode ser até que não vá com vice à convenção" – afirmou José Serra.
Ele só não disse que não existe ninguém, absolutamente ninguém, disposto a ser seu vice. A verdade é que o vice de Serra seria o José Roberto Arruda (DEM), ex-governador de Brasília pego com a boca na botija roubando descaradamente e vergonhosamente foi preso durante quase um mês.
Yeda Crusius (PSDB) – governadora do Rio Grande do Sul - foi cogitada por ser mulher. Porém, foi descartada por estar envolvida em diversos esquemas de corrupção da gauchada.
Rodrigo Maia (DEM) – deputado federal e filho do Cesar Maia – estava cogitado, mas, agora, com a denúncia de seu envolvimento no esquema do ex-governador de Brasília, já era.
O vice dos sonhos seria o Aécio Neves (PSDB) que daria um novo alento à candidatura de Serra, mas ele se nega terminantemente a aceitar a pressão que lhe fazem.
Serra fala agora de Marco Maciel (DEM) que foi o vice de FHC. Aquele magro alto que anda na chuva sem se molhar porque passa tranquilamente entre os pingos. Mas, ele traz a marca – ou seria a mancha? - indesejável do ex-presidente.
Eu tenho uma sugestão a fazer. Uma pessoa de absoluta seriedade, honesta, sem mácula, inteligente e capaz, além de ser mulher. E que ainda possui uma grande vantagem – para ser vice não é desvantagem - ela tem a cara da mulher sofrida que apanha do marido.
Marina Silva ajudará muito mais o Serra como sua candidata a vice do que dividindo o eleitorado como candidata a presidente.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

VOTO FEMININO

Se a eleição tivesse ocorrido este mês, se resultado de pesquisa fosse algo absolutamente indiscutível e somente os homens tivessem tido o direito ao voto, teríamos eleita – logo no primeiro turno - a primeira mulher Presidente da República.
Segundo a Vox Populi, Dilma Roussef tinha 42% de intenção de voto entre o eleitorado masculino, Serra tinha 34% e Marina Silva 7%.
Entre as mulheres, a intenção de voto dava a vitória a Serra com 35%. Dilma ficava com 34% e Marina Silva com 8%. Pela vontade feminina teríamos segundo turno na eleição.
Embora quase todos proclamem não existir diferenças na inteligência e na capacidade de homens e mulheres, parece que as próprias mulheres não creem muito nisso, ao contrário dos homens. Diante de uma candidatura feminina capaz de vencer, apenas uma minoria de mulheres demonstraram intenção de votar nela.
A situação, porém, já foi pior. Em todas as pesquisas anteriores de todos os institutos, Serra sempre manteve uma dianteira absoluta na intenção de voto do eleitorado feminino. Serra chegou a apresentar maior intenção de voto entre as mulheres do que as duas candidatas somadas.
Diante dessa significativa mudança, creio que o problema residia no desinteresse e na desinformação eleitorais das mulheres, pois, quando se consideram homens e mulheres com informação semelhante, as diferenças nas intenções de voto quase desaparecem.
Não é, portanto, como eu pensava, uma questão de “machismo feminino”. Agora, eu penso como Marcos Coimbra, Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi que afirmou:
“As pesquisas atuais refletem a distribuição desigual da informação entre os gêneros que deriva, por sua vez, dos papéis sociais diferentes que homens e mulheres desempenham. O próprio andamento das campanhas vai reduzi-la. Até outubro, homens e mulheres serão, cada vez mais, iguais na sua capacidade de escolher em quem votar.”
Dou razão, portanto, à Márcia Maralhas e a estimulo a começar o trabalho de conscientização política da mulher em Mangaratiba. Quem sabe não teremos aqui finalmente uma mulher vereadora.
Não importa que seja feia ou bonita. A beleza é fundamental, porém, existem muitas formas de beleza. Como a beleza de Jandira Fegalli em quem votei para deputada federal e para senadora. Ela não é bonita, mas tem a cara da mulher resolvida, imponente, firme, determinada. E ela é exatamente o que parece ser. Não tem a cara de mulher submissa que apanha do marido e que não impõe respeito.
Márcia, se eu puder ajudar, estarei à disposição.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

OLIVER STONE

Reproduzo aqui a entrevista concedida por Oliver Stone - Platoon, JFK, Nascido em 4 de Julho, Wall Street e outros – o mais politizado dos cineastas americanos. Ele chega ao Brasil dia 31 para lançar seu último filme: “Ao Sul da Fronteira”, documentário sobre sete presidentes da América Latina com destaque para o venezuelano Hugo Chávez. Por telefone, de seu escritório, em Los Angeles, Stone falou à Folha de São Paulo.
Vale à pena ler.
Folha - Como é o Chávez?
Oliver Stone - Ele é muito acolhedor e amoroso. As notícias sobre ele nos EUA têm sido muito negativas, porque ele mudou as regras. Fez coisas que nenhum outro, exceto Fidel astro, havia feito. Ele tem feito coisas novas, assim como Néstor Kirchner na Argentina e Lula no Brasil.
Como Cristina Kirchner diz no filme, as pessoas que estão no poder na América do Sul têm o semblante do povo que as elegeu. Hugo Chávez é um soldado e obviamente tem algumas das falhas de um soldado. Lula é um sindicalista e tem algumas das falhas de um sindicalista. Mas ambos representam uma grande mudança. E eu espero que dê certo. Porque é o desejo de controlar o seu próprio destino, de ser levado a sério, de não ser ignorado.
Folha - O filme é pró-Chávez?
Oliver Stone - Não é pró-Chávez. Apenas mostra honestamente o que ele está fazendo e o que estão dizendo sobre ele. Não é um documentário longo que vai defender tudo, é uma “roadtrip”. Se fosse pró-Chávez, ele teria três horas a mais.
Folha - O presidente Hugo Chávez tenta controlar a mídia na Venezuela...
Oliver Stone - [Interrompendo] Não mesmo. 80% da mídia na Venezuela é privada, dirigida por ricos que falam mal do governo. Chávez brigou pela liberdade de expressão. Alguns canais e revistas convocaram greves e chamaram as pessoas para um golpe de Estado em 2002.
Em meu país, se você fizer isso, sua licença [de TV] será retirada. Há relatos de jornalistas sobre a pressão do governo. Estou falando do que vi e ouvi. O governo respeita a liberdade de imprensa, exceto nos casos em que a mídia desrespeita a lei ou tenta um golpe. Aí as licenças das empresas de comunicação não são renovadas. A maioria das TVs do país é dirigida por lunáticos, caras de direita que perderam seu poder quando Chávez nacionalizou o petróleo. É uma das imprensas mais histéricas que já vi.
Folha - O sr. desaprova algo no governo de Chávez?
Oliver Stone - Ele comete erros assim como qualquer outro governo do mundo. Mas 75% votaram nele em 2006. Nos EUA, a votação de Obama não chegou nem perto. Você não tem ideia de quão pobre era a Venezuela antes de Chávez. Parte por causa do neoliberalismo praticado, inclusive, no seu país, o Brasil. Washington e o FMI não têm interesse, de coração, nas pessoas. Chávez, Lula, Kirchner, Evo Morales têm. E pagam o preço sendo criticados por pessoas que têm dinheiro e controlam a mídia.
Folha - No filme, Lula diz que só quer ser tratado com igualdade. Ele está sendo?
Oliver Stone - Por quem?
Folha - Por líderes do mundo.
Oliver Stone - Não. Ele e os outros líderes da América do Sul ainda são ignorados. Eu admiro muito o Lula. Ele fez uma coisa nobre indo ao Irã. Ele está tentando manter a sanidade, manter suas posições. Os americanos e europeus acreditam que podem controlar o mundo. Lula representa uma terceira via, de quem não quer a guerra, um caminho fora dessa loucura. Os EUA costumam dizer que Chávez é a má esquerda e Lula, a boa. Isso é nonsense. Obama apoiou Lula até quando ele cruzou a linha.
Folha - Ele disse que Lula é o cara.
Oliver Stone - Eu não confiaria nos EUA. Os americanos sempre jogaram com os brasileiros desde que pudessem controlá-los. Apoiaram o golpe militar no país em 1964. O Brasil sempre esteve no bolso de trás dos EUA, mas agora eles têm que ser mais espertos. Sabem que não podem controlar o Brasil. E Lula é muito importante. Ele se dá com Chávez, com os Kirchner, e com a Colômbia, o Peru e o México, que são aliados dos Estados Unidos.
Folha - E Obama?
Oliver Stone - Nós estamos tentando. Ele é um homem racional, ético, mas faz parte de um grande sistema. Se ele não estivesse lá, estaria John McCain ou Sarah Palin. Você prefere eles? Eu não. Mas, em relação à América Latina, Obama está jogando o mesmo jogo. A reação americana ao golpe em Honduras foi típica.
Folha - O sr. vai fazer um documentário sobre o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad?
Oliver Stone - Não estou pensando nisso no momento. Houve um problema de comunicação. Eu quis fazer o filme, e ele [Ahmadinejad] não quis.Quando ele quis, eu estava fazendo o filme W, sobre George W. Bush.
Já no Brasil, Oliver Stone encontrou-se com Dilma Rousseff e assim falou sobre ela e sobre o acordo Brasil-Turquia-Irã:
"Fiquei muito impressionado com a Dilma Roussef. É muito inteligente, uma grande cabeça, tem muita informação. Sabe tudo de energia, de economia, tem determinação e energia. Ela é muito focada e fiquei muito impressionado com isso. Quando ela tem uma ideia, persiste nisso e discute bastante. É isso que nós precisamos, de pessoas com ações. Ela é dedicada ao Brasil, ao crescimento e em continuar o projeto de Lula. Eu estou muito impressionado.
Ela é o futuro. O Brasil é um país muito importante no mundo, como a Turquia, e o que eles acabaram de fazer no Irã pode não ser muito popular para todos, mas é popular para mim. Nós queremos paz. Nós não queremos uma guerra. E a situação do Irã pode se tornar outro caso como o Iraque. E o que me parece é que os Estados Unidos estão interessados em outra marcha para a guerra. Eu adoro o que o Lula e o Brasil estão fazendo. Eu acho que Dilma Rousseff vê a necessidade de paz e, ao mesmo tempo, que ela sabe a linha para falar com os Estados Unidos. A situação é muito delicada e sensível.
Ela representa a continuidade das políticas do governo Lula, o desenvolvimento tem que continuar da forma que está no Brasil. Ela é muito consciente em relação à energia, sobre a reforma agrária. Ela tem consciência sobre a necessidade dos pobres e isso é fundamental porque o Brasil tem ainda muita pobreza e tem que melhorar nisso. Ela tem visão de mundo que não fica focada apenas no Brasil. Vocês estão tendo um papel muito importante no mundo. Vocês são a terceira via, não podemos ignorar isso, porque os Estados Unidos tendem a fazer inimigos e nós ainda vemos o mundo de forma unilateral. Isso trabalha contra o povo norte-americano. Meu trabalho é em cima disso, e meu documentário (Ao sul da fronteira) mostra algo contra os Estados Unidos. O Brasil e a Turquia e esse grupo de países representam um meio termo. Nós precisamos desse meio termo."

LOST

Foram seis anos de agonia e intenso sofrimento. Quando via aquela placa do “bispo” Macedo – PARE DE SOFRER – jamais pensei em entrar no reduto dele, mas decidia sempre: “vou parar de ver LOST”. Até que chegava uma nova terça-feira e lá estava eu diante da TV para ver mais um de seus 121 capítulos.
Eu os assisti a todos – eu e outros milhões de telespectadores em todo o mundo - sempre perplexo por não entender nada do que acontecia. Jamais soube quando os fatos aconteciam no passado, no presente ou no futuro. A série foi tão absurdamente confusa que milhões a abandonaram. Mas, eu não. Foi um notável e duradouro teste para a minha paciência.
Aturei com galhardia aquela torrente impetuosa e complexa de mistérios e enigmas que a minha modesta inteligência foi incapaz de explicar ou compreender. E que jamais foram esclarecidos. Dizem que foram 127 mistérios no total.
Felizmente acabou. Estava perdido e finalmente fiquei livre, mas continuo vivo. Diferente dos personagens que perdidos numa ilha remota e assombrada, livraram-se do sofrimento – parece, não dá para ter certeza de nada em LOST – com a morte de todos.
Foi uma morte gloriosa em que todos permaneceram vivos. Excluindo o Rodrigo Santoro que participou de alguns capítulos e foi enterrado vivo.
Apesar de ter sido sempre contrária à razão e ao bom senso, LOST foi e será sempre a série de maior sucesso deste século. Desde sua estreia, em 2004, LOST recebeu 176 indicações para o Emmy Awards, Golden Globe Awards, Golden Reel Awards,Satellite Awards, Saturn Awards, TCA Awards, Teen Choice Awards, Writers Guild of America Awards e inúmeros outros. Ganhou 58 prêmios, incluindo Globos de Ouro e Emmys.
Pergunto a mim mesmo, o que fez tanta gente acompanhar tanto disparate, tanta falta de respeito com a inteligência do telespectador, tanta complexidade? O último capítulo que durou duas horas e meia serviu somente para confundir com ainda mais mistérios a cabeça do perplexo e atormentado telespectador.
Creio que o que me fez assistir a todos os capítulos foi a Evangeline Lilly - a Kate - que, no final, surgiu ainda mais linda, sensualíssima, espantosamente sexy. Foi um presente dos produtores em retribuição à paciência de quem assistiu a série.
Fica para os aficionados da SENA um dos mistérios não revelados: a série de números – 4, 8, 15, 16, 23, 42 - com que Hurley ganhou um prêmio milionário antes de cair na ilha e que depois apareceu inscrita em uma das locações do Projeto DHARMA (que projeto foi esse, meu Deus?).

segunda-feira, 24 de maio de 2010

À ESPERA DE UM MILAGRE

Ele já quis a continuidade em 2002. Em 2010, ele quer a mudança. José Serra está sempre na contra-mão do povo. Esse povo que, segundo o diretor do IBOPE, estava cansado do PT e que sua candidata jamais ultrapassaria 20% nas pesquisas. Agora que o DataFolha decidiu confirmar as pesquisas realizadas pelo Vox Populi e pelo Sensus, somente lhe resta esperar por um milagre, pois, após a Copa, Lula entra de fato na campanha eleitoral.
Diante disso, tenho sugestões de dez milagres para dar um alento ao candidato da oposição:
  1. O Brasil é eliminado logo na primeira fase da Copa causando imensa comoção no eleitor que decide anular o voto;
  2. Aécio Neves finalmente decide ser o candidato a vice-presidente na chapa de Serra;
  3. Dilma Roussef renuncia a sua candidatura como Serra fez em 2006;
  4. Lula sai na porrada com a Dilma e retira seu apoio;
  5. Dilma renega seu passado, lambe as botas dos generais e fica proibida de entrar nos Estados Unidos como um gabeira qualquer;
  6. Como Garotinho, Dilma faz greve de fome devido à perseguição da mídia por suas posições cristãs e éticas;
  7. Dilma vai a programa de TV e confessa desconhecer, como um garotinho, que a fórmula da água é H2O;
  8. Dilma Roussef recebe o apoio de Fernando Henrique Cardoso;
  9. DataFolha frauda nova pesquisa e mostra Serra 12 pontos à frente;
10. O TSE cassa a candidatura da Dilma por propaganda antecipada.
É claro que outros milagres poderão acontecer e Dilma ser derrotada.
Você tem alguma sugestão? Por exemplo, Marina Silva diz finalmente a que veio: dividir o voto feminino para dar a vitória a Serra. Este, porém, é um "milagre de dois gumes" que poderá favorecer a Dilma.

domingo, 23 de maio de 2010

MARINA SILVA

A mulher que queira ser presidente do meu país tem que ser, em primeiro lugar, bonita. Tem que ter a beleza da Cristina Kirschner, presidente da Argentina. Uma beleza que impõe respeito e autoridade moral e causa simpatia e admiração nos homens e nas mulheres. Como disse o poeta: beleza é fundamental. E não venham me falar em beleza interior como se as belas não a tivessem.

A mulher que queira ser presidente do meu país tem que ter história para contar. Como a Michelle Bachelet – socialista histórica e ex-presidente do Chile – cujo pai, general da força aérea, foi torturado e assassinado pela ditadura de Pinochet e, depois, foi presa e torturada junto com a mãe por lutar pela volta da democracia. Após um ano de reclusão, viveu exilada na Austrália e Alemanha.
A mulher que queira ser presidente do meu país tem que ser destemida, guerreira, determinada como Angela Merkel, a atual chanceler alemã que sabe impor suas idéias e a sua liderança frente aos líderes do mercado comum europeu. É a primeira mulher a presidir um governo na história da Alemanha e o faz com toda a autoridade e respeitada mundialmente.
A mulher que queira ser presidente do meu país tem que ter pulso firme, tem que ser enérgica, austera e parecer forte como a Dama de Ferro – Margaret Thatcher – que foi primeira ministra do Reino Unido durante dez anos. Foi até considerada "O homem forte do Reino Unido", por Ronald Reagan, na época, presidente dos EEUU.
Se eu tenho uma mulher que quer ser a presidente do meu país e que reúne essas qualidades, por que dispersar o voto com aquela que pode ser, porém, não parece que é? Não basta ser, tem que parecer ser.
Como posso votar numa mulher com aquelas estranhas sobrancelhas que lhe dão um semblante tão tristonho e sofredor? Como posso imaginar que ela, tão esmirradinha, saberá impor a sua autoridade ao mundo e sobre os tubarões que vão rodeá-la?
Quem, em sã consciência, pode acreditar que essa mulher de um só discurso possa ter a inteligência e a capacidade que dizem ter? 
Uma mulher que se permite ser manipulada como ela está sendo, mais parece uma amélia muito carente e submissa que apanha do marido.