As disputas de gladiadores que terminavam em morte eram um fato normal da vida cotidiana. Os combates entre gladiadores eram frequentes e se difundiram por todo o império romano.
Nos anfiteatros eram expostos, para serem supliciados, os bárbaros vencidos, inimigos que se haviam insurgido contra a ordem romana. Cristãos, eram jogados às feras.
Tribunais da Igreja Católica – o Santo Ofício ou Inquisição – perseguiam, julgavam e puniam os acusados de heresia que eram denunciados anonimamente. A tortura era autorizada pelo Papa para arrancar confissões e os condenados eram entregues às autoridades do poder constituído para serem punidos.
A higiene em si era uma causa de suspeita e tomar banho era visto como uma prova de abandono da fé cristã. "O acusado era conhecido por tomar banho" é uma frase comum nos registros da Inquisição, para cujos “juízes” as pessoas limpas não precisavam se lavar.
O alvo principal do Santo Ofício eram os judeus. Depois, porém, ampliou a lista de perseguidos com os protestantes e iluministas, homossexuais e bígamos.
O condenado era muitas vezes responsabilizado por tudo de ruim que acontecesse: terremotos, pestes, epidemia de doenças, miséria social, etc.
As punições incluíam a morte na fogueira, a prisão perpétua e o confisco de bens. Esta punição transformou a Inquisição numa atividade altamente rentável para os cofres da Igreja Católica.
Os tribunais da Inquisição foram mais cruéis na Espanha e em Portugal.
O Brasil nunca chegou a ter um tribunal desses, mas emissários da Inquisição estiveram por aqui. Calcula-se que 400 brasileiros foram condenados e 21 queimados em Lisboa, para onde eram mandados os casos mais graves.
Hoje, vivemos a Idade Mídia com as mesmas atrocidades, crueldade e a barbárie. Os acusadores, porém, contam com a tecnologia - a imprensa, o WhatsApp e as redes sociais - para difundir e compartilhar as denúncias, boatos, muitas histórias falsas e farsas virtuais.
A mídia - nossa atual inquisição - acata a denúncia, acusa, julga e condena, mesmo sem provas. Estimula a barbárie com o UFC, as lutas de MMA e seus modernos gladiadores.
Alguns blogs reproduzem as denúncias vazias outros as inventam.
A humanidade, todos sabemos, nunca prestou. E, agora, multiplica a potencialidade de sua maldade através da mídia, julgando-se paladinos da justiça.
Ao mesmo tempo em que vivem a divulgar mensagens religiosas ou de auto-ajuda, promovem uma epidemia de crimes contra a honra – o estupro virtual - que deprecia moralmente a vítima.
A infundada suspeita e acusação contra a vítima é atitude normal e irresponsável de toda a mídia que tem como alvo principal os políticos. Por que não seria também daqueles que são por ela influenciados?
Enquanto assistimos a violência crescente da Idade Mídia, programas diários de TV, rádios inteiramente dedicadas a doutrinas cristãs, imensas catedrais, templos em cada esquina, pastores clamando nas ruas, nos levam de volta àquela religiosidade da Idade Média.