“Jornalista ouve mais censura dos seus donos do que do governo” – disse Lula no programa Canal Livre da Bandeirantes, no último domingo.
Os cinco tarimbados vestais do jornalismo brasileiro que o entrevistaram ficaram calados, não reagiram.
E Lula foi irônico: “Ô Bóris, um "homem democrata” como você, não pode ter medo do debate democrático. O tempo em que as coisas eram decididas num gabinete por um homem de roupa verde acabou, Bóris”... “eu não tenho mais problema de preconceito”... “eu sou o resultado da liberdade de imprensa”...“só existem três setores que podem controlar a imprensa: na TV, o telespectador; no rádio, o ouvinte; no jornal, o leitor”.
Foi um desempenho surpreendente para quem pensa que o Lula é apenas um operário sem cultura. Os arautos do preconceito tentaram imprensar o presidente com os ataques medíocres veiculados pelo partido da imprensa oposicionista, todos eles enfrentados com galhardia, facilidade e inteligência pelo entrevistado.
Eu digo partido da imprensa oposicionista porque a presidente da Associação Nacional dos Jornais - Maria Judith Brito - também diretora-superintendente da Empresa Folha da Manhã S.A. que edita a Folha de São Paulo, afirmou, segundo o jornal O Globo, que:
“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo”.
Quanta mediocridade, heim! Confessou a parcialidade do jornalismo anti-Lula que é comandado pelos seus donos, agindo como policiais, promotores e juízes, denunciando, julgando e condenando qualquer um.
Os jornalistas e seus donos, porém, acusam o governo de ameaçar a liberdade de uma imprensa que faz questão de se dizer independente, apartidária, plural, neutra, objetiva, isenta, que se limita apenas a apurar e publicar fatos.
É como disse Joseph Pulitzer (1847-1911), aquele que dá o nome ao mais importante prêmio americano de jornalismo: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.
Esse partido da imprensa oposicionista vem panfletando, diuturnamente, há anos, promovendo seu candidato e atacando o adversário com a maior cara de pau. Como partido, agora declarado, deveria ser punido por propaganda eleitoral antecipada. O TSE deveria exigir dele o cumprimento da legislação eleitoral.
O mais importante de tudo é que dessa vez ficou claro: o jornalismo brasileiro é a voz do dono. Com exceção, claro, do jornalismo de Mangaratiba. Aqui não é a voz do dono, é a voz de quem compra espaço no jornal.
N.R.: Esse texto contém algumas “lambidinhas” que dei no Balaio do Kotscho e no blog Cidadania.
Se quiser assistir todo o Canal Livre, clique aqui .
quarta-feira, 7 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
PISADA NA BOLA
Na verdade, foi um tremendo pisão. Um golpe cruel na convivência harmoniosa da sociedade cristã que demonstra até que ponto pode chegar a intolerância religiosa. Um vexame fundamentalista em plena semana santa.
Convidados pela diretoria e pelo patrocinador do clube para distribuir 600 ovos de páscoa e alegrar as crianças e adolescentes com paralisia cerebral internadas em uma instituição, eles toparam.
Chegando ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, em Santos (foto), Robinho, Neymar, Ganso, André e outros recusaram-se a entrar por questão religiosa. Mesmo com a insistência de diretores e do técnico Dorival Junior, eles permaneceram no ônibus que os levou.
"A intenção da diretoria era mostrar as dificuldades com as quais uma casa de fraternidade trabalha. E, mesmo assim, eles conseguem manter um número ímpar de voluntários, pessoas do bem, que procuram ajudar ao próximo. Por isso, digo que respeito a posição dos atletas, mas não comungo com essa postura. Acho que quando digo que respeito a posição deles digo tudo o que eu penso sobre essa situação" - ponderou o técnico Dorival.
Depois, em entrevista à TV Bandeirantes, Robinho explicou:
“Só ficamos sabendo quando chegamos ao local que se tratava de um ambiente espírita. Cada jogador tomou a atitude que achou conveniente movido pela religiosidade de cada um. Acho que a religião de cada um precisa ser respeitada”.
Neymar disse o seguinte:
“Fiquei sabendo dos rituais religiosos realizados no local somente quando cheguei lá. Tomei essa atitude porque tinha receio de não me sentir bem".
“Ah! Eles são jovens ainda, não têm discernimento” – dirão os paternalistas que me leem.
Pô! Então, fraternidade depende da crença religiosa de cada um. Nem entre árabes e judeus que, no Brasil, convivem em perfeita harmonia. Eu também fui jovem e me lembro muito bem, havia o respeito de que falaram Robinho e o técnico do time.
Hoje, em vez desse respeito à liberdade de consciência e de crença religiosa existem os pastores que se dizem “evangélicos” e atribuem características demoníacas e influências maléficas à doutrina espírita, demonizando os seus adeptos.
E fazem a cabeça de jovens imbecis que sabem jogar bola, mas não sabem de mais nada.
P.S.: Diante da repercussão do fato, Neymar prometeu reparar o erro: "Estou arrependido de não ter entrado. Gostaria de pedir desculpa aos internos do Lar pelo que aconteceu. Conversei com o meu pai e pretendo voltar lá para visitar o pessoal".
Fico pensando: o que dirá, então, o pastor da sua igreja? Ficará satisfeito com a reparação?
Convidados pela diretoria e pelo patrocinador do clube para distribuir 600 ovos de páscoa e alegrar as crianças e adolescentes com paralisia cerebral internadas em uma instituição, eles toparam.
Chegando ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, em Santos (foto), Robinho, Neymar, Ganso, André e outros recusaram-se a entrar por questão religiosa. Mesmo com a insistência de diretores e do técnico Dorival Junior, eles permaneceram no ônibus que os levou.
"A intenção da diretoria era mostrar as dificuldades com as quais uma casa de fraternidade trabalha. E, mesmo assim, eles conseguem manter um número ímpar de voluntários, pessoas do bem, que procuram ajudar ao próximo. Por isso, digo que respeito a posição dos atletas, mas não comungo com essa postura. Acho que quando digo que respeito a posição deles digo tudo o que eu penso sobre essa situação" - ponderou o técnico Dorival.
Depois, em entrevista à TV Bandeirantes, Robinho explicou:
“Só ficamos sabendo quando chegamos ao local que se tratava de um ambiente espírita. Cada jogador tomou a atitude que achou conveniente movido pela religiosidade de cada um. Acho que a religião de cada um precisa ser respeitada”.
Neymar disse o seguinte:
“Fiquei sabendo dos rituais religiosos realizados no local somente quando cheguei lá. Tomei essa atitude porque tinha receio de não me sentir bem".
“Ah! Eles são jovens ainda, não têm discernimento” – dirão os paternalistas que me leem.
Pô! Então, fraternidade depende da crença religiosa de cada um. Nem entre árabes e judeus que, no Brasil, convivem em perfeita harmonia. Eu também fui jovem e me lembro muito bem, havia o respeito de que falaram Robinho e o técnico do time.
Hoje, em vez desse respeito à liberdade de consciência e de crença religiosa existem os pastores que se dizem “evangélicos” e atribuem características demoníacas e influências maléficas à doutrina espírita, demonizando os seus adeptos.
E fazem a cabeça de jovens imbecis que sabem jogar bola, mas não sabem de mais nada.
P.S.: Diante da repercussão do fato, Neymar prometeu reparar o erro: "Estou arrependido de não ter entrado. Gostaria de pedir desculpa aos internos do Lar pelo que aconteceu. Conversei com o meu pai e pretendo voltar lá para visitar o pessoal".
Fico pensando: o que dirá, então, o pastor da sua igreja? Ficará satisfeito com a reparação?
TEMPESTADE NO CERRADO
Mauro Carrara – paulista, 71 anos, jornalista renomado – fez a denúncia e pediu que os blogueiros de mente honesta, aberta e articulada deem sua contribuição à defesa da democracia e da verdade, reproduzindo-a.
Foi no blog do Luiz Carlos Azenha – Vi o Mundo, o que você não vê na mídia (clique aqui) – que Carrara publicou originalmente o texto abaixo com a denúncia.
Foi no blog do Luiz Carlos Azenha – Vi o Mundo, o que você não vê na mídia (clique aqui) – que Carrara publicou originalmente o texto abaixo com a denúncia.
“Tempestade no Cerrado” é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.N.R.: Hoaxes são pulhas virtuais: boatos, lendas, falsos vírus, mentiras e meias verdades.
A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores. A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.
As conversas tensas nos “aquários” do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.
1) Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.
2) Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.
3) Ressuscitar o caso “mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.
4) Elevar o tom de voz nos editoriais.
5) Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “CENSURA” à livre manifestação do pensamento.
6) Selecionar dados supostamente negativos na economia e isolá-los do contexto.
7) Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.
8) Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.
Parte dessa estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral. É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.
A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo. Almeida escreveu Por que Lula? e A Cabeça do Brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.
As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.
● Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.
● Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.
● Criam deturpações numéricas. A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso. Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas. O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis. Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.
● A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses. A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.
● Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena. É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90. Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia. É o caso da “bomba” requentada neste mês de março.
● Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores. Três deles merecem destaque:
1) O “Bolsa Bandido” ou auxílio-reclusão. Refere-se a uma lei aprovada há mais de 50 anos e que foi mantida na Constituição de 1988 e foi regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.
2) Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.
3) O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.
Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade reproduzindo este texto."
sexta-feira, 2 de abril de 2010
PRIMEIRO DE ABRIL
É uma data que desde o império romano foi comemorada com piadas e brincadeiras.
Infelizmente, há 46 anos, o 1º de abril coincidiu com a implantação do terror em nosso país. Depois disso, essa data foi perdendo o vigor entre nós brasileiros. Mas, deixa isso p´ra lá. Falei sobre isso ontem. Hoje, quero lembrar de outros “primeiros de abris”.
Se você, ontem, caiu em alguma reminiscência de primeiro de abril, não fique chateado(a). Acontece... Quem já não caiu em brincadeiras inocentes nessa data?
A revista Veja, por exemplo, caiu ridiculamente numa barriga absurda na edição de 27 de abril de 1983. Foi a estória do “boimate”. Veja publicou reportagem, como se fosse verdade, anunciando uma nova e maravilhosa arma contra a fome, a partir de uma brincadeira de 1º de abril da revista New Scientist (leia acima - clique nela para ampliar - ou confirme aqui ).
“Num ousado avanço da biologia molecular, dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais com células vegetais - as de um tomateiro com as de um boi. Deu certo” – disse a reportagem.
Há bem menos tempo, o colunista Carlos Chagas inventou a ONG Amigos de Plutão em defesa do planeta. Aconteceu em abril de 2006, quando os cientistas astronômicos determinaram que plutão não mais poderia ser considerado um planeta. O jornalista escreveu ainda que a nova ONG iria receber sete milhões e meio do governo federal para a sua implantação.
Um estúpido senador – Heráclito Fortes – em seu furor oposicionista e na ânsia de combater o Lula, fez um discurso irracional na tribuna do senado (veja o vídeo abaixo).
O senador bochechudo e boca mole acreditou no primeiro de abril, passou a maior vergonha entre seus pares e foi motivo de gozação na imprensa na época. O colunista morreu de rir.
Portanto, se você caiu em alguma brincadeira de primeiro de abril, não se perturbe. Embora, você esteja muito mal acompanhado.
Agora, falando sério, cuidado com o que você bebe. Não beba demais. Toda e qualquer bebida, sem exceção, contém monóxido de dihidrogênio, uma substância que mata e que causou muitos transtornos no verão passado.
Infelizmente, há 46 anos, o 1º de abril coincidiu com a implantação do terror em nosso país. Depois disso, essa data foi perdendo o vigor entre nós brasileiros. Mas, deixa isso p´ra lá. Falei sobre isso ontem. Hoje, quero lembrar de outros “primeiros de abris”.
Se você, ontem, caiu em alguma reminiscência de primeiro de abril, não fique chateado(a). Acontece... Quem já não caiu em brincadeiras inocentes nessa data?
A revista Veja, por exemplo, caiu ridiculamente numa barriga absurda na edição de 27 de abril de 1983. Foi a estória do “boimate”. Veja publicou reportagem, como se fosse verdade, anunciando uma nova e maravilhosa arma contra a fome, a partir de uma brincadeira de 1º de abril da revista New Scientist (leia acima - clique nela para ampliar - ou confirme aqui ).
“Num ousado avanço da biologia molecular, dois biólogos de Hamburgo, na Alemanha, fundiram pela primeira vez células animais com células vegetais - as de um tomateiro com as de um boi. Deu certo” – disse a reportagem.
Há bem menos tempo, o colunista Carlos Chagas inventou a ONG Amigos de Plutão em defesa do planeta. Aconteceu em abril de 2006, quando os cientistas astronômicos determinaram que plutão não mais poderia ser considerado um planeta. O jornalista escreveu ainda que a nova ONG iria receber sete milhões e meio do governo federal para a sua implantação.
Um estúpido senador – Heráclito Fortes – em seu furor oposicionista e na ânsia de combater o Lula, fez um discurso irracional na tribuna do senado (veja o vídeo abaixo).
O senador bochechudo e boca mole acreditou no primeiro de abril, passou a maior vergonha entre seus pares e foi motivo de gozação na imprensa na época. O colunista morreu de rir.
Portanto, se você caiu em alguma brincadeira de primeiro de abril, não se perturbe. Embora, você esteja muito mal acompanhado.
Agora, falando sério, cuidado com o que você bebe. Não beba demais. Toda e qualquer bebida, sem exceção, contém monóxido de dihidrogênio, uma substância que mata e que causou muitos transtornos no verão passado.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
"LUTA, SUBSTANTIVO FEMININO"
Continuando a falar de leitura obrigatória, foi lançado esta semana na PUC de São Paulo um livro com a história de 45 mulheres mortas ou desaparecidas durante o buraco negro da ditadura militar. O que veio a seguir àquele fatídico 1º de abril é lembrado no livro por 27 mulheres que foram presas, torturadas, violentadas, estupradas e sobreviveram ao holocausto.
“Luta, Substantivo Feminino” deve ser leitura obrigatória para todos, não só para os alunos do ensino médio.
Alguns depoimentos dessas mulheres – estudantes, professoras, jornalistas, donas de casa, bancárias, assistentes sociais, algumas grávidas, outras amamentando – vão, em parte, abaixo reproduzidos.
● Rose Nogueira, jornalista, presa em 1969, em São Paulo, onde vive hoje:
“Sobe depressa, Miss Brasil, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os 40 dias do parto. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (o delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’”.
● Izabel Fávero, professora, presa em 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife, onde é docente universitária:
“Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar”.
● Hecilda Fontelles Veiga, estudante de Ciências Sociais, presa em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará:
“Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. (…) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.
● Yara Spadini, assistente social presa em 1971, em São Paulo. Hoje, vive na mesma cidade, onde é professora aposentada da PUC:
“Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala de tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.
● Inês Etienne Romeu, bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte:
“Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo ‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros”.
● Ignez Maria Raminger, estudante de Medicina Veterinária presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria de Saúde:
“Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. E eu fui muito torturada, juntamente com o Gustavo [Buarque Schiller], porque descobriram que era meu companheiro”.
● Dilea Frate, estudante de Jornalismo presa em 1975, em São Paulo. Hoje, vive no Rio de Janeiro, onde é jornalista e escritora:
“Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”.
● Cecília Coimbra, estudante de Psicologia presa em 1970, no Rio. Hoje, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e professora de Psicologia da Universidade Federal Fluminense:
“Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minha fragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. ‘Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo… Eu não estou aqui…’, pensei. Vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados”.
● Maria Amélia de Almeida Teles, professora de educação artística presa em 1972, em São Paulo. Hoje é diretora da União de Mulheres de São Paulo:
“Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.
Talvez um dia, quem sabe, a Dilma Roussef também nos conte o que sofreu nos porões da ditadura.
E ainda existe gente – gente? – imbecil e sem memória que sente saudade daquele tempo.
Gente cretina e estúpida que não suporta ver, no presente, um Brasil muito melhor, pujante, respeitado mundialmente, em desenvolvimento e plena democracia. Um Brasil sem dedurismo, sem prisóes, sem explosões, sem tortura e sem a mordaça verde-oliva.
Torturadores aposentados como os que mataram o jornalista Wladimir Herzog dirão que tudo isso é mentira. A foto acima é dele morto na prisão. Os torturadores afirmaram que ele próprio enforcou-se. Isso, sim, foi mentira. Quem pode acreditar em um suicida que se enforcou com os joelhos dobrados e os pés no chão?
“Luta, Substantivo Feminino” deve ser leitura obrigatória para todos, não só para os alunos do ensino médio.
Alguns depoimentos dessas mulheres – estudantes, professoras, jornalistas, donas de casa, bancárias, assistentes sociais, algumas grávidas, outras amamentando – vão, em parte, abaixo reproduzidos.
● Rose Nogueira, jornalista, presa em 1969, em São Paulo, onde vive hoje:
“Sobe depressa, Miss Brasil, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os 40 dias do parto. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (o delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’”.
● Izabel Fávero, professora, presa em 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife, onde é docente universitária:
“Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar”.
● Hecilda Fontelles Veiga, estudante de Ciências Sociais, presa em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará:
“Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. (…) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.
● Yara Spadini, assistente social presa em 1971, em São Paulo. Hoje, vive na mesma cidade, onde é professora aposentada da PUC:
“Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala de tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.
● Inês Etienne Romeu, bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte:
“Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo ‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros”.
● Ignez Maria Raminger, estudante de Medicina Veterinária presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria de Saúde:
“Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. E eu fui muito torturada, juntamente com o Gustavo [Buarque Schiller], porque descobriram que era meu companheiro”.
● Dilea Frate, estudante de Jornalismo presa em 1975, em São Paulo. Hoje, vive no Rio de Janeiro, onde é jornalista e escritora:
“Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”.
● Cecília Coimbra, estudante de Psicologia presa em 1970, no Rio. Hoje, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e professora de Psicologia da Universidade Federal Fluminense:
“Os guardas que me levavam, frequentemente encapuzada, percebiam minha fragilidade e constantemente praticavam vários abusos sexuais contra mim. Os choques elétricos no meu corpo nu e molhado eram cada vez mais intensos. Me senti desintegrar: a bexiga e os esfíncteres sem nenhum controle. ‘Isso não pode estar acontecendo: é um pesadelo… Eu não estou aqui…’, pensei. Vi meus três irmãos no DOI-Codi/RJ. Sem nenhuma militância política, foram sequestrados em suas casas, presos e torturados”.
● Maria Amélia de Almeida Teles, professora de educação artística presa em 1972, em São Paulo. Hoje é diretora da União de Mulheres de São Paulo:
“Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.
Talvez um dia, quem sabe, a Dilma Roussef também nos conte o que sofreu nos porões da ditadura.
E ainda existe gente – gente? – imbecil e sem memória que sente saudade daquele tempo.
Gente cretina e estúpida que não suporta ver, no presente, um Brasil muito melhor, pujante, respeitado mundialmente, em desenvolvimento e plena democracia. Um Brasil sem dedurismo, sem prisóes, sem explosões, sem tortura e sem a mordaça verde-oliva.
Torturadores aposentados como os que mataram o jornalista Wladimir Herzog dirão que tudo isso é mentira. A foto acima é dele morto na prisão. Os torturadores afirmaram que ele próprio enforcou-se. Isso, sim, foi mentira. Quem pode acreditar em um suicida que se enforcou com os joelhos dobrados e os pés no chão?
quarta-feira, 31 de março de 2010
LEITURA OBRIGATÓRIA
Quando escrevi aqui sobre isso, ninguém ligou (ver ICONOCLASTIA e, também, LITERATURA PRESTA DESSERVIÇO À LEITURA, em setembro/08). Nenhum comentário recebi. Nem contra, nem a favor.
Mas, agora, foi Zuenir Ventura quem falou e, logo, O Globo abriu espaço para discutir o assunto: se os livros indicados pelas escolas como leitura obrigatória são culpados pelo desinteresse dos alunos pela leitura.
E quando um grande jornal abre espaço para discutir um tema - fingindo imparcialidade - é porque concorda com ele.
Zuenir levantou o debate com a pergunta: “a leitura obrigatória de clássicos, como "Iracema" ou "Senhora", é capaz de incentivar um aluno a ler ou vai afastá-lo da literatura?”
No mês passado, sua coluna em O Globo levou o seguinte título: "Como (não) formar leitores", na qual o escritor e jornalista Zuenir Ventura criticou uma lista de livros cobrados no ensino médio por uma escola que incluía obras "de discutível qualidade estética ou literariamente datadas" como "Senhora" e "Iracema". Questionou se não seria mais interessante adotar autores mais palatáveis como Fernando Sabino e Rubem Braga.
Diante dos comentários que recebeu de professores, Zuenir esclareceu que não é contra os clássicos. “Lê-los e relê-los é fundamental. Mas tentar impor a um leitor iniciante Lima Barreto e, até mesmo Machado de Assis, é querer afastá-lo do prazer da leitura. Primeiro é preciso dar textos mais agradáveis para, depois, aumentar o nível de complexidade” - disse Zuenir Ventura.
Foi o que afirmei neste blog quando disse que “o texto e o estilo de Machado de Assis estão completamente ultrapassados. E ninguém tem a coragem de dizer. Atualmente, após cem anos de sua morte, colégios e professores ainda indicam Machado de Assis como leitura obrigatória. Talvez, por isso, os estudantes, em sua maioria, não adquirem o salutar hábito da leitura.”
O Globo entrevistou alunos e relacionou os livros cobrados como leitura obrigatória em alguns colégios do Rio de Janeiro. Vejo que o São Bento continua cobrando a leitura de Machado de Assis, mas em compensação exige a leitura de Jorge Amado, Graciliano Ramos e Clarice Lispector.
Para mim, a melhor lista de livros obrigatórios é a do Pedro II que inclui autores como Mário de Andrade, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Dias Gomes, Guarnieri, Chico Buarque/Ruy Guerra/Paulo Pontes, Rubem Fonseca e até Kafka.
Isso é que é leitura obrigatória, embora também incluam Machado de Assis e José de Alencar.
Entre as opiniões dos alunos, destaco a de Luiz Fernando Magalhães, de 16 anos, fã de Dan Brown (autor de O Código Da Vinci, Anjos e Demônios, O Símbolo Perdido): “Vamos ter que ler "Dom Casmurro". Vai ser tenso. Machado de Assis não deveria ser cobrado. Tinham que ver nosso interesse e explorá-lo. Prefiro ficção.”
Não sei o que é exigido nas escolas de Mangaratiba, mas, com certeza, “Dom Casmurro” está entre os livros de leitura obrigatória.
E os alunos daqui continuarão a dizer: “não tenho saco pra ler.”
Mas, agora, foi Zuenir Ventura quem falou e, logo, O Globo abriu espaço para discutir o assunto: se os livros indicados pelas escolas como leitura obrigatória são culpados pelo desinteresse dos alunos pela leitura.
E quando um grande jornal abre espaço para discutir um tema - fingindo imparcialidade - é porque concorda com ele.
Zuenir levantou o debate com a pergunta: “a leitura obrigatória de clássicos, como "Iracema" ou "Senhora", é capaz de incentivar um aluno a ler ou vai afastá-lo da literatura?”
No mês passado, sua coluna em O Globo levou o seguinte título: "Como (não) formar leitores", na qual o escritor e jornalista Zuenir Ventura criticou uma lista de livros cobrados no ensino médio por uma escola que incluía obras "de discutível qualidade estética ou literariamente datadas" como "Senhora" e "Iracema". Questionou se não seria mais interessante adotar autores mais palatáveis como Fernando Sabino e Rubem Braga.
Diante dos comentários que recebeu de professores, Zuenir esclareceu que não é contra os clássicos. “Lê-los e relê-los é fundamental. Mas tentar impor a um leitor iniciante Lima Barreto e, até mesmo Machado de Assis, é querer afastá-lo do prazer da leitura. Primeiro é preciso dar textos mais agradáveis para, depois, aumentar o nível de complexidade” - disse Zuenir Ventura.
Foi o que afirmei neste blog quando disse que “o texto e o estilo de Machado de Assis estão completamente ultrapassados. E ninguém tem a coragem de dizer. Atualmente, após cem anos de sua morte, colégios e professores ainda indicam Machado de Assis como leitura obrigatória. Talvez, por isso, os estudantes, em sua maioria, não adquirem o salutar hábito da leitura.”
O Globo entrevistou alunos e relacionou os livros cobrados como leitura obrigatória em alguns colégios do Rio de Janeiro. Vejo que o São Bento continua cobrando a leitura de Machado de Assis, mas em compensação exige a leitura de Jorge Amado, Graciliano Ramos e Clarice Lispector.
Para mim, a melhor lista de livros obrigatórios é a do Pedro II que inclui autores como Mário de Andrade, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Dias Gomes, Guarnieri, Chico Buarque/Ruy Guerra/Paulo Pontes, Rubem Fonseca e até Kafka.
Isso é que é leitura obrigatória, embora também incluam Machado de Assis e José de Alencar.
Entre as opiniões dos alunos, destaco a de Luiz Fernando Magalhães, de 16 anos, fã de Dan Brown (autor de O Código Da Vinci, Anjos e Demônios, O Símbolo Perdido): “Vamos ter que ler "Dom Casmurro". Vai ser tenso. Machado de Assis não deveria ser cobrado. Tinham que ver nosso interesse e explorá-lo. Prefiro ficção.”
Não sei o que é exigido nas escolas de Mangaratiba, mas, com certeza, “Dom Casmurro” está entre os livros de leitura obrigatória.
E os alunos daqui continuarão a dizer: “não tenho saco pra ler.”
segunda-feira, 29 de março de 2010
TRIBUNAL DO JÚRI
No Brasil, compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes dolosos contra a vida consumados ou tentados: o homicídio doloso, simples, privilegiado ou qualificado; o induzimento, instigação ou auxílio a suicídio; o infanticídio; o aborto provocado pela gestante ou por outro com o seu consentimento. O latrocínio e o seqüestro com morte são da competência exclusiva do juiz e não do Tribunal do Júri.
O Conselho de Sentença será constituído, em cada sessão de julgamento, de apenas sete jurados com mais de 21 e menos de 60 anos, com notória idoneidade e cidadania brasileira.
Após todos os procedimentos prévios com a apresentação das evidências e inquiridas as testemunhas e os réus, acusação e defesa terão a palavra para os seus libelos com réplica e tréplica se assim desejarem.
Depois de tudo, o juiz lerá os quesitos que serão postos em votação na sala secreta e declara encerrados os debates. O juiz convida os jurados, escrivão, oficiais de Justiça, promotoria e defesa a se dirigirem com ele à sala secreta. Como se vê, a sala não é tão secreta assim.
Lá, distribui-se a cada jurado uma cédula "sim" e uma cédula "não"; o juiz lê o quesito a ser votado; o oficial de justiça recolhe o voto de cada um em uma urna; faz-se a conferência se há sete votos na urna e conta-se e anuncia-se o resultado. E repete-se a operação para cada quesito elaborado pelo juiz.
Os jurados não podem ficar juntos e isolados nem discutir o processo nem tirar dúvidas entre si. Aliás, eles nunca poderão nem conversar um com o outro. E terão que dar uma resposta maniqueísta aos quesitos. Quer saber mais? Clique aqui ou aqui ou aqui .
Parece algo medieval diante do processo americano. Lá, são 12 jurados que, após todo o processo, ficarão isolados - em sala secreta mesmo - pelo tempo que for necessário, discutindo entre si, para chegar a um veredicto final por unanimidade. Se apenas um votar pela absolvição, isto é, se não for convencido pelos outros onze que votam pela condenação, o réu será absolvido. Ou vice-versa.
E se o júri não conseguir chegar a um veredicto, o julgamento será anulado. E outro julgamento será realizado.
Será também realizado um novo julgamento se o juiz considerar que o veredicto foi absolutamente contrário às provas dos autos. Isto evitará que um jurado – apenas um – seja subornado e, dessa forma, responsável pela absolvição do réu.
É um processo de julgamento muito mais racional para aplicar penas muito rigorosas que vão até a prisão perpétua.
Aqui, onde a pena máxima é de trinta anos e o condenado estará livre após, no máximo, doze anos de reclusão, contentamo-nos em responder sim ou não a perguntas capciosas como “O crime foi cometido de forma cruel?
O Conselho de Sentença será constituído, em cada sessão de julgamento, de apenas sete jurados com mais de 21 e menos de 60 anos, com notória idoneidade e cidadania brasileira.
Após todos os procedimentos prévios com a apresentação das evidências e inquiridas as testemunhas e os réus, acusação e defesa terão a palavra para os seus libelos com réplica e tréplica se assim desejarem.
Depois de tudo, o juiz lerá os quesitos que serão postos em votação na sala secreta e declara encerrados os debates. O juiz convida os jurados, escrivão, oficiais de Justiça, promotoria e defesa a se dirigirem com ele à sala secreta. Como se vê, a sala não é tão secreta assim.
Lá, distribui-se a cada jurado uma cédula "sim" e uma cédula "não"; o juiz lê o quesito a ser votado; o oficial de justiça recolhe o voto de cada um em uma urna; faz-se a conferência se há sete votos na urna e conta-se e anuncia-se o resultado. E repete-se a operação para cada quesito elaborado pelo juiz.
Os jurados não podem ficar juntos e isolados nem discutir o processo nem tirar dúvidas entre si. Aliás, eles nunca poderão nem conversar um com o outro. E terão que dar uma resposta maniqueísta aos quesitos. Quer saber mais? Clique aqui ou aqui ou aqui .
Parece algo medieval diante do processo americano. Lá, são 12 jurados que, após todo o processo, ficarão isolados - em sala secreta mesmo - pelo tempo que for necessário, discutindo entre si, para chegar a um veredicto final por unanimidade. Se apenas um votar pela absolvição, isto é, se não for convencido pelos outros onze que votam pela condenação, o réu será absolvido. Ou vice-versa.
E se o júri não conseguir chegar a um veredicto, o julgamento será anulado. E outro julgamento será realizado.
Será também realizado um novo julgamento se o juiz considerar que o veredicto foi absolutamente contrário às provas dos autos. Isto evitará que um jurado – apenas um – seja subornado e, dessa forma, responsável pela absolvição do réu.
É um processo de julgamento muito mais racional para aplicar penas muito rigorosas que vão até a prisão perpétua.
Aqui, onde a pena máxima é de trinta anos e o condenado estará livre após, no máximo, doze anos de reclusão, contentamo-nos em responder sim ou não a perguntas capciosas como “O crime foi cometido de forma cruel?
domingo, 28 de março de 2010
NARDONI: AS PERGUNTAS DO JUIZ
Encerrado o debate entre a promotoria e a defesa, os sete jurados - quatro mulheres e três homens - reuniram-se, em sala secreta onde receberam perguntas, elaboradas pelo juiz Maurício Fossen, sobre o crime de homicídio triplamente qualificado e sobre fraude processual por terem tentado alterar a cena do crime.
Resolvi responder as perguntas, algumas delas repetitivas e sem qualquer racionalidade. Outras facciosas que conduziram os jurados para a condenação dos réus.
1) Ela (Isabella) foi lançada pela janela? Não sei, pode ter-se jogado.
2) Alexandre deixou de socorrê-la durante a esganadura? Não sei. Somente eles - o pai e a madrasta - podem saber.
3) Foi ele que a jogou desmaiada pela janela? Talvez, sim. Talvez, não.
4) O jurado absolve o réu? Sim, porque não há evidências convincentes do crime.
5) O crime foi cometido de forma cruel? Não sei se houve crime. Pergunta facciosíssima.
6) Houve emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima durante a esganadura? Não. Como uma menina de 5 anos pode se defender de dois adultos?
7) E no lançamento pela janela? Mesma resposta.
8) O crime foi cometido para esconder a esganadura? Respondo com outra pergunta: como esconder as marcas da esganadura?
9) O crime foi cometido contra menor de 14 anos? Pô! a resposta é óbvia, a menina tinha 5 aninhos.
10) Mexeram no local do crime? Sim. Como evitar?
11) Eles lavaram a roupa para impedir a coleta de provas? Se encontraram marcas da grade plástica na camisa do pai, é claro que não.
12) Os jurados absolvem o réu? De novo a mesma pergunta?
13) Ele fez isso para eximir-se da culpa? Isso o quê?
Como podem ver, eu não sirvo para ser jurado. Eu raciocino, não tenho medo de juiz e não deixo a emoção me dominar.
Resolvi responder as perguntas, algumas delas repetitivas e sem qualquer racionalidade. Outras facciosas que conduziram os jurados para a condenação dos réus.
1) Ela (Isabella) foi lançada pela janela? Não sei, pode ter-se jogado.
2) Alexandre deixou de socorrê-la durante a esganadura? Não sei. Somente eles - o pai e a madrasta - podem saber.
3) Foi ele que a jogou desmaiada pela janela? Talvez, sim. Talvez, não.
4) O jurado absolve o réu? Sim, porque não há evidências convincentes do crime.
5) O crime foi cometido de forma cruel? Não sei se houve crime. Pergunta facciosíssima.
6) Houve emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima durante a esganadura? Não. Como uma menina de 5 anos pode se defender de dois adultos?
7) E no lançamento pela janela? Mesma resposta.
8) O crime foi cometido para esconder a esganadura? Respondo com outra pergunta: como esconder as marcas da esganadura?
9) O crime foi cometido contra menor de 14 anos? Pô! a resposta é óbvia, a menina tinha 5 aninhos.
10) Mexeram no local do crime? Sim. Como evitar?
11) Eles lavaram a roupa para impedir a coleta de provas? Se encontraram marcas da grade plástica na camisa do pai, é claro que não.
12) Os jurados absolvem o réu? De novo a mesma pergunta?
13) Ele fez isso para eximir-se da culpa? Isso o quê?
Como podem ver, eu não sirvo para ser jurado. Eu raciocino, não tenho medo de juiz e não deixo a emoção me dominar.
sexta-feira, 26 de março de 2010
NARDONI: INOCENTE OU CULPADO?
Creio que a pergunta não seja esta. A pergunta é: existem provas ou evidências suficientemente indiscutíveis para condenar o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima?
Depois de tanto ler e ouvir sobre o caso, permanece em minha consciência de pai a dúvida cruel. Quem e por quê matou aquela menininha linda e dócil? Não posso acreditar que um pai possa ter cometido tamanha barbaridade nem permitido que a madrasta o cometesse. É preciso considerar que se trata de um casal bem formado e com nível superior que não estava bêbado nem drogado.
E depois de dois anos, quando o amor entre os dois já se deteriorou, por que um não fala a verdade e acusa o outro? Ao contrário, continuam juntos clamando inocência sem demonstrar qualquer sentimento de culpa.
Posso estar errado. Sei lá por quê podem ter trucidado a garotinha. Mas, mesmo assim, a dúvida é inquestionável. Não existe a certeza do crime pelo qual são acusados. Nâo existe a certeza de nada, nem da culpa nem da inocência dos réus. Como condená-los?
Nos Estados Unidos, eles estariam absolvidos porque “in dubio pro reo”. Lá, são doze os jurados e para condenar é necessário que todos, sem exceção, votem pela condenação. Se apenas um dos jurados votar pela absolvição, o réu será considerado inocente.
Aqui, são apenas sete jurados e o réu pode ser condenado por qualquer placar: 6x1, 5x2 ou 4x3. Como pode também ser absolvido pelos mesmos escores.
Seja qual for o resultado - mesmo que seja 7x0 - não saberemos o que de fato aconteceu naquele dia fatídico.
Mas, certamente haverá recurso e, talvez, um novo julgamento. Aí, o circo estará armado novamente e os meios de comunicação gozarão de mais um capítulo dessa trágica novela para aumentar sua audiência.
Quem sabe nos próximos capítulos saberemos com certeza quem é de fato culpado.
Depois de tanto ler e ouvir sobre o caso, permanece em minha consciência de pai a dúvida cruel. Quem e por quê matou aquela menininha linda e dócil? Não posso acreditar que um pai possa ter cometido tamanha barbaridade nem permitido que a madrasta o cometesse. É preciso considerar que se trata de um casal bem formado e com nível superior que não estava bêbado nem drogado.
E depois de dois anos, quando o amor entre os dois já se deteriorou, por que um não fala a verdade e acusa o outro? Ao contrário, continuam juntos clamando inocência sem demonstrar qualquer sentimento de culpa.
Posso estar errado. Sei lá por quê podem ter trucidado a garotinha. Mas, mesmo assim, a dúvida é inquestionável. Não existe a certeza do crime pelo qual são acusados. Nâo existe a certeza de nada, nem da culpa nem da inocência dos réus. Como condená-los?
Nos Estados Unidos, eles estariam absolvidos porque “in dubio pro reo”. Lá, são doze os jurados e para condenar é necessário que todos, sem exceção, votem pela condenação. Se apenas um dos jurados votar pela absolvição, o réu será considerado inocente.
Aqui, são apenas sete jurados e o réu pode ser condenado por qualquer placar: 6x1, 5x2 ou 4x3. Como pode também ser absolvido pelos mesmos escores.
Seja qual for o resultado - mesmo que seja 7x0 - não saberemos o que de fato aconteceu naquele dia fatídico.
Mas, certamente haverá recurso e, talvez, um novo julgamento. Aí, o circo estará armado novamente e os meios de comunicação gozarão de mais um capítulo dessa trágica novela para aumentar sua audiência.
Quem sabe nos próximos capítulos saberemos com certeza quem é de fato culpado.
quinta-feira, 25 de março de 2010
SAÚDE PÚBLICA II
Uma vez na vida – juro! – foi uma única vez em toda a minha já por demais prolongada existência que fui atendido na emergência de um hospital. Foi em hospital público estadual, o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, devido a um acidente gravíssimo.
Isto porque jamais procurei atendimento em hospitais e postos de saúde, nem para mim nem para meus filhos. Não contribuí para a superlotação dos hospitais com gripes, resfriados, terçol, dor de barriga, dor de cabeça, dores em geral, joelhos ralados, bicho de pé, espinhela caída, pulso aberto, frieira, unha encravada, perebas e outras enfermidades imaginárias. Sempre cuidei da minha saúde, deixando os médicos livres para cuidar das doenças e dos doentes que, de fato, necessitam de assistência médica.
Tinha eu pouco mais de 25 anos quando, após preparar um suco de mangas colhidas no quintal, fui fazer a limpeza do liquidificador. Não notei que o copo de vidro estava rachado e, ao desatarraxá-lo, ele se quebrou e causou um profundo corte no meu pulso esquerdo cortando todos o tendões.
Enrolei um pano de prato no pulso e corri para o posto do SAMDU que havia perto de casa. Examinaram-me e fui levado de ambulância para o Carlos Chagas.
Chegando lá, vi a sala de espera superlotada de alegres adultos levando um animado papo e crianças absolutamente saudáveis brincando e correndo de um lado para o outro. Parecia mais um parque de diversões. Levaram-me direto para a emergência e colocaram meu braço esquerdo numa tipóia de alumínio, dessas que se usam em exames de sangue.
Ali na emergência vi coisas incríveis: gente esfaqueada ou com o braço quebrado ou com a mão esfolada por fogos de artifício ou com cortes na face, muito sangue já coagulado. O que mais me marcou foi um paciente que, além de escoriações pelo corpo, tinha o couro cabeludo superior despregado do crânio e preso apenas na parte de trás. Um enfermeiro levantou-o com as mãos nuas e chamou o outro para ver como estava cheio de terra. Os dois riram daquele que deveria ser um motociclista acidentado.
O mesmo enfermeiro veio examinar o meu pulso com a mesma mão nua. Não deixei. Ele insistiu dizendo que eu poderia morrer ali se não me examinasse. Eu lhe disse: “faço questão de morrer aqui se um médico não vier me examinar”.
O médico veio imediatamente. Viu a gravidade da lesão profunda, viu que eu não tinha nenhum movimento na mão e nos dedos e me levou para a cirurgia.
Aplicaram-me uma anestesia troncular. Aquela que é aplicada na “saboneteira” bem junto da clavícula esquerda com uma agulha que não tinha tamanho. O médico me disse: “quando sentir um choque me avisa”. Ele acabou de falar e eu estremeci. Não foi preciso dizer que senti um choque.
Na sala de cirurgia havia um espelho redondo convexo na parede onde eu podia ver toda a cirurgia. Mas, para isso, tinha que mexer a cabeça e acionava os tendões que o cirurgião tentava pegar para emendá-los. “Aplica um Demerol nele”, disse o cirurgião para a enfermeira muito bonita que segurava minha mão direita com carinho.
Não sei quanto tempo após acordei com a mão e o pulso esquerdos imobilizados com uma tala. Disseram-me para tirá-la somente depois de quinze dias. A ambulância que me transportou para o hospital me levou de volta para casa.
Quinze dias depois, voltei ao hospital para retirar a tala e os pontos. Minha mão, meus dedos estavam perfeitos e com todos os movimentos.
Como estão até hoje, quase 50 anos depois.
Isto porque jamais procurei atendimento em hospitais e postos de saúde, nem para mim nem para meus filhos. Não contribuí para a superlotação dos hospitais com gripes, resfriados, terçol, dor de barriga, dor de cabeça, dores em geral, joelhos ralados, bicho de pé, espinhela caída, pulso aberto, frieira, unha encravada, perebas e outras enfermidades imaginárias. Sempre cuidei da minha saúde, deixando os médicos livres para cuidar das doenças e dos doentes que, de fato, necessitam de assistência médica.
Tinha eu pouco mais de 25 anos quando, após preparar um suco de mangas colhidas no quintal, fui fazer a limpeza do liquidificador. Não notei que o copo de vidro estava rachado e, ao desatarraxá-lo, ele se quebrou e causou um profundo corte no meu pulso esquerdo cortando todos o tendões.
Enrolei um pano de prato no pulso e corri para o posto do SAMDU que havia perto de casa. Examinaram-me e fui levado de ambulância para o Carlos Chagas.
Chegando lá, vi a sala de espera superlotada de alegres adultos levando um animado papo e crianças absolutamente saudáveis brincando e correndo de um lado para o outro. Parecia mais um parque de diversões. Levaram-me direto para a emergência e colocaram meu braço esquerdo numa tipóia de alumínio, dessas que se usam em exames de sangue.
Ali na emergência vi coisas incríveis: gente esfaqueada ou com o braço quebrado ou com a mão esfolada por fogos de artifício ou com cortes na face, muito sangue já coagulado. O que mais me marcou foi um paciente que, além de escoriações pelo corpo, tinha o couro cabeludo superior despregado do crânio e preso apenas na parte de trás. Um enfermeiro levantou-o com as mãos nuas e chamou o outro para ver como estava cheio de terra. Os dois riram daquele que deveria ser um motociclista acidentado.
O mesmo enfermeiro veio examinar o meu pulso com a mesma mão nua. Não deixei. Ele insistiu dizendo que eu poderia morrer ali se não me examinasse. Eu lhe disse: “faço questão de morrer aqui se um médico não vier me examinar”.
O médico veio imediatamente. Viu a gravidade da lesão profunda, viu que eu não tinha nenhum movimento na mão e nos dedos e me levou para a cirurgia.
Aplicaram-me uma anestesia troncular. Aquela que é aplicada na “saboneteira” bem junto da clavícula esquerda com uma agulha que não tinha tamanho. O médico me disse: “quando sentir um choque me avisa”. Ele acabou de falar e eu estremeci. Não foi preciso dizer que senti um choque.
Na sala de cirurgia havia um espelho redondo convexo na parede onde eu podia ver toda a cirurgia. Mas, para isso, tinha que mexer a cabeça e acionava os tendões que o cirurgião tentava pegar para emendá-los. “Aplica um Demerol nele”, disse o cirurgião para a enfermeira muito bonita que segurava minha mão direita com carinho.
Não sei quanto tempo após acordei com a mão e o pulso esquerdos imobilizados com uma tala. Disseram-me para tirá-la somente depois de quinze dias. A ambulância que me transportou para o hospital me levou de volta para casa.
Quinze dias depois, voltei ao hospital para retirar a tala e os pontos. Minha mão, meus dedos estavam perfeitos e com todos os movimentos.
Como estão até hoje, quase 50 anos depois.
domingo, 21 de março de 2010
SEGUNDO ANIVERSÁRIO
Este blog completa hoje seu segundo aniversário com 300 postagens. Tudo começou com uma tentativa de linchamento de um amigo meu que guardava eletrodomésticos, adquiridos licitamente em leilão do Ponto Frio, em um depósito quase ao lado do DPO de Muriqui.
Dois PMs do 35º Batalhão de Itaboraí acusaram o meu amigo e seu filho de receptação de carga roubada. Os dois elementos ameaçaram chamar um caminhão para apreender todo o material e propuseram: “Digam logo o que há de errado, pois podemos resolver tudo agora”.
Felizmente, chegou uma guarnição do 33º Batalhão de Angra dos Reis e encaminhou todos à 165ª DP, de Mangaratiba. Lá, a ocorrência foi registrada sob o nº 361/2008, foi tomado o depoimento de todos os envolvidos, depois foram fotografados e relacionados os eletrodomésticos encontrados. E anexadas ao processo as respectivas notas fiscais do Ponto Frio e do leiloeiro. O meu amigo ficou como fiel depositário dos bens. Saímos da delegacia depois das quatro horas da manhã.
No dia seguinte, terça-feira 11 de março, a Band News divulgou a notícia alarmante: “Estourado depósito de carga roubada em Muriqui”. Quem teria sido o infeliz e cretino dedo-duro que passou a falsa notícia para a Band?
Na quarta-feira 12, um vereador, na tribuna da Câmara Municipal de Mangaratiba, acometido de um acesso de furor corporativista e, na ânsia do elogio gratuito a seus pares, exaltou a ação policial que foi, verdadeiramente, um simulacro de investigação.
No dia 14, o jornal Atual, de Itaguaí, estampou em manchete de primeira página: "Arsenal da roubalheira estourado em Muriqui". Fui à redação do panfleto difamador, falei com o chefe, pedi para desmentir a notícia. De nada adiantou. Nada fizeram.
Foi assim que este blog começou. Para defender um amigo e divulgar a injustiça que tentaram fazer com ele.
Digo tentaram porque no dia 10 de abril o Dr. Cláudio Ferreira Rodrigues - Juiz da Comarca naquela época - declarou a nulidade do auto de apreensão e determinou que a polícia civil promovesse a devolução de todos os bens apreendidos no prazo de 24 horas, sob pena de responsabilidade penal.
Decidi não repetir o nome de todos os policiais e do vereador envolvidos na tentativa de linchamento do meu amigo. Mas, se quiserem saber quem foram basta ler a postagem intitulada "SIMULACRO DE INVESTIGAÇÃO EM MURIQUI", do dia 20 de março de 2008.
Dois PMs do 35º Batalhão de Itaboraí acusaram o meu amigo e seu filho de receptação de carga roubada. Os dois elementos ameaçaram chamar um caminhão para apreender todo o material e propuseram: “Digam logo o que há de errado, pois podemos resolver tudo agora”.
Felizmente, chegou uma guarnição do 33º Batalhão de Angra dos Reis e encaminhou todos à 165ª DP, de Mangaratiba. Lá, a ocorrência foi registrada sob o nº 361/2008, foi tomado o depoimento de todos os envolvidos, depois foram fotografados e relacionados os eletrodomésticos encontrados. E anexadas ao processo as respectivas notas fiscais do Ponto Frio e do leiloeiro. O meu amigo ficou como fiel depositário dos bens. Saímos da delegacia depois das quatro horas da manhã.
No dia seguinte, terça-feira 11 de março, a Band News divulgou a notícia alarmante: “Estourado depósito de carga roubada em Muriqui”. Quem teria sido o infeliz e cretino dedo-duro que passou a falsa notícia para a Band?
Na quarta-feira 12, um vereador, na tribuna da Câmara Municipal de Mangaratiba, acometido de um acesso de furor corporativista e, na ânsia do elogio gratuito a seus pares, exaltou a ação policial que foi, verdadeiramente, um simulacro de investigação.
No dia 14, o jornal Atual, de Itaguaí, estampou em manchete de primeira página: "Arsenal da roubalheira estourado em Muriqui". Fui à redação do panfleto difamador, falei com o chefe, pedi para desmentir a notícia. De nada adiantou. Nada fizeram.
Foi assim que este blog começou. Para defender um amigo e divulgar a injustiça que tentaram fazer com ele.
Digo tentaram porque no dia 10 de abril o Dr. Cláudio Ferreira Rodrigues - Juiz da Comarca naquela época - declarou a nulidade do auto de apreensão e determinou que a polícia civil promovesse a devolução de todos os bens apreendidos no prazo de 24 horas, sob pena de responsabilidade penal.
Decidi não repetir o nome de todos os policiais e do vereador envolvidos na tentativa de linchamento do meu amigo. Mas, se quiserem saber quem foram basta ler a postagem intitulada "SIMULACRO DE INVESTIGAÇÃO EM MURIQUI", do dia 20 de março de 2008.
SAÚDE PÚBLICA
O estudante levou um tiro na cabeça e foi atendido em UTI de hospital público da rede municipal carioca. Para se proteger, o cérebro reagiu com uma inflamação tão intensa que forçou os médicos a retirar parte do crânio do rapaz, visando dar mais espaço ao cérebro inflamado e dilatado.
Os médicos, então, para manter a parte do crânio retirada em seu estado natural – recebendo a necessária irrigação sanguínea - implantaram-na no interior do rapaz nos tecidos subcutâneos. Enquanto isso, trataram-no com antiinflamatórios até que o cérebro reagisse e respondesse ao tratamento, controlando a inflamação.
Cerca de trinta dias após, contido o processo inflamatório e a dilatação do cérebro, extraíram a parte do crânio de onde estava implantada e a colocaram novamente no local devido, reconstruindo a cabeça do paciente.
Após quase três meses, o rapaz foi liberado e deu entrevistas à televisão esta semana.
Esta semana, também, foi preso na baixada fluminense um falso médico – na verdade, um farmacêutico - que se dizia clínico geral e cardiologista. Acontece que o falso médico atuou durante mais de 16 anos em diversos hospitais públicos da baixada.
Durante esses anos todos, quantos pacientes o falso médico atendeu? Digamos que atendeu a 20 pacientes por dia durante 250 dias por ano. Daria um total de cerca de 80 mil consultas. Desses, quantos necessitavam realmente de atendimento médico? Talvez, nenhum. E, por isso mesmo, o falso médico tenha enganado a todos durante todo o tempo.
São dois exemplos de pacientes dos nossos serviços de saúde pública. Mas, não vou radicalizar. Sei que os hospitais vivem superlotados e sei que alguns até necessitam mesmo de médico e podem não ser devida e criteriosamente atendidos.
Estes são as exceções que ganham manchetes nos jornais e TVs. Os que são muito bem atendidos somente ganham as manchetes em casos extremos como o daquele rapaz.
Os médicos, então, para manter a parte do crânio retirada em seu estado natural – recebendo a necessária irrigação sanguínea - implantaram-na no interior do rapaz nos tecidos subcutâneos. Enquanto isso, trataram-no com antiinflamatórios até que o cérebro reagisse e respondesse ao tratamento, controlando a inflamação.
Cerca de trinta dias após, contido o processo inflamatório e a dilatação do cérebro, extraíram a parte do crânio de onde estava implantada e a colocaram novamente no local devido, reconstruindo a cabeça do paciente.
Após quase três meses, o rapaz foi liberado e deu entrevistas à televisão esta semana.
Esta semana, também, foi preso na baixada fluminense um falso médico – na verdade, um farmacêutico - que se dizia clínico geral e cardiologista. Acontece que o falso médico atuou durante mais de 16 anos em diversos hospitais públicos da baixada.
Durante esses anos todos, quantos pacientes o falso médico atendeu? Digamos que atendeu a 20 pacientes por dia durante 250 dias por ano. Daria um total de cerca de 80 mil consultas. Desses, quantos necessitavam realmente de atendimento médico? Talvez, nenhum. E, por isso mesmo, o falso médico tenha enganado a todos durante todo o tempo.
São dois exemplos de pacientes dos nossos serviços de saúde pública. Mas, não vou radicalizar. Sei que os hospitais vivem superlotados e sei que alguns até necessitam mesmo de médico e podem não ser devida e criteriosamente atendidos.
Estes são as exceções que ganham manchetes nos jornais e TVs. Os que são muito bem atendidos somente ganham as manchetes em casos extremos como o daquele rapaz.
domingo, 14 de março de 2010
ROYALTIES, RUÍNAS E RANCORES
Fiquem todos tranquilos. Não será o caos e Mangaratiba não se transformará em uma grande ruína devido a uma emenda demagógica e rancorosa ao projeto de lei do Poder Executivo sobre a exploração do pré-sal. Nem daqui a cento e cinquenta anos que é a idade das belas ruínas aqui existentes e que reproduzo nesta postagem.
Parte dos royalties do petróleo pertencem constitucionalmente à Mangaratiba que recebeu, em 2009, exatos R$ 22.722.490,42. E vai receber muito mais, apesar dos políticos insanos que, em ano eleitoral, aprovam projetos e emendas demagógicas para a conquista de eleitores, embora sabendo que sua insensatez não seguirá adiante.
Isto porque o § 1º do art. 20 da Constituição Federal assegura e a Lei nº 7990/89 estipula percentuais de compensação financeira pela exploração de petróleo e minérios aos estados e municípios produtores do produto. Não será uma emenda demagógica que mudará o que está legalmente disposto.
E não vai mudar, também, porque o Executivo tem o poder de vetar essas insanidades ilegais e anticonstitucionais. O projeto original do Poder Executivo não altera a divisão de royalties para os estados e municípios produtores. Portanto, Lula jamais pensou em mudar a divisão nem deixará os royalties sairem do Rio de Janeiro como dizem com rancor. Rancores injustificáveis ainda afirmam que este é o Brasil do PT e da Dilma e que Lula não merece vir aqui pedir votos para ela. Como se Lula não fosse o presidente que mais investiu no Rio de Janeiro, redimindo o governo federal de uma dívida com o nosso estado. Negar essa realidade é demonstrar um rancor absurdo contra o presidente.
Devo dizer ainda que dos 46 deputados federais do Rio de Janeiro, apenas três faltaram à sessão e não votaram a emenda irracional e nefasta.
Rodrigo Maia (DEM) participava de evento na Alemanha; Vinícius Carvalho (PtdoB) estava em missão na Antártida; Marina Magessi (PMDB) justificou sua falta por doença.
Todos os cinco deputados do PT do Rio de janeiro lá estavam e votaram contra a emenda.
O único deputado federal fluminense que votou a favor da emenda e contra o Rio de Janeiro foi o irmão do pastor R.R. Soares da Igreja Internacional da Graça de Deus Adilson Soares(PR).
PR é a sigla do Partido da República, o partidinho da Rosinha, do Garotinho e do Xikinho.
Parte dos royalties do petróleo pertencem constitucionalmente à Mangaratiba que recebeu, em 2009, exatos R$ 22.722.490,42. E vai receber muito mais, apesar dos políticos insanos que, em ano eleitoral, aprovam projetos e emendas demagógicas para a conquista de eleitores, embora sabendo que sua insensatez não seguirá adiante.
Isto porque o § 1º do art. 20 da Constituição Federal assegura e a Lei nº 7990/89 estipula percentuais de compensação financeira pela exploração de petróleo e minérios aos estados e municípios produtores do produto. Não será uma emenda demagógica que mudará o que está legalmente disposto.
E não vai mudar, também, porque o Executivo tem o poder de vetar essas insanidades ilegais e anticonstitucionais. O projeto original do Poder Executivo não altera a divisão de royalties para os estados e municípios produtores. Portanto, Lula jamais pensou em mudar a divisão nem deixará os royalties sairem do Rio de Janeiro como dizem com rancor. Rancores injustificáveis ainda afirmam que este é o Brasil do PT e da Dilma e que Lula não merece vir aqui pedir votos para ela. Como se Lula não fosse o presidente que mais investiu no Rio de Janeiro, redimindo o governo federal de uma dívida com o nosso estado. Negar essa realidade é demonstrar um rancor absurdo contra o presidente.
Devo dizer ainda que dos 46 deputados federais do Rio de Janeiro, apenas três faltaram à sessão e não votaram a emenda irracional e nefasta.
Rodrigo Maia (DEM) participava de evento na Alemanha; Vinícius Carvalho (PtdoB) estava em missão na Antártida; Marina Magessi (PMDB) justificou sua falta por doença.
Todos os cinco deputados do PT do Rio de janeiro lá estavam e votaram contra a emenda.
O único deputado federal fluminense que votou a favor da emenda e contra o Rio de Janeiro foi o irmão do pastor R.R. Soares da Igreja Internacional da Graça de Deus Adilson Soares(PR).
PR é a sigla do Partido da República, o partidinho da Rosinha, do Garotinho e do Xikinho.
sexta-feira, 12 de março de 2010
FESTIVAL DA BANANA
Li no blog do Sidney Rezende e passo adiante.
Mangaratiba - um dos maiores produtores de banana no estado - vai realizar um evento em homenagem à fruta: o I Festival da Banana de Mangaratiba e Coisas da Terra.
Acontecerá durante a Semana Santa, de 1 a 4 de abril. Terá prêmios para o maior cacho de banana, para o cacho mais pesado e para o cacho com maior quantidade de bananas. Também contará com shows de artistas locais, exposições, culinária - espero que tenha peixe com banana - e bebidas feitas à base de banana.
O evento que será realizado no Centro de Mangaratiba, terá cerca de 40 tendas. A maioria com agricultores locais comercializando derivados da banana: doces, salgados, cachaças, e, inclusive, cestas, sandálias e tapetes feitos com a fibra da bananeira.
Haverá também venda de outros produtos agrícolas, queijos, mel e peças de artesanato. Além de palestras e oficinas, o evento terá o concurso Miss Beleza Caiçara que reunirá moradoras da cidade entre 18 a 25 anos. Para os turistas, estão previstos pacotes promocionais em hotéis, pousadas e restaurantes do município.
Eu vou prestigiar. E você?
Mangaratiba - um dos maiores produtores de banana no estado - vai realizar um evento em homenagem à fruta: o I Festival da Banana de Mangaratiba e Coisas da Terra.
Acontecerá durante a Semana Santa, de 1 a 4 de abril. Terá prêmios para o maior cacho de banana, para o cacho mais pesado e para o cacho com maior quantidade de bananas. Também contará com shows de artistas locais, exposições, culinária - espero que tenha peixe com banana - e bebidas feitas à base de banana.
O evento que será realizado no Centro de Mangaratiba, terá cerca de 40 tendas. A maioria com agricultores locais comercializando derivados da banana: doces, salgados, cachaças, e, inclusive, cestas, sandálias e tapetes feitos com a fibra da bananeira.
Haverá também venda de outros produtos agrícolas, queijos, mel e peças de artesanato. Além de palestras e oficinas, o evento terá o concurso Miss Beleza Caiçara que reunirá moradoras da cidade entre 18 a 25 anos. Para os turistas, estão previstos pacotes promocionais em hotéis, pousadas e restaurantes do município.
Eu vou prestigiar. E você?
quinta-feira, 11 de março de 2010
RELIGIÃO
Diz-se que religião não se discute. E quem sou eu – um quase ateu, graças a Deus - para discutir religião? Respeito todas elas e todas as doutrinas. O que eu discuto – e gosto de criticar – é o comportamento dos religiosos e seus adeptos.
Será pecado seguir o exemplo de Jesus Que combateu os religiosos judeus? Ele próprio - um Judeu - não aceitava o comportamento dos sacerdotes e pastores de Sua época nem de seus seguidores.
Portanto, discutir o comportamento religioso não pode ser passível de censura, repreensão ou castigo.
Veja o que aconteceu, agora, na Nigéria, um país dividido entre cristãos e muçulmanos. Estes massacraram 500 daqueles em represália ao massacre, em janeiro, de 200 muçulmanos pelos cristãos.
Na Irlanda, a permanente guerra civil, em que dezenas de milhares já morreram, é compartilhada por católicos e protestantes.
Hoje, mesmo, no Mato Grosso, foram presos dois pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus - os quais deduraram um terceiro - com potente armamento contrabandeado da Bolívia para ser entregue aos traficantes de São Gonçalo. Enquanto isso, o único deputado federal fluminense a votar contra o Rio de Janeiro na divisão dos royalties do petróleo foi Adilson Soares (PR). Ele é irmão do pastor RR Soares da Igreja Internacional da Graça de Deus.
Quando critiquei o comportamento dos protestantes que invadiram a praia de Muriqui, com apoio oficial e potente aparelhagem de som para sobrepujar o cântico dos umbandistas em louvor à Iemanjá, fui acusado de preconceito religioso contra a fé cristã e que estaria cometendo um crime (ver comentários na postagem “Protestantes festejam Iemanjá” de 1/01/2009).
Respondi à acusação dizendo que são muitas e variadas as doutrinas cristãs e que todas são válidas e importantes para impor limites ao ser humano.
O pastor que me repreendeu disse que Jesus é o único caminho que leva a Deus. Como sou cristão, concordei. Mas, afirmei que são inúmeros os caminhos que levam a Jesus. E pedi-lhe para não ser egocêntrico porque somos apenas uma minoria no mundo.
E é exatamente por isso que escrevo agora: somos uma minoria no mundo. Descobri um site (clique aqui) com estatísticas sobre o número de adeptos das diversas religiões existentes.
• Cristianismo: 2 bilhões e 100 milhões
• Islã: 1 bilhão e 500 milhões
• Ateus/agnósticos/sem religião: 1 bilhão e 100 milhões
• Hinduísmo: 900 milhões
• Religiões tradicionais chinesas: 394 milhões
• Budismo: 376 milhões
• Religiões tradicionais africanas: 100 milhões
• Sikhismo: 23 milhões
• Judaísmo: 14 milhões
• Espiritismo: 15 milhões
• Fé Baha´i: 7 milhões
• Jainismo: 4 milhões e 200 mil
• Outras: 15 milhões e quinhentos mil
Somos como a torcida do Flamengo, a maior. Porém, somos minoria, apenas 30% da população mundial.
E não me perguntem por que eles não incluíram o Espiritismo entre as outras doutrinas cristãs.
Eu não sei.
Será pecado seguir o exemplo de Jesus Que combateu os religiosos judeus? Ele próprio - um Judeu - não aceitava o comportamento dos sacerdotes e pastores de Sua época nem de seus seguidores.
Portanto, discutir o comportamento religioso não pode ser passível de censura, repreensão ou castigo.
Veja o que aconteceu, agora, na Nigéria, um país dividido entre cristãos e muçulmanos. Estes massacraram 500 daqueles em represália ao massacre, em janeiro, de 200 muçulmanos pelos cristãos.
Na Irlanda, a permanente guerra civil, em que dezenas de milhares já morreram, é compartilhada por católicos e protestantes.
Hoje, mesmo, no Mato Grosso, foram presos dois pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus - os quais deduraram um terceiro - com potente armamento contrabandeado da Bolívia para ser entregue aos traficantes de São Gonçalo. Enquanto isso, o único deputado federal fluminense a votar contra o Rio de Janeiro na divisão dos royalties do petróleo foi Adilson Soares (PR). Ele é irmão do pastor RR Soares da Igreja Internacional da Graça de Deus.
Quando critiquei o comportamento dos protestantes que invadiram a praia de Muriqui, com apoio oficial e potente aparelhagem de som para sobrepujar o cântico dos umbandistas em louvor à Iemanjá, fui acusado de preconceito religioso contra a fé cristã e que estaria cometendo um crime (ver comentários na postagem “Protestantes festejam Iemanjá” de 1/01/2009).
Respondi à acusação dizendo que são muitas e variadas as doutrinas cristãs e que todas são válidas e importantes para impor limites ao ser humano.
O pastor que me repreendeu disse que Jesus é o único caminho que leva a Deus. Como sou cristão, concordei. Mas, afirmei que são inúmeros os caminhos que levam a Jesus. E pedi-lhe para não ser egocêntrico porque somos apenas uma minoria no mundo.
E é exatamente por isso que escrevo agora: somos uma minoria no mundo. Descobri um site (clique aqui) com estatísticas sobre o número de adeptos das diversas religiões existentes.
• Cristianismo: 2 bilhões e 100 milhões
• Islã: 1 bilhão e 500 milhões
• Ateus/agnósticos/sem religião: 1 bilhão e 100 milhões
• Hinduísmo: 900 milhões
• Religiões tradicionais chinesas: 394 milhões
• Budismo: 376 milhões
• Religiões tradicionais africanas: 100 milhões
• Sikhismo: 23 milhões
• Judaísmo: 14 milhões
• Espiritismo: 15 milhões
• Fé Baha´i: 7 milhões
• Jainismo: 4 milhões e 200 mil
• Outras: 15 milhões e quinhentos mil
Somos como a torcida do Flamengo, a maior. Porém, somos minoria, apenas 30% da população mundial.
E não me perguntem por que eles não incluíram o Espiritismo entre as outras doutrinas cristãs.
Eu não sei.
quarta-feira, 10 de março de 2010
JOSÉ SARAMAGO
Quando eu crescer, quero ser José Saramago. Já quis ser Che Guevara, Jorge Amado e Nelson Rodrigues, mas eles me abandonaram. Jamais quis ser Charles Chaplin porque sabia ser impossível. Tentei ser Chico Buarque e não consegui.
Agora, eu quero ser José Saramago: 88 anos, ateu, socialista, absolutamente lúcido e crítico, um blogueiro vigoroso, combatendo a injustiça e metralhando opiniões sobre tudo e para todos os lados. E defendendo-as com os mais sólidos e consistentes argumentos.Saramago – o único Prêmio Nobel de Literatura da lingua portuguesa – virou blogueiro. Descobri agora que li mais um de seus livros – O Caderno – onde são reproduzidas as suas postagens no blog. Clique aqui, abra o link blogs e leia “O Caderno de Saramago”. É o blog dele, este senhor diante do computador que ilustra essa postagem.
É uma grande honra ter um Prêmio Nobel entre nós blogueiros que escrevem em português.
Concordo com quase todas as suas opiniões, mas não com seu ataque aos judeus e a defesa dos palestinos. Concordaria, talvez, se ele atacasse os israelenses e defendesse os palestinos. Nem todos em Israel são judeus como nem todos na Palestina são muçulmanos. E entre judeus e muçulmanos, fico com os primeiros que sabem tratar as mulheres com dignidade, enquanto aqueles escravizam-nas e as tratam como seres inferiores. Além disso, os judeus não vivem aterrorizando o mundo.
Por outro lado, também sou de esquerda mas não sou ateu como Saramago. Sou apenas um quase ateu, graças a Deus. Se, quando crescer, eu conseguir ser Saramago, eu o serei sem o seu ateísmo e sem ser anti-semita.
Acabei de comprar outro livro do Saramago (Pequenas Memórias). Antes de recebê-lo, porém, vou reler "Ensaio sobre a cegueira".
terça-feira, 9 de março de 2010
CARA E COROA
Tive a ideia e escrevi sobre ela no mês passado. Ver postagem "O Cara e a Coroa" de 21 de fevereiro. Achei que a idéia era boa e decidi criar uma imagem que resumisse todo o texto. Trabalhei duro uns três dias explorando ao máximo o pouco que sei do Corel Draw 12 e do Photoshop.
A muito custo, consegui criar essa imagem aí em cima à direita que tem como título "As duas faces da moeda". Se conhecesse melhor aqueles programas, teria feito algo melhor.
Postei-a há cerca de quinze dias e, hoje, vejo no Globo Online imagem parecida - acima à esquerda, é um leque feito pelo Sindicato dos Servidores da Saúde - que reproduz a mesma ideia.
Não sou tão presunçoso a ponto de dizer que fui copiado. Foi apenas uma coincidência de ideias.
Mas, fico feliz por ter feito primeiro. Senão, me acusariam de plágio.
A muito custo, consegui criar essa imagem aí em cima à direita que tem como título "As duas faces da moeda". Se conhecesse melhor aqueles programas, teria feito algo melhor.
Postei-a há cerca de quinze dias e, hoje, vejo no Globo Online imagem parecida - acima à esquerda, é um leque feito pelo Sindicato dos Servidores da Saúde - que reproduz a mesma ideia.
Não sou tão presunçoso a ponto de dizer que fui copiado. Foi apenas uma coincidência de ideias.
Mas, fico feliz por ter feito primeiro. Senão, me acusariam de plágio.
segunda-feira, 8 de março de 2010
BBB
No primeiro Big Brother – programa originário da TV holandesa que cobra royalties pelo seu formato – eu assisti a uns dois ou três capítulos. Achei algo tão monótono, tedioso, com diálogos fora de propósito entre indivíduos tatuados que passavam quase todo o tempo se exercitando. E as “indivíduas” mostrando o corpo na piscina ou no chuveiro. Fingiam ter relações sob as cobertas ou, mesmo, embaixo da cama.
Isso deve fazer dez anos ou mais. Nunca mais vi o tal Big Bosta.
Ontem, aguardando o Oscar fui obrigado a vê-lo de novo. Algo deprimente. Era uma festa com três mulheres e seis homens(?). Elas fazendo strip-tease ou levantando a saia e se esfregando em um e outro. Eles observando. Um deles arriou a calça e mostrou a bunda. Em close.
Eu trocava de canal e quando voltava, lá estavam eles de novo. Uma das meretrizes, bêbada, convidava um indivíduo a dormir com ela. Ele recusou. Ela convidou um outro que também se negou.
Ela, então, foi consolada por uma das duas bichas loucas que participam do programa.
(Abro, aqui, um parêntesis para dizer que não tenho nenhum preconceito contra a opção sexual de ninguém. Até aprovo o homosexualismo masculino. É mais mulher que sobra para quem gosta).
Posso até pagar para ir ao teatro e assistir à Gaiola das Loucas, mas receber na minha sala, sem ter convidado, aqueles dois exemplos descarados de comportamento pederástico é por demais desagradável.
Foi aí que apareceu o Pedro Bial. Com a boca bem cheia perguntou a um participante: “Que compulsão é essa que você tem de mostrar a BUNDA?
Desisti de ver o Oscar. Fui dormir. Hoje, cedo, Dia Internacional da Mulher, soube que, pela primeira vez na história, uma mulher ganhou o Oscar de melhor direção com o filme Guerra ao Terror. Melhor ainda, Kathryn Bigelow, a vencedora – foto acima – disputava o Oscar com o ex-marido James Cameron que dirigiu o filme Avatar. Nada a ver com o nosso futuro ex-prefeito, o Demiurgo.
Fico me perguntando: se uma mulher é capaz de voar tão alto por que outras aviltam-se no Big Bosta?
Isso deve fazer dez anos ou mais. Nunca mais vi o tal Big Bosta.
Ontem, aguardando o Oscar fui obrigado a vê-lo de novo. Algo deprimente. Era uma festa com três mulheres e seis homens(?). Elas fazendo strip-tease ou levantando a saia e se esfregando em um e outro. Eles observando. Um deles arriou a calça e mostrou a bunda. Em close.
Eu trocava de canal e quando voltava, lá estavam eles de novo. Uma das meretrizes, bêbada, convidava um indivíduo a dormir com ela. Ele recusou. Ela convidou um outro que também se negou.
Ela, então, foi consolada por uma das duas bichas loucas que participam do programa.
(Abro, aqui, um parêntesis para dizer que não tenho nenhum preconceito contra a opção sexual de ninguém. Até aprovo o homosexualismo masculino. É mais mulher que sobra para quem gosta).
Posso até pagar para ir ao teatro e assistir à Gaiola das Loucas, mas receber na minha sala, sem ter convidado, aqueles dois exemplos descarados de comportamento pederástico é por demais desagradável.
Foi aí que apareceu o Pedro Bial. Com a boca bem cheia perguntou a um participante: “Que compulsão é essa que você tem de mostrar a BUNDA?
Desisti de ver o Oscar. Fui dormir. Hoje, cedo, Dia Internacional da Mulher, soube que, pela primeira vez na história, uma mulher ganhou o Oscar de melhor direção com o filme Guerra ao Terror. Melhor ainda, Kathryn Bigelow, a vencedora – foto acima – disputava o Oscar com o ex-marido James Cameron que dirigiu o filme Avatar. Nada a ver com o nosso futuro ex-prefeito, o Demiurgo.
Fico me perguntando: se uma mulher é capaz de voar tão alto por que outras aviltam-se no Big Bosta?
MULHER
Deixo à poesia antiga (1925) de meu pai - apaixonado por tantas mulheres e que me ensinou a amá-las - esta exaltação à mais sublime Criação Divina.
FASCINAÇÃO
Filha dileta da beleza pura,
De cútis alvo-rósea acetinada...
Por entre flores, em manhã dourada,
Surgiu-me - diz-me porquê - tal criatura.
Por sua voz, minh´alma apaixonada
Vibra, palpita, em ânsias de loucura...
Ao seu olhar, p´ra mim doce ventura,
Se é noite, nasce o sol, faz-se a alvorada.
Olha-me... curva-se o meu ser contrito.
Fala-me... aos céus amargurado eu grito
A implorar o amor dessa mulher divina.
Nesta loucura, eu vou levando a vida,
A desejar essa maçã tão doce e proibida.
É a minha comovente e dolorosa sina.
INCERTEZA
Viver amando alguém que amar não sabe,
N´alma gravada a imagem que se adora,
Sem esperança que tal sina acabe,
Que finde a dor que meu viver devora.
Antes morrer! Que uma tal dor não cabe
Dentro do peito meu que o amor implora...
Antes o mundo sobre mim desabe
Que tal viver levar qual levo agora.
Antes ser cego, surdo, mudo ou mesmo
Viver no mundo como um pária a esmo
Ser ter no peito o mal que me trucida.
Que outro não existe mal assim tão fero
Do que sentir no peito amor sincero
E a alma não ser igual correspondida.
ESPERANÇA
De tez alabastrina, alva, impoluta,
É a donzela que o meu ser fascina.
Corpo talhado pela Mão Divina
E voz que encanta a quem, feliz, a escuta...
Eu que venero esta sutil menina,
Trago minh´alma em tormentosa luta,
Por muito amar essa lourinha astuta
Que não me quer, mas que meu ser domina.
Embora assim eu viva atormentado,
Não me abandona a mágica esperança
De vê-la um dia plácida ao meu lado...
Feliz no mundo, então, serei risonho
Ao lado da mais bela e meiga criança
Que há de viver comigo no meu sonho.
FASCINAÇÃO
Filha dileta da beleza pura,
De cútis alvo-rósea acetinada...
Por entre flores, em manhã dourada,
Surgiu-me - diz-me porquê - tal criatura.
Por sua voz, minh´alma apaixonada
Vibra, palpita, em ânsias de loucura...
Ao seu olhar, p´ra mim doce ventura,
Se é noite, nasce o sol, faz-se a alvorada.
Olha-me... curva-se o meu ser contrito.
Fala-me... aos céus amargurado eu grito
A implorar o amor dessa mulher divina.
Nesta loucura, eu vou levando a vida,
A desejar essa maçã tão doce e proibida.
É a minha comovente e dolorosa sina.
INCERTEZA
Viver amando alguém que amar não sabe,
N´alma gravada a imagem que se adora,
Sem esperança que tal sina acabe,
Que finde a dor que meu viver devora.
Antes morrer! Que uma tal dor não cabe
Dentro do peito meu que o amor implora...
Antes o mundo sobre mim desabe
Que tal viver levar qual levo agora.
Antes ser cego, surdo, mudo ou mesmo
Viver no mundo como um pária a esmo
Ser ter no peito o mal que me trucida.
Que outro não existe mal assim tão fero
Do que sentir no peito amor sincero
E a alma não ser igual correspondida.
ESPERANÇA
De tez alabastrina, alva, impoluta,
É a donzela que o meu ser fascina.
Corpo talhado pela Mão Divina
E voz que encanta a quem, feliz, a escuta...
Eu que venero esta sutil menina,
Trago minh´alma em tormentosa luta,
Por muito amar essa lourinha astuta
Que não me quer, mas que meu ser domina.
Embora assim eu viva atormentado,
Não me abandona a mágica esperança
De vê-la um dia plácida ao meu lado...
Feliz no mundo, então, serei risonho
Ao lado da mais bela e meiga criança
Que há de viver comigo no meu sonho.
sexta-feira, 5 de março de 2010
COPA DO MUNDO
O Brasil não foi campeão, mas tinha a melhor equipe do mundial de 1982. Tal como a Holanda, em 1974, e a Hungria, em 1954. Essas três equipes me maravilharam e somente foram superadas pelas seleções brasileiras de 1958 e de 1970 que tinham Pelé e foram campeãs.
A de 1982 tinha, porém, o melhor técnico de futebol de todos os tempos: Telê. Foi uma grande injustiça perder para a Itália.
Esse vídeo abaixo, uma homenagem ao Telê, mostra os onze mais belos gols daquela seleção.
Sinto saudade do Telê porque gosto do futebol bonito, bem jogado, não daquele futebol de resultados que se joga atualmente. Que importa se o Brasil não foi campeão em 1982?
Nos mais belos gols de Pelé, a bola não entrou. Como naquele drible da vaca no goleiro uruguaio e no chute do meio de campo contra o gol da Tchecoslováquia.
Que haja mais uma injustiça na próxima copa e que o Brasil seja campeão.
A de 1982 tinha, porém, o melhor técnico de futebol de todos os tempos: Telê. Foi uma grande injustiça perder para a Itália.
Esse vídeo abaixo, uma homenagem ao Telê, mostra os onze mais belos gols daquela seleção.
Sinto saudade do Telê porque gosto do futebol bonito, bem jogado, não daquele futebol de resultados que se joga atualmente. Que importa se o Brasil não foi campeão em 1982?
Nos mais belos gols de Pelé, a bola não entrou. Como naquele drible da vaca no goleiro uruguaio e no chute do meio de campo contra o gol da Tchecoslováquia.
Que haja mais uma injustiça na próxima copa e que o Brasil seja campeão.
segunda-feira, 1 de março de 2010
E AGORA, JOSÉ SERRA?
Caiu na pesquisa (a Coroa subiu), o povo sumiu, está sem discurso, já não pode fumar (você proibiu), o dia não veio, Minas não há mais (Aécio fugiu), sozinho no escuro...
Drummond foi um profeta? Será que eu também serei?
A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou,E agora, José Serra? Vai desistir ou perder p´ra mulher? Quem vai te substituir? FHC? Não existe outro.
e agora, José ?
e agora, você ? você que é sem nome, que zomba dos outros,
você que faz versos, que ama protesta,
e agora, José ?
Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho,
já não pode beber, já não pode fumar,
cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio,
o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia
e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José ?
E agora, José ?
Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum,
sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro,
sua incoerência, seu ódio - e agora ?
Com a chave na mão quer abrir a porta,
não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou;
quer ir para Minas, Minas não há mais.
José, e agora ?
Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense,
se você dormisse, se você cansasse, se você morresse…
Mas você não morre, você é duro, José !
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia,
sem parede nua para se encostar,
sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José !
José, para onde ?
Drummond foi um profeta? Será que eu também serei?
domingo, 28 de fevereiro de 2010
IPTU/2010 MANGARATIBA
Na sexta-feira, dia 26, paguei – em cota única - o IPTU/2010 de três imóveis que tenho em Muriqui. O total importou em R$ 1.086, 38, ou seja, 13,9% a mais que em 2009.
O que não deu para entender é por que no imóvel em que resido o IPTU/2010 aumentou 32,5%, enquanto nos outros dois imóveis aumentou apenas pouco mais de 4%. Isto é, quase exatamente a redução de 5% no desconto – de 20 para a 15% - no pagamento em cota única. Portanto, não houve aumento no valor do IPTU.
Analisei os carnês de pagamento dos últimos seis anos do imóvel em que resido e verifiquei que sempre fui cobrado sobre 99m² de área construída e, agora, em 2010, fui cobrado sobre 124m².
Por quê? Como escrevi em 29/10/09, na postagem intitulada “IPTU QUADRUPLICADO EM MANGARATIBA”, recebi notificação da Prefeitura, com uma nova cobrança de IPTU no valor de R$ 1.145,24, dizendo que foi detectada uma diferença de área edificada de 25m² no imóvel.
Corri à Secretaria de Fazenda para esclarecimentos. Lá, verifiquei uma infinidade de notificações sendo seladas e preparadas para envio. Disseram-me que todos os proprietários de imóveis de Mangaratiba receberiam idêntica notificação e cobrança.
Informaram-me que uma firma terceirizada fez um recadastramento imobiliário em 2007 e, agora, estão cobrando a diferença.
Reagi com veemência. Disse que ninguém foi ao meu apartamento medi-lo para me cobrar mais 25 metros quadrados. Que pago o IPTU há mais de cinco anos e não fiz qualquer obra de acréscimo no mesmo, nem poderia, é um apartamento. Só se construísse para fora das janelas.
Por outro lado, a escritura do imóvel – com todos os registros, inclusive na Prefeitura – afirma que o apartamento tem apenas 86,70m².
O funcionário, então, me sugeriu mandar um servidor da secretaria para fazer uma revisão na metragem do imóvel. Aceitei, claro.
Vieram duas servidoras e mediram todo o apartamento. Não paguei a nova cobrança de IPTU e, a partir daí, fiquei na espera. Não recebi qualquer nova notificação da Prefeitura. Somente, agora, recebi a cobrança regular sobre 124m². Um aumento de exatos 25m².
Voltarei à Prefeitura e tentarei reaver o que paguei a mais para não perder o desconto de 15%.
Faço esse relato para alertar a todos sobre essa cobrança estapafúrdia. É preciso que todos verifiquem o que está sendo cobrado de IPTU, para que todos defendam os seus direitos e não aceitem esse novo assalto ao bolso dos contribuintes mais incautos.
Só mesmo repetindo Gregório de Matos:
A Câmara não acode?.................Não pode
Pois não tem todo o poder?.........Não quer
É que o governo a convence?.....Não vence.
Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.
O que não deu para entender é por que no imóvel em que resido o IPTU/2010 aumentou 32,5%, enquanto nos outros dois imóveis aumentou apenas pouco mais de 4%. Isto é, quase exatamente a redução de 5% no desconto – de 20 para a 15% - no pagamento em cota única. Portanto, não houve aumento no valor do IPTU.
Analisei os carnês de pagamento dos últimos seis anos do imóvel em que resido e verifiquei que sempre fui cobrado sobre 99m² de área construída e, agora, em 2010, fui cobrado sobre 124m².
Por quê? Como escrevi em 29/10/09, na postagem intitulada “IPTU QUADRUPLICADO EM MANGARATIBA”, recebi notificação da Prefeitura, com uma nova cobrança de IPTU no valor de R$ 1.145,24, dizendo que foi detectada uma diferença de área edificada de 25m² no imóvel.
Corri à Secretaria de Fazenda para esclarecimentos. Lá, verifiquei uma infinidade de notificações sendo seladas e preparadas para envio. Disseram-me que todos os proprietários de imóveis de Mangaratiba receberiam idêntica notificação e cobrança.
Informaram-me que uma firma terceirizada fez um recadastramento imobiliário em 2007 e, agora, estão cobrando a diferença.
Reagi com veemência. Disse que ninguém foi ao meu apartamento medi-lo para me cobrar mais 25 metros quadrados. Que pago o IPTU há mais de cinco anos e não fiz qualquer obra de acréscimo no mesmo, nem poderia, é um apartamento. Só se construísse para fora das janelas.
Por outro lado, a escritura do imóvel – com todos os registros, inclusive na Prefeitura – afirma que o apartamento tem apenas 86,70m².
O funcionário, então, me sugeriu mandar um servidor da secretaria para fazer uma revisão na metragem do imóvel. Aceitei, claro.
Vieram duas servidoras e mediram todo o apartamento. Não paguei a nova cobrança de IPTU e, a partir daí, fiquei na espera. Não recebi qualquer nova notificação da Prefeitura. Somente, agora, recebi a cobrança regular sobre 124m². Um aumento de exatos 25m².
Voltarei à Prefeitura e tentarei reaver o que paguei a mais para não perder o desconto de 15%.
Faço esse relato para alertar a todos sobre essa cobrança estapafúrdia. É preciso que todos verifiquem o que está sendo cobrado de IPTU, para que todos defendam os seus direitos e não aceitem esse novo assalto ao bolso dos contribuintes mais incautos.
Só mesmo repetindo Gregório de Matos:
A Câmara não acode?.................Não pode
Pois não tem todo o poder?.........Não quer
É que o governo a convence?.....Não vence.
Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
LEI SECA, BOLSA FAMÍLIA, QUOTA RACIAL, UPPs, CHOQUE DE ORDEM
“Se não quiseres ser alvo da censura alheia, não faça, não diga, não seja, absolutamente nada.” (Voltaire)
Na passagem de ano, aturei calado os disparatados argumentos contra a Lei Seca proferidos por um indivíduo que não sabe o que diz mas se considera um cidadão consciente dos seus direitos e deveres. Minha vontade era cair de pés juntos sobre o estômago da indigesta criatura, mas estávamos na residência de uma amiga a quem muito prezo e, por baixo da mesa, minha mulher me continha aos ponta-pés.
O babaca dizia que a Lei não deveria atingi-lo porque dirige conscientemente mesmo após beber consideravelmente. Que a Lei Seca não resolveria jamais o problema das mortes no trânsito que continua existindo. Que a solução dependerá de campanhas educativas sobre direção preventiva. E que nunca mais votaria nesses deputados ladrões que aprovaram a Lei Seca.
E eu tive que ficar calado. Como calado eu tenho que ficar quando vejo na NET tanta estupidez contra o Bolsa Família. Dizem que o governo está mantendo uma imensa comunidade de vadios. Que a solução é educação e emprego para todos, como se isso fosse fácil. E enquanto isso não acontece: as crianças devem morrer à mingua sem qualquer ajuda oficial? Ou será que não temos uma dívida social com os mais carentes?
Contra a Quota Racial para entrar nas universidades públicas, então, o número de trogloditas contrários é muito maior. Afirmam que é paliativo, que a solução está no ensino básico de alto nível. Não sabem que a Quota Racial foi importada do primeiro mundo, dos Estados Unidos onde, dizem, o ensino básico é de altíssimo nível. Que ela significa o pagamento de outra dívida social que temos com os negros.
Tenho um amigo que combate em seu blog as Unidades de Polícia Pacificadora que estão sendo implantadas nas comunidades onde o tráfico foi expulso. Que isso não é solução porque continuam vendendo drogas nas imediações dessas comunidades.
Ele finge não conhecer a pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) com 600 moradores de 44 favelas do Rio ainda não contempladas pelo projeto mostrando que 70% dos entrevistados afirmaram ser muito favoráveis ou favoráveis à implantação de UPPs em suas comunidades. Em outra pesquisa, também do IBPS, foram ouvidos mais 600 moradores de favelas onde as unidades já estão funcionando: para 93%, o lugar onde vivem hoje é muito seguro ou seguro, contra apenas 5% que o consideram inseguro ou muito inseguro. Por outro lado, os imóveis usados valorizaram até 126% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. O destaque foi para Ipanema, Copacabana, Botafogo e Tijuca. Os três primeiros são bairros já beneficiados pela ação das UPPs e a Tijuca é o próximo a ter esse mesmo tipo de ação, programada para acontecer na comunidade do Borel.
“Não é porque não posso ter um mundo ideal que vou desistir de apoiar um mundo razoável” – disse um comentarista deste humilde blog.
E disse mais. E eu repito que não se pode pensar desse jeito: “Ah! Eu não acredito (nessas ações) porque somente isso não basta.”
Ele comentava sobre o Choque de Ordem que vem sendo implantado em Muriqui e que alguns são contra pelas razões mais subjetivas.
Sei que o Choque de Ordem não é uma solução definitiva, mas, com o nosso apoio, prevalecerá como instrumento de educação para a civilidade. E é ótimo que existam autoridades que procuram agir pelo bem de todos independentemente do fato de outras se omitirem.
O interessante é que quem combate hoje – ou contesta – o Choque de Ordem em Muriqui já disse em meu blog que “A atuação da polícia foi eficiente e necessária. Ninguém aguentava mais a poluição sonora e a falta de limites daqueles que sequer questionavam como estariam os ouvidos dos moradores e frequentadores da orla.”
Não sei porque a mudança, pois a mesma comentarista já escreveu dizendo que “Também é hipocrisia de nossa parte, criticarmos ações corretas por vivermos tantas outras incorretas.”
Enfim, como eu sempre digo, repetindo Carlos Lacerda: “a coerência é uma virtude própria dos imbecis.”
Na passagem de ano, aturei calado os disparatados argumentos contra a Lei Seca proferidos por um indivíduo que não sabe o que diz mas se considera um cidadão consciente dos seus direitos e deveres. Minha vontade era cair de pés juntos sobre o estômago da indigesta criatura, mas estávamos na residência de uma amiga a quem muito prezo e, por baixo da mesa, minha mulher me continha aos ponta-pés.
O babaca dizia que a Lei não deveria atingi-lo porque dirige conscientemente mesmo após beber consideravelmente. Que a Lei Seca não resolveria jamais o problema das mortes no trânsito que continua existindo. Que a solução dependerá de campanhas educativas sobre direção preventiva. E que nunca mais votaria nesses deputados ladrões que aprovaram a Lei Seca.
E eu tive que ficar calado. Como calado eu tenho que ficar quando vejo na NET tanta estupidez contra o Bolsa Família. Dizem que o governo está mantendo uma imensa comunidade de vadios. Que a solução é educação e emprego para todos, como se isso fosse fácil. E enquanto isso não acontece: as crianças devem morrer à mingua sem qualquer ajuda oficial? Ou será que não temos uma dívida social com os mais carentes?
Contra a Quota Racial para entrar nas universidades públicas, então, o número de trogloditas contrários é muito maior. Afirmam que é paliativo, que a solução está no ensino básico de alto nível. Não sabem que a Quota Racial foi importada do primeiro mundo, dos Estados Unidos onde, dizem, o ensino básico é de altíssimo nível. Que ela significa o pagamento de outra dívida social que temos com os negros.
Tenho um amigo que combate em seu blog as Unidades de Polícia Pacificadora que estão sendo implantadas nas comunidades onde o tráfico foi expulso. Que isso não é solução porque continuam vendendo drogas nas imediações dessas comunidades.
Ele finge não conhecer a pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) com 600 moradores de 44 favelas do Rio ainda não contempladas pelo projeto mostrando que 70% dos entrevistados afirmaram ser muito favoráveis ou favoráveis à implantação de UPPs em suas comunidades. Em outra pesquisa, também do IBPS, foram ouvidos mais 600 moradores de favelas onde as unidades já estão funcionando: para 93%, o lugar onde vivem hoje é muito seguro ou seguro, contra apenas 5% que o consideram inseguro ou muito inseguro. Por outro lado, os imóveis usados valorizaram até 126% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. O destaque foi para Ipanema, Copacabana, Botafogo e Tijuca. Os três primeiros são bairros já beneficiados pela ação das UPPs e a Tijuca é o próximo a ter esse mesmo tipo de ação, programada para acontecer na comunidade do Borel.
“Não é porque não posso ter um mundo ideal que vou desistir de apoiar um mundo razoável” – disse um comentarista deste humilde blog.
E disse mais. E eu repito que não se pode pensar desse jeito: “Ah! Eu não acredito (nessas ações) porque somente isso não basta.”
Ele comentava sobre o Choque de Ordem que vem sendo implantado em Muriqui e que alguns são contra pelas razões mais subjetivas.
Sei que o Choque de Ordem não é uma solução definitiva, mas, com o nosso apoio, prevalecerá como instrumento de educação para a civilidade. E é ótimo que existam autoridades que procuram agir pelo bem de todos independentemente do fato de outras se omitirem.
O interessante é que quem combate hoje – ou contesta – o Choque de Ordem em Muriqui já disse em meu blog que “A atuação da polícia foi eficiente e necessária. Ninguém aguentava mais a poluição sonora e a falta de limites daqueles que sequer questionavam como estariam os ouvidos dos moradores e frequentadores da orla.”
Não sei porque a mudança, pois a mesma comentarista já escreveu dizendo que “Também é hipocrisia de nossa parte, criticarmos ações corretas por vivermos tantas outras incorretas.”
Enfim, como eu sempre digo, repetindo Carlos Lacerda: “a coerência é uma virtude própria dos imbecis.”
domingo, 21 de fevereiro de 2010
FUNKEIROS
Tenho uma amiga que odeia Gregório de Matos. Sinceramente, eu não entendo como se pode odiar um poeta. O meu ódio, que não é pequeno, eu dirijo todo ele apenas aos funkeiros.
Sei que a Lei Estadual diz que o funk é um movimento cultural e musical de caráter popular e que fica proibido qualquer tipo de discriminação ou preconceito, seja de natureza social, racial, cultural ou administrativa contra o movimento funk ou seus integrantes.
Longe de mim querer desacatar a Lei. Aliás, o funk e seus integrantes jamais me incomodaram. Vivo bem longe deles e deles só peço distância.
O que me perturba, me agride, me atormenta, me aflige, me tortura, me angustia e me irrita são os funkeiros. Estes insistem em se aproximar de mim. Em Muriqui, nos finais de semana – mesmo com a repressão – é um suplício. Eles surgem às centenas, dificultando a ação policial.
Estacionam o carro, abrem a mala com a parafernália sonora e ligam a pornofonia insuportável, fazendo apologia ao crime e ao sexo mais depravado. Geralmente, são três ou quatro imbecis tatuados e com cabelo pintado de amarelo. Ficam rebolando e esfregando a bunda um no outro. Viadagem pura. E passam o tempo enchendo a cara e o nariz.
Quando se aglomeram ali entre o Maurício´s Bar e o Quiosque do Marquinhos, mais de 90% são homens – homens? – a maioria com o cabelo amarelo. As meninas decentes e bonitas fogem deles. Eles nem ligam, são viados em potencial. Permanecem apenas as piranhas depravadas, feias e embriagadas.
À noite, quando começa o funk, a freguesia do Maurício desaparece. Surge a PM, o som é desligado. A PM vai embora e volta o som ensurdecedor. A PM não acaba com essa muvuca movida a Ice e muito brilho porque não quer. Ou não tem força para isso. Ou que poder nefasto será esse que tem aquele grupo de marginais para desafiar a PM?
No carnaval, o Maurício teve prejuízo, fechou cedo o restaurante e não pôde sair com o carro. A multidão o impedia. Somente a sensatez do Maurício não permitiu que ocorresse uma desgraça. Aquele ambiente ali tem o mau cheiro da tragédia anunciada.
Pior que um funkeiro, porém, é uma funkeira. No carnaval, vi algumas com as mãos nos joelhos se abaixando até atingir com a vagina um enorme pênis de borracha, em pé, no chão. Isso aconteceu no quiosque 12. E não era uma só, não. Elas riam felizes. Satisfeitas com o seu deprimente espetáculo.
Essas vadias devassas e viciadas não podem ter mãe em casa. Devem ter uma pobre coitada que bota filhas no mundo e não quer saber de responsabilidades.
E os pais dos funkeiros que ainda financiam a parafernália sonora que vai perturbar meio mundo? Que moral podem ter sobre um filho funkeiro? Será que eles estão certos de que são seus filhos?
Na verdade, o funkeiro é geralmente um ignorante que não terminou nem o primeiro grau. Vagabundo, não possui o menor talento para conseguir um emprego. Por isso, sobrevive de pequenos expedientes ou pequenos furtos para sustentar seus vícios. Jamais conseguirão ser alguém na vida. Serão sempre escravos daqueles que não suportam funkeiros.
Estou exagerando? Você vai me dizer que existem rapazes e moças decentes entre os funkeiros?
Pode até ser que existam. Mas, será por pouco tempo. Sabe aquela estória da única laranja podre que estraga todas as outras?
Neste saco, a imensa maioria das laranjas já apodreceu.
Sei que a Lei Estadual diz que o funk é um movimento cultural e musical de caráter popular e que fica proibido qualquer tipo de discriminação ou preconceito, seja de natureza social, racial, cultural ou administrativa contra o movimento funk ou seus integrantes.
Longe de mim querer desacatar a Lei. Aliás, o funk e seus integrantes jamais me incomodaram. Vivo bem longe deles e deles só peço distância.
O que me perturba, me agride, me atormenta, me aflige, me tortura, me angustia e me irrita são os funkeiros. Estes insistem em se aproximar de mim. Em Muriqui, nos finais de semana – mesmo com a repressão – é um suplício. Eles surgem às centenas, dificultando a ação policial.
Estacionam o carro, abrem a mala com a parafernália sonora e ligam a pornofonia insuportável, fazendo apologia ao crime e ao sexo mais depravado. Geralmente, são três ou quatro imbecis tatuados e com cabelo pintado de amarelo. Ficam rebolando e esfregando a bunda um no outro. Viadagem pura. E passam o tempo enchendo a cara e o nariz.
Quando se aglomeram ali entre o Maurício´s Bar e o Quiosque do Marquinhos, mais de 90% são homens – homens? – a maioria com o cabelo amarelo. As meninas decentes e bonitas fogem deles. Eles nem ligam, são viados em potencial. Permanecem apenas as piranhas depravadas, feias e embriagadas.
À noite, quando começa o funk, a freguesia do Maurício desaparece. Surge a PM, o som é desligado. A PM vai embora e volta o som ensurdecedor. A PM não acaba com essa muvuca movida a Ice e muito brilho porque não quer. Ou não tem força para isso. Ou que poder nefasto será esse que tem aquele grupo de marginais para desafiar a PM?
No carnaval, o Maurício teve prejuízo, fechou cedo o restaurante e não pôde sair com o carro. A multidão o impedia. Somente a sensatez do Maurício não permitiu que ocorresse uma desgraça. Aquele ambiente ali tem o mau cheiro da tragédia anunciada.
Pior que um funkeiro, porém, é uma funkeira. No carnaval, vi algumas com as mãos nos joelhos se abaixando até atingir com a vagina um enorme pênis de borracha, em pé, no chão. Isso aconteceu no quiosque 12. E não era uma só, não. Elas riam felizes. Satisfeitas com o seu deprimente espetáculo.
Essas vadias devassas e viciadas não podem ter mãe em casa. Devem ter uma pobre coitada que bota filhas no mundo e não quer saber de responsabilidades.
E os pais dos funkeiros que ainda financiam a parafernália sonora que vai perturbar meio mundo? Que moral podem ter sobre um filho funkeiro? Será que eles estão certos de que são seus filhos?
Na verdade, o funkeiro é geralmente um ignorante que não terminou nem o primeiro grau. Vagabundo, não possui o menor talento para conseguir um emprego. Por isso, sobrevive de pequenos expedientes ou pequenos furtos para sustentar seus vícios. Jamais conseguirão ser alguém na vida. Serão sempre escravos daqueles que não suportam funkeiros.
Estou exagerando? Você vai me dizer que existem rapazes e moças decentes entre os funkeiros?
Pode até ser que existam. Mas, será por pouco tempo. Sabe aquela estória da única laranja podre que estraga todas as outras?
Neste saco, a imensa maioria das laranjas já apodreceu.
O CARA E A COROA
O Cara conquistou todas as vitórias possíveis e imagináveis. Conquistou prestígio universal e a aprovação de mais de 90% do povo brasileiro.
Foi eleito a maior Personalidade Mundial pelos seus pares. Com o imenso prestígio internacional de seu governo, trouxe para o Brasil a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Só falta ser campeão do mundo em 2010. Tudo indica que será. E, se for, elegerá a Coroa presidente do país.
Será a outra face da mesma moeda. É o Cara e a Coroa trnsformando o país. Esse governo tão bem sucedido terá, então, a continuidade que o povo brasileiro anseia e merece.
Após quatro anos ininterruptos junto do Cara como Ministra-Chefe da Casa Civil, ninguém possui as mesmas credenciais da Coroa para comandar o país. Ninguém possui o seu nível de experiência para dar continuidade aos projetos iniciados no atual governo.
Foi eleito a maior Personalidade Mundial pelos seus pares. Com o imenso prestígio internacional de seu governo, trouxe para o Brasil a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Só falta ser campeão do mundo em 2010. Tudo indica que será. E, se for, elegerá a Coroa presidente do país.
Será a outra face da mesma moeda. É o Cara e a Coroa trnsformando o país. Esse governo tão bem sucedido terá, então, a continuidade que o povo brasileiro anseia e merece.
Após quatro anos ininterruptos junto do Cara como Ministra-Chefe da Casa Civil, ninguém possui as mesmas credenciais da Coroa para comandar o país. Ninguém possui o seu nível de experiência para dar continuidade aos projetos iniciados no atual governo.
VERBA FEDERAL RECEBIDA POR MANGARATIBA EM 2009
Repasses do Governo Federal para o município de Mangaratiba, em dezembro de 2009:
R$ 4.543.926,80
Repasses do Governo Federal para o município de Mangaratiba, acumulado em 2009:
R$ 39.116.952,15
Cadastro de Convênios
Recursos Recebidos do Governo Federal em 2009
Recursos Recebidos por Área
Encargos Especiais --------------------------------R$ 32.837.302,86
Saúde ---------------------------------------------R$ 3.265.048,72
Assistência Social ---------------------------------R$ 1.569.373,00
Educação -----------------------------------------R$ 1.230.155,99
Segurança Pública --------------------------------R$ 117.571,58
Recursos Recebidos por Ação
Royalties ------------------------------------------R$ 22.722.490,42
FPM - CF art. 159 -------------------------------R$ 8.036.030,76
FUNDEB -----------------------------------------R$ 1.462.385,99
PAB Variável - PSF ------------------------------R$ 1.212.505,00
PAB Fixo ----------------------------------------R$ 635.945,24
Recursos Pagos Direto ao Cidadão
Bolsa Família --------------------------------------R$ 1.345.341,00
Quer saber mais? Clique aqui .
E veja quanto Mangaratiba recebeu para a modernização, reaparelhamento e capacitação da guarda municipal, e para desenvolver ações de prevenção junto à população, visando reduzir os índices de violência e criminalidade por meio de ações preventivas e educativas.
Veja só, a verba é para reduzir os índices de violência e criminalidade. E o futuro ex-prefeito diz que não tem nada a ver com isso, diz que segurança é responsabilidade exclusiva da PMERJ.
Veja, também, que o Município recebeu R$ 500.000,00 para a aquisição de veículo automotor, zero km, com especificações para transporte escolar.
E saiba que a prefeitura foi beneficiada com um total de R$ 1.000.000,00 para a aquisição de unidades móveis de saúde (ambulâncias e UTI móvel).
Por favor, me informe se você sabe onde estão esses veículos. E, se você tomou conhecimento do orçamento da prefeitura para 2010, por favor, me informe onde posso encontrá-lo.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
MAIS UM BLOGUEIRO
O Marcos Silva (Markito) - professor de história - lançou o seu blog este mês. Isso é ótimo. É mais um para a nossa crescente comunidade blogueira. Clique aqui .
Seu texto inicial sobre a "memória do passado" me trouxe à lembrança um slogan que criei para uma nova revista que foi lançada há cerca de 30 anos. A pauta da revista, somente para adolescentes, era o futuro. Como seriam ou poderiam ser as inovações tecnológicas para o século 21.
O slogan foi: "A História do Futuro".
Seu texto inicial sobre a "memória do passado" me trouxe à lembrança um slogan que criei para uma nova revista que foi lançada há cerca de 30 anos. A pauta da revista, somente para adolescentes, era o futuro. Como seriam ou poderiam ser as inovações tecnológicas para o século 21.
O slogan foi: "A História do Futuro".
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
CARNAVAL EM MURIQUI
Visto aqui do alto, o carnaval de Muriqui é feio, pobre, sujo, mas, pelo menos, não fede e não se vê tanta gente feia. Lá, em baixo, fede a mijo. Aquele mijo curtido de um dia para o outro, um mijo azedo. E se você descobre na multidão uma mulher bonita dá até pena de ver.
Hoje, terça-feira, às 18:30h, tomei coragem e saí de casa. Fui confirmar o que meus informantes me passaram nos três dias anteriores antes de escrever esse texto.
Era tudo verdade. Carros com mala aberta berrando o funk mais deprimente. Muita gente feia e devassa em atos libidinosos que somente o funk de baixo calão proporciona.
Em cada esquina, vendedores de cerveja com imensos isopores. Tumultos na área do quiosque do Marquinhos. No calçadão da praia, uma imundície invejável até para o lixão de Gramacho. Água imunda e fétida escorrendo pela Av. Beira Mar. Uma multidão e nenhum banheiro químico.
Parei por mais de uma hora no Maurício´s Bar. Não vi passar pela praia um único PM, nem um mísero GM. Fui informado de que a praça estava repleta de policiais. Fui ver para crer. Era verdade. Havia oito PMs levando um animado papo na esquina da Rio de Janeiro. Na guarita da GM, quatro agentes – uma mulher – sendo que três foram levados por um carro da GM às 20:15h. Restou apenas um. Onde estavam os outros 300 enquanto o pau comia na área do quiosque do Marquinho entre um grupo do bloco da Cachoeira Um e a rapaziada que fica ali enchendo a cara e o nariz?
Nesse local, um potente carro de som anunciava o encontro dos abadás. Quando começou o funk, caí fora.
Agora, são quase 22 horas e está chovendo. Feliz e finalmente está chovendo. A chuva há de colocar ordem na praia e fechar as malas dos carros. Já não ouço mais a pornofonia funkeira.
Mas, antes de terminar, quero comentar a iniciativa do Brandão – nosso superintendente de trânsito – com esse adesivo reproduzido aí em cima para facilitar o controle de acesso à Av. Beira Mar.
Na quinta-feira – ou terá sido na sexta? – fui dos primeiros a comparecer na cancela para pegar dois. Para o meu carro e para o carro da minha mulher. Não tive de provar que tinha dois carros. Aliás, ninguém teve de provar que possuía carro para pegar o adesivo que foi entregue a todos os moradores que estavam relacionados.
Foi uma boa iniciativa, mas o controle foi de uma ineficácia absoluta. Raríssimos carros estacionados na Av. Beira Mar e ruas perpendiculares possuíam o adesivo. Melhor controle exerceu o Detran rebocando os carros com IPVA atrasado.
Faltou água, faltou luz, mas não foi o auge da bosta do carnaval passado. Eu reconheço, mas, desisto. No próximo carnaval, estarei bem longe de Muriqui como fazem as nossas autoridades.
Hoje, terça-feira, às 18:30h, tomei coragem e saí de casa. Fui confirmar o que meus informantes me passaram nos três dias anteriores antes de escrever esse texto.
Era tudo verdade. Carros com mala aberta berrando o funk mais deprimente. Muita gente feia e devassa em atos libidinosos que somente o funk de baixo calão proporciona.
Em cada esquina, vendedores de cerveja com imensos isopores. Tumultos na área do quiosque do Marquinhos. No calçadão da praia, uma imundície invejável até para o lixão de Gramacho. Água imunda e fétida escorrendo pela Av. Beira Mar. Uma multidão e nenhum banheiro químico.
Parei por mais de uma hora no Maurício´s Bar. Não vi passar pela praia um único PM, nem um mísero GM. Fui informado de que a praça estava repleta de policiais. Fui ver para crer. Era verdade. Havia oito PMs levando um animado papo na esquina da Rio de Janeiro. Na guarita da GM, quatro agentes – uma mulher – sendo que três foram levados por um carro da GM às 20:15h. Restou apenas um. Onde estavam os outros 300 enquanto o pau comia na área do quiosque do Marquinho entre um grupo do bloco da Cachoeira Um e a rapaziada que fica ali enchendo a cara e o nariz?
Nesse local, um potente carro de som anunciava o encontro dos abadás. Quando começou o funk, caí fora.
Agora, são quase 22 horas e está chovendo. Feliz e finalmente está chovendo. A chuva há de colocar ordem na praia e fechar as malas dos carros. Já não ouço mais a pornofonia funkeira.
Mas, antes de terminar, quero comentar a iniciativa do Brandão – nosso superintendente de trânsito – com esse adesivo reproduzido aí em cima para facilitar o controle de acesso à Av. Beira Mar.
Na quinta-feira – ou terá sido na sexta? – fui dos primeiros a comparecer na cancela para pegar dois. Para o meu carro e para o carro da minha mulher. Não tive de provar que tinha dois carros. Aliás, ninguém teve de provar que possuía carro para pegar o adesivo que foi entregue a todos os moradores que estavam relacionados.
Foi uma boa iniciativa, mas o controle foi de uma ineficácia absoluta. Raríssimos carros estacionados na Av. Beira Mar e ruas perpendiculares possuíam o adesivo. Melhor controle exerceu o Detran rebocando os carros com IPVA atrasado.
Faltou água, faltou luz, mas não foi o auge da bosta do carnaval passado. Eu reconheço, mas, desisto. No próximo carnaval, estarei bem longe de Muriqui como fazem as nossas autoridades.
ESCOLAS DE SAMBA 2010
Eu me viciei em escolas de samba desde que elas desfilavam na Av. Rio Branco, com cordão de isolamento e arquibancadas apenas para jurados e convidados. Assistia de pé às poucas escolas. Isso foi lá nos anos 50. Depois, passaram a desfilar na Av. Presidente Vargas, na Av. Antônio Carlos – onde desfilei pela primeira vez na Mocidade – e na Sapucaí. Arquibancadas de madeira eram montadas para a ocasião e, eu, sempre “afundando” para vê-las sem pagar ingresso. Isso depois de entrar na passarela com o Bafo da Onça e de lá somente sair debaixo de porrada da polícia.
Em 1984, Brizola construiu o Sambódromo, o palco definitivo. O Bafo da Onça não mais podia penetrar; mas, aí, eu já participava como diretor de escola e desfilava em todas, sempre de branco. Na Vila ou na Manga, na Serrinha ou no Sal, na Mocidade ou na Portela, eu sou o tal - dizia um samba que fiz com meu parceiro China. Tocou muito na Rádio Ipanema.
Nessa década fui, até, carnavalesco e autor de samba-enredo de escola do segundo grupo, a Unidos de Bangu. Vi e ouvi o samba se descaracterizar para agradar turistas e foliões de salão acostumados com o andamento acelerado das bandas que animavam os bailes.
Agora, em 2010, quando me falavam que o melhor samba era o do Salgueiro, eu dizia: isso não é samba, isso é marcha. No máximo, é um samba de embalo marcheado. Algo que empolga a escola e a aquibancada, mas que somente mexe com os pés e faz o componente marchar.
Samba é sincopado, mescla tons maiores e menores na melodia que se alterna, buscando caminhos inesperados e mexendo com o corpo inteiro de quem ouve, em andamento de samba.
O melhor samba é o da Imperatriz “Brasil de Todos os Deuses”, eu dizia. E não me importa se os jurados darão nota dez a todos os sambas das grandes escolas. Dos cinquenta jurados, metade julga de fato, enquanto a outra metade dá notas de acordo com o poder, o prestígio, o carisma da escola e de seu patrono. O julgamento que vale para mim é o do Estandarte de Ouro de O Globo que tem o Fernando Pamplona no comando.
Pamplona que foi proibido de comentar os desfiles pela TV por ser extremamente crítico e falar o que sente. Muito diferente dos atuais comentaristas que ganham somente para elogiar.
Minha única nota dez em Samba-Enredo é para a Imperatriz. Assim como a única nota dez em Comissão de Frente é para a Unidos da Tijuca. O que eles fizeram foi absolutamente sensacional. Como conseguiram? É segredo, o nome do enredo. Não é possível, em sã consciência, dar nota dez para nenhuma outra comissão de frente.
A minha Mocidade conseguiu se redimir este ano com o mais empolgante refrão do desfile. Empolgou a Sapucaí, a bateria e todos os seus componentes que devem tirar nota máxima em evolução, coisa que não acontecia há muitos anos.
E a minha querida Portela? Que decepção, cada ano sai pior e faz de tudo para cair para o Grupo de Acesso. Talvez, consiga este ano junto com a Viradouro.
Quem vai ganhar? Será um disputa difícil. Imperatriz? Tijuca? Grande Rio? Sei lá...
P.S.: O samba da Imperatriz ganhou o Estandarte de Ouro
Em 1984, Brizola construiu o Sambódromo, o palco definitivo. O Bafo da Onça não mais podia penetrar; mas, aí, eu já participava como diretor de escola e desfilava em todas, sempre de branco. Na Vila ou na Manga, na Serrinha ou no Sal, na Mocidade ou na Portela, eu sou o tal - dizia um samba que fiz com meu parceiro China. Tocou muito na Rádio Ipanema.
Nessa década fui, até, carnavalesco e autor de samba-enredo de escola do segundo grupo, a Unidos de Bangu. Vi e ouvi o samba se descaracterizar para agradar turistas e foliões de salão acostumados com o andamento acelerado das bandas que animavam os bailes.
Agora, em 2010, quando me falavam que o melhor samba era o do Salgueiro, eu dizia: isso não é samba, isso é marcha. No máximo, é um samba de embalo marcheado. Algo que empolga a escola e a aquibancada, mas que somente mexe com os pés e faz o componente marchar.
Samba é sincopado, mescla tons maiores e menores na melodia que se alterna, buscando caminhos inesperados e mexendo com o corpo inteiro de quem ouve, em andamento de samba.
O melhor samba é o da Imperatriz “Brasil de Todos os Deuses”, eu dizia. E não me importa se os jurados darão nota dez a todos os sambas das grandes escolas. Dos cinquenta jurados, metade julga de fato, enquanto a outra metade dá notas de acordo com o poder, o prestígio, o carisma da escola e de seu patrono. O julgamento que vale para mim é o do Estandarte de Ouro de O Globo que tem o Fernando Pamplona no comando.
Pamplona que foi proibido de comentar os desfiles pela TV por ser extremamente crítico e falar o que sente. Muito diferente dos atuais comentaristas que ganham somente para elogiar.
Minha única nota dez em Samba-Enredo é para a Imperatriz. Assim como a única nota dez em Comissão de Frente é para a Unidos da Tijuca. O que eles fizeram foi absolutamente sensacional. Como conseguiram? É segredo, o nome do enredo. Não é possível, em sã consciência, dar nota dez para nenhuma outra comissão de frente.
A minha Mocidade conseguiu se redimir este ano com o mais empolgante refrão do desfile. Empolgou a Sapucaí, a bateria e todos os seus componentes que devem tirar nota máxima em evolução, coisa que não acontecia há muitos anos.
E a minha querida Portela? Que decepção, cada ano sai pior e faz de tudo para cair para o Grupo de Acesso. Talvez, consiga este ano junto com a Viradouro.
Quem vai ganhar? Será um disputa difícil. Imperatriz? Tijuca? Grande Rio? Sei lá...
P.S.: O samba da Imperatriz ganhou o Estandarte de Ouro
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
DESFILE DE BLOCOS
Reproduzimos do site da Prefeitura os locais de concentração, dias e horários para o desfile de blocos em Mangaratiba.
MURIQUI (18 blocos)
Chicleteiros da Costa Verde, na praia - Sábado (13/02), às 12 h
Banda do Banana, na Rua Marcelino - Sábado (13/02), às 16 h
Do Oi, no Quiosque do Reginaldo - Domingo (14/02), às 13 h
Da Encrenca, na Rua João Bondim - Domingo (14/02), às 16 h
Bloco do Bigode, na Av. Beira Mar, 692 - Domingo (14/02), às 16 h
Turma do Xibil, na Pça do Evangelho - Domingo (14/02), às 17 h
Unidos Pelo Chifre, na Pça do skate - Domingo (14/02), às 17 h
Arrastão da Folia, na RJ-14 - Segunda (15/02), às 15 h
Da 3ª Idade, na Rua Guanabara - Segunda (15/02), às 17 h
Embalo da Rosinha, na Rua Araribóia - Segunda (15/02), às 14 h
Das Piranhas, na Rua Eduardo Bertino - Segunda (15/02), às 16 h
Boêmios de Muriqui, R. Fabrício Fleming - Segunda (15/02), às 18 h
Siri Com Cãibra, na RJ-14/Carne Seca - Terça (16/02), às 16 h
Unidos da Cachoeira, no cpo de futebol - Terça (16/02), às 15 hs
Da Alegria, na Rua 12 de Outubro - Terça (16/02), às 17 h
Bloco da Ressaca, na praia - Sábado (20/02), às 16 h
Muricareta, na praia - Sábado (20/02), às 16 h
Turma do Buraco, na pça principal - Sábado (20/02), às 14 h
ITACURUÇÁ (13 blocos)
Mama na Teta, no Iate Clube - Sexta (12/02), às 17 h
Baba na Gola, no Iate Clube - Sexta (12/02), às 19 h
Balança mas não cai, no Iate Clube - Sábado (13/02), às 16 h
Unidos do Cerrado, no Lgo do Cerrado - Sábado (13/02), às 19 h
República, na Pça Major Caetano - Domingo (14/02), às 16 h
Da Pedra Rolou, no Axixá/Edmilson - Domingo (14/02, sem hora
Pinto no Lixo, no Iate Clube - Domingo (14/02)às 18 h
Carvão, na Brasilinha - Segunda (15/02), às 09 h
Cardume das Piranhas, na I. Jaguanum - Segunda (15/02), às 12 h
Acadêmicos de Itacuruçá, (onde?) - Segunda (15/02), às 19 h
Manga, no Largo do Cerrado - Terça (16/02), às 18 h
CarnaBoi x Piranhas, ao lado do Iate Clube- Terça (16/02), às 19 h
Hospício Lotado, no Largo do Cerrado -Terça (16/02), às 19 h
PRAIA DO SACO (4 blocos)
Das Piranhas, na quadra da Victor Breves - Domingo (14/02), às 17 h
Vem que tem, na quadra da Victor Breves - Segunda (15/02), às 18 h
Baila comigo, na Rua S. Catarina (cs. Terezinha) -Terça (16/02), 15 h
Palito de fósforo, na quadra da Victor Breves- Terça (16/02), às 15 h
MANGARATIBA/Centro (6 blocos)
Happy hour, no Mangarás - Sábado (13/02), às 22 h
Unidos do Bela Vista , no Mangarás - Domingo (14/02), às 21 h
Homens da Caverna, no Biricuticos - Domingo (14/02), às 22 h
Gafanhotos da Ribeira, no Mangarás - Segunda (15/02), às 21 h
Unidos de Praia Brava, no Mangarás - Segunda (15/02), às 22 h
Bloco da Burrinha, no Mangarás - Terça (16/02), às 21 h
MURIQUI (18 blocos)
Chicleteiros da Costa Verde, na praia - Sábado (13/02), às 12 h
Banda do Banana, na Rua Marcelino - Sábado (13/02), às 16 h
Do Oi, no Quiosque do Reginaldo - Domingo (14/02), às 13 h
Da Encrenca, na Rua João Bondim - Domingo (14/02), às 16 h
Bloco do Bigode, na Av. Beira Mar, 692 - Domingo (14/02), às 16 h
Turma do Xibil, na Pça do Evangelho - Domingo (14/02), às 17 h
Unidos Pelo Chifre, na Pça do skate - Domingo (14/02), às 17 h
Arrastão da Folia, na RJ-14 - Segunda (15/02), às 15 h
Da 3ª Idade, na Rua Guanabara - Segunda (15/02), às 17 h
Embalo da Rosinha, na Rua Araribóia - Segunda (15/02), às 14 h
Das Piranhas, na Rua Eduardo Bertino - Segunda (15/02), às 16 h
Boêmios de Muriqui, R. Fabrício Fleming - Segunda (15/02), às 18 h
Siri Com Cãibra, na RJ-14/Carne Seca - Terça (16/02), às 16 h
Unidos da Cachoeira, no cpo de futebol - Terça (16/02), às 15 hs
Da Alegria, na Rua 12 de Outubro - Terça (16/02), às 17 h
Bloco da Ressaca, na praia - Sábado (20/02), às 16 h
Muricareta, na praia - Sábado (20/02), às 16 h
Turma do Buraco, na pça principal - Sábado (20/02), às 14 h
ITACURUÇÁ (13 blocos)
Mama na Teta, no Iate Clube - Sexta (12/02), às 17 h
Baba na Gola, no Iate Clube - Sexta (12/02), às 19 h
Balança mas não cai, no Iate Clube - Sábado (13/02), às 16 h
Unidos do Cerrado, no Lgo do Cerrado - Sábado (13/02), às 19 h
República, na Pça Major Caetano - Domingo (14/02), às 16 h
Da Pedra Rolou, no Axixá/Edmilson - Domingo (14/02, sem hora
Pinto no Lixo, no Iate Clube - Domingo (14/02)às 18 h
Carvão, na Brasilinha - Segunda (15/02), às 09 h
Cardume das Piranhas, na I. Jaguanum - Segunda (15/02), às 12 h
Acadêmicos de Itacuruçá, (onde?) - Segunda (15/02), às 19 h
Manga, no Largo do Cerrado - Terça (16/02), às 18 h
CarnaBoi x Piranhas, ao lado do Iate Clube- Terça (16/02), às 19 h
Hospício Lotado, no Largo do Cerrado -Terça (16/02), às 19 h
PRAIA DO SACO (4 blocos)
Das Piranhas, na quadra da Victor Breves - Domingo (14/02), às 17 h
Vem que tem, na quadra da Victor Breves - Segunda (15/02), às 18 h
Baila comigo, na Rua S. Catarina (cs. Terezinha) -Terça (16/02), 15 h
Palito de fósforo, na quadra da Victor Breves- Terça (16/02), às 15 h
MANGARATIBA/Centro (6 blocos)
Happy hour, no Mangarás - Sábado (13/02), às 22 h
Unidos do Bela Vista , no Mangarás - Domingo (14/02), às 21 h
Homens da Caverna, no Biricuticos - Domingo (14/02), às 22 h
Gafanhotos da Ribeira, no Mangarás - Segunda (15/02), às 21 h
Unidos de Praia Brava, no Mangarás - Segunda (15/02), às 22 h
Bloco da Burrinha, no Mangarás - Terça (16/02), às 21 h
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
CANALHA MAU CARÁTER
Um cachorro vagabundo,
Sozinho, solto no mundo,
Sem dono, sem par, sem coleira,
Magro, sujo, mal vestido,
Um olhar meio perdido,
Vadiando à beira-mar.
Fiquei com pena, chamei-o,
Ele veio e eu, serena,
Afaguei-o com carinho.
Fui embora e ele atrás me seguindo no caminho.
Vinha em paz todo feliz e eu pensando: o que fiz?
Abri o portão de casa, eu entrei e ele parado
Sentado no meio-fio...
Coração ficou em brasa, era um cão bem educado.
E, afinal, num desvario, convidei-o para entrar.
Ele veio todo esguio, a cauda a se balançar.
Ficou comigo uma hora, comeu, bebeu, foi embora,
Nunca mais eu vi por perto aquele canino esperto.
Passou por mim noutro dia, disfarçou, olhou pro lado,
Fingiu que não conhecia quem o fez sentir-se amado...
Quem deu um quilo de alcatra pra um canalha mau caráter.
Sozinho, solto no mundo,
Sem dono, sem par, sem coleira,
Magro, sujo, mal vestido,
Um olhar meio perdido,
Vadiando à beira-mar.
Fiquei com pena, chamei-o,
Ele veio e eu, serena,
Afaguei-o com carinho.
Fui embora e ele atrás me seguindo no caminho.
Vinha em paz todo feliz e eu pensando: o que fiz?
Abri o portão de casa, eu entrei e ele parado
Sentado no meio-fio...
Coração ficou em brasa, era um cão bem educado.
E, afinal, num desvario, convidei-o para entrar.
Ele veio todo esguio, a cauda a se balançar.
Ficou comigo uma hora, comeu, bebeu, foi embora,
Nunca mais eu vi por perto aquele canino esperto.
Passou por mim noutro dia, disfarçou, olhou pro lado,
Fingiu que não conhecia quem o fez sentir-se amado...
Quem deu um quilo de alcatra pra um canalha mau caráter.
AUXÍLIO RECLUSÃO
Circula atualmente na net um e-mail que fere as regras da lógica e as leis da razão. Como é a terceira vez que o recebo, decidi comentá-lo aqui na esperança de que quem me lê não passe recibo em tamanha estupidez e não o repasse para os amigos.
Esse e-mail nefasto e desatinado diz o seguinte:
PARECE MENTIRA, NÃO. É MENTIRA, SIM.
Somente o segurado do INSS tem direito ao auxílio-reclusão. O trabalhador que contribui para o INSS, se for preso e tiver esposa ou filhos menores para sustentar, terá direito ao auxílio-reclusão.
O valor do auxílio-reclusão será calculado sobre o valor máximo de contribuição de R$ 752,12. Isto é, se ele ganha e contribui sobre um valor maior do que esse, o auxílio-reclusão será sempre calculado sobre R$ 752,12.
Isto significa que o valor do auxílio-reclusão será sempre menor que um salário mínimo. Não importa quantos filhos tenha. Essa estória de “bandido com 5 filhos, além de comer e beber nas costas
de quem trabalha, comandar o crime de dentro das prisões e ainda receber auxilio de R$ 3.763,55” é uma completa estupidez, uma insanidade. Bandido nunca foi segurado do INSS.
Auxílio-reclusão foi feito para gente decente, trabalhadora, que, por algum motivo, foi parar na cadeia.
Gente como eu e você que, por força do destino, pode cometer um crime.
O texto ainda pergunta que país é esse. Eu respondo, é um país civilizado igualzinho a todos os outros que também pagam auxílio-reclusão a seus cidadãos.
E eu pergunto: que gente é essa que acredita em um e-mail desses e o repassa? Só pode ser gente que não se orgulha do país em que nasceu e o menospreza.
Ele tem muitos problemas? Sim. Mas, não é dessa forma – menosprezando-o – que vamos mudar.
Esse e-mail nefasto e desatinado diz o seguinte:
“PARECE MENTIRA, MAS É VERDADE, CAROS AMIGOS, É UM ABSURDO E É UMA VERGONHAAAA!!!!!!Atenção, agora sou eu que escrevo:
QUE PAÍS É ESTE???
VOCÊS SABIAM DO AUXÍLIO RECLUSÃO?
É por essas e outras que a criminalidade não diminui... Ela dá lucro! E justifica a falência do INSS.
Vocês sabiam que todo presidiário com filhos tem uma bolsa que, a partir de 1/2/2009, é de até R$ 752,12 por filho para sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso, mas mesmo que ele opte por trabalhar na prisão o auxilio não é suspenso?
Mais que um salário mínimo que muita gente por aí rala p´ra conseguir e manter uma família inteira!!!!!!!!!!!! E muitos aposentados recebem para sustentar toda a família.
Bandido com 5 filhos, além de comer e beber nas costas de quem trabalha, comandar o crime de dentro das prisões ainda recebe auxílio de R$ 3.763,55. Qual pai de família com 5 filhos recebe um salário suado igual??? Se for ex-trabalhador rural, mesmo que nunca tenha contribuído recebe salário mínimo. E se o "coitadinho" morrer vira pensão vitalícia.
Ah, tá duvidando?!?!
Veja a Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS
(CONFIRA NO SITE:
http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22)
(Auxílio-reclusão)
A - Pergunta que não quer calar 1:
Por acaso os filhos do sujeito que foi morto pelo coitadinho que está preso recebe uma bolsa de R$752,12 para seu sustento?
B - Pergunta que não quer calar 2:
Já viu algum defensor dos direitos humanos defendendo esta bolsa para os filhos das vítimas?
ESTE É MAIS UM DOS ABSURDOS QUE PROTEGEM OS BANDIDOS.
TEMOS QUE NOS PROTEGER COM GRADES, ALARMES E AFINS, ENQUANTO OS BANDIDOS ANDAM LIVREMENTE PELAS RUAS, E, AINDA COM PROTEÇAO DOS DIREITOS HUMANOS. PRECISAMOS FAZER ALGUMA COISA...
NÃO DEIXE DE REPASSAR ESTE E-MAIL, É MUITO DESCASO COM O CIDADÃO TRABALHADOR.
IMAGINE SÓ SE NÓS TRABALHADORES TIVESSEMOS ESSES DIREITOS.
NESSE PAÍS SÓ TEM VALOR QUEM FOR MARGINAL. AFINAL... QUE PAÍS É ESSE???”
PARECE MENTIRA, NÃO. É MENTIRA, SIM.
Somente o segurado do INSS tem direito ao auxílio-reclusão. O trabalhador que contribui para o INSS, se for preso e tiver esposa ou filhos menores para sustentar, terá direito ao auxílio-reclusão.
O valor do auxílio-reclusão será calculado sobre o valor máximo de contribuição de R$ 752,12. Isto é, se ele ganha e contribui sobre um valor maior do que esse, o auxílio-reclusão será sempre calculado sobre R$ 752,12.
Isto significa que o valor do auxílio-reclusão será sempre menor que um salário mínimo. Não importa quantos filhos tenha. Essa estória de “bandido com 5 filhos, além de comer e beber nas costas
de quem trabalha, comandar o crime de dentro das prisões e ainda receber auxilio de R$ 3.763,55” é uma completa estupidez, uma insanidade. Bandido nunca foi segurado do INSS.
Auxílio-reclusão foi feito para gente decente, trabalhadora, que, por algum motivo, foi parar na cadeia.
Gente como eu e você que, por força do destino, pode cometer um crime.
O texto ainda pergunta que país é esse. Eu respondo, é um país civilizado igualzinho a todos os outros que também pagam auxílio-reclusão a seus cidadãos.
E eu pergunto: que gente é essa que acredita em um e-mail desses e o repassa? Só pode ser gente que não se orgulha do país em que nasceu e o menospreza.
Ele tem muitos problemas? Sim. Mas, não é dessa forma – menosprezando-o – que vamos mudar.
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