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domingo, 21 de março de 2010

SAÚDE PÚBLICA

O estudante levou um tiro na cabeça e foi atendido em UTI de hospital público da rede municipal carioca. Para se proteger, o cérebro reagiu com uma inflamação tão intensa que forçou os médicos a retirar parte do crânio do rapaz, visando dar mais espaço ao cérebro inflamado e dilatado.
Os médicos, então, para manter a parte do crânio retirada em seu estado natural – recebendo a necessária irrigação sanguínea - implantaram-na no interior do rapaz nos tecidos subcutâneos. Enquanto isso, trataram-no com antiinflamatórios até que o cérebro reagisse e respondesse ao tratamento, controlando a inflamação.
Cerca de trinta dias após, contido o processo inflamatório e a dilatação do cérebro, extraíram a parte do crânio de onde estava implantada e a colocaram novamente no local devido, reconstruindo a cabeça do paciente.
Após quase três meses, o rapaz foi liberado e deu entrevistas à televisão esta semana.
Esta semana, também, foi preso na baixada fluminense um falso médico – na verdade, um farmacêutico - que se dizia clínico geral e cardiologista. Acontece que o falso médico atuou durante mais de 16 anos em diversos hospitais públicos da baixada.
Durante esses anos todos, quantos pacientes o falso médico atendeu? Digamos que atendeu a 20 pacientes por dia durante 250 dias por ano. Daria um total de cerca de 80 mil consultas. Desses, quantos necessitavam realmente de atendimento médico? Talvez, nenhum. E, por isso mesmo, o falso médico tenha enganado a todos durante todo o tempo.
São dois exemplos de pacientes dos nossos serviços de saúde pública. Mas, não vou radicalizar. Sei que os hospitais vivem superlotados e sei que alguns até necessitam mesmo de médico e podem não ser devida e criteriosamente atendidos.
Estes são as exceções que ganham manchetes nos jornais e TVs. Os que são muito bem atendidos somente ganham as manchetes em casos extremos como o daquele rapaz.

Um comentário:

leila castro disse...

Meu guru enlouquecido, lá vamos nós.

A medicina do estudante.

Casos surpreendentes são motivo de notícia e ainda mais quando dão certo.
Te pergunto: Quantos casos como este não recebem este mesmo tratamento?
Você tem os dados estatísticos para compararmos?
A medicina que atendeu o estudante é exceção, e por isto é notícia!
Sistema de Saúde que depende de sorte no atendimento, não é política pública decente.
Sistema de Saúde que vai depender do plantão que o atender, não é merecedor de louvor.
Além do mais, esta técnica é conhecida, podemos lamentar que não seja usual e depende do bom amanhecer do médico que estará ocasionalmente no atendimento.
A população também poderá ser agraciada com esta técnica, em hospitais públicos, em caso de necessidade, não só por acidentes, como também por doenças que acometem o cérebro, por um complemento salarial a equipe.
Caso contrário, amargará na fila de espera.

O caso do falso médico.
O farmacêutico que atendeu por 16 anos, não é um leigo na área, pois seu curso de formação o aproxima da medicina.
Mas, como saberemos que nestes 16 anos não matou ou agravou o estado de saúde daqueles que atendeu?
Ele atendia pacientes, isto não quer dizer que eram pacientes deste estelionatário, pois no Sistema de saúde que temos, hoje somos atendidos por um "médico" e amanhã já seremos por outro.
Quantos hipertensos foram atendidos?
E um farmacêutico é capaz de receitar remédios para controle da hipertensão, sem que o pobre paciente perceba a diferença entre médico e farmacêutico, já que mesmo os médicos são tão superficiais no exercício da profissão.
Quantos sintomas diversos são encaminhados pelo clínico geral aos especialistas para diagnóstico?

Por isto tudo, amigo Lacerda, não vamos dar uma de advogados do diabo e a todo tempo questionar a população usuária do descaso público, em todas as áreas de atuação. É como culpar a vítima de estupro por andar de mini-saia ou blusa decotada.

Ninguém por mais "desocupado" que seja, irá enfrentar filas para atendimento médico sem que algo esteja errado com sua saúde. É lógico que temos os "espertos" que querem dar nó no empregador e procuram os postos de saúde e hospitais para atestados, mas é a minoria que encontraremos nas filas de espera.

O caso que postei em meu blog, não é exceção. É fato comum em todos os lugares, mas não é por isto que devo achar que é natural e não fazer absolutamente nada para tentar mudar este absurdo.
Depois de minha postagem, são vários os depoimentos de pessoas que se identificaram com o problema.
Estamos falando de vida, saúde, políticas públicas e respeito. Isto é fundamental para que possamos pensar em futuro.