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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

TRE EM MANGARATIBA



Parece galhofa e é a mais pura verdade. Tudo pode acontecer na eleição de Mangaratiba. Até um cidadão em pleno gozo de seus direitos políticos para poder se candidatar, fazer campanha e não poder exercer o sagrado direito de votar em si próprio. Isso é notícia para os grandes veículos da imprensa. É a história do candidato que foi votado e não pôde votar em Mangaratiba.
Vejam a reprodução acima do site do Tribunal Superior Eleitoral - podem ir lá ver em Divulgação de Candidaturas, vereadores, Mangaratiba - o cidadão Joaquim Barbosa Batista, título eleitoral nº 027.380.750.302, da 43ª seção, da 54ª ZE, candidato a vereador, sob o número 70.170, da coligação PDT/PTB/PTdoB, estava apto para ser votado, tendo o seu registro deferido pelo TRE de Mangaratiba no processo/protocolo nº 163/08/399/08. Portanto, estava em pleno gozo de seus direitos políticos, não é verdade?
Não, é mentira.
Ele fez sua campanha, gastou seus poucos recursos, absolutamente de acordo com a lei eleitoral, e no dia 5 de outubro foi votar com seus amigos e familiares.
Passou a maior vergonha, foi motivo de chacota: não pôde votar. O TRE em Mangaratiba não o relacionou entre os eleitores aptos para exercer o direito do voto.
Parece galhofa, repito, mas não é. Vejam o documento expedido pela presidente - Fabiane Rodrigues Lima - da seção 043 da 54ª Zona Eleitoral de Mangaratiba. É uma declaração de comparecimento sem voto e com o título retido para encaminhamento à citada zona eleitoral.
A verdade é que o candidato Barbosinha teve o título eleitoral cancelado, em 11 de abril de 2008, no processo 248/07 da 54ª ZE. Como, então, foi considerado apto como candidato em julho de 2008, no processo citado anteriormente?
Foi grande o número de eleitores recadastrados, moradores do município, que também não puderam votar. Sei lá porquê. Há mais mistérios na eleição de Mangaratiba do que pode sonhar a nossa vã filosofia.
Porém, este caso do Barbosinha é excepcional e injustificável. E o pior de tudo - atenção TSE - os votos que ele recebeu foram considerados válidos.
Fica uma dúvida: será que esse fato lastimável aconteceu somente com o Barbosinha? Se aconteceu com outros candidatos, o cálculo do quociente eleitoral pode não estar correto e os eleitos pelas sobras de legenda podem sofrer modificações.
Com a palavra o cartório da 54ª ZE de Mangaratiba que teve o Juiz Eleitoral substituído às vésperas da eleição.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

MINHOCAS DA TERRA?!


A xenofobia de parte da elite dominante de Mangaratiba criou a alcunha “minhocas da terra” para designar os habitantes nascidos ou que vivem há muito tempo no município. Enquanto chamam de forasteiros aqueles que vieram algum tempo depois.
Esquecem que tudo começou com índios tupiniquins baianos e padres jesuítas portugueses que para cá vieram construir um povoado. Esquecem que o crescimento da cidade se deveu principalmente àqueles que vieram de longe e a escolheram para residir há cerca de 10, 20 anos ou mais.
Por que chamar de forasteiros aqueles que escolheram investir e morar em Mangaratiba?
Esse preconceito com o lumpemproletariado não pode atingir a todos indiscriminadamente.
Estou falando isso porque ninguém é mais cidadão dessa cidade do que eu que vim morar há cinco anos, mas sempre tive casa aqui em Muriqui.
E ninguém é mais cidadão de Mangaratiba do que José Luiz do Posto, o vereador mais bem votado do município com 1.127 votos.
Parodiando o nosso presidente: nunca na história desse município um candidato a vereador havia ultrapassado os mil votos.
Parabéns, José Luiz. Foi uma grande vitória.
Como eu lhe disse, você não precisava de mim para obter essa tempestade de votos e dar um banho nos “minhocas da terra”.
Sua eleição, porém, me fez lembrar de um discurso de Maurício Azêdo - hoje presidente da Associação Brasileira de Imprensa - na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ele foi o vereador mais atuante da Câmara. Um vereador extremamente dedicado aos trabalhos legislativos e sempre preocupado em exercer um digno mandato. Seu carro era um fusquinha bem surrado. Era tão digno que a maioria se livrou dele indicando-o para conselheiro do Tribunal de Contas do Município. Tive a honra de conviver cordialmente com Maurício Azêdo quando ele passou a presidência da Comissão de Justiça e Redação para o vereador Jorge Felippe
Maurício Azêdo tinha sido eleito com o menor número de votos entre todos os vereadores cariocas. Logo no início da legislatura, ele subiu à tribuna para dizer, em resumo, exatamente o seguinte: "Quero afirmar aos meus nobres colegas que ninguém aqui, absolutamente ninguém, é mais vereador do que eu."
Lembre-se disso Zé. Sua votação vai lhe permitir sonhar um vôo mais alto. Mas, na Câmara, ninguém será menos vereador do que você.

domingo, 12 de outubro de 2008

BOCA-DE-URNA


A boca-de-urna que eu conheci constituía-se na arregimentação de famílias da comunidade residentes próximas aos locais de votação para tentar conquistar o voto de seus amigos e conhecidos ainda indecisos no dia da eleição.
Os “boqueiros”, como eram chamados, tinham que ser eleitores de uma daquelas seções existentes no local em que iam trabalhar. No dia anterior à eleição, eles recebiam uma camisa do candidato, uma sacola com “santinhos” e começavam o trabalho às oito horas da manhã do dia seguinte. Às treze horas, recebiam uma merenda – sanduiches, frutas e refresco – e trabalhavam até às dezessete horas quando terminava a votação. Durante todo esse tempo eram controlados pelos fiscais do candidato que colhia, em um caderno, a assinatura dos “boqueiros” três a cinco vezes por dia. Era a prova de que o trabalho havia sido feito.
O dia da eleição era uma festa cívica. Bandeiras tremulando, as ruas transformavam-se em uma colcha de retalhos coloridos de papel. Um dia inteiro de alegria. Ninguém se sentia prejudicado.
Terminada a eleição, encaminhavam-se todos para um local determinado a fim de receber o pagamento pelo trabalho, desde que suas assinaturas constassem dos cadernos da fiscalização. A família, com quatro ou cinco pessoas, levava para casa no mínimo duzentos reais. A festa para eles continuava na segunda-feira no supermercado.
Essa boca-de-urna que ajudava no sustento de muitas famílias foi proibida. A Lei Eleitoral (Lei 9504/97), em seu artigo 39, § 5º, inciso II, estabeleceu que é crime –punível com detenção de seis meses a um ano e multa de quinze mil UFIRs - a propaganda de boca-de-urna. E a verdadeira boca-de-urna não aconteceu.
Nesta eleição de 2008, conheci a “boca-de-urna” de Mangaratiba. Ela é feita na semana anterior até a véspera da eleição.
Não tem santinho, merenda, controle nem alegria nas ruas.
O que chamam aqui de “boca-de-urna” é o seguinte: pouco antes da eleição, alguns espertos tiram xerox dos títulos de amigos e conhecidos de sua comunidade. Fazem uma lista com 30, 50, 100 títulos xeroxados e os negociam com o candidato como voto certo a R$ 50 cada um. Cerca de 20% desses títulos pertencem a eleitores de outras cidades, geralmente, de Nova Iguaçu, Itaguaí, Seropédica, etc. O otário do candidato compra a lista e as xerox porque não sabe ou não tem mais tempo de ver no site do TRE onde votam aqueles eleitores. O vendedor recebe, então, R$ 1.500, R$ 2.500 e até R$ 5.000, garantindo ao candidato aqueles votos.
O vendedor ainda mais esperto, porém, possui cópia daquela lista e dos títulos. E vai vendê-los para outro candidato e mais outro. O candidato mais “esperto” sabe disso e, então, oferece R$ 70 por cada voto para mudar a “consciência” do vendedor que nem quer saber em quem o eleitor vai votar.
Vendedores “honestos” até que se preocupam com o voto da sua lista e pagam R$ 30 ao eleitor, ficando com o troco.
Essa é a “boca-de-urna” feita no atacado. Tem ainda a “boca-de-urna” feita no varejo, no dia da eleição. Começa bem cedinho. É quando o eleitor é arregimentado - um a um - para receber um santinho com o desenho de uma onça pintada das próprias mãos de um assecla do candidato em quem deve votar.
A festa ocorre, então, no supermercado no próprio dia da eleição. O Costa Verde nunca vendeu tanto em um domingo nublado e chuvisquento como o dia 5 de outubro.
Nessa suposta “boca-de-urna” não há controle.
Nem fiscalização do TRE. Como dar o flagrante? Como provar?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

ELEIÇÃO EM MANGARATIBA: SOMENTE PARA DOUTORES E AUTORIDADES


Quando comecei a me interessar por política – e lá se vão mais de cinquenta anos – eu também pensava que vereador, deputado, prefeito, governador, presidente, eram cargos para gente formada com curso superior. Naquele tempo, votávamos em advogados, médicos, dentistas, professores, engenheiros e em autoridades civis e militares.
Minha mentalidade, porém, evoluiu.
As câmaras e assembléas legislativas têm que ser um espelho do povo ao qual representam. Povo que não é constituído apenas por autoridades e indivíduos com formação superior. Estes são minoria na sociedade, por que deveriam ser maioria na representação popular?
E passei a escolher verdadeiros representantes das classes sociais.
Passei a votar em candidatos que eu conhecia de fato e com os quais mantinha contato pessoal. Ou em candidatos que demonstraram dedicação na luta pelo progresso do país, do estado, da cidade ou da minha comunidade. Podiam ter curso superior ou não. Tinham, porém, que demonstrar capacidade para lutar pela melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade ou mesmo de uma classe social em particular.
Cheguei a votar no cacique Juruna que Leonel Brizola, com seu prestígio, levou à Câmara Federal somente para lembrar a todos a existência de uma nação indígena sacrificada e em processo de extinção.
Tive a honra de votar sete vezes – eu disse sete vezes – no Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Desprezei sempre os doutores PHDs que disputaram com ele aquelas sete eleições.
Contudo, o exemplo da bem sucedida administração federal desse operário que tem apenas o ensino fundamental ainda não sensibilizou o eleitor de Mangaratiba.
Aqui, foram eleitos apenas doutores e autoridades. O homem do povo, o legítimo representante popular, não terá vez nos próximos quatro anos em nossa Câmara Municipal.
Nem mesmo o vereador que demonstrou ser o mais autêntico representante do povo, aquele que permaneceu fiel ao contato diário com a população e que pôde mostrar serviço, foi reeleito. Ficou apenas como primeiro suplente.
Gente do povo como Manoel da Padaria, Reginaldo do Quiosque, Xikinho da Rádio e muitos outros não receberam os votos esperados. O quociente eleitoral não permitiu que André Banana fosse eleito. E até a Kelly, com todo o apoio do prefeito reeleito, ficou aquém das expectativas.
Faltou um Dr. à frente de seus nomes? Ou nosso povo ainda não aceita que um igual seja elevado ao nobre cargo de vereador?
No Rio, porém, um jornaleiro, feirante e palhaço de festa infantil, vai agora virar excelência.

GATONET OU MURIQUI FM

A Polícia Federal deixou a gatonet livre e fechou a Rádio Muriqui FM, a única rádio que tínhamos com sintonia perfeita e uma programação musical de alto nível.
Esqueceram que a gatonet é considerada crime e a rádio é apenas uma contravenção que levava alegria e prestação de serviços à comunidade.
Agora, vivemos sem a boa música da Muriqui FM. Até quando? É imprescindível regularizar a Rádio Muriqui FM para que ela volte ao ar o mais rápido possível.
Nesta eleição, o povo de Mangaratiba, que demonstrou eleger apenas doutores e autoridades, também preferiu a gatonet. Mas, talvez, nem tenha conhecimento da escolha que fez.
Entendem o que eu digo?

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

CANDIDATOS-EMPRESA

O UOL publica, hoje, em sua página sobre as eleições, matéria que parece ter sido copiada desse nosso blog. Abaixo transcrevemos um resumo do texto que você pode comparar com a nossa postagem de 31/8 intitulada "PROPAGANDA POLÍTICA OU CAMPANHA PUBLICITÁRIA?.

26/09/2008 - 06h00
"Candidato-empresa" aproveita eleição e promove sua firma
UOL Notícias
Muitas pessoas acabam conhecidas por seu local de trabalho. E, de tão populares, adotam de vez o nome profissional quando se lançam na carreira política. João da Farmácia (PMDB), Zeca do Táxi (PTN), Betão do Lava-Rápido (PMDB), Carlão da Padaria (PSL) e Della do Ferro Velho (PTN) são alguns dos nomes de urna dos candidatos a vereador de São Paulo.
Outros vão até mais longe e colocaram a marca de suas empresas em plena urna eletrônica. É o caso de Ana Lúcia Gonçalves, cujo nome de urna é Ana da Imobiliária Trevo (PRP). Ela já foi conhecida como Ana do Ovo, afinal, vendia dúzias deles até o Plano Real, em 1994, quando as pessoas pararam de estocar o produto para driblar a inflação.
Agora, Ana quer virar política, mas já vê vantagem para a empresa com sua campanha eleitoral. "Toda a propaganda vai bem. O cliente vira eleitor, o eleitor pode virar cliente", sintetiza a comerciante, que está otimista.
Outro que se vê eleito e sua empresa ganhando fama é Gil da Ultra-Som (PSC), que leva o nome de sua loja de som automotivo na Penha. "Quando terminar a apuração e eu for um dos vereadores, todo mundo vai querer saber o que é a Ultra-Som", se entusiasma.
Outro candidato do ramo é Paulo Roberto Varotti. Seu nome de urna é Paquera (PMN), em referência ao comércio de som e acessórios. "Quando abri a loja, pensei em uma marca diferente. Paquera pegou. Espero que dê sorte na política também", afirma Varotti.
Outro com a palavra "som" no nome de urna é Antonio Delbucio. Ele, porém, parece mais empolgado com sua casa de baile no Tatuapé que com sua candidatura. Tonhão da Som de Cristal (PDT) ficou desgostoso quando seu partido desistiu de lançar Paulinho da Força para prefeito e apoiou Marta Suplicy (PT).
Wander da Lig Moto (PV) é mais um exemplo de candidato-empresa. Ele diz que foi um dos primeiros motoboys de São Paulo e montou uma das empresas pioneiras do setor.
Ele crê que será eleito. "Naturalmente vai ser uma promoção para a empresa", diz o candidato.
Também célebre em seu ramo é Zezinho da Kirei (PV), dono de um salão de beleza, escola de cabeleireiro e de loja de móveis especializados. "É um nome japonês forte, ajudou no meu ramo. Vai ajudar na política", acredita.
A lista inclui ainda Beto do Mercado Legal (PSC) e Chiquinho Automóveis (PTB). Mas nenhum dos candidatos paulistanos chega ao inusitado de José Barreto Tomaz, que se apresentou em Belo Horizonte pelo PHS. Seu nome de urna é Tomaz da Desentupidora Rola Bosta, empresa que fundou há sete anos na cidade. Ele diz ter mais de 2.000 fregueses, mas nas eleições de 2004 recebeu apenas 302 votos.

http://eleicoes.uol.com.br/2008/ultnot/2008/09/26/ult6120u49.jhtm

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

EU APÓIO XIKINHO DA RÁDIO E CAPIXABA


Recebi, ontem, um panfleto - impresso em computador e assinado por Lacerda - que foi distribuído em Muriqui.
Nesse panfleto, o Lacerda, que se diz velho conhecido de todos - de todos, quanta pretensão, heim! - diz que apóia e pede o voto para um candidato que não é o meu.
Alguns amigos me questionaram, pois o único Lacerda que eles conhecem sou eu. Esse que aparece aí em cima junto com um macaco Muriqui.
Respondi-lhes que não sou velho nem conhecido de todos e que meus candidatos são: Xikinho da Rádio para vereador e Capixaba para prefeito.
Eu apelo para os meus poucos conhecidos e escassos leitores que me informem quem é esse Lacerda que se afirma velho conhecido de todos.
Gostaria de conhecê-lo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O CABELEIREIRO E O HELICÓPTERO

Achei muito curiosa a informação abaixo e como tem a ver com Mangaratiba, decidi reproduzi-la do seguinte site:
http://www.abril.com.br/noticia/comportamento/no_305951.shtml
“O gaúcho Rudi Werner, de 49 anos, tem uma clientela forte. Seus dois mais conhecidos clientes valem pela freguesia inteira de muitos concorrentes: o governador Sérgio Cabral e a mulher, a advogada Adriana Ancelmo.
Em uma ocasião, Cabral e Adriana mandaram um helicóptero, às 5 da manhã, ao heliponto da Lagoa para levá-lo a Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, onde passam os fins de semana com a família.
Foi a primeira e, até agora, única vez em que a primeira-dama não ficou totalmente satisfeita com seu trabalho. "Fiz o corte lá, com ela sentada numa cadeira comum", relembra. "No dia seguinte ela me ligou dizendo que um lado tinha ficado maior do que o outro."
Para sentar na cadeira de Werner, é preciso desembolsar R$ 300. O governador e a primeira-dama fazem questão de pagar pelo serviço. São uma exceção. Sabe-se que entre muitas celebridades e seus cabeleireiros existe um acordo: o corte é grátis, mas elas citam o nome dos profissionais em entrevistas.”

Ficamos sem saber se, como a primeira-dama não gostou do corte, o governador mandou buscar o cabeleireiro novamente de helicóptero no dia seguinte. Como diz a nota, o governador faz questão de pagar pelo serviço do cabeleireiro.
Agora, quem pagou as idas e vindas de helicóptero?
Advinhem...

LITERATURA PRESTA DESSERVIÇO À LEITURA

Aí embaixo, há uma postagem em que falo - e falo mal - de Machado de Assis, o ícone da literatura brasileira.
Afirmei que “o texto e o estilo de Machado de Assis estão completamente ultrapassados. E ninguém tem a coragem de dizer. Atualmente, após cem anos de sua morte, colégios e professores ainda indicam Machado de Assis como leitura obrigatória. Talvez, por isso, os estudantes, em sua maioria, não adquirem o salutar hábito da leitura.”
Vejo que não estou só nessa campanha iconoclasta.
Li, hoje, no Globo.online, que o professor de pós-graduação da UFF e ex-sub-reitor da Estácio de Sá, o jornalista Feipe Pena - ele está lançando o livro “O analfabeto que passou no vestibular” – afirma que “Não tenho pretensões literárias com este livro nem com o próximo, que está quase pronto. Não faço literatura, faço ficção. A literatura brasileira contemporânea presta um desserviço à leitura. Os autores não estão preocupados com os leitores, mas apenas com a satisfação da vaidade intelectual. Escrevem para si mesmos e para um ínfimo público letrado, baseando as narrativas em jogos de linguagem que têm como único objetivo demonstrar uma suposta genialidade literária. Acreditam que são a reencarnação de James Joyce e fazem parte de uma estirpe iluminada. Por isso, consideram um desrespeito ao próprio currículo elaborar enredos ágeis, escritos com simplicidade e fluência. E depois reclamam que não são lidos. Não são lidos porque são chatos, herméticos e bestas.”
O Aurélio afirma que Machado de Assis é contemporâneo.
Portanto, o professor está de acordo com a minha opinião.

domingo, 14 de setembro de 2008

PLÁGIO OU APROPRIAÇÃO INDÉBITA

Há cerca de vinte anos, a cantora Georgete da Mocidade pediu-me para terminar um samba que ela própria teria começado. O samba começava assim: “A gente se ama, se xinga e se beija, a gente se ofende e, depois, volta o amor...” Era somente a cabeça, nem rima tinha.
Terminei o samba com o meu parceiro China. Todo compositor sabe que quando entra a cabeça o resto é fácil. Ela gostou muito e disse que o incluiria em seu próximo LP.
De fato, incluiu, mas sem o meu nome, sem o nome do meu parceiro. Ela e o produtor do disco foram identificados como os autores do samba.
Fiquei revoltado. Roguei-lhe uma praga e disse-lhe: você jamais gravará coisa alguma novamente. Minha praga pega, é pior que praga de mãe. Ela nunca mais gravou.
Este foi um caso de apropriação indébita.
Não foi o plágio descarado que vejo agora nesta nossa campanha eleitoral. Ou será que também são casos de apropriação indébita? De qualquer forma, me revolta o uso indevido da criatividade alheia nos jingles da campanha política.
O Charles da vídeo-locadora se apropriou de música e letra – Êh! Meu amigo Charles – de uma composição de Benito Di Paula que fez grande sucesso.
O terceiro candidato usa a melodia de “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”. Um funk gravado por Cidinho e Doca no tempo em que havia melodia neste nocivo gênero musical.
E o prefeito candidato à reeleição – que mau exemplo, heim! – diz que é da terra, mas teve que ir à Tijuca buscar o “trá-lá-lá-lá-lá-lá, trá-lá-lá-lá-lá-lá” do hino do América para colocar como introdução de seu jingle.
A Resolução 22.718 do TSE, em seu Art. 68 e Parágrafo Único, trata da violação do direito autoral, mas coíbe apenas no horário eleitoral gratuito do rádio e TV a propaganda que se utiliza da criação intelectual sem autorização do autor.
Vou rogar uma praga: em 2010, o TSE há de coibi-la também na produção de jingles.

sábado, 13 de setembro de 2008

O TERCEIRO CANDIDATO

Fui questionado por um amigo sobre a enquete eleitoral no final desta página. Reclamou que somente incluí nas respostas os nomes de Aarão e Capixaba, quando existe um terceiro candidato a prefeito em Mangaratiba.
Disse-lhe que, quando iniciei a enquete, havia um quarto candidato que desistiu logo no início da campanha, pois viu que a eleição ficaria polarizada entre dois candidatos apenas.
De fato, a eleição está polarizada. É Aarão ou é Capixaba.
O outro é candidato de si mesmo.
Ou será candidato da situação para dividir o eleitorado de Muriqui onde Capixaba é muito mais forte?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ICONOCLASTIA

O São Bento sempre foi um ótimo colégio. Meus dois filhos saíram de lá diretamente para a universidade pública. Um para a UERJ e outro para a UFRJ, sem fazer cursinho pré-vestibular.
Aliás, passaram em todos os vestibulares da época e escolheram onde estudar.
Porém, o São Bento tinha um defeito – e ainda deve ter - obrigava as crianças a lerem Machado de Assis, um grande chato de galochas, sempre deificado como o maior ícone da literatura brasileira.
Quando meus filhos leram Dom Casmurro, tive que me empenhar para justificar certas frases do livro.

“Era um coqueiro velho, e eu cria nos coqueiros velhos, mais ainda que nos velhos livros.”
“Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los, a compará-los...”
“E em pé, quando era mais pequeno, metia a cara no vidro, e via o cocheiro...”
“Estava em pé, dava alguns passos, sorria ou tamborilava na tampa da boceta.”


Consegui convencê-los de que não existiam livros velhos, mortos ou enterrados. Existiam livros.
Se bons ou maus livros dependia exclusivamente da opinião do leitor. E os obriguei a ler também os autores modernos. Quem não lê, mal sabe, mal vê e não consegue falar nem escrever.
Foi difícil convencê-los que, embora não seja errado dizer mais pequeno – em Portugal se usa comumente - no português brasileiro, o mais correto e sonoramente agradável é usar o superlativo menor. Manuel Bandeira – seguindo o exemplo de Fernando Pessoa - também usou a expressão, mas é preciso considerar que em poesia quase tudo é permitido.
Desde muito pequenos, como qualquer criança, eles falavam mais pequeno, mais grande. E sempre foram repreendidos. Quando leram aquele chato, pensaram que pai e mãe estavam errados.
Agora, imaginem o que se passou pela cabeça deles quando leram que o Protonotário Apostólico Padre Cabral tamborilava na tampa da boceta. Teria sido ainda pior se eles tivessem lido "Bocetas atochadas de pastilhas e docinhos perfumados." (em Lisboa Galante, de Fialho de Almeida).
A verdade é que o texto e o estilo de Machado de Assis estão completamente ultrapassados. E ninguém tem a coragem de dizer.
Atualmente, após cem anos de sua morte, colégios e professores ainda indicam Machado de Assis como leitura obrigatória.
Talvez, por isso, os estudantes, em sua maioria, não adquirem o salutar hábito da leitura. Como diz o brasileiro em geral: não tenho tempo pra ler, não tenho saco.
De fato, é preciso ter saco pra ler Machado de Assis. Como ele próprio escreveu em Dom Casmurro: “Chegue a deitar fora este livro se o tédio já o não obrigou a isso antes....”

CONTO QUASE PORNOGRÁFICO II

Agora, em seu leito de morte, quando ainda lhe resta apenas um sopro de vida, ele decidiu confessar-se a si próprio: eu fui um canalha, sempre fui, através dos tempos. Não tenho perdão, o inferno me espera.
Lembrou que havia traçado a mãe, as irmãs, a esposa, a amante, a noiva e as namoradas de seus melhores amigos e vizinhos.
Os vizinhos foram perdidos nas mudanças, mas os amigos permaneceram amigos.
Em suas visitas, tudo lhe vem à memória. Tem o ímpeto de dizer-lhes: eu sou um canalha, um crápula, um pulha, tracei a senhora sua mãe.
Porém, faltava-lhe a coragem que somente os covardes têm nos momentos de perigo extremo.
Vou passar a eternidade no infermo, pensava. Se não me confessar como poderei entrar no paraíso?
Pediu um padre. Disseram-lhe que o sacerdote somente poderia vir para a extrema-unção.
De que adiantaria? Nesse momento, a morte cerebral não lhe permitiria qualquer atitude.
Tentou refugiar-se nos textos bíblicos. O Novo Testamento apenas lhe trouxe maior remorso.
A consciência daqueles e de outros pecados cometidos.
Desesperou-se, queria pedir perdão a todos. Mas, como? Seria pior. É bem melhor para aqueles amigos continuar a viver na ignorância. O conhecimento quase sempre é um desgosto profundo e traz decepções incontornáveis.
Foi quando recebeu a visita de um amigo tão patife quanto ele. Converteu-se, está lendo a Bíblia? perguntou o amigo. Quero me redimir dos meus pecados, mas a Bíblia me faz sentir ainda mais culpado, respondeu.
Você está lendo a Bíblia errada, leia o Antigo Testamento, aconselhou o amigo.
Quando o amigo se despediu e estava saindo, tomou coragem e gritou: transei com a sua mulher.
Aquela cínica desavergonhada? Pensa que foi só você? Comentou o amigo antes de fechar a porta atrás de si.
Seguiu o conselho daquele amigo tão canalha quanto ele. Apelou para o Antigo Testamento e sentiu-se recompensado.
Logo no Gênesis, com as estórias de Sara e Abraão, Isaac e Rebecca, de Esaú e Jacob, de Lia e Raquel, com Abimalec e outros atores coadjuvantes, ficou aliviado de todos os pecados..
Sentiu a alma lavada e leve como a pluma.
Deu um último suspiro.
E partiu feliz.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

CONTO QUASE PORNOGRÁFICO

Em sua juventude, Márcia foi aquilo que se dizia antigamente: uma beldade. Era a jovem mais bela, invejada e desejada do bairro. As amigas queriam andar a seu lado. Sempre sobrava um dos rapazes que lhe davam em cima.
Casou-se bem nova com um empresário riquíssimo. Era um homem bom que atendia todos os seus caprichos. Amante dedicado, Anselmo montou-lhe um apartamento de cobertura na Barra. Dava-lhe as jóias mais caras e um carro de luxo novo todo ano. Márcia não poderia ser mais feliz. Correspondia aos anseios do marido. Era ardente, elétrica, tinha uma grande energia sexual. Vestia-se de forma sensualíssima. Sempre o esperava de camisola transparente e uma minúscula calcinha. Assim viveram quase vinte anos.
Tiveram um filho - Leonardo - agora com dezessete anos. Márcia continuava linda, esbelta, sensual. Aos 38 anos ainda era uma beldade. Quem a visse de biquini ficava maravilhado. Custava a tirar aquela imagem da lembrança.
Ela amava aquele filho. Era louca por ele. Fazia-lhe todas as vontades. Dizia sempre ao marido: pelo meu filho, sou capaz de tudo, de morrer e de matar.
Mas, o filho, desde os quinze anos, começou a causar preocupação. Emagreceu. Deprimido, não se alimentava. Parecia dominado por uma paixão incontida, avassaladora e não correspondida. Entregou-se às drogas. Quase sempre, agia como um pitbull enlouquecido. Xingava, quebrava tudo em casa, agredia a todos. Abandonou a escola. Decepcionou pai e mãe. O pai já não o suportava. A mãe, porém, a beldade, tudo fazia por ele e tudo aturava daquele filho atormentado.
Por ele faço qualquer coisa, eu mato, eu morro, repetia ela.
Márcia não mais se cuidava, esqueceu-se de si própria. Vivia, agora, somente para aquele filho querido.
Os medicamentos receitados de nada adiantavam. Não havia mais esperança. O pai quis interná-lo em uma clínica para dependentes químicos. Não havia mais nada a fazer. Ela não permitiu.
Foi quando todos notaram que o rapaz estava mudando, vivia mais calmo. Voltou a estudar e a conversar com o pai que passou a orgulhar-se dele novamente. Leonardo demonstrava uma alegria contagiante. Tudo voltou à normalidade.
A beldade voltou a enfeitar-se novamente. A vestir-se bem. Cuidava dos cabelos. As amigas vibravam, ela estava de novo radiante. Parabéns, diziam os amigos ao marido, você voltou a ter uma mulher.
Um dia, na cama, ela vira para o lado e diz: hoje não, querido. Aquele ardor sexual deixara de existir.
Hoje não. Já tinha ouvido isso tantas outras vezes naquela época, mas não acompanhado daquele querido. O querido tinha um quê de remorso, de culpa. Foi aquele querido, dito daquela forma, que o fez desconfiar da fidelidade da mulher.
Passou a vigiá-la. Contratou detetive que não descobriu qualquer evidência de traição.
Após mais de um mês de investigação, o detetive deu o veredicto: sua esposa é uma mulher honrada, uma santa, só sai de casa para ir às compras, só recebe visita da mãe e das amigas.
Anselmo logo pensou em homossexualismo: será que ela se transformou em uma lésbica?
A vida conjugal seguia monótona, quase fria. Raras vezes Márcia atendia aos anseios sexuais de Anselmo. Mas, permanecia sensual, cuidando sempre de sua beleza. E continuava uma perfeita dona de casa. Leonardo ia muito bem na faculdade. Dedicado aos estudos, não queria mais saber de farra, de amigos. E nem de namoradas.
Foi aí que Anselmo teve um estalo: os dois, a mulher e o filho, haviam mudado completamente o seu modo de ser.
Certo dia, ele saiu bem cedo para o trabalho. Como sempre, deixou o filho e a mulher dormindo. Voltou de surpresa, duas horas depois. Entrou em silêncio.
Em silêncio, Anselmo foi até o seu quarto e viu: a mulher e seu filho na cama. Nus.
Leonardo deu um salto e correu. Márcia, calma, serena e sem culpa, apenas disse:
eu falei p´ra você, por meu filho, sou capaz de tudo.
Anselmo os perdoou.
E viveram felizes para sempre.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

TOM JOBIM QUE ME PERDOE

É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.

É assalto, é porrada, é sequestro, arrastão,
É trombada de carro, é escarro no chão...
É o medo da morte, é o calo na mão,
É a falta de sorte, a discriminação...
Ainda há quem suporte o errado, o mal feito,
Entre o fraco e o forte, é tanto preconceito...
É mentira, é intriga, é falta de respeito,
É a ira, é a briga e essa dor no meu peito.

É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.

É o bolso e a barriga em um vazio obsceno,
O aluguel que obriga a invasão de terreno.
É a mãe que mendiga e a criança que chora,
Você passa, nem liga, não olha, vai embora.
Raspadinha, Esportiva, é a Loto, é a Sena,
O bicho que motiva o milhar e a centena...
É o pobre que aposta e o banqueiro que aplica,
É o auge da bosta, o apogeu da titica.

É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.

Simulados milagres em qualquer esquina
Que um cabeça de bagre tem como doutrina...
É o falso profeta prevendo o passado
E fazendo a coleta, fica endinheirado.
O devoto que paga foi abençoado,
"Curou" sua chaga e expulsou o “danado”...
E onde está a polícia? Qual é a solução?
Apelar p´ra milícia? Chamar o ladrão?

É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.

É a corrupção, é o Dantas que apela...
É investigação que o Supremo cancela.
Nossa imprensa se vende a uma elite arrogante
E ainda me ofende, diz que é vigilante.
Fariseus e traíras jurando que sim
Nessa imprensa que vira um Abel em Caim
E faz qualquer vampira virar manequim...
Vou correr outra gira, me perdoa Jobim.

domingo, 7 de setembro de 2008

INDEPENDÊNCIA OU SORTE!

A dependência é morte, em vida. Se você não teve a sorte de nascer em berço de ouro, tem que lutar por sua independência.
Eu nasci pobre e lutei muito para hoje poder viver com independência.
Lembro-me do tempo em que usava tamanco. A roupa era costurada pela minha mãe. Feita com retalhos da Fábrica Bangu. Bebia água da moringa, não tinha geladeira. O fogão lá de casa era a carvão, e, também, o ferro de passar roupa. Dormia na esteira feita de junco. Comia em prato de alumínio. Bebia na caneca. Tomava banho com sabão português.
Colhia cará (vai lá no Aurélio) nas cercas vivas para ensopar com bofe. Catava caruru (vai lá de novo) no mato para variar o cardápio de sempre: arroz e feijão com bucho ou carne-seca. Sim, carne-seca era comida de pobre. Feijão com bucho eu como até hoje. Se me sinto muito pretensioso, peço a minha mulher para cozinhar o bucho no feijão e só como isso a semana inteira. E lembro daquele tempo. É um prazeroso castigo.
Fruta era jamelão. Meu Deus! Como eu comi jamelão. Em frente a minha casa havia um enorme pé de jamelão. Comia trepado lá em cima. Era cada cacho imponente que eu imaginava ser de uva. Achava lindo, depois, a língua, os dentes e a saliva de um roxo admirável.
Brinquedo era pião e bola de gude. Papai Noel não passava lá em casa.
Cresci e fui trabalhar. Estudando sempre. Só andávamos de trem, eu e minha marmita. Gostava do que fazia e tentava fazer sempre o melhor. Seja lá o que fosse. Esse negócio de se fazer o que gosta é pura leviandade, coisa de quem não quer nada com o trabalho. Topava qualquer parada e nunca parei em qualquer topada. Caía, dava a volta por cima. Assim, fui vivendo, lutando pela minha independência.
Consegui à custa de muita luta, pois, como disse, não tive a sorte de nascer em berço de ouro. E, hoje, não preciso agradar a ninguém para sobreviver com dignidade.
Agradeço a meu pai que dizia sempre: "Você tem que estudar para ser melhor que eu". Tive que estudar e trabalhar para atingir esse objetivo. Exigi o mesmo dos meus filhos: "Vocês têm que ser melhores que eu." Coitados, tiveram que estudar muito mais.
Estou sendo pretensioso? Vou passar uma semana comendo feijão com bucho.

DEU EM "O GLOBO"

"Prefeitos do estado do Rio candidatos à reeleição jogam pesado para garantir a vitória: há uma proliferação de placas de publicidade enaltecendo obras realizadas, em flagrante desrespeito à legislação eleitoral e aos cofres públicos. Levantamento feito pelo 'Globo' e publicado sob reportagem de Cássio Bruno e Elenilce Bottarina edição deste sábado, mostra que, dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e do Tribunal de Contas do Estado, indicam que, desde 2005, 30 municípios do Rio gastaram mais de R$ 125 milhões com propaganda institucional.
Desde 5 de julho, a fiscalização do TRE-RJ apreendeu mais de 600 placas e 300 kombis em sete municípios fluminenses e já determinou a outros tantos a retirada de propaganda.

Contrariando as normas para a publicidade institucional, as placas - muitas vezes distantes das obras que deveriam detalhar - apresentam slogans, cores e promessas, numa espécie de autopromoção do prefeito. Para o TRE-RJ, é o mais flagrante uso da máquina pública em campanha eleitoral.
- A reeleição permite a quem é detentor da máquina fazer sua propaganda. Isto já aconteceu em outras eleições, mas está ocorrendo de forma acentuada nesta. O que estamos vendo são exageros inadmissíveis - diz o vice-presidente do TRE-RJ, desembargador Alberto Motta Moraes.
Para tentar coibir a prática, ele determinou aos juízes de fiscalização que oficiassem os prefeitos dos 92 municípios fluminenses, para que enviassem ao TRE os gastos com publicidade nos últimos três anos e a previsão de gastos para este ano:
O inciso 7º, do artigo 73 da Lei 9.504, estabelece que é crime realizar, em ano de eleição, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição.
A fiscalização flagrou propaganda até em uniformes escolares, que tinham o slogan da administração (em Mangaratiba e Rio das Ostras)."

O PODER DO VOTO

Em 5 de outubro, teremos uma nova eleição. Dessa vez, vamos votar, primeiro, para vereador, e, depois, para prefeito.
Nesse dia, o voto do cidadão mais humilde valerá tanto quanto o voto do eleitor mais poderoso. Ninguém será melhor que ninguém. Todos nós, sem distinção, seremos verdadeiramente iguais perante a urna eletrônica.
É no voto que todos têm o mesmo poder. O poder de mudar.
Esse poder não tem preço, tem consequências. É um poder que não pode ser anulado. Nem desperdiçado.
O voto não pode servir como moeda de troca. O voto é a nossa própria consciência.
A eleição é a hora da mudança que o sistema democrático - e somente ele - nos proporciona. É nessa hora que podemos confirmar com o voto aqueles que, eleitos anteriormente, trabalharam de fato pelo povo, por toda a nossa comunidade.
É, também, a hora de dar cartão vermelho àqueles que, em quatro anos, nada fizeram, esconderam-se, usaram e abusaram do mandato em proveito próprio, e, somente agora, reaparecem, cheios de amor para dar, com as mesmas promessas vãs e não cumpridas, oferecendo vantagens ilusórias que jamais serão concretizadas. Esses, agora lhe pedem o voto. Amanhã, se eleitos, vão lhe exigir distância.
Quatro anos é muito tempo e dá p´ra fazer muita coisa. Se o vereador que você ajudou a eleger satisfez as suas expectativas, reeleja-o. Dê-lhe novamente o seu voto. Se ele não correspondeu a sua confiança, substitua-o. Você tem o poder para isso.
Dê o seu voto a quem você conhece e sabe ser dedicado a sua comunidade. Alguém que jamais se escondeu e que esteve sempre presente no cotidiano do nosso Município.
Alguém que seja gente como você. Alguém a quem você sabe que pode chegar perto e com quem pode falar de igual para igual, exigindo-lhe o cumprimento de suas obrigações.
Alguém que venha prestando um serviço ininterrupto e essencial à toda comunidade. Alguém que tem como objetivo lutar pela melhoria da qualidade de vida de todo o povo.
E lembre-se, para acabar com os maus políticos, só há um único jeito: seja um bom eleitor.

domingo, 31 de agosto de 2008

PROPAGANDA POLÍTICA OU CAMPANHA PUBLICITÁRIA

Como já disse em postagem anterior, não existem sinônimos perfeitos na lingua portuguesa.
Propaganda e publicidade são coisas diferentes. A publicidade é feita sempre para vender produtos ou serviços. A propaganda é sempre institucional, vende uma idéia, um comportamento, uma filosofia de vida.
O comércio, a indústria, os bancos, as empresas de transporte, de construção, etc, geralmente, fazem publicidade. Embora possam também fazer propaganda quando, por exemplo, apenas promovem a sua atividade social.
As instituições, as igrejas, os governos, os candidatos a cargos políticos fazem propaganda.
Entretanto, alguns dos nossos candidatos parecem fazer uma campanha publicitária.
Vejam só alguns deles em Mangaratiba: Aninha da Pensão, Bara do Salão, Charles da Vídeo-locadora, Célia do Depósito, Evando do Mercado, Lenys da Barbearia, Manoel da Padaria, Marquinho do Milho, Nildo da Concretex, Reginaldo do Quiosque, Ricardo do Bar.
É propaganda política ou campanha publicitária? Estão pedindo voto ou promovendo os seus negócios?
Tenho a convicção de que após cinco de outubro, mesmo perdendo a eleição, eles terão uma grande vantagem. O Marquinho vai vender mais milho, o Charles vai aumentar a locação de vídeos e DVDs, o quiosque do Reginaldo, a barbearia do Lenys, o bar do Ricardo, a padaria do Manoel, a pensão da Aninha, vão ganhar mais clientes.
Torçamos para que o aumento das vendas dê para pagar as despesas de campanha.
Agora, mudando de assunto, sem alterar o tema, há uma candidata em Descalvado, cidade de Alagoas, que se chama Dinha. Seu slogan de campanha é Tudo pela Dinha. E tem mais, o candidato a prefeito de Aracati, no Ceará, um pastor protestante, afirma que Vou ganhar a eleição com a minha fé e as fezes de vocês.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

SEGURA A MARIMBA!

“Nego velho, o que foi que te deu? Nego velho, o que foi que te deu? Me deu vontade de comer biscoito. De nove tira um, fica oito...”Perdemos um membro muito importante da nossa família. É como ele nos chamava a todos em Muriqui: “nossa família”. Geraldinho vai deixar saudade em todos que com ele conviveram.
Em todos nós que ouvíamos suas cantigas - “nego velho, o que foi que te deu?” – que participamos de sua alegria contagiante.
“Segura a marimba!" Era a sua saudação, seu grito de alerta onde chegava. E era bem chegado em todos os lugares.
“Paga uma aí, Lacerda.” Não pedia. Tinha autoridade para determinar quem pagaria. E bebia um copo quase cheio da branquinha. E brincava, e dançava, respeitando a todos. Sempre com uma latinha ou um copo na mão. Quase sempre com a camisa do Flamengo. Era seu único defeito.
Para ele não existia esse negócio de beber além da conta. Nem a prática de atitudes lamentáveis. Um exemplo para aqueles que, mesmo sóbrios, não sabem se comportar. Geraldinho nunca prejudicou ninguém. Jamais o ouvi dizer qualquer ofensa a quem quer que seja. Todos o amavam. Sempre alegre e feliz. Apenas gostava de beber.
E daí...
Certa vez, passou a madrugada bebendo. Era véspera do concurso para a Prefeitura. Centenas de candidatos. Dormiu pouco, acordou e foi beber no bar junto à escola em que faria a prova. Quando o portão da escola estava quase fechando, foi o último a entrar.
E foi o primeiro colocado no concurso.
Geraldinho, você fez – e fará sempre - parte do folclore de nosso Distrito. Vou sentir sua falta. Lamento que você tenha nos deixado. Orgulho-me de ter sido seu amigo.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

PINTOR É ABSOLVIDO EM MANGARATIBA

O Fluminense promoveu positivamente Mangaratiba em todos os jornais ao concentrar seu time em um de nossos hotéis. Agora, a 165ª DP, mais uma vez, promove negativamente o nosso município.
Como O Globo e a Folha de São Paulo publicaram ontem, o juiz Claudio Ferreira Rodrigues, da Comarca de Mangaratiba, absolveu o pintor Claudenício da Silva Rosa, de 34 anos, da acusação de dano contra o patrimônio público.
Segundo os autos, o pintor escreveu citações bíblicas na parede da cela em que estava preso na 165ª DP, em Mangaratiba, em maio de 2006.
O juiz julgou o dano irrelevante, afirmando que "não era a integralidade da cela que precisava ser pintada em razão do ato do acusado. A pintura do cárcere em sua integralidade passou a ser necessária somente por desídia da autoridade policial que permitiu que chegasse o dano à cela ao estado retratado nos autos".
O magistrado considerou ainda que os valores que seriam gastos com o reparo são, na verdade, muito menores do que os apresentados na ação. "Para cobrir os provérbios bíblicos, que ficaram ou ficariam melhores do que o incentivo às facções criminosas, seria necessário menos da décima parte dos recursos indicados na referida certidão", afirmou o juiz.
Segundo o Dr. Cláudio, não foi provado que o pintor agiu com a intenção de causar dano ao patrimônio público e, ao ser interrogado, o fato foi admitido pelo acusado. "Neste sentido, seja pela permissão do Estado custodiador, seja pela bagatela do alegado dano, que foi uma irrelevância, não se preencheu o juízo material de tipicidade do fato imputado", concluiu.
Mais uma vez, congratulo-me com o Dr. Cláudio por uma decisão justa. Tal como ocorreu naquele “simulacro de investigação” que foi a minha primeira postagem neste blog. Veja a matéria nos meses de março e abril.
Naquele caso, não sei - não sei? - o que a polícia de Mangaratiba pretendia. Neste aqui, certamente pretendia se aproveitar da mais-valia de um trabalhador. Mais-valia é o nome dado por Marx à diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que seria a base da exploração no sistema capitalista.

16 DE AGOSTO III

Na postagem anterior, escrevi sobre dois ídolos meus que faleceram no dia 16 de agosto. Nesse dia também faleceram Eça de Queiroz, grande romancista lusitano; Bela Lugosi, o primeiro Drácula do cinema; Margareth Mitchel, autora de “E o vento levou”; Carlos Cachaça, fundador e um dos maiores compositores da Mangueira; Stewart Granger, ator e sex-simbol da década de 50; Alfredo Stroessner, ditador paraguaio que deu refúgio aos nazistas após a guerra e que, deposto, veio morrer em Brasília; Cláudio Corrêa e Castro, ator de novelas.
Grandes personalidades, além de mim, claro, também nasceram nesse dia: Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (na foto), o maior herói nacional; Dom Bosco, padre italiano, que sonhava com a fundação de Brasília; Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia que uniu as nações árabes para lutar contra o império otomano; Glauce Rocha, grande atriz do teatro e do cinema; Madonna Louise Veronica Ciccone, a Madona que logo, logo, estará fazendo shows no Brasil; Oscar Lorenzo Jacinto De La Concepción Tereza Dias, o Oscarito que alegrou a minha infância e puberdade; Millor Fernandes, o “Vão Gogo” que me alegra até hoje com frases como "Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil, nasceu o primeiro deus"
Além desses, outros menos votados nasceram em 16 de agosto. Como vêem, estou em muito boa companhia. Se você quiser saber quem nasceu e quem morreu no dia do seu aniversário, deixe um comentário com a data e o seu e-mail que, em verdade, eu vos direi.

domingo, 17 de agosto de 2008

16 DE AGOSTO II

Há pessoas que deveriam ser eternas.
Não poderiam morrer jamais. Ou, pelo menos,
enquanto eu estivesse vivo.
Além dos meus dois filhos, Dorival Caymmi e Elvis
Presley seriam duas dessas pessoas.

Foram meus ídolos na música.
Ambos nos deixaram no dia 16 de agosto. Elvis, em 1977, aos 42 anos. Caymmi, agora, aos 94.
Com Caymmi, estive pessoalmente. Um ser maravilhoso.
Com Elvis, sei que um dia hei de estar.
Sua obra será imortal e eu terei um motivo a mais para lembrá-los sempre.
A cada aniversário que, por acaso, eu ainda puder comemorar, eles estarão vivos em meu pensamento.


sábado, 16 de agosto de 2008

16 DE AGOSTO


O Aurélio define velho como gasto pelo uso, usadíssimo, desusado, antiquado, obsoleto.
Aos trinta minutos de hoje, completei 71 anos mais ou menos muito bem vividos e não me considero esse velho a quem o Aurélio atribui aquelas qualidades. Usadíssimo até que eu fui, mas não sou gasto pelo uso, desusado, antiquado nem obsoleto.
Também, não digam que sou idoso. Não me convidem para eventos da terceira idade. Isso não é comigo. Na verdade, creio que parei nos 35 anos. O corpo até que não, mas a cabeça sim. Sinto-me na flor da idade da razão. Embora a emoção continue sendo um dos meus sentimentos primordiais.
O que me faz permanecer assim, mesmo após superar o prazo de validade humana dos países mais desenvolvidos, se jamais segui os conselhos de vida saudável que a mídia nos enfia diariamente pela goela abaixo.
Há mais de 50 anos parei de praticar exercícios físicos. Atualmente, pago a um menor carente para caminhar por mim diariamente pela praia. Sou um sedentário com as articulações em perfeito estado. Meu exercício é cerebral ou sexual.
Como de tudo. Como gordura de todo o tipo, todo dia. Carne de porco, feijoada. Picanha, só aquela bem gorda e saborosa. Pele de frango, torresmo, presunto. Leite somente integral. Manteiga, nada de margarina. Não posso ver doce. Às vezes, como até demais. Apesar disso, não sou gordo. Possuo apenas uma acanhada barriga, erótica e bem simpática.
Tomo café o dia inteiro. Não sinto nada. Psicologicamente, sou normal a uma certa distância. Fígado, vesícula, intestinos, rins, funcionam perfeitamente. Meu sistema digestivo é campeão de eficiência. Nunca nega fogo todas as manhãs. Um coração dinâmico, sempre ativo e com mais amor p´ra dar do que político em campanha eleitoral.
Fumo desde os 11 anos. Um maço por dia. Marlboro. Quando bebo, fumo bem mais. Não tenho problemas respiratórios. Nem circulatórios.
Doenças nunca tive. Com exceção daquelas infantis. Aliás, tive dengue. Tratei em casa mesmo. Não vou a médico, nem tomo remédios.
Minto, tomo Melhoral quando tenho uma gripe ou dor de cabeça.
Certa vez fiz um check up completo. Foram mais de quatro horas sendo examinado por vários médicos. Fui obrigado a fazê-lo pela empresa em que trabalhava. O resultado, o único senão: pé-de-atleta. Chulé para os mais íntimos.
Qual será, então, o segredo dessa minha estranha longevidade tão saudável. Será porque sou feliz? Porque vivo há mais de quarenta anos com uma mulher bonita? Olha ela lá em cima com nossos escravos. Será porque tenho dois filhos formados e muito bem empregados? Será porque o patrão de nós quatro e mais as duas noras é o governo federal?
Além disso e do permanente exercício intelectual, só mesmo uma explicação divina. Deus me ama. Não pode ser outra a razão. E por que Ele gosta tanto de mim? Por que não me deixou ficar um velho doente como os outros?
Acho que eu sei o porquê. Nunca dei trabalho a Ele nem a Seu Filho. Nunca Lhes pedi nada p´ra mim.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

FLUMINENSE EM MANGARATIBA


Vale registrar a presença do time do Fluminense em nossa cidade.
Veio respirar o ar puro da Costa Verde para tentar se recuperar de tantas derrotas sofridas, após a perda da Libertadores. E, também, para escapar da lanterna e fugir dos protestos da torcida.
Ficará aqui até o próximo sábado, dia 16. Certamente, para me homenagear em meu anversário.
Tenho convicção de que nossos ares farão muito bem ao elenco tricolor. Agora que não mais teremos o Renato fingindo dirigir o time, vamos dar a volta por cima. Mangaratiba há de dar sorte ao Fluminense.
Estamos livres do Renato. Do Romário.
Só falta agora livrarmo-nos do Dunga e do Galvão Bueno.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

TERRORISMO TELEVISIVO

Lembram do “bug do milênio” que, na virada do ano 2000, causaria estragos imensuráveis nos computadores em todo o mundo? Tudo que fosse operado por sistemas eletrônicos computadorizados sofreria uma pane inevitável na virada daquele ano. A televisão informou que seria o caos em todo o planeta.
E o cólera? Uma doença fatal que tinha como elemento transmissor a água. A televisão informava que já tinha havido um caso em Pernambuco e chegaria logo, logo, ao Rio de Janeiro. Nunca se bebeu tanta água engarrafada. Sumiram os estoques dos supermercados. Os engarrafadores adoraram.
Houve também o caso do ebola, uma fatalidade contagiosa, que, segundo a televisão, viria da África nas viagens aéreas.
E a gripe aviária que, qual nova espanhola, mataria em poucos dias milhões de pessoas em todo o mundo? Essa doença funesta seria introduzida no Brasil pelas aves migratórias. A ciência corria contra o tempo para desenvolver uma vacina.
Com a febre aftosa, a televisão derrubou o preço da carne e aumentou o consumo de frango e peixe. Não foi de todo mal. Mas, quando a televisão descobriu que o leite longa-vida continha - contém e sempre conterá - soda cáustica, muitas crianças ficaram privadas desse alimento primordial.
A febre amarela todos se lembram. Foi há bem pouco tempo. Cidadãos, facilmente influenciáveis, correram desnecessariamente aos postos de vacinação. Gastou-se tanto tempo e dinheiro com a febre amarela e esqueceram que era tempo de dengue, essa sim uma realidade. Que foi, porém, envolvida em tanto pavor e apreensão que hospitais e centros de saúde ficaram lotados com portadores de um simples resfriado. Foi o caos na saúde fluminense.
Falei duas vezes em caos e me lembrei do caos aéreo. Todo mundo com medo de avião, o mais seguro meio de transporte. Neste caso, a televisão abusou do terrorismo, como se nada igual já não tivesse acontecido em qualquer país do mundo. Como agora na Argentina.
E já que mudei de assunto, deixemos a saúde de lado. Vamos para a ecologia.
O aquecimento global, que destrói a camada de ozônio, é o moderno apocalipse, é o terrível final dos tempos.
A devastação da floresta amazônica é outro sinal do fim. Desde há muito tempo, o pseudo-pulmão do mundo vem perdendo anualmente uma área igual ao estado de Alagoas ou um campo de futebol por minuto. Pô! já era p´ra ter sido extinto há, pelo menos, dez anos.
Todo esse terrorismo é infligido diuturnamente goela abaixo do aterrorizado e crédulo telespectador. Só lhe resta apelar para Deus. E os templos milagreiros – que também se aproveitam da televisão para fazer terrorismo religioso – vivem superlotados, angariando fundos para os bolsos dos falsos profetas.
Agora, a televisão dedica grande parte de seu tempo a um novo demônio aterrorizante: a inflação. O dragão da maldade está de volta para aniquilar a economia. É a senha para que todos aumentem seus preços defensivamente. Está prevista uma inflação anual de, pasmem, 6% em 2008.
Essa inflação será como o Cometa de Halley. Aquele que surge a cada 76 anos e que seria um grande espetáculo noturno, em 1986. Segundo a televisão, cobriria o céu de luz durante todo o mês de dezembro.
Um fracasso, veja a foto acima. Por poucos dias, foi apenas um vagalume na amplidão do universo.

domingo, 27 de julho de 2008

ENIGMAS DA MEDICINA

Recebi, por e-mail, essa entrevista com um médico absolutamente franco que foi questionado sobre as várias advertências que recebemos diariamente pelos aterrorizantes meios de comunicação e de amigos terroristas por eles influenciados.
Mesmo supondo ser imaginária – o nome do médico não foi informado – a entrevista tem o sarcasmo de gente como eu que passou a vida morrendo um pouco a cada dia e cada vez mais sobreviveu, sem nunca se aterrorizar.
Mesmo que seja imaginária, a entrevista merece ser lida. Além do sarcasmo, não lhe falta lógica.

Pergunta - Exercícios físicos prolongam a vida, é verdade?
Médico - O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes. Não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo se gasta eventualmente. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais. Isso é o mesmo que dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais velozmente. Quer viver mais? Tire uma soneca!

Pergunta - Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
Médico - Você precisa entender a logística da eficiência. O que o boi come? Feno, capim e milho. O que é isso? Vegetais que o metabolismo do animal transforma em carne . Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos, de cereais? Coma frango. A carne de porco pode fornecer 100% da sua cota diária recomendada de vegetais.

Pergunta - Devo reduzir o consumo de Álcool?
Médico - De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado. Isto significa que eles retiram a água da fruta para que você obtenha maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos e cereais. Pode entornar à vontade.

Pergunta - Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
Médico - Minha filosofia é: se não cansa nem causa dor... tudo bem!

Pergunta - Frituras são prejudiciais?
Médico - Hoje em dia, a comida é fritada em óleo vegetal. Na verdade fica impregnada de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para a saúde?

Pergunta - Flexões ajudam a reduzir a gordura?
Médico - Absolutamente, não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho. Há uma exceção, porém. Você sabe qual é.

Pergunta – Chocolate, doces e sorvetes fazem mal?
Médico - Está maluco?! Chocolate é cacau, outro vegetal. Doces e sorvetes são geralmente feitos de vegetais. Açúcar é um vegetal. É ótimo para se sentir feliz! Mire-se no exemplo das crianças. Não pense que a vida deve ser uma viagem para o túmulo com a intenção de chegar lá, são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca, cerveja em uma mão e tira-gosto na outra, muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado, deteriorado e gritando: eu vivi!

Esse bom médico só não falou se o cigarro é prejudicial ou não à saúde.
Falo eu: fumo há 60 anos, desde os 11 anos de idade. A mim o cigarro nunca fez mal.
Nem a Churchill, a Stalin, a Roosevelt, os fumantes que ganharam a guerra feita por um não fumante que, como os de hoje, querem dominar o mundo.
A verdade é que a medicina não é uma ciência exata e a coerência não é uma de suas virtudes. Através dos anos, vemos alimentos serem condenados como nocivos à saúde e, depois, exaltados como benéficos. O ovo, o café, a manteiga, já foram taxados de danosos e, hoje, são considerados benignos. O leite era consumido obrigatoriamente para amansar uma úlcera e, agora, é considerado um veneno para os ulcerosos.
O terror televisivo se aproveita da incoerência da medicina e apavora os incautos telespectadores.
Asseguro aos meus amigos, do alto da minha longevidade, que é muita covardia sair vivo dessa vida.
Morrer é um ato de coragem.

PODER JOVEM

A vida está repleta de exemplos. Idade e experiência são qualidades louváveis e merecem ser exaltadas. Mas, não são imprescindíveis para determinar a competência de alguém.
Bill Gates e Paul Allen desenvolveram a Microsoft e criaram o Windows com pouco mais de vinte anos de idade.
Ary Franco, o falecido Ministro do STF, foi presidente do Bangu aos vinte anos.
Pascal, com apenas dezesseis anos, já era um grande matemático e tornou-se centro de atração para os estudiosos da época. Pascal introduziu o uso de um disco para a execução mecânica do cálculo. Essa invenção tornou praticamente possível a estrutura das modernas calculadoras que ulilizamos agora.
Casimiro de Abreu, um dos maiores poetas brasileiros, ainda jovem era um marco importante da literatura. Falecido aos vinte e um anos de idade, é o patrono da cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras, embora tenha recebido apenas a instrução primária.
Castro Alves viveu intensamente até os vinte e quatro anos, falecendo antes de se formar em Direito. O Poeta da Abolição demonstrou vocação apaixonada e precoce pela poesia. Poeta social, extremamente sensível às inspirações revolucionária e liberal do século XIX, Castro Alves participou de todos os grandes episódios históricos do seu tempo.
Pelé foi campeão do mundo com apenas dezessete anos de idade.
Ayrton Senna já era um campeão aos quatorze anos.
São inúmeros os exemplos do potencial da juventude.
Definitivamente, a idade e a experiência não são a única receita para a competência.

HUGO LEAL E A LEI SECA

As estatísticas, todas elas, demonstram considerável redução nos índices de acidentes de trânsito em todo o país. A denominada “lei seca” mudou os hábitos do brasileiro. Passamos a dar mais valor à vida. À própria vida e, principalmente, à vida dos outros.
Anualmente, nosso trânsito já matou mais do que em todos os anos da guerra do Vietnam. Era preciso por um fim a esse holocausto. Parece que estamos conseguindo com tolerância zero para a embriaguez.
A "lei seca" foi apresentada e aprovada por Hugo Leal em seu primeiro mandato de deputado federal. Hugo Leal, que já foi presidente do DETRAN/RJ, Secretário de Estado de Administração e Reestruturação/RJ e Secretário de Estado de Justiça e Direitos do Cidadão/RJ, está de parabéns e merece o nosso reconhecimento. Quantas vidas inocentes já foram salvas pela sua iniciativa? Quantas ainda serão? Quantos leitos em hospitais não mais serão ocupados em razão dos acidentes de trânsito? Quem pode ser contra essa Lei? Só mesmo aqueles irresponsáveis que sobrevivem em permanente estado etílico e se consideram em condições de assumir a direção de um veículo.
Em sóbria consciência, ninguém. Com exceção das mulheres feias.
Saiba o deputado que não mais poderá contar com o voto delas para a sua reeleição.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

MAIS UMA PERGUNTA

O Cacciola está preso, finalmente. E o Gilmar Mendes, não vai tomar nenhuma providência?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

APENAS ALGUMAS PERGUNTAS...

- Quem terá sido o roteirista hollywoodiano autor do roteiro encenado na libertação de Ingrid Bettancourt?
- Por que os advogados do Jerominho, preso há tanto tempo, não apelam para o Supremo Tribunal Federal?
- Cacciola volta ou não volta?
- E se voltar, vai ficar preso ou ganhará um habeas corpus na nossa suprema corte?
- O braço direito do Daniel Dantas disse que o problema era nas instâncias inferiores pois lá em cima estava tudo dominado. A quem ele se referia como lá em cima?
- Mais de 300 juízes federais de 1ª e 2ª instâncias fizeram um desagravo ao juíz Fausto Sanctis. Será que o único certo é aquele juíz do Supremo?
- Quantos militares da ativa e da passiva existem em nossas forças armadas?
- E a tortura, heim, foi terceirizada?
- Se parar - está provado - o bicho pega. E se correr, o bicho não come?
- Você não acha que a lei do desarmamento deveria valer também para a PM?
- Lúcio Flávio - o bandido romântico - dizia que: "polícia é polícia, bandido é bandido." Você concorda?
- Será que beber uma outra cerveja vale mais do que uma vida?
- Barack Hussein Obana é parente do Saddam?
- Quem você gostaria de ver treinando o seu time: Dunga ou Renato Gaúcho?

domingo, 6 de julho de 2008

TERRENO ABANDONADO NA PRAIA

Atenção, autoridades municipais de Mangaratiba: verifiquem a situação do terreno existente na esquina de Av. Beira Mar com Travessa Brasília, em Muriqui.
O local transformou-se em depósito de lixo, criadouro de ratazanas e vazadouro das necessidades fisiológicas dos visitantes de final de semana.
Não está em vigor a Lei que exige do proprietário que o terreno seja murado e limpo? E quanto ao IPTU progressivo? Está sendo cobrado ao proprietário? Ou a terra em Mangaratiba não tem finalidade social e serve apenas para a especulação imobiliária?
O maior desafio para uma autoridade é fazer crer que ela existe. Está aí outra boa oportunidade para isto.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

SAPO OU CAVALO DE RAÇA?


Se o leitor deitar a cabeça para a direita, verá o sapo transformar-se em um cavalo. Se deitá-la para a esquerda, o cavalo vai transformar-se em sapo.
Essa figura me faz pensar em certos políticos que parecem um cavalo de raça, puro-sangue, mas, que, na realidade, agem como um sapo asqueroso.
Geralmente são verdadeiros atores, têm o dom de iludir. Usam da palavra com convicção e, até, podem transmitir certa credibilidade em seus discursos. Brilham e fedem como peixe podre ao luar. Usam uma auréola de santo que oculta seus interesses excusos, como a beleza feminina que pode esconder uma mulher feia de caráter.
Fingem ignorar o que sabem e saber o que ignoram. Entendem o que ninguém compreende e não escutam o que se fala. Demonstram poder acima de suas forças. Parecem profundos quando são apenas ocos e vazios. Confundem política com astúcia.
Enfim, desempenham muito bem o seu péssimo papel na sociedade.
Esses políticos não amam, nem odeiam. Tratam o eleitor como a água que só procuram na hora da sede. Tendem a desprezar os verdadeiros anseios do povo, sempre visando vantagens e benesses para si próprios. O bom senso é a faculdade que mais lhes falta. São fariseus que vêm de longe e vivem muito distante de nossa comunidade.
O político novo, que a gente conhece e sabemos estar em início de carreira, não faz parte dessa casta. Carece desses defeitos. Nem sempre apresenta um discurso convincente. Porém, sua vontade política, a genética, sua origem, são garantias de um futuro promissor.
Certamente será um político puro-sangue que se dedicará ao povo com paixão.
Será como se o sapo se transformasse em um cavalo de raça.

domingo, 29 de junho de 2008

CONVENÇÃO DO PR E PARTIDOS COLIGADOS


Foi um grande sucesso a convenção do PR e partidos coligados que homologou a candidatura de Evando Capixaba a prefeito de Mangaratiba, tendo Jorge Luiz como candidato a vice-prefeito. O evento ocorreu na praia do Saco e contou com a presença maciça do povo que foi lá demonstrar o seu carinho por Evandro Capixaba.
Entre os discursos dos candidatos a vereador, destacou-se o que foi pronunciado com muita emoção por Xikinho da Rádio. Eu também gostei e reproduzo-o a seguir:
"O quarto mandamento diz para honrarmos pai e mãe.
Sei que todos aqui presentes sentem essa necessidade íntima que está enraizada em nossa alma: honrar pai e mãe.
Para com nossa mãe sentimos o dever de consagrar nossa existência para amá-la, respeitá-la, defendê-la, protegê-la.
Para com nosso pai, porém, o sentimento é um tanto diferente: além de amá-lo e respeitá-lo, sentimos o dever de seguir o seu exemplo de vida, seu comportamento, seu modo de ser.
E mesmo quando ele não está mais entre nós, sua presença sempre se evidencia em cada gesto nosso, em cada atitude que tomamos, em nosso comportamento. A sua marca ficou em nosso sangue.
Alguns de vocês devem estar se perguntando: por que Xikinho está falando isso numa reunião político-partidária?
Acontece, meus amigos, que no caminho para essa reunião, passei por um CIEP merecidamente denominado CÂNDIDO JORGE CAPIXABA que foi, por duas vezes, eleito Prefeito de Mangaratiba.
Cândido Jorge Capixaba foi um prefeito exemplar, atuante, um dos dois melhores que já tivemos, um exemplo de honestidade.
Um prefeito popular que estava sempre nas ruas, ouvindo os anseios de seu povo, atendendo as suas reivindicações comunitárias.
CÂNDIDO JORGE CAPIXABA permanece vivo na memória de todos e será sempre um modelo para qualquer um que se proponha a assumir a Prefeitura de Mangaratiba. Seu sangue corre nas veias do nosso candidato a prefeito.
EVANDRO CAPIXABA que sempre o honrou como pai, terá agora o orgulho de honrá-lo também como futuro Prefeito de Mangaratiba."

domingo, 22 de junho de 2008

FUTEBOL

Já pensou se essa EUROCOPA fosse a COPA DO MUNDO e o timinho do Dunga estivesse lá? Que vergonha, heim!
Que bela a ressurreição do futebol russo... Que maravilha a ressurreição dos pontas...
Não posso deixar de comparar a Alemanha, Portugal, Croácia, Holanda, Rússia, com o futebol brasileiro da atualidade.
O erro brasileiro começa com a numeração das camisas. No futebol europeu o camisa 7 e o camisa 11 jogam de fato pelas pontas. E como jogam. Vão à linha de fundo e cruzam colocando os outros atacantes de frente para o gol. Foi assim em todos os jogos.
E o que fazem o camisa 7 e o camisa 11 brasileiros? Aliás, quem são eles? Trabalham menos que a Guarda Municipal de Muriqui.
O craque europeu – parece que todos são craques – sabem passar a bola com precisão, têm a coragem de chutar de quaquer distância. Chutam forte e com direção. Já sabem driblar. Veja o Andrei Arshavin, talvez, o verdadeiro melhor do mundo na atualidade.
Não posso deixar de comparar, também, o perfeito televisamento dos jogos. O gramado parece até maior, dá pra ver a distância entre os jogadores e o seu posicionamento. O ângulo de visão é muito mais amplo.
Agora, uma palavra sobre a tática de jogo. Nossos “abalizados” comentaristas só sabem falar em dois ou três zagueiros; três ou quatro volantes; um, dois ou três atacantes. “Abalizados” comentaristas que exaltaram Joel pelas substituições no segundo tempo de Flamengo e Botafogo, introduzindo Diego Tardelli e Obina que decidiram o jogo. Se ele mexeu bem no segundo tempo foi porque escalou mal no primeiro. Lembro Feola que, na Copa de 58, não podia mexer no segundo tempo e só mexeu no terceiro jogo, escalando Garrincha e Pelé. Claro, que ele escalou mal nos dois jogos anteriores. “Abalizados” comentaristas que inventaram o elemento surpresa. Como pode ser surpresa um elemento que está em campo desde o primeiro minuto de jogo com idêntico uniforme ao dos demais jogadores? Elemento surpresa é o juiz chutar em gol.
Nenhum desses "abalizados" viram que no futebol europeu atual – com exceção do goleiro - todos são zagueiros, todos são volantes e todos são atacantes. Não viram que eles jogam de acordo com a linha da bola. Quando o time é atacado, todos voltam em bloco para trás da linha da bola, mantendo um posicionamento perfeito. Se o time ataca, quase todos vão para a frente da linha da bola, ocupando todos os espaços. É o verdadeiro futebol participativo que faz lembrar a Holanda de 1974.
A seleção brasileira atual me faz lembrar aqueles times de vedetes do Valter Pinto que, às vezes, faziam a preliminar do Maracanã no final da década de 50 e início dos anos 60. Vão em bando atrás da bola, deixando grandes espaços vazios no campo.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

PENSAMENTOS

“Os políticos são como as fraldas: devem ser trocados constantemente. Sempre pelo mesmo motivo”.
Anônimo

“O político finge ignorar o que sabe e saber o que ignora; finge entender o incompreensível e escutar o que não ouve, finge poder acima de suas forças e ter como grande segredo o esconder que não tem segredos; finge parecer profundo quando é apenas vazio; espalha espiões e paga pensões a traidores; tenta enobrecer a pobreza dos meios pela importância dos objetivos...”
Beaumarchais

"Sempre defenderei os pobres, os oprimidos e os carentes. Peço-lhes somente uma coisa em troca: distância"
Um político eleito

sábado, 14 de junho de 2008

RECEITA PRA FICAR SÓ

Junte umas brigas banais,
Uma intriga, outra mais
E alguma desilusão.
Bate bem meia-dúzia de queixumes,
Em seguida, acrescente o ciúme
E uma medida de incompreensão.
Misture bem o volume
E, só então, adicione o tempero:
Lance mão dessa falta mensal de dinheiro,
Leve ao forno da paixão
E o aqueça no calor da emoção.

P´ra acompanhar esse prato,
Tudo o que for insensato...
Chore, mas chore de fato,
Jamais dê razão à razâo
Presa de um vinho barato,
A tua sobremesa será solidão.

COMBATE À CORRUPÇÃO ELEITORAL


A Lei 9840 foi criada em 1999 para combater a compra de votos e o uso da máquina administrativa durante o período eleitoral. A sociedade se organizou para coletar mais de um milhão de assinaturas para criá-la, tornando-a a primeira lei de iniciativa popular da história do país.

A Lei 9840 introduziu na Lei das Eleições (Lei 9507) o artigo 41-A e o parágrafo 3º do art. 73.

O art. 41-A considera captação ilícita de votos quando o candidato doa, oferece, promete ou entrega ao eleitor bem ou vantagem de qualquer natureza.

O § 3º do art. 73 relaciona hipóteses de uso eleitoral da máquina administrativa. Os dois dispositivos impõe ao infrator multa e cassação de registro ou do diploma eleitoral.
Como resultado, já foram cassados 623 eleitos em todo o país. Destes, foram 508 prefeitos e vice-prefeitos e 84 vereadores. Os outros cassados são governadores, senadores e deputados.
Fundamentado na Lei 9840, foi criado o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), uma rede de entidades formada para garantir a aplicação dos dispositivos da legislação.
Instituído em 2002, o MCCE ampliou sua atuação e, hoje, funciona de forma permanente com ações em todo o país.
O Comitê Nacional, em Brasília, é formado por 32 entidades e centenas de comitês estaduais e municipais com a denominação de Comitê 9840. Os comitês locais recebem denúncias e coletam provas de corrupção que são encaminhadas para o Comitê Estadual. Este formula representações contra políticos infratores junto à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público.
Mais informações sobre o tema você encontra no site http://www.lei9840.org.br/ .
Em Mangaratiba, temos implantado o Comitê 9840 Costa Verde com o qual você pode se comunicar através do e-mail comite9840costaverde@gmail.com .
Participe dessa campanha. Não basta apenas reclamar dos políticos eleitos. Lute, denuncie os atos ilícitos que você presenciar neste ano eleitoral.
Lembre-se que voto não tem preço, voto tem consequências.

DOIS MILHÕES DE TÍTULOS CANCELADOS

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou ontem que cancelou 1.866.020 títulos eleitorais em todo o país, isto é, quase 1,48% do total de eleitores brasileiros. O cancelamento ocorreu após a revisão do cadastro eleitoral no fim do ano passado.
O objetivo da revisão foi regularizar o cadastro eleitoral, sanar irregularidades e evitar fraudes, em virtude das transferências irregulares de eleitores para um município com o qual não possuem qualquer vínculo previsto em lei.
Além disso, o procedimento também teve por finalidade corrigir outras irregularidades como a exclusão de eleitores já falecidos e que ainda estariam cadastrados.
De acordo com o artigo 92 da Lei 9.504/97 (Lei das Eleições), a revisão é determinada pelo TSE quando o número de eleitores é superior a 80% da população, quando o total de transferências de títulos do ano em curso é 10% maior em relação às transferências do ano anterior e quando o eleitorado for superior ao dobro da população entre dez e quinze anos, somados também aqueles com mais de setenta anos. Os três requisitos devem ser cumpridos simultaneamente.
O Rio de Janeiro foi o estado com menor percentual de títulos cancelados: apenas 23.802. Esse número significou apenas 0.22% do total de eleitores fluminenses (10.891.293), média muito abaixo daquela registrada no país.
Já em Mangaratiba...
Vejam só: foram cancelados 6.131 títulos, o que representou 21,9% do eleitorado municipal - quase vinte e dois por cento dos 28.001 eleitores aptos para votar em outubro de 2006 ou 25,8% dos títulos cancelados em todo o estado.
Na eleição anterior, 95,7% da população do município – 29.253 habitantes - estavam aptos para votar. Das duas uma: ou todas as crianças com mais de um ano de idade possuiam título de eleitor ou a farra das transferências de títulos, patrocinada pelos candidatos à vereança, sempre imperou em nosso município. Podemos até afirmar que deve existir algum vereador eleito somente com votos de eleitores-laranja.
Ficou provado definitivamente que o discurso dos “minhocas da terra” é pura hipocrisia. Agora mudou, pelo menos nessa eleição. Quem vai decidi-la pode não ser “minhoca da terra”, mas serão apenas os 21.870 eleitores que têm vínculo previsto em Lei com Mangaratiba

sexta-feira, 6 de junho de 2008

MAMÓGRAFO EM MANGARATIBA

O mamógrafo doado pelo governo federal, em dezembro de 2004, finalmente será instalado no Hospital Victor Breves, em Mangaratiba.

Durante quase quatro anos, o aparelho - imprescindível para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama - permaneceu esquecido pelas autoridades da saúde em nosso Município.

As autoridades certamente vão tentar se redimir dessa omissão promovendo uma campanha de prevenção do câncer da mama em todos os distritos.

Por que somente agora o mamógrafo vai cumprir a sua finalidade? Nada como um ano eleitoral para trazer benefícios à população... E ainda existe quem não gosta de eleição.

Espero que o aparelho não esteja obsoleto nem ultrapassado.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

ENQUETE ELEITORAL


O Aurélio diz que enquete é o mesmo que pesquisa. Mas, na verdade, não é. Não existem sinônimos perfeitos na lingua portuguesa. Dou um doce para quem me mostrar apenas um sinônimo perfeito. Apenas duas palavras que, inquestionavelmente, tenham o mesmo significado.
Pesquisa é algo que possui métodos inteligentes para a busca minuciosa na averiguação da realidade. É investigação e estudo, meticulosos e sistemáticos, a fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento, inclusive sobre as tendências da opinião pública.

Não são pesquisas as enquetes que vêm sendo realizadas neste ano eleitoral em nosso município.

Se os políticos locais quiserem, de fato, conhecer as tendências do eleitorado que contratem uma empresa profissional de pesquisas que tenha o seu trabalho reconhecido e confirmado em outras eleições. Não venham com perguntas ardilosas para influenciar o entrevistado. Não escolham os locais nem os bairros nem as pessoas para as entrevistas. Que busquem uma amostragem científicamente estratificada - at random - para representar todo o universo pesquisado. Ou o resultado da pseudo-pesquisa nada significará.

Não façam como eu estou fazendo com a enquete apresentada ao final desta página. É apenas uma enquete. Quase uma brincadeira.

Até eu mesmo votei. E como o voto é secreto apenas para a proteção do eleitor e eu não necessito de proteção alguma, declaro o meu voto: CAPIXABA.


domingo, 25 de maio de 2008

FOME OU OBESIDADE?


Com um mês de nascido - talvez, dois - eu berrava de fome. À noite, era um desespero, não deixava ninguém dormir. O leite materno não me alimentava.
Perto de casa, porém, morava uma família muito carente, bem pobre, onde havia também um bebê da minha idade. Meu pai ajudava aquela família de muitos filhos – todos saudáveis, bem nutridos - e a mãe, uma negra gorda, opulenta, abundante, se ofereceu para me amamentar. Sobrava-lhe aquele líquido branco, quase cremoso, substancial.
Em minha primeira mamada, imerso naqueles seios monumentais, pude finalmente saciar-me. Enquanto mamava, sugando furiosamente aqueles mamilos retintos, agarrei um dedo da santa senhora com tanta força que foi difícil me tirarem do colo dela. Entorpecido pela fartura alimentícia, dormi doze horas seguidas.
Vinte e quatro anos depois, ocorreu fato idêntico com meu primeiro filho, logo nas primeiras semanas de vida. Era uma outra negra, espaçosa, idêntica àquela que me livrou da fome. Das duas, nunca mais tive notícia. Contudo, sei que jamais houve fome não saciada naquelas famílias.
Através dos tempos, porém, tenho visto reportagens na televisão sobre a fome em nosso país.
E, nessas reportagens, sempre identifico entre os esfomeados entrevistados aquelas duas volumosas senhoras. A verdade é que nunca vi um brasileiro faminto e magro. Qual Diógenes, procurei, de lanterna na mão, e jamais o encontrei. São todos bem nutridos, obesos, com raríssimas exceções.
Creio que essas raríssimas exceções, geralmente mulheres, são as anoréxicas, aquelas que sofrem de bulimia. Que pesam menos de quarenta quilos e se acham gordas. E, por isso, não comem. E, quando comem, fazem todo o esforço para vomitar. Ou, então, são aqueles que não engordam de ruindade.
Quem vê chegar à praia de Muriqui, nos finais de semana, vans e kombis repletas de famílias oriundas das localidades mais carentes de nosso estado, chega à conclusão de que a fome não existe. Ou melhor, a fome existe – e sempre existirá – mas é devidamente saciada como eu fui em meus primeiros meses de vida. O grande problema brasileiro é de fato a obesidade.
Eu já tinha chegado a essa conclusão antes da pesquisa do IBGE recentemente divulgada:
o brasileiro está acima do peso e - diz a pesquisa - é grande o número daqueles que tem obesidade mórbida.Em consequência, digo eu, há também uma fome mórbida. Essa morbidade é que seria o grande problema da fome em nosso país.

DEU EM O GLOBO

O Detran vai inaugurar novas instalações da unidade de Serviço Auxiliar de Trânsito - SAT, em Mangaratiba. Segundo o Detran, Mangaratiba ganhará agilidade no atendimento: o documento do veículo passa a ser emitido logo após a realização da vistoria.
Até agora, depois de ter o veículo inspecionado pela equipe da vistoria itinerante, o proprietário não recebia o documento de imediato, precisava aguardar até 30 dias para receber o CRV ou CRLV.
A SAT ganhará novos equipamentos para agilizar e aumentar a quantidade e qualidade de atendimentos. Houve investimento em tecnologia, com a substituição de computadores e impressoras. O veículo fará a vistoria e receberá o documento na hora, tal como é feito nos postos de vistoria de todo estado.

PARQUE ESTADUAL CUNHAMBEBE


O Instituto Estadual de Florestas (IEF/RJ) promoveu no dia 20 de maio, no Iate Clube de Muriqui, palestra sobre a criação da mais nova unidade de conservação estadual, o Parque Estadual Cunhambebe. Com área prevista de 38.527 hectares, o parque abrangerá parte dos municípios de Mangaratiba, Angra dos Reis, Rio Claro e Itaguaí, e protegerá uma ampla região de mata atlântica nativa, com sítios históricos e áreas de grande potencial para o ecoturismo, assegurando a preservação de inúmeras espécies animais e vegetais ameaçadas.
Na área do parque estão incluídas parcialmente 13 bacias hidrográficas, entre as quais algumas importantes para o abastecimento de água do estado, como a Bacia da Represa de Ribeirão das Lajes. Entre as várias áreas de potencial interesse turístico estão o Pico do Sinfrônio, com mil e quinhsntos metros, em Angra dos Reis, e o Pico das Três Orelhas, com mil e cem metros, em Mangaratiba. Trilhas, cachoeiras e paredões para escalada são as principais atrações para os adeptos dos esportes de aventura.
O parque também terá áreas de relevante interesse histórico, como a antiga Estrada Imperial, no Distrito de São Marcos, em Mangaratiba, que conta com mirantes, edificações e ruínas típicas do período colonial.
O Ministro do Meio Ambiente – Carlos Minc – declarou à imprensa que “agora no dia 5 de junho, dia do Meio Ambiente, criaremos um parque de 38 mil hectares na área de Mangaratiba para fechar o corredor florestal Bocaina -Tinguá. Essa área vai sofrer pressão demográfica com o arco metropolitano e o pólo siderúrgico de Itaguaí. Precisamos nos antecipar e fechar essa cobertura. Vai ser o segundo maior parque do estado.”
Na avaliação do ministro, a mata atlântica é o segundo bioma mais ameaçado do planeta e, até agora, não possuía uma Área de Proteção Ambiental.
A denominação do parque é uma homenagem ao cacique tupinambá Cunhambebe, líder da Confederação dos Tamoios, formada por volta de 1560. A Confederação dos Tamoios reuniu caciques de várias tribos que se revoltaram diante da ação violenta dos portugueses contra os índios Tupinambás, causando mortes e escravidão. O cacique tornou-se temido pelos portugueses, contra os quais obteve várias vitórias até sua morte por varíola. Atualmente, Cunhambebe é lembrado pelo nome do maior distrito do município de Angra dos Reis, onde teria nascido, na localidade de Ariró. Veja o mapa do parque no site do IEF: http://www.ief.rj.gov.br/

segunda-feira, 12 de maio de 2008

DEU NO JB

«O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a Prefeitura de Mangaratiba deram a partida para as obras de pavimentação e recapeamento em diversos logradouros do município. Os serviços serão executados em 180 dias. Ao todo estarão sendo investidos no projeto R$ 5 milhões.
Conforme ficou acordado no contrato, o DER investirá cerca de R$ 3 milhões – já autorizados pelo governador Sérgio Cabral – enquanto a prefeitura investirá R$ 2 milhões.
A execução dos trabalhos de pavimentação, recapeamento e serviços complementares ficará por conta da Secretaria de Obras de Mangaratiba, assim como a elaboração de todo o projeto.
O DER fornecerá o material necessário para composição do asfalto utilizado. Serão ao todo 22 logradouros beneficiados, numa extensão total de 201.789 metros quadrados.»
O alagamento crônico – sempre que chove - na Rua Tiradentes, em Muriqui, bem que poderia se beneficiar dessa verba para a sua correção. E ainda há quem não goste de eleição...
Não vêem que é em ano eleitoral que surgem as obras e benefícios para a comunidade.

AQUI, JAZZ...

Márcio Montarroyos faleceu aos 58 anos, em 12/12/2007, em sua casa, no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, vítima de câncer generalizado descoberto tardiamente em outubro do mesmo ano.
Carioca, estudou piano e música clássica antes de se dedicar ao trompete e ao jazz. Nos anos 70, foi estudar na Bekerlee School of Music, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, passou a se apresentar em shows e casas noturnas, voltando com frequênca aos EUA para participar de apresentações e gravações. Tocou ao lado de Stevie Wonder, Sarah Vaughan, Nancy Wilson, Carlos Santana e Ella Fritzgerald, além de artistas brasileiros como Sérgio Mendes, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Tom Jobim. Lançou cinco discos solo no Brasil.
Montarroyos é considerado um dos maiores instrumentistas brasileiros. Seguindo o link abaixo, você pode vê-lo e ouvi-lo tocando o jazz Mangaratiba, acompanhado pela cantora Marion no teclado.
http://www.youtube.com/watch?v=q2naNq-xD2U&feature=related