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quinta-feira, 19 de maio de 2011

"POR UMA VIDA MELHOR"

É o título do livro que ninguém leu e que está causando uma polêmica absolutamente inútil e absurda. Nossa imprensa sem assunto – já que a inflação galopante que foi prevista não aconteceu – dedica páginas diárias combatendo um capítulo do livro adotado pelo Ministério da Educação para o EJA (Ensino de Jovens e Adultos). Como sempre, a imprensa é exagerada, catastrófica e aterrorizante.
Irracionalmente, afirma que o livro ensina a falar errado. Pura estupidez. O citado capítulo em discussão apenas dá exemplos do falar inadequado e ensina a norma culta. Quem ainda não conhece a lição, pode lê-la aqui em PDF ou  aqui no WORD.
A Ação Educativa, responsável pedagógica pela edicão do livro, é uma respeitável organização fundada em 1994 com a missão de promover os direitos educativos e da juventude que reúne uma equipe de professores e doutores em linguística.
Diante da enorme quantidade de informações incorretas ou imprecisas que foram divulgadas, a Ação Educativa esclarece que:
1. “Escrever é diferente de falar” - Como o próprio nome do capítulo indica, os autores se propõem, em um trecho específico do livro, a apresentar ao estudante da modalidade
de Educação de Jovens e Adultos as diferenças entre a norma culta e as variantes que ele aprendeu até chegar à escola.
2. Os autores não se furtam a ensinar a norma culta - Pelo contrário, a linguagem formal é ensinada em todo o livro, inclusive no trecho em questão. No capítulo mencionado, os autores apresentam trechos inadequados à norma culta para
que o estudante os reescreva e os adeque ao padrão formal de posse das regras aprendidas. Por isso, é leviana a afirmação de que o livro “despreza” a norma culta. Ainda mais incorreta é a afirmação de que o livro “contém erros gramaticais”.
3. É importante frisar que o livro é destinado à EJA (Educação de Jovens e Adultos) - Ao falar sobre o tema, muitos veículos omitiram este “detalhe” e a mídia televisiva chegou a ilustrar reportagens com salas de crianças. Nessa modalidade, é necessário levar em consideração a bagagem cultural do adulto, construída por suas vivências e biografias educativas.
É interessante ler o que escreveu Daniela Jakubaszko, bacharel em lingüística e português pela FFLCH-USP, mestre e doutora pela ECA-USP, no blog “Somos Mulheres de Fibra” (aqui). Ela desistiu de ser professora depois de dar aula por 15 anos e virou redatora porque não aguentava mais ouvir: "você trabalha além de dar aulas?"
A verdade é que o livro não ensina nada errado como diz a imprensa. O que gerou a polêmica são exemplos do falar popular apresentados no capítulo “Escrever é diferente de falar”. Um tema que já foi motivo de uma postagem minha.
Como seria possível a escola ensinar a falar errado se o aluno já chega à escola diplomado na matéria?
Repito o que eu já disse aqui: eu gosto de falar errado – é gostoso - e de escrever certo – mais gostoso ainda.

Um comentário:

leila castro disse...

Lacerda,

Eu fico cansada disto. Parece que virou patrulha para "caçar pelo em ovo". Procuram superficialmente contestar qualquer trabalho ou esforços, que tenham como bjetivo impulsionar diferenças em nossa educação.

São verdadeiros "tratados bombásticos" que não contribuiriam em nada com mudanças que se fazem necessárias.

Qualquer novidade é motivação para centenas de contestações que não apresentam nada em troca do que contestam.