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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

FERNANDO PAMPLONA, O ENCARNADO E O BRANCO

Atualmente, eu tento ser Nelson Rodrigues com minhas estorinhas tipo “A vida como ela é”. Mas, já quis ser Chico Buarque quando fui compositor. E, também, tentei ser Fernando Pamplona quando fiz enredo para escola de samba (Unidos de Bangu) na inauguração do sambódromo, em 1984.
Pamploma foi quem revolucionou os desfiles nos anos 60 pelo Salgueiro e, agora, no próximo dia 29, lança o seu livro “O Encarnado e o Branco” com suas reminiscências do carnaval. Todos os grandes carnavalescos – Arlindo Rodrigues, Rosa Magalhães, Joãosinho Trinta, Renato Lage, Layla -  trabalharam e aprenderam com Pamploma.
Vou comprar o livro pra ver se ele conta a história de sua demissão da cobertura de carnaval pela Rede Globo. Ele era o único crítico que criticava de fato. Por isso, os bicheiros exigiram sua saída. Hoje, a cobertura dos desfiles é feita por idiotas que estão ali apenas para elogiar as escolas. Quem os assiste e acredita no que dizem até pensa que as escolas vão terminar empatadas.
Polêmico, falastrão, abusado e fumante inveterado aos 86 anos, ele afirma em entrevista a O Dia: “Sou vagabundo, sim, estou aí” e considera Paulo Barros o melhor desde Joãosinho Trinta. Parece até que sou eu falando.
- O que o motivou a fazer uma autobiografia?
Na verdade, não é um livro autobiográfico. Se eu fizesse uma biografia, seria até preso. Noventa por cento seriam censurados. É um livro de histórias. O que velho sabe? Contar história. Se não tiver Alzheimer. Como eu ainda não tenho a doença, decidi contar as minhas.
- São muitas histórias?
Claro. Sou vagabundo, de corriola, de botequim. E tô aí. Os CDFs se perderam, ninguém ouve falar deles. Mas os vagabundos estão sempre aí.

- E o Carnaval, como é que surgiu essa paixão na sua vida?
Sempre fui um amante da cultura popular. Em 1935, ia a bailes populares e nunca tive super-heróis. O mestre-sala e a porta-bandeira sempre foram os meus príncipes e princesas.

- E quando você passou, de fato, a participar do Carnaval como protagonista?
Em 1959, eu era professor de Belas Artes e fui convidado para ser jurado do Carnaval. Eu torcia pelo Império Serrano, mas, por ter sido da União Nacional dos Estudantes (UNE), me simpatizava com a Mocidade Independente pelo nome da escola. Quando vi o Salgueiro entrando na Avenida, de vermelho, falando sobre Debret, virei salgueirense na hora.

- Por causa do vermelho ou do Debret?
Do Debret. A escola falou de um artista em vez de falar de um general, como era hábito no Carnaval. Só tinha enredo ‘Dipiano’, do governo. (DIP é o extinto Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão censor das manifestações culturais criado por Getúlio Vargas).

- Como foi aquele Carnaval?
Foi fantástico. Dei nota 8 para o Salgueiro, 6 para a Portela, para o restante dei 5 e 4. Mas o desfile da Portela foi arrebatador e eu aumentei a nota para 7. E eles ganharam por 1 ponto. Ali, entrei de vez no Carnaval.

- E no ano seguinte, já foi campeão com enredo sobre Zumbi dos Palmares.
Mas o Natal, da Portela, que tinha uma força danada, não descontou os pontos que deveriam ser descontados. Assim, acabaram declarados campeões também a Portela, a Mangueira, o Império e a Unidos da Capela. Ficou todo mundo feliz com o resultado. Menos nós, é claro.

- Dali em diante, o Salgueiro passou a falar sobre Aleijadinho, Xica da Silva. O revolucionário Pamplona mudou o Carnaval?
O grande revolucionário foi Nelson Andrade, diretor de Carnaval do Salgueiro. Pensava à frente de todo mundo, como o Juju das Candongas, da Mangueira. Eles pensavam em artistas como enredos, e não aquela patriotada besta.

- E qual foi o seu seu papel nessa história?
Eu sou muito ligado à cultura negra. Mas os negros não gostavam de se vestir de negros. Negro gostava de sair com chapéu de Napoleão para tirar onda após o desfile na Praça Saens Peña ou em Madureira. Acho que minha contribuição foi essa, valorizar a cultura negra.

- Como você avalia o Paulo Barros, o novo xodó do Carnaval?
Depois do Joãosinho Trinta, foi o que criou algo diferente no Carnaval. O resto é tudo treinador de futebol, não tem identificação com a escola de samba. Ah! tem o Laíla, que é identificado com a Beija-Flor e é ótimo. Temos a Rosa (Magalhães) e o Renatinho (Lage), mas é só.

- Como vê o Carnaval atual, cheio de enredos patrocinados?
Uma merda, mas o bom carnavalesco dá jeito. Pior são os sambas. Foi isso que acabou com o Carnaval. Hoje, se você junta uma turma no seu boteco e pede para alguém cantar um samba dos últimos oito anos que não seja da sua escola, não sai nada. Só tem porcaria. É um negócio marcheado que não pega de jeito nenhum.

- Qual seria a solução para isso, então?
Teria que chegar um cara corajoso e obrigar a escola de samba a cantar samba de verdade, mesmo perdendo no desfile.

- Mas a história só dá valor aos vencedores.
É verdade. Mas acho que a vida é feita de ciclos e em breve teremos um novo Carnaval. Esta é minha esperança.

- Você continua fumando sem parar. E bebendo?
Também, claro. Vou parar para quê? Para ter mais dois dias de vida?


 N.L.: peço perdão por esta postagem a quem não é muito fã do meu blog porque eu faço postagens que não interessam à população de Mangaratiba e acha que eu poderia divulgar mais sobre a nossa cidade. Em primeiro lugar, devo reiterar que não tenho nenhum compromisso com a notícia. Tenho compromisso apenas com a verdade, a crítica, a informação e a cultura. Em segundo lugar, apesar de escrever sobre tudo, até sobre mim mesmo, duvido que algum outro tenha feito mais postagens sobre Mangaratiba do que este humilde blog. Em terceiro lugar, somente este sarcástico blog falou a verdade durante a última campanha eleitoral em Mangaratiba. Verdade confirmada pelo resultado da eleição.
O título do blog é Mangaratiba apenas porque foi o primeiro a ser publicado em nossa cidade, mas é escrito para todos que se interessam pela leitura e pelo conhecimento geral.

10 comentários:

leila castro disse...

Quem reclama de seu blog?

Eu divulgo até suas postagens no "Feissebuque"!

A última foi a da Ampla que vc fez em 2009!

LACERDA disse...

Não é reclamação, é apenas uma opinião parcial. Leia lá no Mangaratiba sem Prefeito.

Anônimo disse...

Suas postagens interessam,sim.São sobre a cidade do Rio,sobre o Brasil e o mundo...Apesar dos pesares, também somos cidadãos do mundo.Não teria sentido algum pensar em Mangaratiba isoladamente.

LACERDA disse...

Valeu anônimo,

É isso mesmo o que eu penso e me motiva a escrever: a vida.

Anônimo disse...

Quem escreve só sobre Mangaratiba tem que publicar boatos, disse me disse e fofocas de botequim.

Anônimo disse...

Tipo assim como o que se diz professor e escreve errado pra cacete?

Anônimo disse...

Eu gosto tanto do blog do Lauro quanto o do Lacerda(da Leila,também).
São diferentes?Que bom?Isto não significa que um é melhor ou pior que o outro.A cada dia eles tornam-se mais interessantes,na medida em que nós, usuários, contribuamos com sugestões,críticas construtivas e co
mentários,também interessantes.Nós não sabemos,ainda,interagir.É natural...

LACERDA disse...

Obrigado pelo elogio. Concordo com você que cada blog tem o seu perfil. Quanto à interação, ela é grande entre o meu e o da Leila, e, também, existe alguma com o blog do professor que eu ainda não tive o prazer de conhecer.

Anônimo disse...

Lacerda:acho que você entendeu.Mas, não me refiro a vocês,mas a nós,usuários,que apesar do nosso município ser pequeno,nunca houve interação entre os bairros,infelizmente.Sempre estivemos muito isolados.Isso facilitou muito
para a situação caótica que vivemos hoje no município.Se não há união, como vamos nos organizar para sugerir,reivindicar,criticar etc?
Se queremos sair da "república velha" e ter qualidade de vida,no município, precisamos nos unir.O que acham?

Anônimo disse...

Corrigindo o que eu disse em 23/01/13,11h29min.:se quisermos sair da "república velha" e ter qualidade de vida,no município,precisamos nos unir.
Mas resta saber se é mesmo isso que queremos.De repente,a maioria
gosta mesmo é desta desunião,deste descompromisso com o social,com o meio ambiente etc ,cada um por si e Deus por ninguém...E,por isso, até tentam agredir com palavras aqueles que querem algo mais,não só para si,mas para o município e para o planeta.Pode parecer muita pretensão,muita besteira,pra quem tem outra visão ou nenhuma.Quem sabe?