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sábado, 12 de novembro de 2011

CULTURA

Dia 5 de novembro, foi comemorado o Dia Nacional da Cultura Brasileira. Eu até pensei em escrever sobre cultura. Mas, quem sou eu – um blogueiro que gagueja (N.L.: aquele plural me atingiu) - pra falar de cultura? Eu nem sei exatamente o que é cultura.
Alguns a confundem com educação e querem jogar a responsabilidade do desenvolvimento cultural do povo de Mangaratiba sobre os sacrificados professores que já são obrigados a oferecer a educação familiar que muitos pais são incapazes de dar a seus filhos.
Talvez, não saibam que em uma escola de samba, por exemplo, existe muito mais cultura do que em qualquer colégio ou em quaisquer academias caipiras. Noel já dizia que ninguém aprende samba no colégio.
No colégio, a gente aprende a ler, a escrever, somar, diminuir, dividir, multiplicar, etc, etc.
Cultura, a gente faz. Faço eu, faz você que me lê. E mesmo quem é analfabeto faz cultura. Não é preciso ter talento nem inteligência nem conhecimento algum para fazer cultura.
O Brasil, um universo de formação multirracial, está repleto de manifestações culturais e carrega um pouco dos costumes de cada povo que aqui veio morar. Muito da nossa cultura - o candomblé, a capoeira, parte do nosso vocabulário e grande parte do nosso folclore – herdamos dos negros africanos. Dos índios, herdamos o artesanato, a pintura, comidas exóticas como o peixe com banana, a etimologia, a rede. Que talento, inteligência e conhecimento eles tinham?
Teriam eles inspiração? Ora! Inspiração nada mais é do que 99% de transpiração.
Nossa imensa riqueza cultural foi agraciada principalmente pelos europeus com o idioma, o cristianismo, a literatura de cordel, a contradança de quadrilha, as festas juninas, o carnaval, o futebol. 
Nosso povo nutriu-se com a miscigenação cultural e, a partir desta colcha de retalhos, cria a sua própria cultura, contribuindo cotidianamente para mantê-la pujante, difundi-la e aprimorando os seus valores, instituições e criações. 
Mas, o que é cultura, afinal? Defini-la não é nada fácil. Ninguém jamais conseguiu dar-lhe uma definição precisa. Em um estudo aprofundado, Alfred Kroeber e Clyde Kluckhohn encontraram pelo menos 167 definições diferentes para o termo cultura.
Uma delas define os elementos culturais: artes, ciências, costumes, sistemas, leis, religião, crenças, esportes, mitos, valores morais e éticos, comportamentos, preferências, invenções e todas as maneiras de ser (sentir, pensar e agir).
Cabe ressaltar inicialmente que existem distintos conceitos de cultura.
A cultura erudita, por exemplo, que a elite supõe ser a verdadeira cultura. Esta segue o pensamento iluminista francês, no qual a cultura caracterizava o estado do espírito cultivado pela instrução. “A cultura, para eles, era a soma dos saberes acumulados e transmitidos pela humanidade”.
Ou, como querem alguns, pelos sacrificados professores. Esta cultura já tomou um pé no rabo durante a Semana de Arte Moderna de 1922 quando Oswald Andrade, Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e outros menos votados implantaram o modernismo na cultura brasileira.
Nada tenho contra a cultura erudita da qual faz parte o filme “Limite”, difícil de entender, assimilar e assistir por mais de cinco minutos. Aquele barco balançando no mar durante tanto tempo ou aquela prolongada cena inútil mostrando os pés da atriz principal me faz pegar no sono. Prefiro a cultura popular que não se confunde com noções de desenvolvimento, educação, bons costumes, etiqueta e comportamentos elitistas.
A cultura erudita está ligada à elite e subordinada ao capital que viabiliza esta cultura. Ela exige estudo e pesquisa para se obter o conhecimento, não é viável à maioria, mas sim a uma classe social outrora dominante. É uma cultura que a elite valoriza e acredita ser superior.
Cultura popular ou cultura de massa é a cultura vernacular e pode ser definida como qualquer manifestação cultural (dança, música, festas, literatura, folclore, artesanato, esportes, modo de falar ou qualquer outra capacidade e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade) na qual o povo produz e participa de forma ativa.
Marilena Chauí também chama a atenção para a necessidade de alargar o conceito de cultura, tomando-o no sentido de invenção coletiva de símbolos, valores, idéias e comportamentos, “de modo a afirmar que todos os indivíduos e grupos são seres e sujeitos culturais”.
Para não me alongar, sugiro ao leitor conhecer a palestra “Cultura é o quê?” proferida por Daniele Canedo – Graduada em Produção em Comunicação e Cultura (UFBA). Mestre em Cultura e Sociedade e Doutoranda do PPG em Cultura e Sociedade (UFBA). Docente dos cursos de Produção em Comunicação e Cultura (UFBA) e de Jornalismo (UNIME) – no V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (clique AQUI).
Diante da multiplicidade de interpretações e usos do termo cultura, ela adota como referência neste trabalho três concepções fundamentais de entendimento da cultura:
1) modos de vida que caracterizam uma coletividade. Neste conceito amplo, todos os indivíduos são produtores de cultura que nada mais é do que o conjunto de significados e valores dos grupos humanos;
2) obras e práticas da arte, da atividade intelectual e do entretenimento. Esta concepção é dotada de uma visão mais restrita da cultura, referindo-se às obras e práticas da arte, da atividade intelectual e do entretenimento, vistas sobretudo como atividade econômica. Esta dimensão não se dá no plano da vida cotidiana do indivíduo, tem foco na produção, distribuição e consumo de bens e serviços que formam o sistema da indústria cultural.
3) fator de desenvolvimento humano. A cultura é instrumento para o
desenvolvimento político e social, onde o campo da cultura se confunde com o campo social.
A mestra baiana termina sua palestra afirmando que:
“De todos os modos, o papel central que a cultura exerce na vida da sociedade contemporânea exige uma atuação efetiva dos poderes públicos através da implantação de órgãos específicos para a gestão cultural nas esferas municipal, estadual e federal, e  da elaboração e execução de políticas públicas."
Isto é, não se deve transferir responsabilidades para os já tão sacrificados professores. A obrigação pelo desenvolvimento cultural de Mangaratiba terá que ser de órgãos competentes e especificamente implantados para tal trabalho.

N.L.: Pô! Ia me esquecendo. Alô! Humberto. Corrige o número da minha casa.

Um comentário:

leila castro disse...

Este é o homem que hoje nem conseguiu me instigar ao debate.... por pouco nossas postagens não foram um encontro de blogueiros gaguejantes em sintonia...

Escreveu o que gostaria de responder ao Emil de Castro, mas por motivos óbvios, não fiz.... seria plantar em terra que não germinaria.

E o filme está por me inspirar.... estou no limite!


Alô Humberto, dá uma força aí para a correção do nr da casa do Lacerda!!!!