Total de visualizações de página

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A DITADURA DERROTADA VIII

Esta é a última transcrição que faço do livro de Elio Gaspari:

Página 479

"A professora Maria da Conceição Tavares ia para Santiago do Chile, sede da Comissão Econômica para a América Latina, organismo das Nações Unidas do qual era funcionária. Assistente do professor Octávio Gouvêa de Bulhões, lecionava no curso de pós-graduação de economia da Fundação Getulio Vargas. Era respeitada no meio acadêmico por seu trabalho intitulado "Auge e declínio do processo de substituição de importações no Brasil". Cáustica e interminável, era respeitada em todos os meios por ter previsto, em 1971,o colapso da bolsa de valores.
Conceição achegou-se ao balcão da Polícia Federal suspeitando de algo. Uma amiga lhe contara que, durante um interrogatório, em São Paulo, haviam-lhe mostrado sua fotografia. Fora ao aeroporto com a filha. Na hipótese de um imprevisto, ela deveria buscar um contato com o ministro Severo Gomes, a quem conhecera por intermédio de amigos comuns.
"A senhora tem que me acompanhar", disse-lhe o funcionário da Polícia Federal a quem entregara o passaporte.
Severo foi avisado e avisou Golbery. Com quem Golbery falou, não se sabe, mas a resposta vinda do I Exército foi assombrosa. Não havia ninguém preso com aquele nome.
Maria da Conceição tinha desaparecido do aeroporto, fora levada ao prédio da Polícia Central, na rua da Relação. No fim da tarde, encapuzada, estava deitada no chão de um automóvel, a caminho do DOI da Barão de Mesquita.
Já na primeira noite dormiu nua numa das frias, brancas e iluminadas celas inglesas.Teve de limpar a própria urina. Tomou alguns cachações.
Durante um interrogatório, mencionou sua condição de professora e relacionou o ministro Reis Velloso entre seus ex-alunos. O oficial respondeu:
"Pode ser professora até do Geisel, que daqui você não sai".
Nesse momento Maria da Conceição assustou-se."

N.L.: Hoje, a Polícia Federal persegue corruptos, fraudadores, bandidos, contrabandistas, sonegadores. Sejam eles políticos eleitos ou não, juízes, militares, gente do governo ou da oposição.
A Polícia Federal não é mais uma linha auxiliar dos torturadores para perseguir uma mulher indefesa.
A Polícia Federal nunca trabalhou tanto quanto agora porque tem toda a liberdade para combater a fraude, a corrupção, o contrabando, a sonegação, que sempre existiram e existirão sempre.
E a Rede Gloebbels e os torturadores dizem que nunca houve tanta corrupção quanto agora.
Não! Nunca houve tanta corrupção combatida, descoberta e, até, punida como agora quando os doutos mandriões do judiciário permitem.

Um comentário:

leila castro disse...

Lacerda,

Que leitura gostosa!

Te agradeço pelos trechos e por seus comentários.