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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

MURIQUI NO CARNAVAL


Tenho que reconhecer. As autoridades bem que tentaram. A última vez que vi tantos PMs juntos, eu estava correndo deles durante a ditadura.
Mas, com uma coordenação pouco inteligente, quase nada adiantou. Os desordeiros mais uma vez dominaram Muriqui. Ouvi boatos – apenas boatos - de tiros e facadas. Houve brigas, é natural; mas, felizmente, ninguém morreu. Não foi o auge da bosta da passagem de ano, digamos que atingimos apenas o apogeu da titica.
Na segunda-feira, às 18 horas, tomei coragem e caminhei do princípio até o final da praia. Entre o quiosque 13 – o quiosque que aderiu à pornofonia funkeira até na quarta-feira de cinzas - e a rua dos Correios, contei oito carros com a mala aberta e o som estridente e pornofônico do funk. Inclusive um carro de som da MR Propaganda que, na terça-feira, disputava com o quiosque 13 quem emitia o maior volume de som funkeiro.
Salve o Kabeça que montou um palanque para tocar apenas a verdadeira música de carnaval.
Não vi – juro que não vi – um único PM ou Guarda Municipal durante mais de uma hora de caminhada. Mas, de repente, bem mais tarde, vi passar pela praia mais de vinte PMs juntos com elementos da fiscalização fazendária.
Fiscalização que permitiu a montagem de uma tenda com mais de 20 metros quadrados em plena areia da praia. Pasmem, na areia (foto acima). Havia outra, um pouco menor, no calçadão depois do último quiosque. Ambas, eram distribuidoras da cerveja Itaipava. A cervejaria que, segundo a fiscalização fazendária, fez um acordo com a Prefeitura e que agora é assim: para a Itaipava tudo, para a AMBEV a Lei. Não importa que os quiosqueiros oficiais sejam prejudicados ou não. Três latinhas da Itaipava eram vendidas por apenas cinco reais.
Havia, também, no calçadão da praia – em frente ao calçadão dos Correios – uma grande tenda protestante com o Projeto Libertas Almas. Tocando “rap” protestante em alto volume. Uma faixa dizia que o pseudo-projeto tinha o apoio da Prefeitura. Não sei que almas eles queriam libertar em pleno carnaval quando todas elas estão livres e soltas. O site da Prefeitura afirma que o evento foi realizado pela Fundação Mário Peixoto em todos os distritos.
Várias faixas do outro lado da linha férrea anunciavam que a passagem de nível estava interditada. Eu e vários outros passamos de carro sem que nenhum GM ou PM nos interpelasse. Sei que durante alguns momentos a interdição foi pra valer. Mas, se não for durante todo o tempo de que adianta?
No sábado e domingo, a PM apreendeu várias motocicletas com descarga aberta e motoqueiros menores de idade e sem capacete. Mas, na segunda e na terça liberou geral.
De que adianta tudo isso em apenas alguns momentos?
Na quarta-feira, o calçadão da praia amanheceu cheirando a urina. O que têm na cabeça os coordenadores de carnaval que recebem diariamente cerca de 50.000 visitantes sem instalar um único banheiro químico em todo o Distrito?
Os grandes blocos – Unidos pelo Chifre, Banda do Banana, Piranhas – e outros menos votados, organizados pelos verdadeiros foliões, salvaram o carnaval de Muriqui. E nem quiseram saber da praia.
Na apuração que fiz, o quesito frequentadores leva nota zero. O lumpesinato masculino dominou o ambiente, as mulheres bonitas partiram para outras paragens mais civilizadas. O quesito policiamento e fiscalização, nota sete. A coordenação deste quesito: nota três. O quesito quiosques: nota cinco porque foi favorecido na média pela nota dez do quiosque do Kabeça.
O quesito abastecimento d´água: nota três. Faltou água em Muriqui.
O quesito libertação das almas leva nota zero para não mais tentar se aproveitar das festas pagãs.
Agora, o quesito limpeza urbana leva dez, nota dez. Embora o calçadão da praia esteja extremamente necessitado de um bom banho para voltar as suas cores originais.
Pra não dizer que não falei de flores, as duas visões maravilhosas que me encantaram neste carnaval/2009: a primeira, no domingo, foi a festa muito bonita do Carnamar; a segunda, na terça-feira, foi a extensa fila dos visitantes para pegar o ônibus de volta para casa.
É, o Salgueiro venceu. A Mocidade disputou com muita galhardia o último lugar com a Império Serrano. E a menor nota no quesito samba-enredo foi para a Viradouro. Tudo dentro do que foi previsto neste blog. Somente a Grande Rio não conquistou o que eu esperava. Ainda é considerada uma escola menor e os jurados não perdoam qualquer deslize.

2 comentários:

QUIOSQUE 14 disse...

Lacerda
Mais uma vez o poder público se mostrou omisso, no caso da cervejaria faltou transparência, na falta de água pulso forte junto à concessionária, nos banheiros químicos boa vontade e respeito ao cidadão, no fechamento do acesso a praia coordenação e planejamento do efetivo da Guarda Municipal, (não funciona ostensivamente, mas ocasionalmente).

O ABUSO DOS PROPIETÁRIOS DE VEÍCULOS ESTÁ FAZENDO DOS SEUS VEÍCULOS UMA BOATE.
Funk, em se tratando do proibidão... Dá para respeitar esse lixo?

Até daria certo se aqueles idiotas ouvissem esse lixo não dançante e nada animante de imbecis bem baixinho. Mas eles tem que estourar os tímpanos dos outros e acham que isso é cultura. Um cara que não sabe o que é música enchendo o bolso enquanto trouxas se exibem num baile um num carro nas alturas só para desafiar não sei o que e se acharem os f.o.d.õ.e.s! MORRO de pena desses idiotas... É bem simples, não existem anormais que querem ser insultados baixinho... Por isso que ninguém escuta funk baixo. Coloca sempre alto para mostrar que aquela área é desse mesmo idiota que deixa o rádio tocando essa porcaria. Contra ao funk normal eu também detesto, não dá para aturar e esse eu só respeitaria se o indivíduo que o escuta fizesse baixinho, só para ele...
Algo que é impossível no Rio de Janeiro!
A resolução 204 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamenta o volume e a freqüência dos sons produzidos por equipamentos utilizados em veículos. Os veículos que forem flagrados emitindo nível de som superior a 104 decibéis serão penalizados com o pagamento de multa no valor de R$127,69. A infração é considerada grave e prevê a perda de cinco pontos na carteira de habilitação.
No entanto, sem a medição através do decibelímetro, a multa não tem validade. Mas temos um outro dispositivo no direito, mais especificamente no artigo 42 da Lei de Contravenções Penais, que diz o seguinte: “perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios:
I – com gritaria ou algazarra;
II – exercendo profissão incomoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais;
III – abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem guarda.
Pena – prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa.”
Sendo assim qualquer um que se sinta prejudicado com um som alto pode acionar a Polícia Militar, que deverá tomar a medida correta, seja a hora que for do dia, de manhã ou à noite. Pois a lei não estabelece horário mínimo, muito menos máximo.
ZARALHO

Lacerda disse...

Amigo,
Todos nós comemos merda no primeiro ano de vida. Os funkeiros continuam saboreando excrementos até depois de adultos.