Total de visualizações de página

domingo, 30 de setembro de 2012

KAÔ KABECILÊ!

Dizem que, apesar de autoritário, a bondade do filho de Xangô é grande. Ele concilia severidade com justiça. É franco, não esconde seus sentimentos, não finge nem dissimula. Sua franqueza faz com que colecione alguns inimigos, o que não o impede de continuar agindo desta forma.
Suas emoções são variáveis. Por vezes é orgulhoso, impulsivo, mutável, rebelde. Noutras ocasiões é cortês, generoso e diplomata.
É crítico, mas faz as suas observações abertamente. Com a mesma sinceridade com que critica, distribui elogios a quem os mereçam. E sempre fará tudo as claras, cumprindo sempre com sua palavra.
O filho de Xangô é protegido pela sorte. Quando tudo parece dar errado, ele sabe que no fim tudo dará certo.
Sua franqueza lhe traz inimizades ou provoca situações embaraçosas, mas ele nunca fala para ferir. Ser franco em excesso é um de seus defeitos.
Eu acrescentaria que ele pode perder um amigo mas não perde a piada.

sábado, 29 de setembro de 2012

A ZERÉSIMA

A palavra ainda não consta do Aurélio, mas escreve-se assim: com um Z e um S.
É o boletim de urna impresso antes da votação começar registrando zero votos para todos os candidatos. Um documento obrigatoriamente emitido após o procedimento de inicialização da urna eletrônica na seção receptora, servindo para atestar que não há registro prévio de voto para nenhum candidato.
Serve, também, para comprovar que todos os candidatos estão relacionados – com nome, partido ou coligação e respectivo número – no cartão de memória da urna eletrônico.
O presidente da mesa receptora de votos tem que manter sempre o documento à disposição dos candidatos e fiscais ou delegados de partido que queiram verificar e comprovar a lisura do pleito em cada seção eleitoral.
No Rio, com mais de 1.720 candidatos, a zerésima pode medir cerca de vinte metros tornando muito difícil verificar se todos os candidatos estão nela relacionados. É uma tarefa dividida entre cada fiscal ou delegado de partido que vai verificar apenas a parte de seu maior interesse.
Em Mangaratiba, com apenas 127 candidatos a vereador e a prefeito relacionados e aptos a receber o voto, a zerésima deverá medir pouco mais de um metro tornando muito mais fácil comprovar a lisura do pleito em cada urna eletrônica.
A candidata a prefeito que está indeferida com recurso também consta da zerésima, concorrendo ao pleito sub judice. Isto é, depende ainda do deferimento do registro de sua candidatura para que os votos que receber sejam considerados válidos.
Se, nesta semana, o indeferimento for mantido pelo TSE, a candidata terá que ser substituída até a véspera da eleição. Neste caso, o eleitor vai atirar no que vê na urna – a foto da candidata – e acertar o que não vê: o substituto. Os votos serão válidos.
Se, porém, o deferimento do registro for negado após a eleição, os votos recebidos pela candidata indeferida serão considerados nulos.
Como já informei em postagem anterior, o Parágrafo Único do Art. 136 da Lei 9504/97 diz que: “A validade dos votos dados a candidato cujo registro esteja pendente de decisão, assim como o seu cômputo para o respectivo partido ou coligação, ficará condicionada ao deferimento do registro”.
O TSE já informou que candidatos barrados que venham a vencer nas urnas em outubro não serão diplomados sem que a Corte defira o registro. Até o julgamento, o diplomado é o segundo colocado.
Quer dizer: o vencedor da eleição não será diplomado, nem tomará posse, se o seu registro não for deferido. O segundo colocado será diplomado e tomará posse em primeiro de janeiro de 2013.
É a Lei, são determinações do TSE. Não se tratam de invencionices de uma imaginária central de boatos nem de tentativas de manipular opiniões.
Enfim, não tem a menor importância o fato de candidato indeferido com recurso constar da zerésima.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

CASSAÇÃO DA DEPUTADA ANDREIA

Deu ontem à noite no G1

TRE-RJ determina cassação de deputada Andréia do Charlinho

Ela é candidata sub-júdice à prefeitura de Mangaratiba pelo PDT
"O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) determinou que a Andréia Cristina Marcello Busatto (PDT), a Andréia do Charlinho, deixe seu cargo de deputada estadual. Em 2011, seu diploma já havia sido cassado, mas uma medida do Tribunal Superior Eleitoral suspendeu os efeitos da decisão até o julgamento, realizado nesta quinta-feira (27).
Andréia do Charlinho atualmente é candidata sub-júdice à prefeitura de Mangaratiba, região da Costa Verde. Ela e o marido, Carlo Busatto Junior, o Charlinho, prefeito de Itaguaí, já haviam sido condenados em 2010 por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação nas eleições daquele ano.
O TRE-RJ vai enviar um ofício à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) exigindo a cassação do diploma de deputada de Andréia."

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

VALE O QUE ESTÁ ESCRITO

No jogo do bicho é assim: uma única Lei que é respeitada por todos. Não há discussão, interpretação nem recursos, os banqueiros a cumprem com nobreza e dignidade.
Nas leis que regem a nossa vida e a manutenção do regime democrático, porém, não vale o que está escrito. O que vale é a interpretação feita pelos doutos magistrados. Exemplo disto são as desavenças entre Joaquim Barbosa e Lewandowski no julgamento do “mensalão”.
Outro exemplo é a Lei Eleitoral e a chamada “Lei da Ficha Limpa”. Com mais furos que um queijo suíço, são leis conformistas servindo para a malandragem de políticos velhacos.
E tomem recursos contra as decisões judiciais, mesmo quando se perde por uma goleada inquestionável de seis a zero como aconteceu, ontem, com o indeferimento da candidatura de Andréia do Charlinho pelo TRE.
Com novo recurso ao TSE, ela continua candidata. Entretanto, pelo Parágrafo Único do Art. 136 da Lei 9504/97 “A validade dos votos dados a candidato cujo registro esteja pendente de decisão, assim como o seu cômputo para o respectivo partido ou coligação, ficará condicionada ao deferimento do registro”.
O TSE já informou que candidatos barrados que venham a vencer nas urnas em outubro não serão diplomados sem que a Corte defira o registro. Até o julgamento, o diplomado é o segundo colocado.
Quer dizer: o vencedor da eleição não será diplomado, nem tomará posse, se o seu registro não for deferido. O segundo colocado será diplomado e tomará posse em primeiro de janeiro de 2013.
É certo que mais este novo recurso será inútil, tal como o outro ao qual o TSE negou provimento. Servirá apenas para prorrogar uma atitute embusteira que poderá ocorrer até a véspera da eleição.
A conformista Lei Eleitoral permite que se substitua o candidato a prefeito até o dia 6 de outubro. Assim, o eleitor mal informado votará sem saber em quem está votando. O nome e a foto na urna será de uma candidata que fez campanha até a antevéspera, mas o votado será outro laranja.
Entretanto, a vice-procuradora geral eleitoral, Sandra Cureau, argumenta com artigo alterado pelo projeto da Ficha Limpa da Lei das Inelegibilidades que diz: se um órgão colegiado declarar o candidato inelegível, o registro dele será negado ou cancelado.
“Eles querem fazer campanha porque, provavelmente, são pessoas conhecidas em suas cidades. Se saírem um dia antes da votação para colocarem outro candidato no lugar, as pessoas vão votar em um achando que estão votando em outro. É uma forma de enganar o eleitor e de o mesmo grupo conseguir vencer a eleição” – afirmou Sandra Cureau.
No Rio, a Procuradoria Regional Eleitoral recomendou que os partidos não substituam os candidatos a menos de dez dias das eleições, sem justa causa, sob pena de caracterizar fraude eleitoral, passível de apuração.
Como diz o Marcelo Brito em seu blog (AQUI), já ocorreu a situação de candidato substituto ganhar a eleição com nome e foto do candidato substituído na urna em que o Juízo Eleitoral diplomou o segundo colocado devido à má-fé dos candidatos.
“A medida é importante porque dá efetividade à Lei da Ficha Limpa” – diz o procurador regional eleitoral no Rio, Maurício da Rocha Ribeiro.
Também, a ministra Carmem Lúcia, presidente do TSE, uma das principais defensoras no STF da aplicação e da validade da Lei da Ficha Limpa, já declarou que não diplomará candidatos com registro indeferido e que a  nova norma barra a candidatura de políticos condenados por órgãos colegiados.
Diante disto tudo, tenho que repetir as palavras do Fábio Pontes na revista Rota Verde: a candidatura da Moça vai pelas Cucuias.
A do moço também, digo eu.

domingo, 23 de setembro de 2012

AFINAL, QUEM É O CANDIDATO

Até aqui, havia quem, por ingenuidade ou por astúcia eleitoreira, negasse que ele fosse o candidato a prefeito.
Agora, como negá-lo com a distribuição do folheto, cuja capa e contracapa reproduzo abaixo, no qual o próprio prefeito itinerante se declara – não com todas as letras – o verdadeiro candidato.
Não há como negar quando ele próprio diz que: “Juntos faremos muito mais”.
No folheto que recebi em casa, ele mostra suas realizações em Itacuruçá e Muriqui durante seus oito anos de mandato. Só mesmo sendo candidato para relembrar o que fez.
Não vou negar que ele realizou um bom trabalho como prefeito de Mangaratiba e de Itaguaí. Tanto que foi reeleito aqui e foi reeleito lá.
Por que então sou contra sua eleição agora?
Tenho meus motivos. Primeiro, porque sou um democrata e a democracia se caracteriza também pela alternância do poder. É obsceno usar de subterfúgios para permanecer no poder quem já lá está há 16 anos. Sou contra qualquer tipo de ditadura, mesmo essa “ditadura democrática” que querem me impor.
Segundo, porque, em 2011, na eleição suplementar, ele apostou no pior para pavimentar a sua volta ao poder em Mangaratiba.
Relembre o que eu comentei neste humilde blog ( AQUI): “Raciocine com a cabeça dele: 1) se o José Luiz ganhar, com todo o apoio do governo estadual, terá a chance de fazer um bom governo e vai dificultar a minha volta; 2) o Capixaba, sem esse apoio incondicional, não terá como fazer um bom governo que permita a sua reeleição.”
E foi sectário, apelando para o maniqueísmo entre o bem (Capixaba) e o mal (José Luiz).  Para ele, este seria o bandido e aquele o mocinho que não deixaria que outros bandidos fossem importados para cá.
Em terceiro lugar, porque sei que por trás da eleição em toda a Costa Verde está o interesse nos royalties do pré-sal que se multiplicarão em futuro próximo. Há o interesse de Picciani e Cabral que decidiram quem seriam os candidatos por aqui, pois, em Macaé – também irrigada pelos royalties do petróleo – já dão como certa a derrota do PMDB. Assim como duvidam da vitória em Itaboraí que foi valorizada pelo pólo petroquímico.
Por isso, o PMDB se ajoelhou diante de uma candidatura do PDT, o partido ao qual fui filiado desde a primeira hora, em 1982, e que agora, nas palavras de Leonel Brizolla Neto, “É um partido conformista que serve de trampolim para a malandragem de velhacos”.
E há também o interesse de Eike Batista pra fazer o que bem entender em Mangaratiba, assim como já está fazendo em Itaguaí.
Estes são os motivos pelo quais sou contra a eleição do prefeito itinerante.

sábado, 22 de setembro de 2012

SOBREVIVI

Quatro dias sem computador. Nem sei como consegui sobreviver.
Aproveitei para tentar ficar distante da política caipira e sua luta contra a corrupção. Uma luta quixotesca para sair da titica e atolar-se na merda.
Não consegui. Todos os carros de som passam obrigatoriamente pela minha casa confundindo minha mente com nomes e números.
E ainda passei a ouvir uma kombi fantasma e apócrifa que circulava insistentemente com o Tiririca cantando “não fez nada, não fez nada, não fez nada, não fez nada...”.
No outro dia, recebi telefonemas informando que o Capixaba tinha sido preso e saído algemado da prefeitura.
É coisa de caipira ou não é?
Soube, também que um rojão atingiu a cabeça do prefeito sem maiores conseqüências.
A melhor notícia, porém, foi saber que o prefeito itinerante foi denunciado pela procuradora Regional da República no Rio - Silvana Batini Góes - no Tribunal Regional Federal  (TRF) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), de fraudar quinze licitações para a compra de ambulâncias e material hospitalar.
Ele e mais cinco corruptos são acusados de receber R$ 1,85 milhão, através de licitações fraudulentas, em quinze convênios para a compra de ambulâncias e equipamentos médicos para Mangaratiba e Itaguaí.
É aí que querem atolar-se?
Tomei conhecimento desta no jornal que me trouxeram para ler.
O pior de tudo foi saber, hoje de manhã, do falecimento de Célio da Tigresa. É com imenso pesar que registro o acontecimento. Perdemos um homem de bem, sensato e correto que muito qualificaria a nova bancada de vereadores de Mangaratiba.
Meus pêsames a seus familiares e amigos. E, também, aos militantes do PSB que perderam o seu digno presidente.

domingo, 16 de setembro de 2012

ZULHÃO

Pegue o ódio que sentem entre si judeus e muçulmanos, junte com o ódio que existe entre católicos e protestantes irlandeses.  Adicione algumas pitadas do sentimento que causa a discórdia entre sunitas e xiitas. Misture bem até fazer uma massa odienta e leve ao forno da paixão política cretinizante.
Você chegará próximo ao ódio que Zulhão sente pelo Lula e pela Dilma e tem imenso prazer em destilá-lo no face book.  
O mesmo ódio que alguns dedicavam ao Aarão e, agora, dedicam ao Capixaba. Até mesmo quem, por supostas falcatruas no governo anterior, sofreu achincalhe naquela fossa séptica que é o “Mangaratiba sem prefeito”.
Agradeço à Leila por ressuscitar a palavra achincalhe em meu vocabulário.
Embora faça parte daqueles 4% que odeiam o Lula e a Dilma, não pensem que Zulhão é um fóssil remanescente das trevas da ditadura militar. Não! Zulhão é um cara legal, inteligente, nem tão radical pessoalmente. Ele apenas serve como um inocente útil a reproduzir a opinião dos despojos da ditadura que infestam a internet.
Agora, ele deu para reproduzir a minha opinião, tentando demonstrar que não sou coerente. Que tenho dois pesos e duas medidas.
Tudo porque eu afirmei que vou votar no Capixaba e que um dos motivos para o meu voto é o seu vice Ruy Quintanilha. Não será a primeira vez que voto em quem é alvo de acusações e está passível de impeachment.
Em 2006, quando o governo Lula sofreu todo tipo de acusações de fraudes e falcatruas – algumas até verdadeiras – e a direita cínica, demagógica e corrupta exigia o seu impeachment, eu votei por sua reeleição. Lula fez o melhor governo que já vimos no país, elevou o Brasil à sexta potência econômica mundial, tirou da pobreza mais de trinta milhões de brasileiros e conquistou o respeito de todo o planeta.
Em 2010, foi a vez da Dilma ser achincalhada (agradeço também à Leila pelo adjetivo). Dilma foi acusada de falcatruas e fraudes similares, de assassina terrorista e até de machona. Eu votei na Dilma que hoje é considerada a terceira mulher mais importante e poderosa do mundo.
Já disse e repito que a coerência é uma virtude própria dos imbecis.
Eu digo hoje, com toda a conviccão, o que hoje penso; e amanhã direi, com a mesma convicção, o que amanhã pensar.
Não tentem me censurar, voto em quem eu quero e digo em quem eu voto. Meu voto não é secreto. Sou independente e tenho absoluta liberdade para declarar em quem eu voto.
E, olhem só, descobri um novo motivo pra votar no Capixaba: a certeza de que o meu voto não será anulado.

N.L.: a foto acima, lambida do blog do Fábio Pontes, é da passeata realizada hoje em Mangaratiba.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

PORQUE EU VOTO NO CAPIXABA

No caso da eleição majoritária, sou pelo minhoca da terra. Recuso-me a votar numa dondoca da Barra e manter no poder quem já lá está há 16 anos.
Capixaba reside em Muriqui. Sei onde é a sua casa, é meu vizinho. Está sempre junto ao seu povo. Circula entre nós e nos conhece a todos.
É sangue bom, um cara legal que ficou muito pouco tempo no governo.
Quase sem apoio, sem grandes recursos, arrumou a casa e realizou algumas obras pontuais de reparos da rede de esgotos, manutenção e revitalização espalhadas por todo o município: reforma de escolas, construção de creches, parques, cobertura de quadras esportivas, centros de convivência da terceira idade (CCTI), unidades de Estratégia e Saúde da Família (ESF), reforma do CAICA da Serra do Piloto e implantação de outro no Parque Bela Vista.
Instalação da subprefeitura de Jacareí levando pra lá a comodidade de serviços essenciais.
Em Ingaíba, foi inaugurado um posto de saúde 24 horas.
Os primeiros projetos para dotar todos os distritos com redes de coleta e tratamento de esgoto já se encontram protocolados nos órgãos competentes (INEA, FECAM, FUNASA). 
A praia de Muriqui foi totalmente iluminada e o Distrito embelezado com a retirada daquele trambolho que havia na entrada e a instalação de jardins com iluminação paisagística.
O Instituto José Miguel, órgão social da Prefeitura, foi competente no atendimento às necessidades dos mais carentes.
O Grupamento de Proteção Ambiental (GPA) atua com rigor na Mata Atlântica, banindo a caça de animais silvestres em risco de extinção.
A Fundação Mário Peixoto, braço cultural da Prefeitura, jamais atuou tanto e tão bem quanto agora.
A Ouvidoria Municipal é atualmente um órgão atuante de fato em defesa dos interesses do cidadão.
Na educação, Mangaratiba superou, no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), a meta estipulada pelo Ministério da Educação tanto no primeiro segmento (1º ao 5º ano) do ensino fundamental quanto no segundo segmento (do 6º ao 9º ano).
O programa de Recuperação Fiscal do Município (Refis) foi implantado para permitir que os contribuintes em débito pagassem suas dívidas sem juros e multas e aumentando a arrecadação fiscal.
O Plano de Cargos, Carreiras e Salários foi finalmente instituído para benefício dos servidores municipais.
Tá bom ou quer mais? Fiz apenas um resumo para não alongar a postagem. Não considero pouco para apenas 16 meses no governo de uma cidade tão pequena e espaçosa como Mangaratiba.
Entretanto, nem tudo foram flores. Houve erros como as invasões de praia, a permissibilidade para o funk e as drogas correrem soltos pela madrugada nas praias, a nomeação do velho e incompetente delegado na Secretaria de Segurança, o incentivo ao turismo predatório, a falta de coragem para proibir a circulação de trens cargueiros entre as 22 e 6 horas da manhã.
E as denúncias de fraudes em licitações? Tempo de eleição é temporada de denúncias. Lembram da Erenice e seus filhos.
Denúncias são denúncias, nada mais que denúncias. Não podemos considerá-las como coisa provada e julgada. Nem podemos condenar ninguém sumariamente. 
Somente o ódio pode levar alguém em sã consciência a acreditar em simples denúncias. Ou melhor, também é capaz disso a cretinizante paixão política. Como definiu Nelson Rodrigues, a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem.
Do outro lado sim, as fraudes estão provadas e julgadas, apenas aguardando uma sentença definitiva. Afinal, foram 16 anos de fraudes e não apenas 16 meses.
Fraude em licitações ocorre nos melhores governos. No governo Dilma, por exemplo, logo no primeiro ano, oito ministros caíram inclusive por fraude em licitações. Não surgiu nenhum irresponsável pedindo, nem sugerindo o afastamento da Dilma. Nem acusando-a de chefa da quadrilha.
Se o governo Capixaba fraudou licitações, quem fraudou tem que pagar por isso, é claro, lógico, evidente.
E se na CPI ficar provada a fraude e vier o “impeachment” após a eleição do Capixaba?
É aí, meus queridos, que eu apresento o melhor de todos os argumentos para votar no Capixaba: o seu vice Ruy Quintanilha.
Alguém teria algo contra ele como prefeito?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

PORQUE EU VOTO EM JOSÉ LUIZ DO POSTO

Porque eu o conheço. São mais de vinte anos de convívio com este homem gentil. Conheço sua família, sua meritíssima esposa, seus filhos muito bem educados.
Um cara legal, cordial e amigo. Um cavalheiro elegante, sempre apresentável, que parece ter saído do banho em cada momento que o vemos.
Nunca soube de nada que o desabonasse. Nunca fez qualquer mal a ninguém nem jamais ofendeu a quem quer que seja.
Relaciona-se bem com todos, com o povo, com qualquer pessoa. Inclusive já demonstrou capacidade de articulação e bom relacionamento político com autoridades federais, estaduais e municipais.
“Sou um pidão” – disse-me ele certa vez – “não me canso de pedir por melhorias para Mangaratiba”.
Autoridades federais e estaduais, vencidas pelo cansaço de tantos insistentes pedidos, atenderam ao vereador José Luiz do Posto com a instalação de uma agência do INSS na praia do Saco; com o investimento na urbanização e pavimentação da RJ-149 que liga Mangaratiba a Rio Claro; com a implantação de posto do Corpo de Bombeiros na praia do Saco e do Projeto Suderj em Forma, em Muriqui.
Como legislador, o pedinte vereador criou a Semana de Incentivo à Leitura (Lei nº 672/2009); aprovou PL nº 29/2010 propondo medidas educativas para combater o bullying nas escolas que o Prefeito vetou; aprovou PL nº 21/2012 propondo, neste ano do seu centenário, homenagear Luiz Gonzaga que com sua música incluiu Mangaratiba no mapa turístico nacional e internacional; apresentou o PL nº 22/2012 que proíbe a cobrança de taxas pela expedição de certidão de quitação fiscal do IPTU.
Considero o seu PL nº 23/2012 que proíbe a circulação de trens cargueiros entre 22 e 6 horas como o mais importante.
José Luiz do Posto visava dar melhor qualidade de vida àqueles que residem junto à linha férrea e que têm o sono perturbado pelo apito insistente dos trens acima de 100 decibéis durante as madrugadas.
Infelizmente, o PL foi vetado pelo Prefeito. Entretanto, o IBAMA já está acionando a Vale para reduzir o barulho noturno.
Inúmeras indicações de obras e melhorias foram feitas e reiteradas pelo vereador José Luiz do Posto em todo o Município.
Presença constante nas comunidades, em contato com o povo, José Luiz do Posto cumpriu seus mandatos com dignidade e importantes realizações.
E o que existe contra ele? Somente o fato de não ser um “minhoca da terra”?
E daí? Há anos, antes de seu primeiro mandato, já residia no Apara.
O fato de não ter nascido aqui é a única acusação que lhe fazem? Ou ainda vão insistir naquela insinuação absurda feita pelo prefeito itinerante na eleição suplementar e que apresentei na postagem anterior?

sábado, 8 de setembro de 2012

CAPIXABA, Dr. RUY e JOSÉ LUIZ DO POSTO

Na eleição suplementar de 2011, os três foram candidatos a prefeito de Mangaratiba.
Quando vi que a minha querida amiga e blogueira radicalizou divinizando o Dr. Ruy e demonizando os outros dois, parti para a polêmica. Como é gostoso polemizar com ela, mesmo quando apela para o terreno pessoal.
Disse, então, que a eleição suplementar para prefeito deveria ser igual à última para senador em que votamos em dois candidatos. E que se assim fosse, votaria em Capixaba e José Luiz do Posto.
Tive que votar apenas em um e votei no Zé. Era o que tinha melhores condições de fazer um bom governo com o apoio incondicional do Cabral que se comprometeu com o candidato e foi seu fiador.
O prefeito itinerante sabia disto e traçou a sua estratégia para retomar o governo de Mangaratiba. Mesmo sendo do PMDB, afirmou que o candidato de seu partido representava o mal e o Capixaba o bem. Suas palavras estão no discurso sectário, xenófobo e maniqueísta reproduzido a seguir, onde a partir dos sete minutos suplica a Capixaba que não permita que bandidos governem Mangaratiba.
Hoje, ele está colado com o “mal” e demonizando o “bem”.
Deixa pra lá, voltemos à polêmica. Vejam só o que o destino me reservou: a minha amiga não quer mais saber do Dr. Ruy, e eu vou votar no Capixaba para prefeito e no José Luiz do Posto para vereador.
Vou votar nos dois – depois explico o porquê - e ainda levo o Dr. Ruy de lambuja.
E ironia maior do destino eleitoral: se o Capixaba for eleito – em primeiro ou em segundo lugar – for diplomado e empossado em 1º de janeiro, e se a CPI der em alguma coisa concreta, isto é, como o afastamento do prefeito após a posse, sabem quem assumirá o seu lugar?
O ex-mylove do Peixe com Banana. Neste caso, não haverá eleição suplementar como antes.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

FACTÓIDE x FACTÓIDE

Diz o Aurélio que factóide é um fato, verdadeiro ou não, divulgado com sensacionalismo, no propósito deliberado de gerar impacto diante da opinião pública e influenciá-la.
Também é utilizado para gerar inquietação em relação ao próprio factóide e desviar a atenção de um fato verdadeiro: o não deferimento do registro e provável cassação de uma candidatura, por exemplo.
César Maia, quando prefeito ou candidato a prefeito, foi o rei dos factóides. Ele combatia os fatos com factóides. Deixou lições. Como exemplo: combater um factóide com outro factóide.
Vejam este lambido do blog Notícias de Itacuruçá:   
"Rumores, oriundos de diversas fontes, dão conta de que teria havido um “incidente de desinteligência”, público, entre o prefeito Capixaba e seu cunhado e secretário de obras Humberto Vaz. Não é possível, ainda, montar um quadro completo do incidente, mas os relatos falam em xingamentos de parte a parte, gritos de “ladrão” pra lá e pra cá e, até mesmo, uma agressão física."
Se houve ou não houve o que foi relatado é claro que se trata de um factóide.
É, também, uma defesa prévia contra uma provável acusação na CPI da fraude na licitação. O objetivo claro é lançar a culpa no Humberto, já demitido da Secretaria de Obras. Isto é, não se poderia culpar o prefeito que já puniu o culpado pela possível fraude.
Não quero com isso afirmar que a CPI e a denúncia de fraude são um factóide. Longe de mim tal blasfêmia. A CPI é um fato consumado. O factóide está aqui na determinação do Ministério Público:
“...instaurar o devido processo de investigação das irregularidades, através da devida Comissão Parlamentar de Inquérito, e reprimir todas as ilegalidades, a fim de restaurar o Regime Democrático de Direito, com o imediato afastamento do Chefe do Executivo, e posterior cassação do Sr. Prefeito de Mangaratiba.”
Fraude em licitações ocorre e ocorrerão sempre nos melhores governos, nas melhores empresas públicas ou privadas. Se o governo Capixaba fraudou licitações, quem fraudou tem que pagar por isso, é claro.
No governo Dilma, por exemplo, logo no primeiro ano, oito ministros cairam inclusive por fraude em licitações. Ninguém pediu, nem sugeriu, nem determinou o afastamento nem o "impeachment" da Dilma.
Essa determinação de “restaurar o regime democrático de direito com o imediato afastamento do chefe do executivo e posterior cassação do prefeito de Mangaratiba”, isto sim, é um factóide.
O MP exorbitou, excedeu os limites do razoável. O MP considera, então, que não vivemos mais em um regime democrático e que é preciso restaurá-lo destituindo o prefeito.
Um factóide que está sendo contestado por outro factóide.
Se eu soubesse que era assim tão fácil restaurar o regime democrático, bastando apenas afastar o prefeito de Mangaratiba, eu não teria precisado correr tanto da polícia durante a ditadura.
Certamente, o promotor quis falar na manutenção da ordem democrática que pressupõe o cumprimento das leis, tarefa pelas quais o MP deve empenhar-se.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

VALORIZE O SEU VOTO

É a mensagem da campanha do TSE para a eleição 2012.
Decidi seguir o conselho e valorizei o meu voto: passei a cobrar R$ 200,00 por ele.
Acho que exagerei, não apareceu comprador. Baixei o preço: agora vendo por R$ 100,00.
Contudo, aviso aos possíveis interessados que pretendem pagar apenas R$ 50,00 pelo voto no dia 7 de outubro que, nesse dia, eu poderei vendê-lo para vários candidatos e arrecadar mais do que o preço inicial.
Isto sim, é valorizar o voto. A campanha do TSE é pura hipocrisia.
Se os doutos magistrados quisessem, de fato, valorizar o voto do eleitor, não o deixariam votar em candidatos com registro não deferido e prestes a serem cassados.
Pô! Que valor terá o voto que for dado a um candidato – ou candidata - que será cassado depois da eleição?
Os votos obtidos por um candidato – ou candidata – cassado serão anulados. E nem o candidato a vice terá direito a coisa alguma, pois o vice não é votado.
O TSE já informou que candidatos barrados que venham a vencer nas urnas em outubro não serão diplomados sem que a Corte defira o registro.
Até o julgamento, o diplomado é o segundo colocado.
Quer dizer: o vencedor da eleição não será diplomado, nem tomará posse, se o seu registro não for deferido. O segundo colocado será diplomado e tomará posse em primeiro de janeiro de 2013.
Se o próprio TSE desdenha e deprecia o voto, como quer que o eleitor valorize?
Só mesmo aumentando o valor ou vendendo-o para vários candidatos.

N.L.: Republico informação anterior:
André Banana (PSL), Edinho (PMDB), Brandão do Trânsito (PSB) e Verônica (PPS) tiveram o recurso aceito e a candidatura deferida.
Os recursos de Fernandão Ferroviário (PMN), Scott de Jacareí (PTN), Silvana (PMDB) e Soninha (PPS) ainda não foram julgados.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A CASSAÇÃO QUE AINDA NÃO HOUVE

Houve festejos, foguetório, a notícia correu em toda Mangaratiba, anunciaram e garantiram que a candidatura da laranja ia se acabar.
Logo de manhã, juraram pra mim que a Andréia do Charlinho tinha sido cassada e que teria apenas três dias para indicar um substituto.
Quem seria? O Leleco? Quem mais? Foram várias as sugestões.
Houve gente até tirando as placas de suas casas e jurando ser Capixaba desde criancinha.
Como sempre, duvidei. Fiquei na minha até saber oficialmente o que de fato aconteceu.
Foi apenas o primeiro passo para a cassação do mandato da deputada e a declaração de sua inelegibilidade por oito anos.
Nada mais do que isto: o relator da Ação Cautelar nº 128.284, Ministro Gilson Dipp, em decisão monocrática de ontem, negou provimento ao recurso da deputada contra a cassação de seu mandato pelo TRE-RJ.
O Ministro Gilson Dipp ao final de sua relatoria decidiu: “Pelo exposto, nos termos do artigo 36, § 6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, nego seguimento à ação cautelar, tornando sem efeito a liminar deferida nestes autos, prejudicados os pedidos de fls. 1.462-1.474 e 1.501-1.510”.
Foi a decisão do relator que agora vai a julgamento pelo colegiado do TSE. Igualzinho como o relator do “mensalão” – Joaquim Barbosa - apresentou sua decisão e agora está sendo avaliada pelos ministros do STF. A diferença é que lá existe a pressão da imprensa por uma decisão final.

No caso em questão, não existe pressão e o julgamento pelo colegiado do TSE pode demorar. Pode ficar pendente de decisão até depois da eleição.
O importante é saber que pelo Parágrafo Único do Art. 136 da Lei 9504/97 “A validade dos votos dados a candidato cujo registro esteja pendente de decisão, assim como o seu cômputo para o respectivo partido ou coligação, ficará condicionada ao deferimento do registro”.
A cassação ainda não ocorreu, mas é inevitável. E se acontecer após a eleição com a deputada sendo eleita - o que eu duvido - assumirá o segundo colocado no pleito.

sábado, 25 de agosto de 2012

SITUAÇÃO DOS CANDIDATOS EM MANGARATIBA

Andréia do Charlinho teve o registro de sua candidatura a prefeito indeferido pelo TRE mas interpôs recurso contra a decisão. Como informamos anteriormente, sua candidatura já tinha sido impugnada pelo juiz eleitoral de Mangaratiba.
Emília Colonese, Capixaba e Madeira obtiveram o deferimento do TRE para o registro definitivo de suas candidaturas a prefeito.
Dos 136 candidatos a vereador:
- cinco tiveram a candidatura indeferida Dra. Ana (PDT), David Morais (PCdoB), Cida da 3ª. Idade (PRB), Maria de Fátima (PRP) e Natinho do Serrado (DEM);
- quatro renunciaram à candidatura Nizinha, a guerreira (PSC), João Marcos (PRTB), Henrique (PV) e Senhor Manoel do Forró (PT);
- oito candidatos estão na mesma situação que a candidata a prefeito - indeferidos com recurso - André Banana (PSL), Edinho (PMDB), Fernandão Ferroviário (PMN), Scott de Jacareí (PTN), Brandão do Trânsito (PSB), Silvana (PMDB), Soninha (PPS) e Verônica (PPS);
- os outros 119 tiveram o registro deferido.
É o que informa hoje o DivulgaCand.
O deferimento indica que o candidato está regularmente registrado com dados e documentação completos já apreciados pelo juiz eleitoral. Apto a ser votado e que os votos recebidos serão válidos.
O candidato indeferido não reuniu as condições necessárias para o registro. Não está habilitado para receber o voto.
O indeferido com recurso é o candidato julgado não regular por não atender as condições necessárias para o deferimento do registro e que interpôs recurso contra essa decisão do TRE, aguardando julgamento por instância superior.
Ainda não tivemos nenhuma candidatura cassada.
Os candidatos deferidos e indeferidos com recurso constarão da urna eletrônica e estarão habilitados para serem votados.
Porém, o Parágrafo Único do Art. 136 da Lei 9504/97 determina que “A validade dos votos dados a candidato cujo registro esteja pendente de decisão, assim como o seu cômputo para o respectivo partido ou coligação, ficará condicionada ao deferimento do registro”.
É o caso da candidata a prefeito de Mangaratiba, idêntico ao da Rosinha Garotinho, em Campos, que teve o seu registro indeferido e interpôs recurso. Poderão continuar a campanha e serem votadas, porém...
É o caso, também, dos oito candidatos a vereador com registro indeferido e com recurso interposto.

N.L.: André Banana (PSL), Edinho (PMDB), Brandão do Trânsito (PSB) e Verônica (PPS) tiveram o recurso aceito e a candidatura deferida.
Os recursos de Fernandão Ferroviário (PMN), Scott de Jacareí (PTN),  Silvana (PMDB) e Soninha (PPS) ainda não foram julgados.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

PERIGUETES

Jovem, insinuante, sedutora,
Pouca roupa, possessa, sensual.
É promessa extravagante de uma transa
Voluntária e redentora.
Predadora necessária e decidida,
Bem resolvida ela venceu afinal.
Pecadora selvagem libidinosa
De bem consigo mesma, gloriosa
Fêmea alucinante, profissional.
Escrava sexual dominante,
Vítima todo-poderosa.
Personagem rodriguiana,
Heroína literária, transar é sua sina.
Libertina ordinária e caliente,
Semente a germinar no mundo
Pintou na realidade:
Objeto de desejo de quem manda na favela,
Tá na novela, até na CPMI,
Na capa da Veja e aqui em Muriqui... 
Na publicidade da cerveja,
É celebridade da vez, essência dos BBBs.
Líder de audiência na balada,
Leviana vadia que me acende e arrepia,
Desafio da madrugada.
Suburbana assim no cio, tô a fim...
Só quero uma pra mim.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

NELSON RODRIGUES, CEM ANOS

Mais um centenário de outro ídolo meu: Nelson Rodrigues que se auto-definiu como um anjo pornográfico. Um anjo que foi além do limite para transgredir os padrões estabelecidos pela elite cínica e farisaica.
Contraditório, desvendou o mais íntimo da vida de homens e mulheres, fulminando a hipocrisia humana.
O mais libertário e sarcástico gênio da literatura é nomeado hoje o santo padroeiro deste blog.
A minha homenagem se completa com algumas de suas frases geniais.
- Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
- Se os fatos me desmentem, pior para os fatos.
- Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...
- Sou um pobre nato e, repito, um pobre vocacional. Ainda hoje o luxo, a ostentação, a jóia, me confundem e me ofendem.
- Sou um suburbano. O único lugar onde ainda há o suicídio por amor, onde ainda se morre e se mata por amor, é na Zona Norte”.
- Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem.
- Em nosso século, o "grande homem" pode ser, ao mesmo tempo, uma besta.
- O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.
- O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente.
- O brasileiro é mais forte que a fatalidade. Ele não se entrega, não capitula. Uma crioulinha favelada tem o ímpeto de uma Joana D’Arc.
- O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.
- Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.
- O homem de bem é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu.
- Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.
- Os defeitos existem dentro de nós, ativos e militantes, mas inconfessos.
- O dinheiro compra até o amor verdadeiro.
- Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado.
- Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor.
- O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.
- Toda mulher bonita é a namorada lésbica de si mesma.
- Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.
- Não existe família sem adúltera.
- Perdoa-me por me traíres.
- O marido não pode ser o último a saber. Ele não deve saber nunca.
- Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
- Os homens mentiriam menos se as mulheres fizessem menos perguntas.
- A mulher ideal deve ser uma dama na mesa e uma puta na cama.
- O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.
- As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal acabado.
- Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.
- Os heróis morrem em combate. Não dão tempo ao destino de flagrá-los na cama ou na cadeira de balanço.
- Fiz grandes investigações nos prostíbulos e nunca encontrei uma prostituta triste, uma prostituta que não tivesse a maior, a mais absoluta, a mais plena satisfação profissional.
- Nunca vi suicídio de prostituta. Já vi suicídio de mulher honestíssima, mas de prostituta nunca.
- Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

ROTEIRO DAS CENAS DE LIMITE

Pra quem não teve saco suficiente para assistir ao filme nem imaginar o imaginário do diretor, aqui vai um roteiro das cenas de Limite.
Não há cronologia na exibição das cenas, não se sabe quando é antes, durante ou depois da cena da canoa à deriva com um homem e duas mulheres que me parece sempre um flash back.
“O que eu quis provar em Limite é que o tempo não existe. Acho que consegui” – disse Mário Peixoto sobre o filme.
Não existe no roteiro uma trama, um enredo, uma história para contar. São apenas passagens mostrando “o inútil de cada um”. É preciso ultrapassar o limite da compreensão para tentar entender o que se passa.
Vamos ao prolongado roteiro das cenas que, talvez, o leitor tenha saco para ler. Será a mais longa postagem que faço no blog, mas é a prova de que eu tive saco para assistir ao filme e para tentar imaginar o imaginário do patrono da cultura de Mangaratiba.
COMEÇA O FILME
- a primeira cena reproduz um cartaz que o diretor viu em Paris e que lhe inspirou a realização do filme. É o rosto de uma mulher envolta pelos braços algemados de um homem. Algemas absurdas como aquelas de prender os escravos pelas pernas;
- surge, então, uma canoa à deriva em alto mar com três náufragos melancólicos. Sugere a desolação, o desalento e a certeza da morte próxima;
N.L.: até os dez minutos do filme, nada acontece naquela canoa com um homem e duas mulheres. Uma parece morta. Talvez, seja aqui que o espectador desista de assistir ao filme.
- a partir dos onze minutos, um casal que parece brigar sai de casa. Não se veem os rostos. O homem segura a mulher pelos braços. Ela se solta e vai caminhando pelo casario antigo de Mangaratiba;
- ela anda, anda, anda, até surgir a copa das árvores. E surge a mulher parada num caminho de terra. Ainda não se vê o rosto dela que continua a caminhar;
- a caminhar, a caminhar, a caminhar. Toda de preto, vê-se apenas a paisagem que ela vê. A seguir as rodas de uma locomotiva. Será que ela pegou o trem?
- aos dezessete minutos, a mão de uma mulher gira a manivela de uma máquina de costura e finalmente o rosto da costureira. A seguir veem-se botões, fita métrica, tesoura, carretel de linha. Será a mesma mulher?
- finalmente, algo acontece: a linha sai da máquina e a costureira tem que colocá-la novamente. Ela volta a costurar, a costurar, a costurar. Agora ela chuleia, chuleia, chuleia. E passa a admirar e acariciar uma tesoura. Ela deve estar pensando em matar alguém. O homem com quem brigou?
- após longo tempo, muda a cena. Os pés de outra mulher. Ou será da mesma? A câmera sobe e a mostra lendo um jornal. O rosto somente de relance. O jornal fala de uma fugitiva da prisão com a cumplicidade de um carcereiro. Ela matou, foi presa e fugiu da prisão?
- novamente os pés e as pernas da mulher. Agora mostra a meia desfiada. Antes não estava. O diretor tem fixação em pés e sapatos;
- a sujeira na rua levada pelo vento quase entra numa casa. E voltamos à canoa no mar. Será um flash back? Ou não?
N.L.: já são 25 minutos de filme e nada, absolutamente nada aconteceu.
- a fita está um pouco deteriorada pelo tempo mas vê-se perfeitamente o homem no barco brincando com dois gravetos na mão. Há um pequeno trecho que foi perdido;
- logo após, a mulher que parecia morta ressuscita. Come alguma coisa, levanta-se, troca de lugar e põe a mão no homem. A outra está na proa da canoa como a Kate Blanchet em Titanic;
- muda a trilha sonora, surge um peixe agonizando. Um pescador na praia limpa sua canoa. Mais peixes em um cesto. E outra canoa balançando à beira do mar;
- uma outra mulher lavando roupas em casa. Patos e galinhas. Uma fonte verte água na rua. Telhados, diversos telhados, muitos telhados;
- a praia novamente. Acho que é a praia do Saco. Algumas pessoas compram algo na canoa. Uma mulher sai com um cesto com abóboras. No momento seguinte há outras coisas no cesto, inclusive peixe. Notem que, às vezes, o cesto está cheio e outras não;
- e ela caminha, caminha, caminha pelas ruas de Mangaratiba;
- ela chega em casa e encontra um homem de chapéu sentado no alto da escada. Parece bêbado. Ela olha para a aliança em sua mão esquerda e para. Fica ali parada no primeiro degrau da escada durante bastante tempo e volta para a rua;
- a caminhar, caminhar, caminhar, e, enfim, encontra alguém na rua. Um homem com quem fala um pouco e volta a caminhar, caminhar, caminhar. Acaricia uma criança e segue seu caminhar;
- repentinamente, surge um enorme rochedo e a mulher lá em cima. Ela admira a paisagem, o mar, a praia. A câmera gira e faz girar a paisagem. Faz sugerir um suicídio da mulher;
- muda a cena e surge o teclado de um piano. Alguém aciona as teclas e não se ouve o som. Um homem. Seus calçados rotos. Uma taça vazia. Alguém coloca uma bebida e toma;
- o mar novamente, o rochedo e a mulher olhando o mar. Ela não se suicidou? Uma árvore torta, o mar e a mulher no alto do rochedo;
- escurece. Surge o homem de chapéu na rua. Pega uma ferradura no chão. A peça deve simbolizar algo que não consigo imaginar. Será a minha incapacidade de compreensão? 
- ele caminha pela rua escura. Está também com um sobretudo. Entra no cinema. Tira o sobretudo, tira o chapéu. Coloca-os numa cadeira. O filme que está passando é “Carlito encrencou a zona”. O som do filme vem do piano que o homem toca. Sorrisos na platéia;
- e voltamos à canoa no mar. A mulher que parecia morta fala com o homem, mas não há legendas. Ela está muito triste. Assim como a outra. Assim como eu que, após cinquenta minutos de filme, ainda não vi nada de interessante. Apenas “o inútil de cada um”;
- a mulher da proa decide remar. Mas, ela não sabe remar. A canoa não sai do lugar e ela se cansa. Deita-se de bruços na proa com as mãos na água e assim fica por longo tempo. O homem continua brincando com os gravetos;
- agora, um casal bem vestido caminha na praia. É a praia do Saco. Somente se veem as pernas e os sapatos. Caminham, caminham, caminham por longo tempo como demonstram as pegadas;
- mãos dadas do homem e da mulher. E as nuvens, troncos de árvore, pedras, capinzal, o vento, plantas parasitas nos galhos das árvores. Novamente o casal. Árvore de galhos secos;
-  o casal está tirando a roupa (opa! melhorou...) algo vai acontecer. Que nada! Tiraram só os sapatos para molhar os pés no mar;
- o mato, um coqueiro, um poste de energia com vários fios e diversos pontos de fixação. O mar;
- roupas do casal na relva. Ele volta do mar com ela no colo. Outra árvore seca;
- a canoa continua à deriva no mar. Nunca saberemos o que o homem dos gravetos fala para as duas mulheres. Até que são bonitas. Chegam-se pra perto do homem;
N.L.: sessenta minutos de filme. Pô! Vai ter que acontecer alguma coisa.
- aconteceu: mudou a trilha sonora. Surgem as pegadas na praia, troncos de árvore, o mato dançando ao vento. Acho que é o “vieira”. Troncos de árvores, mais plantas parasitas;
- novas árvores secas. Àrvores refletidas no mar. O mato não mais balança ao vento. Aquele mesmo coqueiro que não dá coco e aquele mesmo poste agora em negativo;
- árvores secas, velhas construções deterioradas. Pegadas na praia sendo apagadas pelas ondas;
- os pés de uma mulher na porta de casa e de frente para um homem com os pés sobre um capacho de ferro. Ele lhe beija a mão. Ela entra e fecha a porta. Os pés do homem sobre o capacho. O homem sai e fica o capacho;
- muda o cenário: surge um homem de terno e chapéu. Vem caminhando e, desajeitado, passa por cima da câmera;
- segue caminhando, caminhando, caminhando. Só se veem os pés. Que fixação, heim! Agora o vemos por cima caminhando. Caminhando, caminhando, caminhando;
- dois coqueiros com as palmas levadas pelo vento. Só pode ser o “vieira”. E o cara caminhando, caminhando. O mato, o vento e os pés caminhando;
- surge o homem de frente e sem chapéu. Acende um cigarro e continua caminhando. O cigarro apaga. Tenta reacendê-lo e não consegue. O "vieira" não deixa. Joga o cigarro fora e continua seu caminho. Caminhando, caminhando, caminahndo. 
- agora está em frente a um portão de ferro. Nuvens negras no céu. É um cemitério;
- há um homem sentado em um túmulo. Segura uma aliança e parece meditar;
- o nosso caminhante abre o portão de ferro e entra no cemitério. Tem uma flor na mão e a coloca no mesmo túmulo;
- nosso caminhante de pé fica em frente ao homem sentado no túmulo. Um tem os cabelos esvoaçantes, o outro tem os cabelos com Gumex repartidos ao meio;
- é o próprio Mário Peixoto ainda novinho com 22 anos;
- ele olha a aliança e sorri para o outro que se vira e quer ir embora. Ainda sentado, segura-o pelo palitó;
- imagino que vai dar merda. Mas, não, Mário Peixoto apenas pede que acenda o seu charuto. O dos cabelos esvoaçantes acende um cigarro e se abaixa para acender o charuto. E joga o cigarro fora;
- ficam se encarando interminavelmente;
- o jovem Mário Peixoto diz: “Você vem da casa da mulher que não é sua” – e, apontando para o túmulo, continua – “supondo que ela seja minha como esta foi sua e lhe disser que ela é morfética?”  Foi a única e absolutamente inútil legenda do filme;
- voltamos à canoa. De novo os dois no cemitério. O do chapéu o põe na cabeça e volta a caminhar, agora, com passos firmes;
- para, põe as duas mãos na boca e parece gritar como o Tarzan;
- embrenha-se no mato. Parece um canavial. Tropeça e cai sentado. Continua pelo mato. Às vezes, para e grita como Tarzan. A cena se repete inúmeras vezes;
- agora, ele está parado e recostado visto de cima. Continua a caminhada e surge num atracadouro à beira mar. Recosta-se numa pilastra. Parece passar mal;
- surge por trás dele os pés de uma mulher. Sempre os pés. Ela toca em suas costas. Ele se vira e vê a mulher comendo um salgadinho;
- acho que é a mesma mulher com quem ele caminhou na praia de mãos dadas. Aquela que o Mário Peixoto disse ser morfética. Ele a afasta de si e vai embora;
- depois disso, o mato, o mato, o mato. Dessa vez, parece uma plantação de aipim. Ou será de maconha?
- agora ele está de costas para o mar e diante de uma cerca baixa de arame farpado. Parece chamar alguém que não responde e vai embora. Caminha mais um pouco e cai;
- a câmera mostra por longo tempo os locais por onde ele caminhou e o céu sem nuvens. A praia, a montanha ao fundo. E volta a ele. Mostra apenas a mão imóvel. Um túmulo, a montanha, o céu escuro. As cruzes do cemitério. A praia entre as rochas;
- pescadores, redes e um barco de pesca saindo pro mar. Muitas redes. Redes e mais redes. Um barraco feito de barro e bambu. Barcos ancorados na areia;
- o mar lambendo a praia. Pescadores costurando redes. O mar lambendo a praia. Lambendo, lambendo, lambendo;
N.L.: perdoem-me se estou sendo repetitivo. É o filme. E não estou me repetindo tanto quanto o próprio.
- barcos no mar. As cruzes do cemitério. Pessoas caminham na praia. Como sempre, só aparecem as pernas do joelho para baixo. Surge um personagem novo: um cachorro;
- e o homem volta a caminhar. Dá para reconhecê-lo pelos sapatos. Uma carroça puxada a burro. Outro cachorro. Diversas pessoas caminham pela praia. E voltam os pés do homem de chapéu. Vê-se que é ele mesmo quando aparece em plano americano;
- resolveu comprar passagem de trem. Não se sabe pra onde vai. O trem parte e voltamos à canoa. Será que ele entrou no trem?
- uma hora e quarenta minutos de filme e voltamos ao início;
- o mar se apresenta mais revolto, mas a canoa nem se mexe. Está imóvel como se estivesse em terra. Um galão vazio na canoa é mostrado várias vezes. Parece que acabou a água potável;
- avistam algo no mar. O homem resolve verificar e mergulha. Agora, a canoa balança;
- a mulher observa interminavelmente o mar e, logo após, vê que vaza água para dentro da canoa. Tentativa de suspense. É muita água entrando;
N.L.: lembro o suspense criado por Eisenstein, em “O Encouraçado Potenkim”, de 1925: o carrinho com o bebê descendo a escadaria de Odessa entre os tiros trocados por marinheiros revolucionários que enfrentam a repressão violenta da guarda do Czar russo. Filmada seis anos antes de Limite, esta cena de verdadeiro suspense já foi lembrada em outros filmes modernos. Inclusive foi copiada por Brian de Palma em “Os Intocáveis”;
- voltando ao roteiro, a mulher parece querer avisar a outra. Esta a empurra e aquela cai de costas. A primeira parece chorar. Ora surge o rosto de uma, ora de outra. Ora de uma, ora de outra. Ora de uma, ora de outra;
- o mar revolto, o homem sumiu. Ondas se debatem. E batem nos rochedos. E batem e batem e batem umas nas outras;
- após cinco minutos de mar revolto, as águas se acalmam. Surge uma das mulheres agarrada em um pedaço da canoa;
- e o filme termina com a cena inicial de uma mulher envolta pelos braços de um homem com as mãos algemadas;
- a outra mulher agarrada em parte da canoa ainda aparece. Será que ela sobreviveu?
- na derradeira cena, um bando de urubus que se fartava com uma carniça levanta voo.

F I M
Prometo. Juro que jamais voltarei a tocar no assunto.
Cheguei ao meu limite.