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domingo, 27 de abril de 2008

O VELHO CHICO

Pequenino ele nasce
No alto da serra
E depressa ele foge,
Saltando entre as rochas...
Vestido de branco,
Ele pula do alto,
Um menino correndo
À procura do mar.
Escorrega no chão,
Brincando com as pedras...
Sozinho, ele traça
Seu próprio caminho,
Caminho sem volta
Cruzando o sertão
E trazendo p´ra vida
Uma vida melhor.
De repente, ele pára
Cumprindo a visão
Do profeta que um dia
Pregou no sertão:
Chiquinho menino
Virou Velho Chico.
Dividiram o caminho
Algum tempo depois...
Não está mais sozinho,
Ele, agora, é dois.

sábado, 26 de abril de 2008

O SOM DOS QUIOSQUES DE MURIQUI

Absolutamente, não sou contra o som dos quiosques da Av. Beira Mar, em Muriqui. Apesar de não ouvi-lo, naquelas alturas, noutras praias de cidades turísticas fluminenses.
Mas, o cidadão que reside no lugar precisa ter garantido o seu direito de ler um livro, um jornal, uma revista, ouvir música, dormir ou mesmo conversar com os amigos à beira-mar e à sombra dos coqueiros, sentindo a brisa fresca que vem do mar ou da montanha.
O fato é que fica impossível atitudes tão corriqueiras, até mesmo dentro de casa, ao som insuportável que vem dos quiosques.
É final de semana, o som do quiosque 16 está no nível máximo disponível de decibéis. Esse som absurdo invade o quiosque 15, atravessa o 14 e somente vai ser subjugado no quiosque 13 que retribui com algo semelhante para perturbar a todos.
Meu apartamento no quarto andar - não é de frente para o mar - que fica entre os quiosques citados, está com portas, janelas e basculantes fechados. Nem uma fenda livre para o ar penetrar. Esse som, porém, invade, sem cerimônia, todas as dependências. Penetra pelas áreas livres do prédio, sobe as escadas e vem bater afrontosamente a minha porta. Ou vem por fora fazendo as janelas trepidarem tentanto invadir a minha quase paz de espírito. .
É o “funk”. Esse “funk” que vicia e imbeciliza a criatura. Esse lixo marginal, violento e bandido que vem cretinizando parte de nossa juventude. Esse pitbull sonoro que tem o mau cheiro da tragédia anunciada vem do quiosque 13.
Eu me pergunto como sobrevivem aqueles que estão de frente e ainda mais próximos do que eu. Como suportam tudo isso?
A Lei não é respeitada e muito menos o morador. E quanto as autoridades? Não existe uma Lei Municipal que regulamenta a emissão de som? Por que as autoridades não exigem o seu cumprimento? A Prefeitura não possui um medidor de decibéis? Ou será que não há nenhum servidor capaz de saber manejá-lo?
Chega a noite, já passa das 22 horas, a PM é chamada pelos moradores mais próximos. Os policiais atendem, o quiosque 13 baixa o som. Quando a PM se vai, tudo volta à anormalidade.
Não combato a música mecânica ou ao vivo que acontece nos finais de semana com artistas locais. É festa, a casa está cheia e o povo quer música para sua alegria e diversão. Não podemos exigir bom gosto musical dos quiosqueiros, mas respeito e civilidade é obrigação de quem pretende servir em uma localidade que pretende ser turística.
Respeito e civilidade não somente para com os moradores e frequentadores da praia, mas para com eles próprios, com os seus concorrentes, com os outros quiosques.
Até onde irá a omissão de nossas indolentes autoridades sem poder para controlar o volume do som emitido pelos quiosques? Vão esperar sentados pela tragédia anunciada?
O maior desafio para uma autoridade é fazer crer que ela existe. Taí uma ótima oportunidade de provar sua existência.
Ou será que somente nos resta torcer p´ra chover?

PAREI DE LER JORNAL



Acredite apenas no que seus olhos vêem e seus ouvidos ouvem!
Também não acredite no que seus olhos vêem e seus ouvidos ouvem!
Saiba também que não crer algo significa algo crer!
Bertold Brecht

Vinte e nove de outubro é uma data que marcou a história da democracia em nosso país. Em 1945, foi o fim da ditadura do Estado Novo, nem tão grotesca quanto a outra: a militar. Em 2006, foi uma final de campeonato entre o povo e os intelectualóides fascistas e preconceituosos.
Cheguei ao estádio com um sentimento de revolta, nojo e satisfação. Revolta por saber que juízes e bandeirinhas queriam prejudicar o país e dar a vitória para o representante da Opus Dei. Nojo por ver que os abalizados comentaristas torciam contra e tentavam desmoralizar o nosso craque principal.
E satisfação plena por saber com antecedência o resultado da partida.
O povo venceu por goleada e marcou a derrota irrefutável da imprensa manipuladora, perniciosa e leviana. Aquela imprensa que, em nome da liberdade, perpetua a sua libertinagem caluniosa, fascista e escandalizante. Uma imprensa que jamais poderá assumir novamente o papel de opinião pública. Será apenas a opinião publicada, sempre a manipular números e fatos de acordo com os torpes interesses de seus proprietários, entalados com o sucesso de um presidente de origem popular e sem diploma.
Foi a partir desse dia que parei de ler jornais e revistas. Esses impérios jornalísticos desvirtuam a realidade. Ainda dou uma olhada diária na primeira página de cada um através da internet. Se noto algo que me interesse, até leio a versão apresentada, sabendo, contudo, que é a versão do poder econômico, não do jornalista que escreveu a matéria.
É preciso considerar que, em política, nada, absolutamente nada, é aquilo que parece ser e não se pode crer em tudo o que a imprensa publica. É necessário questionar o que tentam nos impingir, as meias-verdades, as acusaçóes e julgamentos precipitados.
Nas redações, para ganhar seu sustento, o jornalista tem que se submeter à vontade do dono e seus asseclas, capazes de toda covardia para se apossar novamente do poder institucional. Até para escrever sobre Jesus Cristo, o coitado tem que primeiro perguntar ao seu editor-chefe: “Devo escrever contra ou a favor?”
Atualmente, eu procuro me informar através dos blogs e sites de jornalistas independentes, na maioria desempregados – relacionei alguns ao lado – que vão fundo na notícia e discutem o fato político, mostrando os interesses ocultos dos personagens envolvidos.
Ninguém é dono da verdade, cada um tem a sua opinião. E lendo-os eu tento formar a minha.
E para me informar sobre a realidade brasileira tenho que me socorrer na imprensa estrangeira.

QUANDO ELA SE FOI

Quando ela se foi, não disse nada...
Seu jeito, seu olhar me disse tudo.
Atento ao seu silêncio, eu fiquei mudo
E a lágrima jamais foi derramada.
Devia ter pedido que ficasse
E, agora, o coração já não resiste...
Eu sofro muito além do que se deve
E não é leve a dor quando é tão triste.

Toda vez que penso nela eu vejo
Que o amor é mesmo coisa sem juízo.
P´ra se satisfazer os seus desejos,
A gente nunca sabe o que é preciso:
Se quase sempre quer correr perigo,
Às vezes, quer viver num paraíso,
Quando acontece o que se deu comigo,
O amor se satisfaz com um sorriso.

Faz um sorriso e me traz,
Hoje, eu preciso demais...
Meu paraíso, meu sonho de paz,
Sei que o amor vem depois...
Vem, seja dona de mim,
O meu amor não tem fim:
É tão imenso que assim até penso
Que dá p´ra nós dois.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

JUSTIÇA VELOZ E IMPERATIVA

O Juiz de Direito da Comarca de Mangaratiba - Dr. Cláudio Ferreira Rodrigues - determinou que o Delegado Titular da 165ª D.P. de Mangaratiba devolva todos os bens irracionalmente apreendidos no simulacro de investigação - ver matéria neste Blog - realizado em Muriqui, no dia 10 de março. Factóide que mereceu falsa manchete do jornal Atual e absurdo discurso de um vereador mal informado na Câmara Municipal de Mangaratiba.
Transcrevo abaixo, a determinação do Juiz, expedida hoje, 11 de abril, no Processo nº 2008.030.000381-4, que restabelece a justiça para dois dignos cidadãos de Muriqui - Irapuan da Silva Vasconcelos e seu filho Ulisses Nunes Vasconcelos - que foram expostos à execração pública pela prepotência de autoridades políticas e policiais.
...Posto isto, defiro parcial liminar para declarar a nulidade do auto copiado às fls. 34/39, determinando que a autoridade impetrada promova a devolução de todos os bens apreendidos ao paciente no prazo de 24 horas, sob pena de responsabilidade penal.
Palmas para o Ministério Público, o último refúgio para todos os injustiçados e o legítimo representante de todo o povo.

domingo, 6 de abril de 2008

GUARDA MUNICIPAL

“...segurança é sim competência da PM. A Guarda Municipal é responsável pelo patrimônio público”. Essa afirmação faz parte de um e-mail que recebi da Prefeitura de Mangaratiba e que ainda guardo em meu Outlook.
Isso não é o que afirma Julita Lemgruber - socióloga, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, ex-diretora do Sistema Penitenciário e ouvidora de Polícia do Estado do Rio de Janeiro de 1999 a 2000, integrante da equipe que formulou o Plano Nacional de Segurança Pública do Governo Lula – “O papel da Cidade é, sobretudo, a responsabilidade de desenvolver políticas preventivas. No entanto, os prefeitos se omitem, argumentando que segurança pública é um problema dos governos estaduais. Um ou outro acordou para essa nova realidade. O problema da segurança pública precisa ser compartilhado por todos os níveis de administração.
Também não é o que pensa a Prefeitura de Diadema - www.diadema.sp.gov.br – que implantou bem sucedido programa de segurança pública com a sua Guarda Municipal. Um programa denominado Anjos do Quarteirão em que, entre outras atividades, guardas municipais circulam por toda a cidade com o objetivo de fortalecer a relação da Guarda Municipal com a população e melhorar a segurança das ruas, estabelecimentos comerciais e residências. Os bairros chegaram a apresentar uma redução de 55% nos índices de violência. Considerada fundamental para a redução desses índices, foi a integração das polícias Civil e Militar com a Guarda Municipal em operações de policiamento ostensivo.
A Prefeitura de Ribeirão Preto também assumiu sua responsabilidade na segurança do cidadão. No site www.ribeiraopreto.sp.gov.br verifica-se que a Guarda Civil Municipal de Ribeirão Preto é uma organização de proteção e segurança, compromissada com os mais elevados princípios morais e legais, sempre disposta a enfrentar desafios. Inovadora, está engajada na manutenção da paz social, oferecendo serviço de qualidade, em parceria com a comunidade ribeirãopretana.
A nossa Guarda Municipal, porém, como afirmou a Prefeitura de Mangaratiba, é responsável apenas pelo patrimônio público, isto é, pelos bens municipais.
E o que faz além disso? Nos finais de semana de sol e feriados prolongados, passeia em animados grupos pela praia, multando os veículos que considera mal estacionados pelos visitantes. Carros com a mala aberta emitindo som em elevadíssimo volume não é com eles. Enquanto isso, a agência do Correios e Banco Postal, que fica a cem passos do posto da GM – passos contados por mim, passos de um ancião - foi assaltada duas vezes. Um assaltante veio de bicicleta, o outro fugiu de barco.
A tranquilidade dos cidadãos é um bem municipal e a simples presença dos guardas nas ruas proporcionaria paz de espírito aos moradores que são, também, patrimônio do Município.
Ainda não temos bandidos entre nós, nem a GM estaria preparada para o confronto. Temos, sim, adolescentes pichadores, pequenos ladrões arrombadores de quiosques e residências de veranistas. Na maioria, filhos de nossa própria sociedade. Estes podem ser repelidos pela simples circulação da GM, a pé ou motorizada, por todo o Distrito durante o dia e à noite.
Os delinquentes que nos visitam – assim como aqueles oriundos de nosso meio - sentem-se à vontade em nossa comunidade desarmada. Porém, mesmo desarmados, muitas das ações empreendidas pelas prefeituras de Diadema e Ribeirão Preto, em relação à segurança, podemos implantar a curto e médio prazo em Mangaratiba.
Para os nossos delinquentes domésticos e a maioria dos que vêm de fora, autoridade determinada, atitude policial rigorosa e um cassetete bastam como armas.

FAZENDA MURIQUI + Segura

Eu não faço parte da elite fazendeira, eu pertenço ao povo praiano. Foi com essas palavras que terminei minha participação na segunda reunião da natimorta campanha “Muriqui + segura”, realizada no Iate Clube de Muriqui.
De início, confiei no objetivo ético da campanha e acreditei que os representantes da comunidade ali reunidos com autoridades civis e policiais estavam, de fato, preocupados com a segurança de todos – comerciantes, quiosqueiros, moradores e veranistas - que estavam, e ainda estão, sendo vítimas de assaltos, arrombamentos de quiosques e residências e, até, de sequestro.
Mas, não! O objetivo era outro. Era apenas fechar uma das entradas de Muriqui, uma via pública – extensão da RJ-14 - que passa pela Fazenda Muriqui. Por quê? Para transformar um simples loteamento em condomínio fechado. E assim obter maior segurança para os moradores da Fazenda Muriqui, o resto da comunidade que se virasse.
Ainda vejo, em alguns poucos carros, o adesivo “Muriqui + Segura”. Como se isso bastasse. Como se um abaixo-assinado bastasse.
Não! É imprescindível a vontade política, a responsabilidade de desenvolver ações preventivas. É preciso acordar para a realidade. É imprescindível que sociedade e autoridades não se omitam, pois, segurança é responsabilidade de todos, em geral, e de cada um, em particular.
Para não se chegar ao descalabro absoluto, é essencial que as autoridades assumam o controle do Município em todas as suas responsabilidades, nelas incluída a segurança de seus cidadãos. Parodiando Clemenceau: segurança é assunto grave demais para ser confiada apenas aos policiais.
Para não se chegar ao descontrole total em nosso permanente e abjeto baile de máscaras, é necessário que a sociedade assuma a responsabilidade pelos atos de seus filhos e netos, impondo-lhes limites e respeito à lei e à propriedade alheia.
Na lingua Tupi, Muriqui significa gente tranquila. Não é fechando uma das entradas que vamos fazer jus ao nome da comunidade.

HIPOCRISIA

Para mim, a verdade é mais importante que a notícia”. Foi o que ouvi do editor do jornal Atual quando fui solicitar correção de uma falsa notícia publicada na página 12 da edição do dia 14 de março. A notícia sem qualquer fundamento mereceu manchete de primeira página, em corpo 48: “Arsenal da roubalheira descoberto em Muriqui”, atingindo moralmente cidadãos honestos de nossa comunidade. Leia a matéria deste blog intitulada “Simulacro de investigação em Muriqui”.
Levei por escrito, à redação do jornal, a verdadeira versão do fato, cópia do e-mail que já havia enviado ao diretor do jornal com o qual falei, por telefone, pedindo a correção da matéria publicada. E nada foi feito nas três edições seguintes, nenhuma correção, nem um centímetro de coluna em corpo 8 para restabelecer a verdade.
Quem se propõe a editar um jornal tem que se equilibrar entre o sensacional, que atrai a atenção do leitor, e o compromisso com o jornalismo, com a ética e com a verdade. O jornal Atual tem compromisso apenas com o sensacionalismo.
E leva a sério somente a lição primária que diz ser a versão mais importante que o fato.
Pura hipocrisia.

quinta-feira, 27 de março de 2008

PROUNI


Há uns 20 meses, talvez menos, eu estava na secretaria da Faculdade Estácio de Sá, no campus Terra Encantada, aguardando para pegar o meu certificado de conclusão da pós-graduação em Auditoria. Sentado em uma longarina e pensando na população daquele campus, em sua maioria jovens saídos da adolescência, de classe média alta, garotos bem vestidos e corados de sol, garotas bem maquiadas e bonitas, vi, quando entrou na sala de paredes de vidro, um rapaz diferente.
Aquele jovem, nos seus maltratados 25 anos, vestia uma calça social cinza, não era surrada, mas antiga, cafona mesmo. Provavelmente havia sido de seu pai. A camisa, também social, era velha e algo poída, bege quase branca. Sapatos, igualmente usados, tentavam luzir um cuidado de anos em um couro preto que zelo algum teria mantido íntegro pela sua provável idade.
Ao chegar, num passo lento e acanhado, postura de homem do interior que procura emprego na cidade grande, seus olhos pareciam maravilhados com o lugar, para mim tão comum. Uma moça, sentada atrás de uma mesa com computador, chamou-o para sentar. Ele afirmava que vinha fazer a matrícula.
Numa lógica certeira, a moçoila perguntou: "É do ProUni?".
Um meneio de cabeça que não apresentava vergonha, como nós preconceituosos poderíamos supor, respondeu que sim. Não, não havia vergonha. Havia orgulho nos seus gestos, nas suas costas erguidas e mesmo no seu falar baixo. Aquele jovem não era um ignorante. Era possível vasculhar seus gestos, seu vestir e seu olhar, e perceber que aquele era um filho de família pobre sim, mas alguém que havia chegado até o segundo grau e, com uma chance, iria seguir adiante. Com muito esforço, vencendo preconceitos, passando horas numa biblioteca, arrancando a força da vontade de pais verdadeiros, aquele jovem chegaria lá.
Hoje, vi esta foto acima. Lembrei perfeitamente do jovem que conheci de maneira tão profundamente superficial. Já são dois. E vi o vídeo abaixo. Neste, ouvi a mãe do rapaz da foto dizer, chorando: "Meu filho estuda, no ProUni. Ganhou a bolsa integral pelo Lula. Quem foi que fez isso? Ninguém. Nunca fizeram isso. Meu filho hoje em dia é universitário."
A mensagem é importante. Quem fez isso? Quem fez isso em mais de quatro séculos? Em mais de cem anos de República em que a mesma linhagem oligárquica se reproduz no poder deste país? Quem reduziu tanto a miséria e permitiu o consumo de bens duráveis ao povo mais carente? Há sujeira? Sempre houve e haverá sempre. Pode-se até criticar a entrada de jovens despreparados na faculdade. Pode-se dizer tanta coisa à esquerda e à direita...
Mas, neste governo, tenho visto muita coisa emocionante. É um governo de viés socialista que vem obtendo números muito melhores que o ditador da Sorbonne. E eles não admitem. O fato é que, para o povo, a esperança é a última que morre.
Eu me emocionei. Vejam o vídeo vocês também.
(Reproduzido de http://www.garrouleu.blogspot.com/ o blog de Fábio Ribeiro Corrêa)

MURIQUI OU MONO CARVOEIRO


O Muriqui, também denominado Mono Carvoeiro, é o maior primata brasileiro e um dos mais ágeis. Os machos e fêmeas adultos têm o mesmo tamanho, cerca de até 1,5m de altura.
Eles jamais brigam ou são agressivos. Demonstrações de carinho entre indivíduos de qualquer sexo ou idade são corriqueiros. É comum observar vários animais em um mesmo galho, suspensos pela cauda, em demorados abraços grupais. Vivem em uma sociedade caracterizada pela harmonia onde não há disputa pelo poder.
Mantêm-se unidos em uma espécie de hierarquia regida pelo afeto e pela fraternidade. Até a reprodução – marcada, entre outros primatas, por duras batalhas entre os machos – transcorre em harmonia. A fêmea simplesmente escolhe o parceiro com quem deseja copular e os demais pretendentes aceitam a opção, sem qualquer desavença.
Nesta sociedade promíscua, as fogosas muriquis gozam de ampla liberdade. Têm quantos parceiros desejarem e são elas que mais perambulam e mudam de grupo quando desejarem.
O Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica/RBMA criou, em 1993, o Prêmio Muriqui, hoje reconhecido como uma das mais importantes homenagens às ações ambientais no país. O prêmio é constituído de uma estatueta de bronze representando um muriqui (Brachiteles arachinoides) e um diploma. O Muriqui é o animal símbolo da RBMA. Anualmente são outorgados apenas dois prêmios. Um para pessoas físicas e outro para entidades públicas e privadas, nacionais ou internacionais, que tenham se destacado por suas atividades em benefício da Mata Atlântica.
Com tantas invasões e devastações em nossa mata atlântica, Muriqui jamais poderá ser merecedora do Prêmio Muriqui.

O GARI E O PRESIDENTE


Uma viúva da ditadura militar – o buraco negro da democracia brasileira – saudosa do holocausto por ela causado, fez-me uma pergunta imbecil e preconceituosa: “Por que o presidente do povo pode ter ensino fundamental incompleto e um gari necessita de ensino fundamental completo?”
Respondo aqui neste blog. Em primeiro lugar, o presidente tem o ensino fundamental completo e nenhuma lei exige que ele tenha formação superior nem que ele seja um intelectual. A maior prova disso foi a imposição de vários generais para mal e porcamente presidir o país.
Em segundo lugar, ao gari, além do ensino fundamental, lhe são exigidas perfeitas condições físicas. Ele tem que estar em todo lugar, percorre quilômetros – dia e noite, sob sol e chuva - correndo, driblando obstáculos, enfrentando riscos de vida. Ele precisa ter a resistência física de um maratonista olímpico.
Suas atividades podem ser exercidas em grandes alturas, subterrâneos, em posições desconfortáveis por longos períodos, exposto ao ruído intenso e à poluição do tráfego, a resíduos tóxicos e hospitalares, fugindo da ameaça de cães ferozes. Perigos que ele enfrenta com galhardia, muita coragem, dignidade e uma grande dose de heroismo.
Coletando lixo, varrendo, lavando, pintando guias, aparando grama, capinando os logradouros públicos, o gari é essencial à vida, à saúde, às cidades.
Dia de festa é véspera de trabalho multiplicado. Enquanto todos ainda dormem, ele enfrenta sorrindo, cantando, brincando com os companheiros, um trabalho árduo, madrugada a dentro, para nos entregar uma cidade limpa. Há quem o chame de lixeiro. Mas, lixeiro é quem faz o lixo, somos nós. Melhor seria chamá-lo limpeiro, pois, ele limpa o que nós sujamos.
Por ele, quase sempre, passamos indiferentes sem perceber a sua importância. Ele é, na verdade, um agente de saúde que merece todo o nosso respeito. É o cidadão mais modesto, porém, onipresente; mais humilde, porém, essencial; mais simples, porém, indispensável.
Ele passa por um processo de seleção tal como o médico, o advogado, o engenheiro, o arquiteto, o policial, o bancário, etc. Todos precisam ter o ensino fundamental, precisam saber ler e escrever. Já o militar, não. Qualquer analfabeto pode ser soldado e se vestir de verde-oliva.
Do gari, eu sempre precisei, todos os dias. Dos outros profissionais, apenas uma vez ou outra em toda a vida. Por isso, me revolta quando alguém o põe no extremo inferior da escala social, tal como foi colocado na preconceituosa pergunta.
Uma das grandes vantagens da democracia é esta: o gari pode ser eleito presidente da república. Mas, neste caso, o processo de seleção será determinado por todo o povo e não apenas por uma elite preconceituosa.
Na foto, a homenagem aos garis de Muriqui. Notem a limpeza do local, nem o menor vestígio da sujeira que deixamos no dia anterior. Com seu uniforme laranja, ele deixa o local consciente do dever cumprido.

quarta-feira, 26 de março de 2008

ZAZÁ, CARIME, IVETE, ANA MARIA E LENI

Quem serão? Gostaria de conhecê-las. Ainda vivem saudáveis, felizes, em Mangaratiba?
Você que me lê, conhece alguma delas?
Humberto Teixeira – 1915-1979 – conheceu-as aqui e lhes fez uma homenagem na música Mangaratiba, um dos maiores sucessos gravados por Luiz Gonzaga em 1949. Quer ouvi-la? Clique no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=aHxIpWVcXmI
Oi, lá vai o trem rodando estrada arriba...
Pr´aonde é que ele vai ?
Mangaratiba! Mangaratiba! Mangaratiba!
Mangaratiba...

Adeus Pati, Araruama e Guaratiba,
Vou para Ibacanhema, vou até Mangaratiba!
Adeus Alegre, Paquetá, adeus Guaíba,

Meu fim de semana vai ser em Mangaratiba!
Oi, Mangarati, Mangarati, Mangaratiba!
Mangaratiba...

Lá tem banana, tem palmito e tem caqui
E, quando faz luar, tem violão e parati.
O mar é belo, lembra o seio de Ceci
Arfando com ternura, junto à praia Guity.
Oi, Mangarati, Mangarati, Mangaratiba!
Mangaratiba...

Lá tem garotas tão bonitas quanto aqui:
Zazá, Carime, Ivete, Ana Maria e Leni...
Amada vila junto ao mar Sepetiba,
Recebe o meu abraço, sou teu fã
Mangaratiba!

Autor de mais de 400 composições – Asa Branca, Assum Preto, Que nem jiló, Paraíba masculina, Meu pé de serra, Lorota boa - Humberto Teixeira tornou-se um compositor reconhecido internacionalmente, com músicas gravadas em diversos idiomas. Foi até plagiado nos States.
Muitas dessas composições foram produzidas aqui, em sua casa de Mangaratiba, onde passou grande parte de sua vida e recebia os amigos. Inclusive Luiz Gonzaga, seu maior parceiro musical, com quem criou o baião, ritmo que revolucionou a MPB na época.
Advogado, conhecido como o “Doutor do Baião”, Humberto Teixeira se elegeu deputado federal e lutou pela regulamentação do direito autoral. Conseguiu aprovar no Congresso Nacional a Lei Humberto Teixeira para a formação de caravanas de artistas divulgando a música brasileira no exterior
Sua filha, a atriz Denise Dumont - junto com a viúva de Tom Jobim - vem se encarregando de resgatar suas memórias, produzindo um documentário, promovendo shows e artigos em jornais e revistas sobre a importância de sua obra. “Humberto Teixeira inventou o baião e descobriu Luiz Gonzaga que, antes de conhecê-lo, usava a sanfona para tocar músicas francesas em feiras”, diz o cantor Fagner no documentário.
Ninguém promoveu tanto o nome de Mangaratiba em todo o país e no mundo.
Humberto Teixeira merece uma homenagem em nossa Cidade.

sábado, 22 de março de 2008

QUANDO EU TE PERDI...

Quando eu te perdi, tentei chorar,
Me atormentar com a dor que não senti.
Tentei enlouquecer na solidão,
Quis morrer de emoção, não consegui.
A razão disse que não,
Eu me esqueci de sofrer.
Quando eu te perdi, nem sei porque
Me acostumei à vida sem você...
Quem me vê sorrir até duvida:
Fez tão bem a despedida.
Ah! Quando eu te perdi,
Eu me encontrei, enfim...
Senti o coração dizer que sim à razão.

MEU SIGNO É TIGRE.


Por que leão, pô! Um porco-chauvinista, vagabundo, preguiçoso, covarde e explorador de leoas. Rei das selvas? Mentira...
Não sabe subir em árvores, não sabe nadar nem caçar, dorme o dia inteiro. Só acorda para cruzar e comer o que as leoas caçam. As leoas caçadoras têm que esperá-lo satisfazer a sua fome. Porém, uma meia-dúzia de hienas botam o leão p´ra correr e tomam-lhe a refeição. E as leoas precisam caçar novamente para alimentar os filhotes.
Covarde, o leão mais jovem e mais forte ataca o leão mais idoso, expulsa-o do território para ficar com as leoas. Pior, mata todos os filhotes para forçar as leoas a cruzar com ele e ter novas crias.
Além de tudo, é feio. Aquela juba fede como as armações de um político safado.
A sabedoria chinesa inclui até o rato e o porco entre os animais que simbolizam os signos de sua astrologia. O leão, não.
O tigre, porém, está incluído. Que outra espécie do reino animal é mais bela que o tigre? Somente o ser humano. Na verdade, somente a mulher.
O tigre é fiel a sua tigresa. Não possui um harém. È vigoroso, sabe caçar e nadar, sobe nas árvores, não é preguiçoso nem vagabundo. Não têm medo das hienas nem de qualquer outro animal. Infelizmente, está em processo de extinção. Sua pele tem um grande valor no mercado indiano, etíope e outros, onde os sacerdotes gostam de se apresentar vestidos de tigre.
O tigre é símbolo de vigor, de coragem, de ação e determinação.
O tigre, para mim, é o verdadeiro Rei das Selvas.
Meu signo é tigre.

sexta-feira, 21 de março de 2008

ADEUS, SUSSU...


Ela sempre foi frágil, pequenina, delicada. Já era avó, sem ser idosa. Falava baixinho, nem parecia uma professora aposentada. Gostava de conversar e beber sua cerveja, sempre Brahma. Bebia uma no quiosque do André, outra no quiosque da Paula, duas ou três no quiosque do Adilson (creio que não gostava de cerveja bem gelada).
Nas datas festivas, sempre trazia para os amigos uma mensagem de fé, de paz, que ela mesma escrevia e imprimia. No carnaval, cada dia era uma fantasia diferente, sempre original. Mascarada, não conseguia esconder quem era. Mas, como se divertia...
Lembro dela, abraçada ao seu cachorrinho, cantando – “Louco, pelas ruas ele andava, o coitado chorava...” - na roda de samba que fazíamos nos quiosques da praia.
Nessa Páscoa, não tivemos a mensagem da Sueli. Ela se foi, de repente, sem perturbar ninguém como sempre viveu. Uma vida marcante, amiga e companheira.
Sussu viverá no coração e na mente de todos que com ela conviveram.
Até breve, Sussu!

quinta-feira, 20 de março de 2008

VELOX EM MANGARATIBA

Itaguaí e Angra dos Reis, são municípios limítrofes com Mangaratiba e têm a sua disposição os serviços da VELOX e o plano de minutos com internet ilimitada. Por que o VELOX está disponibilizado apenas no centro de Mangaratiba e não nos outros distritos? Será para favorecer apenas a Prefeitura, a Câmara Municipal, os bancos, o Detran, etc?
Ou será para favorecer uma empresa – Nex Link – que faz a conexão via rádio e cobra um absurdo pela instalação de antena e uma mensalidade de cerca de cem reais? Uma conexão que não funciona quando chove e que é uma verdadeira ferramenta de exclusão digital para a imensa maioria do povo que não pode pagar por ela e fica condenada pela Telemar/Oi ao analfabetismo tecnológico.
De que adianta o nosso governo lutar contra a desigualdade social, lutar a favor do desenvolvimento intelectual de nossas crianças e jovens, implantar uma política de futuro e dar nova dimensão à educação, se a ANATEL não obriga uma empresa a cumprir a Lei?
Atualmente, a internet é ferramenta fundamental para o desenvolvimento, assim como o próprio telefone. A Telemar/Oi tem todas a condições para implantar o VELOX e disponibilizar o PASOO em toda Mangaratiba, tal como faz em Itaguaí e Angra dos Reis. A Telemar tem seu próprio provedor – instalado em Coroa Grande/Itaguaí – que fica a apenas cinco minutos de carro de Muriqui, cuja conexão é muito difícil de conseguir e cai a todo instante, mas a utilizamos para nos conectar à internet.
A Telemar/Oi não disponibiliza o plano com internet ilimitada porque não quer ou ainda não foi obrigada a fazê-lo. Quando a ANATEL vai exigir que a Telemar/Oi cumpra com a sua obrigação, participando dessa luta pela democratização digital.
A inclusão social não pode conviver com a exclusão digital.

QUEM SOU EU?

“Eu sou aquele que era
Que é e será...”

Sou manso, sou fera,
Se avanço, vou recuar.
Eu sou o vivo e o morto,
Sou a tormenta e o porto.
Sou o oito, sou oitenta...
Eu sou fechado e aberto,
Sou o errado e o certo.
Eu sou feio, sou bonito,
Sou o pobre e o rico,
Sou o que vai e o que fica,
O vencedor e o vencido,
Sou odiado e querido.
Eu sou o pai e o filho,
Eu sou o quente e o frio,
Eu sou o luto e a festa,
Sou assim como tu...

“Quem é morno não presta,
É um coitado, cego e nu...”

SIMULACRO DE INVESTIGAÇÃO EM MURIQUI

Eles vieram de muito longe, sem qualquer comunicação às autoridades de Mangaratiba, para constranger o empresário Irapuan Vasconcelos, morador de Muriqui. Primeiro, com camisas da Polícia Civil e dizendo-se agentes da delegacia especializada de roubo de cargas, dois elementos, utilizando-se de uma viatura S-10 com carroceria e sem qualquer identificação, inclusive sem placas, capturaram o filho do empresário – Ulisses Vasconcelos - em Bangu e o trouxeram para Muriqui.
Aqui, tiraram as camisas da Polícia Civil e, à paisana, acusaram pai e filho de receptação de carga roubada e os forçaram a abrir o depósito onde o empresário guardava elétrodomésticos adquiridos licitamente em leilão do Ponto Frio conduzido por João Emílio Leiloeiro, no dia 8 de janeiro (ver em joaoemilio.com.br). Ali, no depósito, quase ao lado do DPO de Muriqui, os dois elementos ameaçaram chamar um caminhão para apreender todo o material e afirmaram: “Digam logo o que há de errado, pois podemos resolver tudo agora”.
O empresário e seu filho disseram não aceitar a “proposta” pois todo o material tinha procedência lícita e mostraram as notas do Ponto Frio e do leiloeiro. Foi quando chegou uma guarnição da PM do 33º Batalhão de Angra dos Reis, comandada pelo Sub-tenente Robson, que abordou os elementos - identificados como o PM Maia e o PM Santos do 35º Batalhão de Itaboraí - e encaminhou todos à 165ª DP, de Mangaratiba.
Na delegacia, o Oficial de Cartório Rodrigo Hoffman Kaiser assumiu a operação, registrou a ocorrência sob o nº 361/2008, tomou o depoimento de todos os envolvidos, fotografou e relacionou os eletrodomésticos encontrados, anexou ao processo as respectivas notas fiscais do Ponto Frio e do leiloeiro e deixou o Sr. Ulisses Vasconcelos como fiel depositário dos bens.
No dia seguinte, terça-feira 11 de março, a Band News divulgou a notícia alarmante: “Estourado depósito de carga roubada em Muriqui”. Na quarta-feira 12, o vereador Nelson Bertino, na tribuna da Câmara Municipal de Mangaratiba, acometido de um acesso de furor corporativista e, na ânsia do elogio gratuito a seus pares, exaltou a ação policial que foi, verdadeiramente, um simulacro de investigação.
O desinformado vereador não aprendeu a lição com as absurdas ações da polícia paulistana no caso da Escola de Base, em que seus diretores foram injustamente acusados de molestar crianças, e no caso do padre Júlio Lancelloti acusado de homossexualismo e pedofilia na Pastoral do Menor. Estes, após serem expostos, pela polícia e pela imprensa, à execração pública, foram todos inocentados. Mas, a vida deles jamais será a mesma após o ocorrido.
Irapuan e seu filho Ulisses, empresários sem qualquer mácula, estão passando por uma situação similar e sofrendo com as acusações de gente sem caráter. Não podemos admitir que nosso Município seja o palco para a reprise dos fatos lamentáveis ocorridos em São Paulo.
No dia 14, o jornal Atual, de Itaguaí, estampou em manchete de primeira página: "Arsenal da roubalheira estourado em Muriqui".
Diante de tudo, quatro perguntas estão por merecer resposta das autoridades:
1. Por que ninguém foi preso nem acusado oficialmente de nada?
2. Por que um dos supostos assaltantes de carga ficou como fiel depositário do material?
3. Por que mandar as notas apresentadas para a perícia se é muito mais simples confirmá-las com o leiloeiro?
4. A quem interessa politicamente tal simulação de investigação?