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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O ATENTADO N. 2 CONTRA SERRA

A TV Globo, ontem, além de tentar se justificar por não ter mostrado a bolinha de papel que atingiu a cabeça do fariseu, ainda comprou a opinião de um perito mercenário para dar credibilidade a uma afirmação inacreditável de um segundo objeto que atingiu aquela cabeça vazia.
O fariseu afirmou que o segundo objeto tinha o tamanho de uma bola de futebol e que devia pesar meio quilo. Veja a declaração no vídeo abaixo.

Agora veja a justificativa da TV Globo com a reportagem completa exibida ontem no Jornal Nacional.

A partir de dois minutos e quinze segundos da reportagem, pode-se ver o vídeo feito por celular que a Globo afirma comprovar o segundo atentado. Mesmo sendo de péssima qualidade, esse vídeo permitiu que o perito Ricardo Molina afirmasse a sua autenticidade, dizendo que o fariseu foi atingido por um rolo de fita crepe.
Você também pode ser um perito se tentar ver quadro a quadro essa parte do vídeo. Com o botão esquerdo do mouse vá clicando insistentemente para ver cada quadro. Você não verá nenhum objeto voando para atingir a cabeça do fariseu. O máximo que você poderá ver serão os quadros abaixo:
O fariseu é aquele careca de camisa azul
Eles estão caminhando.
Caminhando quadro a quadro.
Aquela cabeça vai sumindo
por trás da cabeça do fariseu.
Aquela cabeça sumiu.
Sumiu completamente.
Artifacts são artefatos eletrônicos digitais.
Esse quadro foi mostrado pela Globo e confirmado
pelo "perito" como o segundo atentado.
O fariseu nada sente com o segundo atentado.
E continua caminhando tranquilamente.
O fariseu foi encoberto pelo cabeção aí na frente.
E começa a aparecer de novo.
Sempre caminhando como se não tivesse sofrido um atentado.
Tranquilão. Cadê as mãos na cabeça?

O segundo atentado não existiu?

Fica claro que um segundo objeto não atingiu o fariseu. 

E a passeata continua.
O que fica claro é que a Globo apenas quis iludir os incautos eleitores do fariseu.

Você viu algo se dirigindo pelo ar para a cabeça do fariseu? Algo assim como uma bola de futebol e que pesa meio quilo? O que a Globo e o fariseu pensam da inteligência do eleitor? E o Molina, quanto recebeu para dar credibilidade ao atentado número dois?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O ATENTADO CONTRA SERRA

O fariseu sabia que não poderia passar incólume no calçadão de Campo Grande por entre militantes do PT e representantes dos cinco mil matamosquitos que ele demitiu quando ministro da saúde. O fariseu se aproveitou para armar um tremendo factóide que recebeu grande espaço no Jornal Nacional.
Houve confusão e enfrentamento. Uma bolinha de papel atingiu a careca do fariseu. Veja o vídeo do SBT.

Pois, o fariseu saiu dali de helicóptero e foi se consultar com o ex-secretário de saúde do Cesar Maia que o encaminhou para uma tomografia computadorizada e lhe recomendou repouso absoluto.
O atentado se resumiu a uma bolinha de papel, mas o tal médico disse o seguinte em O Globo: "Uma pancada como essa poderia ter consequência grave como um edema cerebral."
Entretanto, a demissão dos cinco mil matamosquitos - cujo sindicato fica localizado bem ali no calçadão de Campo Grande - acarretou a invasão da dengue no Rio de Janeiro, um prejuízo de milhões, a morte de vários cidadãos e o suicídio de cinco matamosquitos.
Leiam a notícia na Folha (aqui) e no Estadão (aqui).

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

19 DE OUTUBRO

Parece que foi ontem. Mas o ano foi 1972. Era a fase áurea dita mais dura da maldita ditadura. A tortura, a censura, a cana-dura, a amargura, a desventura, a impostura, imperavam.
Era uma loucura o medo da viatura.
Época dos seqüestros de embaixadores para libertar quem não se submeteu à tirania dos generais.
O ex-Gabeira ainda era o Gabeira. O Serra – o jovem fariseu que havia fugido logo nos primeiros dias - vivia no exterior com uma chilena que abortava e matava criancinha. Enquanto a Dilma era torturada nos porões militares. Ela e tantos outros jovens que ficaram para lutar sem medo pela democracia.
Não se escrevia nem se podia falar o que se pensava. A verdade era apenas o ponto de vista dos ditadores. O medo sobrepujava a esperança que já se esvaia. A tristeza invadia até mesmo o carnaval de rua que já chegava ao fim. O luar daquela e de tantas outras primaveras não brilhava mais como antes para inspirar poetas e compositores.
A liberdade restringiu-se somente à liberdade sexual proporcionada pela pílula. Ali teve início a expansão demográfica para criar operários servis e soldados dominadores.
E meu filho nascia naquele 19 de outubro. A alegria ainda tentou espantar minha tristeza, mas eu não via probabilidade de mudança. O arrocho salarial oprimia o trabalhador. Cheguei a pedir que minha mulher se demitisse da Caixa Econômica Federal onde ela recebia pouco mais de um salário mínimo mensal. A curto e médio prazo, tudo tendia a piorar. Meu filho cresceria em ambiente de terror e, talvez, sem o pai para tirar o medo.
Desesperançado, o que poderia eu fazer?
Resolvi fazer um samba. Um samba bem dolente, quase uma súplica àquele que eu via nascer e que ontem o cantou pra mim.
“Cresça meu filho...
Meu filho cresça depressa
Antes que o mundo despeça
Tanta poesia que vai chegando ao fim.
Cresça meu filho, antes que termine a festa...
A vida mostra que somente resta
Pouco de bom e muito de ruim.
Venha ver o último raio de lua,
O último bloco de rua
No último dia de carnaval.
E a passista, em noite de gala,
Com o último dos mestres-sala
Sambar pro povo da geral.
Vem ouvir o último homem sensato
Dizer a verdade de fato
Colhida em tênue lembrança
De um sonho real.
Vem sentir a última, intensa e profana,
Dolente paixão suburbana
Da derradeira virgem total."

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

TELEMARKETING DO SERRA

Em uma postagem anterior informei sobre o telemarketing que o Serra estaria fazendo no nordeste, segundo notícia do Correio Brasiliense.
Este telemarketing acaba de chegar em Mangaratiba. Agora, às 19 horas, minha mulher atendeu ao telefone e ouviu a seguinte mensagem gravada:
"Se você pensa em votar na Dilma, saiba que ela é amiga da Erenice que ela deixou como Ministra da Casa Civil e que promoveu um grande escândalo de corrupção no governo, etc, etc."
A sordidez da campanha atinge, portanto, todo o país. Mas, apenas demonstra o desespero do Serra.
Quem ainda pensa que o fariseu vai ganhar essa eleição, pode tirar o cavalo da chuva.
Desespero é sinal evidente de derrota. O amigo do Paulo Preto - que sumiu com mais de quatro milhões da campanha dele, que ele disse não conhecer e que, depois, quando ameaçado, passou a defendê-lo - não tem mesmo escrúpulo nenhum.
O telefone de origem do telemarketing tinha o número 1000 4832 160.

LULA X FHC

Semana passada FHC desafiou o Lula para um debate público após o segundo turno. Em minha opinião, este debate deveria acontecer antes; mas como não ocorrerá, reproduzo abaixo uma comparação dos dois governos que recebi do meu filho Fábio.

1)Taxa de juros SELIC:
Governo Lula: 11%
Governo PSDB/PFL: 27,5%
2) Operações da PF contra a corrupção, sonegação de impostos, crime organizado e lavagem de dinheiro:
Governo Lula: 358 operações
Governo PSDB/PFL: 20 operações
3) Prisões efetuadas pelos motivos acima:
Governo Lula: 3.971 prisões
Governo PSDB/PFL: 54 prisões
4) Criação de empregos:
Governo Lula: 14,6 milhões com carteira assinada
Governo PSDB/PFL: 700 mil
5) Média anual de empregos criados:
Governo Lula: 2.140.000
Governo PSDB/PFL: 87.500
6) Taxa de desemprego nas regiões metropolitanas:
Governo Lula: 6,3%
Governo PSDB/PFL: 11,7%
7) Taxa de desemprego em São Paulo:
Governo Lula: 12,9%
Governo PSDB/PFL: 19,0%
8) Exportações (em dólares):
Governo Lula: 258,3 bilhões
Governo PSDB/PFL: 60,4 bilhões
9) Superavit comercial (em dólares):
Governo Lula: 265,3 bilhões (positivos)
Governo PSDB/PFL: 8,4 bilhões (negativos)
10) Transações correntes (em dólares):
Governo Lula: 110,1 bilhões (positivos)
Governo PSDB/PFL: - 186,2 bilhões (negativos)
11) Risco-país:
Governo Lula: 204 - o patamar mais baixo da história
Governo PSDB/PFL: 2.400
12) Inflação:
Governo Lula: 3,8% (média)
Governo PSDB/PFL: 12,53%
13) Dívida com o FMI (em dólares):
Governo Lula: ZERO - o FMI nos deve 18 bilhões
Governo PSDB/PFL: 14,7 bilhões
14) Dívida com o Clube de Paris (em dólares):
Governo Lula: ZERO
Governo PSDB/PFL: 5 bilhões
15) Mercado internacional:
Governo Lula: Brasil reconhecido como investment grade
Governo PSDB/PFL: Brasil sem crédito
16) Empréstimo para habitação (em reais):
Governo Lula: 9,5 bilhões
Governo PSDB/PFL: 1,7 bilhões
17) Crescimento industrial:
Governo Lula: 8,77%
Governo PSDB/PFL: 1,94%
18) Aumento na produção de bens duráveis:
Governo Lula: 14,8%
Governo PSDB/PFL: 2,4%
19) Aumento na produção de veículos:
Governo Lula: 5,4%
Governo PSDB/PFL: 1,8%
20) Crédito para a agricultura familiar:
Governo Lula: 11,3%
Governo PSDB/PFL: 2,4%
21) Valor do salário mínimo:
Governo Lula: quase 300 dólares
Governo PSDB/PFL: máximo de 70 dólares
22) Poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica:
Governo Lula: 3,7 cestas básicas
Governo PSDB/PFL: 1,3 cesta básica
23) Aumento de preço da cesta básica:
Governo Lula: 15,6%
Governo PSDB/PFL: 81,6%
24) Transferência de renda (em reais):
Governo Lula: 12,1 bilhões
Governo PSDB/PFL: 2,3 bilhões
25) Transferência média por família:
Governo Lula: 87 reais
Governo PSDB/PFL: 25 reais
26) Programa Brasil Sorridente (atendimento odontológico):
Governo Lula: 35,7%
Governo PSDB/PFL: 17,5%
27) Mortalidade infantil indígena (por 1000 habitantes):
Governo Lula: 18,6
Governo PSDB/PFL: 55,7
28) Peograma Pró-jovem/estudo subsidiado:
Governo Lula: 183 mil (18 a 24 anos)
Governo PSDB/PFL: não havia programa, nem registro.
29) Programa Bolsa Família/Fome-Zero:
Governo Lula: 24,1 milhões de famílias atendidas
Governo PSDB/PFL: o programa era o Bolsa Escola com atendimento restrito
30) Incremento no acesso a água no semi-árido nordestino:
Governo Lula: 1.762.000 pessoas e 152 mil cisternas
Governo PSDB/PFL: zero, não havia programa.
31) Distribuição de leite no semi-árido (sistema pequeno produtor):
Governo Lula: 8,3 milhões de brasileiros
Governo PSDB/PFL: zero, não havia programa.
32) Áreas ambientais preservadas:
Governo Lula: incremento de 25,6 milhões de hectares.
Do ano do Descobrimento do Brasil até 2002: 40 milhões de hectares
33) Apoio à agricultura familiar:
Governo Lula: mais de 40 bilhões
Governo PSDB/PFL: Maior repasse 2,5 bilhões
34) Investimento na compra de terras para reforma agrária:
Governo Lula: 3,7 bilhões (2003 a 2005)
Governo PSDB/PFL: 1,1 bilhão (1999 a 2002)
35) Investimento do BNDES em micro e pequenas empresas:
Governo Lula: 35,99 bilhões
Governo PSDB/PFL: 8,3 bilhões
36) Investimento anual em saúde básica:
Governo Lula: 2,5 bilhões
Governo PSDB/PFL: 155 milhões
37) Equipes do Programa Saúde da Família:
Governo Lula: 27.401
Governo PSDB/PFL: 16.698
38) Índice BOVESPA:
Governo Lula: 71,5 mil pontos
Governo PSDB/PFL: 11,2 mil pontos
39) Reservas do país:
Governo Lula: 270 bilhões de dólares
Governo PSDB/PFL: ZERO
40) Taxa de desemprego no país:
Governo Lula: 8%
Governo PSDB/PFL: 12%
41) Eletrificação Rural:
Governo Lula: 8 milhões de pessoas
Governo PSDB/PFL: 2.700 pessoas
42) Livros gratuitos para o Ensino Médio:
Governo Lula: 17 milhões
Governo PSDB/PFL: zero
43) Geração de Energia Elétrica:
Governo Lula: 1.567 empreendimentos em operação, gerando 95.744.495 kW de potência. Está previsto para os próximos anos uma adição de 26.967.987 kW na capacidade de geração do País, proveniente os 65 empreendimentos atualmente em construção e mais 516 outorgadas.
Governo PSDB/PFL: zero
44) Construção de Universidades Federais:
Governo Lula: 27 novas universidades + 58 novos campi
Governo PSDB/PFL: 6 universidades federais em 8 anos

E PARA TERMINAR NO Nº 45:

45) Falcatruas e roubalheiras nas instituições do governo federal:
Governo Lula: o povo conhece, a imprensa divulga, a polícia federal age e prende, a Controladoria Geral da União (CGU) investiga e denuncia livremente, o Congresso investiga e denuncia, CPIs são instaladas e corruptos são cassados; a justiça julga, o dinheiro roubado aparece e "companheiros" são expulsos, presos, demitidos, cassados ou punidos.
Governo PSDB/PFL: o governo escondia, a imprensa fazia "vista grossa"; a polícia federal não conseguia agir; o Congresso Nacional "levava o dele", calava e não investigava; as CPIs eram sufocadas e arquivadas; o dinheiro roubado ia sorrateiramente para o bolso dos "pais da pátria" de sempre ou era desviado para salvar empresas falidas (de amigos); o dinheiro bom do Tesouro Nacional era enfiado em estatais já saqueadas e sucateadas e que, após saneadas com dinheiro do contribuinte eram "entregues" aos "companheiros" da iniciativa privada que "têm mais competência para administrar"; o obscuro processo de venda de estatais dilapidou R$ 150 bilhões do Patrimônio Nacional. E o "Engavetador Geral da República" engavetava tudo que podia prejudicar o governo.

Eu acrescento o seguinte:
Aprovação popular do presidente:
Lula: 81%
FHC: 27%

sábado, 16 de outubro de 2010

MÔNICA BERGAMO X MÔNICA SERRA

Mônica Bergamo, colunista de Folha de São Paulo, deve estar com seus dias contados no jornal do Serra. Ela confirmou assim em sua coluna de hoje o que eu escrevi ontem sobre o aborto da Mônica Serra. Não tenho nada contra o aborto realizado, mas sim contra o farisaísmo da mulher do fariseu.

“O discurso do candidato à Presidência José Serra (PSDB) de que é contra o aborto por “valores cristãos”, que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias, é questionado por ex-alunas de sua mulher, Monica Serra.
Num evento no Rio, há um mês, a psicóloga teria dito a um evangélico, segundo a Agência Estado, que a candidata Dilma Rousseff (PT), que já defendeu a descriminalização do aborto, é a favor de “matar criancinhas”.
Segundo relato feito à Folha por ex-alunas de Monica no curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a então professora lhes contou em uma aula, em 1992, que fez um aborto quando estava no exílio com o marido.
Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher. Em 1973, com o golpe que levou Augusto Pinochet ao poder, o casal se mudou para os Estados Unidos.”
A Folha investigou a nota da coluna de Mônica Bergamo e informou o seguinte:

“A Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, sem sucesso.
Um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo, 10, a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, 37, postou uma mensagem em seu Facebook para “deixar a minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra” em relação ao tema.
Ela escreveu que Serra não respeitava “tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Monica Serra já fez um aborto”. A mensagem foi replicada em outras páginas do site e em blogs.
“Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático”, escreveu Sheila no Facebook. “Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?”
À Folha a bailarina diz que “confirma cem por cento” tudo o que escreveu. Sheila afirma que não é filiada a partido político. Diz ter votado em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no primeiro turno. No segundo, estará no Líbano, onde participará de performance de arte.
Se estivesse no Brasil, optaria por Dilma Rousseff (PT). Sheila é filha da socióloga Majô Ribeiro, que foi aluna de mestrado na USP de Eva Blay, suplente de Fernando Henrique Cardoso no Senado em 1993. Majô foi pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP, fundado pela primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008).
Militante feminista, Majô foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco pelo PSDB.
A socióloga disse à Folha estar “preocupada” com a filha, mas afirma que a criou para “ser uma mulher livre” e que ela “agiu como cidadã”.
Sheila é casada com o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que foi professor de antropologia cultural na Universidade La Sapienza, em Roma, e hoje dirige pesquisas no Brasil.
A Folha localizou uma colega de classe de Sheila pelo Facebook. Professora de dança em Brasília, ela concordou em falar sob a condição de anonimato.
Segundo a ex-estudante, as pessoas compartilhavam suas histórias, algo comum em uma aula de psicologia.
Nesse contexto, afirmou, Monica compartilhou sua história com o grupo de alunas. Disse ter feito o aborto por causa da ditadura.
Ainda de acordo com a ex-aluna, Monica disse que o futuro dela e do marido, José Serra, era muito incerto.
Quando engravidou, teria relatado Monica à então aluna, o casal se viu numa situação muito vulnerável.
“Ela não confessou. Ela contou”, diz Sheila Canevacci. “Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas [ela é] uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética.”
A assessoria da psicóloga Monica Serra, mulher de José Serra, não respondeu aos questionamentos feitos pela Folha a respeito do relato de suas ex-alunas.
A Folha procurou Monica Serra pela primeira vez na manhã de anteontem. Segundo sua assessoria, ela havia viajado para o Chile e não seria possível localizá-la naquele momento.
Entre quinta-feira e ontem, a reportagem telefonou seis vezes e enviou cinco e-mails para a assessoria. Recebeu uma mensagem com a seguinte afirmação: “Não há como responder”.”

Colaboraram LIGIA MESQUITA e MARCUS PRETO , de São Paulo

Comentário de leitora da Folha:
Comentado por Sylvia Manzano em 16/10/2010 - 10:28h:

"Mônica Serra acusava Dilma de “matar criancinhas”,mas quem, pelo menos, matou uma criancinha foi ela.
Evidente que isso jamais seria assunto de meu interesse, mas diante do rumo que as coisas tomaram nesta eleiçao, diante da atitude hipócrita da Mônica, isso deveria realmente virar manchete nos jornais.
Sempre admirei a postura discreta da esposa do Serra, mas desta vez ela desceu ao último degrau da baixaria.
E será que o Serra não vai pedir a cabeça da Mônica Bergamo?
Eu adoraria ver a Dilma perguntando no debate pro Serra, se é verdade que ele e sua mulher já mataram uma criancinha e se deveriam ser presos por causa disso.
Ou é só a mulher que vai presa?”

Concordo com a leitora.

TORPE EXPLORAÇÃO RELIGIOSA

Diz o Aurélio que torpe significa desonesto, impudico, infame, vil, abjeto, ignóbil, repugnante, nojento, asqueroso, ascoso, obsceno, indecente, manchado, enodoado, maculado, sórdido, sujo.
Sem comentários.
Além de cínico, Serra é um fariseu.
Igualzinho à Mônica Serra.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MENSAGEM DA DILMA

Diante da sórdida campanha dos adversários que se aproveitam da crença religiosa do povo para combatê-la, agora inclusive com serviços de telemarketing, Dilma Roussef se viu obrigada a expedir a mensagem que segue abaixo.

SERRA E OS PROFESSORES

José Serra tem 17 processos nas costas. Se o Judiciário não fosse tão preguiçoso e indeciso, Serra seria hoje um ficha suja impossibilitado de concorrer à presidência.
Mas, o que eu queria lembrar hoje – Dia do Professor – é como o futuro ficha suja tratou o professor paulistano durante a greve por melhores salários em março deste ano. Os professores de lá ganham bem menos que os professores daqui. Vejam os vídeos.
Um professor comentando as afirmações de Serra. 
A polícia truculenta do truculento Serra enfrentando os professores.

O ABORTO DA PROFESSORA MÔNICA SERRA

Vejam só: o assessor Paulo Preto fez caixa 2 na campanha e sumiu com quatro milhões; a filha montou firma de assessoria para atuar em licitações do governo e quebrou o sigilo bancário de milhares; agora, chega a notícia de que a esposa já fez aborto.
Qualé Serra? Chega de hipocrisia.
O Correio do Brasil publica (leia aqui) a reportagem abaixo com o testemunho de pessoas responsáveis e com a devida credibilidade.

"Alunas da então professora de Psicologia do Desenvolvimento aplicada à Dança, no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Monica Serra, confirmaram nesta quinta-feira estar presentes à aula em que a mulher do presidenciável tucano, José Serra, relatou ter sido levada a interromper a gravidez, no quarto mês da concepção. A coreógrafa Sheila Canevacci Ribeiro revelou o fato após o debate realizado domingo, na Rede Bandeirantes de TV, em sua página na rede social Facebook.

Colega de Sheila Ribeiro, a professora de Dança de um instituto federal de Brasília, que preferiu não ter o seu nome citado “por medo do que essa gente pode fazer”, afirmou, lembra que no primeiro semestre de 1992, no segundo período que cursava na Unicamp, o depoimento de Monica Serra a impressionou. Ela estava sentada no chão em uma sala de dança, onde não há móveis e apenas um grande espelho e a barra de exercícios, ao lado das colegas Kátia Figueiredo, que mora atualmente na Suécia, Ana Carla Bianchi, Ana Carolina Melchert e Érika Sitrângulo Brandeburgo, entre outras estudantes, residentes aqui no país.
– Eu confirmo aqui o depoimento da Sheila Ribeiro. Foi aquilo mesmo. A professora Monica Serra nos relatou que havia feito um aborto em um período difícil da vida do casal, durante a ditadura militar. Foi um fato tocante, que marcou a todas nós. Lembro-me que o assunto surgiu quando ela falava sobre a dissociação do corpo e a imagem corporal, que até hoje dirige meu comportamento – disse.
Pressão
Sheila Ribeiro, após o protesto consignado em sua página, disse nesta quinta-feira que, apesar da pressão dos meios de comunicação e de eleitores de todo o país que passaram a visitá-la no Facebook, não se arrepende de ter relatado a sua indignação ao perceber a mudança de atitude da professora que, em 1992, revelava às alunas um episódio marcante na vida de qualquer mulher, como o aborto realizado diante o exílio iminente, ao lado do marido, e a possível primeira-dama que, em uma campanha política, acusa a adversária do casal de “matar criancinhas”.
– Pior do que isso foi o silêncio do Serra, que deveria ter saído em defesa da mulher, fosse qual fosse a situação em que se encontrava ali, diante das câmeras – emendou a ex-aluna de Monica Serra.
Coreógrafa e doutoranda em Comunicação e Semiótica, na PUC de São Paulo, Sheila Ribeiro mora em uma “praia linda” e, apesar de estar no centro de uma discussão que mobiliza o país, faz questão de seguir a sua rotina de estudos e de trabalho.
– Procuro me manter leve. Respiro – diz, emocionada.
Sheila tem recebido, ao lado de agressões de partidários dos dois candidatos, o apoio dos amigos e “mesmo de estranhos que entenderam a minha indignação”, afirma. Das colegas que estavam ao seu lado, na oportunidade em que a mulher do presidenciável tucano optou por revelar um momento difícil da vida, também recebe a solidariedade e o apoio.
– Estou aliviada por ter visto a Sheila questionar toda essa hipocrisia que permeia a sociedade brasileira. Ela foi muito corajosa e só merece nosso aplauso – conclui a colega que, hoje, mora em Brasília e se destaca pelo trabalho também na área da coreografia e da dança.
Sem resposta

Com as novas entrevistas realizadas pelo Correio do Brasil, nesta quinta-feira, a reportagem voltou a procurar o presidenciável tucano na tentativa de ouví-lo acerca dos depoimentos das ex-alunas da mulher dele, Monica Serra. O CdB o procurou, novamente, no Twitter, às 12h41:
“@joseserra_ Senhor candidato. Três outras ex-alunas confirmaram o relato sobre o aborto feito por sua esposa. O sr. poderia repercutir isso?”
Da mesma forma, foram encaminhados e-mails à assessoria de imprensa que, por intermédio de uma das assessoras, acusou o contato do CdB e ponderou que, se até o fechamento desta matéria, às 15h04, não houvesse qualquer resposta do candidato, como de fato não ocorreu, o fato deveria ser interpretado como sua recusa em tocar no assunto, em linha com a decisão tomada durante o debate."

A PROFESSORA INESQUECÍVEL

Todos temos um professor ou professora inesquecível que marcou a nossa vida.
Quando eu conheci a professora que jamais esquecerei e que muito me marcou a vida, ela vestia azul e branco. Saia plissada azul marinho e blusa branca de mangas compridas. Um cinto e uma gravatinha borboleta também azul marinho.
Um emblema - como este ao lado - aplicado na gravatinha e uma estrela na gola da blusa.
Vestida de azul e branco, trazendo um sorriso franco que logo pensei ser pra mim. E era mesmo.
Não era ainda professora, mas passou a me auxiliar nas lições de português e geografia. Sabia de cor e salteado todos os afluentes das margens esquerda e direita do Amazonas. Eu retribuía com pretensas aulas de inglês.
Formou-se, então, mais uma operária divina que lá no subúrbio ensina as criancinhas a ler.
Tivemos um filho. Faz tanto tempo isso que, em 2011, ele completa 50 anos.
Não ficamos juntos para sempre. Separamo-nos, mas ficamos para sempre amigos. Amigos e confidentes.
Dedicada aos estudos, passou em primeiro lugar no Cesgranrio e foi cursar Estatística. Formou-se e passou a ministrar a matéria em cursos superiores, ao mesmo tempo em que dava aulas no ensino primário. Chegou a ser diretora de escola municipal.
Enquanto isso, eu tive um outro filho. Também faz tempo. Completa 38 anos na próxima terça-feira. Para que ingressasse no Colégio São Bento, ela o preparou para o “vestibulinho” que, ainda hoje, seleciona os melhores alunos para o colégio.
Essa minha professora inesquecível também ficou amiga virtual da mulher com quem convivo há 42 anos. Jamais se encontraram pessoalmente, mas, por telefone, passavam horas conversando. Duas mães magníficas discutindo a educação dos filhos. Fofocando também, claro.
Graças a elas – à tolerância das duas - meus dois filhos tornaram-se grandes amigos. E os melhores amigos do pai.
Apaixonada pelos netos, a minha professora dedicada e inesquecível não pôde transmitir para eles os seus conhecimentos nem ajudá-los com aulas particulares como sei que tanto gostaria.
Mas, com certeza, de onde está, sei que os protege e zela por seus estudos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CIRO, LULA, SERRA E A ECONOMIA

Com quem estava a razão?

Com Ciro e Lula ou com Serra e seus economistas?
O que está em jogo não é o aborto. É a economia e o progresso do país.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

DESASTRE NA RIO-SANTOS

A mídia sempre responsabiliza o estado lastimável de nossas estradas pelos acidentes país afora. E sempre mostra na TV veículos em baixa velocidade passando pelo asfalto esburacado.
Entretanto, quando mostra os acidentes, a estrada está sempre lisa, plana, quase polida, bem sinalizada e, quase sempre, em dia claro.
Enquanto a Rio-Santos era duplicada, a "imprensa" local não cansou de criticar o DENIT pela demora do trabalho e pela possibilidade da ocorrência de acidentes entre Itaguaí e Itacuruçá. Nada de grave aconteceu.

Agora que aquele trecho da Rio-Santos está perfeito, seguro, lisinho como bunda de neném, ocorre esse engavetamento aí de cima em Itaguaí com 19 veículos. Foi ontem na volta para casa. O resultado: um morto e dez feridos.
É mais uma prova de que o estado lastimável - não das estradas, mas - dos motoristas é que causam os acidentes mais graves.

domingo, 10 de outubro de 2010

AARÃO, EX-PREFEITO DE MANGARATIBA

O TSE deixou a preguiça de lado e decidiu de forma instantânea o recurso do prefeito de Mangaratiba. No que a medida cautelar chegou lá, o relator da matéria imediatamente assim decretou:
"Do exposto, nego seguimento à ação cautelar, com base no art. 36, § 6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral.
Publique-se.
Brasília-DF, 9 de outubro de 2010.
Ministro Marcelo Ribeiro, relator"
Se você quiser ver a íntegra da decisão, vá ao blog da Leila (aqui)
Aconselho a ler com um dicionário na mão ou, melhor ainda, contratar um advogado para explicar o que o douto magistrado relatou, pois ele começa assim: “Não vislumbro, em princípio, o fumus boni juris.”
Agora, a má notícia: ainda existe a possibilidade de recurso, um agravo regimental para que o voto do relator seja analisado em sessão – e aprovado ou não – pela corte dos sete ministros do TSE.
Somente depois poderemos afirmar que Aarão não é mais o futuro ex-prefeito como eu o chamava. Vamos ter que esperar para dizer que Aarão é, de fato e de direito, o ex-prefeito de Mangaratiba. E o compromisso assumido com o Stalone para erigir uma estátua do canastrão em Mangaratiba não terá mais nenhuma validade.
O compromisso era dele, nunca foi nosso.

sábado, 9 de outubro de 2010

EXTREMISMO RELIGIOSO E HIPOCRISIA

Ano passado, em Recife, uma menina de 9 anos, grávida de gêmeos após abusos do padrasto, foi submetida a aborto legal porque corria risco de vida. O aborto legal regulamentado pelo Serra quando era o Ministro da Saúde.
Na época, o desvairado arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão da garotinha, da mãe e dos médicos que atenderam a menina.
Eles receberam o maior castigo que a igreja pode atualmente imputar a alguém. Foi uma prova cabal da loucura que é o extremismo religioso. Aquele mesmo extremismo que levou Joana D’Arc à fogueira.
O cretino do arcebispo disse ainda porque o padrasto, réu confesso de violentar a menina de 9 anos, não estava incluído na lista de excomungados: "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? É o aborto, é eliminar uma vida inocente".
O estuprador não foi excomungado. Para a igreja, a pedofilia não é um pecado gravíssimo e não merece o seu maior castigo. Hipocrisia?
O aborto que, em 1989, já havia sido usado pelo Collor contra o Lula, volta agora a dominar a campanha eleitoral com o objetivo único de prejudicar a futura presidenta.
Até a mulher do Serra diz que a Dilma mata criancinhas.
Li ontem no portal iG que, este ano, a cada hora, ocorrem 12 internações por interrupção provocada da gravidez, sendo este um dos procedimentos que mais ocupa leitos dos serviços públicos e privados na área de saúde da mulher.
De janeiro a julho, foram 54.339 internações. Mais do que a soma de internações (38.532) por câncer de mama e colo do útero. Foram internadas mulheres com hemorragias, infecções ou perfurações, desencadeadas após o procedimento realizado em clínicas clandestinas.
Para chegar a este reultado, o iG excluiu o total de internações por "aborto espontâneo" (66.903 registros em seis meses) e "aborto por razões médicas" (905). Só foi considerada a categoria "outras gravidezes que terminam em aborto".
“São dados que mostram como a criminalização e a manutenção do aborto na clandestinidade são ineficazes do ponto de vista da saúde” - afirma o médico Thomaz Gollop, diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Grupo de Estudo sobre o Aborto (GEA) que reúne médicos, psicólogos e juristas - “Ainda que a legislação faça com que estas mulheres não possam ser atendidas incialmente nos hospitais elas chegam depois, machucadas e em estado grave de saúde. Em Pernambuco, o aborto é a principal causa de morte”.
Segundo estudo divulgado pelo Instituto do Coração, a curetagem é o procedimento hospitalar mais realizado no país. Em média, são feitas 250 mil por ano.
De acordo com o Ministério da Saúde, um milhão e 250 mil mulheres se submetem ao aborto anualmente no Brasil. Destas, pelo menos 250 morrem.
O obstetra da Universidade Federal de São Paulo Osmar Ribeiro Colas disse ao iG que são cerca de 500 mortes diárias por causa de abortos em todo o mundo: “Quando cai um avião ficamos chocados, mas há dois Boeings de mulheres caindo por dia e ninguém fala nada”, lamentou.
“Algumas mulheres colocam produto químico ou objeto metálico no útero para abortar. A chance de infecção e perfuração é muito grande, um terço das que tentam abortar acaba procurando ajuda no hospital” - afirma o médico Morais Filho - "quem tem dinheiro faz com um médico seguro, quem não tem vai para uma clínica de fundo de quintal ou parte para a auto-agressão. Toda a sociedade sabe disso, mas somos coniventes e hipócritas porque não são as nossas mulheres e filhas que vão morrer, são as pobres”.
Pelo Código Penal Brasileiro, de 1940, provocar aborto pode resultar em uma pena de um a três anos de detenção. A lei é a mais proibitiva existente no mundo e adotada em países como Nigéria, Angola e Sudão. Em toda a Europa, com exceção da Polônia, e em países como Estados Unidos e Canadá o aborto é autorizado sem nenhuma restrição.
Em 2007, Portugal legalizou o aborto sem restrições até a 10ª semana de gestação e, depois desse período, em casos de má-formação fetal, de estupro ou de perigos à vida ou à saúde da mãe. Na Espanha, lei com termos semelhantes começou a vigorar neste ano.
Pela legislação brasileira, o aborto só é permitido nos casos de estupro ou quando a gravidez representa risco de vida para a mãe. Também é possível obter autorização judicial quando o feto possui anomalia incompatível com a vida, como anencefalia. Mas, isso leva muito, muito tempo mesmo.
Essa regulamentação faz parte de norma técnica expedida pelo Ministério da Saúde quando José Serra era o seu titular.
Em sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, em 2007, Dilma assim se posicionou: “É um absurdo a criminalização, até porque nós sabemos em que condições as mulheres recorrem ao aborto. Não as de classe média, mas as de classe mais pobre deste país. O fato de não ser regulamentado é uma questão de saúde pública. Não é uma questão de foro íntimo, não”.
No caso do PT, o apoio à descriminalização do aborto - defendida por setores ligados ao movimento de mulheres - foi aprovado como diretriz do partido, no 3º Congresso da sigla, em 2007. O PV defende no ítem 7.g de seu programa partidário o seguinte: "legalização da interrupção voluntária da gravidez com um esforço permanente para redução cada vez maior da sua prática através de uma campanha educativa de mulheres e homens para evitar a gravidez indesejada".
Ninguém, em sã consciência, pode ser favorável ao aborto, mas o Brasil caminha para a sua descriminalização como todo o resto do mundo.
Esse terrorismo religioso que demoniza quem defende a descriminalização do aborto me faz lembrar da, também, sórdida campanha contra o divórcio que, segundo a igreja, acabaria com a família brasileira.
É necessário abortar tanta hipocrisia. A democracia não pode conviver com o fundamentalismo religioso.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

MANIFESTO DO PT

COM DILMA NO SEGUNDO TURNO PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO

Os resultados da eleição do dia 3 de outubro são uma grande vitória do povo brasileiro. Dilma Rousseff e Michel Temer obtiveram mais de 47 milhões de votos, patamar semelhante aos de Lula nos primeiros turnos das eleições de 2002 e 2006.

Os Partidos que integram a coligação vitoriosa elegeram 11 governadores e disputam o segundo turno em 10 outros estados. Com mais de 350 deputados, sobre 513, entre aliados e coligados, o próximo Governo terá a maioria da Câmara Federal. Será também majoritário no Senado, com mais de 50 senadores. Terá, pelo menos, 734 deputados estaduais. Estão reunidas, assim, todas as condições para a vitória definitiva em 31 de outubro. Para tanto, é necessário clareza política e capacidade de mobilização.


A candidatura da oposição encontra-se mergulhada em contradições. Tentam atrair os verdes, mas não podem tirar o velho e conservador DEM de seu palanque. Denuncia “aparelhismos”, mas já está barganhando cargos em um possível ministério. Proclama-se democrata, mas persegue jornalistas e censura pesquisas. Seus partidários tentam sair dessa situação por meio de uma série de manobras que buscam confundir o debate político nacional. Espalham mentiras e acusações infundadas


Mas o que está em jogo hoje no país é o confronto entre dois projetos.


De um lado, o Brasil do passado, da paralisia econômica, do gigantesco endividamento interno, mas também da dívida externa e da submissão ao FMI. O Brasil que quase foi à falência nas crises mundiais de 95, 97 e 98.


O Brasil de uma carga tributária que saltou de 27% para 35% do PIB. O Brasil dos apagões, e do sucateamento da infraestrutura. O Brasil da privataria, que torrou nossas empresas públicas por 100 bilhões de dólares e conseguiu a proeza de dobrar nossa dívida pública. E já estão anunciando novas privatizações, dentre elas a do Pré Sal.


O Brasil do passado, do Governo FHC, que nosso adversário integrou, é o país que não soube enfrentar efetivamente a desigualdade social e não tinha vergonha de afirmar que uma parte da população brasileira era “inempregável”. Portanto, o Brasil do desemprego.


Era o Brasil do desmonte do Estado e da perseguição aos funcionários. Era o Brasil das universidades à beira do colapso e da proibição do Governo Federal de custear escolas técnicas. Mas, sobretudo, era o país da desesperança, de governantes de costas para seus vizinhos da América Latina, cabisbaixos diante das potências estrangeiras em cujos aeroportos se humilhavam tirando os sapatos.


Em oito anos o Brasil começou a mudar. Uma grande transformação se iniciou e deverá continuar e aprofundar-se no Governo Dilma.


O Brasil de Lula, hoje, e o de Dilma, amanhã, é e será o país do crescimento acelerado que gera cada vez mais emprego e renda. Mas um país que cresce porque distribui renda. Que retirou 28 milhões de homens e mulheres da pobreza. Que possibilitou a ascensão social de 36 milhões de brasileiros. Que criou mais de 14 milhões de empregos formais. Que expandiu o crédito, sobretudo para os de baixa renda. Que fez crescer sete vezes os recursos para a agricultura familiar. E que fez tudo isso sem inflação ou ameaça dela. O Brasil de Lula e de Dilma é o país que possui uma das mais baixas dívidas internas do mundo. Que deixou de ser devedor internacional, passando à condição de credor. Que não é mais servo do FMI. É o país que enfrentou com tranquilidade a mais grave crise econômica mundial. Foi o último a sofrer seus efeitos e o primeiro a sair dela.


Dilma continuará a reconstruir e fortalecer o Estado e a valorizar o funcionalismo. O Brasil de Lula e de Dilma está reconstruindo aceleradamente sua infraestrutura energética, seus portos e ferrovias. É o Brasil do PAC. O Brasil do Pré Sal. O Brasil do Bolsa Família. É o Brasil do Minha Casa, Minha Vida, que vai continuar enfrentando o problema da moradia, sobretudo para as famílias de baixa renda.


Nosso desenvolvimento continuará sendo ambientalmente equilibrado, como demonstram os êxitos que tivemos no combate ao desmatamento e na construção de alternativas energéticas limpas. Manteremos essa posição nos debates internacionais sobre a mudança do clima.


No Brasil de Lula e de Dilma foi aprovado o FUNDEB que propiciou melhoria salarial aos professores da educação básica. É o país onde os salários dos professores universitários tiveram considerável elevação. Onde se criaram 14 novas universidades federais e 124 extensões universitárias. Onde mais de 700 mil estudantes carentes foram beneficiados com as bolsas de estudo do Prouni e 214 Escolas Técnicas Federais foram criadas. Onde 40 bilhões de reais foram investidos em ciência e tecnologia. Esse Brasil continuará a desenvolver-se porque o Governo Dilma cuidará da préescola à pós-graduação e fará da educação de qualidade o centro de suas preocupações. O Brasil de Dilma continuará dando proteção à maternidade e protegendo, com políticas públicas, as mulheres da violência doméstica. Será o Brasil que dará prosseguimento às políticas de promoção da igualdade racial.


Os alicerces de um grande Brasil foram criados. Mais que isso, muitas das paredes desta nova casa já estão erguidas. A obra não vai parar. Vamos prosseguir no esforço de dar saúde de qualidade com mais UPAs, Samu, Brasil Sorridente, Médicos de Família.


Vamos continuar o grande trabalho de garantir a segurança de todos os brasileiros, com repressão ao crime organizado e controle das fronteiras, mas, sobretudo, com respeito aos direitos humanos, ações sociais e a participação da sociedade como vêm acontecendo com as UPP.


Vamos continuar a ser um país soberano, solidário com seus vizinhos. Um país que luta pela paz no mundo, pela democracia, pelo respeito aos direitos humanos. Um país que luta por uma nova ordem econômica e política mundial mais justa e equilibrada. Os brasileiros continuarão a ter orgulho de seu país.


Mas, sobretudo, queremos aprofundar nossa democracia. A grande vitória que a coligação PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO obteve nas eleições para o Congresso Nacional permitirá que Dilma Rousseff tenha uma sólida base de sustentação parlamentar.


Diferentemente do que ocorreu entre 1995 e 2002, a nova maioria no Congresso não é resultado de acordos pós-eleitorais. Ela é o resultado da vontade popular expressa nas urnas. Essa maioria não será instrumento para esmagar as oposições, como no passado. Queremos um Brasil unido em sua diversidade política, étnica, cultural e religiosa.


Por essa razão repudiamos aqueles que querem explorar cinicamente a religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais. Isso é um desrespeito às distintas confissões religiosas. Tentar introduzir o ódio entre as comunidades religiosas é um crime. Viola as melhores tradições de tolerância do povo brasileiro, que são admiradas em todo o mundo. O Brasil republicano é um Estado laico que respeita todas as convicções religiosas. Não permitiremos que nos tentem dividir.


O Brasil de Dilma, assim como o de Lula, é e será uma terra de liberdade, onde todos poderão, sem qualquer tipo de censura, expressar suas idéias e convicções. Será o Brasil que se ocupará de forma prioritária das crianças e dos jovens, abrindo-lhes as portas do futuro. Por essa razão dará ênfase à educação e à cultura. Mas será também um país que cuidará de seus idosos, de suas condições de vida, de sua saúde e de sua dignidade.


Sabemos que os milhões que estiveram conosco até agora serão muitos mais amanhã.


Para dar continuidade a essa construção iniciada em 2003 convocamos todos os homens e mulheres deste país. A hora é de mobilização. É importante que nas ruas, nas escolas, nas fábricas e no campo a voz da mudança se faça ouvir mais fortemente do que a voz do atraso, da calúnia, do preconceito, da mentira, dos privilégios.
À luta, até a vitória.


Brasília, 07 de outubro de 2010.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

INDECISÃO OU PREGUIÇA?

Ou será o quê?
Eles levam uma boa vida. Trabalham quando querem. Percebem os maiores salários públicos da República. Têm todas as mordomias. Ninguém os pressiona. Quem fala mal deles pode até ser preso.
Está certo que eles estudaram bastante. Fizeram concursos para assumir seus cargos. E agora fazem parte da elite intelectual do país. Mas, por que são tão indecisos? Ou será que são apenas preguiçosos?
Ou será o quê?
O processo de cassação do prefeito de Mangaratiba veio se arrastando no TRE desde julho de 2009. Somente doze meses depois – em julho de 2010 - finalmente foi mantida em plenário a decisão anterior do juiz de Mangaratiba, Dr. Márcio da Costa Dantas. E levaram mais três meses para negar provimento ao recurso interposto pelo embargo de declaração dos advogados do ex-prefeito. E o prefeito foi cassado, mas não definitivamente. Agora, o caso ainda vai para o TSE dar a palavra final e somente depois teremos nova eleição em Mangaratiba.
Digamos que neste caso foi apenas preguiça. Porém, a indecisão impera lá em Brasília.
A Lei da Ficha Limpa, até hoje, ninguém sabe se vale ou não. A indecisão levou a um empate de cinco a cinco no STF e não há quem faça um gol contra nem a favor.
Por conta disso, senadores e deputados considerados eleitos não sabem se serão diplomados. Candidatos bem votados que participaram da eleição sob liminar ou tiveram o registro indeferido poderão ter os votos anulados ou se foram contabilizados poderão, depois, ser anulados, alterando consideravelmente o quadro de eleitos.
Esta indefinição só acabará quando o TSE julgar definitivamente os recursos dos candidatos. Julgamento este que poderá depender da decisão do STF sobre a Lei da Ficha Limpa.
Cerca de 1.250 candidatos tiveram seus registros de candidaturas negados pelos TREs, mas foram votados por conta de recursos ao TSE. Este tribunal adiou o julgamento desses recursos, criando-se uma indefinição sobre o resultado eleitoral que escapa às leis da razão.
Mais de 760 candidatos a deputado estadual, cerca de 330 candidatos a deputado federal e 29 ao senado puderam receber votos que não foram contabilizados até a decisão final da Justiça.
Até 17 de dezembro, todos os eleitos terão que ser diplomados. Enquanto isso, muitos sofrerão a angústia da dúvida sem saber se foram ou não eleitos de fato.
É uma indecisão absurda, irracional e por demais prolongada que não ocorreu quando foi decidida a libertação do Daniel Dantas.

A POLÍTICA E A RELIGIÃO

Neste momento de injustificável histeria anti-aborto e fundamentalismo religioso que levou a eleição para o segundo turno, a Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, emitiu nota esclarecendo a todos a sua posição em relação às candidaturas à presidência. A nota é a seguinte:

O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO


“Amor e Verdade se encontrarão. Justiça e Paz se abraçarão” (Salmo 85)

“A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, “Na proximidade das eleições”, quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília. Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições.
Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.
Constrangem nossa consciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial.
Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos.
Nesse sentido, a CBJP, em parceria com outras entidades, realizou debate, transmitido por emissoras de inspiração cristã, entre as candidaturas à Presidência da Republica no intento de refletir os desafios postos ao Brasil na perspectiva de favorecer o voto consciente e livre. Igualmente, co-patrocinou um subsídio para formação da cidadania, sob o título: “Eleições 2010: chão e horizonte”.
A Comissão Brasileira Justiça e Paz, nesse tempo de inquietudes, reafirma os valores e princípios que norteiam seus passos e a herança de pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes, Margarida Alves, Madre Cristina, Tristão de Athayde, Ir. Dorothy, entre tantos outros. Estes, motivados pela fé, defenderam a liberdade, quando vigorava o arbítrio; a defesa e o anúncio da liberdade de expressão, em tempos de censura; a anistia, ampla, geral e irrestrita, quando havia exílios; a defesa da dignidade da pessoa humana, quando se trucidavam e aviltavam pessoas.
Compartilhamos a alegria da luz, em meio a sombras, com os frutos da Lei da Ficha Limpa como aprimoramento da democracia. Esta Lei de Iniciativa Popular uniu a sociedade e sintonizou toda a igreja com os reclamos de uma política a serviço do bem comum e o zelo pela justiça e paz.


Brasília, 06 de Outubro de 2010.


Comissão Brasileira Justiça e Paz,
Organismo da CNBB"

ABORTO, UMA VISÃO FEMININA

Denise Arcoverde é uma leonina como eu que escreve um dos melhores blogs femininos que tenho acompanhado, o Síndrome de Estocolmo (aqui). Ela também escreve um outro blog - Vivendo com Fibromialgia (aqui) - no qual se apresenta assim: “Meu nome é Denise Arcoverde e recebi o diagnóstico de fibromialgia em maio de 2006. Aqui, vou trazer minhas reflexões e descobertas sobre essa desordem que é dolorosa, mas também fascinante e surpreendente.”
Ela escreveu sobre o aborto com a sua visão feminina, solidária, resignada, e eu transcrevo abaixo:
O Aborto na História.
Ninguém faz um aborto por prazer. É uma decisão dolorosa, mas quase sempre irreversível, porque muito mais dolorosas seriam as consequências de uma gravidez indesejada levada a termo.

Trabalhando em comunidades marginalizadas percebi que quando a mulher não pode ter filho, ela faz o aborto de qualquer forma, usando agulhas de tricô para perfurar o colo do útero, no banheiro de casa, ou com “curiosas” que ajudam das formas mais precárias.
Também as mulheres que têm uma situação mais privilegiada se encontram em situações nas quais não podem levar adiante uma gestação. A diferença é que essas, muitas vezes, têm condições de pagar por serviços que não colocam suas vidas em risco.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 20 milhões dos 46 milhões de abortos realizados mundialmente, todos os anos, são feitos de forma ilegal e em péssimas condições, resultando na morte de, aproximadamente, 80 mil mulheres, por ano, vítimas de infecções, hemorragias, danos uterinos e efeitos tóxicos de agentes usados para induzir o aborto.
Quando grupos apresentam-se “pró-vida”, não estão considerando a enorme quantidade de mulheres que morre todos os anos. A criminalização do aborto é cruel, porque não muda a situação em que essas mulheres vivem, apenas as culpabiliza ainda mais e as faz correr risco de vida, especialmente as mulheres pobres.
É importante aprender com a história, pra entender o que se passa hoje. “Verdades” que parecem absolutas vêm sendo alteradas com o passar do tempo, mudando conforme mudam as conjunturas políticas e econômicas. Tendo sempre como principal vítima, a mulher.
A decisão de interromper a gravidez não é coisa de mulheres modernas, sobrecarregadas com as obrigações da maternidade, trabalho e estudos. Aparentemente, desde que o mundo é mundo, as mulheres se vêem em situações em que não desejam – ou não podem – levar uma gestação à frente. Já entre 2737 e 2696 a.C., o imperador chinês Shen Nung cita, em texto médico, a receita de um abortífero oral, provavelmente contendo mercúrio.
Também não é novidade que interesses políticos, econômicos e religiosos têm prevalecido, em relação ao direito da mulher decidir sobre o próprio corpo. Da mesma forma que se quer proibir, hoje, já se quis obrigar o aborto em diversos momentos da história.
Na antiga Grécia, o aborto era preconizado por Aristóteles como método eficaz para limitar os nascimentos e manter estáveis as populações das cidades gregas. Por sua vez, Platão opinava que o aborto deveria ser obrigatório, por motivos eugênicos, para as mulheres com mais de 40 anos e para preservar a pureza da raça dos guerreiros.
Sócrates aconselhava às parteiras, por sinal profissão de sua mãe, que facilitassem o aborto às mulheres que assim o desejassem.
No livro História das Mulheres – A Antiguidade, Georges Duby e Michelle Perrot afirmam que “se as mulheres desejavam limitar os partos, tinham de recorrer aos abortivos, cujas receitas são muito abundantes (…) O primeiro risco era, portanto, o da ferida de um útero ainda imaturo devido à juventude das esposas romanas; nesse caso, os médicos recomendavam mesmo o aborto, inclusive por meios cirúrgicos (sondas)”.
É importante lembrar que, mesmo nas sociedades em que o aborto não era tolerado, na antiguidade, não se via aí como o direito do feto, mas como garantia de “propriedade do pai” sobre um potencial herdeiro.
Mesmo no Cristianismo, o aborto não foi, sempre, uma questão tratada como nos dias de hoje, São Tomás de Aquino, com sua tese da animação tardia do feto, contribuiu para que a posição da Igreja com relação à questão fosse bem mais benevolente, naquela época.
Foi apenas em 1869 que a Igreja Católica declarou que a alma era parte do feto desde a sua concepção, transformando o aborto em crime.
No século XIX, a proibição do aborto passou a expandir-se com toda força, por razões econômicas, já que a sua prática nas classes populares podia representar uma diminuição na oferta de mão-de-obra, fundamental para garantir a continuidade da revolução industrial.
Essa política anti-aborto continuou forte na primeira metade do século XX, com exceção da União Soviética onde, com a Revolução de 1917, o aborto deixou de ser considerado um crime. Mas, na maioria dos países europeus, por causa das baixas sofridas na Primeira Guerra Mundial, o aborto continuava não sendo tolerado.
Na verdade, com a ascensão do nazifacismo, as leis antiabortivas tornaram-se severíssimas nos países em que ele se instalou, com o lema de se criarem “filhos para a pátria”. O aborto passou a ser punido com a pena de morte, tornando-se crime contra a nação, a exemplo do que ocorreu em certo momento no Império Romano.
Após a Segunda Guerra Mundial, as leis continuaram bastante restritivas até a década de 60, com exceção dos países socialistas, dos países escandinavos e do Japão (país que apresenta lei favorável ao aborto desde 1948, ainda na época da ocupação americana).
Na década de 60, em muitos países, as mulheres passaram a se organizar em grupos feministas que começaram a exercer uma pressão no sentido de permitir à mulher a decisão de continuar ou não uma gravidez.
A primeira conquista histórica aconteceu nos Estados Unidos, há exatos 34 anos (por isso a blogagem do Naral, hoje, em celebração à data). O julgamento do caso Roe x Wade pela Suprema Corte Americana que determinou que leis contra o aborto violam um direito constitucional à privacidade, que a interrupção da gestação no primeiro trimestre apresenta poucos riscos à saúde materna e que a palavra ‘pessoa’ no texto constitucional não se refere ao ‘não nascido’. Essas decisões liberaram a prática do aborto na América.
Hoje em dia, 26% dos países criminaliza o aborto, justamente os que têm maior número de mulheres pobres e marginalizadas.
No Brasil, existem leis que garantem o direito ao aborto em casos especiais, mas sabemos que o processo é tão longo que, muitas vezes, as mulheres desistem de esperar e acabam recorrendo ao aborto clandestino.
No gráfico abaixo, podemos ter uma idéia da situação legal do aborto no mundo, atualmente:
                        Fonte: Center for Reproductive Rights (2007)
Percebam que os países do Norte, a maioria mais industrializados, têm uma legislação muito menos restritiva e nem por isso existiu nenhum aumento no número de abortos nesses países.
O movimento feminista brasileiro tem se organizado para garantir o direito das mulheres ao aborto legal há décadas, especialmente através da Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos, que tem tido as suas ações potencializadas pelas Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.
Para isso, entre muitas outras coisas, precisamos ainda, sim, e muito, do movimento feminista, que não é anacrônico, como ouvimos algumas vezes, mas que está atuando junto às questões vitais para as mulheres.
É preciso acabar com a hipocrisia. Mulheres estão morrendo e a única forma de acabar com isso é através da descriminalização do aborto, que apenas possibilita as mulheres o acesso aos cuidados de saúde que elas merecem e necessitam.
Isso é lutar pela vida.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

CASSADO O PREFEITO DE MANGARATIBA

Por quatro votos a dois, o TRE não aceitou o embargo de declaração interposto pelo prefeito Aarão e manteve a sua cassação.
O ex-prefeito ainda tem direito a recurso ao TSE, porém, fora do cargo.
A partir de amanhã assume a prefeitura o vereador Edinho presidente da Câmara.
O TRE marcará nova eleição caso o TSE negue provimento ao recurso já encaminhado pelo ex-prefeito e seu vice.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ABORTO

Dei uma passeada pelo Youtube e vi uma infinidade de vídeos de padres, pastores e afins, combatendo vigorosamente o PT e a Dilma por suas declarações sobre a descriminalização do aborto. Não votem na Dilma nem no PT, dizem quase todos. Outros deixam a ordem subentendida. Confundem descriminalização com legalização.
São gravações feitas em cultos e missas nas mais diversas igrejas em todo o país. Essa campanha, com absoluta certeza, foi muito mais forte que a onda verde da Marina. Aqueles que seguem fielmente as orientações de padres e pastores, na última hora, dividiram-se no apoio a Serra e Marina. Mais para a Marina, naturalmente.
O aborto já tinha derrotado o Lula contra o Collor e a mulher do Serra deu a dica, em Nova Iguaçu, quando abordou um eleitor da Dilma na rua e afirmou: "mas, ela mata criancinhas". Infelizmente, não identificamos essa onda suja e perversa há mais tempo.
A verdade, porém, é que as declarações da Dilma foram sempre compatíveis com sua preocupação sobre a saúde, a liberdade e a vida da mulher. Principalmente, com as jovens carentes que abortam nas piores condições possíveis, correndo sérios riscos de vida e sem qualquer apoio do poder público. E podendo até serem presas e condenadas porque, em momento de desespero, optaram pela interrupção da gravidez. Jamais a Dilma se declarou a favor do aborto.
A nefasta campanha contra ela nesse aspecto foi outra baixaria da oposição para faturar com uma visão ultrapassada e fundamentalista sobre os direitos da mulher mais carente.
A Dilma nem o PT jamais defenderam a legalização do aborto como ocorreu nos Estados Unidos e outros países europeus, nos anos 70. Fato que coincidiu logo com a redução da mortalidade na gravidez e com a redução da violência e aumento da segurança a partir de meados dos anos 80. O economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner contam essa história no livro Freakonomics, o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta – filho, cadê o exemplar que te emprestei? –  provando que a legalização do aborto teria sido a responsável pela redução da criminalidade em Nova York.
A uma semana da eleição, os principais líderes das diversas crenças protestantes reuniram-se com Dilma Rousseff na ocasião em que ela pôde expor a sua verdadeira posição sobre o aborto.
Afirmou ser contra a legalização e que sua descriminalização seria uma questão a ser discutida pelo Congresso. Afirmou ainda que sua grande preocupação era com a saúde da mulher e com os riscos que elas corriam ao optar pela interrupção da gravidez. Defendia para tais mulheres o apoio da saúde pública com tratamento psicológico e não a ameaça de prisão. Defendia um tratamento idêntico ao que ocorre atualmente com os viciados em drogas.
Os líderes protestantes aceitaram sua palavra e declararam o voto na Dilma, afirmando que a Marina tinha sido dissimulada ao propor um plebiscito sobre a legalização do aborto.
Era tarde. A informação teve muito pouco tempo para chegar aos cultos e aos eleitores mais tementes a Deus e aos mandamentos.
Assim, Dilma deixou de vencer a eleição no primeiro turno.
Mas, agora, haverá bastante tempo para os esclarecimentos necessários. Temos que mostrar a grande diferença que existe entre descriminalização e legalização.

P.S.: quero parabenizar José Luiz do Posto pela esplêndida votação – 2.175 votos, isto é, mais de 10% dos votos válidos – obtida, em Mangaratiba, pelo nosso amigo comum Rodrigo Bethlem. Ele foi eleito deputado federal com 74.307 votos. Foi o quinto do PMDB e o décimo mais votado no Rio de Janeiro. Eu participei com o voto e com o jingle que fiz para a campanha.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

VITÓRIA DE PIRRO

“Mais uma vitória como essa e estarei definitivamente acabado, derrotado”
(Pirro, 280 a.C.)

Expressão empregada para definir uma vitória obtida a alto custo, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis, vitória de pirro foi o que aconteceu com Heloísa Helena na eleição de 2006. Uma vitória que arruinou a sua carreira política definitivamente.
Eminente senadora eleita pelo PT, candidatou-se à presidência. Obteve 6.575.393 votos e obrigou Lula – com 46.662.365 votos, menos do que a Dilma – a disputar o segundo turno com Geraldo Alckmin. Cantou vitória. E, depois disso, caiu no ostracismo. Acabou vereadora em Maceió.
Este ano - 2010 - ela disputou novamente o senado e ficou em terceiro lugar. Perdeu até para o Renan Calheiros que obteve mais do que o dobro dos votos dela. A vitoriosa de 2006 obteve menos 240 mil votos do que a soma dos brancos e nulos. Faltou a ajuda da imprensa cínica, imunda, mercenária e demagógica?
Como tinha dito Pirro, uma vitória como essa me derrotará definitivamente. Foi o que aconteceu com a Heloísa Helena.
É muito triste ver alguém cair assim. Tão triste quanto o resultado da eleição no Acre. Acho até que houve fraude. Não é possível que o Serra tenha obtido lá 52,2% dos votos contra 23,8% da Dilma e 23,5% da minhoca da terra. Isto é, Serra obteve mais votos do que a soma das duas.
Mas, deixa pra lá, o segundo turno vem aí. Não haverá retrocesso. Até mesmo o voto protestante contra o aborto - voto que tirou a Jandira Feghali do Senado em 2006 - saberá qual o melhor caminho a seguir.
Não quero mais falar de primeiro turno. Mas, antes, quero parabenizar a Andréia e o Charlinho pela grande vitória. Esta sim, vitória. Temos, agora, uma deputada estadual a nos representar.
Ainda não sei quantos votos o Capixaba conquistou aqui para o Marcelo Matos, mas espero que, como ele mesmo se comprometeu, represente também Mangaratiba na Câmara Federal.
Ao Banana (1.385 votos) e ao Cledson (1.159) que, com essa votação, estão credenciados para disputar a vereança em 2012, desejo sucesso na próxima eleição.

domingo, 3 de outubro de 2010

SEGUNDO TURNO

Cerca de duzentos milhões de reais de prejuízo para o tesouro nacional. Deverá ser este o custo para a realização do segundo turno da eleição presidencial.
Essa é a vitória moral dos inocentes úteis que preferiram votar naquela que “perdeu ganhando” - como o Brasil na Copa da Argentina - e agora verá o seu partido apoiar aquele que representa o atraso político, econômico e social do país.
Serão mais quatro semanas de baixaria, acusações infundadas e sem prova, promessas vãs que não poderão ser cumpridas. Mais debates inúteis, hipocrisias e leviandades.
Pra quê?
Somente pra confirmar a vitória da Dilma em 31 de outubro quando já poderia estar tudo resolvido hoje.
Com a Dilma nada mudará. O Serra, porém, terá que trocar o vice. Quem sabe a Marina?
Torço para que ela aceite e demonstre finalmente pra que veio. Sem dissimulação.
E o eleitor? Vai aceitar tamanho descaramento?