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segunda-feira, 19 de abril de 2010

EVASÃO ESCOLAR

Recebi de uma leitora assídua e comentarista eventual deste blog - Lilian C. Baptista - o texto que reproduzo a seguir porque estou plenamente de acordo com tudo que vai exposto:
"Gostaria de ter participado da oportunidade rara em Mangaratiba de um encontro, promovido pelo promotor de nossa comarca, e também lamentando mais uma vez a displicência com que tais encontros são organizados e divulgados para os interessados.
Assim, peço desculpas por não ter participado, apesar de ter solicitado informações de transporte, de confirmação da presença de outros conselheiros que representassem o conselho do qual faço parte.
Sem respostas e não podendo deixar com que a aluna que sou responsável faltasse a teste marcado para este dia, fiquei impedida de comparecer.
Então, encontrei outro meio de expor anseios e pontos de vista da população no assunto, enviando para este blog esta colaboração sobre o tema."
A evasão escolar é assunto que não poderá ser resolvido com pequenos e esporádicos encontros. A evasão escolar é assunto de reflexão, questionamentos e participação ampla da sociedade.
Não se resolve com soluções hierarquizadas, de cima para baixo, nem de decisões teóricas sem que haja a participação dos maiores interessados no assunto, que são alunos, família e comunidade.
Na teoria tudo é muito simples e absolutamente verdadeiro, porém, na prática, nada funcionará, pois esquecemos que a verdade absoluta ora apresentada tem suas nuances que não se aplicarão nas UEs e nem serão condizentes com a verdade da comunidade escolar.
Para que possamos realmente ver frutificar idéias e conceitos, muito temos que caminhar neste processo, trabalhando com ações concretas onde mais que qualquer teoria aqui colocada, deverá ser baseada em respeito, legalidade, legitimidade, compreensão e troca de informações.
Para tanto, vamos recomeçar e fazer questionamentos que poderão ser tão úteis neste momento.
Para os senhores gestores, quero deixar os seguintes questionamentos:
                 Queremos e promovemos a participação da comunidade em nossa gestão?
                 Ouvimos e percebemos a realidade de nossa comunidade?
                 E quando a comunidade faz suas colocações? Como a absorvemos?
                 Como são formados os conselhos municipais? São legítimos ou são somente legais?
                Pensamos como gestores ou como políticos partidários?
                Preciso de capacitação ou preciso aplicar estas capacitações?
Para os representantes de nossa comunidade, também faço meus questionamentos:
               Participo por responsabilidade, dever de cidadão ou por questões individuais?
               Estou disposto a realizar ações concretas ou só contem com minha participação     em reuniões que teorizarão os diversos problemas existentes em nossas UEs?
              Sei quais são meus direitos?
              Preciso de capacitação ou mesmo de entrosamento com meu segmento?
Estas são algumas questões que deverão ser respondidas com a tal verdade absoluta inicial para que possamos dar pequenos passos que podem ser o início do vislumbrar das soluções.
Documentos, reuniões, currículo dos envolvidos e citações de educadores nunca resultarão em soluções, se junto não arregaçarmos as mangas e promovermos a verdadeira rede horizontal que tantos resultados já obtiveram outros municípios.
Mesmo que muitos aleguem que em algumas comunidades “não se pode ser democrático”, respondo que esta alegação já demonstra o atraso social e cultural em que se baseiam para implantar políticas publicas.
A democracia e a participação da sociedade na gestão pública não dependem do julgamento de seus gestores, mas em leis e em novos conceitos que nos garante a Constituição Federal.
          Lilian C. Baptista,
         Conselheira escolar do Colégio Nossa Senhora das Graças

10 comentários:

Marcia Maralhas... Superando... disse...

É, Lilian, vc tem sempre razão!!!

E hoje, Lilian, a sua razão está no puxão de orelhas que nos dá. E eu te respondo, baseada na minha experiência como prefessora, como alguém que ajudou o governo que hoje aí está, como mãe que teve seus filhos educados nesse município e aí te garanto que os problemas não são privilégios de hoje...

Como gestor... ou alguém que esteve lá dentro, te digo que não. Não promovemos a participação da comunidade em nossa gestão enão é só na educação... isso acontece em todos os setores... Talvez o que haja é o medo incontido de que se dando voz ao povo, acabemos, por romper o malfadado círculo vicioso da pobreza!!!!! E político precisa da fome, da doença e da ignorância alheia para permanecer ou se apropriar do poder.
Com relação aos conselhos municipais, garanto que estes são em sua grande maioria estruturados para se manter a voz, não do povo mas dos governantes... conselheiro que abre a boca é considerado oposição inimiga! Quando há uma manifestação de concretização da participação popular , o gestor que se atreve a garantir este direito, é excluído, expurgado, como praga que contamina a colheita dos grandes senhores...

Como cidadã, te digo, que sempre procurei fazer a minha parte... aproveitei todas as oportunidades que me apareceram pela frente e por isso estou aqui pagando pela minha ousadia!!!!! Só que sou brasileira e não desisto e como em um quadro que se desenha para as próximas eleições, estou procurando influenciar e orientar um possível candidato a prefeito a finalmente fazer a sua parte!!!! Tenho dado muitas opiniões sobre a educação no município, assim como na saúde... E como dona de casa, mostrando a ele que o melhor governante será aquele chegar dando uma bela faxina no que está encruado por lá e aí sim, procurar gerir o município não só com secretários, mas, com verdadeiros e legítimos conselhos gestores!

Se vai dar certo, não sei... mas, to fazendo a minha parte e hoje, é apenas o que posso fazer!!!!!! Deixo de reclamar para agir!

leila castro disse...

Márcia,
Eu aprendi a conhecer você por intermédio da Lilian.
E aprendi também a conhecer melhor nossa população, por passar a olhar aquilo que fica além da "fama" que a pessoa possui.
E cheguei a conclusão que temos valores que podem contribuir para a reconstrução de nossa Mangaratiba, mas que são tolidos em suas iniciativas para que não desestabilizem aquilo que chamam de políticos e políticas públicas.

Na verdade, esta bandalheira não é condição somente de nosso município, mas não consigo entender como um pequeno município, tão próximo de um grande centro político como o Rio, tão globalizado na questão de informações e culturas que nos são passadas, pode ter uma população tão omissa em sua cidadania.
Só somos usados por permissão que damos aos eleitos e aos gestores.
Nunca nos posicionamos, não queremos participar de compromissos públicos e formamos novos alienados e incapazes cidadãos.
A batalha está difícil. A mentalidade dos gestores a cada dia está mais deturpada e a população mais perdida que cego em tiroteio.

Eu digo que pessoas como você, Lilian, Lacerda e outros tantos anônimos que dentro de suas possibilidades estão lutando por uma Mangaratiba melhor, devem ser estimulados constantemente para que não venham a desistir de jogar ao vento suas diferentes formas de cidadania.

Jogar ao vento mesmo! Assim pode ser que alguém sinta na pele o que é viver sem medo de aprender e reconstruir nossa Mangaratiba.

lila disse...

Fico grata por me ajudarem a perceber que mais pessoas concordam com a forma que penso.
Isso me mostra que devo insistir em tentar modificar a forma de participação da população nos assuntos de seus interesses.
É uma pena que aqueles que discordam, não se manifestem para que a gente possa comparar e até descobrir novos pensamentos que possam ajudar a aparar as arestas e trilhar caminhos melhores.
Obrigada Lacerda por esta oportunidade de me manifestar publicamente!

LACERDA disse...

Amigas, o professor Marcelo Néri - chefe do Centro de Pesquisas Sociais da FGV – comentando o resultado de uma pesquisa sobre as causas da evasão escolar e avaliação do ensino, afirmou que:
“podemos ganhar todas as batalhas pela melhoria da qualidade da educação, adotando as melhores práticas educacionais, mas se não conseguirmos convencer os principais protagonistas - que são as crianças, os adolescentes e seus pais - vamos perder a guerra.”
Acrescento que educação, na completa acepção da palavra, é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social. Portanto, o processo educacional tem que começar na família, no berço. Dá muito trabalho, eu sei, mas temos que facilitar ou, pelo menos, não dificultar tanto o trabalho da escola e dos professores. Precisamos enviar filhos melhores para nossas escolas e não ficar apenas exigindo escolas melhores para os nossos filhos.
O professor Marcelo Néri tem a mais absoluta razão: se não convencermos os protagonistas, ganharemos algumas batalhas, mas perderemos a guerra.

Marcos Silva disse...

É PRECISO UMA RENOVAÇÃO GERAL, TAQNTO NA FAMÍLI QUANTO NA ESCOLA. A SITUAÇÃO É QUE NÃO ESTÁ TENDO RESPEITO EM AMBAS AS PARTES...OS PAIS ESTÃO ACHANDO QUE A ESCOLA TEM QUE FAZER TODO O PAPEL DE EDUCAR E O PROFESSOR, POR SUA VEZ, NÃO RESPEITA AQUELE SER QUE ESTÁ ALI INTEIRAMENTE DEPENDENDO DELE PARA EVOLUIR. É PRECISO UMA ESCOLA DIFERENTE, O ALUNO ESTÁ VIVENDO UM MUNDO MUITO MAIS EVOLUÍDO DO QUE ENCONTRA DENTRO DA ESCOLA...AS AULAS, NA MAIORIA DAS VEZES, SÃO CANSATIVAS E ISSO TIRA A VONTADE DO ALUNO FAZER PARTE DAQUELE ESPAÇO E NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE, QUANDO ALCANÇA A IDADE NÃO OBRIGATÓRIA ELE SOME...PRECISAMOS DE PAIS E PROFESSORES MAIS CONSCIENTES DE SUA MISSÃO.

lila disse...

Desculpe amigos, mas já estamos teorizando e não temos a menor idéia do que o maior interessado pensa a respeito disto.

Percebo que quando é detectado a evasão, ou mais que isto, quando o comportamento do aluno mostra claramente que não se adaptou a disciplina escolar, quando começa a ter defasagem entre série e idade, todos agem burocraticamente.
No caso da evasão ou não adaptação, aciona-se família, conselho tutelar e ..... termina a tarefa.
A família por sua vez, dará a explicação mais estapafúrdia, o conselho tutelar tomará as providências para que se cumpra a obrigatoriedade, mas NINGUÉM fará um trabalho com o jovem.
Ninguém o colocará como entrevistado para que o mesmo informe seus reais motivos de evasão ou comportamental.

O que quero dizer, que talvez a solução venha das informações que não buscamos. E para que isto aconteça, é necessário respeito, abertura para novidades e principalmente estar consciente que é trabalhoso e que muito temos que aprender.

E sem sintonia entre todos os envolvidos, nunca conseguiremos realmente modificar o quadro que tanto prejudica toda a sociedade.

leila castro disse...

Concordo com a falta de entrosamento e a necessidade de envolvimentos dos maiores interessados.
Depois de todo este processo, aí sim, os profissionais da área poderão entrar com as teorias e as análises para possíveis soluções.
Não podmos esquecer, que no caso de evasão, a família destes jovens em sua maioria é constituída de pessoas que pouco frequentaram a escola e este comportamento passa a ser considerado normal, seja para ajudar na sobrevivência familiar, seja por não perceber a necessidade de maior escolaridade para seus filhos.
Já no caso de indisciplina e desajuste comportamental, concordo com o Lacerda que não estamos enviando filhos melhores para a escola.
Porém, para que este respeito se inicie e se modifique, será necessário uma mudança também na escola, com a necessidade de respeito e não falso paternalismo em relação a comunidade escolar.
Respeito por características locais e respeito pela categoria profissional.
As soluções podem e devem ser dada por especialistas, mas antes de tudo, o usuário deste serviço deve ser consultado e questionado.
As instituições envolvidas devem estar entrosadas e totalmente dispostas a trabalhar e não só discutir.
Conselhos constituídos para que se cumpram as leis, conselhos constituídos para vantagens pessoais, educação que esmaga seus profissionais, enfim, políticas públicas baseadas na falta de ligitimidade, não serão ferramentas úteis neste processo.

leila castro disse...

Que foi isso!!!!!!
Consertem o "ligitimidade".....sem óculos não sou um ser humano!
Legitimidade.

Ana Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Cristina disse...

ESTOU FAZENDO PARTE DA EQUIPE TECNICO PEGAGÓGICA DA ESCOLA CASTELO BRANCO EM MURIQUI E JUNTO A ESSA EQUIPE, TENTANDO FAZER UMA ESCOLA VERDADEIRAMENTE CIDADÃ.ACREDITAMOS EM MUDANÇAS APESAR DE SER MUITO DIFÍCIL POIS NOS DEPARAMOS COM PROFISSIONAIS RESISTENTES. MAS, OS NOSSOS ALUNOS ESTÃO MARAVILHADOS POR ESTAREM TENDO VOZ ATIVA E PODENDO EM ASSEMBLÉIAS EXPRESSAR O QUE ESPERAM DA ESCOLA PARA ELES...INICIAMOS NESSE PRIMEIRO BIMESTRE E OS RESULTADOS JÁ ESTÃO APARECENDO, EM ALGUMAS TURMAS OS ALUNOS ESTÃO SENTINDO NA PELE O PESO DE SUAS ESCOLHAS AO ESCOLHER UM REPRESENTANTE DE TURMA PELA BELEZA E BONDADE E NÃO POR SUA EXPRESSIVIDADE...E PARA O DESENVOLVIMENTO DESSE E OUTROS PROJETOS, ESTAMOS CONTANDO COM TOTAL APOIO DA LILIAN QUE MUITO TEM NOS AJUDADO EM REUNIÕES DE NOSSO CONSELHO COMUNITÁRIO...ACREDITAMOS QUE A UNIÃO DA COMUNIDADE, DE NOSSOS PROFISSIONAIS E PRINCIPALMENTE NOSSOS ALUNOS, CONSEGUIREMOS DIMINUIR A EVASÃO E, AOS POUCOS, DAR AOS NOSSOS ALUNOS UMA ESCOLA QUE ELES ESPERAM E MERECEM!