Deus que me perdoe, mas eu nunca digo Graças a Deus.
Primeiro, porque o segundo mandamento é um dos poucos que eu respeito.
E, também, porque não acredito nesse deus que os humanos criaram. Eu acredito somente no Deus que criou os humanos e todo o universo. Aquele que me deu a vida e o livre arbítrio. Aquele que vive dentro de mim e não tem nada a ver com o mal causado pelos humanos.
Já ouvi motorista embriagado causar acidente que matou toda uma família inocente dizer: Graças a Deus, nasci de novo! Já ouvi político safado dizer quando reeleito: Graças a Deus, mais quatro anos! Já ouvi criminoso irrecuperável ser absolvido e dizer: Graças a Deus, estou livre! O avião cai e salva-se apenas o empresário sonegador, corrupto e explorador, que diz: Graças a Deus, estou vivo!
Hitler sofreu 42 (quarenta e dois) atentados contra a sua vida. Nenhum conseguiu matá-lo. Ele sempre afirmou ter sido salvo pela providência divina.
O jogador de futebol dá Graças a Deus! por ter feito o gol da vitória. Então, Deus fez o outro time perder? Desde quando Deus é torcedor de futebol?
Isso me revolta. É tomar o Seu Santo Nome em vão. O que Deus tem a ver com as injustiças desse mundo?
Agora, mesmo, vejam este caso da menina Eloá assassinada friamente por um louco esquizofrênico com o consentimento da polícia paulista. Apenas quinze anos. Querida por todos, saudável e feliz. Cheia de vida e amor para dar. Não teve tempo para fazer mal a ninguém.
A família doou seus órgãos. Aquela que recebeu seu coração, antes mesmo da cirurgia, já dizia que foi um presente de aniversário que Deus lhe deu. Seus familiares e amigos, agora em festa, elevam as mãos para o céu e dizem: Graças a Deus!
A mãe do assassino também deve estar pensando: Graças a Deus, a polícia não matou meu filho! Ela nem faz idéia dos demônios que o esperam na cadeia.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
GABEIRA OU EDUARDO PAES? TANTO FAZ...
Se eu ainda fosse eleitor carioca, teria que fazer agora algo impensável: anular o voto.
Será dureza para os meus conterrâneos escolher entre a criatura que abomina o seu criador, cuspindo no prato em que comeu, e o torturado que exalta os seus hediondos torturadores.
A criatura largou o cargo que exercia como secretário municipal para – a mando de seu criador – assumir o mandato de deputado e, na tribuna da câmara federal, execrar o presidente, afirmando que uma quadrilha havia tomado de assalto o palácio do planalto. A criatura fazia dupla com ACM Neto, aquele anão que, da tribuna, afirmou que iria dar porrada no Lula e que os baianos repudiaram nesta eleição. Os dois, qual abutres, atacavam o presidente que julgavam morto.
O torturado, em sua sanha preconceituosa e oposicionista, teve a desfaçatez de afirmar o seguinte, em texto publicado pela Folha de São Paulo, em 18 de junho de 2005.
“Ditadura e governo Lula compartilham o mesmo desprezo pela democracia...
Os militares batiam, davam choques e me insultavam na sessão de tortura, mas vi muitos dizendo que me respeitavam porque deixei um bom emprego para combatê-los com risco de vida... Eles viam ideais no meu corpo arrasado pelo tiro e pela cadeia... O PT queria que eu abrisse mão exatamente da minha alma e me tornasse um deputado obediente... Os militares jamais pediriam isso. Desde o princípio, disseram que eu era irrecuperável e limitaram-se à tortura de rotina... Jamais imaginei que seria grato aos torturadores por não me pedirem a alma.”
Se não foi a sua mente, o seu espírito, o seu aplauso, a sua opinião, a sua alma, o que foi, então, que os torturadores queriam de você Gabeira?
A criatura, por oportunismo, mudou de lado, cuspiu no prato em que comeu durante mais de dez anos e foi pedir perdão a Lula. E hoje se promove ao lado dele na TV, nas rádios, nas ruas.
O torturado não tem a humildade de reconhecer que apenas ladrava enquanto a caravana seguia incólume às suas ofensas. Com toda a sua soberba, agora, afirma que, sendo eleito, o presidente que ele tanto desonrou terá que tratá-lo com igualdade e respeito.
Lá do alto de seu prestígio político mundial, Lula deve estar pensando: «quanto mais elevado é o meu vôo, mais pequenos me parecem aqueles que tentaram aviltar-me naquela campanha odiosa, preconceituosa, abjeta, nefasta e frustrada».
Amigos, no dia 26, aquele que conquistar a merecida derrota nas urnas me proporcionará imensa alegria e há de me compensar a tristeza e a decepção de ver a vitória do outro.
Será dureza para os meus conterrâneos escolher entre a criatura que abomina o seu criador, cuspindo no prato em que comeu, e o torturado que exalta os seus hediondos torturadores.
A criatura largou o cargo que exercia como secretário municipal para – a mando de seu criador – assumir o mandato de deputado e, na tribuna da câmara federal, execrar o presidente, afirmando que uma quadrilha havia tomado de assalto o palácio do planalto. A criatura fazia dupla com ACM Neto, aquele anão que, da tribuna, afirmou que iria dar porrada no Lula e que os baianos repudiaram nesta eleição. Os dois, qual abutres, atacavam o presidente que julgavam morto.
O torturado, em sua sanha preconceituosa e oposicionista, teve a desfaçatez de afirmar o seguinte, em texto publicado pela Folha de São Paulo, em 18 de junho de 2005.
“Ditadura e governo Lula compartilham o mesmo desprezo pela democracia...
Os militares batiam, davam choques e me insultavam na sessão de tortura, mas vi muitos dizendo que me respeitavam porque deixei um bom emprego para combatê-los com risco de vida... Eles viam ideais no meu corpo arrasado pelo tiro e pela cadeia... O PT queria que eu abrisse mão exatamente da minha alma e me tornasse um deputado obediente... Os militares jamais pediriam isso. Desde o princípio, disseram que eu era irrecuperável e limitaram-se à tortura de rotina... Jamais imaginei que seria grato aos torturadores por não me pedirem a alma.”
Se não foi a sua mente, o seu espírito, o seu aplauso, a sua opinião, a sua alma, o que foi, então, que os torturadores queriam de você Gabeira?
A criatura, por oportunismo, mudou de lado, cuspiu no prato em que comeu durante mais de dez anos e foi pedir perdão a Lula. E hoje se promove ao lado dele na TV, nas rádios, nas ruas.
O torturado não tem a humildade de reconhecer que apenas ladrava enquanto a caravana seguia incólume às suas ofensas. Com toda a sua soberba, agora, afirma que, sendo eleito, o presidente que ele tanto desonrou terá que tratá-lo com igualdade e respeito.
Lá do alto de seu prestígio político mundial, Lula deve estar pensando: «quanto mais elevado é o meu vôo, mais pequenos me parecem aqueles que tentaram aviltar-me naquela campanha odiosa, preconceituosa, abjeta, nefasta e frustrada».
Amigos, no dia 26, aquele que conquistar a merecida derrota nas urnas me proporcionará imensa alegria e há de me compensar a tristeza e a decepção de ver a vitória do outro.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
TRE EM MANGARATIBA


Parece galhofa e é a mais pura verdade. Tudo pode acontecer na eleição de Mangaratiba. Até um cidadão em pleno gozo de seus direitos políticos para poder se candidatar, fazer campanha e não poder exercer o sagrado direito de votar em si próprio. Isso é notícia para os grandes veículos da imprensa. É a história do candidato que foi votado e não pôde votar em Mangaratiba.
Vejam a reprodução acima do site do Tribunal Superior Eleitoral - podem ir lá ver em Divulgação de Candidaturas, vereadores, Mangaratiba - o cidadão Joaquim Barbosa Batista, título eleitoral nº 027.380.750.302, da 43ª seção, da 54ª ZE, candidato a vereador, sob o número 70.170, da coligação PDT/PTB/PTdoB, estava apto para ser votado, tendo o seu registro deferido pelo TRE de Mangaratiba no processo/protocolo nº 163/08/399/08. Portanto, estava em pleno gozo de seus direitos políticos, não é verdade?
Não, é mentira.
Ele fez sua campanha, gastou seus poucos recursos, absolutamente de acordo com a lei eleitoral, e no dia 5 de outubro foi votar com seus amigos e familiares.
Passou a maior vergonha, foi motivo de chacota: não pôde votar. O TRE em Mangaratiba não o relacionou entre os eleitores aptos para exercer o direito do voto.
Parece galhofa, repito, mas não é. Vejam o documento expedido pela presidente - Fabiane Rodrigues Lima - da seção 043 da 54ª Zona Eleitoral de Mangaratiba. É uma declaração de comparecimento sem voto e com o título retido para encaminhamento à citada zona eleitoral.
A verdade é que o candidato Barbosinha teve o título eleitoral cancelado, em 11 de abril de 2008, no processo 248/07 da 54ª ZE. Como, então, foi considerado apto como candidato em julho de 2008, no processo citado anteriormente?
Foi grande o número de eleitores recadastrados, moradores do município, que também não puderam votar. Sei lá porquê. Há mais mistérios na eleição de Mangaratiba do que pode sonhar a nossa vã filosofia.
Porém, este caso do Barbosinha é excepcional e injustificável. E o pior de tudo - atenção TSE - os votos que ele recebeu foram considerados válidos.
Fica uma dúvida: será que esse fato lastimável aconteceu somente com o Barbosinha? Se aconteceu com outros candidatos, o cálculo do quociente eleitoral pode não estar correto e os eleitos pelas sobras de legenda podem sofrer modificações.
Com a palavra o cartório da 54ª ZE de Mangaratiba que teve o Juiz Eleitoral substituído às vésperas da eleição.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
MINHOCAS DA TERRA?!

A xenofobia de parte da elite dominante de Mangaratiba criou a alcunha “minhocas da terra” para designar os habitantes nascidos ou que vivem há muito tempo no município. Enquanto chamam de forasteiros aqueles que vieram algum tempo depois.
Esquecem que tudo começou com índios tupiniquins baianos e padres jesuítas portugueses que para cá vieram construir um povoado. Esquecem que o crescimento da cidade se deveu principalmente àqueles que vieram de longe e a escolheram para residir há cerca de 10, 20 anos ou mais.
Por que chamar de forasteiros aqueles que escolheram investir e morar em Mangaratiba?
Esse preconceito com o lumpemproletariado não pode atingir a todos indiscriminadamente.
Estou falando isso porque ninguém é mais cidadão dessa cidade do que eu que vim morar há cinco anos, mas sempre tive casa aqui em Muriqui.
E ninguém é mais cidadão de Mangaratiba do que José Luiz do Posto, o vereador mais bem votado do município com 1.127 votos.
Parodiando o nosso presidente: nunca na história desse município um candidato a vereador havia ultrapassado os mil votos.
Parabéns, José Luiz. Foi uma grande vitória.
Como eu lhe disse, você não precisava de mim para obter essa tempestade de votos e dar um banho nos “minhocas da terra”.
Sua eleição, porém, me fez lembrar de um discurso de Maurício Azêdo - hoje presidente da Associação Brasileira de Imprensa - na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ele foi o vereador mais atuante da Câmara. Um vereador extremamente dedicado aos trabalhos legislativos e sempre preocupado em exercer um digno mandato. Seu carro era um fusquinha bem surrado. Era tão digno que a maioria se livrou dele indicando-o para conselheiro do Tribunal de Contas do Município. Tive a honra de conviver cordialmente com Maurício Azêdo quando ele passou a presidência da Comissão de Justiça e Redação para o vereador Jorge Felippe
Maurício Azêdo tinha sido eleito com o menor número de votos entre todos os vereadores cariocas. Logo no início da legislatura, ele subiu à tribuna para dizer, em resumo, exatamente o seguinte: "Quero afirmar aos meus nobres colegas que ninguém aqui, absolutamente ninguém, é mais vereador do que eu."
Lembre-se disso Zé. Sua votação vai lhe permitir sonhar um vôo mais alto. Mas, na Câmara, ninguém será menos vereador do que você.
domingo, 12 de outubro de 2008
BOCA-DE-URNA

A boca-de-urna que eu conheci constituía-se na arregimentação de famílias da comunidade residentes próximas aos locais de votação para tentar conquistar o voto de seus amigos e conhecidos ainda indecisos no dia da eleição.
Os “boqueiros”, como eram chamados, tinham que ser eleitores de uma daquelas seções existentes no local em que iam trabalhar. No dia anterior à eleição, eles recebiam uma camisa do candidato, uma sacola com “santinhos” e começavam o trabalho às oito horas da manhã do dia seguinte. Às treze horas, recebiam uma merenda – sanduiches, frutas e refresco – e trabalhavam até às dezessete horas quando terminava a votação. Durante todo esse tempo eram controlados pelos fiscais do candidato que colhia, em um caderno, a assinatura dos “boqueiros” três a cinco vezes por dia. Era a prova de que o trabalho havia sido feito.
O dia da eleição era uma festa cívica. Bandeiras tremulando, as ruas transformavam-se em uma colcha de retalhos coloridos de papel. Um dia inteiro de alegria. Ninguém se sentia prejudicado.
Terminada a eleição, encaminhavam-se todos para um local determinado a fim de receber o pagamento pelo trabalho, desde que suas assinaturas constassem dos cadernos da fiscalização. A família, com quatro ou cinco pessoas, levava para casa no mínimo duzentos reais. A festa para eles continuava na segunda-feira no supermercado.
Essa boca-de-urna que ajudava no sustento de muitas famílias foi proibida. A Lei Eleitoral (Lei 9504/97), em seu artigo 39, § 5º, inciso II, estabeleceu que é crime –punível com detenção de seis meses a um ano e multa de quinze mil UFIRs - a propaganda de boca-de-urna. E a verdadeira boca-de-urna não aconteceu.
Nesta eleição de 2008, conheci a “boca-de-urna” de Mangaratiba. Ela é feita na semana anterior até a véspera da eleição.
Não tem santinho, merenda, controle nem alegria nas ruas.
O que chamam aqui de “boca-de-urna” é o seguinte: pouco antes da eleição, alguns espertos tiram xerox dos títulos de amigos e conhecidos de sua comunidade. Fazem uma lista com 30, 50, 100 títulos xeroxados e os negociam com o candidato como voto certo a R$ 50 cada um. Cerca de 20% desses títulos pertencem a eleitores de outras cidades, geralmente, de Nova Iguaçu, Itaguaí, Seropédica, etc. O otário do candidato compra a lista e as xerox porque não sabe ou não tem mais tempo de ver no site do TRE onde votam aqueles eleitores. O vendedor recebe, então, R$ 1.500, R$ 2.500 e até R$ 5.000, garantindo ao candidato aqueles votos.
O vendedor ainda mais esperto, porém, possui cópia daquela lista e dos títulos. E vai vendê-los para outro candidato e mais outro. O candidato mais “esperto” sabe disso e, então, oferece R$ 70 por cada voto para mudar a “consciência” do vendedor que nem quer saber em quem o eleitor vai votar.
Vendedores “honestos” até que se preocupam com o voto da sua lista e pagam R$ 30 ao eleitor, ficando com o troco.
Essa é a “boca-de-urna” feita no atacado. Tem ainda a “boca-de-urna” feita no varejo, no dia da eleição. Começa bem cedinho. É quando o eleitor é arregimentado - um a um - para receber um santinho com o desenho de uma onça pintada das próprias mãos de um assecla do candidato em quem deve votar.
A festa ocorre, então, no supermercado no próprio dia da eleição. O Costa Verde nunca vendeu tanto em um domingo nublado e chuvisquento como o dia 5 de outubro.
Nessa suposta “boca-de-urna” não há controle.
Nem fiscalização do TRE. Como dar o flagrante? Como provar?
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
ELEIÇÃO EM MANGARATIBA: SOMENTE PARA DOUTORES E AUTORIDADES

Quando comecei a me interessar por política – e lá se vão mais de cinquenta anos – eu também pensava que vereador, deputado, prefeito, governador, presidente, eram cargos para gente formada com curso superior. Naquele tempo, votávamos em advogados, médicos, dentistas, professores, engenheiros e em autoridades civis e militares.
Minha mentalidade, porém, evoluiu.
As câmaras e assembléas legislativas têm que ser um espelho do povo ao qual representam. Povo que não é constituído apenas por autoridades e indivíduos com formação superior. Estes são minoria na sociedade, por que deveriam ser maioria na representação popular?
E passei a escolher verdadeiros representantes das classes sociais.
Passei a votar em candidatos que eu conhecia de fato e com os quais mantinha contato pessoal. Ou em candidatos que demonstraram dedicação na luta pelo progresso do país, do estado, da cidade ou da minha comunidade. Podiam ter curso superior ou não. Tinham, porém, que demonstrar capacidade para lutar pela melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade ou mesmo de uma classe social em particular.
Cheguei a votar no cacique Juruna que Leonel Brizola, com seu prestígio, levou à Câmara Federal somente para lembrar a todos a existência de uma nação indígena sacrificada e em processo de extinção.
Tive a honra de votar sete vezes – eu disse sete vezes – no Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Desprezei sempre os doutores PHDs que disputaram com ele aquelas sete eleições.
Contudo, o exemplo da bem sucedida administração federal desse operário que tem apenas o ensino fundamental ainda não sensibilizou o eleitor de Mangaratiba.
Aqui, foram eleitos apenas doutores e autoridades. O homem do povo, o legítimo representante popular, não terá vez nos próximos quatro anos em nossa Câmara Municipal.
Nem mesmo o vereador que demonstrou ser o mais autêntico representante do povo, aquele que permaneceu fiel ao contato diário com a população e que pôde mostrar serviço, foi reeleito. Ficou apenas como primeiro suplente.
Gente do povo como Manoel da Padaria, Reginaldo do Quiosque, Xikinho da Rádio e muitos outros não receberam os votos esperados. O quociente eleitoral não permitiu que André Banana fosse eleito. E até a Kelly, com todo o apoio do prefeito reeleito, ficou aquém das expectativas.
Faltou um Dr. à frente de seus nomes? Ou nosso povo ainda não aceita que um igual seja elevado ao nobre cargo de vereador?
No Rio, porém, um jornaleiro, feirante e palhaço de festa infantil, vai agora virar excelência.
GATONET OU MURIQUI FM
A Polícia Federal deixou a gatonet livre e fechou a Rádio Muriqui FM, a única rádio que tínhamos com sintonia perfeita e uma programação musical de alto nível.
Esqueceram que a gatonet é considerada crime e a rádio é apenas uma contravenção que levava alegria e prestação de serviços à comunidade.
Agora, vivemos sem a boa música da Muriqui FM. Até quando? É imprescindível regularizar a Rádio Muriqui FM para que ela volte ao ar o mais rápido possível.
Nesta eleição, o povo de Mangaratiba, que demonstrou eleger apenas doutores e autoridades, também preferiu a gatonet. Mas, talvez, nem tenha conhecimento da escolha que fez.
Entendem o que eu digo?
Esqueceram que a gatonet é considerada crime e a rádio é apenas uma contravenção que levava alegria e prestação de serviços à comunidade.
Agora, vivemos sem a boa música da Muriqui FM. Até quando? É imprescindível regularizar a Rádio Muriqui FM para que ela volte ao ar o mais rápido possível.
Nesta eleição, o povo de Mangaratiba, que demonstrou eleger apenas doutores e autoridades, também preferiu a gatonet. Mas, talvez, nem tenha conhecimento da escolha que fez.
Entendem o que eu digo?
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
CANDIDATOS-EMPRESA
O UOL publica, hoje, em sua página sobre as eleições, matéria que parece ter sido copiada desse nosso blog. Abaixo transcrevemos um resumo do texto que você pode comparar com a nossa postagem de 31/8 intitulada "PROPAGANDA POLÍTICA OU CAMPANHA PUBLICITÁRIA?.
26/09/2008 - 06h00
"Candidato-empresa" aproveita eleição e promove sua firma
UOL Notícias
Muitas pessoas acabam conhecidas por seu local de trabalho. E, de tão populares, adotam de vez o nome profissional quando se lançam na carreira política. João da Farmácia (PMDB), Zeca do Táxi (PTN), Betão do Lava-Rápido (PMDB), Carlão da Padaria (PSL) e Della do Ferro Velho (PTN) são alguns dos nomes de urna dos candidatos a vereador de São Paulo.
Outros vão até mais longe e colocaram a marca de suas empresas em plena urna eletrônica. É o caso de Ana Lúcia Gonçalves, cujo nome de urna é Ana da Imobiliária Trevo (PRP). Ela já foi conhecida como Ana do Ovo, afinal, vendia dúzias deles até o Plano Real, em 1994, quando as pessoas pararam de estocar o produto para driblar a inflação.
Agora, Ana quer virar política, mas já vê vantagem para a empresa com sua campanha eleitoral. "Toda a propaganda vai bem. O cliente vira eleitor, o eleitor pode virar cliente", sintetiza a comerciante, que está otimista.
Outro que se vê eleito e sua empresa ganhando fama é Gil da Ultra-Som (PSC), que leva o nome de sua loja de som automotivo na Penha. "Quando terminar a apuração e eu for um dos vereadores, todo mundo vai querer saber o que é a Ultra-Som", se entusiasma.
Outro candidato do ramo é Paulo Roberto Varotti. Seu nome de urna é Paquera (PMN), em referência ao comércio de som e acessórios. "Quando abri a loja, pensei em uma marca diferente. Paquera pegou. Espero que dê sorte na política também", afirma Varotti.
Outro com a palavra "som" no nome de urna é Antonio Delbucio. Ele, porém, parece mais empolgado com sua casa de baile no Tatuapé que com sua candidatura. Tonhão da Som de Cristal (PDT) ficou desgostoso quando seu partido desistiu de lançar Paulinho da Força para prefeito e apoiou Marta Suplicy (PT).
Wander da Lig Moto (PV) é mais um exemplo de candidato-empresa. Ele diz que foi um dos primeiros motoboys de São Paulo e montou uma das empresas pioneiras do setor.
Ele crê que será eleito. "Naturalmente vai ser uma promoção para a empresa", diz o candidato.
Também célebre em seu ramo é Zezinho da Kirei (PV), dono de um salão de beleza, escola de cabeleireiro e de loja de móveis especializados. "É um nome japonês forte, ajudou no meu ramo. Vai ajudar na política", acredita.
A lista inclui ainda Beto do Mercado Legal (PSC) e Chiquinho Automóveis (PTB). Mas nenhum dos candidatos paulistanos chega ao inusitado de José Barreto Tomaz, que se apresentou em Belo Horizonte pelo PHS. Seu nome de urna é Tomaz da Desentupidora Rola Bosta, empresa que fundou há sete anos na cidade. Ele diz ter mais de 2.000 fregueses, mas nas eleições de 2004 recebeu apenas 302 votos.
http://eleicoes.uol.com.br/2008/ultnot/2008/09/26/ult6120u49.jhtm
26/09/2008 - 06h00
"Candidato-empresa" aproveita eleição e promove sua firma
UOL Notícias
Muitas pessoas acabam conhecidas por seu local de trabalho. E, de tão populares, adotam de vez o nome profissional quando se lançam na carreira política. João da Farmácia (PMDB), Zeca do Táxi (PTN), Betão do Lava-Rápido (PMDB), Carlão da Padaria (PSL) e Della do Ferro Velho (PTN) são alguns dos nomes de urna dos candidatos a vereador de São Paulo.
Outros vão até mais longe e colocaram a marca de suas empresas em plena urna eletrônica. É o caso de Ana Lúcia Gonçalves, cujo nome de urna é Ana da Imobiliária Trevo (PRP). Ela já foi conhecida como Ana do Ovo, afinal, vendia dúzias deles até o Plano Real, em 1994, quando as pessoas pararam de estocar o produto para driblar a inflação.
Agora, Ana quer virar política, mas já vê vantagem para a empresa com sua campanha eleitoral. "Toda a propaganda vai bem. O cliente vira eleitor, o eleitor pode virar cliente", sintetiza a comerciante, que está otimista.
Outro que se vê eleito e sua empresa ganhando fama é Gil da Ultra-Som (PSC), que leva o nome de sua loja de som automotivo na Penha. "Quando terminar a apuração e eu for um dos vereadores, todo mundo vai querer saber o que é a Ultra-Som", se entusiasma.
Outro candidato do ramo é Paulo Roberto Varotti. Seu nome de urna é Paquera (PMN), em referência ao comércio de som e acessórios. "Quando abri a loja, pensei em uma marca diferente. Paquera pegou. Espero que dê sorte na política também", afirma Varotti.
Outro com a palavra "som" no nome de urna é Antonio Delbucio. Ele, porém, parece mais empolgado com sua casa de baile no Tatuapé que com sua candidatura. Tonhão da Som de Cristal (PDT) ficou desgostoso quando seu partido desistiu de lançar Paulinho da Força para prefeito e apoiou Marta Suplicy (PT).
Wander da Lig Moto (PV) é mais um exemplo de candidato-empresa. Ele diz que foi um dos primeiros motoboys de São Paulo e montou uma das empresas pioneiras do setor.
Ele crê que será eleito. "Naturalmente vai ser uma promoção para a empresa", diz o candidato.
Também célebre em seu ramo é Zezinho da Kirei (PV), dono de um salão de beleza, escola de cabeleireiro e de loja de móveis especializados. "É um nome japonês forte, ajudou no meu ramo. Vai ajudar na política", acredita.
A lista inclui ainda Beto do Mercado Legal (PSC) e Chiquinho Automóveis (PTB). Mas nenhum dos candidatos paulistanos chega ao inusitado de José Barreto Tomaz, que se apresentou em Belo Horizonte pelo PHS. Seu nome de urna é Tomaz da Desentupidora Rola Bosta, empresa que fundou há sete anos na cidade. Ele diz ter mais de 2.000 fregueses, mas nas eleições de 2004 recebeu apenas 302 votos.
http://eleicoes.uol.com.br/2008/ultnot/2008/09/26/ult6120u49.jhtm
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
EU APÓIO XIKINHO DA RÁDIO E CAPIXABA

Recebi, ontem, um panfleto - impresso em computador e assinado por Lacerda - que foi distribuído em Muriqui.
Nesse panfleto, o Lacerda, que se diz velho conhecido de todos - de todos, quanta pretensão, heim! - diz que apóia e pede o voto para um candidato que não é o meu.
Alguns amigos me questionaram, pois o único Lacerda que eles conhecem sou eu. Esse que aparece aí em cima junto com um macaco Muriqui.
Respondi-lhes que não sou velho nem conhecido de todos e que meus candidatos são: Xikinho da Rádio para vereador e Capixaba para prefeito.
Eu apelo para os meus poucos conhecidos e escassos leitores que me informem quem é esse Lacerda que se afirma velho conhecido de todos.
Gostaria de conhecê-lo.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
O CABELEIREIRO E O HELICÓPTERO
Achei muito curiosa a informação abaixo e como tem a ver com Mangaratiba, decidi reproduzi-la do seguinte site:
http://www.abril.com.br/noticia/comportamento/no_305951.shtml
“O gaúcho Rudi Werner, de 49 anos, tem uma clientela forte. Seus dois mais conhecidos clientes valem pela freguesia inteira de muitos concorrentes: o governador Sérgio Cabral e a mulher, a advogada Adriana Ancelmo.
Em uma ocasião, Cabral e Adriana mandaram um helicóptero, às 5 da manhã, ao heliponto da Lagoa para levá-lo a Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, onde passam os fins de semana com a família.
Foi a primeira e, até agora, única vez em que a primeira-dama não ficou totalmente satisfeita com seu trabalho. "Fiz o corte lá, com ela sentada numa cadeira comum", relembra. "No dia seguinte ela me ligou dizendo que um lado tinha ficado maior do que o outro."
Para sentar na cadeira de Werner, é preciso desembolsar R$ 300. O governador e a primeira-dama fazem questão de pagar pelo serviço. São uma exceção. Sabe-se que entre muitas celebridades e seus cabeleireiros existe um acordo: o corte é grátis, mas elas citam o nome dos profissionais em entrevistas.”
Ficamos sem saber se, como a primeira-dama não gostou do corte, o governador mandou buscar o cabeleireiro novamente de helicóptero no dia seguinte. Como diz a nota, o governador faz questão de pagar pelo serviço do cabeleireiro.
Agora, quem pagou as idas e vindas de helicóptero?
Advinhem...
http://www.abril.com.br/noticia/comportamento/no_305951.shtml
“O gaúcho Rudi Werner, de 49 anos, tem uma clientela forte. Seus dois mais conhecidos clientes valem pela freguesia inteira de muitos concorrentes: o governador Sérgio Cabral e a mulher, a advogada Adriana Ancelmo.
Em uma ocasião, Cabral e Adriana mandaram um helicóptero, às 5 da manhã, ao heliponto da Lagoa para levá-lo a Mangaratiba, na Costa Verde do Rio, onde passam os fins de semana com a família.
Foi a primeira e, até agora, única vez em que a primeira-dama não ficou totalmente satisfeita com seu trabalho. "Fiz o corte lá, com ela sentada numa cadeira comum", relembra. "No dia seguinte ela me ligou dizendo que um lado tinha ficado maior do que o outro."
Para sentar na cadeira de Werner, é preciso desembolsar R$ 300. O governador e a primeira-dama fazem questão de pagar pelo serviço. São uma exceção. Sabe-se que entre muitas celebridades e seus cabeleireiros existe um acordo: o corte é grátis, mas elas citam o nome dos profissionais em entrevistas.”
Ficamos sem saber se, como a primeira-dama não gostou do corte, o governador mandou buscar o cabeleireiro novamente de helicóptero no dia seguinte. Como diz a nota, o governador faz questão de pagar pelo serviço do cabeleireiro.
Agora, quem pagou as idas e vindas de helicóptero?
Advinhem...
LITERATURA PRESTA DESSERVIÇO À LEITURA
Aí embaixo, há uma postagem em que falo - e falo mal - de Machado de Assis, o ícone da literatura brasileira.
Afirmei que “o texto e o estilo de Machado de Assis estão completamente ultrapassados. E ninguém tem a coragem de dizer. Atualmente, após cem anos de sua morte, colégios e professores ainda indicam Machado de Assis como leitura obrigatória. Talvez, por isso, os estudantes, em sua maioria, não adquirem o salutar hábito da leitura.”
Vejo que não estou só nessa campanha iconoclasta.
Li, hoje, no Globo.online, que o professor de pós-graduação da UFF e ex-sub-reitor da Estácio de Sá, o jornalista Feipe Pena - ele está lançando o livro “O analfabeto que passou no vestibular” – afirma que “Não tenho pretensões literárias com este livro nem com o próximo, que está quase pronto. Não faço literatura, faço ficção. A literatura brasileira contemporânea presta um desserviço à leitura. Os autores não estão preocupados com os leitores, mas apenas com a satisfação da vaidade intelectual. Escrevem para si mesmos e para um ínfimo público letrado, baseando as narrativas em jogos de linguagem que têm como único objetivo demonstrar uma suposta genialidade literária. Acreditam que são a reencarnação de James Joyce e fazem parte de uma estirpe iluminada. Por isso, consideram um desrespeito ao próprio currículo elaborar enredos ágeis, escritos com simplicidade e fluência. E depois reclamam que não são lidos. Não são lidos porque são chatos, herméticos e bestas.”
O Aurélio afirma que Machado de Assis é contemporâneo.
Portanto, o professor está de acordo com a minha opinião.
Afirmei que “o texto e o estilo de Machado de Assis estão completamente ultrapassados. E ninguém tem a coragem de dizer. Atualmente, após cem anos de sua morte, colégios e professores ainda indicam Machado de Assis como leitura obrigatória. Talvez, por isso, os estudantes, em sua maioria, não adquirem o salutar hábito da leitura.”
Vejo que não estou só nessa campanha iconoclasta.
Li, hoje, no Globo.online, que o professor de pós-graduação da UFF e ex-sub-reitor da Estácio de Sá, o jornalista Feipe Pena - ele está lançando o livro “O analfabeto que passou no vestibular” – afirma que “Não tenho pretensões literárias com este livro nem com o próximo, que está quase pronto. Não faço literatura, faço ficção. A literatura brasileira contemporânea presta um desserviço à leitura. Os autores não estão preocupados com os leitores, mas apenas com a satisfação da vaidade intelectual. Escrevem para si mesmos e para um ínfimo público letrado, baseando as narrativas em jogos de linguagem que têm como único objetivo demonstrar uma suposta genialidade literária. Acreditam que são a reencarnação de James Joyce e fazem parte de uma estirpe iluminada. Por isso, consideram um desrespeito ao próprio currículo elaborar enredos ágeis, escritos com simplicidade e fluência. E depois reclamam que não são lidos. Não são lidos porque são chatos, herméticos e bestas.”
O Aurélio afirma que Machado de Assis é contemporâneo.
Portanto, o professor está de acordo com a minha opinião.
domingo, 14 de setembro de 2008
PLÁGIO OU APROPRIAÇÃO INDÉBITA
Há cerca de vinte anos, a cantora Georgete da Mocidade pediu-me para terminar um samba que ela própria teria começado. O samba começava assim: “A gente se ama, se xinga e se beija, a gente se ofende e, depois, volta o amor...” Era somente a cabeça, nem rima tinha.
Terminei o samba com o meu parceiro China. Todo compositor sabe que quando entra a cabeça o resto é fácil. Ela gostou muito e disse que o incluiria em seu próximo LP.
De fato, incluiu, mas sem o meu nome, sem o nome do meu parceiro. Ela e o produtor do disco foram identificados como os autores do samba.
Fiquei revoltado. Roguei-lhe uma praga e disse-lhe: você jamais gravará coisa alguma novamente. Minha praga pega, é pior que praga de mãe. Ela nunca mais gravou.
Este foi um caso de apropriação indébita.
Não foi o plágio descarado que vejo agora nesta nossa campanha eleitoral. Ou será que também são casos de apropriação indébita? De qualquer forma, me revolta o uso indevido da criatividade alheia nos jingles da campanha política.
O Charles da vídeo-locadora se apropriou de música e letra – Êh! Meu amigo Charles – de uma composição de Benito Di Paula que fez grande sucesso.
O terceiro candidato usa a melodia de “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”. Um funk gravado por Cidinho e Doca no tempo em que havia melodia neste nocivo gênero musical.
E o prefeito candidato à reeleição – que mau exemplo, heim! – diz que é da terra, mas teve que ir à Tijuca buscar o “trá-lá-lá-lá-lá-lá, trá-lá-lá-lá-lá-lá” do hino do América para colocar como introdução de seu jingle.
A Resolução 22.718 do TSE, em seu Art. 68 e Parágrafo Único, trata da violação do direito autoral, mas coíbe apenas no horário eleitoral gratuito do rádio e TV a propaganda que se utiliza da criação intelectual sem autorização do autor.
Vou rogar uma praga: em 2010, o TSE há de coibi-la também na produção de jingles.
Terminei o samba com o meu parceiro China. Todo compositor sabe que quando entra a cabeça o resto é fácil. Ela gostou muito e disse que o incluiria em seu próximo LP.
De fato, incluiu, mas sem o meu nome, sem o nome do meu parceiro. Ela e o produtor do disco foram identificados como os autores do samba.
Fiquei revoltado. Roguei-lhe uma praga e disse-lhe: você jamais gravará coisa alguma novamente. Minha praga pega, é pior que praga de mãe. Ela nunca mais gravou.
Este foi um caso de apropriação indébita.
Não foi o plágio descarado que vejo agora nesta nossa campanha eleitoral. Ou será que também são casos de apropriação indébita? De qualquer forma, me revolta o uso indevido da criatividade alheia nos jingles da campanha política.
O Charles da vídeo-locadora se apropriou de música e letra – Êh! Meu amigo Charles – de uma composição de Benito Di Paula que fez grande sucesso.
O terceiro candidato usa a melodia de “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”. Um funk gravado por Cidinho e Doca no tempo em que havia melodia neste nocivo gênero musical.
E o prefeito candidato à reeleição – que mau exemplo, heim! – diz que é da terra, mas teve que ir à Tijuca buscar o “trá-lá-lá-lá-lá-lá, trá-lá-lá-lá-lá-lá” do hino do América para colocar como introdução de seu jingle.
A Resolução 22.718 do TSE, em seu Art. 68 e Parágrafo Único, trata da violação do direito autoral, mas coíbe apenas no horário eleitoral gratuito do rádio e TV a propaganda que se utiliza da criação intelectual sem autorização do autor.
Vou rogar uma praga: em 2010, o TSE há de coibi-la também na produção de jingles.
sábado, 13 de setembro de 2008
O TERCEIRO CANDIDATO
Fui questionado por um amigo sobre a enquete eleitoral no final desta página. Reclamou que somente incluí nas respostas os nomes de Aarão e Capixaba, quando existe um terceiro candidato a prefeito em Mangaratiba.
Disse-lhe que, quando iniciei a enquete, havia um quarto candidato que desistiu logo no início da campanha, pois viu que a eleição ficaria polarizada entre dois candidatos apenas.
De fato, a eleição está polarizada. É Aarão ou é Capixaba.
O outro é candidato de si mesmo.
Ou será candidato da situação para dividir o eleitorado de Muriqui onde Capixaba é muito mais forte?
Disse-lhe que, quando iniciei a enquete, havia um quarto candidato que desistiu logo no início da campanha, pois viu que a eleição ficaria polarizada entre dois candidatos apenas.
De fato, a eleição está polarizada. É Aarão ou é Capixaba.
O outro é candidato de si mesmo.
Ou será candidato da situação para dividir o eleitorado de Muriqui onde Capixaba é muito mais forte?
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
ICONOCLASTIA
O São Bento sempre foi um ótimo colégio. Meus dois filhos saíram de lá diretamente para a universidade pública. Um para a UERJ e outro para a UFRJ, sem fazer cursinho pré-vestibular.
Aliás, passaram em todos os vestibulares da época e escolheram onde estudar.
Porém, o São Bento tinha um defeito – e ainda deve ter - obrigava as crianças a lerem Machado de Assis, um grande chato de galochas, sempre deificado como o maior ícone da literatura brasileira.
Quando meus filhos leram Dom Casmurro, tive que me empenhar para justificar certas frases do livro.
“Era um coqueiro velho, e eu cria nos coqueiros velhos, mais ainda que nos velhos livros.”
“Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los, a compará-los...”
“E em pé, quando era mais pequeno, metia a cara no vidro, e via o cocheiro...”
“Estava em pé, dava alguns passos, sorria ou tamborilava na tampa da boceta.”
Consegui convencê-los de que não existiam livros velhos, mortos ou enterrados. Existiam livros.
Se bons ou maus livros dependia exclusivamente da opinião do leitor. E os obriguei a ler também os autores modernos. Quem não lê, mal sabe, mal vê e não consegue falar nem escrever.
Foi difícil convencê-los que, embora não seja errado dizer mais pequeno – em Portugal se usa comumente - no português brasileiro, o mais correto e sonoramente agradável é usar o superlativo menor. Manuel Bandeira – seguindo o exemplo de Fernando Pessoa - também usou a expressão, mas é preciso considerar que em poesia quase tudo é permitido.
Desde muito pequenos, como qualquer criança, eles falavam mais pequeno, mais grande. E sempre foram repreendidos. Quando leram aquele chato, pensaram que pai e mãe estavam errados.
Agora, imaginem o que se passou pela cabeça deles quando leram que o Protonotário Apostólico Padre Cabral tamborilava na tampa da boceta. Teria sido ainda pior se eles tivessem lido "Bocetas atochadas de pastilhas e docinhos perfumados." (em Lisboa Galante, de Fialho de Almeida).
A verdade é que o texto e o estilo de Machado de Assis estão completamente ultrapassados. E ninguém tem a coragem de dizer.
Atualmente, após cem anos de sua morte, colégios e professores ainda indicam Machado de Assis como leitura obrigatória.
Talvez, por isso, os estudantes, em sua maioria, não adquirem o salutar hábito da leitura. Como diz o brasileiro em geral: não tenho tempo pra ler, não tenho saco.
De fato, é preciso ter saco pra ler Machado de Assis. Como ele próprio escreveu em Dom Casmurro: “Chegue a deitar fora este livro se o tédio já o não obrigou a isso antes....”
Aliás, passaram em todos os vestibulares da época e escolheram onde estudar.
Porém, o São Bento tinha um defeito – e ainda deve ter - obrigava as crianças a lerem Machado de Assis, um grande chato de galochas, sempre deificado como o maior ícone da literatura brasileira.
Quando meus filhos leram Dom Casmurro, tive que me empenhar para justificar certas frases do livro.
“Era um coqueiro velho, e eu cria nos coqueiros velhos, mais ainda que nos velhos livros.”
“Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los, a compará-los...”
“E em pé, quando era mais pequeno, metia a cara no vidro, e via o cocheiro...”
“Estava em pé, dava alguns passos, sorria ou tamborilava na tampa da boceta.”
Consegui convencê-los de que não existiam livros velhos, mortos ou enterrados. Existiam livros.
Se bons ou maus livros dependia exclusivamente da opinião do leitor. E os obriguei a ler também os autores modernos. Quem não lê, mal sabe, mal vê e não consegue falar nem escrever.
Foi difícil convencê-los que, embora não seja errado dizer mais pequeno – em Portugal se usa comumente - no português brasileiro, o mais correto e sonoramente agradável é usar o superlativo menor. Manuel Bandeira – seguindo o exemplo de Fernando Pessoa - também usou a expressão, mas é preciso considerar que em poesia quase tudo é permitido.
Desde muito pequenos, como qualquer criança, eles falavam mais pequeno, mais grande. E sempre foram repreendidos. Quando leram aquele chato, pensaram que pai e mãe estavam errados.
Agora, imaginem o que se passou pela cabeça deles quando leram que o Protonotário Apostólico Padre Cabral tamborilava na tampa da boceta. Teria sido ainda pior se eles tivessem lido "Bocetas atochadas de pastilhas e docinhos perfumados." (em Lisboa Galante, de Fialho de Almeida).
A verdade é que o texto e o estilo de Machado de Assis estão completamente ultrapassados. E ninguém tem a coragem de dizer.
Atualmente, após cem anos de sua morte, colégios e professores ainda indicam Machado de Assis como leitura obrigatória.
Talvez, por isso, os estudantes, em sua maioria, não adquirem o salutar hábito da leitura. Como diz o brasileiro em geral: não tenho tempo pra ler, não tenho saco.
De fato, é preciso ter saco pra ler Machado de Assis. Como ele próprio escreveu em Dom Casmurro: “Chegue a deitar fora este livro se o tédio já o não obrigou a isso antes....”
CONTO QUASE PORNOGRÁFICO II
Agora, em seu leito de morte, quando ainda lhe resta apenas um sopro de vida, ele decidiu confessar-se a si próprio: eu fui um canalha, sempre fui, através dos tempos. Não tenho perdão, o inferno me espera.
Lembrou que havia traçado a mãe, as irmãs, a esposa, a amante, a noiva e as namoradas de seus melhores amigos e vizinhos.
Os vizinhos foram perdidos nas mudanças, mas os amigos permaneceram amigos.
Em suas visitas, tudo lhe vem à memória. Tem o ímpeto de dizer-lhes: eu sou um canalha, um crápula, um pulha, tracei a senhora sua mãe.
Porém, faltava-lhe a coragem que somente os covardes têm nos momentos de perigo extremo.
Vou passar a eternidade no infermo, pensava. Se não me confessar como poderei entrar no paraíso?
Pediu um padre. Disseram-lhe que o sacerdote somente poderia vir para a extrema-unção.
De que adiantaria? Nesse momento, a morte cerebral não lhe permitiria qualquer atitude.
Tentou refugiar-se nos textos bíblicos. O Novo Testamento apenas lhe trouxe maior remorso.
A consciência daqueles e de outros pecados cometidos.
Desesperou-se, queria pedir perdão a todos. Mas, como? Seria pior. É bem melhor para aqueles amigos continuar a viver na ignorância. O conhecimento quase sempre é um desgosto profundo e traz decepções incontornáveis.
Foi quando recebeu a visita de um amigo tão patife quanto ele. Converteu-se, está lendo a Bíblia? perguntou o amigo. Quero me redimir dos meus pecados, mas a Bíblia me faz sentir ainda mais culpado, respondeu.
Você está lendo a Bíblia errada, leia o Antigo Testamento, aconselhou o amigo.
Quando o amigo se despediu e estava saindo, tomou coragem e gritou: transei com a sua mulher.
Aquela cínica desavergonhada? Pensa que foi só você? Comentou o amigo antes de fechar a porta atrás de si.
Seguiu o conselho daquele amigo tão canalha quanto ele. Apelou para o Antigo Testamento e sentiu-se recompensado.
Logo no Gênesis, com as estórias de Sara e Abraão, Isaac e Rebecca, de Esaú e Jacob, de Lia e Raquel, com Abimalec e outros atores coadjuvantes, ficou aliviado de todos os pecados..
Sentiu a alma lavada e leve como a pluma.
Deu um último suspiro.
E partiu feliz.
Lembrou que havia traçado a mãe, as irmãs, a esposa, a amante, a noiva e as namoradas de seus melhores amigos e vizinhos.
Os vizinhos foram perdidos nas mudanças, mas os amigos permaneceram amigos.
Em suas visitas, tudo lhe vem à memória. Tem o ímpeto de dizer-lhes: eu sou um canalha, um crápula, um pulha, tracei a senhora sua mãe.
Porém, faltava-lhe a coragem que somente os covardes têm nos momentos de perigo extremo.
Vou passar a eternidade no infermo, pensava. Se não me confessar como poderei entrar no paraíso?
Pediu um padre. Disseram-lhe que o sacerdote somente poderia vir para a extrema-unção.
De que adiantaria? Nesse momento, a morte cerebral não lhe permitiria qualquer atitude.
Tentou refugiar-se nos textos bíblicos. O Novo Testamento apenas lhe trouxe maior remorso.
A consciência daqueles e de outros pecados cometidos.
Desesperou-se, queria pedir perdão a todos. Mas, como? Seria pior. É bem melhor para aqueles amigos continuar a viver na ignorância. O conhecimento quase sempre é um desgosto profundo e traz decepções incontornáveis.
Foi quando recebeu a visita de um amigo tão patife quanto ele. Converteu-se, está lendo a Bíblia? perguntou o amigo. Quero me redimir dos meus pecados, mas a Bíblia me faz sentir ainda mais culpado, respondeu.
Você está lendo a Bíblia errada, leia o Antigo Testamento, aconselhou o amigo.
Quando o amigo se despediu e estava saindo, tomou coragem e gritou: transei com a sua mulher.
Aquela cínica desavergonhada? Pensa que foi só você? Comentou o amigo antes de fechar a porta atrás de si.
Seguiu o conselho daquele amigo tão canalha quanto ele. Apelou para o Antigo Testamento e sentiu-se recompensado.
Logo no Gênesis, com as estórias de Sara e Abraão, Isaac e Rebecca, de Esaú e Jacob, de Lia e Raquel, com Abimalec e outros atores coadjuvantes, ficou aliviado de todos os pecados..
Sentiu a alma lavada e leve como a pluma.
Deu um último suspiro.
E partiu feliz.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
CONTO QUASE PORNOGRÁFICO
Em sua juventude, Márcia foi aquilo que se dizia antigamente: uma beldade. Era a jovem mais bela, invejada e desejada do bairro. As amigas queriam andar a seu lado. Sempre sobrava um dos rapazes que lhe davam em cima.
Casou-se bem nova com um empresário riquíssimo. Era um homem bom que atendia todos os seus caprichos. Amante dedicado, Anselmo montou-lhe um apartamento de cobertura na Barra. Dava-lhe as jóias mais caras e um carro de luxo novo todo ano. Márcia não poderia ser mais feliz. Correspondia aos anseios do marido. Era ardente, elétrica, tinha uma grande energia sexual. Vestia-se de forma sensualíssima. Sempre o esperava de camisola transparente e uma minúscula calcinha. Assim viveram quase vinte anos.
Tiveram um filho - Leonardo - agora com dezessete anos. Márcia continuava linda, esbelta, sensual. Aos 38 anos ainda era uma beldade. Quem a visse de biquini ficava maravilhado. Custava a tirar aquela imagem da lembrança.
Ela amava aquele filho. Era louca por ele. Fazia-lhe todas as vontades. Dizia sempre ao marido: pelo meu filho, sou capaz de tudo, de morrer e de matar.
Mas, o filho, desde os quinze anos, começou a causar preocupação. Emagreceu. Deprimido, não se alimentava. Parecia dominado por uma paixão incontida, avassaladora e não correspondida. Entregou-se às drogas. Quase sempre, agia como um pitbull enlouquecido. Xingava, quebrava tudo em casa, agredia a todos. Abandonou a escola. Decepcionou pai e mãe. O pai já não o suportava. A mãe, porém, a beldade, tudo fazia por ele e tudo aturava daquele filho atormentado.
Por ele faço qualquer coisa, eu mato, eu morro, repetia ela.
Márcia não mais se cuidava, esqueceu-se de si própria. Vivia, agora, somente para aquele filho querido.
Os medicamentos receitados de nada adiantavam. Não havia mais esperança. O pai quis interná-lo em uma clínica para dependentes químicos. Não havia mais nada a fazer. Ela não permitiu.
Foi quando todos notaram que o rapaz estava mudando, vivia mais calmo. Voltou a estudar e a conversar com o pai que passou a orgulhar-se dele novamente. Leonardo demonstrava uma alegria contagiante. Tudo voltou à normalidade.
A beldade voltou a enfeitar-se novamente. A vestir-se bem. Cuidava dos cabelos. As amigas vibravam, ela estava de novo radiante. Parabéns, diziam os amigos ao marido, você voltou a ter uma mulher.
Um dia, na cama, ela vira para o lado e diz: hoje não, querido. Aquele ardor sexual deixara de existir.
Hoje não. Já tinha ouvido isso tantas outras vezes naquela época, mas não acompanhado daquele querido. O querido tinha um quê de remorso, de culpa. Foi aquele querido, dito daquela forma, que o fez desconfiar da fidelidade da mulher.
Passou a vigiá-la. Contratou detetive que não descobriu qualquer evidência de traição.
Após mais de um mês de investigação, o detetive deu o veredicto: sua esposa é uma mulher honrada, uma santa, só sai de casa para ir às compras, só recebe visita da mãe e das amigas.
Anselmo logo pensou em homossexualismo: será que ela se transformou em uma lésbica?
A vida conjugal seguia monótona, quase fria. Raras vezes Márcia atendia aos anseios sexuais de Anselmo. Mas, permanecia sensual, cuidando sempre de sua beleza. E continuava uma perfeita dona de casa. Leonardo ia muito bem na faculdade. Dedicado aos estudos, não queria mais saber de farra, de amigos. E nem de namoradas.
Foi aí que Anselmo teve um estalo: os dois, a mulher e o filho, haviam mudado completamente o seu modo de ser.
Certo dia, ele saiu bem cedo para o trabalho. Como sempre, deixou o filho e a mulher dormindo. Voltou de surpresa, duas horas depois. Entrou em silêncio.
Em silêncio, Anselmo foi até o seu quarto e viu: a mulher e seu filho na cama. Nus.
Leonardo deu um salto e correu. Márcia, calma, serena e sem culpa, apenas disse:
eu falei p´ra você, por meu filho, sou capaz de tudo.
Anselmo os perdoou.
E viveram felizes para sempre.
Casou-se bem nova com um empresário riquíssimo. Era um homem bom que atendia todos os seus caprichos. Amante dedicado, Anselmo montou-lhe um apartamento de cobertura na Barra. Dava-lhe as jóias mais caras e um carro de luxo novo todo ano. Márcia não poderia ser mais feliz. Correspondia aos anseios do marido. Era ardente, elétrica, tinha uma grande energia sexual. Vestia-se de forma sensualíssima. Sempre o esperava de camisola transparente e uma minúscula calcinha. Assim viveram quase vinte anos.
Tiveram um filho - Leonardo - agora com dezessete anos. Márcia continuava linda, esbelta, sensual. Aos 38 anos ainda era uma beldade. Quem a visse de biquini ficava maravilhado. Custava a tirar aquela imagem da lembrança.
Ela amava aquele filho. Era louca por ele. Fazia-lhe todas as vontades. Dizia sempre ao marido: pelo meu filho, sou capaz de tudo, de morrer e de matar.
Mas, o filho, desde os quinze anos, começou a causar preocupação. Emagreceu. Deprimido, não se alimentava. Parecia dominado por uma paixão incontida, avassaladora e não correspondida. Entregou-se às drogas. Quase sempre, agia como um pitbull enlouquecido. Xingava, quebrava tudo em casa, agredia a todos. Abandonou a escola. Decepcionou pai e mãe. O pai já não o suportava. A mãe, porém, a beldade, tudo fazia por ele e tudo aturava daquele filho atormentado.
Por ele faço qualquer coisa, eu mato, eu morro, repetia ela.
Márcia não mais se cuidava, esqueceu-se de si própria. Vivia, agora, somente para aquele filho querido.
Os medicamentos receitados de nada adiantavam. Não havia mais esperança. O pai quis interná-lo em uma clínica para dependentes químicos. Não havia mais nada a fazer. Ela não permitiu.
Foi quando todos notaram que o rapaz estava mudando, vivia mais calmo. Voltou a estudar e a conversar com o pai que passou a orgulhar-se dele novamente. Leonardo demonstrava uma alegria contagiante. Tudo voltou à normalidade.
A beldade voltou a enfeitar-se novamente. A vestir-se bem. Cuidava dos cabelos. As amigas vibravam, ela estava de novo radiante. Parabéns, diziam os amigos ao marido, você voltou a ter uma mulher.
Um dia, na cama, ela vira para o lado e diz: hoje não, querido. Aquele ardor sexual deixara de existir.
Hoje não. Já tinha ouvido isso tantas outras vezes naquela época, mas não acompanhado daquele querido. O querido tinha um quê de remorso, de culpa. Foi aquele querido, dito daquela forma, que o fez desconfiar da fidelidade da mulher.
Passou a vigiá-la. Contratou detetive que não descobriu qualquer evidência de traição.
Após mais de um mês de investigação, o detetive deu o veredicto: sua esposa é uma mulher honrada, uma santa, só sai de casa para ir às compras, só recebe visita da mãe e das amigas.
Anselmo logo pensou em homossexualismo: será que ela se transformou em uma lésbica?
A vida conjugal seguia monótona, quase fria. Raras vezes Márcia atendia aos anseios sexuais de Anselmo. Mas, permanecia sensual, cuidando sempre de sua beleza. E continuava uma perfeita dona de casa. Leonardo ia muito bem na faculdade. Dedicado aos estudos, não queria mais saber de farra, de amigos. E nem de namoradas.
Foi aí que Anselmo teve um estalo: os dois, a mulher e o filho, haviam mudado completamente o seu modo de ser.
Certo dia, ele saiu bem cedo para o trabalho. Como sempre, deixou o filho e a mulher dormindo. Voltou de surpresa, duas horas depois. Entrou em silêncio.
Em silêncio, Anselmo foi até o seu quarto e viu: a mulher e seu filho na cama. Nus.
Leonardo deu um salto e correu. Márcia, calma, serena e sem culpa, apenas disse:
eu falei p´ra você, por meu filho, sou capaz de tudo.
Anselmo os perdoou.
E viveram felizes para sempre.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
TOM JOBIM QUE ME PERDOE
É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.
É assalto, é porrada, é sequestro, arrastão,
É trombada de carro, é escarro no chão...
É o medo da morte, é o calo na mão,
É a falta de sorte, a discriminação...
Ainda há quem suporte o errado, o mal feito,
Entre o fraco e o forte, é tanto preconceito...
É mentira, é intriga, é falta de respeito,
É a ira, é a briga e essa dor no meu peito.
É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.
É o bolso e a barriga em um vazio obsceno,
O aluguel que obriga a invasão de terreno.
É a mãe que mendiga e a criança que chora,
Você passa, nem liga, não olha, vai embora.
Raspadinha, Esportiva, é a Loto, é a Sena,
O bicho que motiva o milhar e a centena...
É o pobre que aposta e o banqueiro que aplica,
É o auge da bosta, o apogeu da titica.
É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.
Simulados milagres em qualquer esquina
Que um cabeça de bagre tem como doutrina...
É o falso profeta prevendo o passado
E fazendo a coleta, fica endinheirado.
O devoto que paga foi abençoado,
"Curou" sua chaga e expulsou o “danado”...
E onde está a polícia? Qual é a solução?
Apelar p´ra milícia? Chamar o ladrão?
É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.
É a corrupção, é o Dantas que apela...
É investigação que o Supremo cancela.
Nossa imprensa se vende a uma elite arrogante
E ainda me ofende, diz que é vigilante.
Fariseus e traíras jurando que sim
Nessa imprensa que vira um Abel em Caim
E faz qualquer vampira virar manequim...
Vou correr outra gira, me perdoa Jobim.
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.
É assalto, é porrada, é sequestro, arrastão,
É trombada de carro, é escarro no chão...
É o medo da morte, é o calo na mão,
É a falta de sorte, a discriminação...
Ainda há quem suporte o errado, o mal feito,
Entre o fraco e o forte, é tanto preconceito...
É mentira, é intriga, é falta de respeito,
É a ira, é a briga e essa dor no meu peito.
É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.
É o bolso e a barriga em um vazio obsceno,
O aluguel que obriga a invasão de terreno.
É a mãe que mendiga e a criança que chora,
Você passa, nem liga, não olha, vai embora.
Raspadinha, Esportiva, é a Loto, é a Sena,
O bicho que motiva o milhar e a centena...
É o pobre que aposta e o banqueiro que aplica,
É o auge da bosta, o apogeu da titica.
É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.
Simulados milagres em qualquer esquina
Que um cabeça de bagre tem como doutrina...
É o falso profeta prevendo o passado
E fazendo a coleta, fica endinheirado.
O devoto que paga foi abençoado,
"Curou" sua chaga e expulsou o “danado”...
E onde está a polícia? Qual é a solução?
Apelar p´ra milícia? Chamar o ladrão?
É pau... é pedra...
É buraco na estrada,
Tanta gente que medra,
Quanta barra pesada.
É a corrupção, é o Dantas que apela...
É investigação que o Supremo cancela.
Nossa imprensa se vende a uma elite arrogante
E ainda me ofende, diz que é vigilante.
Fariseus e traíras jurando que sim
Nessa imprensa que vira um Abel em Caim
E faz qualquer vampira virar manequim...
Vou correr outra gira, me perdoa Jobim.
domingo, 7 de setembro de 2008
INDEPENDÊNCIA OU SORTE!

Eu nasci pobre e lutei muito para hoje poder viver com independência.
Lembro-me do tempo em que usava tamanco. A roupa era costurada pela minha mãe. Feita com retalhos da Fábrica Bangu. Bebia água da moringa, não tinha geladeira. O fogão lá de casa era a carvão, e, também, o ferro de passar roupa. Dormia na esteira feita de junco. Comia em prato de alumínio. Bebia na caneca. Tomava banho com sabão português.
Colhia cará (vai lá no Aurélio) nas cercas vivas para ensopar com bofe. Catava caruru (vai lá de novo) no mato para variar o cardápio de sempre: arroz e feijão com bucho ou carne-seca. Sim, carne-seca era comida de pobre. Feijão com bucho eu como até hoje. Se me sinto muito pretensioso, peço a minha mulher para cozinhar o bucho no feijão e só como isso a semana inteira. E lembro daquele tempo. É um prazeroso castigo.
Fruta era jamelão. Meu Deus! Como eu comi jamelão. Em frente a minha casa havia um enorme pé de jamelão. Comia trepado lá em cima. Era cada cacho imponente que eu imaginava ser de uva. Achava lindo, depois, a língua, os dentes e a saliva de um roxo admirável.
Brinquedo era pião e bola de gude. Papai Noel não passava lá em casa.
Cresci e fui trabalhar. Estudando sempre. Só andávamos de trem, eu e minha marmita. Gostava do que fazia e tentava fazer sempre o melhor. Seja lá o que fosse. Esse negócio de se fazer o que gosta é pura leviandade, coisa de quem não quer nada com o trabalho. Topava qualquer parada e nunca parei em qualquer topada. Caía, dava a volta por cima. Assim, fui vivendo, lutando pela minha independência.
Consegui à custa de muita luta, pois, como disse, não tive a sorte de nascer em berço de ouro. E, hoje, não preciso agradar a ninguém para sobreviver com dignidade.
Agradeço a meu pai que dizia sempre: "Você tem que estudar para ser melhor que eu". Tive que estudar e trabalhar para atingir esse objetivo. Exigi o mesmo dos meus filhos: "Vocês têm que ser melhores que eu." Coitados, tiveram que estudar muito mais.
Estou sendo pretensioso? Vou passar uma semana comendo feijão com bucho.
DEU EM "O GLOBO"
"Prefeitos do estado do Rio candidatos à reeleição jogam pesado para garantir a vitória: há uma proliferação de placas de publicidade enaltecendo obras realizadas, em flagrante desrespeito à legislação eleitoral e aos cofres públicos. Levantamento feito pelo 'Globo' e publicado sob reportagem de Cássio Bruno e Elenilce Bottarina edição deste sábado, mostra que, dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e do Tribunal de Contas do Estado, indicam que, desde 2005, 30 municípios do Rio gastaram mais de R$ 125 milhões com propaganda institucional.
Desde 5 de julho, a fiscalização do TRE-RJ apreendeu mais de 600 placas e 300 kombis em sete municípios fluminenses e já determinou a outros tantos a retirada de propaganda.
Contrariando as normas para a publicidade institucional, as placas - muitas vezes distantes das obras que deveriam detalhar - apresentam slogans, cores e promessas, numa espécie de autopromoção do prefeito. Para o TRE-RJ, é o mais flagrante uso da máquina pública em campanha eleitoral.
- A reeleição permite a quem é detentor da máquina fazer sua propaganda. Isto já aconteceu em outras eleições, mas está ocorrendo de forma acentuada nesta. O que estamos vendo são exageros inadmissíveis - diz o vice-presidente do TRE-RJ, desembargador Alberto Motta Moraes.
Para tentar coibir a prática, ele determinou aos juízes de fiscalização que oficiassem os prefeitos dos 92 municípios fluminenses, para que enviassem ao TRE os gastos com publicidade nos últimos três anos e a previsão de gastos para este ano:
O inciso 7º, do artigo 73 da Lei 9.504, estabelece que é crime realizar, em ano de eleição, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição.
A fiscalização flagrou propaganda até em uniformes escolares, que tinham o slogan da administração (em Mangaratiba e Rio das Ostras)."
Desde 5 de julho, a fiscalização do TRE-RJ apreendeu mais de 600 placas e 300 kombis em sete municípios fluminenses e já determinou a outros tantos a retirada de propaganda.
Contrariando as normas para a publicidade institucional, as placas - muitas vezes distantes das obras que deveriam detalhar - apresentam slogans, cores e promessas, numa espécie de autopromoção do prefeito. Para o TRE-RJ, é o mais flagrante uso da máquina pública em campanha eleitoral.
- A reeleição permite a quem é detentor da máquina fazer sua propaganda. Isto já aconteceu em outras eleições, mas está ocorrendo de forma acentuada nesta. O que estamos vendo são exageros inadmissíveis - diz o vice-presidente do TRE-RJ, desembargador Alberto Motta Moraes.
Para tentar coibir a prática, ele determinou aos juízes de fiscalização que oficiassem os prefeitos dos 92 municípios fluminenses, para que enviassem ao TRE os gastos com publicidade nos últimos três anos e a previsão de gastos para este ano:
O inciso 7º, do artigo 73 da Lei 9.504, estabelece que é crime realizar, em ano de eleição, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição.
A fiscalização flagrou propaganda até em uniformes escolares, que tinham o slogan da administração (em Mangaratiba e Rio das Ostras)."
O PODER DO VOTO

Nesse dia, o voto do cidadão mais humilde valerá tanto quanto o voto do eleitor mais poderoso. Ninguém será melhor que ninguém. Todos nós, sem distinção, seremos verdadeiramente iguais perante a urna eletrônica.
É no voto que todos têm o mesmo poder. O poder de mudar.
Esse poder não tem preço, tem consequências. É um poder que não pode ser anulado. Nem desperdiçado.
O voto não pode servir como moeda de troca. O voto é a nossa própria consciência.
A eleição é a hora da mudança que o sistema democrático - e somente ele - nos proporciona. É nessa hora que podemos confirmar com o voto aqueles que, eleitos anteriormente, trabalharam de fato pelo povo, por toda a nossa comunidade.
É, também, a hora de dar cartão vermelho àqueles que, em quatro anos, nada fizeram, esconderam-se, usaram e abusaram do mandato em proveito próprio, e, somente agora, reaparecem, cheios de amor para dar, com as mesmas promessas vãs e não cumpridas, oferecendo vantagens ilusórias que jamais serão concretizadas. Esses, agora lhe pedem o voto. Amanhã, se eleitos, vão lhe exigir distância.
Quatro anos é muito tempo e dá p´ra fazer muita coisa. Se o vereador que você ajudou a eleger satisfez as suas expectativas, reeleja-o. Dê-lhe novamente o seu voto. Se ele não correspondeu a sua confiança, substitua-o. Você tem o poder para isso.
Dê o seu voto a quem você conhece e sabe ser dedicado a sua comunidade. Alguém que jamais se escondeu e que esteve sempre presente no cotidiano do nosso Município.
Alguém que seja gente como você. Alguém a quem você sabe que pode chegar perto e com quem pode falar de igual para igual, exigindo-lhe o cumprimento de suas obrigações.
Alguém que venha prestando um serviço ininterrupto e essencial à toda comunidade. Alguém que tem como objetivo lutar pela melhoria da qualidade de vida de todo o povo.
E lembre-se, para acabar com os maus políticos, só há um único jeito: seja um bom eleitor.
A eleição é a hora da mudança que o sistema democrático - e somente ele - nos proporciona. É nessa hora que podemos confirmar com o voto aqueles que, eleitos anteriormente, trabalharam de fato pelo povo, por toda a nossa comunidade.
É, também, a hora de dar cartão vermelho àqueles que, em quatro anos, nada fizeram, esconderam-se, usaram e abusaram do mandato em proveito próprio, e, somente agora, reaparecem, cheios de amor para dar, com as mesmas promessas vãs e não cumpridas, oferecendo vantagens ilusórias que jamais serão concretizadas. Esses, agora lhe pedem o voto. Amanhã, se eleitos, vão lhe exigir distância.
Quatro anos é muito tempo e dá p´ra fazer muita coisa. Se o vereador que você ajudou a eleger satisfez as suas expectativas, reeleja-o. Dê-lhe novamente o seu voto. Se ele não correspondeu a sua confiança, substitua-o. Você tem o poder para isso.
Dê o seu voto a quem você conhece e sabe ser dedicado a sua comunidade. Alguém que jamais se escondeu e que esteve sempre presente no cotidiano do nosso Município.
Alguém que seja gente como você. Alguém a quem você sabe que pode chegar perto e com quem pode falar de igual para igual, exigindo-lhe o cumprimento de suas obrigações.
Alguém que venha prestando um serviço ininterrupto e essencial à toda comunidade. Alguém que tem como objetivo lutar pela melhoria da qualidade de vida de todo o povo.
E lembre-se, para acabar com os maus políticos, só há um único jeito: seja um bom eleitor.
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