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domingo, 26 de dezembro de 2010

O SETE, SEU MISTICISMO E A CULTURA INÚTIL

Deus criou o mundo em sete dias e a semana possui sete dias que, em diversos idiomas, estão relacionados com o sol, a lua e alguns planetas:
Domingo  - dia do Sol
Segunda   - dia da Lua
Terça       - dia de Marte
Quarta     - dia de Mercúrio
Quinta     - dia de Júpiter
Sexta       - dia de Vênus
Sábado    - dia de Saturno
São sete os metais (ouro, prata, mercúrio, cobre, ferro, estanho e chumbo) e sete as notas musicais cujas denominações são uma homenagem à letra em latim do hino de São João Batista:
Ut (dó) queant laxis  - Para que possam
Resonare fibris         - ressoar as
Mira gestorum          - maravilhas de teus feitos
Famulli tuorum         - com largos cantos
Solve polluit             - apaga os erros
Labii reatum             - dos lábios manchados
Sancti Ioannis           - Ó São João
São sete os pecados capitais (Gula, Avareza, Soberba, Luxúria, Preguiça, Ira e Inveja) e, também, as virtudes para combater respectivamente os sete pecados (Temperança, Generosidade, Humildade, Castidade, Disciplina, Paciência, Caridade). São sete os sacramentos: batismo, crisma, eucaristia, penitência (ou confissão), ordenação, matrimônio, extrema-unção.
Na Bíblia, o sete está em toda parte: Deus descansou no sétimo dia; sete foi a quantidade de pães que Jesus multiplicou para alimentar a multidão; sobraram sete cestos de pães. Cristo expulsou sete demônios do corpo de Maria Madalena e disse que não devemos perdoar apenas sete vezes, mas, sim, setenta vezes sete; foram sete pessoas que se salvaram na arca de Noé; foram sete as pragas do Apocalipse, o qual está repleto de setes. Por que será que existem tantas citações referentes ao sete na Bíblia?
O Menorah, que tem sete letras, é o candelabro judaico de sete braços que representam a luz, a justiça, a paz, a verdade, a bevolência, o amor fraterno e a harmonia. O templo de Jerusalém levou sete anos, sete meses e sete dias para ser construído.
Segundo os ensinamentos judaicos, o universo é composto de sete céus: Vilon, Raki'a, Shehaqim, Zebul, Ma'on, Machon e Araboth que é o sétimo céu. Há sete sóis no apocalipse budista.
E pra não ficar por baixo, Maomé criou os sete céus do islamismo que são oito: Firdaus (o mais alto),‘Adn, Na’iim, Na’wa, Darussalaam, Daarul Muaqaamah, Al-Muqqamul Amin, Khuldi (o mais baixo)
A umbanda, que também tem sete letras, está igualmente repleta de setes: em suas falanges, encruzilhadas, flechas, raças, porteiras, na estrela de sete pontas, etc, e em suas sete Linhas (de Oxalá, de Iemanjá, de Xangô, de Ogum, de Oxóssi, de Cosme e Damião e dos Pretos Velhos).
São sete as maravilhas do mundo antigo (a Pirâmide de Quéops, os Jardins Suspensos da Babilônia, a Estátua de Zeus em Olímpia, o Templo de Artemis em Éfeso, o Mausoléu de Halicarmasso, o Colosso de Rodes e o Farol de Alexandria) e são sete as maravilhas do mundo atual. Mas, essas vivem mudando, não adianta relacioná-las. O que não muda são as sete artes: A música, a pintura, a escultura, a arquitetura, a literatura, a dança e o cinema.
São sete os anões da Branca de Neve (Dunga, Zangado, Atchim, Soneca, Mestre, Dengoso e Feliz); são sete as vidas do gato; é o sete que a gente pintava quando criança; e as menininhas cantavam “sete e sete são quatorze, três vezes sete vinte e um, tenho sete namorados só posso casar com um”.
São sete as cores do arco-íris (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil, violeta) e foram sete os sábios da Grécia Antiga (Sólon, Pítaco, Quílon, Tales de Mileto, Cleóbulo, Bias e Periandro).
São sete os mares na ficção árabe da idade média (o Adriático, o Arábico, o Cáspio, o Mediterrâneo, o Negro, o Vermelho e o Golfo Pérsico). Sete dias é a duração de cada fase da lua. É a sete chaves que devemos guardar um segredo. Com sete letras apenas podemos escrever todos os algarismos romanos. Sete é o número de elementos de qualquer conjunto de pagode. E até o meu e-mail do gmail tem sete letras e três setes. Sete vezes eu votei no Lula.
E dizem que o casamento feliz tem que superar a crise dos sete anos que é o tempo para a renovação interna por que passamos ao longo da vida.
Tanto misticismo em torno do sete é algo inexplicável e muito complicado, é um bicho-de-sete-cabeças. Como a Hidra.

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