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sábado, 15 de agosto de 2009

OS SERTÕES

“O nordestino é antes de tudo um forte.”
Essa frase repetida exaustivamente através dos tempos é tudo o que restou do livro de Euclides da Cunha, o mais preconceituoso escritor brasileiro. Livro que chamou de "mercenários inconscientes" os corajosos defensores de Canudos que, após inúmeras batalhas, foram massacrados, inclusive crianças, pelas forças militares. Um livro que é preciso ter muito saco para ler.
Parece um sincero elogio, mas veja o que vem depois da frase imortal:

“(o nordestino) Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral (N.R.: estaria ele falando de mim?). A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas (N.R.: estaria falando dele próprio?).
É desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de
displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente...
É o homem permanentemente fatigado.
Reflete a preguiça invencível, a atonia muscular perene...”

Não creio que os nordestinos fiquem satisfeitos com o restante da descrição feita. A mim, que sou carioca, tais palavras revoltam.
Euclides da Cunha, que se supunha ser um nobre aristocrata, foi um oficial do Exército cuja esposa o trocou por um jovem aspirante. Vingativo, tentou matar o amante da esposa e foi morto há exatamente cem anos, em 15 de agosto de 1909. Não sem antes incutir a vingança na mente de seu filho ainda criança que, depois, também foi morto ao tentar matar o amante da mãe.
O aspirante era antes de tudo um cara de sorte. Foi absolvido pelas duas mortes.

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