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sexta-feira, 23 de julho de 2010

QUEM É EDUARDO JORGE?

Quem é esse desconhecido que todo santo dia surge nas páginas da imprensa alimentando um pseudo-dossiê sobre a violação de suas declarações de renda que estão na internet desde tempos medievais (clique aqui) ? Que importância teria ele hoje para a atual campanha eleitoral? Qual seria a vantagem a ser obtida com a cópia de suas declarações de renda?
Vou reproduzir uma extensa reportagem da Veja de 17 de julho de 2000 - que tenta limpar o nome de FHC - para esclarecer quem é esse indivíduo que todos ignoram. Não é flor que se cheire não.
A revista Isto É também falou dele. Leia aqui.
– O senhor acha que ele pode estar usando seu nome para facilitar negócios, presidente?
– Não tenho provas, mas não tenho dúvidas.
Diálogo de Fernando Henrique e um ministro sobre Eduardo Jorge

Brasília mergulhou na semana passada numa crise política criada por um motivo errado mas com um personagem certo, o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira.
O motivo errado: a tempestade em torno das suspeitas de que, em 1996, o Planalto teria facilitado a liberação de verbas para a obra superfaturada do prédio do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.
A construção recebeu 231 milhões de reais, dos quais 169 milhões foram desviados. A denúncia sugeria que o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso teria usado o cargo para dar dinheiro público a uma quadrilha especializada em desviar dinheiro público. Como se veria, os indícios de que isso teria ocorrido não se sustentam.
A participação provada de Fernando Henrique no processo se resumiu a enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei com um pedido de suplementação de 25 milhões de reais em favor da obra. Antes de qualquer outra consideração, é preciso lembrar que na época do pedido, meados de 1996, a obra era tida como regular.
Seu responsável, o juiz Nicolau dos Santos Neto, que mais tarde se revelaria o notório La-Lau, tinha reputação de magistrado correto. O Ministério Público só abriria inquérito para apurar irregularidades naquela construção no ano seguinte. E apenas em 1998, dois anos depois, portanto, o prédio do TRT seria incluído pelo Tribunal de Contas da União na lista de obras públicas suspeitas de irregularidades para as quais a liberação de verbas estaria condicionada à solução dos problemas.
Desta vez, o próprio Palácio do Planalto deu sua contribuição para que a confusão ganhasse corpo. Divulgou-se uma explicação apressada e bizarra. "Não cabe ao presidente da República ler o que assina, a responsabilidade é do ministro que leva ao gabinete a pasta de despachos", informou um assessor.
Feita para defender FHC, a frase foi lida quase como uma confissão de culpa. Afinal, a equipe de comunicação do governo apresentava o presidente como um nefelibata pronto a assinar documentos cujo teor desconhece. A resposta produziu ainda outro efeito negativo para Fernando Henrique. Ao dizerem que ele desconhecia o teor do papel que levou sua assinatura, os assessores atiçaram a suspeita de que haveria irregularidades no documento. Ou seja, caso o presidente conhecesse seu conteúdo, teria tomado a atitude correta de atirar o documento ao lixo. Na verdade, o documento era inócuo. Tratava-se de um projeto de lei que, para ter vida, precisaria ser aprovado pelo Congresso.
O caso do prédio do TRT ganhou fôlego na quinta-feira, com a publicação pela revista IstoÉ do conteúdo de uma fita com uma entrevista atribuída ao juiz Nicolau dos Santos Neto. Nela, uma voz descreve como conseguia liberar verbas oficiais: com a ajuda de altos funcionários do governo, em especial de Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência, e do hoje ministro Martus Tavares, do Planejamento. Os trechos divulgados não fazem uma única referência a corrupção ou irregularidades, mas azedaram ainda mais o clima.
A crise parecia destinada a assumir proporções de catástrofe quando começou a se dissipar por força das próprias inconsistências. Logo se soube que o projeto com o pedido de suplementação de verba enviado ao Congresso por FHC fora assinado por sessenta deputados paulistas – entre eles doze do PT, justamente o partido que pedia a condenação do presidente por não saber onde coloca sua assinatura. "Os deputados do PT que aprovaram esse projeto vão ter de se explicar", declarou o presidente de honra do partido, Luís Inácio Lula da Silva. Pura bazófia. Assinaram porque a obra naquela época nada tinha que despertasse a atenção dos vigilantes deputados petistas ou do presidente da República e seus auxiliares. Isso coloca os petistas na mesma posição do presidente que querem incriminar: ou eles também não lêem o que assinam, ou são cúmplices de Lau-Lau. Ambas as hipóteses são absurdas.
Com a divulgação da fita, Brasília entrou no modo de ebulição tão peculiar em momentos de crise. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu a cabeça de Martus Tavares. "Esse moço foi de uma irresponsabilidade total", afirmou. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, inocentou o presidente de qualquer culpa, mas não poupou Tavares. "A responsabilidade é do ministro."
Na noite de quinta-feira, o presidente convocou uma reunião no Palácio do Planalto para avaliar o estrago. Outra reunião seria feita na sexta-feira, dessa vez no Palácio da Alvorada, a residência oficial do presidente. A tensão pode ser medida pelo teor de uma nota oficial divulgada na semana passada. Nunca, em todas as crises anteriores – e não foram poucas –, o presidente precisou soltar um comunicado reafirmando seu compromisso com a "correção com o trato da coisa pública", segundo suas palavras. A nota seguia garantindo aos brasileiros que o Planalto não vai "acobertar" nenhum deslize penal praticado eventualmente pelo ex-secretário-geral do Planalto (Eduardo Jorge).
Fruto de reportagens exageradas, requentadas e de uma fita em que um criminoso procurado pela polícia acusa funcionários públicos, a crise da semana passada – na ausência de um fato novo – tem poucas chances de evoluir para uma tempestade de granizo sobre o Planalto. É uma crise de motivação equivocada, portanto.
Já o personagem que a perpassa, Eduardo Jorge Caldas Pereira, um economista que trabalhou mais de quinze anos com FHC, quatro deles no Palácio do Planalto no posto de secretário-geral da Presidência, traz em si todos os ingredientes para fomentar uma crise de verdade. Ao deixar o governo, há dois anos, o ex-assessor participou da campanha da reeleição presidencial e atualmente ganha a vida – e que vida! – como consultor.
Para começo de conversa, Eduardo Jorge é amigo pessoal dos dois pilares podres que ruíram com a descoberta dos desvios de dinheiro da obra do TRT, o juiz La-Lau e o senador cassado Luiz Estevão. A amizade do ex-assessor com o ex-senador é antiga, muito próxima e inclui os familiares de lado a lado. Os casais se freqüentam. Quanto ao seu relacionamento com o juiz, o ex-assessor do presidente terá ainda muito que explicar.
Para tornar mais confusa a participação de Eduardo Jorge nesse caso, o jornal O Estado de S. Paulo publicou na sexta-feira reportagem mostrando que o escritório de advocacia Caldas Pereira, que tem entre seus sócios dois irmãos e uma sobrinha do ex-assessor, trabalhou para a Incal. É isso mesmo, a Incal é aquela construtora responsável pelo prédio do TRT, cujos diretores chegaram a ser presos e só foram restituídos à liberdade mediante habeas-corpus.
De acordo com um ministro que esteve com o presidente na semana passada, depois do estouro da crise, a preocupação de FHC com uma possível investigação em torno de sua participação no caso TRT é nula. "Não tenho nada a ver com essa história e serei o maior defensor das investigações", comentou. Seu receio chama-se Eduardo Jorge. O presidente diz a pessoas próximas que já ouviu muita maledicência a respeito do antigo auxiliar, mas nunca lhe levaram uma prova ou indício concreto contra ele. "Eu me sentiria traído caso isso ocorresse", disse FHC. Na conversa com o ministro, o presidente foi confrontado com a pergunta:
– O senhor acha que Eduardo Jorge pode estar usando seu nome para facilitar negócios, presidente?
Fernando Henrique respondeu:
– Não tenho provas, mas não tenho dúvidas.
O senador Pedro Simon faz ameaça contra o governo: "Ou sai esse moço, o Martus Tavares, ou sai a CPI para investigar o envolvimento de Eduardo Jorge no caso do TRT"
O ministro ficou tão impressionado com o que ouviu que decidiu reproduzir o diálogo a pelo menos dois parlamentares de sua confiança. Conhecido nos tempos do Planalto como "O Sombra", por sua aversão aos holofotes, Eduardo Jorge saiu do governo há dois anos. A versão que prevaleceu sobre a saída foi que o antigo assessor estava cansado.
Responsável pelo serviço de informações do governo, hoje entregue ao Gabinete Militar, Eduardo Jorge checava a biografia de todos os candidatos aos cargos de alto escalão. Eduardo Jorge também atuava como ponte entre o governo e a direção dos fundos de pensão das estatais, instituições que movimentam bilhões de dólares e decidem qualquer parada nas privatizações. Outra de suas funções era articular o apoio da base governista para acelerar a tramitação de projetos e emendas de interesse do Planalto. No final de 1998, Eduardo Jorge confessou a amigos que deixava o governo também por razões financeiras. "Preciso ganhar dinheiro", disse ele na época.
Desse ponto de vista, a saída de Eduardo Jorge do governo tem sido um sucesso. Trabalhando como consultor, tira quase 1 milhão de reais por ano, salário de presidente de multinacional. Os clientes lhe pagam entre 15.000 e 18.000 reais por mês para tê-lo como "conselheiro", segundo as próprias palavras. "Não faço lobby", disse Eduardo Jorge a VEJA. Não se pode dizer que ele seja um lobista como outro qualquer. O lobista, por definição, é um sujeito que, trabalhando para uma empresa, tenta aproximar-se dos governantes para viabilizar negócios. Eduardo Jorge é bem mais que isso. Pelos altos cargos que ocupou, é recebido com muito mais facilidade.
Uma parte significativa de seus proventos vem de sua atuação na área de seguros. Sua entrada formal, como dono, no ramo dos seguros foi no ano passado, quando se tornou sócio de 10% de um grupo chamado Meta que atua como corretora de seguros de vida e de planos de saúde. O grupo fatura 130 milhões de reais por ano e tem tradição de vender serviço a empresas estatais. Outra empresa de seguros da qual o secretário participa como conselheiro é a Delphos. Detalhe: nas duas últimas eleições presidenciais, o grupo Meta doou 250.000 reais a Fernando Henrique, e a Delphos, outros 200.000.
Desde que entrou para a Meta, a empresa já fechou dois bons contratos em áreas onde o livre trânsito de Eduardo Jorge no governo foi fator decisivo. Em fevereiro deste ano, o grupo Meta atuou como corretora de um contrato de seguro-saúde para 20.500 funcionários e ex-funcionários do Ministério dos Transportes e seus dependentes no valor de 6,5 milhões de reais. A seguradora, escolhida por meio de carta-convite, é a BrasilSaúde, do Banco do Brasil, que na data do contrato era presidida por José Maria Monteiro. Sua nomeação para o cargo passou pelas mãos de Eduardo Jorge. O contrato foi feito sem licitação. O argumento do ministério é de que o edital não ficou pronto a tempo. Na semana passada, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, contou à imprensa que foi procurado por Eduardo Jorge para tratar de negócios.
As andanças de Eduardo Jorge pelos negócios de seguro despertam suspeitas potencialmente explosivas. Uma delas diz respeito justamente a sua atuação num negócio entre o Ministério dos Transportes e a seguradora do Banco do Brasil. Nessa transação, a empresa da qual ele é sócio recebeu uma comissão. Por melhores que tenham sido as condições de corretagem oferecidas pela empresa de Eduardo Jorge, fica no ar a desconfiança de favorecimento. O pecado está no fato de Eduardo Jorge ter intermediado uma operação entre um ex-colega de governo, o ministro Padilha, e o presidente da seguradora estatal que assumiu o cargo com a sua ajuda. Monteiro deixou o BB três meses depois.
Outro bom contrato foi fechado com a Telemar, o consórcio de telefonia. O grupo Meta atuou como corretor de seguros de todos os funcionários da empresa, 25 000 no total. Coincidência ou não, quando ainda estava no governo, Eduardo Jorge participou ativamente da formação do consórcio que venceu a licitação para a compra da Tele Norte Leste. Ele conduziu as seguradoras ligadas ao Banco do Brasil a se associar ao grupo integrado pelo empresário Carlos Jereissatti, a Andrade Gutierrez e a Inepar. Seu parceiro nessa operação foi o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio, demitido no escândalo do grampo do BNDES. "O pessoal do Jereissatti negociou a corretagem com o Meta. Sei que entre eles existe esse tipo de relação", afirma Pedro de Freitas, presidente da seguradora da Caixa Econômica Federal (Sasse).
Eduardo Jorge estabeleceu conexões proveitosas no mundo empresarial. Sua opção preferencial pela área de seguros foi providencial. Um de seus grandes amigos no governo é justamente Pedro de Freitas, o presidente da Sasse. Ambos se falam semanalmente, almoçam juntos pelo menos duas vezes por mês, mas juram que conversam apenas "sobre questões pessoais". No mercado de seguros há 35 anos, Freitas sustenta que Eduardo Jorge jamais lhe pediu conselhos, orientação ou qualquer outra informação estratégica. Outra amizade "desinteressada" feita por Eduardo Jorge durante o governo foi com o presidente da Aliança do Brasil, uma coligada do Banco do Brasil na área de seguros, Manoel Pinto. Com ele, Eduardo Jorge tem uma história complicada. Em dezembro de 1996, antes de assumir a seguradora (por indicação de Eduardo Jorge), Pinto teve o seu nome envolvido num escândalo político. Então assessor da presidência do Banco do Brasil, foi apontado como o autor de uma lista contendo o nome dos deputados do PPB que tinham dívidas com o Banco do Brasil. Essa lista serviria para pressionar os parlamentares a votar a favor da emenda da reeleição. Na ocasião, o ex-ministro da Coordenação de Assuntos Políticos Luiz Carlos Santos, hoje presidente de Furnas, acusou Eduardo Jorge de ter sido o mentor intelectual do documento. O ex-assessor de FHC jura inocência até hoje. Mas a dúvida nunca se dissipou totalmente.
Num escritório de consultoria que mantém em Brasília, o EJP, o ex-assessor recebe parlamentares e funcionários da alta burocracia federal. Um senador que esteve lá e pede para não ser identificado conta que foi tratar de assuntos partidários, da mesma forma que fazia quando Eduardo Jorge trabalhava no Planalto. O ex-secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Milton Seligman também foi visitar Eduardo Jorge no escritório. "Fui despedir-me dele e ver se seria possível me ajudar a fazer contatos para meus negócios futuros", conta Seligman. Além do EJP, o Sombra tem participação acionária na LC Faria Consultoria, uma empresa com um ano de vida, tocada pelo seu ex-chefe de gabinete, Claudio de Araújo Faria. Durante todo o tempo em que ocupou o terceiro andar do Planalto, Eduardo Jorge teve Faria como seu assessor. Quando Eduardo Jorge saiu do governo, seu auxiliar também pediu as contas. A rigor, a LC Faria é uma empresa que presta o mesmo serviço que a EJP. Por que ele teria interesse em ser sócio de uma empresa que é sua concorrente em potencial? Ninguém sabe ao certo. Mas isso já desperta suspeitas. Uma das explicações pode estar guardada com os promotores de Justiça. O Ministério Público está investigando as empresas de Eduardo Jorge.
Com o presidente, a relação permaneceu próxima mesmo depois da demissão formal. E foi mantida mesmo depois que se revelaram na Justiça suas ligações com o juiz La-Lau em junho do ano passado. Eduardo Jorge costumava freqüentar o gabinete de FHC e chegou a assistir a algumas audiências. Numa dessas ocasiões, há cerca de oito meses, o ex-assessor participou de um encontro entre FHC e o diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Trataram da imagem presidencial. "Quando eu cheguei ele já estava lá. Quando saí, ele permaneceu", conta Montenegro. Mais de uma vez foi visto também no Palácio da Alvorada, inclusive em finais de semana. No fim do ano passado, Fernando Henrique o presenteou com uma fotografia oficial autografada. No réveillon, ele fazia parte da lista de convidados do presidente, que assistiu ao show de fogos de artifício de dentro do Forte de Copacabana.
Na semana passada, FHC conversou por telefone com um amigo empresário, de São Paulo. Com a liberdade de quem conhece o presidente desde a década de 70, o empresário perguntou por que FHC não rompe de vez com Eduardo Jorge. "Nada me contaram de concreto até agora sobre ele. Mas se algo desastroso vier a ser revelado a mim sobre ele, não hesitarei em tomar providências", disse FHC.
Amigos próximos de Eduardo Jorge ainda no governo acham que ele está se expondo demais, exibindo sinais exteriores de riqueza que ele nunca ostentara. Ao comprar um apartamento de 1 milhão de reais no Rio de Janeiro, no exclusivo condomínio Praia Guinle, Eduardo Jorge ingressou num círculo social habitado por empresários e artistas milionários. Da relação de moradores, não faz parte nenhum funcionário público. Para comprar o imóvel, Eduardo Jorge obteve um empréstimo de 300.000 reais do BancoCidade, que possui apenas 8.000 pessoas físicas em sua carteira de clientes. A fama do banco é trabalhar com o alto empresariado, não com funcionários públicos aposentados, como Eduardo Jorge. Pelo menos o Eduardo Jorge que o presidente conheceu – um rábula dedicado, brilhante conhecedor de leis e que foi seu leal auxiliar por mais de quinze anos. Os sinais são de que aquele servidor não existe mais. Foi substituído por um grande facilitador de oportunidades que envolvem esferas de governo. A questão que interessa ao país é saber se FHC já foi apresentado a esse ás dos negócios.

Reportagem de Cristine Prestes e Rodrigo Vergara, de São Paulo, e Flamínio Fantini, de Brasília

terça-feira, 20 de julho de 2010

A PASSEATA FRACASSADA

Sob chuva torrencial, durante todo o tempo e até o fim do comício, tenho que considerar um sucesso o primeiro evento público da Dilma Roussef no Rio de Janeiro.
É o que demonstra o vídeo abaixo. Não é como dizem que havia mais gente no palanque do que público.

Gostaria de ver os outros reunirem tanta gente em noite estrelada no final de setembro.

"INDIOTA"

Assim falou o Indiota: "Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso" (ver o vídeo abaixo).


O vice do Serra – cacique da merenda escolar - também perguntou “quem nos garante que no dia seguinte à eleição ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador? Dá um chute no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás dela”.
Será que a pergunta é uma insinuação ao chute que Cesar Maia deu em seu criador Leonel Brizola quando decidiu partir para uma carreira solo?
Ele é tão idiota que não vê que foi inventado pelo seu patrão para favorecer a reeleição do filho – Rodrigo Maia – que não terá concorrência entre o seu eleitorado da zona sul carioca.
José Serra aproveitou para manter o baixo nível e partir para o tudo ou nada comentando: "a ligação do PT é com as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas. Todo mundo sabe, tem muitas reportagens, tem muita coisa. A Farc é uma força ligada ao narcotráfico, isso não significa que o PT faça o narcotráfico."
Ele faz questão de esquecer que FHC, em seu governo, designou o atual líder do PSDB no Senado - Arthur Virgílio -  para falar com “narcoguerrilheiros envolvidos em corrupção, seqüestro e morte de brasileiros”, na tentativa de encontrar uma solução pacífica para o conflito que sangra a Colômbia há décadas. Como disse Virgílio na época, “isso poderá ajudar a Colômbia a por fim aos conflitos”.
Ele se encontrou com o padre Olivério Medina - líderança das FARC que depois foi morto -na condição de secretário-geral do PSDB.
Virgílio também recebeu em seu gabinete o representante das FARC no Brasil - Hernán Ramirez - e foi apontado por este como o principal interlocutor da guerrilha no Brasil, em 1999.
Quem sabe que não foi daí que nasceu o interresse de FHC na liberação dos tóxicos em nosso país.

MENTIRAS DA DILMA

Primeiro, o senador Agripino Maia/DEM acusou Dilma Roussef de se orgulhar por mentir em interrogatório a que foi submetida durante a ditadura. Depois, perguntou se ela não estaria mentindo também para os deputados que a questionavam em uma comissão da Câmara sobre as obras do PC.
Assim respondeu a futura presidente, deixando o senador com cara de babaca.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

CANDIDATOS

O site do TSE relaciona 2.652 candidatos a deputado no Rio de Janeiro: 882 a federal e 1.770 a estadual. Entre eles, chamam a atenção os candidatos folclóricos, aqueles que levam a eleição na brincadeira e se apresentam com as mais estapafúrdias denominações.
Eu fico imaginando que tipo de criatura, em sã consciência, tem o desplante de votar para federal, por exemplo, em Agenor Calça Arriada/PV, em Pé no Chão/PRP, em Nicanor ao Seu Dispor/PSB, em Só Jesus/PSL, em Zé Pilintra/PtdoB, em Geraldo Com Br/PRB, em Uilson Pé no Chão/PSOL ou no Dr. Tamburim/PR.
E quem seriam os dementes que votam nestes outros candidatos a deputado estadual: Loura Braço Forte/DEM, Barriga do Açougue/PP, Eu Faz/PHS, Bicho de Pé Já É/PRB, Papai Noel/PHS, Messias, o Garoto Bombom/PTC, Nilson, o Abençoado/PRB, Carlinhos um Homem de Deus/PP, Mouralidade/PRB, O Gente Nossa/PtdoB, No Pique da Vida/PRB, Maluco Beleza/PP.
Chega! Não vou cansar com tantos outros nomes excêntricos relacionados pelo TSE somente em nosso estado. Todos eles merecedores de avaliação psiquiátrica, assim como seus eleitores.
Aliás, a Lei da Ficha Limpa bem poderia abordar também a ficha médica desses candidatos.
São todos malucos beleza e se sentem importantes no período eleitoral. Fantasiam-se de soluções mágicas para a saúde, segurança e educação. Entretanto, o que pretendem é medir sua popularidade para vendê-la a políticos endinheirados em uma próxima eleição.
Alguns mantêm os santinhos na carteira até muito tempo após a eleição e se consideram autoridades como “suplentes de deputado”.
Conheço um que assim se identifica quando se apresenta em alguma repartição pública, exigindo prioridade no atendimento.
Quando encontro alguém que radicaliza, afirmando que nenhum político presta, que é tudo safado, sempre digo que muito pior que o político é o eleitor que vota irracionalmente ou anula o voto irresponsavelmente. Mas, acho que ainda há algo pior que esse eleitor: são esses candidatos medíocres e extravagantes.

sábado, 17 de julho de 2010

CUIDADO! MUITA ATENÇÃO.

É preciso que cada um esteja de sobreaviso com a substância denominada monóxido de dihidrogênio. Essa terrível substância mineral causa efeitos devastadores sobre o meio ambiente e estaria prestes a produzir uma catástrofe mundial, extinguindo a vida em todo o planeta.
Essa informação tem procedência confirmada pelo Dr. Vincent Orson Lemon, cientista do Medical Survey Center, de Los Angeles/California, que alerta: “tanto no estado sólido, quanto no líquido, como no gasoso, o monóxido de dihidrogênio é capaz de causar sérias queimaduras na pele, impedir a livre respiração e levar ao óbito por asfixia”.
Essa substância tem sido empregada como solvente industrial, em pesticidas e em usinas nucleares. É o componente de maior presença na chuva ácida e a sua inalação pode provocar danos irreversíveis aos pulmões. Sua ingestão pode causar diarreia. Provoca erosão na superfície terrestre e até oxidação de metais ferrosos.
O índice de contaminação por essa terrível substância é tal que, em certas pessoas e em alguns animais, a presença do monóxido de dihigrogênio pode chegar a até 85% do seu peso. Como se isso não bastasse, ainda há médicos que recomendam a sua ingestão diária, inclusive por crianças. O que faz aumentar a atividade renal.
Apesar de todos esses perigos, o monóxido de dihidrogênio vem sendo usado de forma intensa e indiscriminada em todo o mundo, ocasionando sérios riscos à sobrevivência e ao futuro da humanidade.
O pior de tudo é o emprego da substância na fabricação de cervejas e refrigerantes largamente consumidos sem que o governo tome qualquer providência contra os fabricantes. A ANVISA e o Ministério da Saúde têm consciência disso mas não fazem qualquer alerta aos consumidores.
Portanto, divulgue essa informação. É importante.
Isto já foi confirmado aqui em Mangaratiba. Diversos pacientes já foram internados no Hospital Vitor Breves com o mesmo sintoma: asfixia por monóxido de dihidrogênio.
Essa mensagem é absolutamente verdadeira. Não é como aquela sobre o fim do 13º salário.
DIVULGUEM.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

FIM DO 13º SALÁRIO

Li em um blog essa mentira e nem liguei. Deixei pra lá. Mas, agora recebo de alguns amigos o e-mail que objetiva causar preocupação no trabalhador - e, principalmente, nos aposentados - e resolvi escrever sobre o assunto.
O que me espanta não é o absurdo da mensagem, mas sim o fato de gente culta e bem formada, em acesso incoercível de mediocridade, se expor ao ridículo de repassá-la logo para mim.
Diz a mensagem, entre outras baboseiras, que “O fim do 13º salário já foi aprovado na Câmara para alteração do art. 618 da CLT. Já foi aprovado na Câmara e encaminhado para o Senado. Provavelmente será votado após as eleições, é claro.... A maioria dos deputados federais que estão neste momento tentando aprovar no Senado o Fim do 13º salário, inclusive da Licença de Férias (pagas em 10 vezes) são do PFL e PSDB.”
Vamos aos fatos verdadeiros. Em outubro de 2001, FHC enviou ao Congresso o Projeto de Lei 5.483/2001 que abordava a "flexibilização das relações de trabalho" que o então Presidente pretendia implantar no país.
A ementa deste PL dizia o seguinte: “Altera o artigo 618 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT (Estabelece a prevalência de convenção ou acordo coletivo de trabalho sobre a legislação infraconstitucional).”
A nova redação proposta pelo PL para o artigo 618 foi: “As condições de trabalho ajustadas mediante convenção ou acordo coletivo prevalecem sobre o disposto em lei, desde que não contrariem a Constituição Federal e as normas de segurança e saúde do trabalho.”
Em 04 de dezembro de 2001, a Câmara dos Deputados aprovou o PL e a nova redação do art. 618 da CLT: "As condições de trabalho ajustadas mediante convenção ou acordo coletivo prevalecem sobre o disposto em lei, desde que não contrariem a Constituição Federal; as Leis nº 6.321 , de 14 de abril de 1976, e nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985; a legislação tributária, a previdenciária e a relativa ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, bem como as normas de segurança e saúde do trabalho."
O PL foi aprovado na Câmara e no Senado, alterando a redação do art. 618 da CLT que jamais versou sobre o 13º salário.
Para a informação de quem não sabe, o 13º salário é um direito do trabalhador estabelecido em norma constitucional (art. 7º Inciso VIII) que não pode ser alterada através de um simples projeto de lei ou lei ordinária. Para se alterar a Constituição é necessária a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional por três quintos do Congresso Nacional.
Para maior tranquilidade do trabalhador e do aposentado, há pareceres no meio jurídico sobre dispositivos constitucionais que seriam cláusulas pétreas – isto é, normas rígidas e permanentes, insuscetíveis de serem objeto de qualquer deliberação e/ou proposta de modificação - especialmente os direitos sociais nos quais está incluído o 13º salário.
Finalizando, peço um favor aos amigos, respeitem a minha mediana cultura e  razoável inteligência.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

MENTIRAS

Todo mundo sabe que José Serra mente com sinceridade e acredita no que diz. Sua mediocridade é bem intencionada, mas ele poderia fazer uma concessão à inteligência e ver que suas mentiras não se confirmam nos anais da história recente do país. Vejamos alguns exemplos:

Mentira - Serra enfrentou a repressão da ditadura
Na sexta-feira 13 de março de 1964, no comício da Central do Brasil, em que João Goulart defendeu as reformas de base, José Serra, então presidente da UNE e com 21 anos, foi o mais jovem a discursar. Logo depois, consumado o golpe militar, José Serra se refugiou na casa do deputado Tenório Cavalcanti, em Caxias. Após o incêndio da sede da UNE, no Flamengo, pelos militares, José Serra escondeu-se por mais alguns dias na casa de amigos. Depois, refugiou-se na embaixada da Bolívia, e lá ficou durante três meses. Conseguiu fugir para a Bolívia e depois foi para a França, onde ficou até o início de 1965. Retornou clandestinamente ao Brasil em março de 1965. Permaneceu no país alguns meses, mas perseguido, como tantos outros, fugiu novamente. Abandonando os companheiros de luta.
Mentira - Serra criou o programa de combate a Aids
O Programa Nacional de Combate à AIDS foi criado no governo de José Sarney. A distribuição gratuita de AZT, foi uma providência do então Ministro da Saúde, Adib Jatene, no governo Collor. Os governos que sucederam deram força ao programa, mas foi o Dr. Adib Jatene, outra vez Ministro da Saúde, desta vez já no governo FHC, que possibilitou que o Brasil produzisse o AZT.
Mentira - Serra criou os medicamentos genéricos
Em 5 abril de 1993, o decreto 793 de autoria do Ministro da Saúde Jamil Haddad no governo Itamar Franco criou os medicamentos genéricos no Brasil. Jamil Haddad denunciou isto à imprensa, mas por motivos óbvios, não foi ouvido. Segundo Haddad, Serra provocou retrocesso na Lei dos Genéricos e a suavizou para a indústria farmacêutica.
Mentira - Serra pediu que não votem nele
Em 31 de agosto de 2004, no debate da TV Record na campanha para a prefeitura de São Paulo, José Serra se compromete a cumprir os 4 anos de mandato e pedir que não votem mais nele caso renuncie antes da hora. Renunciou para se candidatar ao governo do Estado, portanto, se temos vergonha na cara, o mínimo que podemos fazer é não votar nele.
Mentira - Serra quebrou patente de medicamentos
Ele não quebrou parente de remédio nenhum. O Serra de fato ameaçou quebrar a patente do anti-retroviral Efavirenz, mas foi um decreto assinado pelo presidente Lula, em 4 de maio de 2007, que quebrou de fato a patente do medicamento, representando uma economia de US$ 30 milhões/ano ao país.
Mentira - Serra entende de saúde
Em 2 de maio de 2009, José Serra explica a Gripe A-H1N1: "Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho algum". Ver o vídeo neste blog - na postagem "H1N1" - em maio passado.
Mentira – Serra criou o seguro-desemprego
O seguro-desemprego foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. Sua regulamentação ocorreu em 30 de abril daquele ano, através do decreto nº 92.608, passando a ser concedido imediatamente aos trabalhadores.
Mentira – Serra criou o Fundo de Amparo ao Trabalhador
O FAT foi criado pelo Projeto de Lei nº 991, de 1988, de autoria do deputado Jorge Uequed (PMDB-RS). Um ano depois Serra apresentou um projeto sobre o FAT (nº 2.250/1989), que foi considerado prejudicado pelo plenário da Câmara dos Deputados, na sessão de 13 de dezembro de 1989, uma vez que o projeto de Jorge Uequed já havia sido aprovado.
Não dá pra votar em um mentiroso. Só mesmo fazendo como Orestes Quércia e Leonel Brizola no vídeo abaixo em que eles demonstram como tratar jornalistas venais a soldo das Organizações Globo/Serra.

terça-feira, 13 de julho de 2010

EI-LA AQUI, ESTA MULHER

Que mal-me-quer, que bem-me-quer, que sempre se irrita comigo...
Só quero ser seu amigo, não importa se ela é feia, se é bela,
Se é branca, negra, quem sabe?, amarela...
Nem sei se é mesmo mulher, não sei se existe sequer.
Mas, ei-la aqui, essa dama, mulher nobre, tem fama, requinte e opinião.
Tem também bom coração, demonstra ter sentimentos, cultura, bons argumentos.
Não sei se é mesmo mulher, nem sei se existe sequer.
Mas, eu a amo e admiro quando vem neste retiro discordar do que escrevo.
Eu reajo, sei que não devo, mas, é que sou de leão,
Um bicho bravo, brigão, e, quando quer, muito ordinário.
Quem será essa mulher? Só sei que ela é de aquário.

domingo, 11 de julho de 2010

"MENTE... AINDA É UMA SAÍDA,

É uma hipótese de vida. Mente, vai dizendo que me ama...”
Esses versos são de um samba gravado por Clara Nunes e composto por Paulo Vanzolini – médico paulista – autor de sucessos como Ronda, Volta por Cima, Praça Clóvis e outros.
Lembrei dele, hoje, quando li este manifesto das cinco centrais sindicais que reproduzo na íntegra:
Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores
O candidato José Serra (PSDB) tem se apresentado como um benemérito dos trabalhadores, divulgando inclusive que é o responsável pela criação do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e por tirar do papel o Seguro-Desemprego. Não fez nem uma coisa, nem outra. Aliás, tanto no Congresso Nacional quanto no governo, sua marca registrada foi atuar contra os trabalhadores. A mentira tem perna curta e os fatos desmascaram o tucano.
A verdade
Seguro-Desemprego - Foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. Sua regulamentação ocorreu em 30 de abril daquele ano, através do decreto nº 92.608, passando a ser concedido imediatamente aos trabalhadores.
FAT - Foi criado pelo Projeto de Lei nº 991, de 1988, de autoria do deputado Jorge Uequed (PMDB-RS). Um ano depois Serra apresentou um projeto sobre o FAT (nº 2.250/1989), que foi considerado prejudicado pelo plenário da Câmara dos Deputados, na sessão de 13 de dezembro de 1989, uma vez que o projeto de Jorge Uequed já havia sido aprovado.
Assembleia Nacional Constituinte (1987/1988) - José Serra votou contra os trabalhadores:
a) Serra não votou pela redução da jornada de trabalho para 40 horas;
b) não votou pela garantia de aumento real do salário mínimo;
c) não votou pelo abono de férias de 1/3 do salário;
d) não votou para garantir 30 dias de aviso prévio;
e) não votou pelo aviso prévio proporcional;
f) não votou pela estabilidade do dirigente sindical;
g) não votou pelo direito de greve;
h) não votou pela licença paternidade;
i) não votou pela nacionalização das reservas minerais.
Por isso, o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), órgão de assessoria dos trabalhadores, deu nota 3,75 para o desempenho de Serra na Constituinte.
Revisão Constitucional (1994) - Serra apresentou a proposta nº 16.643 para permitir a proliferação de vários sindicatos por empresa, cabendo ao patrão decidir com qual sindicato pretendia negociar. Ainda por essa proposta, os sindicatos deixariam de ser das categorias, mas apenas dos seus representados. O objetivo era óbvio: dividir e enfraquecer os trabalhadores e propiciar o lucro fácil das empresas. Os trabalhadores enfrentaram e derrotaram os ataques de Serra contra a sua organização, garantindo a manutenção de seus direitos previstos no artigo 8º da Constituição.
É por essas e outras que Serra, enquanto governador de São Paulo, reprimiu a borrachadas e gás lacrimogênio os professores que estavam reivindicando melhores salários; jogou a tropa de choque contra a manifestação de policiais civis que reivindicavam aumento de salário, o menor salário do Brasil na categoria; arrochou o salário de todos os servidores públicos do Estado de São Paulo.
As Centrais Sindicais Brasileiras estão unidas em torno de programa de desenvolvimento nacional aprovado na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em 1º de junho, com mais de 25 mil lideranças sindicais, contra o retrocesso e para garantir a continuidade do projeto que possibilitou o aumento real de 54% do salário mínimo nos últimos sete anos, a geração de 12 milhões de novos empregos com carteira assinada, que acabou com as privatizações, que descobriu o pré-sal e tirou mais de 30 milhões de brasileiros da rua da amargura.
Antonio Neto – presidente da CGTB; Wagner Gomes – presidente da CTB; Artur Henrique – presidente da CUT; Miguel Torres – presidente da Força Sindical; José Calixto Ramos – presidente da Nova Central

A GRANDE FINAL


Mais uma copa na minha vida. E, como sempre, vi todos os jogos. Todos. Emocionantes.
Os “abalizados” reclamaram dos poucos gols na fase inicial. Reclamaram dos erros dos árbitros. Reclamaram da bola. Das vuvuzelas, também reclamei.
Convenhamos, os gols perdidos são ainda mais emocionantes. Como aqueles chutes do Pelé contra o Uruguai e a Tchecoslováquia, em 1970, que não entraram. Aquela defesa do goleiro da Ingraterra, também em 70, na cabeçada do mesmo Pelé. Os pênaltis perdidos por Zico (86) e Baggio (94). Nada mais emocionante. Até hoje, são repetidos na TV. Já vi 0x0 mais sensacional que goleadas.
Se os árbitros não errassem, não estaríamos ainda falando do gol de Maradona com a mão contra a Inglaterra (86). Ou aquele gol alemão, também contra a Inglaterra (66), que juiz nem bandeirinha viram a bola entrar.
A Jabulani enganou muitos goleiros e fez a Adidas faturar milhões. A vuvuzela espero ser esquecida até 2014.
Foi uma grande Copa do Mundo, a melhor que eu já vi. E para ela foi reservada uma grande final com as duas melhores seleções. A Holanda, que eliminou o Brasil, contra a Espanha que – como escrevi antes - mostrou o melhor futebol desta copa quando perdeu para a Suiça. E, também, depois, quando jogou ainda mais bonito e venceu todas. Aliás, somente o Brasil, naquele primeiro tempo contra a Holanda, conseguiu se igualar à Espanha.
São duas seleções que implantaram um novo esquema de futebol para quando o objetivo é vencer ou vencer: o 9-1 quando defende e o 1-9 quando ataca. Emoção pura. Nada de 4-4-2, 4-3-3, etc, que somente existe até o momento de a bola rolar.
Eu vou torcer pela Holanda que vai à final pela terceira vez e que me encantou em 74 e 78, mas sei que a Espanha é melhor. Tem sete jogadores do Barcelona e o maior número de craques: Iniesta, Xavi, Villa, Pedro, Puyol, Piquet, Sérgio Ramos. Tudo isso contra apenas dois da Holanda: Robben e Sneijder.
Pareca até covardia. Contudo, futebol se ganha é no campo. Qualquer dos dois poderá ser campeão pela primeira vez e fará um grande bem ao futebol. O que não seria o caso do futebol mecânico, sem dribles e sem magia, da Alemanha que foi tão elogiado pelos “abalizados” comentaristas esportivos.
Só espero estar vivo em 2014 para ver mais uma Copa do Mundo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

DECLARAÇÃO DE BENS

José Serra e Dilma Rousseff declararam ao Tribunal Superior Eleitoral possuirem patrimônio de R$ 1,42 milhão e R$ 1,07 milhão, respectivamente.
A senadora Marina Silva declarou um patrimônio de apenas R$ 149,2 mil. Eu, pobre mortal, tenho um patrimônio bem superior ao dela. E nunca fui vereador, deputado estadual nem senador.
O que ela fez com todo o dinheiro que ganhou em quase oito anos de mandato? Deu para os pobres? Perdeu no jogo? Trocou por dólares e enviou para um paraíso fiscal? Investiu no meio ambiente? Foi assaltada? Jogou fora? Caiu em algum conto do vigário? Gastou em cosméticos da Natura? Se gastou tudo, ela não entende nada de economia e é um mau exemplo para seus filhos.
Em 2007, os senadores passaram a receber mensalmente R$ 16.512,09 - antes eram R$ 12.000,00 - fora outras verbas e benefícios que recebem para exercer o mandato.
Veja quanto custa um senador ou senadora:
- são 15 salários mensais de R$ 16.512,09
- verba indenizatória mensal de R$ 15.000,00
- verba de transporte aéreo mensal R$ 27.855,20
- cota mensal de telefone fixo: R$ 1.000,00
- auxílio-moradia mensal de R$ 3.800,00
- cota de combustível: 260,00 semanais
- despesas odontológicas e psicoterápicas R$ 2.166,58
O Senado paga 13 salários aos senadores e mais uma "ajuda de custo", em fevereiro e dezembro de cada ano, no valor de R$16.512,09.
Além disso, o senador ainda tem direito a:
- verba de R$ 82.000,00 mensais para contratação de pessoal de gabinete, inclusive segurança particular, consultorias, aluguel de escritórios políticos, assinatura de publicações e serviços de TV e internet.
- carro oficial com motorista
- telefone celular com conta ilimitada
- ressarcimento ilimitado de despesas médicas
- ajuda para despesas de Correios e material impresso
Faça os cálculos: um senador recebe anualmente – excluindo a verba de gabinete, a conta do celular e as despesas de Correios - cerca de R$ 859.062,71(quase oitocentos e sessenta mil reais) ou aproximadamente R$ 71.588,50 (mais de setenta mil reais) mensais.
Portanto, a Marina recebeu como senadora, até junho/2010, cerca de R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais).
E ela declara um patrimônio de apenas R$ 149.264,88. Uma casa em Rio Branco/Acre, no valor de R$ 60.000,00; lotes que somam o valor de 42.481,50 e um saldo bancário de R$ 46.782,88. E não tem carro particular.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

PIRAÍ x MANGARATIBA

Piraí é uma vizinha nossa com cerca de 26.114 habitantes (IBGE/estimado em 1/07/2009), fundada, em 1838, pouco depois de Mangaratiba que tem 32.533 habitantes (IBGE/ídem). O café, os escravos e a família Souza Breves, fazem parte de suas histórias.
De sua atualidade, fazem parte os prêmios recebidos por seus governantes e as diferenças nas verbas federais recebidas e nos resultados administrativos obtidos na saúde e na educação.
Piraí nunca recebeu um desses “pseudo-prêmios” que “enaltecem” as nossas autoridades e são por elas enaltecidos, mas tem a saúde considerada como modelo de gestão na área pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Nas escolas de lá existe um computador para cada aluno matriculado.
Provando que tamanho não é documento, Piraí é considerada uma das sete cidades mais inteligentes do mundo, em um ranking que é organizado pela Intelligent Community.org, da organização americana World Teleport Association (WTA) que, desde 2001, distinguiu apenas 22 cidades com o título em todo o mundo.
Piraí ganhou as páginas da revista americana Newsweek, em 7/06/2004, como modelo de cidade digital e foi também uma das estrelas do livro e-gov.br: “A Próxima Revolução Brasileira”, editado ano passado pela Pearson do Brasil.
O Projeto Piraí Digital granjeou prestígio internacional nos últimos anos. Ganhou o Prêmio Gestão Pública e Cidadania da Fundação Ford e Fundação Getúlio Vargas. Foi vencedora na categoria de "cidade de pequeno porte" no Prêmio Cidades Digitais Latino-americanas e prêmio Top Seven Intelligent Communities, ficando entre as sete cidades mais inteligentes do mundo no ano de 2005.
Com o Projeto Piraí Digital e Desenvolvimento Local, a Prefeitura de Piraí recebeu chancela da UNESCO pela iniciativa de democratizar o acesso aos meios de informação e comunicação através das novas tecnologias.
Piraí recebeu, em Bogotá, a condecoração do Presidente da Colômbia – Álvaro Uribe – na cerimônia de abertura do V Encontro Ibero-Americano de Cidades Digitais.
Todos esses prêmios e títulos foram concedidos por entidades respeitáveis e fidedígnas.
O sucesso nacional e internacional da pequenina Piraí é tão grandioso que seu ex-prefeito Luiz Fernando de Souza, o “Pezão” (1997-2004) é hoje o vice-governador do Estado do Rio de Janeiro.
Piraí recebeu do Governo Federal, até maio de 2010, um total acumulado de R$ 13.549.349,63 (treze milhões e quinhentos mil reais), enquanto Mangaratiba recebeu 45% a mais, ou sejam, R$ 19.666.952,15 (quase vinte milhões de reais). Em 2009, Piraí recebeu um total de R$ 26.991.382,94 (vinte e sete milhões), ou sejam, R$ 1.033, 00 (pouco mais de mil reais) por habitante. Enquanto Mangaratiba recebeu R$ 1.202,00 (mil e duzentos reais) por habitante, somando um total de R$ 39.116.952,15.
Apesar da verba inferior recebida e além dos prêmios obtidos, Piraí tem agora mais uma consequência de sua administração municipal: melhores médias e a conquista das metas projetadas pelo IDEB (Indice de Desenvolvimento da Educação Básica).
A série histórica de resultados do IDEB se inicia em 2005, a partir de onde foram estabelecidas metas bienais de qualidade a serem atingidas não apenas pelo país, mas também por escolas, municípios e unidades da Federação. A lógica é a de que cada instância evolua de forma a contribuir, em conjunto – em conjunto, não alguns poucos alunos dedicados e seus sempre esquecidos pais - para que o Brasil atinja o patamar educacional da média dos países mais desenvolvidos. Em termos numéricos, isso significa progredir da média nacional de 3,8, registrada em 2005 na primeira fase do ensino fundamental, para um IDEB igual a 6,0 em 2022.
Na comparação das médias e metas, Piraí foi sempre melhor que Mangaratiba:
Anos iniciais (1º. ao 5º.) do ensino fundamental
PIRAÍ
Médias obtidas                             Meta projetada
2005/4.2    2007/4.8   2009/4.9   2007/4.3  2009/4.6
MANGARATIBA
Médias obtidas                            Meta projetada
2005/4.1   2007/3.9   2009/4.2   2007/4.2  2009/4.5
Anos finais (6º. ao 9º.) do ensino fundamental
PIRAÍ
Médias obtidas                            Meta projetada
2005/4.0   2007/3.9  2009/4.1    2007/4.0  2009/4.2
MANGARATIBA
Médias obtidas                           Meta projetada
2005/3.7  2007/3.2  2009/3.8    2007/3.7  2009/3.8

terça-feira, 6 de julho de 2010

PARAGUAI 10x0 SPORTV/GLOBO

Somente hoje consegui o link para o vídeo da reportagem do SportTV com o ataque pejorativo, arrogante e preconceituoso, contra o Paraguai - citado como "paraíso obscuro do mundo" - que repercutiu negativamente e causou imensa comoção no povo paraguaio.
Aproveito para publicar, também, a resposta educada do principal jornal paraguaio às Organizações Globo.

Editorial do jornal La Nacion do Paraguai:
"La “Naranja Mecánica” acalla la soberbia del seleccionado del “Maior do Mundo”
La “Naranja Mecánica” se encargó hoy de acallar a la soberbia brasileña con un aleccionador 2-1. El seleccionado verdeamarello que llegó como favorito a cuartos de final de la Copa del Mundo vuelve a casa con el rótulo de “fracaso rotundo”. El resultado es un golpe bajo para todos aquellos aficionados, periodistas deportivos y medios de comunicación del vecino país que ya se sentían campeones del mundo antes de jugar los partidos y que - en algunos casos- se burlaron incluso de Paraguay al que parodiaron en un criticado video de Sport TV de Globo.
Es también una lección de vida para aquellos que subestiman no solo a sus adversarios de turno sino que aprovechan el evento para atacar la dignidad de países vecinos. Un ejemplo concreto de ello es el especial del Mundial emitido por la cadena SportTV de la cadena Globo de Brasil, en el que se mostró ayer un video descalificando la participación albirroja en el Mundial, con ironías sobre los “atractivos” turísticos, la moneda guaraní y su gente.
Los canales de TV locales reprodujeron ayer un “corto” de Sport TV de Globo sobre la participación paraguaya dentro del Mundial y en la que busca por todos los medios denigrar nuestra cultura, nuestros atractivos turísticos, el “valor” de la moneda local en el mercado bursátil y desprecia la tarea de la albirroja en el Mundial de Sudáfrica. Es más, en el documental afirman que nuestro país solamente llama la atención por la “novia del Mundial”, Larissa Riquelme.
Por si no fuera suficiente, en la última parte del video ironizan sobre nuestras comidas y nuestras costumbres, señalando en esta parte que la comida es una “maravilla” mientras pasaban imágenes de un hombre con rasgos paraguayos comiendo frituras. Además, ironizan sobre nuestros caminos “Si no le gusta el océano, Paraguay es el lugar ideal para tomarse unas vacaciones”, se escucha en una parte del relato.
Con Brasil eliminado ¿qué dirá ahora Sport TV de Globo? ¿Tendrá la suficiente humildad para la autocrítica, o seguirán con la hipocresía de vivir a espaldas de sus grandes problemas como el racismo, sus millones y millones de pobres, las matanzas, el tráfico de drogas en las favelas de Río de Janeiro y hacer creer siempre que Ciudad del Este es el oasis del contrabando cuando que es su gente la que mayor provecho saca del desorden en Triple Frontera?
Para la mayoría de los paraguayos este documental fue realmente decepcionante, por todos los vínculos que nos unen con los del país vecino. Entre ellos resaltan el gran comercio bilateral y el flujo hacia los centros turísticos del Brasil, generalmente “preferidos” por millones de compatriotas.
Esperamos que así como Dunga ya renunció, estos comunicadores al menos tengan algún rayo de dignidad y terminen por callarse. La Naranja Mecánica se encargó así de hacer justicia y dar una gran lección a quienes tienen en el corazón una rabia innecesaria hacia una nación pobre pero digna."

domingo, 4 de julho de 2010

IBOPE

Tentarei responder a seguir como uma pesquisa feita nas coxas, em plena rua, sem qualquer estratificação, sem controle, sem supervisão, pôde apresentar resultados idênticos à pesquisa do IBOPE realizada com toda a metodologia exigida.
A última pesquisa IBOPE divulgada foi encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, que tem como presidente Guilherme Afif Domingues (DEM). Afif foi secretário do governo de Serra, é seu amigo pessoal e candidato a vice-governador na chapa do Geraldo Alkimin.
Pra quê ele contratou uma nova pesquisa se já tinha os resultados do DATAFOLHA? Por que o IBOPE fez duas pesquisas em apenas nove dias? Parece que foi combinado com o DATAFOLHA apenas para dar credibilidade a sua pesquisa feita nas coxas.
O objetivo do acordo dos institutos seria o de estancar a fuga de recursos financeiros da candidatura de Serra que se agravou depois das pesquisas anteriores realizada pelo próprio IBOPE e pelo VOX POPULI que colocaram a Dilma na dianteira com cinco pontos à frente de Serra.
Mas, o IBOPE não é bobo, incluiu na nova pesquisa a seguinte pergunta: “Independente do seu voto, qual desses candidatos o (a) senhor (a) acha que será o próximo Presidente da República?”
Dilma Rousseff obtém 45% das respostas e Serra 34%. Não importa a variável - tanto por sexo e em todas as faixas etária e de escolaridade, assim como por regiões do país e por renda familiar – em todas elas, é sempre bem maior o índice de entrevistados afirmando que Dilma Rousseff será a próxima Presidente da República.
Esse é o tipo de pergunta muitas vezes incluída em pesquisas de opinião para confirmar ou desmentir a resposta à pergunta principal.
É como se fosse um grupo controle de pacientes tratados com placebo para medir a eficácia de um medicamento em pesquisa clínica. Se o grupo controle responde igual ou melhor ao placebo, é claro que o medicamento não possui eficácia clínica.
No caso da pesquisa do IBOPE, fica claro que grande parte dos entrevistados mentiu ao dizer em quem votaria para presidente. Ou disse não saber em quem votar ou disse nenhum deles ou não quis declarar o voto verdadeiro que é secreto. Há muita gente que nem no dia da eleição diz a um amigo em quem votou. Ou, então, a tabulação dos resultados foi dirigida para coincidir com o DATAFOLHA.
O IBOPE sabe que o entrevistado nem sempre diz a verdade. Não diz o que vai fazer de fato. Mas, diz o que pensa que vai acontecer. Sendo assim, o IBOPE tem uma boa justificativa se o acusarem de fraude.
Ou você pensa que o eleitor não acredita que o seu candidato vai vencer a eleição?
Até o eleitor da Marina confia que ela vai chegar ao segundo turno.
Só mudo de opinião se o VOX POPULI me desmentir.

A TORRE DAS DONZELAS

Durante quase três anos, Dilma Rousseff  "residiu" na Torre das Donzelas. Uma masmorra encravada no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ganhou esse singelo nome por abrigar jovens presas políticas que lutaram contra a ditadura militar.
Suas companheiras de cadeia, hoje senhoras sexagenárias, foram entrevistadas pela ISTO É e falaram daquele tempo torturante. Torturante nos dois sentidos. Clique aqui e leia a reportagem. Vale à pena ler.
Na foto abaixo, Dilma, Eleonora, Guiomar, Rose e Cida na época em que foram presas
É sempre bom lembrar que José Serra se asilou na embaixada do Chile logo após o golpe e, quando pôde, fugiu do país.

sábado, 3 de julho de 2010

"DATAFALHA"

Vejam no que dá fazer pesquisa na rua - apenas nos centros urbanos onde há maior fluxo de transeuntes - e ter pressa em "mancheteá-la".
Na rua, a única coisa sobre a qual o entrevistado não pode mentir é o sexo.
Vejam o resultado por sexo (clique na imagem para ver melhor). Serra tem somente 34% e a Dilma atinge 46% de intenção de votos entre os homens. É muito grande a diferença. Não acredito nisso. Já entre as mulheres, Serra tem 45% e a Dilma apenas 30%. Também não acredito. Já foi assim, não é mais.
Agora, vejam o resultado por escolaridade: A Dilma perde no grupo que tem apenas o ensino fundamental e empata no grupo com ensino superior (é impossível). E fica pau a pau no grupo com ensino médio.
O pior acontece no resultado por renda familiar: Serra vence a Dilma no grupo de renda familiar mais baixo (2 salários mínimos) e quase empata no grupo que recebe de 2 a 5 salários. Inpossível de novo.
O mais incrível acontece com a Marina Silva que, no geral, tem 10% de intenção de voto. Some os percentuais atingidos na pesquisa por escolaridade e divida por três (são três grupos): dá 12%. A seguir, some os percentuais atingidos na pesquisa por renda familiar e divida por quatro (são quatro grupos): dá 13%. Afinal, qual é a intenção de voto na Marina? É igual a 10, 12 ou 13% dos entrevistados?
Se você somar os índices da Dilma nos resultados por renda familiar e dividir por quatro encontrará apenas 36%. Outra discrepância, pois, no geral, a pesquisa diz que a Dilma tem 38%.
Não faço o mesmo cálculo para os resultados por regiões do país porque somente aqui o "DATAFALHA" pode ter feito um cálculo aritmético para compensar os diferentes pesos populacionais. Além disso, em três regiões, a soma dos percentuais não dá cem por cento.
Como se vê, o pessoal do "DATAFALHA" além de não saber fazer pesquisas também não sabe aritmética.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

DATAFOLHA

Publicado, hoje, pela Folha de São Paulo com manchete na primeira página:
“O tucano tem agora 39%, contra 38% de Dilma. Marina Silva (PV) aparece com 10%. Entre os 2.658 entrevistados, 5% responderam que pretendem votar em branco ou nulo. Outros 9% disseram não saber. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O quadro mostra pouca variação em relação a 20 e 21 de maio, quando Serra e Dilma tinham 37% e Marina, 12%.”
A pesquisa DATAFOLHA, mais uma vez, contrasta com os levantamentos divulgados anteriormente. Contrasta com a do IBOPE da semana passada e com a do VOX POPULI desta semana, nas quais Dilma Rousseff está na liderança com 40%, contra 35% de Serra.
Sabem por quê? Não é fraude não.
É que o DATAFOLHA faz pesquisa na rua com quem passa pelo entrevistador, enquanto IBOPE, VOX POPULI e SENSUS, fazem a pesquisa somente na residência do entrevistado.
Eu pergunto, como estratificar uma amostra que represente o universo pesquisado com entrevistas na rua? Não dá. Como saber o perfil do entrevistado?
Na rua, são todos iguais, geralmente estão apressados e não dão a mínima importância ao entrevistador. Sem paciência, chutam as respostas.
E como fazer uma supervisão do trabalho - geralmente mal pago - do entrevistador? Como conferir as respostas dadas pelos entrevistados?
Somente na pesquisa residencial isso é possível. Portanto, uma pesquisa sem a mínima percentagem de comprovação não pode ter credibilidade.
É algo fictício, mas que mereceu a manchete de hoje da Folha. As pesquisas do IBOPE e do VOX POPULI mereceram apenas pequenas notas no interior do jornal.
Mas, enquando a Folha tenta manipular seus leitores, o ministro Gilmar “Dantas” – ele, sempre ele – passa por cima da Lei da Ficha Limpa e favorece o senador Heráclito Fortes, do Piauí, aquele da ONG de Plutão. Seguindo o exemplo de “Dantas”, o ministro Dias Tofoli – também do STF – suspendeu a aplicação da Lei à deputada estadual Isaura Lemos, de Goiás.
Não se trata de liminar como aquela concedida a Garotinho - aquele que fugiu da raia - são determinações do Supremo Tribunal Federal.
Tal como a seleção brasileira, a Lei da Ficha Limpa já era.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

DIÁLOGOS POSSÍVEIS

Serra: Querida, somente você pode me salvar.
Marina: Mas, Serra, você já perdeu essa.
Serra: Eu sei, querida, mas vai pegar muito mal pra mim perder logo no primeiro turno. Você não acha?
Marina: É, Serra, vai ser muito feio. A terceira derrota para presidente.
Serra: Terceira não. Segunda.
Marina: Pra cima de mim, Serra? A segunda você perdeu quando desistiu em 2006. Tinha certeza da derrota e empurrou o “picolé de xuxu” para o sacrifício.
Serra: É...
Marina: Sua candidatura a presidente só ganhou mesmo foi da Roseana Sarney quando você inventou aquele “dossiê” contra ela.
Serra: Isso é passado. Coisas da política. Vamos olhar para a frente.
Marina: Então, vamos direto ao assunto. O que você quer de mim? Que eu seja a sua vice?
Serra: Não. Não é isso. Não dá mais...
Marina: Diga o que você quer.
Serra: Veja você o vice que me arrumaram. Com ele, eu sofro uma derrota fragorosa e a Dilma leva logo no primeiro turno.
Marina: Mas eu estou crescendo nas pesquisas. Sei que posso vencer essa eleição.
Serra: Não se mexa, tem uma mosca azul no seu ombro, vou pegá-la.
Marina: Não! Não espante, é de estimação. Ela tem me acompanhado em toda a campanha.
Serra: Você cresceu de 8 para 9 pontos. Está patinhando sem sair do lugar. Você pode crescer muito mais rápido e levar a eleição para o segundo turno.
Marina: Como?
Serra: Eu tenho absoluto controle da mídia e posso fazê-la abrir espaços para você. Já pensou você no Jornal Nacional quase todo dia. Elogios diários em O Globo, Folha, Estadão, e semanais na Veja. Posso até colocar você na capa.
Marina: Você pode fazer isso?
Serra: Claro que posso. E vou fazer. A partir de julho, você terá tanto espaço quanto eu na mídia. Você vai ver. Mas, você tem que elogiar o Lula, sempre, para parecer que também é a candidata dele.
Marina: Assim, quem vai para o segundo turno sou eu.
Serra: Pode ser...
Marina: E se eu ganhar? O que você quer?
Serra: Em nome da unidade nacional, você me nomeia Ministro-Chefe da Casa Civil. E me lança como seu candidato em 2014.
Marina: E se você for para o segundo turno e vencer?
Serra: Você será a minha Ministra do Meio Ambiente com todos os poderes sobre a Amazônia.
Marina: Acho que você me quer como a sua “laranja”...
Serra: Isso, isso, isso... Laranja tem tudo a ver com o meio ambiente.
Marina: Eu quero mais. Quero um novo programa social.
Serra: Concordo com tudo o que você quiser.
Marina: Eu quero implantar o programa Bolsa Cosméticos.
Serra: Está combinado.

terça-feira, 29 de junho de 2010

FOLHA ELIMINA O BRASIL DA COPA

Anúncio do Extra, publicado hoje pela Folha de São Paulo, eliminou o Brasil da Copa do Mundo. O Grupo Pão de Açúcar preparou dois anúncios distintos: um para a vitória sobre o Chile, outro para a derrota.
Assim fazem todos os anunciantes em todos os jogos da seleção brasileira: um anúncio de exaltação pela vitória e outro de consolação para quem vê sua seleção ser eliminada. Não dá para advinhar o resultado de uma partida da Copa do Mundo.
A Folha errou – como sempre erra – ou está torcendo contra e publicou esse anúncio aí em cima.
Em nota, o Grupo Pão de Açúcar esclareceu que hoje deveria ter entrado o anúncio da vitória, mas, por “erro humano”, saiu impresso o da derrota do Brasil.
A Folha terá que se retratar publicamente, amanhã, com a correção do material. É muita estupidez ou falta de profissionalismo.
Quando será que ela vai se retratar pela mentira do dossiê inventado? Da ficha falsa da Dilma? Do jovem estuprado por Lula na prisão? E por tantas outras mentiras que alimentam aqueles 3% que não acreditam no país?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

FUTEBOL

QUE BONITO É...

A importância do futebol no mundo pode ser medida pelo número de países membros da FIFA (208) e da ONU (192). A FIFA existe para, através do futebol, unir os povos e promover a paz no mundo, e consegue. A ONU existe para evitar as guerras, jamais conseguiu.
A cada quatro anos, porém, a FIFA promove uma guerra entre 32 países. É o maior evento mundial que envolve emocionalmente bilhões de pessoas em todo o planeta. Seja rico, seja pobre, seja intelectual ou analfabeto, sem distinção de cor, de raça, de sexo, de religião, de ideologia, ficam todos ligados na mesma emoção dessa guerra sem derramamento de sangue.
Uma guerra em que não há derrotados. Todos são vencedores porque participaram. Chegaram ao seu limite físico e emocional dentro e fora do campo. Ganham os povos e os países, sejam participantes ou não.
Que bonito é... a paixão pelo futebol.
Que bonito é... ver as lágrimas de alegria e de tristeza ao final cada partida.
Que bonito é... ver aqueles meninos carentes e malnutridos transformados em gigantes a defender as cores de sua seleção.
São todos milionários, sim. E daí? Merecem muito mais pelo talento que Deus lhes deu. Pelo orgulho, alegria e felicidade que proporcionam aos seus torcedores.
Não haverá dinheiro que pague o contentamento que o povo brasileiro sentirá se formos hexacampeões do mundo.
Como diz a FIFA, “o futebol é uma ferramenta para o desenvolvimento social e humano, fortalecendo o trabalho de diversas iniciativas em todo o mundo no auxílio às comunidades no que diz respeito à pacificação, saúde, integração social, educação e muito mais.”
Sabem porque estou dizendo isso? Porque fui chamado de babaca, ignorante, otário, imbecil, em um texto sobre os amantes do futebol que li em um “blog”. Dizia, também, o texto que os filhos dos filhos dos meus filhos seriam os babacas do futuro.
Ler tamanha insensatez ainda é melhor do que ser analfabeto.
Não sei se fico indignado com tanta mediocridade ou se sinto pena da frustração que o “blogueiro” carrega pela vida por nunca ter ganho uma bola de presente quando aprendeu a andar. Um frustrado que jamais disputou uma "pelada" com os garotos da outra rua.
Um pobre coitado com trauma de infância que não sabe o que é a paixão por essa força unificadora cujas virtudes realizam uma importante contribuição à sociedade e à paz mundial.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

VALE A PENA VER

Sem comentários.

Novamente sem comentários.

Sexta-feira 25, não assista o jogo pela Globo. Não "é brincadeira" aturar o Neto, mas, pelo menos, ele e o Edmundo não se utilizam de "equações" matemáticas - 4-4-2, 4-3-3, 3-4-2-1 - 3-5-2, etc, etc, etc - para comentar o jogo. Como craques que foram, sabem que o único esquema atualmente é o 2-8 quando ataca e o 8-2 quando defende. Em todas as seleções.

terça-feira, 22 de junho de 2010

DUNGA x GLOBO

Nunca escrevi um palavrão neste blog, mas aqueles que o Dunga falou para um repórter da Globo – que ontem passou o dia pressionando a FIFA para punir o técnico e hoje dedica manchetes e muito espaço para combatê-lo - eu posso repetir aqui: “besta, burro, cagão”. Dirijo-os à maioria dos jornalistas esportivos.

Houve um tempo em que jornalista esportivo levava porrada na cara. De mão aberta para humilhar, como eu vi Castor de Andrade fazer com um comentarista da Rádio Globo em treino do Bangu. Ou como fez Pelé com outro na concentração brasileira no México, durante a Copa de 70. Pelé nunca mais teve qualquer simpatia da imprensa esportiva.
Claro que eles tiveram os seus motivos, assim como Maradona que vive agredindo verbalmente a imprensa esportiva de seu país. E como Dunga os tem para tratar a imprensa esportiva à distância e tal como ela merece.
E por não se submeter às ordens da Globo que se julga ainda tão poderosa como era antes da internet, Dunga se vê vítima de uma campanha vil e nefasta. Hoje, os jornais da Globo e sua linha auxiliar – O Dia – dedicam suas manchetes para pedir a punição do Dunga. Punição que a FIFA afirmou, hoje, não ver motivos para abrir processo disciplinar contra o técnico.
A recusa de Dunga em aceitar um acordo feito entre o presidente da CBF e a Globo para permitir entrevistas exclusivas com os atletas foi a razão da Globo para a insidiosa campanha. Não foram os “pseudo-palavrões”.
O UOL apurou que “o incidente entre Dunga e Alex Escobar ocorreu quando o jornalista conversava ao telefone com o apresentador Tadeu Schmidt exatamente sobre este assunto. O técnico percebeu o que ocorria e perguntou: “Algum problema?”. Escobar respondeu: “Nem estou olhando para você, Dunga”. O técnico replicou em voz baixa, o suficiente para ser captado pelo microfone a sua frente: besta, burro, cagão!”
Menosprezar o técnico, não respeitar a sua autoridade, inventar calúnias, xingá-lo é jornalismo. Desde quando xingar jornalista de cagão é crime?
No mesmo dia, durante o “Fantástico”, Tadeu Schmidt falou: “O técnico Dunga não apresenta nas entrevistas comportamento compatível de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência, usa frases grosseiras e irônicas”.
O jornalista da Globo não mencionou, no entanto, o motivo do atrito, ou seja, a recusa do técnico em aceitar um acordo feito entre o presidente da CBF e a emissora.
E como Dunga não baixou a cabeça para a Globo, está conquistando o apoio da internet. Uma nova campanha nos moldes do “Cala a boca Galvão” foi lançada: é o “Cala a boca Tadeu” que já dominou o Twitter. Além disso, os internautas querem criar o dia sem a Globo. Será na sexta-feira, dia do jogo contra Portugal.
Vamos todos apoiar esse gigante Dunga que acabou com os privilégios da Globo junto à seleção. Para mim, que vejo o jogo sempre pela Bandeirantes, todo dia sempre será dia sem Globo.
“Uma bobagem? Não, nada é uma bobagem quando desperta os sentimentos de liberdade, de dignidade, quando faz as pessoas recusarem a tirania, quando faz com que elas se mobilizem contra o poder injusto” – disse Brizola Neto em seu Tijolaço de hoje.

P.S.: Lembrei de outra do Castor. Quando o Bangu perdeu o bi-campeonato para o Botafogo em 1967, o João Saldanha partiu para a ofensa pessoal contra a família Andrade no programa Mesa Redonda, à noite na Globo. Castor invadiu o estúdio, chutou o pau da barraca e tirou o programa do ar.

domingo, 20 de junho de 2010

HUMILHAÇÃO

Não! Marina Silva não merecia isso. Por que fazem isso com ela? Só porque ela é feia (eu não acho, heim!) como disse a Rita Lee? Porque tem cara de mulher submissa que apanha do marido (como eu disse e repito) ou porque tem cara de componente da Velha Guarda da Portela (como disse um anônimo)?
De fato, convenhamos, ela não tem cara de presidente da república nem de liderança feminina mundial como têm a Cristina Kirschner, a Michelle Bachelet, a Ângela Merkel, a Margareth Thatcher.
Mas, não é por isso que ela merece a humilhação dessa foto aí em cima.
O PV já tinha humilhado a Marina cobrindo o seu nome nas faixas do evento de lançamento da pré-candidatura do Gabeira. Agora, na convenção do partido, humilhação maior: aquele que foi torturado e, depois, foi lamber os coturnos dos torturadores, discursou entre as fotografias da Marina e do Serra. Fotografias sem o nome dos fotografados. O Serra não precisava do nome, é conhecidíssimo, mas, a Marina...
Com humildade – esse sentimento vindo de quem come carne todo dia e não precisa de ajuda oficial me dá ânsias de vômito porque é falso – humildemente, repito, respondendo a um repórter que lhe perguntou o que achava das fotos, ela disse: “Em vez de olhar o que divide, eu olho o que une que é o Gabeira.”
Gostaria de saber como se pode unir dois candidatos ao mesmo cargo majoritário em que somente um pode seguir em frente. Gabeira está, sim, dividindo o partido e o seu eleitorado, visando atingir exclusivamente o seu próprio objetivo. E sempre que puder – quem viver verá - ele vai apoiar também a Dilma. Ou fará como sempre diz qualquer candidato a vereador em campanha: vote em mim e em quem quiser para prefeito.
O PV não é um partido sério? Por que aceita essa falsidade ideológica? Essa tamanha impostura. Como um partido pode ter dois candidatos a presidente?
Já o Serra disse o seguinte na convenção: “Não vou convencer a Marina, mas vou dizer: sou ambientalista” e garantiu que não enfrentará nenhuma saia justa ao dividir o palanque do Rio de Janeiro com a pseudo-candidata do PV.
O que o vampiro insinuou é que a Marina tem somente um discurso e que, ela sim, terá que vestir uma tremenda saia justa.
Coitada da Marina. Poderia continuar senadora ou eleger-se governadora. Coitada, não. Bem feito pela traição aos seus conterrâneos, ao meio ambiente, a mim e a todos os brasileiros que a admiram. O povo do Acre perderá aquela que poderia ser uma grande governadora ou perderemos todos uma grande senadora para continuar lutando pelo meio ambiente.
Seu destino, infelizmente, será o ostracismo político. Você duvida?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

COPA DO MUNDO

Pretendia falar da Copa de novo somente no final quando o Brasil fosse campeão. Diria que só faltava isso, o hexacampeonato, para que o Lula fosse canonizado.
Como a coisa agora ficou difícil, vou contrariar o que os “abalizados” comentaristas andaram dizendo: que o empate entre Portugal e a Costa do Marfim teria sido o melhor resultado para a seleção brasileira. Pois, esta assumiu a liderança isolada do seu grupo.
Com a minha experiência de 15 copas, digo exatamente o contrário: aquele empate foi o pior resultado para o Brasil que venceu a Coréia do Norte por apenas 2x1.
Raciocinem comigo: Portugal e Costa do Marfim são seleções absolutamente superiores à da Coréia do Norte e podem facilmente vencê-la por um placar bem maior. E se as duas empatarem com o Brasil – um resultado bem provável – nossa seleção estará desclassificada na primeira fase.
Adeus “ékissa”, adeus canonização. E a honra do hexacampeonato ficaria, então, para a Dilma Rousseff.
Para o Brasil, agora, é vencer ou vencer. Não pode nem empatar. E o empate não é um resultado absurdo com Portugal nem com Costa do Marfim. Se perder, já era.
Mas, se os companheiros de Maicon e Robinho resolverem jogar tanto quanto eles e forem os primeiros do grupo, o Brasil deverá enfrentar a melhor seleção européia: a Espanha que, hoje, mostrando o melhor futebol que eu vi nesta copa, perdeu para a Suiça.
A coisa ficou feia para o Dunga.

terça-feira, 15 de junho de 2010

SONHOS

Eu sonho toda santa noite. Já ouvi falar que sonhar faz bem, mas meus sonhos me cansam.
Vivo sonhando que estou trabalhando. Exercendo a minha profissão, nada dá certo, nada consigo criar.
Às vezes, sonho que trabalho como ajudante de pedreiro. Passo a noite carregando um carrinho de mão cheio de pedras para lugar nenhum. Ando e não consigo sair do lugar. É como se estivesse numa esteira rolante. Acordo cansado e passo o dia à toa.
Tenho sonhos recorrentes:
1) sonho sempre com um mesmo local, a mesma casa com cerca viva, a mesma paisagem, quero ver uma pessoa que nunca encontro e, quando sonho de novo, sei, no próprio sonho, que se trata de uma repetição do sonho que tive antes;
2) sonho que piloto um pequeno avião que vai perdendo altitude, estou numa guerra mundial – só pode ser a primeira - o avião cai e bate na fiação elétrica de uma rua de Bangu;
3) sonho que estou caminhando tranquilamente por uma rua do centro do Rio e, de repente, percebo que todos me observam, estou nu, tento me esconder e não consigo. Freud diria que se trata de alguma frustração sexual que não tenho;
4) sonho com a repressão da ditadura, estou correndo da polícia, fui preso, quando decidem me encher de porrada, eu, espertamente, acordo;
5) atualmente, tenho sonhado com amigos e parentes falecidos, todos bem dispostos, satisfeitos e felizes, e sei que estão mortos quando aparecem no churrasco que eu estava preparando. Coisa de Lost. Eles bebem e comem como se vivos estivessem.
Ontem, fui surpreendido por um ladrão que me ameaçava com um furador de gelo. Tentava levar o cara no papo quando vi um monstro negro correndo em nossa direção. Ele derrubou o ladrão e, balançando o rabo, veio se esfregar em mim. Era um cachorrão imenso que ficou meu amigo em um outro sonho.
Já sonhei a continuação de sonhos anteriores, são sonhos em capítulos. Será que mais alguém é capaz de sonhar um seriado de sonhos?
Hoje, sonhei que estava no dentista. O profissional tinha uma forma peculiar para aplicar a anestesia: colocava o paciente na cadeira, pegava um fuzil com baioneta cuja ponta encostava no fígado dele e baixava a arma com força. E ficava esperando a anestesia fazer efeito. Desisti da consulta.
Freud definia o conteúdo dos sonhos como a realização de desejos. Para Jung, os sonhos eram forças naturais que auxiliam o indivíduo no processo de individualização.
Não é o meu caso, ninguém consegue ser mais individual do que eu nem tenho desejos ainda não realizados.
Para alguns, o sonho tem poderes premonitórios. Também, não é esse o meu caso nem quero saber o significado dos sonhos que tenho.
Fico com a opinião atual da ciência que vê nos sonhos apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem.
Mas, como meu cérebro ainda é aquele de quando tinha 35 anos de idade, meu único desejo é dar um tempo nos sonhos. Quero parar de sonhar, dar férias a essa função dos sonhos.
Se você conhece algum remédio ou uma simpatia que me faça parar de sonhar, por favor, me informe nos comentários.

sábado, 12 de junho de 2010

DO QUE UM JORNAL É CAPAZ

Vejam a manchete da Folha de hoje e o resumo do texto publicado na Folha Online sobre o “dossiê”:

“A chamada "equipe de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) investigou e levantou dados fiscais e financeiros sigilosos do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira.
Segundo reportagem publicada neste sábado pela Folha (íntegra aqui somente para assinantes do jornal e do UOL), o grupo obteve documentos de uma série de três depósitos na conta de EJ no valor de R$ 3,9 milhões, além de outras informações de seu Imposto de Renda.
Procurado pela reportagem, Eduardo Jorge confirmou as informações contidas nos documentos e afirmou que os dados só poderiam ter sido obtidos por meio da quebra de seu sigilo fiscal. "É um completo absurdo essas informações terem chegado até eles. Isso demonstra a repetição do método do PT", afirmou.”
Acontece que tais informações sigilosas estão na internet desde tempos medievais e o próprio Eduardo Jorge confirmou tudo em carta de 28/03/2009 ao Correio Brasiliense que fez uma série de reportagens sobre as suas falcatruas e as investigações do Ministério Público.
A Folha continua dando tiros no próprio pé com esse falso "dossiê" que contém informações sigilosas do conhecimento de todos que frequentam a internet. Se você quiser saber de todo o caso, clique aqui e veja as informações sigilosas no blog Consultor Jurídico.
E, depois, quando critico quem apenas lê jornal, eu sou taxado de preconceituoso.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

QUEM AINDA LÊ JORNAL?

No passado, os jornais tinham como principal utilidade embrulhar carne e peixe. Atualmente, isso é proibido. Por outro lado, o aumento da renda do trabalhador e a publicidade televisiva do papel higiênico acabaram com sua outra serventia.
Houve um tempo em que eu comprava jornal. Mas, hoje, com a internet publicando notícias frescas a todo instante, p´ra quê jornal? P´ra ler o que aconteceu ontem? E que eu já estou cansado de saber?
Comprar jornal é hábito de quem não se informatizou e não sente que está sendo manipulado pelos que ainda pensam ser donos da opinião pública. Mas, são donos apenas dos jornais e da opinião publicada.
Quem lê jornal tem acesso apenas a uma única versão da notícia, uma única opinião. Jamais encontrará a controvérsia, o contraditório, a contestação, a polêmica que encontramos na internet. A opinião do leitor de jornal só pode ser a opinião que lhe é imposta, geralmente, por jornalistas comprados pelos tubarões da imprensa.
Na internet, temos, gratuitamente, todos os jornais e revistas, inclusive os estrangeiros que são geralmente imparciais em relação ao que ocorre no país e mostram um Brasil totalmente diferente daquele que é apresentado em O Globo, por exemplo.
Além disso, temos os blogs de jornalistas e não jornalistas independentes que vão fundo na notícia e emitem a sua própria opinião, não a opinião de seus patrões. A esquerda e a direita têm a sua vez na internet e não são superficiais nem tentam dissimular o seu proselitismo político.
Informando-se através da internet, conhecendo as mais diversas idéias e conceitos na área política, social, moral, cultural, econômica, esportiva, etc, o cidadão terá, então, a possibilidade de construir a sua própria opinião.
E poderá falar por sua própria boca, pensar por sua própria cabeça, enxergar com seus próprios olhos e tomar decisões por conta própria.
Não é o que acontece com quem ainda lê jornal, seja lá qual for, e não navega na internet.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ABORIGINE AUSTRALIANO

Nasceu robusto, gordo, cabeludo e cheio de dentes, acima do peso considerado normal, com mais de 4,800k. E como era feio. Era feio de doer o parrudo bebê.
Os parentes e amigos que foram visitá-lo se espantavam e não conseguiam disfarçar o mal-estar diante daquela desagradável visão.
Quando começou a engatinhar, parecia um Demônio da Tasmânia. Certa vez, foi mexer com o gato que dormia com a tranquilidade dos gatos. O bichano deu um salto e saiu em disparada. Nunca mais foi visto.
Foi crescendo e cada vez mais feio ia ficando. Aos cinco anos, tinha quase o dobro do tamanho de crianças da mesma idade. Entrou para o jardim de infância e os coleguinhas, com medo dele, não queriam mais voltar para a escola. Houve uma reunião de pais e a diretora solicitou que a criança fosse retirada do convívio escolar.
Quando entrou para o ensino fundamental, era o maior da turma. Parecia ser aluno da quarta série. Era o mais feio, claro, mas, também, o mais inteligente e estudioso. Devido ao seu tamanho, jamais foi vítima do “bullying”. Porém, apelidaram-no de Aborígine Australiano. Mais tarde, abreviaram para Abori. Humilde, ele nem ligou e levou o apelido para a faculdade onde se formou, com méritos, em medicina. Como especialidade, escolheu a pediatria. Adorava crianças.
Nunca teve amigos nem namorada, mas era feliz. Um homem bom, excelente caráter. A feiura em si mesma jamais lhe fez mal algum.
Montou um consultório que viveu às moscas. Tentou empregar-se em uma clínica infantil, mas nenhuma quis admiti-lo. Com aquela cara, não levava jeito de médico. Ainda mais pediatra. Desistiu da medicina e somente conseguiu emprego em um circo onde se apresentava preso numa jaula.
Era apresentado como “Abori, um assombro”. Voltou a assustar as crianças que agora pagavam para vê-lo.
Apaixonou-se por uma trapezista linda, escultural, de uma beleza absurda. Ela era cega e pôde ver toda a beleza interior de Abori. Retribuiu ao amor intenso e incondicional que ele lhe dedicava. Casaram-se. Apenas no civil, junto com outras dezenas de casais que não entendiam como uma mulher tão bela pudesse dizer sim àquele ser horroroso. “Só pode ser cega”, comentavam sem saber que era verdade.
Abori e a equilibrista cega foram muito felizes. Tiveram uma filha, lindíssima como a mãe. O pai, ainda mais feliz, dava graças a Deus por não ter transmitido sua feiura para a filha. Mas, preocupava-se: “será que ela era cega como a mãe?”
Um mês depois, Abori tomou coragem e pegou a criança no colo pela primeira vez. Ela dormia. Abriu os olhinhos que ainda não possuíam a completa visão quando ele a beijou. Ali, pertinho, porém, conseguiu focalizar o rosto do pai. A coitadinha apovorou-se...
Morreu de susto.

domingo, 6 de junho de 2010

CINCO POR CENTO

Surge mais uma pesquisa eleitoral e lá estão aqueles 5% que consideram o governo ruim/péssimo. Em todas as pesquisas de todos os institutos, não importam as datas em que foram realizadas, lá estão aqueles cinco por cento que somente conseguem ver o que há de ruim e péssimo no governo Lula.
Encontrei um componente dessa imensa minoria de brasileiros. É um idoso comerciante de Muriqui, militar reformado, assinante de O Globo e da Veja. Ele odeia o Lula.
Começou a falar de política comigo em frente ao seu pequeno comércio. Demonstrava todo o seu preconceito para com o presidente. Afirmava que nunca havia lido e ouvido tanta notícia sobre corrupção no país.
Argumentei que nunca a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério Público, a Procuradoria Geral da República, o Tribunal de Contas da União, trabalharam tanto como agora. Que quem investigava e descobria os casos de corrupção era o próprio governo que implantou uma verdadeira faxina nos órgãos públicos e que somente depois os casos ganhavam os holofotes da imprensa. Que o governo anterior preferia esconder a corrupção que sempre existiu e que existirá sempre. Que quanto à punição dos envolvidos tudo dependeria do Poder Judiciário, não mais do Poder Executivo.
Ainda argumentei com as mudanças ocorridas nos últimos anos. A inflação controlada, o quase pleno-emprego, o salário mínimo de 300 dólares, o aumento na renda do trabalhador, o respeito conquistado pelo país em todo o mundo, o adeus ao FMI, etc, etc, etc, etc, etc e etc e et cetera.
O velho comerciante, então, apelou para os problemas da segurança, da saúde e da educação, que o povo ainda estaria enfrentando. Que se algo havia de bom era resultado de ações do governo anterior.
Sentado no meio-fio, o porteiro do prédio ao lado, que ouvia calado a discussão, sorriu.
Senti que o sorriso era uma demonstração de aprovação aos meus argumentos. Dirigi-me a ele estimulando-o a entrar na discussão.
“Eu hoje tenho tudo que um rico tem – disse o porteiro – tenho emprego, tenho celular, tenho computador, tenho TV de 42 polegadas, tenho conta bancária, tenho casa e até um carro na garagem. É velho mas é meu. E meu filho está cursando a faculdade.”
E há oito anos? Como era a sua vida? Perguntei.
“Estava desempregado, passando dificuldade, não tinha nada – e completou – é por isso que eu vou votar na Dilma Rousseff.”
Falei, então, que o atual governo em absolutamente nada mudou a minha vida particular, mas que sentia-me feliz por ver a mudança ocorrida com a população mais carente. E despedi-me daquele componente dos cinco por cento orgulhoso por pertencer a pequena maioria de 95% dos brasileiros que tem olhos para ver.

terça-feira, 1 de junho de 2010

"RUMUAL ÉKISSA"

A ignorância e a mediocridade são capazes de coisas sensacionais como o vídeo que postamos novamente aí embaixo e o cartaz pintado para ornamentar um muro na Copa de 2006.
Perdemos o “ékissa”, mas vamos tentar novamente nesta nova Copa que deverá ser insuportável. Tanto para quem estará em campo, jogando ou comandando a seleção, quanto para quem vai assistir em casa pela TV. O ensurdecedor barulho provocado pelas “vuvuzelas” vai dominar o ambiente. A poluição sonora será mais uma estupidez semelhante às duas citadas inicialmente.
Como um goleiro poderá orientar seus zagueiros durante um ataque adversário? E quem poderá escutar o grito de “ladrão!” no meio daquele tumulto? Pedir a bola e reclamar do juiz somente através de gestos. E o apito do árbitro, alguém ouvirá? E se houver minuto de silêncio, como ouvi-lo? Creio que ninguém vai ouvir nada dentro do estádio além do som absurdo da “vuvuzela”.
Coitado do Dunga ali junto à torcida africana enlouquecida pulando e soprando aquela estressante trombeta que já estamos ouvindo aqui no Brasil. Som ruim – tal como o “rebolation” - é igual a má notícia, chega rápido e repetitivo aos nossos ouvidos.
Como o Dunga poderá dar instruções ao time? Quem ouvirá? Talvez, seja até melhor que ninguém ouça as suas instruções.
Para nós, que vamos assistir pela TV, há uma solução: apertar a tecla “mute” ou, se não a tem, baixar completamente o som.
Todos conhecemos os jogadores, não há necessidade de narradores. E ainda teremos a grande vantagem de não sermos obrigados a ouvir os “abalizados” comentaristas esportivos falando besteira. Quem sabe, com a TV em silêncio, esta não será a melhor de todas as copas.
Já me encontro de resguardo me preparando para a maratona de jogos. Quero ver todas as partidas do Brasil, Argentina, Espanha, Inglaterra, Holanda, Itália, Portugal e Alemanha. Isto vai me tomar muito tempo e, talvez, não possa me dedicar tanto ao blog.
Mesmo sem o Ronaldinho Gaúcho e sem o Paulo Henrique Ganso, vamos todos torcer pela seleção.
Os únicos brasileiros que podem torcer contra serão o FHC – que vai morrer de inveja se o Lula for o presidente hexacampeão – e o José Serra – que torce por um milagre que lhe devolva a liderança nas pesquisas. Se o Brasil perder, a imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, vai culpar o Lula e a Dilma pela derrota.