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quarta-feira, 15 de julho de 2009

DIPLOMA DE JORNALISTA

P´ra quê? Perguntariam Carlos Lacerda, Irineu Marinho, Mário Rodrigues, Assis Chateaubriand... E também perguntariam seus filhos Roberto Marinho, Mário Filho, Nelson Rodrigues. David Nasser e tantos outros importantes jornalistas perguntariam: p´ra quê?
Esses e milhares de outros grandes jornalistas jamais cursaram uma faculdade de comunicação. Apesar de não ter diploma de jornalista, o ministro da comunicação – Hélio Costa - exerceu a profissão: foi repórter dos jornais Estado de Minas e Diário da Tarde, em Minas Gerais, e implantou a sucursal da Rede Globo nos Estados Unidos onde foi seu correspondente internacional.
E, também, pergunto eu que não sou jornalista, sou publicitário: diploma p´ra quê?
Eu cursei uma faculdade de comunicação. E, como nunca suportei a mediocridade, abandonei-a no meio do curso. Os professores dessas faculdades são aqueles jornalistas e publicitários que jamais podem abandoná-las porque não conseguem emprego em outro lugar. Falta-lhes talento para exercer a profissão na qual foram graduados.
É preciso talento, não de diploma para exercer muitas profissões. A de vendedor, por exemplo.
Já viram alguma faculdade de vendas para diplomar vendedores? E corretores de imóveis, músicos, escritores, pintores?
Além de talento, é preciso saber escrever para ser jornalista. Além de talento, uma voz bonita para ser radialista. E na TV, é preciso talento, voz bonita e muito boa aparência. Talento vem do berço, p´ra que diploma?
A melhor escola de jornalismo é o próprio jornal, a revista, o rádio ou a televisão. E quantas outras profissões se aprende exclusivamente na prática? Por acaso é preciso ser formado em administração para dirigir uma empresa? Nunca me exigiram diploma para exercer a profissão de publicitário em um agência de publicidade.
A obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista tem origem na ditadura. Mais exatamente no famigerado AI-5, de 13 de dezembro de 1968, que também exigiu diploma para os professores de jornalismo. Tratava-se, portanto, de uma herança dos generais, uma aberração como a Lei de Imprensa que acaba de ser banida pelo STF junto com a exigência do diploma de jornalista.
Então por que a discussão em torno de algo tão inútil e dispensável? Por que estudantes de comunicação, professores e sindicalistas realizaram ato público em favor da obrigatoriedade do diploma de jornalista no Centro da cidade do Rio de Janeiro?
Logo após o AI-5, proliferaram as faculdades de comunicação. Hoje, existem cerca de 470 escolas de jornalismo que formam quase 12.000 jornalistas anualmente. Quantidade absolutamente desnecessária que desvaloriza o salário do profissional. Existem, também, inúmeros sindicatos da categoria, além da Federação Nacional de Jornalistas.
Imaginem a grana que rola para esses donos de faculdades e diretores de sindicatos.
Para Suzana Blass, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, “o diploma profissionalizou o jornalismo que, hoje, é bem mais ético e comprometido com a responsabilidade social". Bem mais ético e comprometido? Tá de brincadeira, só pode ser. O compromisso é com a opinião do dono do jornal. Isso é ética?
O jornalista atualmente é a voz do dono. Se for convocado para escrever sobre Jesus Cristo na véspera do Natal, o redator vai perguntar ao editor: “escrevo contra ou a favor?”
Para Carmen Pereira – diretora do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo – a exigência do diploma serve como garantia de qualidade das informações transmitidas. Tá, de brincadeira, também. Ela disse, ainda, que a profissão subiu um patamar quando surgiu a exigência do diploma. Só se foi o patamar da censura do AI-5.
Fica claro que elas não têm argumentos para defender o diploma. O deputado Paulo Pimenta, defendendo a exigência do diploma, foi mais sincero na tribuna da Câmara Federal: “Isso significará um desastre para as faculdades de jornalismo de todo o Brasil”. Acrescentaria eu que será um desastre também para os inúmeros sindicatos.
Mas, para o estudante das boas faculdades, não. Esse pode ficar tranquilo, pois, essas faculdades continuarão a existir, ajudando em sua formação e expedindo diplomas. E um diploma é sempre uma vantagem sobre quem não o possui,
O que acabou foi apenas a exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista. E isso é absolutamente correto.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

FUTEBOL NA TV

Eu amo o futebol e pago R$ 59,90 mensais para ver o campeonato brasileiro pelas transmissões da SKY. Isso significa que não sou simpatizante da GATONET que custa muito menos para se ver tudo que é transmitido, inclusive os canais pornográficos, mas é roubo.
Há coisas que me irritam nessas transmissões. De uma delas, eu me livrei hoje e digo seu nome com todas as letras: Carlos Alberto Parreira, o incompetente. Só espero que ele não seja substituído por algo tão irritante e tão incompetente como Renato gaúcho.
Muitas outras coisas me irritam. Por exemplo, ver a absurda numeração das camisas dos jogadores. Até bem pouco tempo, eram numeradas de 1 a 11. Simples, simples assim. E os “regra três” eram numerados de 12 a 16. Podíamos até fazer um bolo para ver quem acertaria o autor do primeiro gol. Bastava sortear os números 7 a 11. Atualmente, isso é impossível.
Não sabemos nunca qual será a numeração dos onze atletas. Eles entram em campo com as camisas 27, 33, 34, 46, 68, 74, 99. Por quê? Você sabe? Qual a razão para isso? Não existe a mínima racionalidade nisto.
Há coisas ainda mais irritantes. Como as entrevistas com jogadores ofegantes e apressados que nunca têm nada de útil ou de interessante a dizer. Sempre coçando a orelha, dizem apenas que vão trabalhar para consertar os erros cometidos, como se isso fosse possível. Ou coçando o nariz, agradecem a Deus pelo resultado, como se Deus torcesse pelo time deles. E as inúteis entrevistas coletivas? Felizmente, contra isso, eu tenho uma arma: o controle remoto.
Como é irritante a torcida organizada entoando um cântico incompreensível com uma melodia sofrível e idêntica a da torcida adversária. Claro que não irrita tanto quanto as cornetas africanas, mas que irrita, irrita. Também, não é tão irritante quanto o Galvão Bueno.
Mas, as perguntas dos internautas... Que coisa mais imbecil e dispensável.
E as palhaçadas feitas para festejar um gol... Por que não festejam com a dignidade com que Pelé, Zico, Reinaldo, festejavam? Ou com a dignidade do Ronaldo sorrindo e abrindo os braços para a torcida.
A criançada entrando em campo de mãos dadas com os atletas, para quê? É mais inútil que o hino nacional antes de todos os jogos em São Paulo. Estão banalizando um símbolo nacional que, de tão executado, já não transmite a mínima emoção a ninguém.
Entretanto, não há nada mais irritante que os abalizados comentaristas esportivos. Sabem tudo de futebol. Conhecem todos os esquemas táticos numéricos: 4-4-2, 3-4-2-1, 3-5-2, 4-3-1-2, 4-5-1. Por que não vão treinar um time da terceira divisão? Eles fingem identificar o esquema durante o jogo no qual todos os atletas correm atrás da bola em menos de um terço do espaço do campo. Acreditam que o time em campo é o mesmo time teórico que viram no papel, como se a partida fosse de futebol totó. Complicam o que é tão simples e não conseguem reconhecer jamais que o que define o esquema tático é a linha da bola.
Esses idiotas do subjetivismo inventaram o elemento surpresa. Surpresa para quem se o elemento está em campo desde o início do jogo com o mesmo uniforme do adversário? Elemento surpresa é o juiz chutar em gol, é o bandeirinha evitar que a bola saia de campo e dar um passe de curva para um atacante.
Lembro da copa de 70 quando eles inventaram o craque que jogava sem a bola. Pô! Sem a bola até eu. Tostão atuava mal e disseram que ele jogava sem a bola. Aquilo foi uma ofensa para o craque que abalou a Inglaterra, driblou toda a defesa inglesa, mais a rainha, o primeiro-ministro, e deu o passe açucarado para Jairzinho fazer o gol da vitória.
Essa irritação me fez escrever para a SKY dizendo que pagava para ver o futebol e tinha o direito de exigir que a participação dos pretensiosos comentaristas esportivos fosse a mínima possível. E que eles se abstivessem de comentar os esquemas táticos numéricos.
Parece que me atenderam. Nas últimas transmissões ninguém mais tem falado em tática.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

FLATULÊNCIA

Para mostrar que nosso blog não vive somente de críticas – mas, também é cultura – vamos falar sobre o, digo, sobre a flatulência.
Vamos tentar informar tudo o que você queria saber sobre o, digo, sobre a flatulência e não tinha coragem de, nem a quem, perguntar. O, digo... Bem, é melhor chamá-lo de flato (do latim flatus, sopro).
O flato é uma ventosidade anal que pode ser ruidosa ou não e geralmente tem um cheiro fétido. Tem origem nos gases que são ingeridos juntamente com a comida e, também, dos gases acumulados durante o processo de digestão e na decomposição dos resíduos orgânicos no intestino. Um desses processos é a fermentação de carboidratos por bactérias.
O mau cheiro dos flatos vem do sulfeto de hidrogênio e do enxofre livre na mistura. Quanto mais rica em enxofre for a dieta, mais flatos serão produzidos pelas bactérias no intestino e vão feder mais. Repolho, couve-flor, ovos cozidos são notórios por produzirem flatos fedidos e, muitas vezes, asfixiantes.
O interessante do mau cheiro flatulento é que não suportamos o alheio e até gostamos do nosso. A ciência ainda não sabe a causa dessa predileção.
O som dos flatos são causados pela vibração da abertura anal. Depende da velocidade na expulsão do gás e do diâmetro da abertura anal. Pelo volume do som, podemos medi-los como traques ou trovões. Há também o do tipo metralhadora que é composto de vários flatos diminutos expelidos ininterruptamente. Contudo, a fetidez independe do som produzido.
Em média, uma pessoa pode produzir até 15 flatos diários, nem todos com uma sonoridade audível. Mesmo dormindo, todo ser vivo produz flatos. Alguns soam como um despertador no meio da madrugada. Alguns são capazes de produzir flatos até mesmo horas após a morte.
Mulheres produzem tantos ou mais flatos que os homens. As mulheres se envergonham disso, mas há homens que se orgulham e fazem questão de acionar uma espécie de amplificador anal para que todos ouçam os seus flatos.
O flato não tem nada a ver com o arroto. O arroto vem do estômago e pode vir acompanhado de resíduos estomacais; o flato é oriundo dos intestinos, tem uma diferente composição química e somente pode vir acompanhado de fezes líquidas. É o chamado flato úmido que é desesperador quando estamos em público. Quem já passou por isso sabe como é triste ter as nádegas umedecidas por dejetos anais. O arroto geralmente tem um cheiro azedo e o flato tem um fedor nauseante característico que varia de pessoa para pessoa.
O cheiro do flato do rico é diferente do fedor do flato do pobre devido à alimentação. Notem, que eu estabeleço uma distinção: cheiro do flato do rico e fedor do flato do pobre. Rico vive de dieta e não come – como nós simples mortais - repolho, ovo cozido, caranguejo, sopa de entulho nem prato feito de boteco. E só bebem “perfumarias”, não bebem cachaça.
Os gases que expelimos pelo ânus podem pegar fogo, produzindo chamas azuis e amarelas porque os flatos contêm metano e hidrogênio, facilmente inflamáveis. Mas, não tente fazer isso em casa. É muito perigoso, o fogo pode se introduzir em seu canal retal e causar estragos.
Esses gases que expelimos também são reconhecidamente capazes de destruir a camada de ozônio que protege o planeta e contribuem 20 vezes mais que o dióxido de carbono para o efeito estufa. Mas, você não pode evitá-los. Portanto, não se preocupe com isso, você já tem outros compromissos muito mais importantes com a ecologia.
Você pode, sim, tranquilamente adiar um flato. Você sabe que ele vem vindo, fecha o esfincter anal e ele volta para o intestino, aguardando uma ordem posterior. Você poderá soltá-lo depois em recinto e ocasião apropriados. Evite sempre soltá-los no elevador ou dentro do carro quando acompanhado de namorada nova. Também, pode evitar a sua ressonância controlando o esfincter anal para soltá-lo de mansinho, discretamente. Mas, cuidado, é preciso ter uma técnica profissional para fazê-lo. Já quebrei a cara, certa vez em uma reunião de trabalho, quando pensei que estava no total controle do som e, de repente, foi aquele PUM.
Aí está, portanto, tudo o que eu sei e que você gostaria de saber sobre o peido – ih! falei o nome dele – e não tinha coragem de perguntar.
Ia me esquecendo, o Aurélio diz que flatulência também significa vaidade pretensiosa; bazófia, jactância. É, portanto, uma palavra bem adequada para qualificar quem se orgulha de seus peidos estrepitosos.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ADERJ INFORMA: SAI SARNEY, ENTRA CPI DA PETROBRÁS

Anote aí: semana que vem a mídia não mais dará destaque aos atos secretos do Senado.
O assunto, agora em pauta, será a CPI da Petrobrás.
Os virgílios, os agripinos, os maias, os torres, os dias – a oposição que tem espaço no Jornal Nacional – concluíram que a suposta crise, como disse Sarney, não era do Senado, mas sim dos senadores.
O fato é que todos seriam atingidos pelo fogo cruzado das denúncias, algo ruim não somente para Sarney, mas, também, para todo senador que vai disputar mandato em 2010, ou sejam, dois terços dos vestais que compõem a Casa.
É sempre melhor retomar os ataques e pseudo-investigações contra o governo do que dar a cara a tapa. Eles sabem que todos têm algum esqueleto escondido em seus gabinetes.
O que eles não sabem é que vão dar um outro tiro no próprio pé.
E o povo que se indignou com a campanha contra os atos secretos, agora que se dane.

PITBULLS E ROTTWEILLERS

Teve início uma nova temporada de ataques de pitbulls e rottweillers a crianças e idosos. A semana passada, foi em São Paulo: um menino de 12 anos foi atacado brutalmente por um rottweiller e quase foi morto. Ontem, foi em Foz do Iguaçu: um pitbull atacou ferozmente uma criança de 10 anos e um senhor de 76 que tentou defendê-lo. Os cachorros estavam soltos na rua sem focinheira.
Qualquer dia, essa desgraça sempre anunciada ocorrerá também em Muriqui.
Há pouco tempo, vi passeando na praia um pitbull sem focinheira.
Chamado a atenção, o irresponsável jovem dono do cão disse apenas que o bicho era manso, que não mordia.
Pô! Quem não morde sou eu, cara!
Pitbull – esse cruzamento de dragão de Komodo com demônio da Tanzânia – foi feito para atacar, morder e matar. É da sua índole covarde atacar crianças e idosos.

Assim como o rottweiller que é a própria encarnação do demônio.
São dois animais esquizofrênicos. Em um momento, parecem tranquilos. De repente, partem para a agressão. Falta-lhes o auto-controle que qualquer vira-latas possui. Só mesmo imbecis, cruéis e sanguinários como os próprios cães, podem manter essas feras como animais de estimação. Se é para proteger-se ou para defender a propriedade, saibam que eles sempre darão muito mais prejuízo ao bolso do que nossos domesticados arrombadores de veranistas.
E por falar em cachorros, quem será que deu fim aos vira-latas de Muriqui? Não se vê mais nenhum dos antigos na praia. Ainda bem. Mas, estão surgindo novos.
É mais trabalho para o exterminador de vira-latas que poderia acabar também com os pitbulls e rottweillers da nossa comunidade.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

MAIS UM BLOG EM MANGARATIBA

Fico sempre muito feliz quando descubro um novo blog criado por nossa gente de Mangaratiba. E faço questão de promovê-lo aqui.
Este é de uma educadora muito bonita e comprometida com o que faz. Que procura dedicar-se ao máximo a tudo aquilo que se propõe a realizar e que, acima de tudo, acredita na possibilidade de promover a mudança através da educação.
No blog, ela divulga as atividades do GESTAR II em Mangaratiba e em outros municípios.
GESTAR II é um programa de formação continuada para professores de português e matemática das séries finais do ensino fundamental. É objetivo do Gestar II colaborar para a melhoria do processo ensino-aprendizagem dos alunos. E, também, contribuir para o aperfeiçoamento da autonomia do professor na sua prática pedagógica e permitir o desenvolvimento de um trabalho baseado em habilidades e competências.
Se você é professor, não deixe de ir lá.
http://gestar2lpmangaratiba.blogspot.com/

domingo, 5 de julho de 2009

FREI CHICO E A TORTURA


Acabei de ler “Lula, o Filho do Brasil”, um livro com mais de 520 páginas, bem grosso como os livros que eu gosto. Nele, a autora – Denise Paraná – reproduz as entrevistas que fez com Lula – antes que se tornasse presidente – seus irmãos, parentes e amigos. O livro foi roteirizado para um projeto internacional de cinema e televisão. Como disse Antônio Cândido na apresentação, o livro é um panorama do comportamento e dos sentimentos das classes oprimidas.
Entre os diversos depoimentos, destaco o de Frei Chico, o irmão mais conscientizado politicamente e que nunca foi padre. Frei é apenas um apelido devido a sua careca.
“A nossa prisão foi um negócio em que todo mundo caiu. Todo mundo. Se você era amigo de alguém, você era preso também. Aconteceu muito disso. Pegavam, levavam o cara lá para o DOI-CODI; o cara era feirante que coincidentemente era vizinho de um comunista. Isso foi nos desmoralizando, porque prendiam todo mundo.
O ridículo de tudo isso é que os caras torturavam mesmo. Torturavam mulheres. Mulher perante homem (...) Pegavam e torturavam a mulher perante o marido. Mandavam vir um cara colocar a vassoura na vagina da mulher. Isso nós assistimos. O cara estuprava com objetos. Tinha um bastão elétrico. Enfiava o bstão na mulher, na frente do marido.
Desmoralizavam as pessoas, o negócio era desmoralizar as pessoas. Não era chegar ao ponto de matar. A morte do Herzog foi um acidente de trabalho deles. Foi pancada errada que eles deram e mataram o rapaz. Mas eles tentavam destruir você como ser humano. Esse era o objetivo.
A cadeira do dragão era como essa aqui, com braços, onde estou sentado. Eles amarram seus braços nos braços da cadeira e suas pernas aqui, nas pernas da cadeira, e colocam um pau no meio, entre os pés da cadeira. Aí, eles te aleijam as tuas mãos com pancadas. Usam cassetete, palmatória. E um pau... Eles dão pancadas na mão, de um jeito que ela fica toda inchada. Dão pancada na sola dos pés também. Às vezes quebram alguns dedos, mas não é p´ra quebrar, não. É bem científica a coisa deles. Você fica de um jeito que você não pode pegar um maço de cigarros. Você não consegue dobrar, movimentar a mão. Ela fica completamente dura. Você só pega as coisas juntando uma mão na outra. Com o pé, você não consegue andar. Fica tudo inchado debaixo dos pés. Isso te aleija, e pronto. Você fica aleijado por um bom tempo. Isso eles fizeram com todos que passaram por ali. Não se salvou ninguém.
(...) Tinha uma menina lá que era arquiteta, ela era sobrinha do D`Ávila Mello (NL: Ednardo d´Ávila Mello, general-comandante do II Exército). Eu lembro dessa menina arquiteta – não só ela, mas outras foram presas – eu lembro que torturavam p´ra diabo, mesmo ela sendo sobrinha, parente do cara. Ele não estava nem aí (...)
E o vandalismo dos caras... Um cara tortura você, aí ficam dois olhando, ficam três olhando. E um médico que vem, tira a sua pressão para ver como é que você está. Se reage, se não reage. Se vai continuar.
(...) Os caras da PM eram soldados jovens ainda. Na época, com 20, 22 anos, se sujeitaram a ficar ali dando porrada na gente em troca de um salário extrazinho, em troca de alguma ajuda econômica extra. Tinha um adicional.
(...) Eles tiravam todos os presos da cela (...) e levavam para uma sala de aula com cadeira de escola. E chegava lá, o que faziam? Você botava um saco plástico na cara com um calor insuportável – tinha velhinho assim de 70 anos, ali não tinha idade, não tinha nada – e ficava ali. Sentado e com o saco plástico na cara, sem dormir.
Além disso, tinha um crioulo jovem que ficava a noite inteira batendo. Não deixava ninguém cochilar. Cochilava e ele dava uma porrada. Era p´ra não deixar ninguém cochilar.
Tinha um japonês que era coronel, capitão, tenente, não sei o que é que ele era, só sei que ele era do Exército. Esse japonês fazia a parte escrita do depoimento (...) era um depoimento que você fazia mas com o cara dizendo o que deveria escrever. Era esse japonês canalha. Você ia dizer alguma coisa e ele falava: “Tá errado”. Aí, depois, quando chegava na Justiça Militar, você tinha que desmentir aquilo.
Chegou na Justiça Militar e eu tive que desmentir tudo o que eu tinha dito para eles. Disse diferente. Mas eu reconheci o “Frei Chico” como apelido. Aí o juiz, um tal de Nelsinho, que até hoje está por aí, ele dizia que eu então reconhecia que o meu codinome de partido era Frei Chico. Ele disse que então estava certo o meu depoimento no DOI-CODI.
(...) Não faz sentido dizer que eu fui menos torturado porque eu era irmão do Lula, não tem nada a ver. Durante dois dias fizeram isso direto: ficaram me interrogando para saber da ligação do Lula com o “partidão”. Era uma forma para tentar incriminar o Lula. Mas não teve jeito.
(...) Detalhes da tortura, por exemplo. Além deles aleijarem você nos pés e nas mãos, eles davam choques. Eles davam um banho d´água em você, metiam sal na sua boca, você era amarrado e eles davam choque. E no pênis, então? Adoravam dar choque no pênis.
(...) No período em que você está sendo torturado dá vontade de se matar. Se você tiver chance, você se mata. É por isso que eles deixavam a gente sem cinto, sem nada. Não podia usar cadarço no sapato. Qualquer coisa que pudesse se tranformar em corda, eles não deixavam. Coisa cortante nem pensar. Teve mais gente que morreu lá. Mas não foi suicídio. Não tinha condições de ninguém se suicidar.
Quando dizem que o Herzog se matou, é uma grande sacanagem.”

Essa é apenas uma parte da entrevista com o tranquilo Frei Chico, exemplo de comunista que não come criancinhas e grande responsável por cooptar Lula para a luta de classes em defesa dos metalúrgicos do ABC de São Paulo.

sábado, 4 de julho de 2009

APOSENTADORIA

Quase todos nós sonhamos com a aposentadoria. Mesmo aqueles que nunca pegaram no pesado, nem contribuiram com qualquer merreca para a previdência social, sonham com o dia em que farão jus a um salãrio mensal sem ter que fazer nada em troca.
Entre esses, muitos tentam aplicar um golpe no INPS para realizar o seu sonho. Alguns até conseguem. Em compensação, meu pai contribuiu a vida inteira, faleceu antes de se aposentar e não pôde nem deixar pensão para ninguém. Assim como milhões de mulheres que contribuiram durante mais de dez anos e sonhavam apenas com o casamento. Casaram, largaram o emprego e a previdência ficou com a grana.
Há, porém, alguns que não sonham com a aposentadoria. Pensam que se pararem de trabalhar vão perecer na inutilidade. Não sabem como é bom ser inútil. Não saber que horas são nem que dia é hoje. Ler, computar, escrever, comer, beber, dormir, sem ter que dar satisfação a ninguém. É o autêntico livre-arbítrio, afinal. É como estar no mundo a passeio. E todo mês aquele troco na conta-corrente. E ainda ter direito ao décimo-terceiro.
Eu contribuí, durante muito tempo, sobre 20 salários. Depois, a lei baixou a contribuição máxima e passei a pagar sobre dez. Quando via aquele desconto no meu salário, todos os meses, durante 30 anos, sonhava com o dia em que receberia tudo de volta.
Hoje, 23 anos depois, ao contrário de meu pai, vejo que já recebi em dobro – talvez mais do que triplicado – tudo que me descontaram. E, dentro da lei, sou mais prejudicial ao INPS do que a grande maioria dos fraudadores.
O meu sonho de aposentadoria se realizou. Sou um inútil e orgulhoso vagabundo. Sou pago para não fazer nada. A não ser trocar lâmpadas, ir ao mercado, dirigir para minha mulher, pegar coisas onde ela não alcança e outras coisinhas sem importância. Quando ela me pede algo mais complicado, deixo para fazer somente nos feriados. Sábados e domingos, eu tiro para descansar.
E estou vivo. Como castigo, porém, tenho outros sonhos de aposentadoria. São, na verdade, pesadelos terríveis. Quase todas as noites, sonho que estou trabalhando. Dou um duro danado a madrugada inteira e nada dá certo no que faço.
Acordo revoltado, cansado e nada nem ninguém consegue me desviar da mais completa inutilidade.

domingo, 28 de junho de 2009

MANGARATIBAPUGA

É o nome do novo blog referente à Mangaratiba que teve início neste mês de junho. A blogosfera está crescendo entre nós. Saúdo o (a) Gaby Puga pelo lançamento. E, você, quando vai lançar o seu?
O link para este novo blog é http://mangaratibapuga.blogspot.com/

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ATOS SECRETOS DO SENADO

O portal de O Globo na web presta, hoje, um grande serviço aos internautas mais conscientes politicamente: a publicação de todos os 663 atos secretos do senado que estão causando uma verdadeira comoção nacional.
O escândalo está diariamente nos jornais e na TV culpando exclusivamente o Sarney. Claro que ele tem culpa, talvez, seja até o maior culpado. Mas, a oposição, como sempre, se aproveita do escândalo para fingir-se de santa.
Os torres, os dias, os maias, os virgílios - sempre os mesmos - têm sempre espaço no Jornal Nacional para sempre aparecer com toda a sua hipocrisia a demonstrar uma suposta inocência e combater aquilo do qual sempre participaram e se aproveitaram em benefício próprio nos últimos 13 anos. Não existem inocentes nesse caso. Como disse o Sarney: "a crise não é minha, é do Senado". Essa ameaça os deixou perturbardos e muito assanhados.
A relação, que tem início em 1996, é apresentada como links para o documento oficial que gerou o ato secreto. Assim considerado porque não foi publicado no Diário Oficial da União. Na verdade, foram atos ocultos que favoreceram a todos os senadores. Alguns mais que outros.
Cansei de linkar à procura de um documento que justificasse tamanho escândalo e abalo na opinião pública. Não encontrei. Se você encontrar algum, por favor, me informe em um comentário.
O link para ver a relação completa é o seguinte:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/06/24/confira-lista-dos-atos-secretos-do-senado-756487146.asp

SEIOS MIÚDOS NUNCA MAIS

Nada de silicone, nada de ginástica localizada nem enchimento no sutiã. As mulheres poderão, agora, ter os seios do tamanho que quiserem apenas com um toque de celular.
Um cientista japonês afirma que certos sons podem alterar a psicologia e mesmo o corpo das pessoas. Para provar sua teoria, ele criou um toque de celular que faz aumentar os seios.
O toque reproduz o choro de um bebê. Diz o cientista que “se você é mulher e ouve um bebê chorando, seus seios tendem a aumentar”.
A dose terapêutica indicada é de vinte vezes ao dia, durante dez dias. Se você tiver os seios muito pequenos, poderá aumentar a dose do som para quantas vezes quiser. Mas, cuidado, se você for do tipo mignon e receber muitos telefonemas diariamente.
O pessoal do Discovery Channel fez o teste e constatou aumento de três centímetros nos seios de uma mulher.
Aviso às bonecas: só funciona em mulher.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

TRILHA SONORA

O produtor musical, jornalista, escritor e compositor carioca Nelson Motta afirmou que “sendo generoso, acho que 90% do que se produz na música brasileira atualmente é uma porcaria feita para jogar no lixo”.
De fato, ele foi muito generoso. Pelo que sou obrigado a ouvir nos quiosques de Muriqui, elevaria esse percentual para 100%.
Tudo começou com “libera o Tonho que eu te dou dez contos”. Foram meses seguidos ouvindo isso. Depois, veio “tô nem aí, tô nem aí”. Em seguida, “do jeito que você me olha, vai dar namoro”. Vieram, também, “beber, cair e levantar, beber, cair e levantar” e “quem é o gostosão daqui? Sou eu, sou eu, sou eu”.
Passei mais um bom tempo ouvindo "hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer, vai rolar bundalelê". Como se não bastasse, veio "seu guarda eu não sou vagabundo, não sou delinquente, sou um cara carente...". À noite, ia dormir com essas porcarias na mente.
Agora, sou obrigado a ouvir “chupa, chupa, chupa que é de uva” É a mesma ladainha todos os dias nos altofalantes. Não dá para ficar na praia.
Aos sábados, domingos e feriados, porém, não dá p´ra escapar. Conjuntos eletrônicos, em que somente o sofrível canto é ao vivo, trazem um som ensurdecedor para a orla. Você pode até se trancar no apartamento para tentar evitá-lo, mas o som penetra pelas frestas das portas e janelas encobrindo qualquer outro som que se tenha em casa.
A trilha sonora perturbadora é sempre a mesma. Das 13 às 18/19 horas, ela se repete incansável e insistentemente: chupa, chupa, chupa que é de uva, chupa, chupa, chupa que é de uva.
Os responsáveis pela porcaria sonora pensam estar promovendo o turismo, mas, com seu péssimo gosto musical, atraem somente o lúmpen. E dão constante trabalho à polícia que sempre é chamada para reduzir a poluição sonora.
Atualmente, a trilha sonora ganhou uma nova canção – canção? – oriunda de uma novela global: “você não vale nada, mas eu gosto de você, você não vale nada, mas eu gosto de você, você não vale nada, mas eu gosto de você, você não vale nada, mas eu gosto de você, você não vale nada, mas eu gosto de você, você não vale nada, mas eu gosto de você”.
Fora isso, é o famigerado e pornográfico "funk" nos automóveis com a mala aberta. Aí, eu bebo, aí, eu bebo. Bebo p´ra caraio. Bebo p´ra caraio. Bebo p´ra caraio.
Socorro! Cabo Carlos...
Agora, clique no link abaixo e console-se com a trilha sonora do ano em que você nasceu.
http://www.planetarei.com.br/100anos/index.htm
Ou, então, se preferir, ouça todas as músicas dos Beatles:
http://www.beatlestube.net/video-links/

QUALÉ OBAMA?

Barack Obama afirmou, ontem, durante entrevista coletiva na Casa Branca, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um exemplo para outros países da América Latina.
"O presidente Lula tem uma orientação política muito diferente da maioria de nós americanos" - disse Obama - "ele surgiu do movimento sindical e era visto como um forte esquerdista”.
E completou: “Acontece que ele se mostrou uma pessoa muito prática que, apesar de manter relações por todo o espectro político da América Latina, realizou todos os tipos de reformas de mercado inteligentes que fizeram o Brasil prosperar".
Qual é a do Obama? Um homem culto, formado nas melhores escolas americanas, falando inglês fluentemente, ao contrário do nosso presidente que não fala uma única palavra. Depois que assumiu a presidência, vive elogiando o Lula para todo o mundo.
Parece até um apedeuta doméstico como eu.

KAFKIANAS

Deu a louca no judiciário.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) “kafkianamente” negou ser crime pagar por sexo com menores de 12 e 13 anos. Os ministros da Quinta Turma do STJ mantiveram a decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul que rejeitou acusação de exploração sexual de menores contra dois réus que contrataram os serviços de três garotas, mediante o pagamento de R$ 80 para duas adolescentes - na época com 12 e 13 anos - e R$ 60 para uma mulher. Além do programa, eles aproveitaram para fazer fotos das meninas nuas.
O Tribunal de Mato Grosso do Sul absolveu os dois por considerar que as adolescentes já eram prostitutas reconhecidas, ressaltando que a responsabilidade penal dos réus seria grave somente se tivessem iniciado as crianças na prostituição. Submetê-las à prostituição e participar desse processo não é crime.
O STJ decidiu que cliente de prostituta infantil não se enquadra no crime previsto no artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (Submeter criança ou adolescente – aquelas entre 12 e 18 anos - à prostituição ou à exploração sexual).
A decisão abre um precedente perigoso. O juiz estadual disse que absolveu os réus porque "as prostitutas esperam o cliente na rua e já não são mais pessoas que gozam de uma boa imagem perante a sociedade". O magistrado afirma ainda que a "prostituição é uma profissão tão antiga que é considerada no meio social apenas um desregramento moral, mas jamais uma ilegalidade penal".
O STJ manteve essa posição e apenas condenou os dois jovens por portarem material pornográfico, as fotos das meninas nuas. Fica, assim, aberta a temporada do turismo sexual infantil, O STJ poderia, então, patrocinar uma campanha publicitária internacional para trazer turistas ao nosso país. Essa, com certeza, será a nossa maior atração turística.
A decisão é uma licença para o abuso e a exploração de crianças sem qualquer punição. A promotoria tentará derrubar a decisão no Supremo Tribunal Federal. Caso o STF não reverta a decisão, o caso – uma vergonha da justiça brasileira – poderá ser levado para cortes internacionais.
Não punir quem explora sexualmente crianças e adolescentes é ignorar que há uma rede criminosa agindo nesse sentido, é incentivar a sua proliferação.
Em outro processo "kafkiano", como no caso do menino Sean, o austríaco Sascha Zanger também lutava na justiça pela guarda de Sophie e seu irmão, os dois filhos que teve com a brasileira Maristela dos Santos que fugiu com as crianças da Áustria para o Brasil sem a sua permissão.
Zanger já veio quatro vezes ao Brasil e gastou mais de 100 mil euros com advogados, mas não conseguiu levar os filhos de volta à Áustria. Este mês, a menina morreu vítima de espancamento pela tia e a justiça transferiu a guarda do irmão para a madrasta de Maristela.
Se o pai biológico está vivo e quer os filhos de volta, como é que a justiça os coloca sob a guarda de uma tia tresloucada e, agora, entrega o menino para a madrasta da mãe?
As decisões "kafkianas" se repetem na justiça brasileira. “Trata-se de um caso de sequestro internacional de criança, previsto na convenção de Haia. Se o juiz tivesse me autorizado a levar as crianças, isso não teria ocorrido. Tudo o que eu quero agora é levar meu filho, que é o que me resta”.
E o que é que a justiça brasileira ainda está esperando para devolver logo o menino à guarda do pai? Está esperando acontecer outra tragédia?
É mais uma aberração jurídica de nossos doutos magistrados. E ainda há quem diga que decisão judicial não se discute, cumpre-se.

terça-feira, 23 de junho de 2009

MANGARATIBA AMEAÇADA


Caso seja implantado, o “Loteamento Fazenda Ingaíba” trará significativo impacto ambiental à Mangaratiba. O ambientalista e engenheiro florestal Ricardo Teixeira, que atua há muitos anos na defesa da região, dá o alerta em seu blog VERDEfato: “Esse mega-empreendimento é totalmente irracional, mascarado por medidas mitigadoras de baixíssimo efeito e servirá para acabar de vez com o pouco que resta de praias em condições de uso e do único manguezal da baía de Mangaratiba.”
Diz ainda Ricardo Teixeira - nada a ver com o presidente da CBF - que o empreendimento prevê 2.205 lotes residenciais de 360m2, 10 prédios de 4 andares para abrigar 120 apartamentos, uma pousada para 80 quartos e mais 49 vilas náuticas, 50 bangalôs e um centro comercial.
Será uma nova cidade dentro de Mangaratiba com todos os impactos ambientais e sociais que se possam imaginar. Serão mais 12.000 pessoas entre residentes, empregados e população flutuante, um aumento de 40% na população atual que, pelo IBGE, é cerca de 30.000 habitantes. Haverá uma taxa de concentração desses lotes nas 13 glebas em que se subdividirá o empreendimento - ver foto acima - da ordem de 85%, ou seja, os lotes ficarão dispostos colados uns aos outros, sem intervalos, sem praças, sem áreas verdes, as quais ficarão limitadas à parte externa das glebas. Tudo isso desenhado da forma mais ultrapassada, danosa e impactante que se tem notícia nesses tempos de conscientização ecológica e de preservação do meio ambiente. A taxa de ocupação dos lotes varia de 70% a 80%, o que também se mostra altamente impactante.
Questionado em audiência pública sobre a tendência de se fazer um planejamento urbanístico-ambiental de perfil conservacionista - os chamados Green Buildings - o empreendedor afirmou que isso acarretaria um acréscimo inviável de 30% nos custos do projeto. Ficou claro que o empreendedor tem em mente apenas o lucro que o investimento irá proporcionar, e não privilegiar a questão ambiental que deveria ser tão ou mais importante do que o lucro.
O empreendimento pretende suprimir 856.295 m2 de Áreas de Preservação Permanente, incluindo-se um importante manguezal inserido na bacia hidrográfica do Rio Ingaíba. Um importante e frágil ecossistema que será destruído para receber milhares de caminhões de terra necessários para estabilização do solo, com cortes de um lado e aterros do outro, em uma perigosa e delicada operação que poderá causar o assoreamento dos rios Ingaíba e Santo Antonio, dos manguezais, das áreas de várzea e alagados, a eliminação de córregos e cursos d’água que hoje são responsáveis por toda a irrigação da área e também a destruição de nascentes. A matéria completa está no site VIVATERRA e também no VERDEfato, de Ricardo Marandino Teixeira, os quais podem ser assessados pelos links abaixo:
Diante disto, eu - Lacerda - gostaria de ver como fica a cara de pau daqueles dirigentes de ONGs que sobrevivem vendendo títulos de comendador ou obtendo vantagens com a concessão de prêmios de "destaque do ano" para políticos, empresários e municípios, pelos supostos trabalhos desenvolvidos em favor do meio ambiente.
Mangaratiba foi agraciada, este ano, com o prêmio "Destaque Nacional em Planejamento Urbanístico" do Instituto Biosfera.
A premiação é concedida a cada dois anos às cidades brasileiras que se destacam na implantação de políticas públicas que contribuam para a melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida dos moradores.
Só gostaria de saber o que foi concedido em troca dessa "importante honraria".

segunda-feira, 22 de junho de 2009

KAFKA

Ainda na juventude, aí pelos 15/16 anos, li dois livros de Franz Kafka, escritor que sempre exerceu enorme influência sobre a moderna literatura mundial. O primeiro foi A Metamorfose no qual o personagem principal acorda pela manhã e constata que se transformou em uma enorme e cascuda barata. A partir daí, Kafka faz uma análise crítica do drama psicológico que passa a afetar o relacionamento familiar do personagem. Imagine o que faria você, pai, mãe, avós, irmão ou irmã, de alguém que sustentava toda a família e que amanhece transformado em uma repugnante e gigantesca barata.
O outro livro que me envolveu emocionalmente foi O Processo. Neste, Kafka conta a história de um homem que foi preso e acusado por um crime que não cometeu e que nunca lhe é revelado qual foi. Durante o processo em que é julgado e condenado, ele sempre jurou sua inocência. Entretanto, os juízes lhe perguntavam: “Você é inocente de quê?" Talvez, se soubesse responder, ele não teria sido executado.
Quem lê esses dois livros jamais os esquece. Kafka é o surrealismo em seu estado mais puro e emocional. O que parece absurdo está presente em toda a obra de Kafka. A realidade está sempre a um passo da loucura como em nossos sonhos e pesadelos.
É algo tão bizarro como o que vem acontecendo com o pai biológico do menino Sean (9 anos) que luta obstinadamente, e sem sucesso, na justiça brasileira, pela guarda do próprio filho. Um direito, neste caso inalienável, reconhecido até pela Convenção de Haia. O menino virou um joguete nas mãos e mentes de nossos juízes.
Não dá para entender como, em suas variadas instâncias, nossos juízes julguem de forma tão diferente um mesmo caso, permitindo tantos recursos e adiamentos, jamais tomando uma decisão definitiva. O caso do menino Sean é um processo kafkiano.
Depois que a Justiça Federal determinou que ele fosse devolvido, em 48 horas, ao seu pai biológico, um ministro do STF – aquele parente do Collor que consegue ser mais pedante e pretensioso que o Gilmar “Dantas” – concedeu liminar determinando que o menino ficasse no Brasil até julgamento definitivo pelo Supremo. O plenário do STF, então, cancelou a liminar e devolveu o caso à Justiça Federal do Rio de Janeiro. Isto é, como Pilatos, apenas lavou as mãos. Por que o STF, com todo o seu poder de última instância, se negou a dar uma decisão definitiva no caso e acabar com a pendenga?
Acontece que, no mesmo dia, outro juiz federal do Rio concedeu uma nova liminar ao padrasto para que Sean permanecesse no Brasil até o julgamento do mérito do mandado de segurança.
Portanto, de nada valeu a decisão do STF. E continua a agonia kafkiana do pai biológico que disse estar vivendo uma tragédia em suas indas e vindas ao Brasil.
Até quando vai durar a bizarra e vexatória balbúrdia do judiciário que trata com tão pouco caso um drama familiar que já dura cinco anos?
Em compensação, a 8ª. Câmara Criminal do Rio de Janeiro reverteu o tipo de pena do traficante Elias Maluco – que torturou, matou e carbonizou o jornalista Tim Lopes – de regime integralmente fechado para o regime fechado. Neste regime, há o recurso de progressão da pena para o regime semi-aberto e, até, para a liberdade condicional após cumprir um terço da sentença. Em 2007, um cúmplice do mesmo assassinato – o Zeu – foi beneficiado com a progressão do regime, saiu para visitar a família e não mais voltou. O próprio Elias Maluco estava em liberdade condicional quando matou Tim Lopes. E quantos outros assassinos hediondos não têm sido beneficiados pelos nossos juízes?
O que será que ocorre nas entrâncias, instâncias e entranhas do poder judiciário para fazê-lo agir de forma assim tão incompatível com a lógica e a inteligência humanas? E ainda há quem diga que decisão judicial não se discute, cumpre-se.
Viva o Poder Legislativo! Lá, pelo menos, tomamos conhecimento das mazelas secretas e podemos usar o poder do voto a cada quatro anos.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

DIA DOS NAMORADOS


Namoro... Namoro mesmo começa muito timidamente. Com olhares cruzados, durante um bom tempo, até chegar a um papo bem inocente, sem qualquer malícia.
Ele, emocionado, sem saber o que dizer e o que fazer com as mãos; ela, sem querer demonstrar qualquer emoção, apenas procura manter uma distância regulamentar. Esse primeiro lance não leva a lugar nenhum. Marcam um novo encontro para o dia seguinte. Na despedida, as mãos se tocam e permanecem em suave carícia. Trocam beijinhos sem que os lábios toquem a face do outro. Aí, tem início a fase dos telefonemas intermináveis.
Aquilo que começa com beijo na boca em baladas não é namoro. Geralmente, termina em transa no carro ou no motel. E fica por isso mesmo. Ela jamais será considerada como namorada. Falta-lhe uma boa dose de mistério. Cai no esquecimento. Será apenas uma mulher. E ele, apenas um homem. Dois exemplares do reino animal.
Namorada é aquela que jamais será esquecida e permanecerá durante toda a vida na lembrança de quem ama. Mesmo à distância e sem qualquer esperança, será impossível apagá-la da memória.
Namorada é aquela exaltada por Vinícius. Aquela que tem a beleza da mulher-namorada. Que é bem maior que a beleza do céu, que a beleza do mar, maior que toda a natureza. E são tantos seus encantos que nem dá p´ra comparar.
Namorada é aquela a quem pertence a lua e as estrelas e que – bendita entre as mulheres - existe para pacificar o homem e o mundo.
Namorada é aquela que recebe uma página repleta de palavras de amor e com ela se abraça emocionada.
Namorado é aquele que escreve essa página.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

ASSASSINATOS EM MANGARATIBA

Amigos, este blog não tem qualquer compromisso com a informação. Isto é, ele não existe para informar nada a ninguém. Para isso, existem os sites, os jornais, o rádio, a televisão, a fofoca, os boatos. Pode sim, muitas vezes, preocupar-se com uma notícia mal esclarecida ou com o que existe por trás dela. Este blog também não existe para elogiar ninguém. A não ser o Lula, o nosso serviço de limpeza urbana e o Cabo Carlos, PM que sabe impor a sua autoridade e que, quando está de serviço, coloca ordem na orla de Muriqui.
Como qualquer blog que se preza, ele existe para criticar o que está errado e exigir providências das autoridades. A crítica será sempre às ações e atitudes - ou à falta delas - de alguma autoridade ou de uma instituição em particular ou à sociedade em geral. Nunca foi nem será uma crítica pessoal a quem quer que seja.
Enfim, este blog existe para comentar e discutir fatos, emitir opinião e criar polêmicas. É um blog democrático, sem censura, aberto a quaisquer tipos de comentários.
Digo isso, porque alguns amigos me cobram comentários sobre os últimos trágicos acontecimentos ocorridos em nosso município. Primeiro foi a execução de um “empresário” com 17 tiros, às 10 horas da manhã, na praia de Muriqui. Até que eu fiz uma insinuação sobre a notícia em uma outra postagem - “É bom parar com esse negócio de chamar bandido de empresário” – e foi só.
Um mês após, tivemos a execução de um vereador no centro de Mangaratiba, à meia-noite. As testemunhas do crime viram o assassino fugir a pé.
Querem a minha opinião? Não tenho, somente posso dizer que foi um fato lastimável. Um crime que a comunidade tem que exigir da polícia uma completa averiguação e punição do culpado. A nossa polícia tão elogiada na “audiência pública" da Câmara, no Iate Clube, tem, agora, uma ótima oportunidade para demonstrar ser merecedora dos elogios e provar toda a sua competência.
Opinião, mesmo, eu tenho sobre aqueles que querem apontar culpados e relacionar o crime com a atuação do vereador na “oposição” ao governo municipal. Esses aproveitam-se do funesto acontecimento para combater o atual prefeito e, alguns, para aparecer e se dizerem também ameaçados de morte, mantendo à porta de casa segurança da PMERJ.
Nosso prefeito está por merecer uma oposição verdadeira e pode ser acusado de muita coisa, menos de chegar ao cúmulo da estupidez de contratar a morte de quem não aprova as suas contas.
Contratar a morte de um opositor sempre custará muito mais caro do que comprar o voto de toda a “oposição”.

MAIS UM EXEMPLO A SEGUIR

Deu no Extra:

“O prefeito de Belford Roxo, Alcides Rolim, anunciou que enviará à Câmara de Vereadores o plano de cargos e salários dos guardas municipais e abrirá concurso público para o preenchimento de 150 vagas na instituição.
De acordo com o secretário Municipal de Segurança Pública - Francisco D’Ambrósio - a guarda precisa evoluir para acompanhar o aumento da cobrança da população junto aos
órgãos de fiscalização da cidade.
— Vamos aumentar o efetivo, que hoje é de 130 homens, porque o município é cada vez mais responsável pela segurança — ressaltou.”

Quero estar ainda vivo no dia em que as autoridades civis de Mangaratiba assumirem a sua responsabilidade em relação à segurança do Município. São diversos os exemplos a ser seguidos. Belford Roxo tem 495.694 habitantes e apenas 130 guardas municipais.
Mangaratiba com apenas 30 mil habitantes tem 300 agentes. É muita gente para proteger apenas o patrimônio público, isto é, os bens municipais. Nem temos tantos bens assim para merecer esse privilégio. Belford Roxo deve ter muito mais.
E olhem só o portal de entrada da cidade. Bem melhor que o espantalho de Muriqui.

sábado, 6 de junho de 2009

NOVO BLOG

Fico feliz sempre que tomo conhecimento da implantação de um novo blog em Mangaratiba.
A professora Marta Garcia lançou o seu no mês passado. Torço por ele e faço questão de promovê-lo aqui.
http://aloprofessora.blogspot.com/