Segundo o Calvinismo
Dentro ou fora de qualquer contexto, esta afirmação me parece um absurdo. É bíblica, eu sei, mas considero um absurdo.
Já imaginaram se Mandela seguisse este conceito calvinista? E permitisse que o povo negro de seu país ficasse relegado à condenação eterna? E considerasse que a riqueza acumulada pelos brancos fosse um sinal de sua eterna salvação?
O contexto em que este absurdo se encaixa é um dos cinco pontos básicos da doutrina calvinista: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, vocação eficaz ou graça irresistível e perseverança dos santos.
No conceito sobre eleição incondicional, Calvino afirmou que: “É a escolha feita por Deus, desde toda a eternidade, daqueles a quem ele concedeu a graça da salvação. Esta escolha não se baseia no simples mérito, ou na fé das pessoas que ele escolhe, mas se baseia em sua decisão soberana e incondicional, irrevogável e insondável”.
A teoria da predestinação é também observada nos outros pontos básicos da doutrina calvinista, principalmente na expiação limitada. Nela, ele diz que “A obra redentora de Cristo foi apenas visando a salvação daqueles que têm sido alvo da graça da salvação”.
E diz mais em vocação eficaz ou graça irresistível: “Quando Deus soberanamente visa salvar alguém, o indivíduo não tem como resistir a essa graça da vida eterna com o próprio Deus.
E o quinto ponto sugere que: “aqueles a quem Deus chamou para a salvação, e depois, à comunhão eterna com ele, não podem cair em desgraça e perder sua salvação”.
Portanto, quando eu repito aqui no blog que o Todo-Poderoso Se amarra em mim, apesar de ser um quase ateu, creio estar sendo solidário com a teoria da predestinação, embora discordando dela e preferir o conceito do livre-arbítrio que também é bíblico.
O conceito de predestinação foi logo abraçado pelo poder econômico de então e foi estabelecida uma relação íntima entre a expansão da doutrina calvinista e o fortalecimentgo do capitalismo. O poder dominante logo viu que a teologia calvinista poderia solucionar a crise econômica da época. Alguns historiadores admitem esta conexão entre o Calvinismo e o desenvolvimento do capitalismo no século XVI, pois, na Europa, a religião foi usada como instrumento de fortalecimento do poder político, tanto nos estados católicos quanto nos protestantes
Calvino nem foi original. Para Lutero, também, alguns homens estavam predestinados à salvação e outros à condenação eternas. A vontade de Deus permaneceria sempre eterna e insondável e o homem jamais poderia esperar salvar-se por seus próprios esforços.
Logo após a morte do teólogo francês João Calvino, em 1564, surge porém Jacobus Arminius, teólogo holandês, que procurou tornar mais amenos os cinco pontos da doutrina calvinista, defendendo o livre-arbítrio e a responsabilidade humana.
Surge aí, então, o arminianismo em contraponto ao calvinismo. Quem estaria correto? A verdade é que ninguém é capaz de explicar o inexplicável que existe na Bíblia. Ambos foram lá buscar seus argumentos para a sua verdade. Ou melhor, para o seu ponto de vista.
Muito menos eu, um humilde ser quase humano incapaz de compreender dois conceitos que parecem tão contraditórios.
Por isso, apelo para dois renomados teólogos brasileiros que discorrem sobre o tema nos vídeos abaixo.
Um calvinista, reverendo da Igreja Presbiteriana -







